{"id":15692,"date":"2019-09-08T16:00:06","date_gmt":"2019-09-08T19:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15692"},"modified":"2019-09-08T13:46:30","modified_gmt":"2019-09-08T16:46:30","slug":"generos-musicais-eletronica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/09\/generos-musicais-eletronica\/","title":{"rendered":"G\u00eaneros Musicais &#8211; Eletr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-default uk-card-body\"><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/div>\n<h2>Tio Ge explica \u2013 G\u00eaneros Musicais 5 \u2013 Eletr\u00f4nica<\/h2>\n<p>Dando continuidade \u00e0 s\u00e9rie de textos sobre o tema, hoje eu falo de eletr\u00f4nica. Ao contr\u00e1rio dos outros g\u00eaneros, esse tamb\u00e9m tem trocentos subg\u00eaneros e vertentes, mas sem aquele monte de progress\u00f5es harm\u00f4nicas distintas pra ficar maluco. Ali\u00e1s, os \u00fanicos subg\u00eaneros que v\u00e3o ter certa aten\u00e7\u00e3o \u00e0 progress\u00e3o harm\u00f4nica e encadeamentos harm\u00f4nicos e mel\u00f3dicos \u00e9 a dance music dos anos 1990, que bebe bastante no clich\u00ea pop que j\u00e1 conhecemos, e o trance. Mas calma que a gente chega l\u00e1. <!--more--><\/p>\n<p>Assim como os outros g\u00eaneros, existe uma hist\u00f3ria da m\u00fasica eletr\u00f4nica a ser contada, que come\u00e7a j\u00e1 l\u00e1 no s\u00e9culo XVIII, mas vou tentar ser sucinto. Entretanto, \u00e9 v\u00e1lido dizer que a m\u00fasica eletr\u00f4nica acompanha a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia em seus mais variados aspectos (eletr\u00f4nica, microeletr\u00f4nica, el\u00e9trica, eletroac\u00fastica, matem\u00e1tica, f\u00edsica, computa\u00e7\u00e3o&#8230;) e que os trocentos subg\u00eaneros existentes s\u00e3o uma coisa relativamente nova; surgiram a partir dos anos 1970 pra c\u00e1, e alguns s\u00e3o realmente dif\u00edceis de delimitar ou categorizar: \u00e0s vezes, basta uma simples mudan\u00e7a de timbre ou de ritmo aqui e ali para surgir um novo subg\u00eanero dentro de outro j\u00e1 existente. Um exemplo bem b\u00e1sico \u00e9 na house music que inclui o deep house e o acid house como subg\u00eaneros e que muda apenas o timbre de baixo no segundo.<\/p>\n<p>Estima-se que o primeiro instrumento musical eletr\u00f4nico que existiu foi o Denis D\u2019Or, por volta de 1730, de autoria de Prokop Divis, um te\u00f3logo, c\u00f4nego e cientista tcheco, do s\u00e9culo XVIII. O nome vem possivelmente da jun\u00e7\u00e3o de Divis com \u201cDionisius\u201d, que por sua vez deriva o nome Denis. A proposta do instrumento era bem simples: cordas de piano excitadas por eletro\u00edm\u00e3s e que vibravam (produziam determinada frequ\u00eancia) a partir de uma carga el\u00e9trica aplicada em determinado momento e em determinado ponto da corda. S\u00f3 que naquela \u00e9poca, as coisas ainda eram muito prec\u00e1rias, e a rela\u00e7\u00e3o entre eletricidade e eletromagnetismo s\u00f3 veio a ser melhor esclarecida alguns anos depois. Para piorar, ainda havia o problema estrutural propriamente dito, sobre como armazenar uma determinada carga el\u00e9trica tempor\u00e1ria (naquela \u00e9poca n\u00e3o existia essa pecinha chamada capacitor!) e liber\u00e1-la no momento certo para produzir o timbre certo.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX a coisa muda, surge o gramofone, de um lado, inventado por Berliner, e que vai ser pai do disco de vinil; e de outro o fon\u00f3grafo, inventado por Thomas Edison, que utilizava cilindros de carbono para grava\u00e7\u00e3o. Nesse meio tamb\u00e9m surge Thaddeus Cahill com o telarm\u00f3nio, outro instrumento musical eletr\u00f4nico que consistia num trambolho enorme que ocupava uma sala inteira e pesava toneladas, e funcionava basicamente com um d\u00ednamo el\u00e9trico gerando corrente cont\u00ednua, ligado a indutores eletromagn\u00e9ticos capazes de produzir diferentes frequ\u00eancias e parciais harm\u00f4nicos dessas frequ\u00eancias. Essa tecnologia foi aprimorada no s\u00e9culo seguinte, e da\u00ed surgiu o \u00f3rg\u00e3o Hammond.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, por sua vez, a coisa deslancha de vez: surgem os magnetofones (pai da fita k7), os discos de vinil, e logo mais o cd, surge o computador, surgem partes eletr\u00f4nicas e circuitos el\u00e9tricos, chips, novos instrumentos, novas descobertas na eletroac\u00fastica e na f\u00edsica a respeito de como lidar e manipular ondas, entre tantas outras coisas. Breve par\u00eanteses aqui para dizer que a m\u00fasica eletr\u00f4nica, em seu prim\u00f3rdio, flertava com o erudito. Maurice Martenot, Luigi Russolo, Pierre Schaeffer, Paul Boisselet e Stockhausen s\u00e3o nomes significativos aqui, bem como todo pessoal da \u201cElektronische Musik\u201d. <\/p>\n<p>A m\u00fasica eletr\u00f4nica surge no s\u00e9culo XX e vem inovar, pra n\u00e3o dizer, tamb\u00e9m, quebrar conceitos estabelecidos na m\u00fasica tradicional. Agora, onde era timbre passa a virar ritmo, e onde era ritmo passa a ser timbre. Explico brevemente: imagine que h\u00e1 uma grava\u00e7\u00e3o de uma voz dizendo \u201cahhh\u201d, e que essa grava\u00e7\u00e3o tem 4 segundos. Pois bem, eu posso dividir essa grava\u00e7\u00e3o (papo t\u00e9cnico: sample, que significa amostra) em quatro grava\u00e7\u00f5es de um segundo, ou duas de dois segundos, ou oito de meio segundo, enfim, posso fazer quantas divis\u00f5es eu quiser, e p\u00f4-las para repetir. Cada \u201cpeda\u00e7o\u201d desse \u201csample\u201d que eu coloco pra repetir se chama \u201cloop\u201d.<\/p>\n<p> D\u00e1 tamb\u00e9m pra eu colocar duas grava\u00e7\u00f5es tocando ao mesmo tempo, um de cada lado da caixa de som. D\u00e1 pra colocar 4, 8, 16, 32, quantas eu quiser tocando ao mesmo tempo, ou tocando em tempos diferentes, em velocidades diferentes. D\u00e1 ainda pra eu alterar a altura (frequ\u00eancia) dessa grava\u00e7\u00e3o e mudar a tonalidade. Imagine que essa grava\u00e7\u00e3o esteja em 440hz; d\u00e1 pra dobrar uma oitava, colocando-a em 880hz, ou diminuir uma oitava, deixando-a em 220hz, d\u00e1 pra aumentar uma quinta (rela\u00e7\u00e3o de 3\/2 da frequ\u00eancia original) e chegar a 532hz, e por a\u00ed vai&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, d\u00e1 pra fazer toda uma bagun\u00e7a colocando v\u00e1rias grava\u00e7\u00f5es tocando em tempos diferentes, tonalidades diferentes, de frente pra tr\u00e1s, de tr\u00e1s pra frente, e ainda d\u00e1 pra colocar um loop de 1 segundo para ser repetido 140x por minuto, aumentar essa velocidade, diminuir&#8230; as possibilidades s\u00e3o inesgot\u00e1veis!<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que eu queria chegar pra explicar o que disse anteriormente: antes uma simples grava\u00e7\u00e3o de \u201cahhh\u201d que era considerado timbre, agora vira ritmo pela repeti\u00e7\u00e3o incessante. D\u00e1 pra fazer ritmo, \u201cloopear\u201d com qualquer coisa, qualquer som que tu encontra por a\u00ed. Um timbre de piano ou mesmo de viol\u00e3o passa a virar ritmo pela simples repeti\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, d\u00e1 pra simplesmente pegar um som de bumbo da bateria \u2013 que anteriormente era considerado apenas elemento de ritmo-, e alterar a frequ\u00eancia, dividi-las em v\u00e1rios tons diferentes e construir uma melodia em cima disso.<\/p>\n<p>A partir disso j\u00e1 d\u00e1 pra comentar sobre os instrumentos eletr\u00f4nicos comumente utilizados, que s\u00e3o bem diferentes dos instrumentos ac\u00fasticos utilizados nos outros g\u00eaneros. Basicamente, o que existe \u00e9 o teclado sintetizador, o teclado sampleador, o sequenciador, a caixa de ritmos (bateria eletr\u00f4nica) e a pick-up. O teclado sintetizador \u00e9 um teclado que tem um processadorzinho poderoso l\u00e1 dentro capaz de gerar ondas, isto \u00e9, sinal sonoro. A partir disso eu posso criar formas de ondas diferentes \u2013 quais sejam, onda quadrada, triangular (dente de serra), e a curvada (senoidal\/cossenoidal) -, e manipular o som que eu quiser a partir de um simples sinal. Existem v\u00e1rias formas de s\u00edntese sonora (d\u00e1 pra mudar frequ\u00eancia, amplitude, resson\u00e2ncia, comprimento de onda, d\u00e1 pra juntar duas ou mais ondas e formar uma terceira, ou d\u00e1 pra aplicar filtros pra diminuir uma onda&#8230;), e algumas delas bem complexas e que envolvem c\u00e1lculos pesados. Vou pular isso aqui porque n\u00e3o vem ao caso.<\/p>\n<p>Hoje a maioria dos teclados sintetizadores \u00e9 digital, isto \u00e9, tem um processador com quatro ou mais n\u00facleos dentro, e a s\u00edntese \u00e9 totalmente digital e eletr\u00f4nica, feita via hardware. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles teclados que o processador n\u00e3o produz sinal sonoro, mas apenas manipulam as amostras de som que j\u00e1 vem dentro de uma mem\u00f3ria interna. Nesse caso, com os samples pr\u00e9-gravados, o instrumentista joga num \u201csoftware\u201d pr\u00f3prio do teclado e os manipula da maneira que desejar. Hoje tudo \u00e9 digital, mas nem sempre foi assim. Nos prim\u00f3rdios do s\u00e9culo XX, o que havia dispon\u00edvel eram v\u00e1lvulas el\u00e9tricas e um d\u00ednamo, e, bem resumidamente, a partir de uma diferen\u00e7a de sinal el\u00e9trico havia a produ\u00e7\u00e3o de ru\u00eddo eletroac\u00fastico, e da\u00ed esse ru\u00eddo era amplificado e reproduzido em caixas de som. Era extremamente dif\u00edcil mexer nesse tipo de coisa, al\u00e9m de n\u00e3o usual. De um lado, est\u00e1 o \u00f3rg\u00e3o Hammond, de outro, o piano Rhodes como precursores dos sintetizadores.<\/p>\n<p> O teclado sampleador, por sua vez, realiza aquilo que dei exemplo logo acima: ele pega um sample, uma amostra, e, bem grosseiramente, clona-a e subdivide em diferentes frequ\u00eancias a partir de seus harm\u00f4nicos. Trata-se de uma inova\u00e7\u00e3o, mas nem sempre funciona perfeitamente, j\u00e1 que alguns timbres extremamente complexos e ricos em harm\u00f4nicos perdem sua qualidade quando clonados ou quando alterados substancialmente em frequ\u00eancia. O sequenciador, que geralmente vem j\u00e1 embutido em um sintetizador, tem a simples fun\u00e7\u00e3o de memorizar algumas sequ\u00eancias de notas. Dessas sequ\u00eancias de notas que ficam dispon\u00edveis l\u00e1 apenas apertando um bot\u00e3o, eu posso combinar v\u00e1rias sequ\u00eancias distintas e construir toda uma melodia em cima disso.<\/p>\n<p>A caixa de ritmos (drum beat) \u00e9 parecida com o sequenciador: \u00e9 um neg\u00f3cio que tem v\u00e1rios bot\u00f5es e uma mem\u00f3ria interna em que tu pode colocar um sample em cada \u201ccasinha\u201d e a partir disso brincar com os bot\u00f5es do jeito que quiser. H\u00e1 brinquedinhos desses bem poderosos por a\u00ed at\u00e9 hoje, e a mais famosa na hist\u00f3ria \u00e9 a Roland TR-808. Confiram os v\u00e1rios v\u00eddeos no youtube sobre o que ela pode fazer. Ela d\u00e1 origem, algum tempo depois, \u00e0 bateria eletr\u00f4nica que tem o mesmo princ\u00edpio de funcionamento: v\u00e1rios pratos dispostos para serem tocados e, em cada um, um sample diferente pr\u00e9-gravado.<\/p>\n<p>A pick up certamente voc\u00eas j\u00e1 devem conhecer, \u00e9 aquele neg\u00f3cio onde o DJ coloca o disco (que pode ser vinil ou cd) e gira. S\u00f3 que o legal desse brinquedinho \u00e9 que d\u00e1 pra fazer girar ao contr\u00e1rio, mexer rapidamente o disco a fim de produzir ru\u00eddos no meio da m\u00fasica (o famoso stratch). Ela ainda oferece ferramentas de cortes de loops e samples, d\u00e1 pra memorizar a m\u00fasica em determinado ponto e voltar exatamente l\u00e1 depois de algum tempo, ou d\u00e1 pra cortar um pequeno peda\u00e7o e produzir um novo loop, e ainda tem outras ferramentas legais como os spins que \u00e9 pra fazer parar bruscamente o disco, ou mesmo produzir um break, uma parada brusca. Al\u00e9m disso, algumas picku ps tamb\u00e9m contam com alguns poucos efeitos de processamento de sinal, como flange, delay e chorus. Existem tamb\u00e9m softwares que simulam uma pick up, o mais famoso por a\u00ed e bem intuitivo \u00e9 o virtual DJ. \u00c9 v\u00e1lido dizer aqui que nem sempre o DJ trabalha s\u00f3 com a pick up, geralmente ele sempre tem um sampleador ou sintetizador ao lado dele, al\u00e9m de uma drum beat pra completar o pacote.<\/p>\n<p>Agora que j\u00e1 comentei sobre os instrumentos mais comuns que s\u00e3o utilizados, j\u00e1 d\u00e1 pra falar sobre a estrutura\u00e7\u00e3o do g\u00eanero. Diferentemente dos outros g\u00eaneros, aqui n\u00e3o h\u00e1 bem uma estrutura\u00e7\u00e3o r\u00edgida que elenca harmonia, melodia e ritmo, nem mesmo um esquema verso-refr\u00e3o-verso. De maneira geral, embora isso n\u00e3o seja regra, a m\u00fasica eletr\u00f4nica se estrutura da seguinte forma: intro, break, build up, drop e outro. <\/p>\n<p>Na intro s\u00e3o apresentados ao ouvinte alguns poucos elementos, como uma linha de baixo e a percuss\u00e3o. Progressivamente v\u00e3o entrando outros elementos de percuss\u00e3o, riffs, vocais e tudo mais, da\u00ed temos o break, que \u00e9 a m\u00fasica em si. Ap\u00f3s isso, h\u00e1 um crescendo na m\u00fasica, geralmente mexendo com mudan\u00e7a de tonalidade e\/ou ritmo, esse \u00e9 o momento do build up, que se estende at\u00e9 o drop &#8211; que \u00e9 o momento de tens\u00e3o m\u00e1xima da m\u00fasica &#8211; e que vem acompanhado de uma quebra e de uma queda, geralmente de ritmo, ou de sil\u00eancio; e faz retornar para o break, at\u00e9 que \u00e9 apresentado outro build up e assim vai. O momento \u201coutro\u201d \u00e9 quando a m\u00fasica vai perdendo, paulatinamente, seus elementos, at\u00e9 sobrar s\u00f3 a linha de baixo e os elementos percussivos, para assim a m\u00fasica se finalizar completamente. Sim, via de regra, m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 longa, n\u00e3o menos que quatro minutos. <\/p>\n<p>Agora que j\u00e1 deu pra ter uma no\u00e7\u00e3o, vamos aos subg\u00eaneros: saliento que n\u00e3o d\u00e1 pra falar de todos aqui, se n\u00e3o vira um texto intermin\u00e1vel, ent\u00e3o vou tentar agrup\u00e1-los nas principais vertentes. Come\u00e7o falando da dance music que \u00e9 o g\u00eanero que mais aprecio desde pequeno. Aprecio n\u00e3o s\u00f3 em termos de escuta, mas tamb\u00e9m de composi\u00e7\u00e3o, porque ela disp\u00f5e de poucos elementos e tem uma estrutura simples, mas d\u00e1 pra fazer algo bem rico com esses poucos elementos. E talvez, o melhor jeito de explic\u00e1-la mesmo seria apontando pra algumas m\u00fasicas ou partes delas. <\/p>\n<p>A dance music explode mesmo nos anos 1990, e novamente, \u00e9 dif\u00edcil determinar com precis\u00e3o, j\u00e1 que ela sofre influ\u00eancia direta do house music e da disco music na d\u00e9cada anterior. Precursores desse g\u00eanero j\u00e1 se encontram l\u00e1 em Bee Gees e Abba, com \u201cgimme gimme gimme\u201d, mas h\u00e1 quem diga que a primeira m\u00fasica de dance teria sido mesmo \u201cI fell Love\u201d de Donna Summer.<\/p>\n<p>Dance music \u00e9 feito para dan\u00e7ar, para mexer no n\u00edvel mais basal das pessoas, isto \u00e9, a ideia \u00e9 comunicar n\u00e3o tanto atrav\u00e9s da letra ou da melodia, mas sim atrav\u00e9s do ritmo. Uma boa faixa de dance music n\u00e3o \u00e9 marcada pelo som rebuscado, ou pela complexidade harm\u00f4nica, mas sim pela explora\u00e7\u00e3o dos elementos mais b\u00e1sicos da m\u00fasica, qual seja, o ritmo. E por falar em ritmo, falemos tamb\u00e9m do andamento: geralmente varia entre 120 a 130 bpm (batidas por minuto), n\u00e3o mais que isso. Quem gosta de 140bpm \u00e9 a turminha do progressive e trance.<\/p>\n<p>Quanto aos elementos de percuss\u00e3o, ao contr\u00e1rio de outras vertentes, esse n\u00e3o passa do conjunto bumbo-caixa e pratos. S\u00f3 que \u00e9 tudo muito enfatizado: o bumbo bem marcado, ritmo incessante, sem alterar em nenhum momento a velocidade, pratos bem marcados e abertos, som claro, bem do tipo tuts-tss-taff-tuts-tss-taff. A \u00eanfase se d\u00e1 nesse som de tsss do prato de condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s linhas de baixo, elas s\u00e3o bem simples, geralmente progredindo em 3as at\u00e9 formar um acorde de s\u00e9tima. Explico: vejamos a m\u00fasica \u201cwhat is Love\u201d de Haddaway, l\u00e1 o baixo simplesmente toca sol-sol-sol-sol\/si-si-si-si\/r\u00e9-r\u00e9-r\u00e9-r\u00e9\/f\u00e1-f\u00e1-f\u00e1-f\u00e1 at\u00e9 que volta pra sol e tudo se repete. Reparem que entre sol e si eu tenho um intervalo de 3\u00aa, entre si e r\u00e9 idem, entre r\u00e9 e f\u00e1 idem. Reparem tamb\u00e9m que o conjunto sol-si-r\u00e9-f\u00e1 forma o acorde de sol maior, com s\u00e9tima. A mesma coisa acontece em \u201cthe rythm of the night\u201d de Corona, s\u00f3 que com as notas l\u00e1 bemol, d\u00f3, si bemol e f\u00e1. <\/p>\n<p>J\u00e1 os vocais, eles s\u00e3o quase sempre altos, pra cima, vibrantes, tons altos e, n\u00e3o raro, podem aparecer alguns gritos e berros no meio do arranjo. Vejamos como exemplo, ainda em \u201cthe rythm of the night\u201d aquele momento da m\u00fasica depois do 2\u00ba refr\u00e3o em que a cantora grita: this is the rythm of the niiiiiiighhtt! Ohhh ohh yeahhh&#8230; O mesmo acontece com a referida \u201cwhat is Love\u201d, \u201crythm is a dancer\u201d de Snap, \u201cbe my lover\u201d de La Bouche, entre tantas outras. <\/p>\n<p>Pra completar o pacote, adicione a\u00ed um riffzinho qualquer que se repetir\u00e1 durante toda m\u00fasica, feito obviamente com timbre eletr\u00f4nico sintetizado, e um string, que faz o papel da harmonia, repetindo quatro acordes que se combinam com as quatro notas da linha de baixo e est\u00e1 feito. Vejamos isso novamente com o arranjo de \u201cthe rythm of the night\u201d: temos os acordes l\u00e1 bemol menor, d\u00f3 menor, si bemol menor e f\u00e1 maior nos strings, junto com o riff sib\/r\u00e9b-f\u00e1-r\u00e9-solb\/sol-f\u00e1-sol-r\u00e9b\/sib. Sim, \u00e9 clich\u00ea pop, mas \u00e9 bom, \u00e9 bem constru\u00eddo e organizado. <\/p>\n<p>\u00c9 v\u00e1lido dizer tamb\u00e9m que a dance music ganha novas roupagens no decorrer dos anos 1990: antes, no in\u00edcio, era s\u00f3 isso apresentado acima, mas da\u00ed a coisa come\u00e7a a se espalhar pelo mundo afora e ganha novos elementos. Na dance latina, por exemplo, come\u00e7am a aparecer novos elementos de percuss\u00e3o com aquela \u201cpegada\u201d do ritmo latino. <\/p>\n<p>J\u00e1 na Europa, h\u00e1 a vertente chamada eurodance e italodance: no primeiro caso temos a sutil diferen\u00e7a de n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de quatro acordes, mas sim de apenas tr\u00eas. Exemplo para ser citado s\u00e3o 2 unlimited com \u201cget ready for this\u201d e  La Bouche com \u201cbe my lover\u201d: reparem que nessas m\u00fasicas se repetem incessantemente sol-d\u00f3-r\u00e9, ou f\u00e1-sol-d\u00f3. O ritmo \u00e9 quase sempre desenvolvido com o baixo em tercinas, que s\u00e3o basicamente tr\u00eas notinhas juntas num s\u00f3 tempo da contagem, bem do tipo ta-ra-ra\/ta-ra-ra\/ ta-ra-ra\/ta-ra-ra&#8230;<\/p>\n<p>A italodance, por sua vez, \u00e9 desenvolvida na It\u00e1lia, e tem uma pegada revival da disco music, e o essencial se resume no abuso de percuss\u00e3o e baixos. Essa vertente come\u00e7a nos anos 1990 e sobrevive bem at\u00e9 meados dos anos 2 mil. Lembram de Magic Box, com aquele hit ic\u00f4nico, \u201cIf you\u201d? Pois \u00e9, aquilo \u00e9 \u00edtalodance.<\/p>\n<p>\u00c9 v\u00e1lido dizer tamb\u00e9m que do meio dos anos 1990 pra frente foram surgindo uma penca de artistas da eurodance, e que misturavam um pouco da italodance e tamb\u00e9m do Techno, da\u00ed a coisa come\u00e7a a ficar complicada pra definir. Exemplos s\u00e3o DJ Ross, DJ Otzy, Ace of Base, Culture Beat, Eiffel 65, Gabry Ponte, Vengaboys, Gigi d\u2019Agostino, Dr. Alban, Double You, Cascada, Lasgo\u2026 S\u00e3o muitos!<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, breve coment\u00e1rio sobre o cen\u00e1rio da dance music nos anos 2 mil: no lado oriental aparecem alguns artistas que fizeram algum estouro nos idos de 2003, um exemplo \u00e9 a banda romena O-zone, que traz um revival disco dos anos 1980 e ao mesmo tempo elementos da dance music. Estouraram com aquele hit \u201cdragostea-din-tei\u201d, mesma m\u00fasica que Latino, aqui no Brasil, fez um pl\u00e1gio descarado com \u201cfesta no ap\u00ea\u201d e tamb\u00e9m hitou no ver\u00e3o seguinte. Ali\u00e1s, aqui no Brasil, por volta de 2005, havia um projeto brasileiro liderado por Ian Duarte (produtor musical) e Fabianno Almeida, al\u00e9m de Fher Kassini, da Building Records. O projeto tinha dois artistas em alta: Ramada e Kasino. O segundo emplacou mundialmente o hit \u201ccan\u2019t get over\u201d, l\u00e1 por 2006. Depois, por falta de engajamento dos produtores, logo ca\u00edram em esquecimento. Mas o projeto tinha tino para dar certo e ser sucesso por mais alguns anos.<\/p>\n<p>Um g\u00eanero que muita gente conhece por a\u00ed e que sempre confunde com a dance music \u00e9 a house music. Sabe aquelas m\u00fasicas animadinhas que tocam em loja de boutique de shopping? Pois \u00e9, aquilo \u00e9 house music. Ela \u00e9 realmente parecida com a dance music, mas a diferen\u00e7a sutil reside no fato de ter mais elementos percussivos que essa. A dance music \u00e9 sempre marcada e crua, a house music apresenta outros elementos que v\u00e3o al\u00e9m do conjunto bumbo-caixa-pratos. Al\u00e9m disso, ela cont\u00e9m outros elementos, mais riffs, loops de passagens e preenchimentos com leads, vocais e backs vocais, etc.<\/p>\n<p>A coisa come\u00e7a l\u00e1 nos anos 1970, em Chicago, e logo se espalha pelo mundo inteiro: Nova York, Londres, Europa em geral. O nome tamb\u00e9m \u00e9 autoexplicativo: \u201chouse\u201d significa casa, eram justamente m\u00fasicas que eram tocadas em festas feitas em casa (house party) t\u00e3o comum nos EUA. E, como as coisas no in\u00edcio eram prec\u00e1rias, feita por gente amadora, somente uma pick-up e uma caixa de samples bastavam pra dar conta do recado. <\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias vertentes, as mais conhecidas s\u00e3o: a deep house, que tem o andamento mais lento, em torno de 110 a 120 bpm \u2013 um exemplo disso \u00e9 aquela \u201cD deep\u201d de Deep House, ou mesmo bring it on\u201d de T.J, e \u201csomething about us\u201d de Hayden James &#8211; ; e tem aquela mais r\u00e1pida, pra dan\u00e7ar, como o progressive house e o acid house, geralmente na casa dos 130 a 140 bpm. Mas, para al\u00e9m do andamento mais r\u00e1pido, o que h\u00e1 de diferente aqui \u00e9 o timbre de baixo, geralmente sintetizado com uma dente de serra e uma onda quadrada, ou ent\u00e3o feito com baixo ac\u00fastico e pedais de fuzzy e overdrive. A ideia era representar justamente, musicalmente, o som de \u00e1cido borbulhando, ou algo fritando. <\/p>\n<p>Um g\u00eanero an\u00e1logo da house music e que todo mundo tamb\u00e9m confunde \u00e9 o electro. \u00c9 chamado tamb\u00e9m como \u201celectro house\u201d, porque, em princ\u00edpio, ele surge da estrutura do house music, mas aqui o que conta mesmo \u00e9 o som \u201celetrificado\u201d, imitando algo como uma corrente el\u00e9trica. H\u00e1 tamb\u00e9m o uso do baixo fritado, mas os sons de riffs e leads tamb\u00e9m tem essa caracter\u00edstica, ao contr\u00e1rio do acid house que usava-o s\u00f3 no baixo. Vejamos um exemplo com esse sample aqui: <\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-15692-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Audio-1-electro.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Audio-1-electro.mp3\">https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Audio-1-electro.mp3<\/a><\/audio>\n<p>E um g\u00eanero que a galera cofunde com o electro \u00e9 o Techno. A diferen\u00e7a sutil aqui \u00e9 que ele pode ou n\u00e3o ter esse baixo fritado do electro, mas essa n\u00e3o \u00e9 a caracter\u00edstica principal. O nome Techno se refere a tecnologia, ent\u00e3o \u00e9 comum encontrar apenas sons sintetizados, por vezes rob\u00f3ticos e de inspira\u00e7\u00e3o futur\u00edstica, bem como vozes sintetizadas e rob\u00f3ticas.  O legal aqui \u00e9 que s\u00e3o utilizadas notas sequenciadas, ou seja, um conjunto de notas que, como dito anteriormente, fica l\u00e1 pr\u00e9-gravado e armazenado em uma mem\u00f3ria tempor\u00e1ria do teclado, e armazenado em um bot\u00e3o, e o sujeito pode organizar v\u00e1rias sequ\u00eancias distintas da maneira que quiser.<\/p>\n<p>Exemplos disso tu encontra em Anti Funky (embora esse flerte com o house), Eiffel 65 (com grande pegada dance music), e Daft Punk. Mas eu prefiro ilustrar o Techno com esse excerto aqui: <\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-15692-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Audio-2-techno.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Audio-2-techno.mp3\">https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Audio-2-techno.mp3<\/a><\/audio>\n<p>Reparem que, apesar de ter uma complexidade futur\u00edstica, s\u00e3o s\u00f3 algumas poucas notas. Acordes sol, r\u00e9, l\u00e1 arpejados em tr\u00eas oitavas (ou seja, toca-se sol-si-r\u00e9 mas n\u00e3o exatamente uma nota ao lado da outra, e sim um sol no baixo, r\u00e9 na oitava acima e si na outra oitava), e tocados com esse timbre que nada mais \u00e9 que uma forma de onda sintetizada combinando uma senoide e uma parcial de dente de serra.<\/p>\n<p>Um g\u00eanero que \u00e9, digamos, primo do Techno, e derivado do acid house, \u00e9 o trance. \u00c9 comumente conhecido por a\u00ed como psytrance, diminutivo de \u201ctrance psicod\u00e9lico\u201d. A ideia \u00e9 bem essa mesmo: uma m\u00fasica que produza certo estado de transe no ouvinte. E, para isso, nada melhor que um ritmo extremamente acelerado (acima de 140bpm, \u00e0s vezes at\u00e9 170bpm!), linhas de baixo bem marcadas, uso de algumas progress\u00f5es harm\u00f4nicas mais complexas como o ciclo de quintas encadeadas por s\u00e9timas (exemplo: acordes I-V-II-VII-III-VII com s\u00e9timas diminutas e aumentadas entre eles), e, al\u00e9m de riffs mel\u00f3dicos e sequ\u00eancias de acordes arpejados, h\u00e1 o uso de pads pra fazer uma ambienta\u00e7\u00e3o que beira ao sobrenatural. Dash Berlin, ATB e meia d\u00fazia de alem\u00e3es est\u00e3o a\u00ed pra ningu\u00e9m botar defeito.<\/p>\n<p>Virando o disco, isto \u00e9, do outro lado do oceano, mais especificamente na Inglaterra, surgiu l\u00e1 no final dos anos 1990 o g\u00eanero UK garage. Ele, na verdade, \u00e9 um conceito que engloba o grime, o dubstep e o bassline. E no dubstep ainda h\u00e1 a subdivis\u00e3o entre wooble bass, bass drop e brostep. Sim, s\u00e3o muitos, \u00e0s vezes at\u00e9 eu me perco, ent\u00e3o vamos por partes. <\/p>\n<p>A ideia aqui, primordialmente, \u00e9 algo cru, somente uma linha de baixo e percuss\u00e3o. O dubstep \u00e9 isso e s\u00f3. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=EN_vH4IvZjk\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Um exemplo tu encontra nesse v\u00eddeo<\/a>. Reparem que ali s\u00f3 h\u00e1 linhas de baixo, com algumas poucas notas, mas o compositor abusa dos filtros passa banda e passa alta, al\u00e9m de cutoff (que, bem resumidamente, corta determinado espectro de frequ\u00eancia dos agudos, na casa dos 4 aos 16khz), dando a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e0s vezes abre e fecha o som. <\/p>\n<p>O wooble bass \u00e9 uma vers\u00e3o mais agressiva disso, que usa sintetizadores que mexem com os LFO (oscila\u00e7\u00e3o de baixa frequ\u00eancia), da\u00ed d\u00e1 aquela sensa\u00e7\u00e3o de som de woob woob. O bass drop avan\u00e7a no subg\u00eanero introduzindo um ou mais drops, ou seja, quebras e quedas bruscas seguidas de sil\u00eancio ou de som descendente, em alguma parte da m\u00fasica. \u00c9 bem aquela coisa de a m\u00fasica estar tocando e, de repente, ter um som de sirene ou de algo caindo e da\u00ed recome\u00e7ar a linha de baixo novamente. Por sua vez, o brostep aposta nessa mesma caracter\u00edstica de som marcado com v\u00e1rias oscila\u00e7\u00f5es de frequ\u00eancia e ritmo quebradi\u00e7o, mas dando aten\u00e7\u00e3o mais \u00e0s frequ\u00eancias m\u00e9dias e altas, ao contr\u00e1rio das frequ\u00eancias de baixo. Um bom exemplo disso \u00e9 Skillrex.<\/p>\n<p>O grime tem mais a ver com o hip-hop, sofre em partes influ\u00eancia deste. A ideia aqui continua sendo linhas de baixo e percuss\u00e3o, mas dessa vez mais quebradi\u00e7a, fora do tempo, e com alguns vocais e versos de mc\u2019s. Um bom exemplo disso para ouvir \u00e9 JME. Por fim, o bassline \u00e9 bem parecido com o dubstep, s\u00f3 que mais r\u00e1pido do que esse, na casa dos 140bpm ou mais. Por ser r\u00e1pido, e a linha de baixo se repetir incessantemente, d\u00e1 a leve impress\u00e3o de que \u00e9 algo cont\u00ednuo, como uma linha s\u00f3. Da\u00ed o nome \u201cbassline\u201d.<\/p>\n<p>Ainda em termos de baixo e percuss\u00e3o, existe outro g\u00eanero que tamb\u00e9m nasceu na Inglaterra nos anos 1980 chamado drum and bass, ou d&#8217;n&#8217;b. Como subg\u00eaneros incluem-se o jumpstyle, jazzstep, hardstyle, dubwise, drum&#8217;n&#8217;bossa, entre tantos outros. Diferentemente do UK garage, aqui o baixo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o marcado e quadradinho com uma s\u00f3 linha, mas sim mais variado, pode at\u00e9 haver, em alguns casos, algumas improvisa\u00e7\u00f5es e grooves no meio. A percuss\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 outro elemento interessante aqui, j\u00e1 que fica mais livre e agrega outros elementos que vem do samba, da bossa, da m\u00fasica latina, do jazz etc. Um bom exemplo dessa vertente que temos aqui no pa\u00eds \u00e9 dj Patife.<\/p>\n<p>Um g\u00eanero que eu acredito que seja mais ou menos conhecido por a\u00ed, ou antes, se popularizou faz pouco tempo, \u00e9 o downtempo. Aqui incluem-se as vertentes chill out, new age e lounge music. A ideia aqui \u00e9 fazer uma m\u00fasica mais lenta (down), feita para relaxar. Ent\u00e3o \u00e9 comum ter sons de strings, pads para completar a ambi\u00eancia, e mesmo sons que imitam sinteticamente sons da natureza como raios, trov\u00f5es, gotas, vento, cosmos, c\u00e9u, etc. <\/p>\n<p>A coisa come\u00e7a l\u00e1 nos anos 1970, sob forte influ\u00eancia do easy listening, do new age e do soul. S\u00f3 que l\u00e1 pelos anos 1990, surgiu a ideia de colocar m\u00fasicas mais lentas para serem tocadas em baladas, no meio de toda aquela agita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, a fim de que as pessoas possam descansar e relaxar. A ideia vingou e hoje esse tipo de m\u00fasica \u00e9 utilizado em v\u00e1rios ambientes ditos relaxantes. O chill out tende a ser a vers\u00e3o mais relaxante poss\u00edvel, apenas sons, sem vocais, e andamento bem lento. O lounge \u00e9 uma vers\u00e3o um pouco mais r\u00e1pida &#8211; mas nada na casa dos 120 bpm como na dance music, \u00e9 bem menos que isso -, e com alguns poucos vocais. J\u00e1 o new age n\u00e3o \u00e9 bem eletr\u00f4nico em sua ess\u00eancia, est\u00e1 mais relacionado a um conceito que re\u00fane v\u00e1rias cren\u00e7as espiritualistas, e que utilizam m\u00fasicas com vocais bem reverberados e uma puta ambi\u00eancia de strings para fazer algo relaxante e medidativo. Enya e Era s\u00e3o exemplos disso.<\/p>\n<p>Por fim, acho que d\u00e1 pra comentar rapidinho sobre esses g\u00eaneros \u201cestranhos at\u00e9 demais\u201d e que raramente algu\u00e9m conhece. Cito dois: EBM e noise. O segundo, tamb\u00e9m conhecido como japanoise, noisecore, tem a ver com \u201cnoise\u201d, barulho em ingl\u00eas. \u00c9 geralmente feito com samples de coisas irritantes e que ningu\u00e9m usaria, como por exemplo, o som de uma serra el\u00e9trica serrando algo, ou o som de um vidro se quebrando, de um apito ou sirene, enfim. Isso vem l\u00e1 do experimentalismo das vertentes eruditas, como John Cage, Stockhausen, Schaeffer, passa por certa influ\u00eancia do minimalismo na d\u00e9cada de 1960 e ainda se junta com o rock nos anos 1970. <\/p>\n<p>EBM significa \u201celetronic body music\u201d e aqui se incluem o future pop, o harsh EBM, e o Anhalt EBM. Bem grosso modo, EBM \u00e9 o resultado da jun\u00e7\u00e3o do synthpop l\u00e1 dos anos 1980 com a m\u00fasica industrial dos anos 1990. Harsh EBM (conhecido tamb\u00e9m como agrotech) \u00e9 a vers\u00e3o mais pesada dessa vertente, com muita s\u00edntese sonora, vocais pesados, letras agressivas e tudo mais. Von Richthofen e Suicide Comando s\u00e3o bons exemplos disso.<\/p>\n<p>J\u00e1 o future pop \u00e9 uma mistura bem maluca de synthpop com o trance. S.P.O.C.K, VNV Nation e Colony 5 s\u00e3o bons exemplos disso. O Anhalt EBM tamb\u00e9m \u00e9 algo louco que surge l\u00e1 no final dos anos 1970 sob forte influ\u00eancia do stereopunk e mistura eletr\u00f4nico com guitarras distorcidas do punk.<\/p>\n<p>Bem, \u00e9 isso. Espero que tenha ajudado a conhecer um pouco melhor os tantos g\u00eaneros que comp\u00f5em o universo da m\u00fasica eletr\u00f4nica que, de fato, s\u00e3o muitos, e por vezes desconhecidos.<\/p>\n<p><strong>Por: Ge<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. Tio Ge explica \u2013 G\u00eaneros Musicais 5 \u2013 Eletr\u00f4nica Dando continuidade \u00e0 s\u00e9rie de textos sobre o tema, hoje eu falo de eletr\u00f4nica. 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