{"id":15244,"date":"2019-06-16T16:12:32","date_gmt":"2019-06-16T19:12:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15244"},"modified":"2019-06-16T16:14:18","modified_gmt":"2019-06-16T19:14:18","slug":"generos-musicais-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/06\/generos-musicais-pop\/","title":{"rendered":"G\u00eaneros Musicais &#8211; Pop"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-default uk-card-body\"><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/div>\n<h2>Tio Ge explica \u2013 g\u00eaneros musicais<\/h2>\n<p>A pedidos do nosso amigo W.O.J, ali nas sugest\u00f5es, fa\u00e7o esse texto pra explicar um pouco sobre g\u00eaneros musicais. Como tenho uma forma\u00e7\u00e3o em m\u00fasica, acho que me sinto competente o bastante pra escrever sobre isso. Vou tentar ser bem did\u00e1tico sem entrar em explica\u00e7\u00f5es complicadas que ningu\u00e9m entende, ok?<!--more--><\/p>\n<p>Em m\u00fasica existem v\u00e1rias formas de definir um g\u00eanero, mas as principais s\u00e3o: a partir do ritmo e andamento, a partir da estrutura harm\u00f4nica, e (principalmente na parte de etnomusicologia), a partir do valor hist\u00f3rico e import\u00e2ncia e fun\u00e7\u00e3o social que determinado g\u00eanero tem em determina sociedade ou determinado grupo ou tribo. Exemplo: enquanto o canto lit\u00fargico serve para a liturgia, \u00e9 usado em contexto de missas, a kizomba na \u00c1frica serve para idolatrar os mortos, \u00e9 usado em contexto f\u00fanebre. O r\u00e9quiem, por sua vez, na cultura europeia \u00e9 que assume a mesma fun\u00e7\u00e3o em contexto f\u00fanebre. A kofwshara \u00e9 usada em contextos de ritual invoca\u00e7\u00e3o de bruxas na cultura celta, enquanto o waslat \u00e9 um g\u00eanero t\u00edpico na m\u00fasica \u00e1rabe para celebrar a riqueza e prosperidade, e o vastadklu \u00e9 tocado pelos abor\u00edgenes na Am\u00e9rica do norte na \u00e9poca de colheita, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>G\u00eaneros tamb\u00e9m podem ser definidos a partir do andamento: a polka, com aquele ritmo saltadinho contagiante, tem andamento e compasso 2\/4, ou seja, tu sempre conta 1,2,1,2,1,2&#8230; e geralmente \u00e9 executada de maneira r\u00e1pida. A marcha tamb\u00e9m tem compasso 2\/4 e tamb\u00e9m \u00e9 executada de maneira r\u00e1pida. A valsa, por sua vez, tem o andamento 3\/4, tu conta sempre 1,2,3 1,2,3 1,2,3&#8230; e o andamento \u00e9 lento. A mazurka, m\u00fasica popular polonesa e que tamb\u00e9m existe na Alemanha, tamb\u00e9m \u00e9 em 3\/4, mas com a particularidade de que o tempo forte \u00e9 no 3, ou seja, tu conta sempre um, dois, TRES, um dois, TRES&#8230; e \u00e9 um tanto mais r\u00e1pida que a valsa. A balada, por sua vez, tem andamento em 6\/8, ou seja, tu conta sempre 1,2,3,4,5,6 1,2,3,4,5,6&#8230; Salvo alguns poucos g\u00eaneros por a\u00ed, quase tudo que tu escuta nas r\u00e1dios est\u00e1 em andamento 4\/4, ou seja, a contagem \u00e9 sempre 1,2,3,4 1,2,3,4.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica erudita existem formas de classifica\u00e7\u00e3o bem r\u00edgidas que dizem respeito \u00e0s regras de composi\u00e7\u00e3o. O minueto, por exemplo, tem que ter um desenvolvimento r\u00e1pido, poucos contrapontos, tema simples, e n\u00e3o pode durar mais que dois minutos. J\u00e1 a sonata exige pelo menos tr\u00eas movimentos (algumas tem quatro!), sendo eles um movimento alegro (r\u00e1pido, vivo  e expressivo), um andante (lento, melanc\u00f3lico), e outro allegro. Na sonata \u00e9 exposto um tema e desenvolvido \u00e0 exaust\u00e3o com v\u00e1rias mudan\u00e7as de tonalidade, cad\u00eancias, modula\u00e7\u00f5es e tudo mais. A sinfonia, bem grosso modo, \u00e9 uma sonata estendida. E a \u00f3pera, pera voc\u00eas terem ideia, \u00e9 um g\u00eanero bastante complexo, pois englobam v\u00e1rios outros subg\u00eaneros dentro dela. Ela deve conter um recitativo, um prel\u00fadio, uma \u00e1ria, um soneto, um dueto, o coro de vozes, uma fuga, um interl\u00fadio, o dueto principal, o p\u00f3s-ludio, entre outros. Alguns compositores (Gonoud e Wagner s\u00f3 para citar alguns), no s\u00e9culo XIX desenvolveram tanto o estilo que chegaram a incorporar at\u00e9 ballet, valsa e marcha no meio da coisa. Para citar dois exemplos r\u00e1pidos, vejamos o ballet inserido na \u00f3pera Fausto de Gonoud, e a valsa bridinski na \u00f3pera La Traviata.<\/p>\n<p>Pois bem, pra explicar sobre g\u00eaneros na m\u00fasica contempor\u00e2nea (por contempor\u00e2nea, aqui, estou me restringindo \u00e0 m\u00fasica do s\u00e9culo XX em diante, e qualquer coisa que tu escuta nas r\u00e1dios), o mais adequado \u00e9 ir pelo caminho da estrutura harm\u00f4nica. Toda m\u00fasica contempor\u00e2nea vai ter os seguintes elementos: melodia, harmonia, baixo pra conduzir o andamento, e bateria pra dar o ritmo. Melodia, bem resumidamente, \u00e9 o que voc\u00ea canta: pode ser com voz ou com instrumentos que fazem a linha mel\u00f3dica. Harmonia, por sua vez, \u00e9 aquilo que acompanha a melodia com os acordes. D\u00e1 pra fazer harmonia com voz (os chamados back vocais), mas geralmente ela aparece com acordes de guitarra, teclas ou mesmo os strings (violinos).<\/p>\n<p>Bem grosso modo, o que diferencia um g\u00eanero de outro \u00e9 a forma com que esses elementos est\u00e3o organizados, e principalmente, a forma com que a harmonia se estrutura, a forma com que os acordes est\u00e3o dispostos e encadeando sequ\u00eancias harm\u00f4nicas. Da\u00ed preciso explicar mais uma coisinha: acordes. Eles s\u00e3o, basicamente, tr\u00eas ou mais notas tocadas ao mesmo tempo, e que acompanham a melodia em tempos espec\u00edficos do andamento. Existe toda uma teoria sobre forma\u00e7\u00e3o de acordes, mas vou pular isso. O que \u00e9 preciso saber, por agora, \u00e9 que eles s\u00e3o formados pelas notas ou graus 1 3 e 5 da escala, desde que assumindo uma nota qualquer como a nota 1. Exemplo: se eu partir de d\u00f3, terei d\u00f3-mi-sol como acorde de d\u00f3, se eu partir de mi, o acorde de mi vai ser mi-sol-si. Se eu partir de sol, ser\u00e1 sol-si-r\u00e9, e assim por diante. \u00c9 sempre 1-3-5! <\/p>\n<p>Escala, resumidamente, \u00e9 um conjunto de notas agrupados a partir de uma f\u00f3rmula entre tons e semi tons. Existem trocentas escalas com trocentas f\u00f3rmulas diferentes (maior mel\u00f3dica, menor mel\u00f3dica, menor harm\u00f4nica, relativa menor, primitiva, derivada, temperada, pentat\u00f4nica, hexaf\u00f4nica, noss&#8230;), e \u00e0 medida que for avan\u00e7ando no texto, e de acordo com a necessidade, vou explicando especificamente cada uma. Para entender o bebop, por exemplo, precisamos entender o conceito de pentablues, que vem da pentat\u00f4nica maior, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Segue o fato de que cada nota da escala \u00e9 um grau espec\u00edfico, e cada grau recebe o nome de sua respectiva fun\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica. Mais ainda, cada grau vai gerar seu respectivo acorde que assume aquela fun\u00e7\u00e3o no encadeamento harm\u00f4nico. E existem regras pra onde cada acorde deve caminhar, se encadear com o qu\u00ea, enfim. Tamb\u00e9m vou pular isso, porque \u00e9 um tanto complexo, \u00e9 o conte\u00fado da \u201charmonia funcional\u201d, uma das disciplinas mais dif\u00edceis do curso de m\u00fasica. Pra ficar mais claro, deixa eu desenhar:<\/p>\n<p>1\u00ba  grau \u2013 t\u00f4nico<br \/>\n2\u00ba  grau &#8211; supert\u00f4nico<br \/>\n3\u00ba  grau &#8211; mediante<br \/>\n4\u00ba  grau &#8211; subdominante<br \/>\n5\u00ba  grau &#8211; dominante<br \/>\n6\u00ba  grau &#8211; superdominante<br \/>\n7\u00ba  grau &#8211; sens\u00edvel<\/p>\n<p>Eu posso assumir como 1\u00ba grau qualquer nota da escala, mas pra fins did\u00e1ticos vou partir de d\u00f3 mesmo: D\u00f3 \u00e9 o 1\u00ba grau, chamado de t\u00f4nico, que gera o acorde de d\u00f3 maior ou d\u00f3 menor, e ele tem fun\u00e7\u00e3o t\u00f4nica no encadeamento harm\u00f4nico. Sol, que \u00e9 o quinto grau dele, vai gerar o acorde de sol maior\/menor e vai \u201cdominar\u201d d\u00f3. L\u00e1, que \u00e9 o sexto grau, vai gerar o acorde de l\u00e1&#8230; e assim por diante. Segue o fato tamb\u00e9m que, por nota\u00e7\u00e3o e por conven\u00e7\u00e3o, os graus s\u00e3o escritos com algarismos romanos, e os acordes e notas s\u00e3o escritos com letras mai\u00fasculas. Partindo de l\u00e1, temos A, B, C, D, E, F, G, respectivamente. <\/p>\n<p>\u00c9 a partir da movimenta\u00e7\u00e3o de acordes entre os diferentes graus e fun\u00e7\u00f5es que se estrutura a harmonia de uma m\u00fasica, o que \u00e9 chamado de \u201cprogress\u00e3o harm\u00f4nica\u201d e a partir daqui d\u00e1 pra come\u00e7ar a falar de g\u00eaneros. A primeira progress\u00e3o mais b\u00e1sica que existe \u00e9 a I-V-I, ou seja, do grau t\u00f4nico (estado de relaxamento) para o grau dominante (estado de tens\u00e3o), e retorno novamente para o estado de relaxamento. Mas d\u00e1 pra alongar essa progress\u00e3o adicionando um IV antes do V, da\u00ed fica I-IV-V-I. O que aconteceu aqui foi que adicionou-se uma meia tens\u00e3o (subdominante) antes da tens\u00e3o principal (dominante). D\u00e1 pra alongar mais ainda essa sequ\u00eancia adicionando um VII (sens\u00edvel) antes do I. Da\u00ed fica: I-IV-V-VII-I. Esse \u00e9 um clich\u00ea harm\u00f4nico na m\u00fasica erudita. Outro clich\u00ea harm\u00f4nico existente \u00e9 o VI-VII-I. Quem nunca ouviu uma m\u00fasica erudita que termina com l\u00e1-si-d\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3? Pois \u00e9. Existem trocentas progress\u00f5es diferentes por a\u00ed (algumas enormes!), e via de regra, cada uma determina um g\u00eanero espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Agora que deu pra entender o mecanismo, come\u00e7o a falar do pop, porque ele \u00e9 o g\u00eanero mais <del datetime=\"2019-06-16T19:06:00+00:00\">irritante<\/del> f\u00e1cil de entender. A estrutura do pop \u00e9 basicamente V-II-VII-III, ou, com algumas poucas varia\u00e7\u00f5es, V-II-VI-VII, ou V-II-IV-I. Exemplos n\u00e3o faltam: basta ir a qualquer site de cifras por a\u00ed e perceber que toda m\u00fasica pop segue o mesmo modelo, n\u00e3o sai disso. S\u00e3o sempre os mesmos intervalos (geralmente entre 3as e 5as), e os mesmos acordes: sol-r\u00e9-l\u00e1-mi ou sol-r\u00e9-l\u00e1-si na guitarra e nos teclados. Pra dar um exemplo mais espec\u00edfico de como essas estruturas sempre se repetem: \u201cfesta no ap\u00ea\u201d e \u201cdespacito\u201d t\u00eam exatamente os mesmos acordes, s\u00f3 muda a ordem. O primeiro \u00e9 sol-r\u00e9-l\u00e1-si, enquanto o segundo \u00e9 si-sol-l\u00e1-r\u00e9. \u201cSomeone like you\u201d de Adele tem os mesmos intervalos entre 5as, s\u00f3 muda a tonalidade pra l\u00e1 maior.<\/p>\n<p>\u201cPop\u201d vem de \u201cpopular\u201d, a ideia \u00e9 justamente criar algo que se repita incessantemente e grude como chiclete na boca do povo. Afinal, o \u201cpop\u201d (assim como o pop arte) tem como princ\u00edpio captar as tend\u00eancias do coletivo, ou antes mesmo, conquistar a massa pela repeti\u00e7\u00e3o incessante e f\u00e1cil de um mesmo modelo. <\/p>\n<p>O que irrita mesmo, se me permitem o posicionamento, \u00e9 que, em termos de estrutura harm\u00f4nica, n\u00e3o h\u00e1 novidade. Diferentemente do jazz ou do rock, que h\u00e1 surpresas harm\u00f4nicas interessantes, no pop isso raramente acontece. Mais ainda, em sua ess\u00eancia (l\u00e1 nos anos 70\/80) o pop era composto por guitarra, baixo, bateria, vocais e algum efeitozinho nos teclados. Na contemporaneidade (e isso sim tem me irritado!) v\u00ea-se que tudo \u00e9 pop, e a delimita\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros come\u00e7a a ficar complicada. <\/p>\n<p>Exemplo: at\u00e9 algum tempo atr\u00e1s (idos do final dos anos 1990) a gente tinha essas boy bands por a\u00ed como Backstreet Boys ou N\u2019sync ou mesmo Britney, que ainda usavam aquele modelo guitarra-baixo eletroac\u00fastico e bateria ac\u00fastica (hoje \u00e9 tudo eletr\u00f4nico, feito com instrumentos virtuais). Hoje inclui-se no pop (assumindo sempre a mesma estrutura harm\u00f4nica) o sertanejo universit\u00e1rio, o cen\u00e1rio r&#038;b, Lady Gaga e Rihanna com esse pop eletr\u00f4nico bate cabelo, Adele com suas m\u00fasicas tristes de dor de cotovelo, Florence + the Machine, Taylor Swift, outra meia d\u00fazia de cantores ditos \u201calternativos\u201d, e at\u00e9 mesmo o country contempor\u00e2neo. <\/p>\n<p>Bem grosso modo, hoje em dia d\u00e1 pra reduzir quase tudo a uma f\u00f3rmula pop com essa estrutura de quatro acordes que se repete sempre. Como prova disso, voc\u00eas podem conferir no youtube v\u00e1rios v\u00eddeos do tipo \u201c50 songs, 4 chords\u201d ironizando isso. D\u00e1 realmente pra tocar v\u00e1rias m\u00fasicas, apenas com os mesmos acordes, s\u00f3 mudando o ritmo e, \u00e0s vezes, a sequ\u00eancia com que aparecem.<\/p>\n<p>N\u00e3o nego que algumas m\u00fasicas, em termos de letras, podem at\u00e9 ser bonitas sim, e alguns instrumentos (mesmo que eletr\u00f4nicos ou virtuais) s\u00e3o bem bacanas, chamam aten\u00e7\u00e3o em termos de timbre \u201cdiferent\u00e3o\u201d, mas continuam sendo pobres em termos de estrutura harm\u00f4nica. Essa \u00e9 minha principal cr\u00edtica ao pop. <\/p>\n<p>Parece-me que a ess\u00eancia do pop tamb\u00e9m mudou, a concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma daquele pop de Michael Jackson ou Madonna nos anos 1980. Reparem pelos clipes que existem por a\u00ed no youtube: s\u00e3o mostrados quase sempre os jovens, curtindo sua juventude como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3, sem preocupa\u00e7\u00f5es, bebendo, baladas, carros; ou, quando n\u00e3o \u00e9 isso, \u00e9 alguma coisa depressiva ou dores apaixonadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 pra negar, tamb\u00e9m, que o pop tem l\u00e1 sua parcela de import\u00e2ncia no cen\u00e1rio todo. Em alguns casos espec\u00edficos (Madonna?) o pop serve mesmo para causar, para chocar, para questionar, e mesmo para ironizar. Serve como discurso pol\u00edtico frente a discursos totalizadores. <\/p>\n<p>Apesar de minha cr\u00edtica particular, n\u00e3o quer dizer que todo pop seja ruim. Existe muita coisa boa por a\u00ed, mas um tanto escondida, ou ofuscada, diante de tanta coisa ruim que \u00e9 colocada pela ind\u00fastria do entretenimento. Eu, que cursei produ\u00e7\u00e3o musical, vos digo: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de talento pessoal que vive o artista. O trabalho de marketing pesado, foco em grupos espec\u00edficos, networking do produtor musical, peso no contrato com o selo e gravadora, tudo isso influencia. Ent\u00e3o, n\u00e3o pensem voc\u00eas que Lady Gaga, por exemplo, \u00e9 uma excelente cantora s\u00f3 porque est\u00e1 em alta por causa do filme do ano passado, por que n\u00e3o \u00e9 bem por a\u00ed. Existe, se eu posso dizer assim, uma esp\u00e9cie de \u201cditadores\u201d da moda, grandes empres\u00e1rios midi\u00e1ticos que ditam o que vai ser tend\u00eancia ou n\u00e3o no pr\u00f3ximo ver\u00e3o. E, vez por outra, ainda tentam resgatar rel\u00edquias do passado, como Queen, e agora este ano, Elton John.<\/p>\n<p>Bem, pra finalizar, deixa eu comentar um pouquinho sobre os subg\u00eaneros do pop. A come\u00e7ar pelo pop-rock, aqui a diferen\u00e7a fica dif\u00edcil de estabelecer, mas vamos l\u00e1: \u00e9 a mistura de pop com rock, mant\u00e9m a mesma estrutura harm\u00f4nica, mesmos acordes repetitivos, mesma estrutura de refr\u00e3o-verso-refr\u00e3o-verso grudento do pop, mas usa bastante guitarras, e geralmente \u00e9 animado, da\u00ed d\u00e1 o ar de \u201crock&#8217;n&#8217;roll\u201d. D\u00e1 pra considerar tamb\u00e9m, por outro lado, que o pop-rock seja um subg\u00eanero do rock, sem linhas de baixo marcando presen\u00e7a, nem bateria marcante, apenas com guitarras mais suaves.<\/p>\n<p>Jangle pop: Uma mistura de pop com rock alternativo l\u00e1 no final dos anos 1950, mas que tem seu pequeno auge mesmo s\u00f3 l\u00e1 nos anos 1980. Exemplares desse g\u00eanero s\u00e3o The Byrds, R.E.M e The Smiths. A diferen\u00e7a aqui \u00e9 o uso mais mel\u00f3dico das guitarras, sem riffs pesados e com melodias mais agrad\u00e1veis e f\u00e1ceis de engolir. Isto \u00e9, sem muito virtuosismo vocal. Outra caracter\u00edstica \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da guitarra de 12 cordas, que garante maior tessitura mel\u00f3dica j\u00e1 que tem mais cordas pra fazer arpejos (conjunto de v\u00e1rias notas tocadas uma ap\u00f3s a outra, do tipo: d\u00f3-mi-sol-si-sol-mi-d\u00f3) e utilizar os agudos que s\u00e3o claros e sem distor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Britpop: Esse \u00e9, na verdade, outro sub-g\u00eanero do rock que se mistura a uma esp\u00e9cie de cultura\/movimento l\u00e1 nos anos 1990 na Inglaterra. \u00c9 como se fosse, bem grosso modo, o grunge com aquela pegada de cr\u00edtica social, s\u00f3 que com letras e arranjos mais calmos. Tem grande influ\u00eancia da gera\u00e7\u00e3o anterior (Led Zeppelin, Pink Floyd, The Who&#8230;), e seus maiores representantes s\u00e3o essas bandas a\u00ed tipo Oasis, Blur, Coldplay, Artctic Monkeys, Bloc Party, Keany, Kaiser Chiefs e at\u00e9 um pouco de Muse entra aqui no meio tamb\u00e9m. Novamente, \u00e0s vezes \u00e9 bem dif\u00edcil delinear bem os limites de um g\u00eanero, o mais adequado seria dizer que muitas bandas por a\u00ed transitam entre v\u00e1rios g\u00eaneros diferentes. Muse, por exemplo, para al\u00e9m do Britpop, pode ser considerado como garage rock ou mesmo alternativo.<\/p>\n<p>K-pop: \u00c9 a abrevia\u00e7\u00e3o de &#8220;Korean pop&#8221;, pop coreano. Mesma estrutura harm\u00f4nica, mesma f\u00f3rmula de sempre, muitas vezes com elementos da eletr\u00f4nica contempor\u00e2nea. Exemplo \u00e9 o baixo &#8220;fritado&#8221; feito com um sintetizador de onda saw (dente de serra) que substitui o baixo el\u00e9trico, a batida eletr\u00f4nica que \u00e9 um &#8220;kick&#8221; que faz o papel do surdo da bateria ac\u00fastica, uma batida 4\/4 meio quebrada e um viol\u00e3o ac\u00fastico fazendo alguns acordes. Da\u00ed \u00e9 s\u00f3 por a voz em cima com algum equalizador e backs vocais com um filtro cutoff (pra dar aquele ar de som de radinho) e est\u00e1 feito. Ou\u00e7am BTS ou Loona no youtube e reparem esse tipo de coisa.  O g\u00eanero nasce l\u00e1 nos anos 1980, teve seu pequeno auge no come\u00e7o dos anos 1990, e, aparentemente, nos \u00faltimos anos tem voltado com tudo, ainda mais depois da febre de &#8220;gangnam style&#8221; de Psy. Detalhe que o que conta aqui \u00e9 o apelo visual: \u00e9 parecido com as boy bands que temos no ocidente, mas exploram bastante o visual, as vestimentas diferentonas, o cabelo, bem como a dan\u00e7a e a performance no palco.<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 isso. J\u00e1 ultrapassando o limite de quatro p\u00e1ginas. Nos pr\u00f3ximos textos pretendo comentar sobre os outros g\u00eaneros sugeridos, tais como rock, blues, jazz, samba, entre tantos outros.<\/p>\n<p><strong>Por: Ge<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. Tio Ge explica \u2013 g\u00eaneros musicais A pedidos do nosso amigo W.O.J, ali nas sugest\u00f5es, fa\u00e7o esse texto pra explicar um pouco sobre g\u00eaneros musicais. Como tenho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15246,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-15244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-convidado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15244"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15244\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}