{"id":15675,"date":"2019-09-06T13:01:39","date_gmt":"2019-09-06T16:01:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15675"},"modified":"2019-09-20T15:13:52","modified_gmt":"2019-09-20T18:13:52","slug":"memorias-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/09\/memorias-parte-2\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias \u2013 Parte 2"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/08\/memorias\/\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Parte 1<\/a><\/p>\n<p>Bar\u2019hai procura abrigo detr\u00e1s de uma das mesas, fazendo senso do ambiente atrav\u00e9s de uma d\u00e9bil ilumina\u00e7\u00e3o lunar que parece brotar de v\u00e3os entre as paredes e o distante teto. O som das batidas e grunhidos anasalados dos Calados \u00e9 abafado pela grossura da porta, conferindo uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a que s\u00f3 aumenta depois de alguns minutos, quando os sons da tentativa de invas\u00e3o finalmente cessam.<!--more--><\/p>\n<p>O sil\u00eancio permite que volte sua aten\u00e7\u00e3o novamente para estudar seu novo ambiente. Como percebera anteriormente, as paredes n\u00e3o parecem estar totalmente conectadas com o teto: a luz da Lua \u00e9 mais pronunciada nesses v\u00e3os. Ele cuidadosamente se aproxima da parede oposta \u00e0 porta, evitando que seus passos e os equipamentos em sua mochila fa\u00e7am sons que entreguem sua localiza\u00e7\u00e3o. Olhando para cima, percebe que a torre \u00e9 feita de duas estruturas distintas: um pr\u00e9dio central feito de pedra envelopado por uma arma\u00e7\u00e3o de metal e vidro negros, o que provavelmente conferia a apar\u00eancia distinta da torre quando vista de fora.<\/p>\n<p>Os andares superiores eram sustentados por enormes colunas espalhadas pela \u00e1rea onde se encontrava, e em cada uma delas, uma porta met\u00e1lica. Enquanto a maioria era composta de duas placas que se encontravam no meio, uma delas tinha uma apar\u00eancia mais convidativa \u00e0 intera\u00e7\u00e3o, com uma grande barra sugerindo que poderia ser aberta com um pux\u00e3o. \u00c9 o que ele faz, com o m\u00e1ximo de cuidado poss\u00edvel para n\u00e3o fazer muito barulho. A porta \u00e9 surpreendentemente silenciosa para uma feita de metal, sem os rangidos que aprendera serem inerentes ao material. A textura tamb\u00e9m impressionava: n\u00e3o era \u00e1spera. Por tr\u00e1s da porta, a escurid\u00e3o era ainda mais opressora do que no sal\u00e3o, mas a luz refletida era suficiente para perceber que se tratava de uma escada, tanto para cima quanto para baixo.<\/p>\n<p>Com o est\u00f4mago vazio de uma longa viagem e a lembran\u00e7a da mensagem misteriosa que recebera antes do apagar das luzes, decide buscar pelos mantimentos descendo. O corrim\u00e3o guia sua descida sem maiores incidentes. Depois de quatro lances de escada, encontra um corredor. Sem o lampi\u00e3o, que perdera ao fugir dos Calados, \u00e9 obrigado a tatear seu caminho rumo ao desconhecido. O corredor termina alguns metros depois, numa outra porta dotada da mesma barra met\u00e1lica, Bar\u2019hai a empurra, e consegue notar que est\u00e1 entrando em outra grande sala, pelo eco da porta e seus passos. A escurid\u00e3o \u00e9 total. Suas m\u00e3os buscam a parede, os p\u00e9s tentando encontrar obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Assim que finaliza o primeiro passo sala adentro e solta a porta que segurava com o corpo, ela se fecha. Ele pode ouvir um zunido, que logo se torna mais grave. Luz. Ele instintivamente fecha os olhos, mas come\u00e7a a abrir um aos poucos: o local estava iluminado pelos mesmos focos brancos que o fascinaram no t\u00e9rreo. O sal\u00e3o tinha as mesmas propor\u00e7\u00f5es do andar superior, mas uma configura\u00e7\u00e3o bem diferente: num dos cantos, v\u00e1rias camas adornadas por len\u00e7\u00f3is e travesseiros brancos; em outro, uma s\u00e9rie de prateleiras com as cobi\u00e7adas refei\u00e7\u00f5es desidratadas que s\u00f3 os Calados tinham. Entre eles, mesas cheias de objetos que s\u00f3 vira em fotos e ilustra\u00e7\u00f5es at\u00e9 hoje: brinquedos, livros, ferramentas e todo tipo de objeto dos Antigos em estado espetacular de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas talvez mais impressionante do que tudo isso, numa das paredes havia uma profus\u00e3o de telas, aparentemente conectadas a cria\u00e7\u00f5es pelo ritmo fren\u00e9tico no qual s\u00edmbolos da L\u00edngua Complexa as percorriam. Ele estava sozinho l\u00e1 dentro, sozinho com acesso a coisas que tinha certeza que seus vizinhos no vilarejo matariam para ter. Bar\u2019hai n\u00e3o perde tempo: segue para a se\u00e7\u00e3o dos alimentos e prepara um dos pacotes. Carne com batatas. Uma pia em perfeito estado de funcionamento providencia \u00e1gua, e um curioso fog\u00e3o sem lenha ou fogo parece funcionar muito bem para aquecer a refei\u00e7\u00e3o, assim que consegue decifrar o funcionamento dos bot\u00f5es.<\/p>\n<p>Ele se senta numa das mesas, usando pratos e talheres para comer como um dos Antigos, pela primeira vez na vida. O sabor \u00e9 diferente do que estava acostumado, com v\u00e1rios temperos diferentes que n\u00e3o consegue identificar, mas agrad\u00e1vel mesmo assim. A refei\u00e7\u00e3o enche o est\u00f4mago, e a aparente calmaria tranquiliza sua mente o suficiente para prestar mais aten\u00e7\u00e3o nos monitores. Agora ele consegue perceber que h\u00e1 uma contagem regressiva no maior de todos, centralizado na parede: 255 dias, 18 horas, 32 minutos e segundos em redu\u00e7\u00e3o constante. Reconhece o padr\u00e3o: era o tempo at\u00e9 a torre se iluminar novamente.<\/p>\n<p>Nas horas seguintes, Bar\u2019hai monta uma barricada feita de camas e quaisquer outros objetos pesados que encontrara por l\u00e1 para proteger a agora confirmada \u00fanica entrada do recinto. Pr\u00f3ximas ao teto, algumas entradas protegidas com grades parecem trazer ar-fresco para o recinto. Pequenas demais para a maioria dos calados, mas talvez grandes o suficiente para uma das crian\u00e7as. Reconforta-se com a no\u00e7\u00e3o de que se um dos selvagens tivesse acesso a esse ambiente, com certeza n\u00e3o encontraria tantas refei\u00e7\u00f5es intocadas, e especialmente, n\u00e3o encontraria livros. Desde que a tribo tomou conta de Omega, todos os encontrados viraram combust\u00edvel para fogueiras.<\/p>\n<p>Esgotado pelo dia de explora\u00e7\u00e3o e principalmente pela fuga desesperada pelas ru\u00ednas at\u00e9 ali, ele decide finalmente ceder e aproveitar o conforto da cama que mantivera intacta. A maciez era incompar\u00e1vel com qualquer coisa que experimentara anteriormente, o cheiro do travesseiro, embora neutro, passava uma sensa\u00e7\u00e3o de limpeza que n\u00e3o sentia h\u00e1 muito tempo. N\u00e3o demora mais que alguns minutos para cair num profundo sono.<\/p>\n<p>\u201cBar\u2019hai est\u00e1 agachado atr\u00e1s de uma parede de tijolos, metade dela destru\u00edda por uma chuva de balas e explos\u00f5es que n\u00e3o param de chegar. O c\u00e9u est\u00e1 escuro pela fuma\u00e7a, mas a luz do Sol ainda atravessa por algumas frestas. O fogo confere uma cor avermelhada ao ambiente. Ele est\u00e1 segurando uma grande arma dos Antigos, nova e reluzente. Ao seu lado, outro homem vestindo um uniforme militar como o dele, o rosto est\u00e1 coberto por um tecido preto, deixando espa\u00e7o s\u00f3 para os olhos. Ele tamb\u00e9m carrega uma arma. No seu ouvido, algo parece falar diretamente com ele. Uma voz carregada de est\u00e1tica, abafada como numa transmiss\u00e3o de r\u00e1dio. A l\u00edngua falada n\u00e3o se parece com nada que conhece, embora seja t\u00e3o r\u00e1pida e cheia de sons diferentes como as que ouvira nas Mem\u00f3rias dos Antigos.<\/p>\n<p>O soldado ao seu lado faz um gesto com dois dedos em riste, apontando para o outro lado do muro. Bar\u2019hai tenta dizer algo em resposta, mas sua boca n\u00e3o obedece seu comando. Ao inv\u00e9s disso, concorda com uma express\u00e3o da L\u00edngua Antiga. O outro soldado se levanta, salta por uma falha no muro e desaparece de sua vis\u00e3o. Os tiros ficam mais numerosos, mas Bar\u2019hai n\u00e3o se mexe. A voz em seu ouvido, da l\u00edngua estranha, sobe o volume na hora. N\u00e3o entende as palavras, mas a irrita\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa de tradu\u00e7\u00e3o. Ele coloca a m\u00e3o no ouvido e retira um peda\u00e7o de pl\u00e1stico, a fonte da voz que n\u00e3o para de gritar.<\/p>\n<p>No seu campo de vis\u00e3o, a ilumina\u00e7\u00e3o das explos\u00f5es distantes por vezes atravessa a fuma\u00e7a e exibe uma cidade em ru\u00ednas. Algumas das constru\u00e7\u00f5es parecem familiares. Ele rapidamente se volta para a parte destru\u00edda do muro e olha na dire\u00e7\u00e3o oposta. No horizonte de pr\u00e9dios progressivamente mais deteriorados, uma constru\u00e7\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o: a torre. Ele se esconde novamente atr\u00e1s do muro, a tempo de ver outro soldado com o mesmo uniforme se aproximando. Ele faz o gesto com os dois dedos seguidas vezes, e passa para o outro lado do muro. Uma grande explos\u00e3o pode ser ouvida, o muro come\u00e7a a desabar sobre Bar\u2019hai.\u201d<\/p>\n<p>Ele d\u00e1 um salto no ar, buscando em v\u00e3o sua arma. O cheiro do tecido rapidamente o traz de volta \u00e0 realidade: ainda estava na cama. Um pesadelo. Embora n\u00e3o tivesse ideia alguma de quanto tempo dormira ali, sentia-se descansado e disposto, uma sensa\u00e7\u00e3o muito rara em sua vida at\u00e9 aqui. Ele se levanta, checa cuidadosamente cada uma das entradas de ar, observa se algo foi mexido na barricada da porta, mas n\u00e3o encontra sinais de preocupa\u00e7\u00e3o. Toma um caf\u00e9 da manh\u00e3 refor\u00e7ado com pacotes de ovos, biscoitos, cereais e leite. Finalmente se lembra que era poss\u00edvel sim saber quanto tempo dormiu: observa a tela na parede.<\/p>\n<p>232 dias, 02 horas, 56 minutos, 15 segundos.<\/p>\n<p>N\u00e3o era poss\u00edvel. Bar\u2019hai estava cansado, mas n\u00e3o teria sobrevivido a tantos dias apagado. Ele se aproxima da parede com as cria\u00e7\u00f5es, buscando alguma resposta para aquela situa\u00e7\u00e3o. Encontra alguns bot\u00f5es desenhados parede, aperta cada um deles at\u00e9 encontrar uma rea\u00e7\u00e3o: a tela principal deixa de mostrar a contagem e pede por uma palavra-chave. Ele limpa a garganta, receoso com o som da pr\u00f3pria voz depois de tanto tempo calado.<\/p>\n<p>\u201cEu Bar\u2019hai.\u201d<\/p>\n<p>Um s\u00edmbolo surge na tela por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo antes de aparecer uma mensagem escrita dizendo que aquela palavra-chave estava errada.<\/p>\n<p>\u201cEu esperar.\u201d<\/p>\n<p>Novamente erro.<\/p>\n<p>\u201cSair. Bar\u2019hai sair. Sem dor.\u201d<\/p>\n<p>Erro.<\/p>\n<p>Bar\u2019hai suspira em decep\u00e7\u00e3o. Ao virar as costas para a tela, ouve um bipe. Ao voltar sua aten\u00e7\u00e3o, nota que em uma das telas inferiores h\u00e1 uma palavra piscando: caleidosc\u00f3pio.<\/p>\n<p>\u201cCa&#8230; le&#8230; pi.\u201d<\/p>\n<p>Erro.<\/p>\n<p>\u201cCa&#8230; lei&#8230; doco&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Erro.<\/p>\n<p>Bar\u2019hai tenta mais algumas vezes, a palavra \u00e9 extremamente longa, at\u00e9 mesmo para os padr\u00f5es dos Antigos. Uma coisa era ler, outra completamente diferente era falar, tendo ouvido apenas uma vez recentemente nas Mem\u00f3rias. N\u00e3o ajudava tamb\u00e9m o fato de n\u00e3o ter a menor ideia do significado dela. Ele tenta seguidas vezes, em v\u00e1rias com a certeza de ter acertado. Mas n\u00e3o o suficiente para os padr\u00f5es daquela cria\u00e7\u00e3o. Eventualmente a tela muda a mensagem: \u201cExcesso de tentativas. Nova palavra-chave criada. Siga o Protocolo 32.\u201d<\/p>\n<p>A tela menor com a palavra se apaga. Bar\u2019hai decide voltar sua aten\u00e7\u00e3o para os objetos espalhados por sobre as mesas no centro do sal\u00e3o. Numa delas, v\u00e1rios livros est\u00e3o empilhados. Ele se senta diante de uma pilha, e come\u00e7a a identific\u00e1-los pelas capas. Ele conhecia alguns: havia lido peda\u00e7os deles entre os restos que sua fam\u00edlia acumulou em casa. Os diante dele estavam inteiros, p\u00e1ginas brancas, e mais importante: completos. Eram hist\u00f3rias dos Antigos sobre os mais diversos temas. Um falava de seres incr\u00edveis chamados baleias, outro sobre uma garota que encontrou um mundo novo atr\u00e1s de uma pequena porta, tinha uma hist\u00f3ria sobre Antigos com orelhas pontiagudas, e at\u00e9 a hist\u00f3ria sobre um assassinato num trem, seja l\u00e1 o que fosse um trem.<\/p>\n<p>Bar\u2019hai separa numa pilha os que j\u00e1 conhecia, e em outra bem maior os que eram novidade. As horas passam sem que perceba. Devora dois livros, um falando sobre rob\u00f4s que dominam o mundo e outro com uma triste hist\u00f3ria de amor entre dois jovens, parando apenas para encher o est\u00f4mago. Sente uma felicidade \u00fanica ali. Seguro, confort\u00e1vel. A contagem regressiva n\u00e3o o incomoda mais:<\/p>\n<p>225 dias, 17 horas, 12 minutos, 40 segundos.<\/p>\n<p>Enquanto ele olha para a tela, o tempo corre normalmente. Quando se distrai, ele parece disparar. Nada disso o preocupa mais. O sono vem naturalmente, e ele volta para a cama.<\/p>\n<p>\u201cBar\u2019hai est\u00e1 no topo de um dos pr\u00e9dios de Omega. A torre ainda vis\u00edvel no horizonte. A guerra continua, ele pode enxergar v\u00e1rios soldados se matando nas ruas abaixo. Ele est\u00e1 com as duas m\u00e3os segurando uma enorme metralhadora fixada no parapeito. Outro soldado est\u00e1 do seu lado. Ele estica a m\u00e3o e aponta para um grupo de soldados no ch\u00e3o. Pode ouvir novamente a voz vinda direto do seu ouvido:<\/p>\n<p>&#8211; Vai logo, mata eles! Eu s\u00f3 caio em time de retardados, caralho!\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/09\/memorias-parte-3\/\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Continua.<\/a><\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que \u00e9 muita palavra para pouco acontecimento, para dizer que nem lembrava dessa hist\u00f3ria, ou mesmo para dizer que \u00e9 por isso que eu sempre perco as disputas de acessos: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte 1 Bar\u2019hai procura abrigo detr\u00e1s de uma das mesas, fazendo senso do ambiente atrav\u00e9s de uma d\u00e9bil ilumina\u00e7\u00e3o lunar que parece brotar de v\u00e3os entre as paredes e o distante teto. O som das batidas e grunhidos anasalados dos Calados \u00e9 abafado pela grossura da porta, conferindo uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a que s\u00f3 aumenta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":15503,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-15675","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-des-contos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15675\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}