{"id":14605,"date":"2019-01-24T10:46:03","date_gmt":"2019-01-24T12:46:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=14605"},"modified":"2019-01-24T10:46:03","modified_gmt":"2019-01-24T12:46:03","slug":"triangulo-das-bermudas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/01\/triangulo-das-bermudas\/","title":{"rendered":"Tri\u00e2ngulo das Bermudas"},"content":{"rendered":"<p>Poucas coisas afligem tanto o ser humano como a falta de explica\u00e7\u00e3o. Acidente a\u00e9reo? Triste, mas juntaremos os corpos e superaremos o luto. Naufr\u00e1gio? Tr\u00e1gico, mas recolheremos o que pudermos e seguiremos em frente. O grande problema \u00e9: quando embarca\u00e7\u00f5es e aeronaves gigantes somem sem deixar vest\u00edgios. Desfavor Explica: Tri\u00e2ngulo das Bermudas.<!--more--><\/p>\n<p>Tri\u00e2ngulo das Bermudas \u00e9 o nome que d\u00e1 a uma \u00e1rea (em formato de triangulo d\u00e3\u00e3\u00e3), situada no oceano Atl\u00e2ntico. Ao contr\u00e1rio do que muitos imaginam, n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea pequena, ela tem quase 4 milh\u00f5es de km\u00b2 de extens\u00e3o. Para localiz\u00e1-la, basta desenhar um tri\u00e2ngulo, tra\u00e7ando uma linha imagin\u00e1ria, usando como v\u00e9rtices Miami, Porto Rico e as Ilhas Bermudas. Esse peda\u00e7o de mar que fica dentro da figura \u00e9 o Tri\u00e2ngulo das Bermudas.<\/p>\n<p>Ele recebeu esse nome gra\u00e7as a um naufr\u00e1gio. Em 1790 o barco de um espanhol chamado Juan Berm\u00fades afundou na regi\u00e3o. Ele conseguiu nadar at\u00e9 uma ilha e sobreviver. Gra\u00e7as a esse feito, a ilha recebeu o nome em sua homenagem. Uma homenagem um pouco imprecisa, por\u00e9m, uma homenagem.<\/p>\n<p>O Tri\u00e2ngulo de Bermudas ficou conhecido por diversos desaparecimentos de navios e avi\u00f5es que, ao cruzarem a \u00e1rea, sumiram sem deixar vest\u00edgios. Desde a Segunda Guerra Mundial, mais de cem avi\u00f5es e navios enormes desapareceram sem deixar rastros, o que despertou a curiosidade da humanidade e, como costuma acontecer, o medo e o desconhecimento come\u00e7aram a ser explorados. <\/p>\n<p>A imprensa come\u00e7ou a inflacionar qualquer coisa que acontecia ali em busca de audi\u00eancia, filmes e document\u00e1rios (nem sempre precisos) surgiram para explorar o assunto e muitas pessoas com alegada paranormalidade come\u00e7aram a atribuir propriedades m\u00e1gicas ao local. Pronto, estava criada a fama do Tri\u00e2ngulo das Bermudas. A verdade \u00e9 que a \u00e1rea tem o mesmo \u00edndice de acidentes de outros lugares, ent\u00e3o, ela n\u00e3o \u00e9 \u201camaldi\u00e7oada\u201d nem \u201cmais perigosa\u201d. O que intriga e a diferencia do resto do planeta \u00e9: n\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgios dos acidentes (corpos, fuselagem, roupas ou qualquer resto dos navios ou avi\u00f5es).<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a este enorme fator de agonia humana, a falta de certeza do que houve com as pessoas que estavam cruzando o local, o Tri\u00e2ngulo das Bermudas ostenta uma fama, digamos, ruim, j\u00e1 faz algum tempo. Na verdade, bastante tempo. O descobridor da Am\u00e9rica, Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, relatou em seu di\u00e1rio de bordo que ao entrar na regi\u00e3o suas b\u00fassolas simplesmente surtaram, os ponteiros de mexiam e n\u00e3o apontavam em uma dire\u00e7\u00e3o fixa, enquanto apareciam luzes na superf\u00edcie do mar. Chegou a relatar at\u00e9 uma bola de fogo que caiu do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Um dos casos de maior repercuss\u00e3o, que contribuiu em muito para a fama do Tri\u00e2ngulo de Bermudas, ocorreu na Segunda Guerra Mundial: diversos avi\u00f5es da marinha americana sumiram. Simples assim, Em um minuto estavam no radar, no minuto seguinte n\u00e3o estavam mais. <\/p>\n<p>O curioso \u00e9 os relatos tem uma similaridade com os de Colombo: quando entraram na regi\u00e3o, os pilotos reportaram que suas b\u00fassolas n\u00e3o estavam funcionando direito e por isso eles acabaram se perdendo. Estariam a 200km de onde deveriam estar. <\/p>\n<p>Imediatamente os EUA providenciaram socorro: mais de 200 avi\u00f5es e 20 navios sa\u00edram para o resgate. Vasculham mais de 320 mil km\u00b2, mas n\u00e3o encontram nenhum destro\u00e7o, corpo ou vest\u00edgio. As buscas foram longas e incessantes, afinal, era necess\u00e1rio entender se haviam sido abatidos em combate, mas nada, absolutamente nada foi encontrado.<\/p>\n<p>Outro caso famoso foi o do navio USS Cyclops. Em 16 de fevereiro de 1918, ele saiu do Brasil em dire\u00e7\u00e3o a Barbados. Fez uma parada por l\u00e1 entre 3 e 4 de mar\u00e7o. Mas depois disso nunca mais se teve not\u00edcia do navio. \u00c9 curioso que uma embarca\u00e7\u00e3o de mais de 20 toneladas desapare\u00e7a completamente sem que se encontre um parafuso e que n\u00e3o se ache sequer um lencinho dos 306 tripulantes a bordo. <\/p>\n<p>Casos como estes foram acontecendo ao longo dos anos. Praticamente todos os anos eram reportados desaparecimentos sem vest\u00edgios. O \u00faltimo grande caso ocorreu em 1999, quando um cargueiro chamado G\u00eanesis, desapareceu. Acidentes acontecem em qualquer lugar do mundo, mas acidentes assim, um desaparecimento repentino, s\u00e3o muito mais recorrentes no Tri\u00e2ngulo das Bermudas.<\/p>\n<p>O ser humano fica extremamente incomodado com eventos que n\u00e3o pode explicar, ent\u00e3o, obviamente, surgiram dezenas de explica\u00e7\u00f5es para tentar acalmar os control freaks. J\u00e1 adianto que n\u00e3o existe nada provado. Se voc\u00ea est\u00e1 aqui atr\u00e1s \u201cda verdade\u201d, \u00e9 meu dever te avisar que \u201ca verdade\u201d ningu\u00e9m sabe, apesar de que, tem muita gente dizendo que conhece \u201ca verdade\u201d, nenhum martelo foi batido. O que temos s\u00e3o teorias, que talvez estejam corretas, talvez n\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar pela teoria mais simples. Dentro de qualquer grupo control freak, tem sempre um subgrupo c\u00e9tico, que, tal qual os outros, precisa igualmente de uma explica\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que ela tem que ser extremamente racional. Estes c\u00e9ticos afirmam com certeza absoluta que \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de mau tempo: como a \u00e1rea \u00e9 muito sujeita a tempestades, ela provoca n\u00e3o apenas o desaparecimento de navios e avi\u00f5es como tamb\u00e9m o desaparecimento das provas do acidente. A tempestade leva os vest\u00edgios e o resto \u00e9 histeria e firula do ser humano.<\/p>\n<p>Outra teoria, encabe\u00e7ada pelo f\u00edsico Bruce Denardo (EUA) diz que a culpa \u00e9 da grande quantidade de g\u00e1s metano presente no subsolo daquela parte do oceano. O solo soltaria bolhas de metano na \u00e1gua e, como o metano tem a capacidade de reduzir a densidade da \u00e1gua, navios ficariam mais pesados naquela regi\u00e3o e simplesmente afundariam quando por um acaso houvesse muito metano na \u00e1gua. Foi provado em laborat\u00f3rio que este g\u00e1s (papo t\u00e9cnico: hidrato de metano) em grande quantidade, teria sim potencial para afundar um navio do nada. Seria como se o navio despencasse em um po\u00e7o. <\/p>\n<p>Os adeptos desta teoria tamb\u00e9m alegam que o metano poderia igualmente derrubar avi\u00f5es: quando as bolhas chegassem \u00e0 superf\u00edcie do mar, se romperiam, jogando o g\u00e1s metano no ar. O ar menos denso faria com que o avi\u00e3o perdesse sustenta\u00e7\u00e3o e ca\u00edsse sem que o piloto sequer perceba que est\u00e1 caindo: como o metano \u00e9 menos denso, o alt\u00edmetro do avi\u00e3o indicaria que ele est\u00e1 subindo. Se o piloto n\u00e3o tivesse uma visibilidade boa, seria enganado pelo alt\u00edmetro, suporia que o avi\u00e3o est\u00e1 subindo e reagiria descendo, fazendo com que o avi\u00e3o se espatife.<\/p>\n<p>Para completar, o metano poderia interferir na combust\u00e3o do motor do barco ou do avi\u00e3o, fazendo com que ele pare por completo de forma repentina, pois reduziria em muito a quantidade de oxig\u00eanio, impedindo a queima do combust\u00edvel e, dependendo da quantidade, at\u00e9 provocando uma explos\u00e3o. Esta teoria \u00e9 bastante aceita e alguns at\u00e9 a classificam como a resposta definitiva sobre o caso. Mas existe quem refute, n\u00e3o \u00e9 consenso.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem defenda que na regi\u00e3o do Tri\u00e2ngulo das Bermudas existem anomalias no campo magn\u00e9tico do planeta e, gra\u00e7as a estas anomalias, instrumentos de navega\u00e7\u00e3o como b\u00fassolas param de funcionar. Isso deixaria navios e avi\u00f5es desorientados, levando-os a colis\u00f5es ou a que se desviem muito de sua rota por n\u00e3o saber para onde est\u00e3o indo, caindo ou colidindo muito distantes de onde deveriam estar. <\/p>\n<p>Por isso os vest\u00edgios dificilmente s\u00e3o encontrados, se procura por eles em um local onde eles n\u00e3o est\u00e3o. Para esta teoria, os acidentes diminu\u00edram \u00e0 medida em que o ser humano foi encontrando formas de orienta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o dependem exclusivamente de magnetismo.<\/p>\n<p>Tem quem culpe as nuvens. Pesquisadores descobriram que as nuvens do local t\u00eam um padr\u00e3o anormal de forma\u00e7\u00e3o: elas t\u00eam formato hexagonal. Em termos pr\u00e1ticos, isso significa que a regi\u00e3o pode ter ventos muito fortes, de quase de 300 km\/h, algo mais forte que o pior furac\u00e3o j\u00e1 registrado. Um vento desses \u00e9 capaz de derrubar tudo e de criar ondas gigantes para se encarregar de varrer o que quer que tenha derrubado. Tamb\u00e9m explicaria porque vest\u00edgios n\u00e3o s\u00e3o encontrados: s\u00e3o varridos para longe ou para as profundezas do mar.<\/p>\n<p>Recentemente, uma nova teoria recebeu algum respaldo cient\u00edfico: a das ondas gigantes. Ainda n\u00e3o se sabe muito bem como elas se formam e seu comportamento, at\u00e9 ent\u00e3o, \u00e9 imprevis\u00edvel, pois s\u00e3o muito dif\u00edceis de estudar, mas j\u00e1 se reconhece que eventualmente na regi\u00e3o se formam ondas gigantes, tamb\u00e9m chamadas de \u201cvagalh\u00f5es\u201d. Estas ondas teriam mais de 30 metros de altura e seriam capazes de afundar grandes navios, varrendo os vest\u00edgios de forma eficiente. Especula-se se as correntes de ar que geram poderiam derrubar um avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Daqui pra frente, as teorias come\u00e7am a ficar mais&#8230; ousadas. <\/p>\n<p>Existem relatos de pessoas, a maioria pilotos profissionais, que afirmam haver uma falha no tempo-espa\u00e7o por ali, como se fosse uma dobra ou uma fenda temporal. Ningu\u00e9m sabe bem como funciona, mas o que se conta \u00e9 que ao entrar em uma regi\u00e3o onde h\u00e1 nuvens em formato estranho (supostamente em forma de t\u00fanel, o que \u00e9 compat\u00edvel com as tais nuvens hexagonais) se percorreriam dist\u00e2ncias enormes em um tempo muito pequeno.<\/p>\n<p>Outra teoria ex\u00f3tica \u00e9 a dos Buracos Azuis, que s\u00e3o buracos no solo do oceano. De fato, estes buracos existem, mas para os adeptos desta teoria, eles eventualmente \u201csugam\u201d o que quer que passe perto deles pelas mais diversas raz\u00f5es: s\u00e3o portais para outra dimens\u00e3o, movimento das placas tect\u00f4nicas (nunca comprovado) e at\u00e9 mesmo que existem discos voadores no fundo que suga quem passa por ali.<\/p>\n<p>Vejam s\u00f3, h\u00e1 quem culpe at\u00e9&#8230; piratas! Eles acreditam que tem uma \u201cgangue\u201d de piratas que atuam no local e sequestram navios, que n\u00e3o s\u00e3o afundados, apenas s\u00e3o levados para outro lugar, para roubar sua carga. Bonitinha a teoria, vintage, mas tamb\u00e9m n\u00e3o explica o desaparecimento de aeronaves no local, a menos que existam piratas a\u00e9reos.<\/p>\n<p>Prova mesmo, ningu\u00e9m tem. Talvez v\u00e1rias teorias estejam corretas e o que acontece por l\u00e1 seja uma jun\u00e7\u00e3o delas. Talvez aconte\u00e7a algo que nem cogitamos. Interessante especular e mais interessante ainda \u00e9 ter a capacidade de deixar a resposta em aberto.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que se quisesse ficar sem respostar estaria assistindo Lost, para dizer que \u00e9 o Planeta tentando se livrar da gente ou ainda para dizer que est\u00e1 cagando para Triangulo das Bermudas e s\u00f3 quer ver a postagem do C.U.: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas coisas afligem tanto o ser humano como a falta de explica\u00e7\u00e3o. Acidente a\u00e9reo? Triste, mas juntaremos os corpos e superaremos o luto. Naufr\u00e1gio? Tr\u00e1gico, mas recolheremos o que pudermos e seguiremos em frente. O grande problema \u00e9: quando embarca\u00e7\u00f5es e aeronaves gigantes somem sem deixar vest\u00edgios. 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