{"id":15820,"date":"2019-10-08T12:45:16","date_gmt":"2019-10-08T15:45:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15820"},"modified":"2019-10-08T12:45:16","modified_gmt":"2019-10-08T15:45:16","slug":"histeria-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/10\/histeria-coletiva\/","title":{"rendered":"Histeria coletiva."},"content":{"rendered":"<p>O tema escolhido para a postagem de hoje veio da sugest\u00e3o da leitora Bia: Histeria Coletiva.<\/p>\n<p>Na verdade, o termo mais correto para designar esta condi\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cdoen\u00e7a psicog\u00eanica de massa\u201d, mas como ela \u00e9 conhecida por todos como \u201chisteria coletiva\u201d ou \u201chisteria em massa\u201d \u00e9 assim que vamos cham\u00e1-la.<!--more--><\/p>\n<p>A histeria coletiva \u00e9 um dist\u00farbio psicol\u00f3gico onde um grupo de pessoas passa a ter, ao mesmo tempo, um comportamento estranho ou se sentir doente sem uma causa aparente. N\u00e3o h\u00e1 um estopim externo (uso de drogas, bebida etc.), \u00e9 a mente da pessoa que provoca os sintomas. Acontece de forma sequencial: um indiv\u00edduo apresenta os sintomas e o resto come\u00e7a a senti-los tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 hipocondria, de fato as pessoas experimentam consequ\u00eancias graves nestes epis\u00f3dios, muitas vezes culminando em morte. H\u00e1 \u201csintomas\u201d f\u00edsicos que s\u00e3o reais, palp\u00e1veis, atest\u00e1veis. As pessoas ficam transtornadas a ponto de perderem o controle de seus atos, emo\u00e7\u00f5es e sentidos. A diferen\u00e7a \u00e9 que a causa n\u00e3o reside em uma doen\u00e7a ou em nada f\u00edsico: \u00e9 mental. O que quer que a pessoa ache que tem, n\u00e3o tem, causa est\u00e1 apenas na sua mente.<\/p>\n<p> Mas, \u00e9 aquela frase que eu vivo repetindo: sua mente cria realidade. Quando se diz que a doen\u00e7a da pessoa n\u00e3o \u00e9 \u201creal\u201d, \u00e9 preciso fazer uma ressalva: para a pessoa \u00e9 real. Ela tem todos os sintomas, ela sente aquilo como verdadeiro. Pode n\u00e3o ser clinicamente correto dizer que a pessoa est\u00e1 com este ou aquele diagn\u00f3stico, mas a partir do momento em que a doen\u00e7a sai da mente e se manifesta no corpo, ela ganha realidade.<\/p>\n<p>A partir do momento em que a pessoa entra na histeria coletiva o que sua mente projeta ela no corpo, ela plasma na realidade. Isso inclu\u00ed produzir sintomas f\u00edsicos muito espec\u00edficos, ter sua percep\u00e7\u00e3o da realidade alterada e, muitas vezes, conseguir for\u00e7a ou resist\u00eancia fora do normal. A\u00ed n\u00e3o adianta ficar repetindo para a pessoa que aquilo n\u00e3o \u00e9 real. Passou a ser e deve ser tratado, n\u00e3o como a doen\u00e7a que a pessoa acha que tem, e sim tratar a sua mente.<\/p>\n<p>A histeria coletiva pode acontecer com qualquer um de n\u00f3s. Alguns grupos est\u00e3o mais propensos, mas ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo. Acontece com mais frequ\u00eancia em grupos que se encontram confinados, ainda que seja um confinamento tempor\u00e1rio e volunt\u00e1rio, como por exemplo, passageiros de um avi\u00e3o, alunos de uma escola ou pessoas que trabalham em uma mesma empresa.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos casos famosos documentados. Um dos mais famoso, por ser bastante curioso, ocorreu na Fran\u00e7a, em 1518, em Estrasburg: uma mulher chamada Frau Troffea come\u00e7ou a dan\u00e7ar no meio da rua, sozinha, sem m\u00fasica e sem nenhum motivo aparente para isso. A mulher ficou dan\u00e7ando seis dias sem parar e, ao final deste per\u00edodo, j\u00e1 havia mais 34 pessoas dan\u00e7ando com ela, no mesmo esquema.<\/p>\n<p>Aos poucos, mais pessoas foram \u201ccontaminadas\u201d e entraram no surto de histeria coletiva. Em pouco menos de um m\u00eas, havia 400 pessoas dan\u00e7ando freneticamente. A maioria acabou morrendo de exaust\u00e3o ou ataque card\u00edaco em decorr\u00eancia do esfor\u00e7o f\u00edsico, priva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, alimentos e sono. E este evento n\u00e3o foi \u00fanico: pelo menos outros seis casos de pessoas que se juntaram e dan\u00e7aram at\u00e9 a morte foram registrados na Idade M\u00e9dia. O fen\u00f4meno ganhou at\u00e9 nome: \u201cdan\u00e7omania\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe muito da doen\u00e7a, mas especialistas acreditam que ela \u00e9 ativada por uma alta carga de estresse, que provoca uma superestimula\u00e7\u00e3o do sistema nervoso. Tamb\u00e9m se sabe que \u00e9 um fen\u00f4meno predominantemente feminino, mulheres s\u00e3o muito mais sens\u00edveis\/propensas\/vulner\u00e1veis a esse tipo de evento.<\/p>\n<p>O surto come\u00e7a, via de regra, com o que se chama um \u201cpaciente zero\u201d, ou seja, uma pessoa que perde o controle de sua mente repentinamente e, a partir dela, os outros se \u201ccontaminam\u201d e esse desequil\u00edbrio mental passa para eles. O \u201ccontaminam\u201d est\u00e1 entre aspas pois, at\u00e9 onde se entende como normal, o desequil\u00edbrio mental n\u00e3o \u00e9 algo contagioso, mas, nos casos de histeria coletiva, passa a ser. E a\u00ed reside a grande dificuldade em explicar o mecanismo da histeria coletiva.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica funciona da seguinte forma: esse paciente zero geralmente tem um pico de ansiedade por qualquer motivo que seja e converte esse desequil\u00edbrio mental em um problema f\u00edsico: sente sinais de doen\u00e7as, dan\u00e7a sem parar, ri sem parar ou age de qualquer outra forma perturbada. Por motivos que ainda n\u00e3o se entendem, ele \u201ccontamina\u201d o grupo que est\u00e1 \u00e0 sua volta, gradualmente.<\/p>\n<p>A capital mundial da Histeria Coletiva \u00e9 Mal\u00e1sia. L\u00e1 sua incid\u00eancia \u00e9 significativamente maior do que no resto do mundo. H\u00e1 quem atribua isso \u00e0s crendices locais sobre fantasmas e assombra\u00e7\u00f5es que deixam as pessoas sugestionadas ao sobrenatural e h\u00e1 quem atribua \u00e0 repress\u00e3o provocada pela religiosidade local. O fato \u00e9 que a maior parte dos relatos de grandes eventos de histeria coletiva vem de l\u00e1. O \u00faltimo data deste ano, em uma escola, onde alunos declararam sentir uma presen\u00e7a maligna no local.<\/p>\n<p>Nem sempre a histeria coletiva se manifesta em forma de sofrimento, existem eventos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o pesados. Por exemplo, uma piada contada em um col\u00e9gio interno na Tanz\u00e2nia, em 1962, fez com que tr\u00eas meninas tivessem crises de risco descontroladas. Elas contaram a piada para outras alunas, que entraram na mesma crise de riso. N\u00e3o demorou muito eram 95 alunas rindo compulsivamente. <\/p>\n<p>As alunas contaram a piada para seus pais, que tamb\u00e9m tiveram crises de riso. Por sua vez, alguns pais contaram a piada para moradores das redondezas e o mesmo aconteceu. Um povoado inteiro ficou em uma crise de riso e n\u00e3o estamos falando de crises de riso comuns, elas duraram mais do que esperado: algumas s\u00f3 terminaram 18 meses depois.<\/p>\n<p>Em alguns casos, o surto \u00e9 um pouco mais ex\u00f3tico. Em um convento na Fran\u00e7a, uma freira come\u00e7ou a miar. N\u00e3o demorou muito, outras freiras se juntaram a ela, formando um grupo de quase cem mulheres miando. Se reuniam v\u00e1rias vezes por dia para miar e miavam por longas horas. <\/p>\n<p>Como os m\u00e9dicos n\u00e3o conseguiram compreender ou solucionar o problema, apelaram para um m\u00e9todo um pouco menos civilizado: soldados foram enviados ao convento e davam pauladas nas freiras at\u00e9 que elas parem de miar.<\/p>\n<p>Em tempos remotos, a histeria coletiva n\u00e3o era vista como uma doen\u00e7a e sim como possess\u00e3o demon\u00edaca, por isso os pacientes n\u00e3o eram tratados com muita dignidade. Exorcismos (que muitas vezes inclu\u00edam bater com a B\u00edblia na testa da pessoa at\u00e9 o comportamento cessar) ou for\u00e7a bruta e intimida\u00e7\u00e3o eram as op\u00e7\u00f5es de \u201ctratamento\u201d. Mas, n\u00e3o se engane, a histeria coletiva n\u00e3o \u00e9 exclusividade da Idade M\u00e9dia ou de zonas rurais habitadas por pessoas com baixa instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m acontece em \u00e1reas predominantemente urbanas, com moradores de cidades que tem amplo acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Em 2010, em Paris, um homem se levantou no meio da noite para fazer uma mamadeira para seu filho. Sua esposa, por algum motivo, quando o viu se dirigir \u00e0 cozinha achou que ele era o diabo. Come\u00e7ou a gritar e acordou os demais moradores da casa. A irm\u00e3 do homem acordou e tamb\u00e9m o viu como o diabo. Pegou uma faca e cravou na sua m\u00e3o. <\/p>\n<p>O homem tentava se explicar enquanto as duas pediam por socorro. No final, mais de dez pessoas da fam\u00edlia expulsaram o homem de casa alegando que ele era o diabo. <\/p>\n<p>Muito puto por ter sido jogado pra fora da pr\u00f3pria casa, o sujeito resolveu voltar para provar para a fam\u00edlia que ele n\u00e3o era o dem\u00f4nio. O pavor de v\u00ea-lo voltando foi tanto que os familiares come\u00e7aram a se jogar pela janela para fugir dele. O resultado final: mortos, feridos e uma per\u00edcia onde se constatou em exames toxicol\u00f3gicos que ningu\u00e9m havia bebido, usado drogas ou qualquer subst\u00e2ncia ou rem\u00e9dio que pudesse alterar a percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que quando a pessoa entra nesse surto de histeria coletiva, sua mente fica \u201caberta\u201d, sugestion\u00e1vel e hiper-reativa, capaz de criar basicamente qualquer coisa. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7nd0X2VMApo\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">No epis\u00f3dio 18 da terceira temporada do seriado \u201cHouse\u201d<\/a> vemos o m\u00e9dico em um avi\u00e3o onde as pessoas come\u00e7am a passar mal, com sintomas f\u00edsicos id\u00eanticos \u00e0 meningite, como manchas pelo corpo e febre. House pega o microfone do avi\u00e3o e avisa que h\u00e1 um surto de meningite e que quem come\u00e7ar a sentir determinados sintomas deve procur\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Um dos sintomas descritos por ele \u00e9 \u201ctremor na m\u00e3o esquerda\u201d. N\u00e3o demora muito, v\u00e1rias pessoas come\u00e7am a apresentar tremores na m\u00e3o esquerda, e, obviamente, viram motivo de piada por parte do m\u00e9dico. Era apenas um surto de histeria coletiva, mas, apesar de n\u00e3o estarem doentes, essas pessoas estavam extremamente vulner\u00e1veis, sendo poss\u00edvel induzi-las a sentir praticamente qualquer coisa. <\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 uma compreens\u00e3o do que acontece (uma pessoa surta e outras acabam caindo nesse surto tamb\u00e9m) mas n\u00e3o de como acontece. Por qual motivo algumas pessoas entram em histeria coletiva e outras n\u00e3o? H\u00e1 milh\u00f5es de teorias e nenhuma certeza. <\/p>\n<p>Para alguns existiria um campo eletromagn\u00e9tico individual que cada um de n\u00f3s teria e, quando ele entra em curto, pode acabar afetando o campo de outras pessoas. Quanto mais baixa a frequ\u00eancia vibracional da pessoa (problemas de sa\u00fade, tristeza e outros sentimentos negativos baixariam a vibra\u00e7\u00e3o), mais propensa ela \u00e9 a ter uma interfer\u00eancia em seu campo.<\/p>\n<p>Para outros, existe uma \u201cmente \u00fanica\u201d, um elo de liga\u00e7\u00e3o mais ou menos forte entre a mente de todos n\u00f3s, uma esp\u00e9cie de mente coletiva. Assim, quando uma mente individual surta, isso reverbera em outras. As mentes menos conscientes estariam mais sujeitas a esses efeitos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a teoria mais aceita at\u00e9 agora \u00e9 a de que o estado mental da pessoa \u00e9 o determinante para ela cair ou n\u00e3o nesse surto. Uma pessoa centrada, com uma personalidade e mente bem estruturadas, que esteja equilibrada, estaria blindada desse tipo de evento. Pessoas ansiosas, estressadas, com a mente muito inquieta, estariam mais propensas a se deixar sugestionar pelo desequil\u00edbrio alheio, quase que como um pedido de socorro indireto.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o se entende bem o mecanismo de funcionamento, o que podemos tomar de aprendizado da histeria coletiva \u00e9: muitas vezes sua mente te engana. Sua mente erra, sua mente se sugestiona, sua mente mente. Ent\u00e3o, por mais que voc\u00ea tenha certeza absoluta de algo, lembre-se que voc\u00ea pode estar errado. Sua mente cria realidade, por mais que voc\u00ea n\u00e3o esteja doente, ela pode criar manchas por todo seu corpo, febre e coisas at\u00e9 piores emulando perfeitamente uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Algumas reflex\u00f5es sobre o tema.<\/p>\n<p>At\u00e9 que ponto essa histeria midi\u00e1tica, essa hiper estimula\u00e7\u00e3o do medo e da polariza\u00e7\u00e3o podem afetar nossas mentes? Um desequil\u00edbrio mental de uma pessoa dentro de um avi\u00e3o pode afetar todos os passageiros, o que acontece se esse desequil\u00edbrio for divulgado online, de modo a que o mundo todo possa v\u00ea-lo? A forma como a m\u00eddia e as pessoas em redes sociais tratam doen\u00e7as, cat\u00e1strofes e at\u00e9 proje\u00e7\u00f5es futuras podem desencadear histeria coletiva macro por serem compartilhadas no mundo todo?<\/p>\n<p>O que nos leva a outra pergunta: ser\u00e1 que isso j\u00e1 aconteceu ou est\u00e1 acontecendo? Ser\u00e1 que certos eventos n\u00e3o s\u00e3o fruto de histeria em massa e n\u00e3o de paix\u00e3o pol\u00edtica, ativismo ou amor por uma causa? Talvez por ter suas atitudes recobertas por uma suposta causa nobre estejamos deixando de perceber uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>E, por fim, como delimitar a linha que separa uma pessoa louca de uma pessoa s\u00e3 se todos n\u00f3s podemos em algum momento cair na loucura alheia? Onde est\u00e1 essa chavinha que, quando vira, nos joga no mundo da loucura, nos faz perder o controle da nossa mente e da realidade?<\/p>\n<p>As respostas vir\u00e3o com o tempo. At\u00e9 l\u00e1, sugiro que trabalhem suas mentes para mant\u00ea-las saud\u00e1veis, equilibradas e centradas, de modo a n\u00e3o serem sugados por um surto alheio.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que quer saber que piada \u00e9 esse que fez a pessoa rir por 18 meses, para dizer que isso \u00e9 coisa do capeta ou ainda para dizer que consegue identificar uma meia d\u00fazia de histerias coletivas no Brasil: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema escolhido para a postagem de hoje veio da sugest\u00e3o da leitora Bia: Histeria Coletiva. 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