{"id":16630,"date":"2020-04-03T15:34:17","date_gmt":"2020-04-03T18:34:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=16630"},"modified":"2020-04-03T15:34:17","modified_gmt":"2020-04-03T18:34:17","slug":"e-dificil-ser-um-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/04\/e-dificil-ser-um-deus\/","title":{"rendered":"\u00c9 dif\u00edcil ser um deus."},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo do texto \u00e9 nome de um filme russo de fic\u00e7\u00e3o \u201ccient\u00edfica\u201d em preto e branco com tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o praticamente incompreens\u00edvel que eu n\u00e3o recomendaria para 99,9% das pessoas, mas que lida com a natureza humana de uma forma especialmente interessante para os dias que vivemos.<!--more--><\/p>\n<p>Vamos estabelecer melhor o filme: baseado num livro, conta a hist\u00f3ria de um futuro onde a humanidade j\u00e1 est\u00e1 explorando o espa\u00e7o. Nesse tempo, encontram um planeta extremamente parecido com a Terra, inclusive na exist\u00eancia de seres humanos, mas com v\u00e1rios s\u00e9culos de atraso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o social da Terra moderna. \u00c9 um mundo ainda na Idade M\u00e9dia, mas com uma diferen\u00e7a essencial: por l\u00e1, a Renascen\u00e7a n\u00e3o aconteceu. Quer dizer, come\u00e7ou a acontecer, mas foi reprimida violentamente pela religi\u00e3o vigente.<\/p>\n<p>Naquele mundo, as fogueiras de hereges venceram a ci\u00eancia. Livros s\u00e3o banidos e alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 punida com a pena de morte. Isso faz com que a Idade M\u00e9dia siga muito al\u00e9m que seguiu por aqui, at\u00e9 um grau de degenera\u00e7\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o terr\u00edveis. Um grupo de cientistas humanos \u00e9 enviado para o planeta para viver entre o povo local e aprender sobre seus costumes. Mas sob uma diretiva clara: n\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podem ensinar nada que o povo j\u00e1 n\u00e3o saiba, n\u00e3o podem influenciar as estruturas de poder e n\u00e3o podem matar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O livro e o filme seguem a hist\u00f3ria de Dom Rumata, um dos cientistas. Colocado na posi\u00e7\u00e3o de nobreza, como boa parte dos outros terr\u00e1queos enviados para l\u00e1, depende de seu status para sobreviver a uma realidade t\u00e3o brutalizada e insalubre. E \u00e9 aqui que precisamos separar a ideia do livro e a execu\u00e7\u00e3o do filme: a hist\u00f3ria original conta a dificuldade de Rumata de lidar com a pol\u00edtica local sem tomar partidos, especialmente por causa das rela\u00e7\u00f5es que forma com os locais. A hist\u00f3ria \u00e9 uma an\u00e1lise sobre o ser humano sob a imensa press\u00e3o das circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Aqui eu normalmente sugeriria ver o filme antes para evitar spoilers, mas francamente, eu vi o filme duas vezes j\u00e1 e n\u00e3o d\u00e1 para depreender quase nada pelo o que se passa na tela. \u201c\u00c9 dif\u00edcil ser um deus\u201d \u00e9 um dos filmes mais incompreens\u00edveis que eu j\u00e1 vi. Pelo o que eu j\u00e1 li, o livro tem uma estrutura mais tradicional de narrativa e entende-se que Rumata tem apre\u00e7o pelos seus servos e at\u00e9 se apaixona por uma jovem local, tentando salv\u00e1-los de uma esp\u00e9cie de Inquisi\u00e7\u00e3o e um grupo sedento por poder sem violar sua diretiva n\u00e3o-intervencionista.<\/p>\n<p>Mas o filme faz outra escolha: a de te chocar e desorientar. O filme \u00e9 uma obra de arte na quest\u00e3o dos cen\u00e1rios, criando uma cidadela medieval movimentada e incrivelmente detalhada. S\u00e3o milhares de figurantes em constru\u00e7\u00f5es, decora\u00e7\u00f5es e figurinos de alt\u00edssima qualidade, muito realistas. A escolha de filmar tudo em preto e branco de alto contraste faz com que tudo pare\u00e7a uma foto art\u00edstica em movimento.<\/p>\n<p>S\u00f3 que ao mesmo tempo, \u00e9 provavelmente o filme mais nojento j\u00e1 feito. As pessoas s\u00e3o, em sua imensa maioria, muito feias. Todos s\u00e3o porcos, constantemente cobertos em alguma excre\u00e7\u00e3o, a cidade vive sob constante chuva, deixando tudo um grande lama\u00e7al. Galinhas, porcos e vacas andam por todos os cantos. Todos vivem muito grudados, sempre suados e se esfregando. Eu tenho certeza que se a Sally visse, morreria de colapso est\u00e9tico nos primeiros dez minutos. Num resumo simples: o filme \u00e9 meio como o Sebasti\u00e3o Salgado fotografando uma fossa s\u00e9ptica aberta.<\/p>\n<p>E se n\u00e3o bastasse isso, h\u00e1 o elemento humano: o povo local parece sofrer de um atraso mental significativo. Todos parecem muito est\u00fapidos, sem no\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de higiene e extremamente brutalizados. Uma gente que se aglomera e se toca o tempo todo, ao ponto de n\u00e3o existir nenhuma forma de etiqueta real na rela\u00e7\u00e3o entre elas. Todos se batem, se empurram, cospem, gritam&#8230; e ningu\u00e9m parece levar isso para o lado pessoal. Isso \u00e9 especialmente comum na rela\u00e7\u00e3o entre servos e mestres, Rumata sofre um assalto constante de aten\u00e7\u00e3o invasiva de seus escravos: est\u00e3o constantemente enfiando peda\u00e7os de comida na sua cara, enfiando a m\u00e3o em qualquer lugar que acham que precisa de cuidado&#8230; \u00e9 quase como uma forma de afei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muito por esses fatores, eu garanto que n\u00e3o \u00e9 um filme que voc\u00ea v\u00ea para entender a hist\u00f3ria. O diretor decidiu que o roteiro ficaria escondido atr\u00e1s de uma bagun\u00e7a visual indecifr\u00e1vel: a c\u00e2mera fica pr\u00f3xima da a\u00e7\u00e3o, sendo constantemente coberta por extras que olham descaradamente para ela. Galinhas s\u00e3o jogadas para todos os lados, elementos do cen\u00e1rio eclipsam a a\u00e7\u00e3o e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel entender os di\u00e1logos no meio da cacofonia por causa das legendas. S\u00e3o pouqu\u00edssimos os momentos de calma. Voc\u00ea tem algumas dicas do que est\u00e1 acontecendo, mas \u00e9 um festival de personagens aparecendo e sumindo da hist\u00f3ria, coisas importantes acontecendo fora de cena e confus\u00e3o generalizada em quase todos os frames do v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas podem imaginar, \u00e9 o tipo do filme que divide opini\u00f5es: alguns acham uma obra de arte, outros acham um desperd\u00edcio imenso de trabalho. O filme demorou 6 anos para ficar pronto, e \u00e0s vezes vemos cen\u00e1rios espetaculares em sua complexidade sendo usados por apenas uma cena r\u00e1pida. A escolha de explodir a narrativa em milhares de peda\u00e7os desconexos e a fotografia claustrof\u00f3bica desorientam e incomodam de verdade.<\/p>\n<p>Eu detesto ficar em cima do muro, mas consigo enxergar m\u00e9ritos nas duas posi\u00e7\u00f5es: ver esse filme \u00e9 ver uma coisa que voc\u00ea nunca viu antes e provavelmente nunca vai ver depois. \u00c9 \u00fanico assim. Acho imposs\u00edvel n\u00e3o pensar sobre a condi\u00e7\u00e3o humana e n\u00e3o sentir algo poderoso com o filme, mesmo que seja horror e repulsa. N\u00e3o \u00e9 uma banana colada na parede, \u00e9 um trabalho imenso que pouqu\u00edssima gente no mundo teria condi\u00e7\u00f5es de fazer. Cobre muito bem os aspectos que eu considero essenciais para tratar algo como uma obra de arte.<\/p>\n<p>Mas, se a ideia era fazer um filme, temos problemas s\u00e9rios: a ideia de te deixar confuso seria excelente se fosse uma ferramenta que o filme usa conscientemente durante a narrativa, mas fica cansativo depois de quase tr\u00eas horas de gente feia sorrindo em closes extremos. As poucas cenas em que a c\u00e2mera permite se afastar da a\u00e7\u00e3o e te dar o contexto das coisas s\u00e3o as melhores coisas do filme. E isso \u00e9 um fracasso se sua hist\u00f3ria \u00e9 uma an\u00e1lise da condi\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s dos olhos de uma pessoa. A bagun\u00e7a faz exatamente o contr\u00e1rio do que deveria ser feito no filme: desumaniza. Voc\u00ea n\u00e3o se importa mais se algu\u00e9m vive ou morre, s\u00e3o apenas rostos colidindo com a c\u00e2mera enquanto se lambuzam de excre\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios animais.<\/p>\n<p>Claro, pode-se argumentar que essa era a inten\u00e7\u00e3o: te dessensibilizar e fazer voc\u00ea se tornar um voyeur inescrupuloso, mas a\u00ed faltou entender o que \u00e9 a hist\u00f3ria. Justamente o contr\u00e1rio. O t\u00edtulo da hist\u00f3ria j\u00e1 sugere qual o grande conflito: a rela\u00e7\u00e3o entre \u201cn\u00edveis\u201d diferentes de seres humanos. Rumata diz algumas vezes o nome do filme, porque no final das contas essa \u00e9 sua grande realiza\u00e7\u00e3o: escolher entre controle e liberdade.<\/p>\n<p>J\u00e1 vou dar o spoiler principal do filme aqui porque o filme falha em te fazer perceber que \u00e9 o momento mais importante: quando um ex\u00e9rcito estrangeiro invade a cidade para tom\u00e1-la dos fan\u00e1ticos religiosos, matam a amante de Dom Rumata. Ele perde a cabe\u00e7a e usa a tecnologia terr\u00e1quea para matar praticamente todo mundo na cidade. Como nada \u00e9 claro no filme, voc\u00ea nem percebe que ele se importava com a mulher&#8230; o filme falha terrivelmente em contar sua hist\u00f3ria. Depois que voc\u00ea entende, muita coisa se encaixa nas cenas, mas um filme n\u00e3o pode exigir que voc\u00ea tenha lido o livro antes, ou pelo menos tem que ter a educa\u00e7\u00e3o de te avisar que \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Seja como for, \u00e9 uma experi\u00eancia. N\u00e3o d\u00e1 para criticar quem gostou ou quem n\u00e3o gostou do filme. Ou mesmo quem decidir que n\u00e3o tem interesse algum em procur\u00e1-lo. N\u00e3o achei f\u00e1cil em nenhum lugar, s\u00f3 por torrent mesmo. Eu baixei a vers\u00e3o de 20GB porque sou doente mental com qualidade de v\u00eddeo, mas tem vers\u00f5es de 3GB. Quem quiser, s\u00f3 pedir que eu coloco nos coment\u00e1rios o link para baixar.<\/p>\n<p>E sendo uma experi\u00eancia, d\u00e1 o que o pensar: eu mencionei por cima, mas \u00e9 impressionante como toda aquela gente horr\u00edvel, sofredora e suja est\u00e1 quase sempre sorrindo. Em sociedades muito brutalizadas, \u00e9 comum que as pessoas se acostumem com o horror da vida cotidiana e comecem a achar tudo natural. Sabe aquele sorriso idiota de quem n\u00e3o est\u00e1 entendendo nada, mas gostando de ver a bagun\u00e7a? Todo mundo que n\u00e3o est\u00e1 imediatamente irritado no filme tem essa express\u00e3o. Em termos j\u00e1 inaceit\u00e1veis nos dias atuais, \u00e9 como se o planeta fosse ocupado por retardados.<\/p>\n<p>Imbecis que se divertem com qualquer coisa, especialmente com o sofrimento alheio. Mas, n\u00e3o \u00e9 como se houvesse mal\u00edcia verdadeira ali, s\u00f3 que \u00e9 genuinamente divertido ver algu\u00e9m apanhando, caindo ou mesmo sendo enforcado em pra\u00e7a p\u00fablica. Gente que toma um tapa na cara, d\u00e1 outro de volta e continua sorrindo. Sem m\u00e1goas, sem complica\u00e7\u00e3o, apenas vivendo exatamente o momento. Quando conhecemos Dom Rumata na hist\u00f3ria, ele j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 quase quarenta anos no planeta. Para ele, est\u00e1 normalizado enfiar a porrada em todo mundo, e isso funciona lindamente: aquele povo n\u00e3o trata viol\u00eancia como algo fora da normalidade. Ele pode quebrar o nariz de um soldado do lado do outro, e o outro vai rir. Ningu\u00e9m parece realmente se importar com esse tipo de comportamento violento.<\/p>\n<p>O que nos leva a outra caracter\u00edstica definidora daquela popula\u00e7\u00e3o: a imprevisibilidade. A mesma pessoa que est\u00e1 sorrindo bovinamente para ele um segundo antes est\u00e1 tentando enfiar uma lan\u00e7a no seu pesco\u00e7o no outro. Essa \u00e9 outra caracter\u00edstica comum de gente muito limitada: explodem sem nenhum aviso. Ou, fazem qualquer barbaridade sem pensar meia vez se est\u00e3o seguindo ordens. J\u00e1 escrevi outras vezes aqui que tenho medo real de gente burra justamente por causa disso: elas n\u00e3o d\u00e3o sinal de nada, elas n\u00e3o pensam nas consequ\u00eancias, n\u00e3o podem ser previstas com seguran\u00e7a. Est\u00e3o sorrindo para voc\u00ea e puxam uma faca como se nada, sem te odiar, sem pensar que podem ser presas ou que algo pode dar errado. S\u00f3 fazem o que surge na cabe\u00e7a a cada momento.<\/p>\n<p>Uma das realiza\u00e7\u00f5es mais sofridas de Dom Rumata na hist\u00f3ria &#8211; e isso o filme para um pouco sua insanidade para estabelecer \u2013 \u00e9 que n\u00e3o importa o que ele fa\u00e7a, as pessoas n\u00e3o aprendem com isso naquela situa\u00e7\u00e3o e v\u00e3o fazer tudo de novo na pr\u00f3xima oportunidade. A ideia de n\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o \u00e9 desnecess\u00e1ria num mundo de gente muito limitada: elas mal percebem o que est\u00e1 acontecendo normalmente. A Inquisi\u00e7\u00e3o mata os Hereges (as pessoas que pensam um pouco mais), os Mercen\u00e1rios matam a Inquisi\u00e7\u00e3o, os Hereges renascem e matam os Mercen\u00e1rios&#8230; todos muito entretidos com os pequenos poderes que tem, saqueando, estuprando e torturando quem \u00e9 mais fraco com um sorriso no rosto. Quando Dom Rumata mata centenas de soldados, s\u00f3 adianta um processo que fatalmente aconteceria.<\/p>\n<p>E por mais que a Idade M\u00e9dia n\u00e3o seja exatamente o que aprendemos que ela foi (o mundo \u00e9 muito mais que a Europa), durante um tempo a humanidade ficou presa nesses c\u00edrculos viciosos de ignor\u00e2ncia e viol\u00eancia. Per\u00edodos como a Renascen\u00e7a s\u00e3o essenciais para mudar o paradigma do que significa ser humano. De novo: n\u00e3o foi essa mudan\u00e7a m\u00e1gica toda de mentalidade como aprendemos na escola, mas foi um movimento na dire\u00e7\u00e3o certa.<\/p>\n<p>Talvez a li\u00e7\u00e3o mais aplic\u00e1vel da hist\u00f3ria seja justamente o t\u00edtulo: se voc\u00ea tem que lidar com pessoas t\u00e3o atrasadas ao ponto de voc\u00ea operar em outro n\u00edvel de pensamento, n\u00e3o ache que isso torna sua vida mais simples. Quando o meio est\u00e1 nivelado por baixo, a sua gama de op\u00e7\u00f5es fica muito reduzida. N\u00e3o adianta explicar as coisas no n\u00edvel que voc\u00ea entende, tem que saber chafurdar na lama e ver o mundo pelos olhos de quem voc\u00ea provavelmente despreza. Porque s\u00e3o essas as pessoas que definem o tipo de mundo que voc\u00ea vai viver.<\/p>\n<p>E pior, que poder \u00e9 ilus\u00e3o nessas situa\u00e7\u00f5es. Rumata tinha o poder de matar quem quisesse e liberar a cidade sozinho. Mas no final das contas n\u00e3o fez diferen\u00e7a alguma se n\u00e3o conseguiu mudar o rumo do quadro geral. Poderia ser ele, um ex\u00e9rcito estrangeiro ou uma doen\u00e7a. No final da hist\u00f3ria percebemos que ningu\u00e9m se importou com o que aconteceu.<\/p>\n<p>Pode ser que seja essa a explica\u00e7\u00e3o para o diretor fazer o filme assim: assumiu que seus poderes divinos de criar aquela hist\u00f3ria de nada serviam para quem n\u00e3o escolhesse o trabalho de entender.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que preferia ler sobre o v\u00edrus, para dizer que n\u00e3o pode deixar de perder, ou mesmo para dizer que 3 horas de filme preto e branco em russo \u00e9 pior que 3 meses de quarentena: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo do texto \u00e9 nome de um filme russo de fic\u00e7\u00e3o \u201ccient\u00edfica\u201d em preto e branco com tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o praticamente incompreens\u00edvel que eu n\u00e3o recomendaria para 99,9% das pessoas, mas que lida com a natureza humana de uma forma especialmente interessante para os dias que vivemos.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":16631,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-16630","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-descult"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16630"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16630\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}