{"id":15274,"date":"2019-06-23T16:00:09","date_gmt":"2019-06-23T19:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15274"},"modified":"2019-06-23T14:27:57","modified_gmt":"2019-06-23T17:27:57","slug":"generos-musicais-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/06\/generos-musicais-rock\/","title":{"rendered":"G\u00eaneros Musicais &#8211; Rock"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-default uk-card-body\"><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/div>\n<h2>Tio Ge explica \u2013 g\u00eaneros musicais 2 \u2013 Rock<\/h2>\n<p>Continuando a s\u00e9rie de textos sobre g\u00eaneros musicais, nesse eu falo de rock. Uma hist\u00f3ria do rock n\u00e3o ser\u00e1 meu objetivo contar, existem livros por a\u00ed que se prop\u00f5em a isso. Indico como leitura, ali\u00e1s, o livro de Paul Friedlander, professor da Universidade de Oregon, Rock and Roll: uma hist\u00f3ria social. Entretanto, para comentar sobre os trocentos subg\u00eaneros subjacentes, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ter que voltar um pouco na hist\u00f3ria, e talvez seja melhor mesmo comentar em ordem cronol\u00f3gica.<!--more--><\/p>\n<p>Pois bem, rock, em termos de estrutura harm\u00f4nica, \u00e9 algo bem simples em sua origem. \u00c9 bem parecido com o pop, com uma estrutura de acordes que se repete incessantemente durante toda m\u00fasica, mas a diferen\u00e7a sutil reside mesmo na ideia de riff. Riff (ou c\u00e9lula r\u00edtmica) \u00e9 um conjunto de notas que se repete durante toda melodia e que serve de base para improvisos outros com outros instrumentos. Quem a\u00ed nunca ouviu as primeiras notas de sweet child o\u2019 mine  de Guns e logo identificou, por essas primeiras notas, que se tratava realmente daquela m\u00fasica espec\u00edfica e n\u00e3o outra? Pois \u00e9. Toda m\u00fasica de rock tem seu riff, e existem v\u00e1rios riffs de m\u00fasicas famosas por a\u00ed: I want to break free, crazy little thing called Love, sympathy to the devil, smeells like  teen spirit, entre tantas outras. <\/p>\n<p>Em termos de estrutura\u00e7\u00e3o de arranjo, o rock conta com uma bateria marcante (bumbo-surdo-caixa alta\/clara-pratos de maneira totalmente clara, som pesado, aprofundado, n\u00edtido), um baixo el\u00e9trico, e as guitarras amplificadas, sendo minimamente duas: uma pra fazer os riffs e outra pra fazer os solos. \u00c9 poss\u00edvel encontrar \u00e0s vezes 3 ou 4 guitarras, como em Metallica, Dragonforce ou Aerosmith, pra fazer al\u00e9m dos riffs e solo, tamb\u00e9m o lead e rythm guitar. Al\u00e9m disso, pode ter tamb\u00e9m (embora n\u00e3o seja item obrigat\u00f3rio) teclados com alguns efeitos, e alguns instrumentos de sopro pra fazer os chamados \u201crecheios\u201d, que consistem em algumas poucas notas no meio do arranjo. Muito raramente tu se depara tamb\u00e9m com \u00f3rg\u00e3os do tipo hammond com aqueles vibratos emocionantes. N\u00e3o podem faltar tamb\u00e9m, obviamente, os vocais, que tamb\u00e9m devem ser presentes, voz forte, tons geralmente altos, seguidos at\u00e9 de alguns berros e gritos como na vertente do heavy metal.<\/p>\n<p>Em termos de progress\u00e3o harm\u00f4nica, existem duas que s\u00e3o b\u00e1sicas: I-IV-V e V-II-IV-I. Partindo de d\u00f3, para fins did\u00e1ticos, temos: acordes d\u00f3-f\u00e1-sol e sol-r\u00e9-f\u00e1-do. Sim, o rock \u00e9 s\u00f3 isso. Mesmo. O rock, na verdade, vem l\u00e1 do blues, embora sofra influ\u00eancia tamb\u00e9m do country e do r&#038;b (em outro texto explico sobre o blues, que \u00e9 realmente algo mais complicado) com uma repeti\u00e7\u00e3o enorme de quase sempre os mesmos acordes, e que segue o padr\u00e3o de 12 compassos com a f\u00f3rmula I-IV-I-I\/IV-IV-I-I\/V-IV-I-V.  Mas, como disse no texto anterior, para cada subg\u00eanero muda-se a estrutura harm\u00f4nica e progress\u00e3o da mesma.<\/p>\n<p>O rock nasce l\u00e1 nos anos 1950, e \u00e9 dif\u00edcil determinar com exatid\u00e3o suas origens gra\u00e7as \u00e0 enorme influ\u00eancia de outros g\u00eaneros no meio. H\u00e1 quem diga que ele j\u00e1 come\u00e7a l\u00e1 nos anos 1940 com forte influ\u00eancia do boogie woogie, e h\u00e1 discuss\u00f5es sobre isso at\u00e9 hoje. O nome \u201crock\u201d vem de \u201crocking\u201d, algo que exprime a ideia de um \u00eaxtase espiritual, vocabul\u00e1rio bastante usado pela m\u00fasica gospel. J\u00e1 o \u201croll\u201d, segundo consta, pode ter duas origens: a primeira remete a uma ideia de rela\u00e7\u00e3o sexual, a segunda a uma ideia de trabalhadores bra\u00e7ais que trabalhavam nas ferrovias Reconstruction South. Para manter o ritmo de trabalho, os homens cantavam can\u00e7\u00f5es no ritmo do martelo, da\u00ed o nome roll.<\/p>\n<p>O fato \u00e9: os nomes mais representativos nesse per\u00edodo s\u00e3o: Elvis Presley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Johny Cash e Bill Haley. O primeiro subg\u00eanero que nasce da\u00ed \u00e9 o rockabilly, que n\u00e3o tem diferen\u00e7a em termos de estrutura com o rock dito \u201ccl\u00e1ssico\u201d, na sua forma pura, apenas se diferencia pelo fato de que foi tocado por cantores brancos, e que tinha boa influ\u00eancia da m\u00fasica country. O termo, inclusive, \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o da palavra \u201crock\u201d com \u201chillbillies\u201d que significa caipiras.<\/p>\n<p>Nos anos 1960 a coisa muda de figura, e quem domina o cen\u00e1rio s\u00e3o os Beatles. H\u00e1 quem ame, h\u00e1 quem odeie, n\u00e3o vou entrar nisso. Tamb\u00e9m h\u00e1 toda a quest\u00e3o do m\u00e9rito relativo ao contexto hist\u00f3rico da \u00e9poca, tamb\u00e9m n\u00e3o vou entrar nisso. H\u00e1 quem diga tamb\u00e9m que \u00e9 a maior banda do s\u00e9culo, eu particularmente fico incomodado com esse tipo de idolatria, ali\u00e1s, estou pra ver uma banda que dure cem anos emplacando sempre os primeiros lugares nas paradas de sucesso. Talvez o Queen, mas numa faixa de espectro a\u00ed de 40 anos, e ainda assim, discut\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>O que os Beatles trazem de novidade, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estruturas harm\u00f4nicas, \u00e9 basicamente o uso de uma progress\u00e3o mais estendida e o uso de substitui\u00e7\u00e3o de acordes. Exemplo: lembram daquela progress\u00e3o simples I-IV-V? Pois bem, eles alongavam para I-IV-V-VII antes de voltar para o I, ou mesmo substitu\u00edam o V pelo VIm (o m depois do algarismo romano indica que o acorde \u00e9 menor) ou pelo IIm7 (o n\u00famero aqui indica que o acorde \u00e9 acompanhado da s\u00e9tima, isto \u00e9, a 7\u00aa nota a partir da fundamental\/t\u00f4nica). <\/p>\n<p>J\u00e1 em termos de arranjo, eles trazem sim novidades que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o haviam sido experimentadas. Teve a mistura das guitarras de rock com elementos da m\u00fasica cl\u00e1ssica. Teve tamb\u00e9m o uso de efeitos sonoros com uso de loops (um pequeno peda\u00e7o de \u00e1udio que se repete incessantemente), double tracks (duas faixas do mesmo instrumento sendo tocadas ao mesmo tempo) separadas em est\u00e9reo, uma de cada lado, e com varia\u00e7\u00f5es de velocidade e volume entre elas, o dubbing vocal, novas formas de equaliza\u00e7\u00e3o, novas formas de posicionar o microfone e a guitarra a fim de provocar feedbacks e microfonias, enfim. Para al\u00e9m disso, vale acrescentar que John Lenon e Paul McCartney sabiam o que estavam fazendo, eles sabiam misturar vozes e construir polifonias \u00e0 la Bach. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo (mais precisamente, at\u00e9 em 1964, que foi o auge) nos EUA o subg\u00eanero que dominava era o surf music. Mesma estrutura harm\u00f4nica do rock cl\u00e1ssico, a diferen\u00e7a reside mesmo no timbre de guitarra utilizado no arranjo: abusava-se do efeito de \u201creveerb\u201d, que consiste em alongar o som da nota por mais tempo reverberando no ar, da\u00ed dava-se um efeito de imitar o som das ondas do mar com aquele \u201cwuon wuon wuon\u201d produzido pela oscila\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica das cordas da guitarra. Os maiores representantes desse g\u00eanero s\u00e3o Beach Boys e Dick Dale.<\/p>\n<p>Ainda nos anos 1960 acontece um monte de coisa ao mesmo tempo: destacam-se Rolling Stones com umas letras pesadas e umas levadas de guitarras bem pesadas com muitos amplificadores e pedais, tem tamb\u00e9m o surgimento do \u201cgarage rock\u201d, que como nome j\u00e1 diz, s\u00e3o essas bandinhas que tocavam de maneira um tanto prec\u00e1ria nas garagens. O som costuma ser cru, principalmente de bateria, afinal, gravar em um lugar desses \u00e9 realmente complicado. \u00c9 comum o uso de pedais \u201cfuzzy\u201d pra distorcer bastante a guitarra, e em termos de progress\u00e3o harm\u00f4nica, ao inv\u00e9s do cl\u00e1ssico I-IV-V, partem do IV grau e usam IV-V-VII. Destacam-se aqui Patti Smith, The Pretty Things, The Animals, The Kinks. <\/p>\n<p>Na outra ponta est\u00e1 o surgimento do \u201cPower pop\u201d que vai ter seu auge nos anos 1970 e vai desencadear no new wave dos anos 1980. O estilo \u00e9 uma tentativa de estrutura r\u00edtmica que vem do hard rock com uma pegada pop. Aqui entram como representantes The Who, The Byrds, Beach Boys, e at\u00e9 um pouco dos Beatles. Em outra ponta tamb\u00e9m est\u00e1 o surgimento do folk rock, que \u00e9 nada menos que a mistura do folk tradicional com timbres de guitarra. E, pra entender bem grosso modo o que \u00e9 folk, a palavra vem de \u201cfolklorie\u201d, significa m\u00fasica do povo, tradicional, tem suas origens na m\u00fasica celta e b\u00e1vara. \u00c9 comum o uso de harpa, violinos, bandolim e gaita no meio do arranjo, e em termos de estrutura temos algo diferente aqui: seguem v\u00e1rios acordes menores encadeados entre 5as e 4as (exemplo: V-I-II-V-III-VI-VII-I), que quase sempre d\u00e3o um ar melanc\u00f3lico \u00e0 coisa. Representantes da m\u00fasica folk hoje s\u00e3o The Coorrs e Damien Rice, com aquelas m\u00fasicas tristes e melanc\u00f3licas. Representante do passado posso citar The Mammas &#038; The Pappas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de todos esses subg\u00eaneros, nasce tamb\u00e9m nessa \u00e9poca o country rock que, da mesma forma que o folk, implica apenas na substitui\u00e7\u00e3o do viol\u00e3o ac\u00fastico, utilizado no country tradicional, por guitarras amplificadas pra deixar o som mais pesado. S\u00f3 que em termos de estrutura harm\u00f4nica, eu diria, o country \u00e9 bem interessante: ele costuma utilizar tanto acordes quanto notas paralelas entre intervalos de 3\u00aa ou de 4\u00aa descendo e subindo a escala rapidamente pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Exemplo bem b\u00e1sico: \u201csi-sol-l\u00e1-f\u00e1-sol-mi-f\u00e1-r\u00e9\/f\u00e1-d\u00f3-si-d\u00f3-si-r\u00e9-d\u00f3-mi-r\u00e9-f\u00e1-mi-sol-f\u00e1-l\u00e1-sol-si\u201d. Reparem que entre si e sol h\u00e1 um intervalo de 3\u00aa, entre l\u00e1 e f\u00e1 tamb\u00e9m, entre sol e mi, entre f\u00e1 e r\u00e9, e por a\u00ed vai. D\u00e1 pra notar isso naquela m\u00fasica \u201cthe devil went down to Georgia\u201d, ou mesmo nas m\u00fasicas de Alan Jackson.<\/p>\n<p>Pra tentar fechar os anos 1960 (\u00e9 realmente muita coisa!) tem tamb\u00e9m o surgimento do hard rock em oposi\u00e7\u00e3o ao soft rock, e o heavy metal. Mas ambos os estilos ter\u00e3o seus auges na d\u00e9cada seguinte. O hard rock tem esse nome porque \u201chard\u201d designa algo pesado, duro, e era justamente a ideia que queriam passar com aquelas guitarras barulhentas cheias de saturadores harm\u00f4nicos e amplificadores valvulados, pedais de distor\u00e7\u00e3o, bem como aquela bateria marcante, com bumbo e caixa clara bem profundos (papo t\u00e9cnico: punch) e n\u00edtidos. Isso tudo al\u00e9m de pratos bem marcados e vocais gurutais, que por vezes chegavam ao falsete. Jimmi Hendrix, Led Zeppeling, Eric Clapton, Deep Purple, Aerosmith, Metallica, Guns, AC\/DC, Kiss, Thin Lizzy, Black Sabbath, Ozzy Ousborny, Van Halen, entram todos aqui.<\/p>\n<p>Em termos de estrutura harm\u00f4nica, aqui a coisa come\u00e7a a ficar interessante, pois para al\u00e9m do clich\u00ea I-IV-V come\u00e7a-se a usar progress\u00f5es maiores e encadeamentos mais intensos com substitui\u00e7\u00e3o de acordes aqui e ali. Exemplo \u00e9 a progress\u00e3o I-IIm7-IV-V-V7-subV7-III-VII-VIIm7-I7. Partindo de d\u00f3, vou ter: d\u00f3-r\u00e9 menor com s\u00e9tima-f\u00e1-sol com s\u00e9tima-substituto de quinta com s\u00e9tima (r\u00e9)-mi-l\u00e1-si menor com s\u00e9tima. Come\u00e7a-se a usar os chamados Power chords que s\u00e3o os acordes sem a 3\u00aa nota l\u00e1 no meio. Exemplo partindo de d\u00f3: ao inv\u00e9s de d\u00f3-mi-sol, vou ter apenas d\u00f3-sol sendo tocados na guitarra. O intervalo entre essas duas notas produz uma disson\u00e2ncia interessante ao ouvido, al\u00e9m de uma tens\u00e3o interessante que pode ser bastante explorada para outros encadeamentos harm\u00f4nicos. Al\u00e9m disso, nos solos era comum utilizar a escala pentat\u00f4nica maior. Essa escala, bem resumidamente, \u00e9 uma escala de cinco notas, excluindo o IV e o VII graus. Exemplo partindo de d\u00f3: d\u00f3-r\u00e9-mi-sol-l\u00e1. Sim, aqueles solos intermin\u00e1veis e infernais da guitarra nos agudos utilizam s\u00f3 essas notas, \u00e9 s\u00f3 isso mesmo! <\/p>\n<p>Um exemplo contempor\u00e2neo pra notar tudo isso \u00e9 Nickelback, principalmente aquele \u00e1lbum de 2008, \u201cdark horse\u201d, que est\u00e1 recheado de elementos do hard rock. Men\u00e7\u00e3o honrosa para a faixa \u201cJust to get high\u201d.<\/p>\n<p>O soft rock faz uma oposi\u00e7\u00e3o ao hard rock: n\u00e3o h\u00e1 essa estrutura complexa nem nada pesado. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 tudo leve, guitarra ac\u00fastica ao inv\u00e9s de el\u00e9trica, letras que falam de amor, ritmo mais lento. Representantes desse g\u00eanero s\u00e3o Elton John, Rod Stewart, The Carpenters, e Bee Geese.<\/p>\n<p>O heavy metal (ou simplesmente metal) \u00e9 bem pr\u00f3ximo do hard rock em termos de estrutura, e por vezes at\u00e9 confundido com este. Judas Priest e Iron Maiden entram aqui nesse rol, Kiss em menor grau. Alice Cooper, Poison, Motorhead e toda essa turminha entram aqui. Mas a ideia do metal \u00e9 produzir aquele som de objetos de metais rangendo e batendo uns contra os outros, da\u00ed o uso aos adeptos do g\u00eanero de acess\u00f3rios como correntes met\u00e1licas. Ali\u00e1s, pequena curiosidade, para quem n\u00e3o sabe, o som da guitarra sem nenhum pedal de efeito e apenas com o captador principal ou ponte, \u00e9 bem parecido com o som de um viol\u00e3o ac\u00fastico. Ela s\u00f3 vai chegar \u00e0quele som arranhado com o uso de pedais e efeitos. O heavy metal, neste caso, abusa da distor\u00e7\u00e3o do timbre a fim de obter aquele som de rugido\/rangendo met\u00e1lico. <\/p>\n<p>Quanto \u00e0 estrutura harm\u00f4nica, da\u00ed a coisa fica mais interessante ainda que o hard rock: h\u00e1 o uso da pentat\u00f4nica maior, dos Power chords, mas agora acrescentam-se o uso de tr\u00edtonos (intervalos de 3 tons inteiros (exemplo: f\u00e1-si) que gera uma puta tens\u00e3o irritante e que pede pra resolver em algo est\u00e1vel, mas como o m\u00fasico n\u00e3o resolve, deixa suspenso ou coloca outro acorde com maior tens\u00e3o ainda, da\u00ed o sucesso virtuos\u00edstico desse tipo de arranjo). Al\u00e9m disso, h\u00e1 o uso das progress\u00f5es dos modos gregos fr\u00edgio e e\u00f3lio, como I-VI-VII, I-VII-VI e IV-VI-IV-VII. <\/p>\n<p>Explicando bem por alto aqui o que s\u00e3o os modos gregos: s\u00e3o nada menos que escalas, que seguem f\u00f3rmulas espec\u00edficas de agrupamento de tons e semitons. O modo fr\u00edgio segue a f\u00f3rmula semitom-tom-tom-tom-semitom-tom-tom, e o modo e\u00f3lio segue a f\u00f3rmula tom-semitom-tom-tom-semitom-tom-tom. Aplicando essa f\u00f3rmula partindo de d\u00f3, vou ter: d\u00f3-r\u00e9b-mib-f\u00e1-sol-l\u00e1b-sib, e d\u00f3-r\u00e9-mib-f\u00e1-sol-l\u00e1b-sib. Em outro texto vou acabar precisando voltar com mais profundidade nisso.<\/p>\n<p>O riff no heavy metal tamb\u00e9m \u00e9 algo interessante de ser notado, j\u00e1 que ele se diferencia pela rapidez na execu\u00e7\u00e3o e v\u00e1rias \u201cmuted\u201d notes com colcheias e semi-colcheias. Desenhando para ficar mais claro: sabe aquele ritmo pesad\u00e3o bem do tipo t\u00e1   ta-ra-ta   ta-ra-ta  ta-ra-ta   sempre com 3 notinhas? Pois \u00e9. Sim, \u00e9 um g\u00eanero sofisticado, para ouvidos sofisticados. Em minhas disciplinas de arranjo e composi\u00e7\u00e3o tive que lidar com esses tipos de arranjo e&#8230; foi sofr\u00edvel!<\/p>\n<p>Uma varia\u00e7\u00e3o do heavy metal bem conhecida \u00e9 o nu-metal, ou new-metal. Ele surge l\u00e1 nos anos 1990 com Red Hot Chilli Peppers, Janes Addiction, Rage Against The Machine e essa turminha a\u00ed, mas tem seu auge no come\u00e7o dos anos 2 mil, e o maior representante \u00e9 Linkin Park. A estrutura harm\u00f4nica \u00e9 simples, progress\u00e3o clich\u00ea com algumas poucas varia\u00e7\u00f5es, mas a inova\u00e7\u00e3o reside mesmo no uso de outros elementos como batidas e versos de rap no meio do arranjo, e mesmo no timbre da guitarra que tende a ser \u201cnu\u201d, isto \u00e9, som distorcido, agressivo, mas totalmente limpo, clean, sem aquele chiadinho vintage das guitarras dos anos 1970.<\/p>\n<p>Outro g\u00eanero que ganha popularidade nos anos 1970 e que por vezes se confunde com o heavy metal \u00e9 o rock progressivo. A ideia inicial era justamente produzir progress\u00f5es simples, mas que fugissem do tradicional clich\u00ea de encadeamento harm\u00f4nico. Da\u00ed se explica algumas m\u00fasicas que s\u00e3o simplesmente I-II-III-V ou V-VI-VII-I se repetindo incessantemente.<\/p>\n<p> Mas o rock progressivo cresceu em termos de estrutura e ideia, e, n\u00e3o raro, \u00e9 comum achar algumas m\u00fasicas a\u00ed com mais de 15 minutos de dura\u00e7\u00e3o com solos intermin\u00e1veis. A ideia outra do progressivo diz respeito a uma progress\u00e3o longa, que se assemelha \u00e0 forma sonata na m\u00fasica erudita: h\u00e1 a exposi\u00e7\u00e3o de um tema 1 e 2, varia\u00e7\u00e3o A e B dos temas 1 e 2, e depois de toda essa mistura, desenvolvimento e conclus\u00e3o dos mesmos, isso quando n\u00e3o resolvem tamb\u00e9m inserir um enorme solo, seguido de outro refr\u00e3o, outro solo curtinho e a\u00ed sim finalizar a m\u00fasica. D\u00e1 pra encontrar isso em Pink Floyd, Jethro Tull, Dragonforce, Genesis, e Emerson Lake &#038; Palmer. <\/p>\n<p>Em termos de arranjo, aqui vira uma mistura de tudo, com violinos, violoncelo, trompete, piano, \u00f3rg\u00e3os hammond, moog, al\u00e9m de sintetizadores com aqueles sons \u201cdiferent\u00e3o\u201d, isso fora explora\u00e7\u00e3o de harmonia vocal, como coros em intervalos de 5\u00aa e 4\u00aa, assim como usados na igreja. Em termos de estrutura harm\u00f4nica, a\u00ed a coisa pega: por vezes segue a mesma estrutura do heavy metal, por vezes seguem progress\u00f5es n\u00e3o t\u00e3o usuais, por\u00e9m bem longas, pra n\u00e3o dizer intermin\u00e1veis. Exemplo: I-IIm7-IV-V-V7-subV7-III7-VIm6-IV7-VII-V-VII7-I7.<\/p>\n<p> Explicando essa progress\u00e3o, ela \u00e9 nada menos que aquela I-V-VII-I, s\u00f3 que adiciona um IIm7-V no meio, seguido de um IV-V7-subV7 entre o V e o VII grau, e um III7-VI antes de chegar no VII, e um \u201cretardo\u201d da cad\u00eancia voltando pro V grau pra preparar para o VII7 e da\u00ed concluir em I com s\u00e9tima. Tirando toda essa sopa de letrinhas e n\u00fameros, o mecanismo interno reside, simplesmente, num salto entre II-V, III-VI e V-VII, tudo isso no meio da progress\u00e3o principal que \u00e9 I-V-VII-I. Sim, \u00e9 realmente longo e complicado. <\/p>\n<p>Ainda nos anos 1970, surge tamb\u00e9m o glam rock, que \u00e9 o diminutivo de \u201cglamour\u201d. Aqui, o que conta \u00e9 o visual: tem que ser carregado, glamuroso, purpurinas,saltos, batons, glitter, lantejoulas, tudo que os anos 1970 exige. Acho que n\u00e3o preciso citar Queen aqui, n\u00e9? Outras bandas que entram nesse meio s\u00e3o T-Rex, Kiss, Europe, Skid Row, Guardian, e David Bowie. Em termos de estrutura, segue quase sempre aquela progress\u00e3o clich\u00ea I-IV-V, a novidade aqui  reside no uso da s\u00e9timas dominante nos acordes t\u00f4nicos e dominante pra dar aquele ar de grandeza, de algo quente e explosivo. Sim, adicionar uma s\u00e9tima ao acorde I e V d\u00e1 mais peso ao encadeamento harm\u00f4nico, deixa o som mais cheio e mais rico.<\/p>\n<p>Na metade dos anos 1970, e j\u00e1 indo para os anos 1980, surge o punk rock. A ideia do punk \u00e9 algo como transmitir raiva, revolta, insatisfa\u00e7\u00e3o com as injusti\u00e7as do mundo, enfim. O som \u00e9 pesado, letras pesadas, letras de protesto, etc. Exemplares desse g\u00eanero s\u00e3o The Clash, Sex Pistols,  Bad Brains. Em termos de estrutura harm\u00f4nica, diria que \u00e9 um tanto pobre, pois tende a utilizar aquele outro clich\u00ea do tipo V-II-IV-I com Power chords, e solos curtos.<\/p>\n<p>Ainda nesse entremeio dos anos 1970 a 1980, tem tamb\u00e9m o new wave, que tem como g\u00eanero an\u00e1logo o synth-pop. Grosso modo, n\u00e3o muda nada em termos de harmonia. A novidade aqui \u00e9 o uso do teclado sintetizador (um tipo de teclado que tu pode manipular a forma de onda do jeito que quiser, pra criar o som que quiser) como elemento principal, e mesmo substituto da guitarra el\u00e9trica. Quando n\u00e3o \u00e9 isso, surgem na cena os keytars, que s\u00e3o aquelas guitarras com teclas. Bandas que entram aqui tem aos montes: Blondie, A-ha, Pet Shop Boys, Eurythmics, Deepeche Mode, Duran Duran, Erasure, INSX, Tears For Fears, The Human League, entre tantas outras.<\/p>\n<p>Indo para os anos 1990, basicamente surgem trocentos subg\u00eaneros que s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es do que j\u00e1 foi feito nos anos 1980 e 1970 com o heavy metal e o hard rock: death metal (com letras que falam de morte), Black metal, metal sinf\u00f4nico (que d\u00e3o a parecer uma sinfonia), rock g\u00f3tico (com letras que falam de noite, escurid\u00e3o, anjos, dem\u00f4nios), metal alternativo, metal progressivo, entre tantos outros. Em termos de estrutura n\u00e3o muda muita coisa, no m\u00e1ximo aparecem umas experimenta\u00e7\u00f5es interessantes com acordes de 6\u00aa ou 4\u00aa. Novamente, explicando rapidinho: acordes de 6\u00aa utilizam a sexta nota da escala pra acrescentar disson\u00e2ncias, ao inv\u00e9s da s\u00e9tima. Partindo de d\u00f3, como exemplo, vou ter d\u00f3-mi-sol-l\u00e1.<\/p>\n<p>Dois subg\u00eaneros que merecem maiores coment\u00e1rios nos anos 1990 s\u00e3o o alternativo e o grunge. O alternativo nasce, na verdade, l\u00e1 nos anos 1980, mas ganha popularidade s\u00f3 na d\u00e9cada seguinte. O termo se refere a duas coisas: primeiro o fato de as composi\u00e7\u00f5es serem lan\u00e7adas por bandas e mesmo selos e gravadoras independentes, menores, e desconhecidas das grandes gravadoras mundiais; segundo, porque o tipo de som produzido era alternativo: ao inv\u00e9s dos usos tradicionais de instrumentos, mesmo de sintetizadores eletr\u00f4nicos, come\u00e7a-se a compor utilizando-se sons de outras fontes, como caixinhas de f\u00f3sforo batendo, rodinhas de skate girando, motor de carro ligando, entre outros. A estrutura harm\u00f4nica segue a mesma dos anos anteriores com o hard rock. Aqui d\u00e1 pra citar Dinossaur Jr, The Pixies, R.E.M, Sonic Youth, Jane\u2019s Addiction e at\u00e9 Muse.<\/p>\n<p>O grunge, por sua vez, \u00e9 algo bem interessante: tem muita influ\u00eancia do heavy metal, n\u00e3o s\u00f3 em termos de timbre (uso exaustivo de guitarras distorcidas, v\u00e1rios pedais), mas tamb\u00e9m em termos de sonoridade e complexidade harm\u00f4nica. N\u00e3o bastassem os powers chords, os tr\u00edtonos e os modos gregos, a novidade agora reside nas notas justapostas (exemplo: d\u00f3-r\u00e9) tocadas simultaneamente seguidas de invers\u00f5es de acordes com 9\u00aa bemol e 11\u00aa sustenida. Invers\u00e3o de acorde bem resumidamente, \u00e9 tocar o acorde em posi\u00e7\u00e3o de notas diferentes. Exemplo: d\u00f3-mi-sol \u00e9 o acorde de d\u00f3, certo? Mas tanto faz se eu tocar mi-sol-d\u00f3 ou sol-d\u00f3-mi, que continuar\u00e1 sendo o acorde de d\u00f3, s\u00f3 que com outra nuance. Isso d\u00e1 outras possibilidades ao arranjo, j\u00e1 que muda a altimetria das notas. <\/p>\n<p>Os maiores representantes desse g\u00eanero nos anos 1990 s\u00e3o Nirvana, Pearl Jam, e Alice in Chains. Quanto \u00e0s letras, seguem temas de protesto, com ironia e sarcasmo, liberdade, necessidade de se desprender das press\u00f5es sociais, entre outros. D\u00e1 pra dizer que \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o do punk, mas com outra pegada. No final dos anos 1990 e come\u00e7o dos anos 2000 ainda h\u00e1 uma esp\u00e9cie de revival do g\u00eanero, chamado post-grunge, cujos representantes s\u00e3o Foo Fighters, Creed, Matchbox Twenty, 3 doors down, Audioslavie, Three days Grace, Incubus e Nickelback. Sim, pra quem n\u00e3o sabe, Nickelback antes de ficar famoso com aquelas baladas rom\u00e2nticas chicletes dos idos de 2003, tocava um som um tanto mais pesado.<\/p>\n<p>Na tentativa de finalizar esse texto, d\u00e1 pra comentar rapidinho sobre as tend\u00eancias contempor\u00e2neas a partir dos anos 2000: de um lado h\u00e1 o nu metal (j\u00e1 comentei anteriormente, ent\u00e3o&#8230;), de outro o indie rock, o emocore e o rock industrial. O indie, basicamente, \u00e9 diminutivo de \u201cindependent\u201d, e tem sua origem tamb\u00e9m l\u00e1 nos anos 1980 e auge nos anos 1990. \u00c9 outro nome, a bem dizer, pra alternativo, com o mesmo esquema de fugir das grandes gravadoras mundiais, mantendo apenas sua produ\u00e7\u00e3o independente. Aqui entram bandas como Pixiels, Artic Monkeys, 4 non Blondies, The Strokes, Arcade Fire, The Killers, entre outros. Nada de novidade em termos de estrutura harm\u00f4nica, no m\u00e1ximo h\u00e1 experimenta\u00e7\u00f5es de timbres de guitarras, mas come\u00e7a, lentamente a deixar para tr\u00e1s aquele monte de guitarras distorcidas com som pesado, dando prioridade a um som mais limpo e bem trabalhado com a melodia e letra. Por vezes, o indie rock se confunde com o indie pop, basta ver por a\u00ed as letras de Lilly Allen, Florence + the Machine e Belle and Sebastian. <\/p>\n<p>O rock industrial vem diretamente da m\u00fasica industrial, que \u00e9 um conceito art\u00edstico que vem l\u00e1 das vanguardas do s\u00e9culo XX, particularmente do concretismo e do minimalismo. Tem forte influ\u00eancia da m\u00fasica eletr\u00f4nica, repeti\u00e7\u00e3o incessante de uma grava\u00e7\u00e3o (loop), cruzamento de v\u00e1rias grava\u00e7\u00f5es de modo mais lento ou acelerado, invertido, em alturas diferentes, tonalidades diferentes, enfim. Junte a essas t\u00e9cnicas o som pesado das guitarras e tu tens o rock industrial. Bandas como Rammstein, Godflesh,  Oomph!, Nine Inch Nails entram aqui. A coisa tamb\u00e9m coma\u00e7a l\u00e1 nos anos 1980, e nos anos 2000 parece ter um revival leve.<\/p>\n<p>O emocore teve seu auge aqui no Brasil nos idos de 2005 por a\u00ed, e que tem como representantes Simple Plan, Paramore, My Chemical Romance, Good Charlotte, e essas bandinhas por a\u00ed, e seu nome significa \u201cemotional\u201d rock. A caracter\u00edstica principal aqui s\u00e3o as letras, que s\u00e3o bem emocionais, depressivas at\u00e9, e por vezes com tom confessional e triste. Junte-se a isso um arranjo com o uso exaustivo de guitarras barulhentas, pedais de distor\u00e7\u00e3o, com riffs bem cadenciados (progress\u00e3o clich\u00ea I-IV-V ou longas progress\u00f5es usando a base I-IV-V-VII), e o uso de notas justapostas al\u00e9m de brincadeiras com a t\u00f4nica no contratempo, ou ritmo e andamento com compasso quebradi\u00e7o aqui e ali e&#8230; est\u00e1 feito!<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 isso, eu certamente devo ter extrapolado o limite de p\u00e1ginas, e certamente tamb\u00e9m devo ter pulado algum subg\u00eanero ou outro, mas, por outro lado, o objetivo n\u00e3o foi contar uma hist\u00f3ria detalhada do g\u00eanero, apenas explic\u00e1-lo resumidamente.<\/p>\n<p><strong>Por: Ge<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. Tio Ge explica \u2013 g\u00eaneros musicais 2 \u2013 Rock Continuando a s\u00e9rie de textos sobre g\u00eaneros musicais, nesse eu falo de rock. Uma hist\u00f3ria do rock n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15275,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-15274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-convidado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}