{"id":15502,"date":"2019-08-16T15:18:30","date_gmt":"2019-08-16T18:18:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15502"},"modified":"2019-09-06T13:01:57","modified_gmt":"2019-09-06T16:01:57","slug":"memorias-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/08\/memorias-parte-1\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias \u2013 Parte 1"},"content":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos raios de sol levavam consigo o calor infernal do dia, tingindo o c\u00e9u de vermelho no horizonte e acalmando a violenta tempestade de areia. Bar\u2019hai aproveita o momento para sair da carca\u00e7a de um velho caminh\u00e3o, parcialmente enterrada numa das infinitas dunas do Deserto Vermelho, abandonada h\u00e1 sabe-se l\u00e1 quanto tempo pelos Antigos. Foram meses de uma \u00e1rdua jornada at\u00e9 ali, mas as ru\u00ednas de Omega, a \u00faltima cidade, j\u00e1 podiam ser vistas.<!--more--><\/p>\n<p>O local era defendido por uma tribo especialmente selvagem, at\u00e9 para os padr\u00f5es cada vez mais baixos de seu mundo. Os Calados rejeitaram quase tudo o que os Antigos criaram, inclusive a l\u00edngua. Literalmente. Suas crian\u00e7as tinham a l\u00edngua cortada na mais tenra inf\u00e2ncia, e a escrita tornada num crime t\u00e3o severo que sua puni\u00e7\u00e3o era a morte. Seguiam uma religi\u00e3o pr\u00f3pria, am\u00e1lgama de cren\u00e7as do passado adaptada numa esp\u00e9cie de culto \u00e0 regress\u00e3o tecnol\u00f3gica. Mesmo assim, os amplos recursos do que restou de Omega eram suficientes para torn\u00e1-los vi\u00e1veis como civiliza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo cercados de um terreno t\u00e3o inclemente.<\/p>\n<p>Bar\u2019hai n\u00e3o negaria uma refei\u00e7\u00e3o desidratada de um dos abrigos nucleares da \u00e1rea, mas seu interesse ia bem al\u00e9m disso. Antes da tomada da regi\u00e3o pelos Calados, Omega abrigou os \u00faltimos cientistas e historiadores humanos. E deles flu\u00eda o resto do conhecimento acumulado pela esp\u00e9cie nos mil\u00eanios anteriores. Uma parcela disso estava em sua mochila naquele exato momento: um caderno de anota\u00e7\u00f5es na L\u00edngua Complexa, entendida por cada vez menos sobreviventes. E talvez mais importante do que tudo: um pequeno peda\u00e7o de pl\u00e1stico e circuitos, uma Mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mem\u00f3rias se tornavam mais e mais raras com o passar das d\u00e9cadas, a maioria degradada pela exposi\u00e7\u00e3o aos elementos e a ignor\u00e2ncia daqueles que as herdavam. Bar\u2019hai aprendeu diferente. Sua m\u00e3e explicara que nas Mem\u00f3rias existia o caminho de volta para a vida dos Antigos, e que por gera\u00e7\u00f5es a fam\u00edlia jurou proteger essa rel\u00edquia. O caderno de anota\u00e7\u00f5es era reescrito por cada um deles, evitando que o tempo devorasse as p\u00e1ginas. Antes de come\u00e7ar a jornada, foi sua vez. Reescrever em p\u00e1ginas limpas ajudava a memorizar o conte\u00fado, e em uma delas, o motivo de sua viagem:<\/p>\n<p>\u201cO Terror veio para todos, em terras \u00e1ridas e em terras f\u00e9rteis. Fez com que as cria\u00e7\u00f5es do homem cuspissem fogo, mas n\u00e3o as derrubou. Isso foi culpa do abandono. Os Antigos n\u00e3o estavam mais l\u00e1 para cuidar delas. O Terror viu o Sol nascer, mas n\u00e3o se p\u00f4r. Em Omega, meus antepassados juntaram todas as mem\u00f3rias do Terror em suas cria\u00e7\u00f5es, mas o Terror se lembrou deles primeiro.\u201d<\/p>\n<p>Bar\u2019hai tinha a esperan\u00e7a de encontrar mais mem\u00f3rias em Omega, e talvez uma das cria\u00e7\u00f5es que lhe permitissem olhar para elas. Entrar no territ\u00f3rio dos Calados era senten\u00e7a de morte para qualquer desavisado, a tribo defendia suas terras com uma ferocidade impressionante, especialmente as ru\u00ednas da grande cidade. Mas o dia n\u00e3o poderia ser melhor para a miss\u00e3o, a cada 256 dias, a torre central da cidade se iluminava por alguns minutos no in\u00edcio da madrugada. Ningu\u00e9m entendia o motivo, mas era o suficiente para que os Calados se afastassem da regi\u00e3o e fizessem uma esp\u00e9cie de festival religioso nas areias do Deserto Vermelho ao redor.<\/p>\n<p>Para qualquer invasor, uma concentra\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande de Calados n\u00e3o seria uma boa ideia, mas se esse invasor conseguisse entrar na \u00e1rea antes deles se aglomerarem ao redor das ru\u00ednas, poderia ter o centro da cidade virtualmente vazio para explora\u00e7\u00e3o. Com a chegada da noite, podia ver o come\u00e7o da evacua\u00e7\u00e3o do centro: fam\u00edlias inteiras de Calados seguiam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s areias, iluminando seu caminho com tochas e lampi\u00f5es. Normalmente os Calados vestiam os restos das roupas encontradas em Omega, mas durante este evento, ficavam praticamente nus, com os corpos cobertos de listras vermelhas, provavelmente pintadas com o sangue dos in\u00fameros sacrif\u00edcios realizados durante o dia. Exce\u00e7\u00e3o feita a crian\u00e7as e idosos, que provavelmente n\u00e3o resistiriam ao frio da noite no deserto sem alguma forma de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bar\u2019hai encontra uma brecha entre dois grupos de Calados e dispara em dire\u00e7\u00e3o a um pr\u00e9dio aparentemente abandonado. A areia engolira o primeiro andar, e do terceiro para cima, apenas escombros. Ele entra por uma das janelas quebradas ap\u00f3s usar uma das dunas como rampa. Toma extremo cuidado para n\u00e3o pisar em falso ou deslocar os restos de vidro ainda na moldura. A escurid\u00e3o quase que total \u00e9 \u00fatil, mas o sil\u00eancio mais ainda: poucos ouvidos s\u00e3o t\u00e3o apurados quanto os deles. E a falta de comunica\u00e7\u00e3o faz com que apenas o som do vento esconda seus movimentos.<\/p>\n<p>Mesmo em ru\u00ednas, Omega n\u00e3o deixava de ser impressionante. Apesar de tudo, estava num estado de conserva\u00e7\u00e3o muito melhor do que qualquer outra das cidades dos Antigos que visitara at\u00e9 ent\u00e3o. No seu caderno de anota\u00e7\u00f5es, uma das primeiras p\u00e1ginas fala sobre como antes da chegada do Terror, as cidades dos Antigos ocupavam os c\u00e9us e escondiam o Sol. A torre central de Omega o fazia entender melhor essa imagem: como a maior estrutura conhecida pelos sobreviventes, sua altura era t\u00e3o imensa que por vezes a pr\u00f3pria Lua desaparecia por detr\u00e1s de sua estrutura. Diferentemente do resto das constru\u00e7\u00f5es, ela parecia \u00edntegra. Um tom mais escura que os escombros cinzas, e mais refletiva.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o havia muito tempo para admirar a paisagem. Ele estava onde desejava. O movimento dos Calados come\u00e7ava a diminuir drasticamente enquanto a Lua deslizava para o topo do c\u00e9u. Se ele quisesse estar pr\u00f3ximo da torre central na hora das luzes, precisava se movimentar imediatamente. Sincronizado com os ventos para mascarar o som de seus passos, Bar\u2019hai vai ganhando territ\u00f3rio de forma lenta e consistente. Quase todas as constru\u00e7\u00f5es ainda de p\u00e9 parecem abrigar alguma fam\u00edlia de Calados, mas todas parecem vazias. Quaisquer palavras e n\u00fameros espalhados pelo local foram retiradas, raspadas ou pintadas por eles. Nem mesmo as roupas que deixavam para tr\u00e1s continham qualquer forma de escrita ou numera\u00e7\u00e3o. Em contrapartida, o local era coberto de desenhos dos mais diferentes graus de habilidade.<\/p>\n<p>Um deles chama sua aten\u00e7\u00e3o: numa grande parede cinza, um enorme mural mostrando uma esp\u00e9cie de monstro nos c\u00e9us cuspindo fogo sobre uma s\u00e9rie de pessoas. Provavelmente a vers\u00e3o deles do Terror. No seu vilarejo, era mais comum represent\u00e1-lo como uma fera cheia de olhos devorando pessoas e animais. Bar\u2019hai olha para o c\u00e9u, a Lua ainda n\u00e3o estava no lugar certo. Havia tempo para coletar mais uma pista. Cuidadosamente, abre sua mochila e pega o caderno de anota\u00e7\u00f5es. Estava na hora dele preencher suas p\u00e1ginas. Faz um coment\u00e1rio sobre o mito de destrui\u00e7\u00e3o dos Calados e come\u00e7a a desenhar a imagem \u00e0 sua frente. A ponta do l\u00e1pis se quebra, e ele busca pela sua faca para apont\u00e1-lo novamente. Distra\u00eddo com a tarefa, n\u00e3o faz contato suficiente com o cabo da faca, que cai diretamente sobre uma pedra no ch\u00e3o. O som met\u00e1lico ocorre ao mesmo tempo em que o vento se cala.<\/p>\n<p>Primeiro, ouve um grunhido abafado. O som de passos r\u00e1pidos vem quase que ao mesmo tempo que uma das esquinas ao seu redor come\u00e7a a ser banhada por uma luz alaranjada. Os Calados notaram algo. Bar\u2019hai considera entrar num dos pr\u00e9dios, mas rapidamente percebe que seria encurralado ali. A Lua estava quase no topo do c\u00e9u. S\u00f3 havia uma alternativa: correr at\u00e9 a torre central. Deixou a faca ali mesmo e disparou como se sua vida dependesse disso. Porque realmente dependia.<\/p>\n<p>Os grunhidos aumentam em intensidade, e logo ele se v\u00ea perseguido por uns 4 ou 5 Calados armados com lan\u00e7as e tochas. A vida recente de andarilho construiu pernas velozes e pulm\u00f5es resistentes, mas os Calados eram muito mais fortes e bem nutridos do que a maioria dos outros sobreviventes. Era apenas quest\u00e3o de tempo para ser alcan\u00e7ado. A torre central ficava mais pr\u00f3xima quando sente o primeiro zunido de uma lan\u00e7a, passando a poucos cent\u00edmetros de seu ombro direito. Logo se seguem outras, e pedras, muitas pedras. Ele muda o padr\u00e3o de corrida para um zigue-zague, tornando-o um alvo mais dif\u00edcil, mas isso o torna perigosamente lento.<\/p>\n<p>Logo diante da torre central h\u00e1 uma pra\u00e7a com v\u00e1rios monumentos que adoraria catalogar n\u00e3o fosse sua situa\u00e7\u00e3o atual. O maior deles \u00e9 uma m\u00e3o cerrada feita de metal maci\u00e7o, sobre um pilar de pedra. Na frente do pilar, h\u00e1 um tecido precariamente preso por cordas, escorrido por sobre a face do pilar. Bar\u2019hai segue em dire\u00e7\u00e3o ao tecido, e mesmo sob uma chuva de pedras de uma multid\u00e3o que parece cada vez maior em seu encal\u00e7o, consegue agarrar uma das cordas e desvendar o que havia por tr\u00e1s. Uma placa met\u00e1lica arranhada com dizeres na L\u00edngua Complexa:<\/p>\n<p>\u201cA Vontade ilumina o Terror.\u201d<\/p>\n<p>Ao revelar a placa, o som dos passos de seus perseguidores diminui at\u00e9 cessar completamente. Bar\u2019hai n\u00e3o pode ficar apreciando a cena, mas enquanto continua sua corrida at\u00e9 a torre, consegue virar o rosto e perceber os Calados tapando os olhos e tentando se afastar da \u00e1rea. Alguns recome\u00e7am a persegui\u00e7\u00e3o de olhos fechados, a maioria perdendo a dire\u00e7\u00e3o e trope\u00e7ando em grandes escombros. Os poucos que passam pela escultura retomam a corrida. Bar\u2019hai j\u00e1 consegue notar a luz distante das tochas vindas do outro lado da torre, est\u00e1 ficando encurralado.<\/p>\n<p>Logo est\u00e1 diante da enorme constru\u00e7\u00e3o. De perto, fica ainda mais evidente como ela n\u00e3o se integra ao estilo de constru\u00e7\u00e3o do resto da cidade. Suas paredes externas s\u00e3o feitas de uma pedra mais escura, adornada por linhas e c\u00edrculos de um metal negro que formam padr\u00f5es parecidos com o dos circuitos das Mem\u00f3rias que carrega. N\u00e3o existem janelas \u00e0 vista, apenas uma grande porta sem ma\u00e7anetas ou qualquer outra forma de intera\u00e7\u00e3o. Seria o fim da jornada caso Bar\u2019hai n\u00e3o tivesse escolhido justamente esse dia. Ao mesmo tempo que as pedras e lan\u00e7as come\u00e7am a ficar perigosamente pr\u00f3ximas, a Lua se alinha com o topo pontiagudo da torre, e as linhas de metal escuro come\u00e7am a emitir luz. Muita luz.<\/p>\n<p>As faces dos Calados mais pr\u00f3ximos embranquecem, parte pela ilumina\u00e7\u00e3o, parte pela palidez causada por medo s\u00fabito. Os mais distantes correm desesperados para longe, os que estavam a poucos metros dali desabam no ch\u00e3o, tapando os olhos e recolhendo-se em posi\u00e7\u00e3o fetal. Os grunhidos desesperados dos selvagens quase mascaram o som da porta, que se abre atr\u00e1s dele. Bar\u2019hai n\u00e3o vacila um segundo, e adentra a torre. A porta se fecha imediatamente ap\u00f3s sua entrada.<\/p>\n<p>L\u00e1 dentro, um grande sal\u00e3o muito bem iluminado. Uma luz branca e constante, que n\u00e3o dan\u00e7ava feito o fogo. O teto, muito alto, \u00e9 apinhado de pontos luminosos, de um tom de branco inconceb\u00edvel para ele at\u00e9 ali. Diversas mesas de metal e pl\u00e1stico preenchem o ambiente, e sobre elas, cria\u00e7\u00f5es que vira antes em desenhos, fotos carcomidas e escombros. Mas essas parecem inteiras, novas. Ele se desvia do corredor central formado pelas mesas e senta-se numa cadeira pr\u00f3xima, diante da tela de uma cria\u00e7\u00e3o funcional. O investimento no aprendizado da L\u00edngua Complexa se paga imediatamente: reconhece o pedido dela de inserir uma Mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Busca em sua mochila o tesouro guardado por gera\u00e7\u00f5es, e instintivamente presume que o encaixe logo abaixo da tela serviria para o encaixe. A cria\u00e7\u00e3o modifica sua exibi\u00e7\u00e3o, com duas pequenas fotos centralizadas na tela. Bar\u2019hai toca numa delas. A foto aumenta para ocupar a tela toda, e para sua imensa surpresa, come\u00e7a a se mover.<\/p>\n<p>Uma mulher p\u00e1lida vestindo linda roupas novas segura nervosamente uma crian\u00e7a gorda no colo. A crian\u00e7a ri despreocupada enquanto a mulher come\u00e7a a falar sobre discos voadores. Uma voz masculina est\u00e1 presente, fazendo pouco das ideias da mulher. O homem ausente diz ningu\u00e9m atravessaria algo chamado galacsia para atacar macacos. Ela n\u00e3o parece concordar. A foto de move novamente, apontando para os c\u00e9us. Eles est\u00e3o acinzentados, apesar das outras cores parecerem corretas. V\u00e1rios pontos de luz dan\u00e7am no firmamento, num belo espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Logo em seguida, raios de luz descendem dos pontos, e h\u00e1 fogo no horizonte. O fogo cresce, mas a foto fica tremida antes de cair e apontar para o ch\u00e3o. A foto continua na tela por mais alguns minutos antes de desaparecer, mostrando as duas pequenas fotos novamente. Bar\u2019hai toca na outra. \u00c9 a mesma mulher, mas a crian\u00e7a parece mais nova. Est\u00e3o todos numa sala diante de outra cria\u00e7\u00e3o, bem maior que a diante dele. O beb\u00ea engatinha pelo ch\u00e3o enquanto o homem, de novo fora da foto, fala sobre como a crian\u00e7a nunca mais vai ter que pagar uma conta. Bar\u2019hai fica confuso. Os Antigos na foto falavam muito r\u00e1pido e usavam v\u00e1rias palavras que ele desconhecia. Mesmo assim, ele acabava de provar que as Mem\u00f3rias eram reais e saber muito mais sobre os Antigos que qualquer outra pessoa viva. Ele resolve ver novamente a primeira foto, assim que a segunda se fecha sozinha.<\/p>\n<p>Mas logo na primeira frase da mulher, a foto desaparece e uma mensagem toma seu lugar:<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s te encontramos. Espere pelo resgate. Os mantimentos est\u00e3o no subsolo.\u201d<\/p>\n<p>Em poucos segundos, a tela desliga, assim como todas as outras luzes. Elas ainda pulsam com menos intensidade nos pr\u00f3ximos minutos, mas logo tudo volta \u00e0 escurid\u00e3o. Os grunhidos l\u00e1 fora recome\u00e7am, e logo se tornam em batidas na pesada porta da torre.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/09\/memorias-parte-2\/\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Continua&#8230;<\/a><\/strong><\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que sempre tem medo de \u201ccontinua\u201d, para dizer que quando ele achar o Facebook vai pirar, ou mesmo para dizer que j\u00e1 sabe o final (n\u00e3o \u00e9 o destino, \u00e9 a jornada): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos raios de sol levavam consigo o calor infernal do dia, tingindo o c\u00e9u de vermelho no horizonte e acalmando a violenta tempestade de areia. 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