{"id":15372,"date":"2019-07-14T16:00:38","date_gmt":"2019-07-14T19:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15372"},"modified":"2019-07-21T15:24:34","modified_gmt":"2019-07-21T18:24:34","slug":"generos-musicais-jazz-e-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/07\/generos-musicais-jazz-e-blues\/","title":{"rendered":"G\u00eaneros Musicais &#8211; Jazz e Blues"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-default uk-card-body\"><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/div>\n<h2>Tio Ge explica \u2013 g\u00eaneros musicais 3 \u2013 Jazz e Blues parte 1<\/h2>\n<p>Continuando com a s\u00e9rie de textos sobre g\u00eaneros musicais, nesse eu falo de jazz e blues. Esses s\u00e3o dois g\u00eaneros realmente sofisticados, para ouvidos sofisticados, pra n\u00e3o dizer complicados em termos de estrutura\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica. O mais curioso \u00e9  que, hoje, esses g\u00eaneros s\u00e3o tratados de maneira um tanto elitista, sendo que, no passado, pertenciam ao n\u00edvel do popular. <!--more--><\/p>\n<p>Antes de comentar sobre cada subg\u00eanero ou vertente destes, preciso explicar mais umas coisas sobre teoria musical. N\u00e3o quis explicar tudo de uma vez l\u00e1 no primeiro texto, pois achei que iria ficar algo muito te\u00f3rico e cansativo, mas agora \u00e9 realmente chegado o momento se quisermos entender com maior profundidade sobre esses g\u00eaneros. <\/p>\n<p>Vamos l\u00e1: a come\u00e7ar por escala, que, grosso modo, \u00e9 um conjunto de notas agrupadas. Cada escala vai ter uma f\u00f3rmula dividida entre tons e semitons. Tom e semitom \u00e9 uma medida abstrata, uma unidade de frequ\u00eancia sonora qualquer. Admitamos como tom as sete notas que a gente conhece: d\u00f3-r\u00e9-mi-f\u00e1-sol-l\u00e1-si. Semitom, ent\u00e3o, vai ser um meio termo entre um tom e outro;  s\u00e3o chamados tamb\u00e9m de acidentes na escala. Da\u00ed subindo a escala vou ter os sustenidos, e descendo, os bem\u00f3is. S\u00f3 n\u00e3o vai ter acidente entre mi e f\u00e1 e entre si e d\u00f3, porque o \u201csistema\u201d adotado pelo ocidente optou por ser assim. H\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o mais aprofundada que envolve Pit\u00e1goras, senos e cosenos, ondas, integrais e derivadas, mas n\u00e3o vou entrar nisso, merece at\u00e9 um texto \u00e0 parte. <\/p>\n<p>Modos gregos: s\u00e3o escalas espec\u00edficas que existem desde os tempos da Gr\u00e9cia antiga, e eram usadas no canto gregoriano. S\u00e3o sete escalas, ou modos: j\u00f4nio, d\u00f3rico, fr\u00edgio, l\u00eddio, mixol\u00eddio, e\u00f3lio e l\u00f3crio, e cada um vai ter uma f\u00f3rmula diferente, por exemplo, o modo j\u00f4nio \u00e9 organizado por tom-tom-semitom-tom-tom-tom-semitom, j\u00e1 o d\u00f3rico \u00e9 organizado por tom-semitom-tom-tom-tom-semitom-tom, e assim por diante. D\u00e1 pra partir de qualquer nota e aplicar essa f\u00f3rmula pra achar o modo correspondente dela. \u201cTu est\u00e1 me dizendo, ent\u00e3o, que existe d\u00f3 j\u00f4nio,r\u00e9 j\u00f4nio, mi j\u00f4nio, f\u00e1 j\u00f4nio&#8230;?\u201d Exatamente! Assim como existe r\u00e9 d\u00f3rico, mi d\u00f3rico, f\u00e1 d\u00f3rico, sol d\u00f3rico, e assim por diante. Em resumo, s\u00e3o sete modos, para sete notas, totalizando a\u00ed 49 combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. E sim, numa gradua\u00e7\u00e3o em m\u00fasica prepare-se para estudar todas as combina\u00e7\u00f5es, uma por uma!<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer tamb\u00e9m que o sistema ocidental europeu preza pelo uso dos modos gregos, e mais particularmente, pelo sistema diat\u00f4nico (sete notas). J\u00e1 a m\u00fasica africana, e, em menor grau, a m\u00fasica chinesa, indiana e em parte a \u00e1rabe, utiliza o sistema pentat\u00f4nico (5 notas). Na outra ponta, existem tamb\u00e9m as escalas temperadas, ex\u00f3ticas,  e a hexaf\u00f4nica (6 tons inteiros). <\/p>\n<p>O jazz e o blues d\u00e3o um passo \u00e0 frente e juntam o melhor dos dois mundos: o blues vai utilizar a dita \u201cescala blues\u201d junto com a \u201cblue note\u201d (geralmente a 3b ou a 4#), que \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o da pentat\u00f4nica maior, que por sua vez \u00e9 nada menos que a  escala maior mel\u00f3dica, sem o grau IV e VII. Partindo de d\u00f3, vou ter: d\u00f3-re-mi-sol-l\u00e1 como pentat\u00f4nica, e como pentablues, d\u00f3-r\u00e9-mib-mi-sol-l\u00e1. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o blues tamb\u00e9m utiliza exaustivamente o IV grau com fun\u00e7\u00e3o de V, dando um efeito interessante ao ouvido humano tanto de disson\u00e2ncia, quanto de exaust\u00e3o ac\u00fastica pela necessidade de \u201cresolver\u201d essa meia tens\u00e3o (subdominante) provocada pelo IV grau. <\/p>\n<p>Em termos de estrutura harm\u00f4nica, o blues originalmente segue o modelo de 12 compassos, cada um com um acorde respectivo, com a f\u00f3rmula:<\/p>\n<p>I  | I  | I | I<br \/>\nIV | IV | I | I<br \/>\nV  | IV | I | V<\/p>\n<p>Partindo de d\u00f3, ent\u00e3o, vou ter: d\u00f3|d\u00f3|d\u00f3|d\u00f3 \u2013 f\u00e1|fa|d\u00f3|d\u00f3 \u2013 sol|f\u00e1|d\u00f3|sol. Um exemplo bem bacana <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=V6aZZFnZUVk\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">d\u00e1 pra conferir nesse v\u00eddeo aqui<\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a varia\u00e7\u00e3o de 8 compassos, 16, 24 e 32 compassos. Reparem que, nessa pequena f\u00f3rmula, h\u00e1 a repeti\u00e7\u00e3o, a \u00eanfase nos graus I e IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse isso, o blues tamb\u00e9m adora brincar com a 3\u00aa menor\/maior, 5\u00aa diminuta e s\u00e9tima menor. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5nFc9TtjtWU\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Um exemplo est\u00e1 aqui<\/a>.<\/p>\n<p>O jazz, por sua vez, j\u00e1 brinca com disson\u00e2ncias estranhas ao acorde adicionando notas como a 6\u00aa, a 9\u00aa bemol (9b), a 11\u00aa sustenida (11#) ou a 13\u00aa bemol (13b). Novamente, explicando rapidinho: disse anteriormente que a escala tem l\u00e1 7 notas, certo? Mas d\u00e1 pra continuar a contagem com as notas seguintes admitindo ser 8\u00ba, 9\u00ba, 10\u00ba, 11\u00ba, e assim por diante. Partindo de d\u00f3, como sempre: se si = 7, d\u00f3 = 8, r\u00e9 = 9, mi = 10, f\u00e1 = 11, sol = 12, l\u00e1 = 13. Reparem que a 9\u00aa, neste caso, vai ser correspondente \u00e0 2\u00aa, assim como a 11\u00aa vai ser correspondente \u00e0 4\u00aa, e a 13\u00aa \u00e0 6\u00aa. Tudo isso pra dizer que: se h\u00e1 uma 13b no arranjo, isso corresponde ao 6\u00ba grau bemol, se h\u00e1 uma 9\u00aa, corresponde ao 2\u00ba grau, e se h\u00e1 um 11# corresponde ao 4\u00ba grau.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica marcante do blues \u00e9 o groove de baixo, que consiste, basicamente, na utiliza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias notas sendo tocadas no baixo, de forma que d\u00ea a parecer que se est\u00e1 tocando uma m\u00fasica independente do conjunto todo, mas que, ao mesmo tempo, conversa com ele. Vale lembrar tamb\u00e9m que, afora isso, o blues \u00e9 marcado pelo uso de 5as no baixo (d\u00f3-sol, por exemplo).<\/p>\n<p>O jazz, por sua vez, vai misturar v\u00e1rios modos gregos em uma melodia s\u00f3, coisa que at\u00e9 anteriormente n\u00e3o havia sido feita. Exemplo: misturar as notas pertencentes a d\u00f3 j\u00f4nio com sol mixol\u00eddio. Al\u00e9m disso, das progress\u00f5es clich\u00eas do tipo I-IV-V passam-se a ter deslocamentos de fun\u00e7\u00e3o, como por exemplo, essa mesma progress\u00e3o I-IV-V se tornar uma II-V-VI, ou um III-VI-VII. H\u00e1 tamb\u00e9m o uso de enormes progress\u00f5es, assim como no heavy metal, com encadeamentos cada vez mais malucos, e finais inesperados, como por exemplo, ao inv\u00e9s de \u201cresolver\u201d no grau I, resolver em III ou VI, e da\u00ed deixar aquela sensa\u00e7\u00e3o por vezes de decep\u00e7\u00e3o no ouvinte. Assim como o blues, h\u00e1 tamb\u00e9m brincadeiras com os acordes, experimentando a 5\u00aa aumentada ou diminuta, assim como a 3\u00aa menor e maior. <\/p>\n<p>Mais do que isso, h\u00e1 tamb\u00e9m o uso de modula\u00e7\u00f5es tonais, que \u00e9 um recurso que vem l\u00e1 do romantismo, e que consiste basicamente em utilizar as mesmas notas em comum de uma tonalidade em outra, e da\u00ed enganar o ouvinte. Exemplo bem b\u00e1sico: d\u00f3 maior e sol maior. Ambas t\u00eam todas as notas da escala e tamb\u00e9m acordes em comum, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de f\u00e1 sustenido. Excluindo essa nota, eu posso muito bem tocar uma m\u00fasica em d\u00f3 maior, mas n\u00e3o necessariamente come\u00e7\u00e1-la em d\u00f3 (grau t\u00f4nico), mas sim em sol (grau dominante), e usar os acordes pertencentes ao campo harm\u00f4nico de sol maior, a ponto de o ouvinte se perguntar, \u201cafinal, est\u00e1 em d\u00f3 maior ou sol maior?\u201d. Quem faz isso, na m\u00fasica erudita, \u00e9 Chopin, Liszt, Schubert, e essa turminha a\u00ed dos rom\u00e2nticos tardios como Rachmaninoff, Shostakovitch e Prokofiev. Debussy em menor grau, esse j\u00e1 come\u00e7a a flertar com as vanguardas do s\u00e9culo XX. O jazz, no caso, vai abusar disso, a ponto de se ter uma verdadeira virtuose em termos de complexidade harm\u00f4nica.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse essa salada toda, ainda h\u00e1 brincadeiras com os ritmos, os chamados rubatos, rallentandos (que vem l\u00e1 da m\u00fasica erudita), com a sincopa (come\u00e7ar a contagem do compasso n\u00e3o no tempo 1, mas em outro tempo), e jogos com  contratempo (imagine contar 1 e 2 e 3 e 4&#8230; imagine tamb\u00e9m dar \u00eanfase da nota no \u201ce\u201d ao inv\u00e9s do n\u00famero) e swingado do compasso, al\u00e9m de poliritmia (v\u00e1rios instrumentos tocados em ritmos diferentes, e de modo independente, ao contr\u00e1rio de serem tocados todos juntos, respeitando o mesmo andamento). Um exemplo de poliritmia com a bateria <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Nx-H5uYqsok\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">pode ser encontrado neste v\u00eddeo<\/a>.<\/p>\n<p>Sim, o jazz e blues s\u00e3o tudo isso e mais um pouco. \u00c9 realmente complexo porque mistura o melhor dos dois mundos: o erudito e o popular. A essa altura do texto, devem estar se perguntando: mas qual a diferen\u00e7a entre os dois g\u00eaneros, afinal? A resposta pode parecer dif\u00edcil, j\u00e1 que ambos os g\u00eaneros tem muito em comum entre eles, mas d\u00e1 pra dizer, em linhas gerais, que o jazz \u00e9 um derivado do blues e sofre influ\u00eancias de outros g\u00eaneros comuns na \u00e9poca, como o ragtime. O blues vem primeiro, o jazz depois. Mas as caracter\u00edsticas marcantes mesmo que diferenciam esses dois \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o incessante da mesma estrutura harm\u00f4nica, e o uso do groove no baixo, no caso do blues. O blues \u00e9 mais simples, vale dizer, o jazz mais complexo.<\/p>\n<p>Dito isto, vamos ent\u00e3o \u00e0s vertentes de cada g\u00eanero, e para tanto, um pouco de hist\u00f3ria. O blues \u201craiz\u201d nasce nos estados do sul dos EUA (Mississipi, Alabama, Louisiana, Texas&#8230;) no final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do s\u00e9culo XX; \u00e9 dif\u00edcil determinar com precis\u00e3o. Mas ele recebe grande influ\u00eancia do \u201cnegro spirituals\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica de origem africana utilizada para meditar ou rezar. \u00c9 um estilo bem introspectivo e emotivo, para ser cantado baixinho. Outra influ\u00eancia importante s\u00e3o os \u201cwork songs\u201d, can\u00e7\u00e3o de trabalho. S\u00e3o m\u00fasicas cantadas por trabalhadores negros para manterem o ritmo no trabalho e deix\u00e1-lo menos extenuante. H\u00e1 registros desse tipo de can\u00e7\u00e3o especialmente nas planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o do sul dos EUA. \u00c9 um tipo de m\u00fasica extremamente repetitiva, homof\u00f4nica. Ao lado deste est\u00e3o as can\u00e7\u00f5es do tipo \u201ccall response\u201d que consiste em um l\u00edder que entoa um verso, e um grupo que responde a esse verso logo em seguida. \u00c9 parecido com essas musiqunhas cafonas que o exercito canta. Outra influ\u00eancia que merece coment\u00e1rio s\u00e3o os \u201cclamores de roda\u201d, que, a meu ver, s\u00e3o realmente interessantes antropologicamente falando. S\u00e3o can\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m  de origem africana e tamb\u00e9m cantada por negros, mas n\u00e3o em hor\u00e1rio de trabalho, e sim fora dele. N\u00e3o tinham controle r\u00edgido, como nas \u201ccall respose\u201d, mas sim o que importava eram a express\u00e3o e a catarse dos indiv\u00edduos l\u00e1 envolvidos. Estes entravam em transe quando cantavam e dan\u00e7avam em roda, e esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico estilo musical africano utilizado para isso.<\/p>\n<p>O blues, ent\u00e3o, bem resumidamente, \u00e9 a mistura de todas essas influ\u00eancias juntas, numa linguagem pr\u00f3pria e aut\u00f4noma. Em sua origem, o blues \u00e9 triste, as letras de m\u00fasicas s\u00e3o tristes, falam quase sempre sobre a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, e o tom tamb\u00e9m \u00e9 triste: s\u00e3o evitados os modos e escalas maiores, notas agudas, e priorizam-se as notas baixas, para serem cantadas baixinho. O termo \u201cblue\u201d, neste caso, significa triste, deprimido. <\/p>\n<p>O contexto cultural e social tamb\u00e9m influencia bastante nisso: com a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura os negros andavam por a\u00ed, marginalizados, e em condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias. Eles se reuniam em casas para beber, conversar, jogar, e claro, cantar e dan\u00e7ar. Essas casas eram conhecidas como \u201cjuke joints\u201d, onde eles podiam fazer esse tipo de coisa, j\u00e1 que em outros estabelecimentos eram proibidos de entrar. Uma esp\u00e9cie de inferninho. Como eram pobres, n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de comprar v\u00e1rios instrumentos, s\u00f3 restavam poucos recursos como voz e viol\u00e3o, e quando muito, uma gaita diat\u00f4nica ou trompete. Mas, com o passar do tempo, o blues tamb\u00e9m passa a ser tocado pelos brancos. J\u00e1 nos anos 1920 temos grandes nomes como W. C. Handy, Mamie Smith, Ma Rainey, e Blind Willie Johnson.<\/p>\n<p>Disse anteriormente que o blues \u201craiz\u201d nasce nos estados do sul dos EUA. Pois bem, \u00e0 medida que o tempo passa, ele vai se espalhando por outros estados e regi\u00f5es, e cada regi\u00e3o vai agregando alguma diferen\u00e7a sutil aos novos subg\u00eaneros que nascem a partir da\u00ed. O primeiro subg\u00eanero a ser catalogado \u00e9 o delta blues, nos primeiros anos do s\u00e9culo XX e se estende a\u00ed at\u00e9 por volta de 1930. Ele se desenvolve ali naquela regi\u00e3o do Delta do rio Mississipi, e cobre uma regi\u00e3o que vai at\u00e9 Tennesse e Memphis. O estilo \u00e9 simples e rudimentar, apenas vocal triste e calmo, introspectivo, viol\u00e3o e uma gaita. Representantes desse subg\u00eanero s\u00e3o Woodron Adams, Kid Bailey, Tom Bankhead, John Henry Barbee, Ishmoon Bracey, Willie Brown, David Honeyboy Edwards, entre tantos outros. Detalhe: para quem realmente se interessar por esse g\u00eanero, h\u00e1 um museu chamado \u201cdelta blues museum\u201d em Clarksdale, Mississippi.<\/p>\n<p>Do delta blues surge o Detroit blues. Ele nasce gra\u00e7as \u00e0 migra\u00e7\u00e3o de pessoas que moravam e trabalhavam em Delta e migraram para trabalhar na regi\u00e3o de Detroit, nas ind\u00fastrias de l\u00e1, isso por volta dos anos 1920 a 1930. Aqui a coisa muda um pouco de figura, algumas m\u00fasicas s\u00e3o mais animadas, menos tristes, o ritmo come\u00e7a a ficar mais r\u00e1pido, e o uso das pentat\u00f4nicas e pentablues nos solos enormes \u00e9 evidente. Adicionam-se aqui instrumentos amplificados como a guitarra el\u00e9trica e o piano, para al\u00e9m do j\u00e1 b\u00e1sico vocal-viol\u00e3o-gaita. Representantes desse g\u00eanero s\u00e3o Alberta Adams, Andre Williams, Bobo Jenkins, John Lee Hooker e Johnnie Bassett.<\/p>\n<p>Outra vertente pertencente aos antigos \u00e9 o Piedmont blues, que se desenvolve na regi\u00e3o de Piedmont, nos EUA. Aqui, a caracter\u00edstica principal \u00e9 o uso da t\u00e9cnica do \u201cpicking\u201d nas cordas do viol\u00e3o, que consiste basicamente em tocar \u201cpin\u00e7ando\u201d com dois dedos as notas mais graves e, com os outros tr\u00eas dedos restantes, as notas mais agudas realizando a melodia. \u00c9 bem parecido com o ragtime no piano, s\u00f3 que feito no viol\u00e3o. Pode parecer simples, ter poucas notas, mas acreditem, \u00e9 dif\u00edcil de tocar! Int\u00e9rpretes aqui d\u00e1 pra citar Pink Anderson, Etta Baker, Ed Bell, Blind Blak, Robert Curtis Smith e Brownie McGhee.<\/p>\n<p>Enquanto isso, tamb\u00e9m entre os anos 1920 e 1930, h\u00e1 o surgimento do Memphis blues, no estado de Tennesse, nos EUA. A caracter\u00edstica interessante aqui reside no fato de que este tem influ\u00eancia dos vaudevilles locais, das \u201cjug bands\u201d que tocavam nesses vaudeviles, e do ritmo sincopado do jazz. Outra caracter\u00edstica \u00e9 que, nos prim\u00f3rdios, esse g\u00eanero dava aten\u00e7\u00e3o aos solos de gaita ou de instrumento de sopro, mas, ap\u00f3s a segunda guerra mundial, passa-se a priorizar instrumentos el\u00e9tricos, como a guitarra, bem como vocais mais agressivos. Exemplares desse subg\u00eanero s\u00e3o Albert King, B.B. King, Furry Lewis, Mempnhis Minnie, Willie Nix, Sleepy John Estes, Ida Cox, James Cotton, Big Mama Thornton e Raymond Hill.<\/p>\n<p>Nos anos 1930 \u00e9 v\u00e1lido citar o Texas blues, que se desenvolve na regi\u00e3o do Texas. Contexto hist\u00f3rico interessante pra lembrar: depois da grande crise de 1929 muitas pessoas migraram para a regi\u00e3o do Texas, incluindo a\u00ed v\u00e1rios \u201cbluesman\u201d. Esse subg\u00eanero tem grande influ\u00eancia da m\u00fasica country raiz j\u00e1 existente nessa regi\u00e3o, e o que o caracteriza mesmo \u00e9 o ritmo muito mais swingado (arrastado) que nos outros, como o marcado e r\u00edgido Chicago blues. Nos anos 1960 esse subg\u00eanero ganha uma pequena evolu\u00e7\u00e3o com a adi\u00e7\u00e3o da guitarra el\u00e9trica nos arranjos e longos solos com slides e pontes entre os refr\u00e3os. Representantes desse g\u00eanero s\u00e3o Albert Collings, Big Mama Thornton, Jimmie Vaughan, Stevie Ray Vaughan, T-Bone Walker, Canned Heat, ZZ Top, Billy Gibbons, Freddie King, Pee Wee Crayton, Gary Clark Jr, e Lightnin\u2019 Hopkins.<\/p>\n<p>Um subg\u00eanero bastante conhecido e apreciado por a\u00ed \u00e9 o Louisiana blues. Ele se desenvolve depois da segunda guerra mundial, tem seu decl\u00ednio nos anos 1960, e um pequeno revival na d\u00e9cada seguinte. Aqui os instrumentos s\u00e3o os mesmos: guitarra el\u00e9trica, viol\u00e3o, vocais, bateria, gaita, mas misturam-se aqui alguns solos ora com trompete, ora com sax. Mas a caracter\u00edstica marcante desse subg\u00eanero \u00e9 o uso do baixo em quintas. Sabem aquelas m\u00fasicas que ficam sempre com aquele baixo marcado do tipo d\u00f3-r\u00e9-mi-f\u00e1-sol-f\u00e1-mi-r\u00e9-d\u00f3? Pois \u00e9. Representantes desse g\u00eanero s\u00e3o Tabby Thomas, Slim Harpo, Lazy Lester, Lightnin Slim, Nathan Abshire, Bobby Parker e Robert Pete Williams.<\/p>\n<p>Uma varia\u00e7\u00e3o bem interessante do Louisiana blues, e que ocorre ao mesmo tempo deste, \u00e9 o New Orleans blues. Aqui a coisa fica um pouco mais pesada, com v\u00e1rios instrumentos de metais fazendo os solos (sax, trompete, trombone&#8230;) fora os solos de guitarras. A pequena sutileza aqui tamb\u00e9m fica por conta do uso de 6\u00aa justa e a 9\u00aa bemol e invers\u00f5es de acordes utilizando essas notas no baixo. Aqui entram int\u00e9rpretes como Johnny Adams, James Booker, Guitar Slim, Smiley Lewis, Professor Longhair, Tommy Ridgley e Champion Jack Dupree.<\/p>\n<p>Do Louisiana blues surge tamb\u00e9m o swamp blues, que tem seu auge nos anos 1950, e se desenvolve especificamente na cidade de Baton Rouge, capital de Louisiana. A diferen\u00e7a aqui reside na utiliza\u00e7\u00e3o de aberturas quartais (usar o acorde com notas distanciadas entre intervalos de quartas) e o uso de acordes com 6\u00aa justa e 11# no arranjo. Outra diferen\u00e7a sutil diz respeito ao ritmo, que \u00e9 mais r\u00e1pido, mais sincopado, al\u00e9m do uso de pedais de tremollo nas guitarras e o som de bateria mais fechado. Representantes dessa vertente s\u00e3o Lightnin\u2019 Hopkins, Larry Garner, Silas Hogan, Jerry \u201cBoogie\u201d McCain, Slim Harpo e Lonnie Brooks.<\/p>\n<p>Outro subg\u00eanero do blues \u00e9 o Chicago Blues, que obviamente se desenvolve em Chicago, l\u00e1 pelo fim dos anos 1940, e tem seu auge nos anos 1950 a 1960. A diferen\u00e7a aqui est\u00e1 no uso da guitarra el\u00e9trica brincando com as 7as menores e 5as diminutas, e o saxofone fazendo solos incr\u00edveis nos modos gregos, al\u00e9m da gaita, baixo, bateria e vocais. Esse influencia bastante o rock\u2019n\u2019roll que estava se desenvolvendo na \u00e9poca. Representantes desse subg\u00eanero s\u00e3o John Primer, Litter Walter, Buddy Guy, Elmore James, Freddie King, J.B. Lenoir, Luther Allison, Muddy Walters, Willie Dixon.<\/p>\n<p>Ainda nos anos 1940 vale citar tamb\u00e9m o Saint Louis blues: aqui, embora haja outros instrumentos na categoria de sopros e metais, quem manda \u00e9 o piano. O arranjo das linhas de baixo e acordes \u00e9 feito com o piano primariamente, e a estrutura harm\u00f4nica \u00e9 a mesma daquela dita anteriormente, brincando com 3as, 5as e 7\u00aa diminuta.  Ele \u00e9 derivado do jump blues que tamb\u00e9m \u00e9 da mesma \u00e9poca dos anos 1940, e tem influ\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o das big bands (comentarei sobre posteriormente ao falar de jazz). H\u00e1 music\u00f3logos que apontam para o jump blues como precursor do rock\u2019n\u2019roll nos anos 1950, embora isso seja discut\u00edvel at\u00e9 hoje. Representantes desse g\u00eanero s\u00e3o Jelly Roll Anderson, Chuck Berry, Henry Brown, Oliver Brown, Teddy Darby, Walter Davis, Tommy Diean, Jonnie Johnson, Lonnie Johnson, Roy Milton, Ella Mae Morse, Freddie Slack, Billy Wright, entre outros.<\/p>\n<p>Do outro lado do oceano, nos anos 1950 e 1960, h\u00e1 o blues brit\u00e2nico, que come\u00e7a nada menos com a mesma turminha que alavancou o rock nas terras do velho mundo. Entre eles est\u00e3o os Rolling Stones, Eric Clapton, Led Zeppelin, The Animals e The Yardbirds. Aqui d\u00e1 pra falar tamb\u00e9m em termos de blues-rock, que se desenvolve nos anos 1960 e \u00e9 uma fus\u00e3o entre esses dois g\u00eaneros, fus\u00e3o essa um tanto dif\u00edcil de diferenciar as fronteiras entre os dois: a estrutura harm\u00f4nica segue a mesma, com aquela f\u00f3rmula de 12 compassos, extremamente repetitivo entre o I e IV graus; \u00e9 isso que vai gerar o j\u00e1 comentado \u201criff\u201d, feito com uma guitarra, enquanto outra guitarra faz algum solo utilizando notas mais altas, mas geralmente se utilizando da pentablues.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as principais vertentes e subg\u00eaneros do blues. Para al\u00e9m destas est\u00e3o tamb\u00e9m os g\u00eaneros derivados do blues, dentre eles: o boogie-woogie, o rythm and blues \u2013 tamb\u00e9m conhecido como r&#038;b -, soul e disco. O Boogie-woogie nasce, na verdade, l\u00e1 nos anos 1910, mas ganha popularidade mesmo s\u00f3 nos anos 1930. Tem forte influ\u00eancia do ragtime, e a caracter\u00edstica principal \u00e9 o uso da m\u00e3o esquerda no piano brincando com notas graves (baixo) e acordes em ritmo sincopado, e utilizando sempre as 3as maior e menor e 5a justa. Isso gera uma c\u00e9lula r\u00edtmica, um \u201criff\u201d, e em cima disso a m\u00e3o direita brinca fazendo algum improviso. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fNM44t7mcBw\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Um bom exemplo tu encontra aqui<\/a>. <\/p>\n<p>Embora quem mande aqui seja o piano, \u00e9 comum encontrar tamb\u00e9m arranjos envolvendo baixo e guitarra, al\u00e9m de vocais. Eu, como formado em m\u00fasica, vos digo: \u00e9 um neg\u00f3cio dif\u00edcil de tocar, e haja m\u00e3o, haja f\u00f4lego, haja energia! Pior que isso, s\u00f3 o jazz bebop. Artistas dessa vertente s\u00e3o Albert Ammons, Jean-Pierre Bertrand, John Lee Hooker, James Brooker, Crhiz Conz, Louis Jordan, Memphis Slim, e Pinetop Perkins.<\/p>\n<p>O r&#038;b \u00e9 esse g\u00eanero que a gente conhece por a\u00ed com uma pegada melosa-rom\u00e2ntica-balada pra dan\u00e7ar juntinho, que tem como seus representantes contempor\u00e2neos Boyz II Men, R. Kelly, Mariah Carey, Whitney Houston, e Toni Braxton. A pegada mais recente incorpora muito do hip-hop, mas no fundo \u00e9 o mais do mesmo do pop. Ele tem seus precursores l\u00e1 nos anos 1940, e pequena influ\u00eancia do soul, que \u00e9 outra vertente dos anos 1960, atrav\u00e9s de Ray Charles, B.B King, e Ottis Redding. H\u00e1 alguns music\u00f3logos que discordam e dizem que o r&#038;b veio primeiro e que o soul \u00e9 um derivado deste. <\/p>\n<p>A estrutura harm\u00f4nica \u00e9 diferente daquela tradicional do blues, aqui o que conta \u00e9 um longo encadeamento harm\u00f4nico, com grandes progress\u00f5es do tipo III-VIIm7-IV-I-VII-V-II-V-I, e que explora bastante o uso de acordes invertidos, aberturas 6\/9, uso de s\u00e9timas diminutas, quintas aumentadas, 9\u00aa bemol e tudo o que tem direito, pra dar aquele efeito de movimento pl\u00e1stico, de sensualidade, como se as notas estivessem dan\u00e7ando entre elas. <\/p>\n<p>\u00c9 uma \u201clinguagem\u201d harm\u00f4nica que incorpora muito do jazz, e o charme tamb\u00e9m fica por conta do uso dos acordes suspensos. Novamente, breve explica\u00e7\u00e3o: acordes suspensos s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam a 3\u00aa, nem menor, nem maior. \u201cAhh mas isso \u00e9 um Power chord\u201d, v\u00e3o dizer. Sim, s\u00f3 que da\u00ed troca-se a 3\u00aa por alguma outra nota, geralmente a 4\u00aa, 6\u00aa ou 7\u00aa. Exemplo partindo de d\u00f3: Csus7 ficaria d\u00f3-sol-si. <\/p>\n<p>O soul (do ingl\u00eas \u201calma\u201d) \u00e9 bem parecido com o r&#038;b em termos de estrutura harm\u00f4nica s\u00f3 que a pegada n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o rom\u00e2ntica como no g\u00eanero an\u00e1logo, mas sim algo emotivo que expressa a \u201calma\u201d. \u00c9 comum encontrar, entre os arranjos, alguns falsettes nos vocais e aquela t\u00e9cnica conhecida como \u201cmelisma\u201d, que consiste em pegar uma s\u00edlaba qualquer do que est\u00e1 sendo cantado e improvisar umas notas acima ou abaixo. Traduzindo para os leigos, \u00e9 bem aquela coisa de, no embalo da emo\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, o cantor come\u00e7ar com \u201cuhs yeahhh ohhh ann\u201d da vida. James Brown, Solomon Burke, Aretha Franklin, Luther Vandross, Ray Charles, Little Richard s\u00e3o alguns exemplares desse g\u00eanero, e um cara contempor\u00e2neo que aprecio bastante \u00e9 Seal.<\/p>\n<p>Para finalizar, comento rapidinho sobre a disco music: ela surge nos anos 1970 e tem seu boom na d\u00e9cada seguinte, e a ideia \u00e9 justamente representar, musicalmente, um disco girando, girando, girando&#8230; e a festa n\u00e3o pode parar! Ele \u00e9 um derivado do blues no quesito baixo sincopado em quintas, com a novidade de que usam e abusam de efeitos no baixo como o slide e o sweep, que consiste em pegar um dedo na corda e arrast\u00e1-lo por toda sua extens\u00e3o gerando aquele som de \u201cwuoool\u201d bem encorpado.<\/p>\n<p>A estrutura harm\u00f4nica se diferencia pelo uso daquele clich\u00ea do pop V-II-IV-I. Os instrumentos aqui ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o eletr\u00f4nicos, como na d\u00e9cada seguinte, e os arranjos se caracterizam ainda pelo uso de baixo el\u00e9trico, guitarra com um monte de efeitos, teclados e strings, e alguns poucos brass (instrumentos de metais\/sopros como sax, trompete, trombone) realizando apenas algumas notinhas de recheio. O ritmo \u00e9 sempre alegre, dan\u00e7ante, na casa a\u00ed dos 120 a 130 bpm. Quando se fala em disco quase todo mundo se lembra de Village People, mas disco n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Tem tamb\u00e9m Abba, Gloria Gaynor, Donna Sumemr, Bee Geese, Blondie, entre tantos outros.<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 isso.  Finalizo essa parte, e na segunda parte passo a falar de jazz e seus tantos subg\u00eaneros.<\/p>\n<p><strong>Por: Ge<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. Tio Ge explica \u2013 g\u00eaneros musicais 3 \u2013 Jazz e Blues parte 1 Continuando com a s\u00e9rie de textos sobre g\u00eaneros musicais, nesse eu falo de jazz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":15373,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-15372","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-convidado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15372"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15372\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}