{"id":15858,"date":"2019-10-16T14:08:56","date_gmt":"2019-10-16T17:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=15858"},"modified":"2019-10-16T14:08:56","modified_gmt":"2019-10-16T17:08:56","slug":"multiverso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2019\/10\/multiverso\/","title":{"rendered":"Multiverso."},"content":{"rendered":"<p>Seguindo a sugest\u00e3o da Ju, que pediu um texto sobre universos paralelos, hoje eu abordo o tema dentro do conceito muito maior de multiversos. Afinal, tudo nesse assunto \u00e9 superlativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas expectativas iniciais. Se aprendemos alguma coisa com a hist\u00f3ria do conhecimento humano, \u00e9 que sempre faz bem desconfiar que a realidade \u00e9 maior do que estamos vendo atualmente.<!--more--><\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, \u00e9 bom estabelecer uma coisa: a teoria de multiversos ainda est\u00e1 mais pr\u00f3xima do campo da filosofia do que propriamente da f\u00edsica. S\u00e3o ideias que ainda n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de testar diretamente, afinal, at\u00e9 segunda ordem, s\u00f3 temos um universo onde podemos fazer experimentos e coletar dados, este.<\/p>\n<p>A ideia de m\u00faltiplos universos \u00e9 antiga, talvez t\u00e3o antiga quanto o pensamento abstrato humano. N\u00e3o d\u00e1 para ligar a um cientista-chave como Darwin na Evolu\u00e7\u00e3o ou Einstein na Relatividade. De uma forma ou de outra, pessoas consideram essa possibilidade h\u00e1 mil\u00eanios: o que muda durante as eras s\u00e3o as nossas ferramentas para lidar com a ideia. E como de costume, boa parte do pensamento abstrato do passado \u00e9 ligado \u00e0 religi\u00e3o: os gregos tinham um universo paralelo no alto do Monte Olimpo, os crist\u00e3os acreditavam (ainda acreditam) em C\u00e9u e Inferno vendo suas dimens\u00f5es paralelas indo para cima ou para baixo&#8230;<\/p>\n<p>Isso est\u00e1 muito relacionado \u00e0 forma como pensamos: para seres humanos, as coisas precisam ter uma posi\u00e7\u00e3o. E definimos posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a outras coisas. Sempre foi muito dif\u00edcil lidar com o conceito de infinito, porque o infinito, por n\u00e3o acabar, n\u00e3o tem uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outras coisas. N\u00e3o importa o qu\u00e3o grande voc\u00ea acredite que seja o universo, bastam algumas sinapses do seu c\u00e9rebro para voc\u00ea come\u00e7ar a pensar no que est\u00e1 em volta dele. Num pensamento, podemos viajar bilh\u00f5es ou trilh\u00f5es de anos-luz para buscar essa no\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o relativa. E \u00e9 isso que nos faz sempre ir al\u00e9m dos limites de nosso conhecimento. Um dia, o c\u00e9u j\u00e1 foi o limite, depois, o universo acabava no sistema solar, e hoje em dia, ele termina \u201coficialmente\u201d na \u00e1rea observ\u00e1vel, uma esfera de mais de 90 bilh\u00f5es de anos-luz.<\/p>\n<p>Mas, pra variar, isso n\u00e3o quer dizer que paramos de pensar no que tem ao redor. Como j\u00e1 disse em textos anteriores, podemos presumir que mesmo esse universo observ\u00e1vel \u00e9 s\u00f3 um pedacinho de tudo o que existe. As fronteiras do universo que colocamos nos livros escolares s\u00e3o baseadas na luz que conseguimos ver e excelentes c\u00e1lculos baseados nessa informa\u00e7\u00e3o mais palp\u00e1vel. O que n\u00e3o quer dizer que tenha muito mais coisa ao redor do que conhecemos, esses bilh\u00f5es todos de anos-luz de tamanho podem ser s\u00f3 um gr\u00e3o de areia em rela\u00e7\u00e3o ao universo real. A ideia de ter mais do que vemos n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 aceit\u00e1vel como prov\u00e1vel: somos historicamente ruins em definir o limite do tamanho do universo.<\/p>\n<p>S\u00f3 que tamb\u00e9m somos ruins em controlar o tamanho de qualquer discuss\u00e3o metaf\u00edsica, para cobrir todas as possibilidades de multiverso, eu teria que escrever uma enciclop\u00e9dia de conte\u00fado que provavelmente j\u00e1 estaria desatualizada quando terminasse. Por isso, vamos nos basear em gente que j\u00e1 passa a vida pensando nisso: a turma da Teoria das Cordas. Em especial o f\u00edsico e matem\u00e1tico Brian Greene, professor da Universidade de Columbia. Greene listou nove tipos de multiverso poss\u00edveis, que listarei a seguir:<\/p>\n<p><strong>Colcha de retalhos:<\/strong> nesse tipo, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se o universo em geral for infinito, as leis da f\u00edsica continuam funcionando normalmente, n\u00e3o precisamos de outras dimens\u00f5es ou nada muito esot\u00e9rico, precisamos apenas de muito espa\u00e7o livre. Nesse caso, estamos numa bolha da nossa percep\u00e7\u00e3o: o universo observ\u00e1vel \u00e9 mesmo uma parte min\u00fascula da realidade e s\u00f3 tem \u201cfim\u201d porque mesmo a luz n\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida o suficiente para viajar de uma bolha para outra. Existem infinitas bolhas se expandindo como a nossa, mas como o espa\u00e7o entre nosso universo e todos os outros tamb\u00e9m est\u00e1 aumentando, nunca vamos tocar um no outro. Os outros universos seguem as mesmas leis da f\u00edsica que o nosso, mas por pura probabilidade, as coisas aconteceram de forma diferente.<\/p>\n<p>Nesse universo \u201ccolcha de retalhos\u201d, tudo o que \u00e9 poss\u00edvel acontece. Com um n\u00famero infinito de universos, \u00e9 certeza que eventualmente vamos encontrar um onde as coisas aconteceram exatamente igual ao que aconteceram aqui. Ao mesmo tempo, inclusive. Ou seja: segundo essa ideia, existem infinitos voc\u00ea lendo este texto e reagindo absolutamente da mesma forma. Mas, mais interessante ainda, existem infinitas varia\u00e7\u00f5es disso: num universo a vida n\u00e3o surgiu na Terra, em outro, os russos venceram a Guerra Fria, em outro, voc\u00ea injetou \u00e1gua sanit\u00e1ria nas suas veias logo pela manh\u00e3. Mas, tamb\u00e9m, em algum universo paralelo, voc\u00ea \u00e9 podre de rico, ou mesmo ditador de toda a humanidade!<\/p>\n<p>As possibilidades s\u00e3o literalmente infinitas. O bacana dessa ideia \u00e9 que se algum desses universos desenvolver viagem mais r\u00e1pida que a velocidade da luz, podem visitar outros, porque n\u00e3o tem nenhuma separa\u00e7\u00e3o al\u00e9m de dist\u00e2ncia f\u00edsica entre eles (claro, como s\u00e3o infinitos voc\u00ea praticamente n\u00e3o tem chance de sequer achar outro com vida, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel). Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o multiverso baseado nessa ideia \u00e9 o mais simples de todos, porque n\u00e3o exige nada de muito diferente do que j\u00e1 conhecemos para ser verdade.<\/p>\n<p><strong>Inflacion\u00e1rio:<\/strong> esta categoria presume que o universo continua se expandindo infinitamente tamb\u00e9m, mas n\u00e3o da forma ordenada do exemplo anterior. A ideia usa o conceito de falso v\u00e1cuo, que sugere que as nossas leis da f\u00edsica s\u00e3o baseadas num equil\u00edbrio t\u00eanue entre as for\u00e7as universais que pode ser quebrado a qualquer momento, universos podem surgir a qualquer momento, em qualquer ponto, basta que uma flutua\u00e7\u00e3o de energia fa\u00e7a com que a realidade \u201cdescubra\u201d que n\u00e3o encontrou o ponto de equil\u00edbrio m\u00e1ximo e comece a se movimentar para chegar at\u00e9 l\u00e1. Isso explicaria o nosso Big Bang e permitiria que infinitos outros possam acontecer ao redor do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>E o mais curioso: como n\u00e3o sabemos em que ponto cada universo encontrou seu equil\u00edbrio, as leis da f\u00edsica podem ser totalmente diferentes em cada um deles. Considerando espa\u00e7o infinito e que n\u00e3o tenhamos alcan\u00e7ado o equil\u00edbrio m\u00e1ximo, pode multiplicar os infinitos universos da op\u00e7\u00e3o anterior por infinitas alternativas de funcionamento da realidade. Num universo desses, a velocidade da luz pode ser maior. A mat\u00e9ria dominante pode ser a de carga negativa. Pode inclusive existir um de voc\u00ea lendo este texto exatamente na mesma posi\u00e7\u00e3o e situa\u00e7\u00e3o de vida, mas feito de antimat\u00e9ria! Sim, eu sei que n\u00e3o faz diferen\u00e7a multiplicar infinito por infinito, seu chato, mas essa possibilidade muda muito a probabilidade de algum viajante ser imediatamente destru\u00eddo assim que pular de um universo para outro: com leis da f\u00edsica diferentes, \u00e9 poss\u00edvel que nossos corpos ou mesmo m\u00e1quinas sejam totalmente imposs\u00edveis de existir.<\/p>\n<p><strong>Membrana:<\/strong> segundo a Teoria das Cordas, existem v\u00e1rias dimens\u00f5es al\u00e9m das que percebemos. \u00c9 tudo uma quest\u00e3o do que com o que conseguimos interagir. E nessa teoria de m\u00faltiplos universos, cada realidade \u00e9 uma esp\u00e9cie de tecido feito das cordas fundamentais, que passam entre dimens\u00f5es que percebemos e as que n\u00e3o percebemos. Esse \u201ctecido\u201d chamamos de membrana, e n\u00e3o existe nenhuma obriga\u00e7\u00e3o formal de s\u00f3 existir um. Tudo o que percebemos como realidade pode ser apenas a manifesta\u00e7\u00e3o dessas membranas dentro das nossas limita\u00e7\u00f5es sensoriais.<\/p>\n<p>Quando elas se chocam, produzem uma quantidade gigantesca de energia, criando universos. Segundo essa ideia, somos basicamente as ondas que se formam depois de uma gota d\u2019\u00e1gua cair numa piscina. O resultado tridimensional de processos multidimensionais. E para a realidade em geral, est\u00e1 chovendo em cima dessa piscina: as membranas interagem sem parar, criando incont\u00e1veis universos a cada momento, mas \u00e9 tudo t\u00e3o grande e fora da nossa capacidade de medi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o temos contato com os outros.<\/p>\n<p><strong>C\u00edclico:<\/strong> e se ao inv\u00e9s de considerarmos o espa\u00e7o infinito, trouxermos esse conceito para o tempo? Um universo que recome\u00e7a n\u00e3o \u00e9 novidade, mas tamb\u00e9m satisfaz a condi\u00e7\u00e3o de termos v\u00e1rios universos, s\u00f3 que n\u00e3o ao mesmo tempo. Na f\u00edsica mais tradicional, caso a expans\u00e3o do universo seja revers\u00edvel, podemos colapsar de volta numa singularidade no futuro (e bota futuro nisso) e re-explodir num novo Big Bang, na Teoria das Cordas, o universo c\u00edclico \u00e9 poss\u00edvel porque o movimento dessas membranas em uma outra dimens\u00e3o poderia nos arrastar junto, criando nossa ilus\u00e3o de tempo. Nesse movimento, podemos colidir com outros universos, ou at\u00e9 mesmo ficar sempre batendo nos mesmos, reiniciando a cada colis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qu\u00e2ntico:<\/strong> a f\u00edsica qu\u00e2ntica n\u00e3o \u00e9 simples de entender, mas podemos fazer algumas aproxima\u00e7\u00f5es. Nessa linha de pensamento, os m\u00faltiplos universos poderiam ser \u201cpossibilidades\u201d que foram medidas. Explico: na qu\u00e2ntica se trabalha com o princ\u00edpio de incerteza, at\u00e9 se medir alguma part\u00edcula fundamental, ela pode estar em infinitos lugares e velocidades diferentes. E se cada uma dessas poss\u00edveis medi\u00e7\u00f5es fosse real?<\/p>\n<p>N\u00e3o quer dizer que o el\u00e9tron do experimento da fenda dupla, por exemplo, agiu diferente de acordo com a observa\u00e7\u00e3o, quer dizer que ele agiu como onda e como part\u00edcula ao mesmo tempo, mas n\u00f3s o medimos de um desses universos, n\u00e3o dos dois. Nos m\u00faltiplos universos qu\u00e2nticos, tudo acontece, s\u00f3 que s\u00f3 percebemos um dos resultados. Esse \u00e9 o conceito mais claro de universos paralelos que temos aqui: tudo acontece ao mesmo tempo, em percep\u00e7\u00f5es diferentes. Numa escala maior, cada uma das suas decis\u00f5es na vida gerou um novo universo, porque a partir do momento que ela foi tomada, n\u00e3o tem mais volta. Existe um universo onde voc\u00ea n\u00e3o teve saco de chegar at\u00e9 aqui no texto. Mas fique tranquilo(a), este universo \u00e9 bem melhor.<\/p>\n<p><strong>Hologr\u00e1fico:<\/strong> explicando de forma muito simplificada, f\u00f3rmulas matem\u00e1ticas parecem indicar que \u00e9 poss\u00edvel \u201cescrever\u201d todo o conte\u00fado (volume) de um buraco negro na sua superf\u00edcie (o que n\u00e3o violaria a regra de que nada se cria ou destr\u00f3i). O universo teria propriedades parecidas, e tudo o que conhecemos aqui \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o dessa superf\u00edcie. Se esse for o caso, a linha entre buracos-negros e universos fica meio borrada. Poder\u00edamos ser o interior de um buraco-negro de outro universo, e cada um dos buracos-negros desse poderia ter outro dentro.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou me aprofundar porque ainda pretendo escrever um texto s\u00f3 sobre universo hologr\u00e1fico, porque isso chacoalha todas as no\u00e7\u00f5es de realidade que temos.<\/p>\n<p><strong>Simulado:<\/strong> j\u00e1 falei disso muitas vezes, nem preciso me estender. Se simular universos \u00e9 poss\u00edvel, a probabilidade de estarmos em tende a ser maior do que n\u00e3o estarmos. Se estivermos numa simula\u00e7\u00e3o de computador, \u00e9 muito prov\u00e1vel que existam in\u00fameras outras.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1ximo:<\/strong> n\u00e3o sei se voc\u00eas perceberam, mas todas essas alternativas podem coexistir. Podemos ter um universo diferente para cada possibilidade matem\u00e1tica, considerando n\u00fameros infinitos. \u00c9 s\u00f3 multiplicar todos os infinitos aqui para chegar no n\u00famero de universos alternativos poss\u00edveis. F\u00e1cil de entender, n\u00e3o? Isso seria a \u00faltima dimens\u00e3o da Teoria das Cordas: todas as possibilidades, de tudo, espa\u00e7o e tempo.<\/p>\n<p>Simples de entender, n\u00e9? E n\u00e3o se preocupe, se ficou dif\u00edcil, tem uma vers\u00e3o sua que est\u00e1 reclamando dos meus erros no texto e me chamando de burro por n\u00e3o ter entendido nada.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu sempre exagero, para dizer que cada alternativa precisa de um texto (verdade), ou mesmo para dizer que j\u00e1 acha seu quarteir\u00e3o grande demais: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguindo a sugest\u00e3o da Ju, que pediu um texto sobre universos paralelos, hoje eu abordo o tema dentro do conceito muito maior de multiversos. Afinal, tudo nesse assunto \u00e9 superlativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas expectativas iniciais. 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