{"id":16410,"date":"2020-02-04T12:00:17","date_gmt":"2020-02-04T15:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=16410"},"modified":"2020-02-03T19:10:24","modified_gmt":"2020-02-03T22:10:24","slug":"holodomor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/02\/holodomor\/","title":{"rendered":"Holodomor"},"content":{"rendered":"<p>Uma trag\u00e9dia humanit\u00e1ria que provavelmente n\u00e3o tem paralelos na nossa hist\u00f3ria. Alguns historiadores sugerem at\u00e9 12 milh\u00f5es de mortos durante uma fome generalizada na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica do come\u00e7o dos anos 30. Holodomor \u00e9 uma palavra ucraniana criada para se referir ao evento, uma mistura das palavras morte e fome na l\u00edngua deles. Tem gente que diz que St\u00e1lin foi pior que Hitler, e \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o concordar depois de conhecer mais sobre essa hist\u00f3ria&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>Mas como ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a saber todos os detalhes, vamos estabelecer o per\u00edodo hist\u00f3rico. Estamos no come\u00e7o da d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado. St\u00e1lin \u00e9 o l\u00edder da ainda jovem Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com o poder consolidado depois da morte de Lenin em 1924 e o ex\u00edlio de Trotsky para o M\u00e9xico em 1929, o caminho fica livre para a m\u00e3o de ferro de Josef St\u00e1lin e suas ideias peculiares de como tocar a Revolu\u00e7\u00e3o a partir dali. O mecanismo de poder dele n\u00e3o podia ser mais simples: mandava para a pris\u00e3o quem discordasse um pouco e mandava matar quem causasse qualquer problema. Antes mesmo da fome, muita gente j\u00e1 tinha morrido por causa dele.<\/p>\n<p>S\u00f3 que nenhuma atrocidade cometida pela Revolu\u00e7\u00e3o tinha preparado o povo ucraniano (e outros como veremos depois) para o grau de terror que aconteceria a seguir. St\u00e1lin n\u00e3o mandou soldados metralharem pessoas aleat\u00f3rias, fez algo muito pior. E n\u00e3o estamos s\u00f3 falando da ruim e velha incompet\u00eancia comunista, estamos falando de a\u00e7\u00f5es deliberadas para matar pessoas da forma mais cruel poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O projeto econ\u00f4mico de St\u00e1lin era o da coletiviza\u00e7\u00e3o. Ele queria que o povo sovi\u00e9tico deixasse a agricultura de subsist\u00eancia e come\u00e7asse a trabalhar em grandes comunidades para aumentar a produ\u00e7\u00e3o e alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea quiser contar essa hist\u00f3ria de uma forma bonita, \u00e9 s\u00f3 dizer que os sovi\u00e9ticos queriam criar grandes cooperativas para produzir muito alimento e n\u00e3o deixar mais nenhuma pessoa passar fome. E pode ter certeza de que essa foi a propaganda da \u00e9poca. Lindo no papel.<\/p>\n<p>Em 1930, a Ucr\u00e2nia, um dos pa\u00edses anexados depois da Revolu\u00e7\u00e3o Comunista, era considerada a principal produtora agr\u00edcola da regi\u00e3o. Historicamente, os fazendeiros ucranianos produziam o suficiente para a pr\u00f3pria alimenta\u00e7\u00e3o e ainda tinham sobras para alimentar boa parte dos russos. O povo ucraniano era bom nisso e tinha orgulho do seu papel. Mas, como era comum naquele tempo, a maior parte da produ\u00e7\u00e3o vinha de pequenos agricultores que vendiam o excedente para o mercado externo. Como de costume, alguns tinham mais sucesso, com fazendas de gr\u00e3os, leite e carne maiores que a maioria. Costumava-se chamar esses expoentes de Kulaks. O Kulak n\u00e3o era um bar\u00e3o da agricultura, porque eles nem existiam ainda, mas tinha uma estrutura razo\u00e1vel que o permitia contratar trabalhadores e ter dinheiro dispon\u00edvel para investimentos.<\/p>\n<p>O plano de St\u00e1lin previa tomar todas as terras produtivas ucranianas e redistribu\u00ed-las para grandes grupos de camponeses. Em tese, cooperativas sob o controle do Estado, na pr\u00e1tica, uma bagun\u00e7a que desfez em uma canetada s\u00e9culos de trabalho e experi\u00eancia. Da noite para o dia, o dono de uma fazenda que produzia muito e contratava pessoas passou a ter o mesmo poder de decis\u00e3o que o cidad\u00e3o que recolhia a bosta das vacas no campo. E antes que voc\u00ea ria da desgra\u00e7a da burguesia, esse poder de decis\u00e3o era zero, para todo mundo. O governo decidia o que seria produzido, em que quantidade e em que prazo, o trabalho de todos os presos naquela comunidade era bater as metas. E s\u00f3.<\/p>\n<p>Evidente que os Kulaks n\u00e3o gostaram nada disso. Trabalho de gera\u00e7\u00f5es desfeito em nome de um governo que nunca pisou numa fazenda&#8230; como era de se esperar, houve muita resist\u00eancia. Mas a m\u00e1quina de propaganda sovi\u00e9tica sabia muito bem como lidar com isso. Todo dissidente era burgu\u00eas inimigo do povo. Kulak deixou de ser o termo para o agricultor que tinha seus neg\u00f3cios em dia (a maioria n\u00e3o chegava nem perto de ser rica) e virou sin\u00f4nimo de explorador. Ser acusado de kulak era uma senten\u00e7a de pobreza, pois tudo o que a pessoa tinha era tirado dela e dado para os camponeses. E \u00e9 \u00f3bvio que muita gente se aproveitou disso para criar uma ca\u00e7a \u00e0s bruxas: acusavam os desafetos de kulaks e viam toda a f\u00faria do Estado recair sobre eles.<\/p>\n<p>E, acreditem ou n\u00e3o, as coisas ainda iam bem aqui. Com o povo local abra\u00e7ando a causa, toda pessoa que tinha um pouco mais de dinheiro ou recursos era acusada de kulak. S\u00f3 que piora: a pr\u00f3xima grande ideia de St\u00e1lin e cia. era pegar esses kulaks que provavelmente ficariam reclamando e causando problemas onde estavam e enfiar em trens rumo \u00e0 Sib\u00e9ria. Na l\u00f3gica da propaganda comunista, eles aprenderiam uma li\u00e7\u00e3o sobre igualdade e por tabela ajudariam a desenvolver \u00e1reas pouco povoadas do pa\u00eds. O que poderia dar errado, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o desastre come\u00e7a a se desenhar em duas linhas distintas: as \u00e1reas produtivas da Ucr\u00e2nia esvaziadas das pessoas que sabiam como fazer as fazendas produzirem, e um monte de gente (milh\u00f5es!) sendo enviada com uma m\u00e3o na frente e outra atr\u00e1s para o meio da Sib\u00e9ria. E se n\u00e3o fosse o suficiente, o clima n\u00e3o colaborou nem um pouco em 1932. Todo mundo sabe que efici\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o impedem o azar, mas com certeza ajudam a diminuir o seu impacto. Foi a tempestade perfeita.<\/p>\n<p>Ao saber que perderiam tudo, muitos kulaks ficaram furiosos e destru\u00edram suas fazendas, matando o gado e tocando fogo nas planta\u00e7\u00f5es e todo o maquin\u00e1rio necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o. Os camponeses que herdaram aquilo normalmente s\u00f3 obedeciam ordens ou plantavam o suficiente para alimentar a fam\u00edlia. N\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o de como trabalhar em largas escalas. E como na pr\u00e1tica viraram escravos do governo, muitos tamb\u00e9m n\u00e3o aceitaram as condi\u00e7\u00f5es: estavam mal antes, piores agora. Some-se a isso ao mau tempo que destruiu o pouco que restava e temos um problema muito s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Muita gente ia sofrer. Mas em outras condi\u00e7\u00f5es, provavelmente conseguiriam apertar o cinto por um inverno como esse povo j\u00e1 tinha feito diversas outras vezes. Ia morrer gente, mas n\u00e3o era para ser o desastre que chamamos de Holodomor hoje em dia. Alguns historiadores apologistas dizem que essa grande fome ucraniana foi resultado de uma p\u00e9ssima administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e as dificuldade inerentes a uma mudan\u00e7a t\u00e3o radical de sistema social. Mas os pr\u00f3ximos fatos dessas hist\u00f3ria sugerem que foi sim um genoc\u00eddio, pra l\u00e1 de intencional.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ucraniana seria terr\u00edvel de qualquer jeito, mas St\u00e1lin criou a condi\u00e7\u00e3o para as milh\u00f5es de mortes ao aplicar metas absurdas de produ\u00e7\u00e3o para os camponeses locais ignorando totalmente os problemas locais. St\u00e1lin queria uma produ\u00e7\u00e3o ainda maior que a do tempo dos kulaks. Segundo ele, com fazendas maiores e mais trabalhadores, era para conseguir aumentar imensamente a produ\u00e7\u00e3o mesmo com o tempo ruim. E quando St\u00e1lin pedia uma coisa, n\u00e3o colocava \u201cpor favor\u201d antes. As ordens desciam do Kremlin sem nenhuma contesta\u00e7\u00e3o, e os agentes do partido comunista no caminho sabiam que morreriam se n\u00e3o entregassem o pedido.<\/p>\n<p>E a\u00ed que a gente chega em algo que provavelmente rivaliza ou at\u00e9 ultrapassa os crimes humanit\u00e1rios do Holocausto: o ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico vinha pegar toda a produ\u00e7\u00e3o das fazendas ucranianas considerando as metas obviamente imposs\u00edveis estabelecidas pelo partido. Depois de meses de trabalho nas piores condi\u00e7\u00f5es, sem gente competente para ajudar ou qualquer incentivo do governo, os camponeses ucranianos tinham que ver os soldados de St\u00e1lin pegar tudo o que produziram a duras penas e ir embora. Ningu\u00e9m era capaz de bater a meta e ter comida de sobra. N\u00e3o adiantava chorar para os soldados, porque os soldados sabiam que morreriam se n\u00e3o fizessem exatamente aquilo.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m mais atento deve estar pensando que se era um regime comunista, de uma forma ou de outra essa comida voltaria para eles. Afinal, o Estado se obrigava a alimentar todo mundo, n\u00e3o? O problema \u00e9 que St\u00e1lin n\u00e3o estava nessa para alimentar o povo, e sim para exportar toda a comida que pudesse para o resto da Europa. Nos anos de menor produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, as exporta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os aumentaram mais de 1000%. Ou seja: St\u00e1lin estava vendendo a comida do seu povo para fazer caixa. O partido comunista usou esse dinheiro para come\u00e7ar o processo de industrializa\u00e7\u00e3o e equipamento do seu ex\u00e9rcito para travar guerras externas.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha como St\u00e1lin e todos os outros membros do partido informados sobre a situa\u00e7\u00e3o ucraniana n\u00e3o saberem que estavam matando aquele povo. N\u00e3o tinha comida suficiente para eles. Eles entregavam tudo o que produziam e n\u00e3o recebiam quase nada de volta. No come\u00e7o de 1933, St\u00e1lin manda uma ordem oficial para n\u00e3o perdoar ningu\u00e9m que tivesse escondido comida dos soldados. Ele sabia o que estava acontecendo, e estava disposto a mandar matar quem tentasse escapar da fome.<\/p>\n<p>O que talvez n\u00e3o seja \u00f3bvio para quem est\u00e1 lendo sobre isso pela primeira vez \u00e9 que havia uma vantagem para St\u00e1lin em destruir a Ucr\u00e2nia: como eram os grandes produtores agr\u00edcolas, tinham poder e organiza\u00e7\u00e3o para resistir ao partido. St\u00e1lin, not\u00f3rio paranoico, n\u00e3o aceitava viver com esse risco: num genoc\u00eddio s\u00f3, matava pessoas que poderiam se voltar contra ele no futuro e juntaria muito dinheiro para suas aventuras expansionistas. O povo ucraniano foi definhando com o passar dos meses. Idosos e crian\u00e7as morreram primeiro. Fam\u00edlias expulsavam de casa quem tivesse menos chance de sobreviver para economizar comida. Muitos relatos de canibalismo. As ruas das cidades rurais ucranianas se encheram de corpos esqu\u00e1lidos, e ningu\u00e9m tinha energia para sequer enterr\u00e1-los. Quem tentasse fugir dali era fuzilado pelos soldados. As estimativas de pessoas mortas naquela fome generalizada v\u00e3o de 3 a 12 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>E eu nem falei sobre os kulaks enviados para a Sib\u00e9ria. Por falta de organiza\u00e7\u00e3o do governo (muito provavelmente maliciosa), fam\u00edlias inteiras foram jogadas no meio da floresta durante o inverno, sem comida ou mesmo qualquer ferramenta para cortar lenha ou construir abrigos. Estima-se que meio milh\u00e3o de pessoas morreram nesses primeiros dias de abandono, e as que sobreviveram contam hist\u00f3rias de terror, de novo com canibalismo e o pior do comportamento humano em situa\u00e7\u00f5es de crise. Tudo sob a vigia de soldados, que davam basicamente a escolha entre morrer de fome, frio ou fuzilamento. Num dos casos, colocaram 6.000 pessoas numa ilha min\u00fascula no meio de um rio com alguns quilos de farinha. O lugar foi chamado de Ilha da Morte, e milhares de corpos foram deixados l\u00e1, congelados no frio siberiano com v\u00e1rios peda\u00e7os faltando.<\/p>\n<p>Quando St\u00e1lin percebeu que havia acabado com os kulaks e juntado dinheiro o suficiente, afrouxou as regras e amea\u00e7ou de morte qualquer um que abrisse o bico sobre a hist\u00f3ria. O caso \u00e9 normalmente relacionado \u00e0 Ucr\u00e2nia, mas a mesma coisa aconteceu no Cazaquist\u00e3o e v\u00e1rias outras partes mais rurais da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica na mesma \u00e9poca. Como as pessoas que viveram esse cap\u00edtulo horrendo da hist\u00f3ria humana ficaram escondidas atr\u00e1s da Cortina de Ferro at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 90, n\u00e3o temos filmes, monumentos e hist\u00f3rias para lembrar. Voc\u00ea pode negar Holodomor \u00e0 vontade, e \u00e9 capaz at\u00e9 de ser elogiado por combater essas \u201cmentiras capitalistas\u201d se o fizer. Uma pena que isso ficou tanto tempo escondido. Uma pena que ningu\u00e9m aprende de verdade sobre isso na escola.<\/p>\n<p>N\u00e3o por causa de comunismo ou capitalismo, e sim porque o ser humano pode ser terr\u00edvel se tiver poder suficiente. Porque muita gente aprende o perigo est\u00e1 numa denomina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou outra, mas n\u00e3o entende que no final das contas, \u00e9 o poder absoluto que cria a oportunidade para essa corrup\u00e7\u00e3o horrenda dos valores humanos. N\u00e3o \u00e9 comunismo, n\u00e3o \u00e9 o capitalismo, somos n\u00f3s. Quando eu escrevo este texto, n\u00e3o quero te convencer de nada al\u00e9m do valor dessa pra l\u00e1 de imperfeita democracia. Ningu\u00e9m deve ter tanto poder. Porque uma hora ou outra, da direita ou da esquerda, cria-se a situa\u00e7\u00e3o perfeita para aterrorizar milh\u00f5es de pessoas cujo \u00fanico crime foi nascer no lugar errado.<\/p>\n<p>Lembre-se do Holocausto, mas n\u00e3o deixe de se lembrar de Holodomor.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que gosta de come\u00e7ar a semana com temas leves, para dizer que eu sou bolsominion por criticar St\u00e1lin, ou mesmo para perguntar quando eu vou falar da China de Mao (em breve): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma trag\u00e9dia humanit\u00e1ria que provavelmente n\u00e3o tem paralelos na nossa hist\u00f3ria. Alguns historiadores sugerem at\u00e9 12 milh\u00f5es de mortos durante uma fome generalizada na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica do come\u00e7o dos anos 30. 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