{"id":16554,"date":"2020-03-13T12:00:38","date_gmt":"2020-03-13T15:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=16554"},"modified":"2020-03-13T05:44:06","modified_gmt":"2020-03-13T08:44:06","slug":"cor-estranha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/03\/cor-estranha\/","title":{"rendered":"Cor estranha."},"content":{"rendered":"<p>Este texto vai parecer uma sess\u00e3o de terapia no come\u00e7o, mas eu prometo que se voc\u00ea resistir, existe um ponto para ser argumentado no final. Vamos l\u00e1? Eu comecei a ficar incomodado com casais formados por homens negros e mulheres brancas na m\u00eddia em geral. Filmes, s\u00e9ries, propagandas&#8230; onde quer que aparecessem, eu tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que algo estava errado.<!--more--><\/p>\n<p>Se eu fosse famoso, estagi\u00e1rios de jornalismo do pa\u00eds todo j\u00e1 estariam salivando neste momento, copiando e colando a introdu\u00e7\u00e3o sem contexto nenhum em seus artigos e s\u00f3 esperando a chuva de cliques e o inevit\u00e1vel linchamento social. Mas, por sorte, eu sou um Z\u00e9 Ningu\u00e9m e posso tentar me redimir nos pr\u00f3ximos par\u00e1grafos.<\/p>\n<p>Importante mencionar, especialmente para os leitores mais novos, que eu nunca fui conservador; na verdade, para os padr\u00f5es de polariza\u00e7\u00e3o atuais, boa parte dos textos que eu escrevi aqui s\u00e3o de \u201cturma dos direitos humanos\u201d para baixo. E no contexto inverso, nossa posi\u00e7\u00e3o menos fan\u00e1tica sobre quest\u00f5es mais progressistas acabou nos fazendo ser acusados de bolsominions tamb\u00e9m. Complicado ficar no meio desse tiroteio.<\/p>\n<p>Complicado n\u00e3o s\u00f3 pelas cr\u00edticas alheias, mas tamb\u00e9m para encontrar uma linha guia interna. O ru\u00eddo de ambos os lados fica ensurdecedor. E voltando ao tema deste texto, gerou uma disson\u00e2ncia cognitiva das grandes me ver cismando com casais inter-raciais. Eu nunca fui disso. Fazia pouco de quem tinha esse tipo de encana\u00e7\u00e3o racista, chamava de burro ou pior. E da\u00ed a cor das pessoas de um casal?<\/p>\n<p>Digo mais: toda vez que convivi (vida real mesmo) com um casal de ra\u00e7as diferentes, n\u00e3o senti nada disso. N\u00e3o bati palma nem critiquei, porque ambos os casos s\u00e3o sinal de problema na cabe\u00e7a. Claro que voc\u00ea nota, duvide muito de quem diz que n\u00e3o v\u00ea cor de pele (a n\u00e3o ser que seja cego), mas \u00e9 meio como julgar um casal pelas cores dos cabelos de ambos: n\u00e3o vale as calorias gastas pelo c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Mas, para minha surpresa, aquelas imagens de casais de cores diferentes foram lentamente pedindo passagem no meu limitado foco de aten\u00e7\u00e3o di\u00e1rio. Saltava \u00e0 vista, como meu inconsciente estivesse percebendo alguma coisa que ainda n\u00e3o conseguia transformar em pensamento coerente. S\u00f3 que sou humano, falho por natureza. A decis\u00e3o foi suprimir isso pelo m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel, como se eu fosse ganhar essa batalha e restaurar minha posi\u00e7\u00e3o anterior de n\u00e3o ligar para isso.<\/p>\n<p>Eu com certeza n\u00e3o precisava de mais uma coisa me incomodando sobre o mundo moderno, e evidente, n\u00e3o queria olhar para dentro e descobrir que eu era um babaca inseguro e racista. Porque normalmente isso vem no pacote de ficar reclamando de casais entre brancos e negros. Justo eu? Eu me achava t\u00e3o melhor que isso. Ent\u00e3o, o plano foi tra\u00e7ado: toda vez que viesse essa sensa\u00e7\u00e3o, eu me chamaria de babaca internamente e prestaria aten\u00e7\u00e3o em outra coisa. Iria passar.<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o deu certo. Com o passar do tempo, aquelas imagens ficavam mais e mais n\u00edtidas para os olhos. Reprimir costuma ser uma p\u00e9ssima solu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, chegou a hora de ser adulto e lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Vamos l\u00e1, vamos pensar no que \u00e9 isso, e seja l\u00e1 o que estiver me incomodando, vai ser confrontado! Como eu n\u00e3o sou uma pessoa divertida em festas, desenvolvi duas hip\u00f3teses e fiz uma autoan\u00e1lise. Na hip\u00f3tese um, eu era um racista no arm\u00e1rio e n\u00e3o queria ver a ra\u00e7a branca misturada com outras. Todo aquele papo de chamar racistas de burros era s\u00f3 uma defesa para n\u00e3o me sentir culpado.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese um explicava a rea\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o o sentimento. Continuo argumentando que todo mundo \u00e9 muito mais racista do que gosta de dizer, seja l\u00e1 a cor que tiver, n\u00e3o faltam exemplos de negros, orientais e todas as outras combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis exibindo o comportamento. Faz parte do ser humano julgar tudo por padr\u00f5es e se organizar em grupos de caracter\u00edsticas parecidas. Ent\u00e3o, mesmo admitindo o meu racismo \u201cinevit\u00e1vel\u201d, ele n\u00e3o era forte o suficiente para isso. O meu desinteresse por pureza racial continuava&#8230; puro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, era hora de hip\u00f3tese dois: reserva de mercado. Uma esp\u00e9cie de possessividade sobre as mulheres brancas em geral. Essa hip\u00f3tese tamb\u00e9m pode ser chamada de masculinidade fr\u00e1gil e inseguran\u00e7a rid\u00edcula tamb\u00e9m. S\u00f3 faltava querer que mulheres sejam obrigadas a ficar com voc\u00ea por conta de algo que nem escolheu. Com certeza n\u00e3o quero ser um desses homens fracos, mas se a verdade era essa, o \u00fanico caminho para n\u00e3o ser um banana era lidar com o problema.<\/p>\n<p>Mas, novamente, n\u00e3o era o sentimento certo. Estava chegando mais perto, isso era claro, mas n\u00e3o perto o suficiente. N\u00e3o era como se eu estivesse com inveja: ser branco tem muitas vantagens nesse mercado amoroso. \u00c9 que nem candidato nas elei\u00e7\u00f5es: mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tenha muita gente que prefira exclusivamente voc\u00ea, s\u00f3 o fato de ter pouca rejei\u00e7\u00e3o j\u00e1 te coloca numa posi\u00e7\u00e3o muito boa. A forma como essa vantagem foi conquistada n\u00e3o foi justa, mas que ela existe, existe.<\/p>\n<p>Por algum tempo, fiquei nesse impasse. As duas hip\u00f3teses avan\u00e7aram o processo, mas n\u00e3o o suficiente para me dar uma resolu\u00e7\u00e3o. Continuava com aquela coisa mal resolvida na vida. Foi quando uma imagem aleat\u00f3ria num comercial abriu os caminhos da mente. Eu notei um recorte meio pregui\u00e7oso no cabelo da mulher, algo que s\u00f3 algu\u00e9m que conhece bem a parte t\u00e9cnica notaria, irrelevante para o cidad\u00e3o comum. E isso fez toda a diferen\u00e7a. Por qu\u00ea? Porque era um homem branco com uma mulher negra na arte.<\/p>\n<p>Explico: o fato de n\u00e3o ter dado a m\u00ednima para a cor das pessoas e ter ido pegar um probleminha t\u00e9cnico quase impercept\u00edvel no trabalho de quem fez aquele comercial me dizia que o bom e velho desinteresse na ra\u00e7a das pessoas de um casal estava de volta. N\u00e3o sabia o que tinha feito para conseguir aquilo, mas curti aquele momento do mesmo jeito. Pronto, resolvido!<\/p>\n<p>At\u00e9 ver um casal de homem negro e mulher branca na m\u00eddia novamente. Parecia de volta \u00e0 estaca zero, pois me incomodou. Mas, o trabalho de pensar nisso e formular as hip\u00f3teses pagou seus dividendos: agora eu tinha dois casos para comparar. Por que um me incomodou e outro n\u00e3o? A diferen\u00e7a era a cor da mulher? Ou&#8230; pera\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a era que de cada 100 casais inter-raciais na m\u00eddia, 99 s\u00e3o formados por homens negros e mulheres brancas. Eu n\u00e3o me lembrava de muitos exemplos de combina\u00e7\u00f5es diferentes. Branca e asi\u00e1tico? Rar\u00edssimo. Indiano e branca? N\u00e3o \u00e9 comum. Negra e asi\u00e1tico ent\u00e3o? Se lembrar de um est\u00e1 no lucro. A representa\u00e7\u00e3o de casais de homens negros e mulheres brancas \u00e9 muito maior que as outras! Muito mesmo! E desconfio que deva estar muito pr\u00f3ximo dos n\u00fameros de casais de negros na m\u00eddia.<\/p>\n<p>O sentimento bateu. Era exatamente isso. Meu c\u00e9rebro estava me avisando de um padr\u00e3o estranho sim. Ele n\u00e3o vinha com um sentimento de inadequa\u00e7\u00e3o ou derrota como eu estava tentando for\u00e7ar com as hip\u00f3teses, na verdade, era bem mais simples: \u201cei, j\u00e1 notou como esse padr\u00e3o est\u00e1 se repetindo cada vez mais?\u201d. Ao inv\u00e9s de s\u00f3 olhar para isso e tentar fazer sentido, eu acabei me enrolando em narrativas super complicadas sobre a psique humana e meu medo de ser um escroto inseguro.<\/p>\n<p>E o inconsciente vai mais longe. N\u00e3o s\u00f3 estava me dando uma percep\u00e7\u00e3o bem simples sobre um fato que acontece na m\u00eddia moderna, como tamb\u00e9m estava passando junto o interesse por desenrolar a hist\u00f3ria com o inc\u00f4modo que vinha junto. N\u00e3o, n\u00e3o era um problema com o fato de duas pessoas cuja cor de pele \u00e9 diferente formarem um casal, \u00e9 o uso dessa imagem como ferramenta de propaganda pol\u00edtica; e uma das mais burras.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea n\u00e3o tenha essa mesma impress\u00e3o, mas depois de ler este texto, eu garanto que voc\u00ea vai come\u00e7ar a ver esse desequil\u00edbrio. Para a m\u00eddia dos dias atuais, promover rela\u00e7\u00f5es inter-raciais significa na sua imensa maioria gerar uma combina\u00e7\u00e3o bem espec\u00edfica entre um homem negro e uma mulher branca. Esse \u00e9 o s\u00edmbolo da mistura entre ra\u00e7as. E isso \u00e9 um problema&#8230;<\/p>\n<p>Um problema porque h\u00e1 um s\u00edmbolo, para come\u00e7o de conversa. Diversidade n\u00e3o \u00e9 contratar s\u00f3 mulher ou fazer um filme s\u00f3 com atores negros, diversidade \u00e9 tentar representar igualmente as diversas combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da humanidade. E com certeza h\u00e1 algo de muito nobre nessa busca. Podemos fazer melhor que a branquid\u00e3o infinita da m\u00eddia ocidental at\u00e9 poucas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Mas, como estava dizendo, por mais que diversidade tenha seu valor, ela n\u00e3o pode vir com esse tipo de v\u00edcio ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Porque isso denota que tem algo muito podre por tr\u00e1s do processo: n\u00e3o \u00e9 exatamente sobre promover imagens saud\u00e1veis da mistura do ser humano, \u00e9 muito mais sobre tentar mexer com pontos fracos do inimigo. E \u00e9 aqui que eu digo que toda aquela enrola\u00e7\u00e3o da primeira parte do texto tem fun\u00e7\u00e3o: se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um homem branco, provavelmente n\u00e3o tem aquelas ideias t\u00e3o internalizadas como eu (e muitos de nossos leitores). A combina\u00e7\u00e3o exata de homem negro e mulher branca mexe em especial com a mente do homem branco, vulgo o grande vil\u00e3o dos lacradores.<\/p>\n<p>E s\u00e3o esses lacradores que est\u00e3o produzindo boa parte da m\u00eddia que consumimos. Seja nos filmes, s\u00e9ries ou mesmo an\u00fancios, pode apostar que a maioria dos criativos envolvidos fazem parte de um mesmo grupo ideol\u00f3gico. N\u00e3o \u00e9 uma conspira\u00e7\u00e3o da URSAL, \u00e9 s\u00f3 uma tend\u00eancia entre o tipo de pessoa que segue essas carreiras. E conhecendo pelo menos a mente das pessoas da \u00e1rea publicit\u00e1ria, posso te dizer que isso nem \u00e9 t\u00e3o consciente assim. Surge com naturalidade na cabe\u00e7a dessas pessoas, \u00e9 uma chance de \u201csambar na cara do opressor\u201d. Essas pessoas sabem que os homens brancos na parte de baixo da cadeia alimentar ficam furiosos ao ver essa combina\u00e7\u00e3o entre homens negros e mulheres brancas.<\/p>\n<p>A pessoa est\u00e1 avan\u00e7ando sua agenda de diversidade, mas n\u00e3o est\u00e1 se furtando da divers\u00e3o de ir mexer com as inseguran\u00e7as de p\u00fablico que considera inimigo. Junte milhares de criativos ao redor do planeta querendo unir o \u00fatil ao agrad\u00e1vel e voc\u00ea vai ter essa representa\u00e7\u00e3o exagerada de apenas um arqu\u00e9tipo de casal inter-racial. Eu poderia lavar minhas m\u00e3os aqui e dizer que n\u00e3o atrapalha minha vida e quem fica irritado vendo isso merece sofrer mesmo, mas nunca \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe isso de ser respons\u00e1vel s\u00f3 se divertindo. Existem efeitos colaterais para essa gracinha de irritar o advers\u00e1rio custe o que custar, e um dos piores \u00e9 transformar o homem negro com a mulher branca numa esp\u00e9cie de fetiche. N\u00e3o ajuda na quest\u00e3o do racismo toda essa ideia de que o homem negro \u201crouba\u201d a mulher do branco. Pode ser hil\u00e1rio para as lacradoras produzindo o conte\u00fado, pode ser excitante para os homens com fetiche de ser cornos; mas desvaloriza a contribui\u00e7\u00e3o intelectual e a fun\u00e7\u00e3o social de uma ra\u00e7a toda. Eu tenho quase certeza que esse n\u00e3o \u00e9 o objetivo dos lacradores&#8230; quase.<\/p>\n<p>Porque, surpresa, n\u00e3o s\u00e3o os brancos que v\u00e3o pagar esse pre\u00e7o. A presun\u00e7\u00e3o de brinquedo sexual n\u00e3o facilita a mobilidade social de homens negros. Quando algu\u00e9m olha para voc\u00ea e acha que sua fam\u00edlia \u00e9 uma tara alheia materializada, fica complicado ser respeitado. Estou exagerando para estabelecer o ponto: n\u00e3o deixa de ser uma forma de escravizar um povo inteiro, posando de aliados e dando uma facada nas costas. \u201cVou te usar para atacar meu inimigo, mesmo que isso te desumanize\u201d.<\/p>\n<p>E percebam que eu s\u00f3 posso falar desse problema pelo exagero nessa representa\u00e7\u00e3o. Se outras combina\u00e7\u00f5es fossem t\u00e3o populares quanto na m\u00eddia, toda essa quest\u00e3o de fetiche ficaria isolada em nichos bem limitados, para quem quisesse ver rela\u00e7\u00f5es entre ra\u00e7as diferentes dessa forma e n\u00e3o como s\u00f3 mais um fato da vida do s\u00e9culo XXI. Parece conversa conspirat\u00f3ria, mas eu honestamente n\u00e3o vejo sequer a capacidade dessa gente de se organizar de tal forma, \u00e9 mesmo uma conflu\u00eancia de gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas com uma consequ\u00eancia nefasta.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 claro, se algu\u00e9m desse grupo de criativos ler este texto, vai escolher dizer que \u00e9 minha masculinidade fr\u00e1gil dando desculpas esfarrapadas. Ningu\u00e9m gosta de olhar para dentro e descobrir que \u00e9 ego\u00edsta e basicamente t\u00e3o podre quanto quem critica. N\u00e3o vai ter lacrador formulando hip\u00f3teses e tentando descobrir onde est\u00e1 errado, porque a presun\u00e7\u00e3o de comportamento correto \u00e9 uma defesa poderosa contra as besteiras que todos n\u00f3s fatalmente fazemos.<\/p>\n<p>S\u00f3 dividi tanto do meu processo mental neste texto porque acredito, de verdade, que vencer o medo de enxergar algo feio dentro de voc\u00ea ajuda muito a esclarecer a mente. Eu me considero curado, voltei a n\u00e3o dar a m\u00ednima para imagens de homens negros com mulheres brancas na m\u00eddia.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, minto. Uma coisa mudou: agora eu olho para o homem e acho meio sacanagem com ele&#8230;<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para me chamar de racista, para me chamar de macho fr\u00e1gil, ou mesmo para dizer que s\u00f3 o coronav\u00edrus importa agora: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto vai parecer uma sess\u00e3o de terapia no come\u00e7o, mas eu prometo que se voc\u00ea resistir, existe um ponto para ser argumentado no final. Vamos l\u00e1? Eu comecei a ficar incomodado com casais formados por homens negros e mulheres brancas na m\u00eddia em geral. Filmes, s\u00e9ries, propagandas&#8230; onde quer que aparecessem, eu tinha a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16555,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-16554","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-flertando-desastre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}