{"id":16540,"date":"2020-03-09T11:45:33","date_gmt":"2020-03-09T14:45:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=16540"},"modified":"2025-11-23T11:59:29","modified_gmt":"2025-11-23T14:59:29","slug":"o-dilema-da-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/03\/o-dilema-da-cura\/","title":{"rendered":"O dilema da cura."},"content":{"rendered":"<p>Uma epidemia assola o mundo. Ela vai matar todos os seres humanos se nada for feito. H\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es de tratamento e voc\u00ea deve escolher aquela que acredita ser melhor para a humanidade:<\/p>\n<p>Tratamento 1: tem 50% de chances de dar certo e salvar a todos, mas se der errado mata 70% da popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Tratamento 2: tem 35% de chances de dar certo e salvar a todos, mas se der errado mata apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: qual voc\u00ea escolhe, Tratamento 1 ou 2?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es desesperadoras exigem medidas desesperadas: eu escolheria o Tratamento 1. N\u00e3o estamos falando sobre uma doen\u00e7a com a qual podemos conviver, se nada for feito, ela vai acabar com a humanidade. E isso faz muita diferen\u00e7a na hora de tomar essa decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante considerar a seguinte conta: \u00e9 melhor uma chance de 50% de todo mundo morrer ou uma chance de 65% de todo mundo morrer? N\u00e3o d\u00e1 para contar com uma pr\u00f3xima chance de tratamento, quando a sociedade come\u00e7a a colapsar por causa de uma doen\u00e7a (ou qualquer outro motivo como guerra ou fome), h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o exponencial nas chances de algu\u00e9m bolar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Boas ideias existem em qualquer lugar, mas a capacidade de aplic\u00e1-las \u00e9 um luxo de sociedades est\u00e1veis. Se n\u00e3o fosse assim, povos perseguidos ou abandonados conseguiriam lutar de volta mesmo depois de v\u00e1rios anos, mas como o hist\u00f3rico b\u00e9lico da humanidade nos ensina, povos v\u00e3o definhando numa velocidade cada vez maior \u00e0 medida que seus n\u00fameros diminuem. A ci\u00eancia s\u00f3 floresceu de verdade com a relativa estabilidade humana nos \u00faltimos dois s\u00e9culos. Antes disso, eram s\u00f3 esfor\u00e7os muito concentrados com pouca capacidade de aplica\u00e7\u00e3o global, o que tamb\u00e9m explica a imensa desigualdade de desenvolvimento humano atual.<\/p>\n<p>O que eu quero estabelecer aqui \u00e9 o seguinte: n\u00e3o sabemos se vai ter uma segunda chance depois de tentar qualquer um dos tratamentos. Cada dia que se passa com algo reduzindo os n\u00fameros e o senso de organiza\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o reduz demais as chances de recupera\u00e7\u00e3o. Como ambos custam caro em vidas humanas e n\u00e3o param o problema original (a epidemia mortal) no caso de darem errado, faz muito sentido considerar que esse \u00e9 o \u00faltimo tiro da humanidade contra o que a est\u00e1 destruindo.<\/p>\n<p>Sem contar que um tratamento em escala global exige um esfor\u00e7o imenso de uma popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 enfraquecida pela epidemia. Pesadelo log\u00edstico dos mais assustadores: \u00e9 um grau de coordena\u00e7\u00e3o extremo e cansativo, para bilh\u00f5es. Se o tratamento n\u00e3o der certo, perdemos n\u00fameros consider\u00e1veis de pessoas e talvez at\u00e9 pior, damos uma pancada t\u00e3o forte na \u201cmoral da tropa\u201d que vai ser muito dif\u00edcil coordenar tudo de novo. Voc\u00eas realmente acham que vamos ter muitos volunt\u00e1rios e\/ou coopera\u00e7\u00e3o governamental depois de um fracasso?<\/p>\n<p>O ser humano confia na sociedade at\u00e9 certo ponto, eventualmente o instinto de sobreviv\u00eancia assume o controle e \u00e9 cada um por si. Mesmo que algu\u00e9m descubra uma cura depois, se a chave virar para uma humanidade ego\u00edsta, ela vai ter cobertura muito limitada, pois vai ser imposs\u00edvel produzir e distribuir em larga escala. Qualquer esfor\u00e7o global nessa situa\u00e7\u00e3o de epidemia mortal \u00e9 provavelmente o \u00faltimo.<\/p>\n<p>Na escala maior das coisas, \u00e9 pouco relevante quantas pessoas sobrem logo ap\u00f3s o tratamento. Sejam 30% ou 90%, estamos falando de uma humanidade desesperada e desconfiada. P\u00e9ssimo ambiente para trabalhar em pesquisas cient\u00edficas de alt\u00edssima complexidade. Mesmo no \u201cmelhor\u201d dos casos ap\u00f3s uma falha do tratamento, uma a cada dez pessoas vai ter morrido. \u00c9 f\u00e1cil substituir uma pessoa aleat\u00f3ria, mas n\u00e3o cientistas de ponta: qualquer morte nessa classe de pessoas \u00e9 um risco enorme de travar qualquer projeto em andamento. Ent\u00e3o, \u00e9 bagun\u00e7a social e falta de cabe\u00e7as pensantes em ambos os casos. Voc\u00ea n\u00e3o quer falhar no tratamento&#8230;<\/p>\n<p>E nesse contexto, eu fa\u00e7o quest\u00e3o desses 15% a mais de chance de acerto. Se voc\u00ea tivesse que tomar uma decis\u00e3o de vida ou morte, n\u00e3o gostaria de ter qualquer vantagem no potencial de sucesso? Cada ponto conta, \u00e9 uma corrida contra o fim da humanidade. E sim, eu sei que a quantidade de pessoas que morrem caso as coisas deem errado s\u00e3o muito diferentes, mas \u00e9 hora de tomar decis\u00f5es dif\u00edceis. E n\u00e3o se enganem, a diferen\u00e7a real entre a minha op\u00e7\u00e3o e a da Sally \u00e9 a presun\u00e7\u00e3o de quantos v\u00e3o morrer caso o tratamento d\u00ea errado, como eu disse anteriormente, tenho fortes motivos para acreditar que estamos lidando com um evento de extin\u00e7\u00e3o da humanidade caso as coisas n\u00e3o saiam como o esperado. Ent\u00e3o, estamos comparando 50% ou 35% de chances de salvar todo mundo contra 99% de chances de todos morrerem.<\/p>\n<p>E vamos falar sobre o elefante na sala: voc\u00ea est\u00e1 fazendo essa escolha. Vai ficar nas suas costas o resultado dessa hist\u00f3ria toda. Vamos falar da chance de sucesso primeiro: se voc\u00ea fez uma escolha com menos chances de sucesso e menor risco, as pessoas v\u00e3o te admirar caso d\u00ea certo, mas n\u00e3o vai ser uma hist\u00f3ria t\u00e3o saborosa. \u201cPessoa assume um pequeno risco de fracasso e salva a humanidade\u201d. Bacana, eu acho. Mas v\u00e3o saber que voc\u00ea deu sorte com a cura, e sorte n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o heroico assim. \u00c9 psicol\u00f3gico: se a pessoa sabe que voc\u00ea tinha 35% de acertar, ela acha que voc\u00ea chutou e acertou. Se ela sabe que voc\u00ea tinha 50%, parece que voc\u00ea sabia o que estava fazendo.<\/p>\n<p>Agora, se voc\u00ea deu All-In e preferiu olhar para as chances de sucesso, vai ser o rockstar\/rei das gera\u00e7\u00f5es futuras. \u201cContra todas as chances, pessoa salva a humanidade\u201d. Povo gosta de decis\u00f5es emocionantes, mesmo que voc\u00ea tenha feito a escolha mais l\u00f3gica e racional (lembre-se, n\u00e3o tem essa de matar um d\u00e9cimo das pessoas e ter uma segunda chance de cura numa popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 morrendo aos montes pela epidemia). Vai ter um legado eterno de gl\u00f3rias: est\u00e1tuas, m\u00fasicas e homenagens em geral. Seu nome vai ser o mais escolhido para rec\u00e9m-nascidos. Talvez n\u00e3o seja o seu desejo com essa escolha, n\u00e3o \u00e9 necessariamente o meu, mas ser paparicado por toda a humanidade at\u00e9 o fim da sua vida \u00e9 um bom destino, n\u00e3o?<\/p>\n<p>E, c\u00e1 entre n\u00f3s&#8230; se tudo der errado, \u00e9 melhor ter 30% da humanidade querendo te matar do que 90%. N\u00e3o estou dizendo que voc\u00ea deve fazer a escolha para reduzir a sua chance de se ferrar depois, mas que \u00e9 um bom complemento para o argumento original. Se 70% da humanidade morrer, ningu\u00e9m vai conseguir sequer te achar, sem contar que estatisticamente, voc\u00ea j\u00e1 vai ter morrido mesmo.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para me chamar de ego\u00edsta, para dizer que a gente tem muito tempo livre (quem me dera), ou mesmo para dizer que escolheria a 1 para ter mais chance de matar todo mundo mesmo: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Tratamento 2, pois, se der errado, \u00e9 o que vai matar menos gente. Se derem certo ambos salvam toda a humanidade, mas, se derem errado, o 1 dizima 70% da popula\u00e7\u00e3o, enquanto o 2 mata apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O impacto para a humanidade \u00e9 menor, perder 10% da popula\u00e7\u00e3o permite que o ser humano continue seguindo seu curso, ainda que possa gerar muita dor e sofrimento para muitos. Por\u00e9m, se 70% da popula\u00e7\u00e3o for dizimada, eu sinceramente duvido que a gente consiga manter a roda girando. Desde institui\u00e7\u00f5es financeiras at\u00e9 servi\u00e7os b\u00e1sicos como luz el\u00e9trica e \u00e1gua encanada, acho que tudo colapsaria no mundo.<\/p>\n<p>Se eu tivesse que fazer essa escolha eu focaria no caminho que proporciona as melhores chances de manter uma humanidade funcional. Acho gan\u00e2ncia arriscar a matar mais da metade das pessoas do mundo em troca de mera probabilidade: s\u00f3 pelas chances de sucesso serem maiores. As chances de sucesso do Tratamento 1 s\u00e3o de 50%, ou seja, nem ao menos s\u00e3o favor\u00e1veis, tudo pode acontecer. N\u00e3o vou arriscar a vida da maioria dos habitantes do planeta por uma chance t\u00e3o pouco promissora. O custo-benef\u00edcio n\u00e3o compensa, do meu ponto de vista.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea quem sempre diz que o planeta ficaria melhor sem o ser humano?\u201d. Sim. E ficaria mesmo. Mas no exemplo a minha escolha deve ser pautada no que \u00e9 melhor para a humanidade. O que eu acho melhor para a humanidade \u00e9 reduzir ao m\u00ednimo a perda de vidas. N\u00e3o dou 60% de mortes a mais por apenas mais 15% de chances do tratamento dar certo. N\u00e3o \u00e9 uma partida de poker, estamos falando de vidas humanas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se eu e a maior parte da humanidade queremos viver em um mundo onde n\u00e3o h\u00e1 mais internet, carros funcionais, \u00e1gua encanada, sistema de esgoto ou luz el\u00e9trica. Ao eliminar 70% da popula\u00e7\u00e3o mundial certamente eliminar\u00edamos m\u00e3o de obra essencial para manter esse sistema global funcionando e, ao menos por um tempo, at\u00e9 solucionar o problema, voltar\u00edamos a viver de forma bem prec\u00e1ria e rudimentar. J\u00e1 est\u00e1 ruim como est\u00e1, se piorar a infraestrutura vai ficar dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Minha escolha \u00e9, basicamente, sacrificar 10% da humanidade para tentar manter todos vivos. A outra escolha \u00e9 sacrificar 70% da humanidade para tentar manter todos vivos com 15% de chances a mais. O benef\u00edcio \u00e9 muito pouco perto da perda que teremos se tudo der errado. E sim, as coisas \u00e0s vezes d\u00e3o errado, principalmente quando as chances s\u00e3o meio a meio, tudo pode acontecer. Fazer uma escolha dessas apenas torcendo para o melhor \u00e9 ser irrespons\u00e1vel, tem que pensar em todos os cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o gostaria de viver a minha vida sabendo que eu fui respons\u00e1vel pela morte de 70% da humanidade. N\u00e3o seria agrad\u00e1vel viver sabendo que matei 10% da humanidade, mas seria menos devastador. Acredito que a pr\u00f3pria humanidade ficaria muito menos revoltada comigo se apenas 10% das pessoas morressem. Uma perda de 70% poderia gerar uma grande barb\u00e1rie. Por mais que 30% da popula\u00e7\u00e3o restante seja pouca gente quando pensamos em uma humanidade, pense em 30% de dois bilh\u00f5es de pessoas, todos putos com voc\u00ea. \u00c9 bastante gente.<\/p>\n<p>\u00c9 o tipo de decis\u00e3o ingrata: se voc\u00ea acerta e salva todos, foi pura sorte (50 a 50% se define por mera sorte). Mas se voc\u00ea erra, h\u00e1 responsabilidade, pois voc\u00ea escolheu a quantidade de pessoas que iriam morrer. Ent\u00e3o, o grande peso dessa escolhe vem quando ela d\u00e1 errado. \u00c9 na hora do erro que a humanidade vai te cobrar. Boa sorte a\u00ed para quem acha que 30% da humanidade puta\u00e7a \u00e9 pouca gente, principalmente quando tiverem que encarar essa putez na maior precariedade.<\/p>\n<p>Isso sem contar os motivos ego\u00edsticos. A probabilidade de voc\u00ea matar mais pessoas amadas cresce quando voc\u00ea arrisca a vida de 70% da humanidade. Se morrer 10%, pode ser que n\u00e3o morra ningu\u00e9m do seu c\u00edrculo de pessoas queridas, mas se morrerem 70%, as chances de perder uma pessoa querida aumentam bastante. Pensa a\u00ed no peso de perder uma m\u00e3e, um marido, um filho e me diz qual seria a melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho que a grande premissa deste problema \u00e9: o quanto de vidas humanas voc\u00ea est\u00e1 disposto a arriscar para tentar conseguir um resultado mais favor\u00e1vel? Minha vis\u00e3o: o m\u00ednimo poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 sobre vencer uma aposta sobre o que vai dar certo, \u00e9 sobre escolher quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es menos tr\u00e1gicas para a humanidade a curto e longo prazo.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o grande problema de decidir algo que n\u00e3o afeta s\u00f3 voc\u00ea: ao se apropriar do poder de decis\u00e3o dos outros, \u00e9 preciso deixar de lado suas convic\u00e7\u00f5es pessoais, suas cren\u00e7as e crit\u00e9rios. \u00c9 uma decis\u00e3o global, n\u00e3o pode ser tomada com o seu umbigo. Voc\u00ea tem que tentar pensar como coletividade, pelo bem comum. Qual \u00e9 a melhor decis\u00e3o para a humanidade, como coletividade?<\/p>\n<p>Eu acredito que para a sobreviv\u00eancia da humanidade, o Tratamento 2 seja mais adequado, uma vez que nenhum dos dois tem boas chances de sucesso, mas um deles tem resultados catastr\u00f3ficos em caso de insucesso.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que voc\u00ea optaria por tratamento nenhum para que toda a humanidade morra, para dizer que ainda est\u00e1 confuso com a matem\u00e1tica ou ainda para dizer que Somir nunca foi muito bom em calcular riscos: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma epidemia assola o mundo. Ela vai matar todos os seres humanos se nada for feito. 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