{"id":16413,"date":"2020-02-05T15:24:36","date_gmt":"2020-02-05T18:24:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=16413"},"modified":"2020-02-05T15:24:36","modified_gmt":"2020-02-05T18:24:36","slug":"terraformar-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/02\/terraformar-marte\/","title":{"rendered":"Terraformar: Marte."},"content":{"rendered":"<p>Demorou, mas voltamos \u00e0 s\u00e9rie: depois de falar sobre V\u00eanus, hoje vamos analisar as possibilidades de transformar Marte num planeta mais parecido com a Terra. O planeta vermelho tem muitas das caracter\u00edsticas b\u00e1sicas para se tornar habit\u00e1vel, bem mais do que o inferno que \u00e9 a superf\u00edcie venusiana. O problema \u00e9 que Marte est\u00e1&#8230; morto.<!--more--><\/p>\n<p>S\u00f3 para relembrar: terraformar um planeta n\u00e3o \u00e9 necessariamente faz\u00ea-lo id\u00eantico \u00e0 Terra, e sim criar condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para a que a vida humana possa existir por l\u00e1. Voc\u00ea pode considerar que s\u00f3 est\u00e1 terraformado o planeta onde uma pessoa pode andar pelada pela superf\u00edcie at\u00e9 morrer de fome ou sede, mas n\u00e3o tem nada de errado em considerar que a tarefa est\u00e1 realizada se voc\u00ea precisar s\u00f3 de uma m\u00e1scara de oxig\u00eanio simples e n\u00e3o puder ficar muito tempo exposto aos elementos, afinal, tem muito lugar aqui na terra onde isso tamb\u00e9m acontece. Se a vida em Marte for t\u00e3o dif\u00edcil quanto a vida no topo do Everest, j\u00e1 seria um feito gigantesco da humanidade.<\/p>\n<p>Mas como disse no primeiro par\u00e1grafo, \u00e9 como se Marte fosse uma Terra morta. As caracter\u00edsticas que definem a possibilidade da vida aqui parecem j\u00e1 ter acontecido por l\u00e1, especialmente nos quesitos de press\u00e3o atmosf\u00e9rica, campo magn\u00e9tico e \u00e1gua em estado l\u00edquido. Ainda h\u00e1 uma d\u00favida razo\u00e1vel se j\u00e1 houve ou se ainda h\u00e1 vida simples em Marte. Vamos analisar cada um desses fatores e como eles impactam no processo:<\/p>\n<p>Atmosfera: no planeta Terra, temos uma grande e confort\u00e1vel barreira de gases ao redor da crosta, composta de nitrog\u00eanio, oxig\u00eanio, arg\u00f4nio e g\u00e1s carb\u00f4nico com tra\u00e7os de outros elementos. Por mais que precisemos do oxig\u00eanio para viver, no final das contas, o nitrog\u00eanio \u00e9 t\u00e3o importante quanto, afinal, \u00e9 o seu volume que comp\u00f5e a maioria dessa barreira. O elemento certo ajuda, mas esse \u00e9 um jogo de n\u00fameros. Marte tem uma atmosfera, mas ela \u00e9 muito mais fraca. Composta basicamente s\u00f3 g\u00e1s carb\u00f4nico, n\u00e3o gera press\u00e3o suficiente para manter \u00e1gua em estado l\u00edquido, regular a temperatura, nem mesmo a t\u00e3o importante barreira contra raios c\u00f3smicos.<\/p>\n<p>Campo Magn\u00e9tico: Marte n\u00e3o tem atividade geol\u00f3gica, o que presume que em seu interior n\u00e3o existem as for\u00e7as que criam vulc\u00f5es e terremotos aqui na Terra. Mas como o maior vulc\u00e3o conhecido no Sistema Solar est\u00e1 justamente por l\u00e1, isso j\u00e1 deve ter acontecido em algum momento de sua longa hist\u00f3ria. Na Terra, \u00e9 a atividade do centro do planeta que transforma o planeta num \u201cim\u00e3 gigante\u201d e por sua vez faz com que um campo magn\u00e9tico poderoso se forme ao nosso redor. \u00c9 esse campo que forma a mais poderosa barreira contra a radia\u00e7\u00e3o que vem do espa\u00e7o a todo momento. E radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica: s\u00e3o part\u00edculas que vem em alta velocidade e se chocam contra tudo o que est\u00e1 no seu caminho. Campos magn\u00e9ticos repelem essas part\u00edculas antes que elas desfa\u00e7am a atmosfera do planeta. Marte ficou sem campo magn\u00e9tico tempo o suficiente para ficar com a atmosfera que tem hoje.<\/p>\n<p>O planeta est\u00e1 bem mais longe do Sol que a Terra, por isso recebe menos luz. Mas n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o terr\u00edvel assim. As temperaturas de Marte s\u00e3o t\u00e3o baixas muito mais por n\u00e3o ter uma atmosfera que consiga prender o calor do que exatamente por dist\u00e2ncia da estrela. Mas mesmo com todos esses defeitos, n\u00e3o tem temperaturas m\u00e9dias de quase 500 graus e chuvas de \u00e1cido como em V\u00eanus. Se um dia decidirmos terraformar um planeta, \u00e9 bem prov\u00e1vel que comecemos por Marte.<\/p>\n<p>Mas chega de falar de problemas, vamos pensar em solu\u00e7\u00f5es. Existem v\u00e1rias propostas para terraformar o planeta vermelho. Vamos ver algumas delas:<\/p>\n<p>Importa\u00e7\u00e3o de gases: uma boa estrat\u00e9gia \u00e9 usar a qu\u00edmica ao nosso favor. Am\u00f4nia \u00e9 um elemento surpreendentemente abundante no Sistema Solar, e caso inserida na atmosfera marciana, acaba se quebrando em hidrog\u00eanio e nitrog\u00eanio. Nitrog\u00eanio, como sabemos aqui na Terra, \u00e9 um excelente elemento para sua atmosfera, pois al\u00e9m de ser inerte para n\u00f3s humanos, ainda pode acabar ajudando a vida vegetal. Claro que sem um campo magn\u00e9tico a atmosfera ainda seria expulsa pelo vento solar, mas estamos falando de milh\u00f5es e milh\u00f5es de anos at\u00e9 isso acontecer. S\u00f3 que estamos falando da atmosfera um planeta que se menor que a Terra, n\u00e3o passa nem perto de ser pequeno. Precisar\u00edamos bombardear Marte com incont\u00e1veis asteroides cheios de am\u00f4nia para sequer come\u00e7ar o processo. Luas e planetas mais distantes no Sistema Solar s\u00e3o ricos na subst\u00e2ncia, ent\u00e3o, desde que tenhamos uma log\u00edstica bem estabelecida, pode ser s\u00f3 quest\u00e3o de alguns s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Outra possibilidade \u00e9 o g\u00e1s metano, que existe em imensa abund\u00e2ncia na lua Tit\u00e3 de Saturno. Ele ajudaria com o efeito estufa, prendendo mais calor na superf\u00edcie, mas n\u00e3o \u00e9 o mais indicado para um planeta t\u00e3o pr\u00f3ximo do Sol, afinal, \u00e9 leve demais para ficar mais que alguns anos na atmosfera. Sem contar que parece um desperd\u00edcio de um g\u00e1s t\u00e3o \u00fatil para produ\u00e7\u00e3o de energia, por exemplo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, podemos fazer a festa com aqueles gases que foram proibidos aqui na Terra: os clorofluorcarbonetos (CFCs). Eles e outros equivalentes n\u00e3o podem mais ser usados livremente por aqui por serem perigosos para nossa camada de oz\u00f4nio e aumentar demais o efeito estufa. Dois problemas que n\u00e3o existem em terras vermelhas! Com a utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala desses gases, o efeito estufa em Marte seria t\u00e3o poderoso ao ponto de come\u00e7ar a derreter as calotas polares. O que n\u00e3o queremos aqui, mas com certeza queremos por l\u00e1. A \u00e1gua congelada (que esperamos que esteja l\u00e1 em grandes quantidades) vira oxig\u00eanio, precipita em chuva e ajuda a dar mais for\u00e7a para a atmosfera local. O g\u00e1s carb\u00f4nico preso como gelo seco nos p\u00f3los daria mais for\u00e7a para a atmosfera e refor\u00e7aria o efeito estufa. Ainda precisar\u00edamos de um g\u00e1s inerte para completar o ciclo, mas provavelmente ter\u00edamos algo bem mais pr\u00f3ximo da Terra no final das contas.<\/p>\n<p>E talvez nem precisemos de tanto g\u00e1s importado assim, s\u00f3 de aquecer o planeta de seus g\u00e9lidos -125 graus Celsius no inverno, j\u00e1 ajudaria bastante com o derretimento do gelo que j\u00e1 existe por l\u00e1. E aqui, temos ideias mirabolantes para ajudar no processo. O Sol j\u00e1 produz muita energia naturalmente, o problema \u00e9 que pouca dela realmente acerta a superf\u00edcie marciana. Podemos resolver isso com gigantescos espelhos na \u00f3rbita do planeta, concentrando energia solar no solo e esquentando Marte na for\u00e7a bruta. Como planetas tem pontos est\u00e1veis em suas \u00f3rbitas, esses espelhos poderiam ficar sempre focados nos mesmos lugares, preferencialmente perto dos polos. Outra estrat\u00e9gia \u00e9 fazer uma esp\u00e9cie de \u201cblack planet\u201d em Marte: pintando seu solo de cores bem escuras para absorver mais do calor vindo do Sol. Nas luas marcianas h\u00e1 muita poeira escura que poderia ser transportada para a superf\u00edcie planet\u00e1ria. \u00c9 um processo um pouco mais lento, mas tamb\u00e9m gera o calor necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>E n\u00e3o podemos esquecer o poder da vida: desde que protegidas por alguma constru\u00e7\u00e3o especial, algas e bact\u00e9rias produtoras de oxig\u00eanio (que j\u00e1 criaram a atmosfera terrestre) podem ser enviadas para l\u00e1 com o objetivo de transformar a atmosfera em algo muito mais respir\u00e1vel. Ainda precisar\u00edamos de outras formas de importa\u00e7\u00e3o de gases para dar volume ao ar marciano, mas \u00e9 uma alternativa que permite que o planeta tenha menos \u00e1gua do que esperamos sem inviabilizar o projeto. E, querendo ou n\u00e3o, \u00e9 o \u00fanico processo que temos certeza que funciona: a Terra n\u00e3o tinha uma fra\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio que tem hoje antes desses min\u00fasculos seres vivos os disponibilizarem para a vida mais complexa.<\/p>\n<p>Depois que a atmosfera marciana se tornar mais densa, o ponto de ebuli\u00e7\u00e3o da \u00e1gua volta para padr\u00f5es mais aceit\u00e1veis. Porque depois do \u00f3bvio problema do oxig\u00eanio, a segunda preocupa\u00e7\u00e3o de uma atmosfera t\u00e3o leve \u00e9 que qualquer l\u00edquido que entrar em contato com ela come\u00e7a a se transformar em g\u00e1s. O que n\u00e3o \u00e9 nada agrad\u00e1vel para seres que s\u00e3o 70% \u00e1gua, como n\u00f3s. Seja pela importa\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia ou diretamente nitrog\u00eanio em largas quantidades, Marte se tornaria quase t\u00e3o toler\u00e1vel quanto o topo de uma montanha. A temperatura seria baix\u00edssima, mas j\u00e1 poss\u00edvel de ser combatida com roupas quentes (n\u00e3o pressurizadas) e uma m\u00e1scara provendo o oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>P\u00e9ssimo para piqueniques, mas dentro do razo\u00e1vel para trabalhar com ajuda de m\u00e1quinas. A radia\u00e7\u00e3o ainda seria um problema, contanto. Mesmo com uma atmosfera mais densa, n\u00e3o podemos esquecer que \u00e9 o campo magn\u00e9tico que faz o grosso da prote\u00e7\u00e3o contra as part\u00edculas que vem do Sol. N\u00e3o adianta muito morrer de c\u00e2ncer um m\u00eas depois. E a partir daqui, as coisas ficam mais ambiciosas: embora seja poss\u00edvel viver em Marte com uma atmosfera mais densa e passar boa parte do dia protegido da radia\u00e7\u00e3o, para tirar nota 10 mesmo, s\u00f3 se der para viver tempo suficiente para ter filhos no planeta vermelho.<\/p>\n<p>Por isso, precisamos dar um jeito nesse campo magn\u00e9tico. E existem algumas alternativas. A mais hardcore \u00e9 mandar todo tipo de cometa, asteroide e at\u00e9 mesmo algumas luas em rota de colis\u00e3o com Marte. N\u00e3o vai ser agrad\u00e1vel para quem estiver por l\u00e1, vai demorar mil\u00eanios para esfriar de novo, mas estima-se que a atividade geol\u00f3gica da Terra seja resultado de uma inf\u00e2ncia pra l\u00e1 de turbulenta do nosso planeta. Inclusive com o impacto de um planeta nem t\u00e3o menor que Marte, cujos detritos formaram a Lua. Muita pancadaria solta gases na atmosfera, adiciona \u00e1gua no planeta, derrete a superf\u00edcie para que os metais afundem no centro, e at\u00e9 mesmo geram o momento necess\u00e1rio para que ele comece a girar em alta velocidade, come\u00e7ando um novo campo magn\u00e9tico.<\/p>\n<p>Mas transformar Marte numa bola de fogo n\u00e3o \u00e9 \u00fanico caminho: com a cria\u00e7\u00e3o de longos an\u00e9is magn\u00e9ticos (feitos de metal) ao redor do planeta, podemos gerar um campo magn\u00e9tico artificial que ajudaria muito a protege-lo da radia\u00e7\u00e3o estelar. Seria uma obra de engenharia gigantesca, maior que todas as que realizamos at\u00e9 hoje (combinadas), mas tecnicamente, n\u00e3o exige inventar nada de novo, apenas coletar a mat\u00e9ria prima e colocar a m\u00e3o na massa. O campo magn\u00e9tico protegeria a atmosfera e tornaria a superf\u00edcie toler\u00e1vel para a vida. Se isso for complicado demais, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m construir uma enorme esta\u00e7\u00e3o espacial entre o Sol e Marte com o mesmo objetivo. N\u00e3o seria t\u00e3o perfeita para a produ\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico, mas com certeza exigiria menos material que fazer uma estrutura que d\u00e1 a volta num planeta.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel j\u00e1 ir construindo alguma infraestrutura no planeta ao mesmo tempo que muitos desses processos, com abrigos subterr\u00e2neos dotados de atmosfera e temperatura reguladas artificialmente. Se Marte tiver mesmo tanta \u00e1gua guardada sob a superf\u00edcie quanto esperamos, n\u00e3o vai faltar material. Terraformar um planeta \u00e9 um trabalho de gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existem truques ou atalhos. A ideia de jogar bombas at\u00f4micas em Marte \u00e9 bizarra, por exemplo: primeiro que para gerar a energia necess\u00e1ria precisar\u00edamos de todas as bombas at\u00f4micas do mundo por dia por algumas d\u00e9cadas para come\u00e7ar a fazer alguma diferen\u00e7a. E mesmo assim, sem outras t\u00e9cnicas para continuar o processo, seria apenas um desperd\u00edcio de elementos rar\u00edssimos como o Ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, e \u00e9 demorado. O planeta Terra demorou bilh\u00f5es de anos para ficar pronto, n\u00e3o \u00e9 como se desse para resolver o problema em poucos anos. N\u00f3s provavelmente vamos estar no lucro se virmos algu\u00e9m pisar em Marte antes de morrer. Mas n\u00e3o deixa de ser uma ideia divertida. E, francamente, algu\u00e9m tem que come\u00e7ar. Porque um dia desses a Terra pode n\u00e3o ser mais segura, e esp\u00e9cie sem plano B \u00e9 esp\u00e9cie extinta&#8230;<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que foi bombardeado com informa\u00e7\u00f5es, para dizer que n\u00e3o conseguimos terraformar nem o Rio de Janeiro, ou mesmo para dizer que quer um texto sobre peidos ou algo mais leve: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Demorou, mas voltamos \u00e0 s\u00e9rie: depois de falar sobre V\u00eanus, hoje vamos analisar as possibilidades de transformar Marte num planeta mais parecido com a Terra. O planeta vermelho tem muitas das caracter\u00edsticas b\u00e1sicas para se tornar habit\u00e1vel, bem mais do que o inferno que \u00e9 a superf\u00edcie venusiana. O problema \u00e9 que Marte est\u00e1&#8230; morto.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-16413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-explica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16413\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}