{"id":16802,"date":"2020-05-08T14:34:41","date_gmt":"2020-05-08T17:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=16802"},"modified":"2020-05-08T14:34:41","modified_gmt":"2020-05-08T17:34:41","slug":"discutindo-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/05\/discutindo-na-internet\/","title":{"rendered":"Discutindo na internet."},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns 15 anos atr\u00e1s, eu adorava discutir na internet. Claro que alguns temas eram mais queridos, mas a mec\u00e2nica dessas discuss\u00f5es eram a parte mais divertida: argumentar, contra-argumentar, provocar, criar armadilhas l\u00f3gicas, encontrar contradi\u00e7\u00f5es, desvirtuar o discurso do advers\u00e1rio, usar e apontar fal\u00e1cias&#8230; eram tantas as possibilidades que parecia que isso nunca ia perder a gra\u00e7a. Mas s\u00f3 parecia.<!--more--><\/p>\n<p>Antes da internet, as suas op\u00e7\u00f5es de longos argumentos eram limitadas: eu posso contar nos dedos as pessoas com as quais eu conseguia desenvolver uma discuss\u00e3o racional por mais que um minuto durante essa fase. Sempre \u00e9 f\u00e1cil falar de algo quando duas pessoas concordam, somos programados para formar la\u00e7os assim, e at\u00e9 mesmo pessoas menos articuladas conseguem manter uma longa conversa quando n\u00e3o existe a press\u00e3o da discord\u00e2ncia. Mas \u00e9 s\u00f3 colocar uma diferen\u00e7a consider\u00e1vel entre elas que a frustra\u00e7\u00e3o come\u00e7a a escalar as coisas para fora de uma conversa educada.<\/p>\n<p>Por isso, aprendi a valorizar bastante quem conseguia n\u00e3o aumentar o tom de voz, partir para ofensas pessoais ou mesmo fugir para deboche puro numa dessas conversas. Na \u00e9poca da escola, eu fiquei muito amigo de alguns crentes basicamente por esse motivo: era muito divertido discutir religi\u00e3o com eles. Lembrando que era uma tempo onde crentes tinham outro status na sociedade, uma minoria que ainda tinha muita influ\u00eancia do protestantismo americano e n\u00e3o o esculacho mercantilista dos evang\u00e9licos brasileiros atuais. Pod\u00edamos discutir quest\u00f5es profundas (pelo menos para a minha idade) sobre a exist\u00eancia de deuses e sua influ\u00eancia na realidade. Essas pessoas n\u00e3o ficavam nervosas, n\u00e3o me atacavam, a coisa flu\u00eda mesmo na discord\u00e2ncia quase que completa sobre as premissas.<\/p>\n<p>E logo no come\u00e7o da minha experi\u00eancia com a internet, a minha vis\u00e3o sobre discutir qualquer tema era baseada nesse tipo de experi\u00eancia da vida real. Voc\u00ea tinha uma certa no\u00e7\u00e3o sobre quem era a pessoa antes de come\u00e7ar a ir por esse caminho. Analisava se valia a pena para voc\u00ea e s\u00f3 a\u00ed come\u00e7ava. A quest\u00e3o \u00e9 que em poucos anos, o mundo come\u00e7a a mudar imensamente. Antes mesmo de dar tempo de se adaptar, come\u00e7amos a discutir compulsivamente com qualquer um que aparecia no caminho. Mas n\u00e3o exatamente pelo amor \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o, e sim porque esse ambiente novo criava a ilus\u00e3o de estarmos sob ataque constante.<\/p>\n<p>A internet deixa rastros, nossas palavras n\u00e3o desaparecem. De repente, nos vemos no meio de uma mega discuss\u00e3o coletiva da qual n\u00e3o somos necessariamente parte, mas que chega at\u00e9 n\u00f3s do mesmo jeito. Se algu\u00e9m diz algo que \u00e9 um absurdo para voc\u00ea numa conversa que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 ouvindo, n\u00e3o faz diferen\u00e7a; mas essa mesma pessoa deixa essa opini\u00e3o escrita num lugar, n\u00e3o tem temporalidade: \u00e9 como se voc\u00ea acabasse de ouvir isso, mesmo que a outra pessoa tenha escrito isso anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>E digo mais: na vida fora da internet, se duas pessoas conversam entre elas um tema sobre o qual voc\u00ea tem o que adicionar, a educa\u00e7\u00e3o presume que voc\u00ea n\u00e3o interfira. N\u00e3o \u00e9 a sua conversa. Olhamos com estranheza para um desconhecido invadindo uma discuss\u00e3o alheia. Mas na internet, a coisa \u00e9 bem menos pessoal. Invadir uma conversa acontecendo num meio p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 visto como falta de no\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Some-se a isso boa parte da comunica\u00e7\u00e3o humana se mudando para a internet e temos uma receita de problema: acabamos todos nos sentindo dentro de milhares de discuss\u00f5es, sem mecanismos claros para evitar a sensa\u00e7\u00e3o de que somos obrigados a participar delas. A internet cria a ilus\u00e3o que est\u00e1 todo mundo falando com voc\u00ea. N\u00e3o fica clara a linha divis\u00f3ria entre o problema dos outros e os seus.<\/p>\n<p>Tudo isso para dizer que quando eu ca\u00ed de paraquedas na grande rede, essa armadilha me pegou imediatamente. Todo tipo de assunto me pertencia! E a\u00ed, come\u00e7a a surgir outra caracter\u00edstica importante do meio digital: todas as ferramentas que voc\u00ea desenvolveu em conversas da vida real come\u00e7am a falhar em discuss\u00f5es de texto. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea a outra pessoa, e n\u00e3o consegue entender mais sobre ela do que o que escreve.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para saber o estado emocional do outro lado, se voc\u00ea est\u00e1 discutindo com algu\u00e9m que est\u00e1 se divertindo com uma troca de ofensas ou se est\u00e1 estragando o dia de algu\u00e9m. Sem saber isso, um pedacinho seu come\u00e7a a atrofiar: a empatia. Empatia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ser bonzinho para n\u00e3o deixar a outra pessoa se chatear, \u00e9 uma ferramenta poderosa para avan\u00e7ar qualquer tipo de conversa. Se voc\u00ea consegue perceber o estado emocional do outro e adaptar seu discurso de acordo, n\u00e3o precisa bater tanto em escudos e normalmente seu ponto \u00e9 muito mais bem aceito.<\/p>\n<p>Vejam como a situa\u00e7\u00e3o vai se estruturando: vamos entrando num mundo onde toda discuss\u00e3o parece nos envolver e o ambiente n\u00e3o permite que voc\u00ea exer\u00e7a muita empatia. N\u00e3o \u00e9 uma surpresa que tantas pessoas tenham se tornado completos cretinos na internet. A seguran\u00e7a de estar atr\u00e1s de uma tela e n\u00e3o poder apanhar ajuda, com certeza, mas \u00e9 sempre mais complexo do que s\u00f3 um fator.<\/p>\n<p>Eu passei anos sendo um pentelho na internet, n\u00e3o necessariamente porque queria fazer mal para os outros, mas porque uma parte consider\u00e1vel da experi\u00eancia de discutir ainda era poss\u00edvel na grande rede. Aceita-se a limita\u00e7\u00e3o da empatia, invade-se conversas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente suas, mas pelo menos toma mais uma dose daquela sensa\u00e7\u00e3o divertida. Mas, ainda s\u00e3o as mesmas pessoas daquele tempo pr\u00e9-internet.<\/p>\n<p>Uma maioria que n\u00e3o sabe ou n\u00e3o gosta de discutir. Eu estava l\u00e1 brigando por qualquer bobagem em f\u00f3runs e redes sociais porque gostava do treinamento e derivava prazer do ato. Hoje em dia eu imagino que muitos dos meus advers\u00e1rios n\u00e3o estavam ganhando muito com a experi\u00eancia. Provavelmente nem queria estar discutindo sobre religi\u00e3o, pol\u00edtica, sociedade, tecnologia e todas essas coisas \u201cchatas\u201d. S\u00f3 se sentiam obrigadas a participar daquilo, afinal, tinham escrito suas opini\u00f5es na internet.<\/p>\n<p>N\u00e3o percebia naquela \u00e9poca, mas hoje \u00e9 cristalino: quem n\u00e3o gosta do assunto que est\u00e1 discutindo ou n\u00e3o gosta de discutir em geral \u00e9 muito mais propenso a se enfurecer e come\u00e7ar a fazer ataques pessoais. Eu achava que era prova ineg\u00e1vel do poder dos meus argumentos, mas considerando que boa parte dessas \u201cbrigas intelectuais\u201d de internet n\u00e3o mudam a opini\u00e3o das pessoas envolvidas, est\u00e1 na cara que na maior parte das vezes era s\u00f3 gente muito de saco cheio daquilo, mas que n\u00e3o conseguia olhar para dentro por tempo o suficiente para perceber isso.<\/p>\n<p>Tanto que agora eu sei reconhecer os sinais: quando a pessoa come\u00e7a a fazer muito alarde da pr\u00f3pria intelig\u00eancia e te desmerecer, pode apostar que o assunto n\u00e3o vai para lugar algum. \u00c9 um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o e uma esp\u00e9cie de distra\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o frustrante. Muitas vezes nem quer dizer que a pessoa \u00e9 burra e est\u00e1 disfar\u00e7ando, nem mesmo que seus argumentos n\u00e3o tenham m\u00e9rito, mas ela claramente n\u00e3o est\u00e1 no clima para aquilo. A experi\u00eancia me ensinou a cortar a discuss\u00e3o assim que percebo esses sinais, sen\u00e3o acabamos num c\u00edrculo de vicioso de \u201cAh\u00e1! Eu sabia que voc\u00ea diria isso\u201d. Como duas personagens de uma hist\u00f3ria tentando criar reviravoltas na trama ap\u00f3s a outra revelar seu plano.<\/p>\n<p>J\u00e1 foi divertido um tempo. Hoje em dia eu n\u00e3o consigo mais \u201cdesver\u201d. N\u00e3o consigo mais ignorar que existem dicas claras de quando voc\u00ea est\u00e1 gastando o seu tempo (e o da outra pessoa) com uma discuss\u00e3o in\u00fatil. Eu j\u00e1 sei que n\u00e3o vou ganhar nada, ent\u00e3o, \u00e9 masoquismo continuar.<\/p>\n<p> \u201cSomir, voc\u00ea s\u00f3 est\u00e1 ficando velho e sem paci\u00eancia. Todo mundo \u00e9 assim.\u201d<\/p>\n<p>Sim&#8230; e n\u00e3o. Uma coisa \u00e9 ter essa percep\u00e7\u00e3o na vida real, olho no olho. Nessa muita gente chega sim. Mas a internet faz diferen\u00e7a nesse contexto. Este n\u00e3o \u00e9 um texto sobre meu amadurecimento em rela\u00e7\u00f5es da vida real, e sim nas rela\u00e7\u00f5es de internet. Como eu j\u00e1 estava brigando em sites diversos h\u00e1 d\u00e9cadas, envelheci nesse contexto mais r\u00e1pido que boa parte da popula\u00e7\u00e3o mundial. O texto passa um bom texto descrevendo as diferen\u00e7as de discutir na vida real e discutir na internet justamente por isso: as suas rela\u00e7\u00f5es ao vivo n\u00e3o impactam diretamente no amadurecimento nesse contexto digital. Tem que evoluir separadamente.<\/p>\n<p>O grosso da popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 descobrindo esse ambiente agora. Por mais que pare\u00e7a que estamos emburrecendo, o mundo nunca teve tanta gente minimamente articulada como hoje em dia. E boa parte delas consegue se falar. A pancadaria online continua crescendo, e o n\u00famero de temas pol\u00eamicos parece aumentar na mesma propor\u00e7\u00e3o. Tem muita gente discutindo na internet, muita gente que n\u00e3o gosta ou n\u00e3o est\u00e1 preparada para discutir, que n\u00e3o tem prazer na troca de ideias e s\u00f3 se sente for\u00e7ada a participar porque \u00e9 o que acha que esperam dela.<\/p>\n<p>E isso vai moldando nosso momento cultural. Eu argumento aqui que a imensa maioria das pessoas nem quer ter tanta coisa para decidir na vida: de repente o cidad\u00e3o se v\u00ea pressionado a ter uma opini\u00e3o sobre crian\u00e7as trocando de sexo! Quase certeza que ele n\u00e3o queria lidar com isso, \u00e9 um tema complicad\u00edssimo, e a pessoa vai tomar pedrada de todos os lados se n\u00e3o se proteger em um grupo maior. E nem precisa ser t\u00e3o espec\u00edfico: o que o cidad\u00e3o m\u00e9dio realmente quer discutir sobre comunismo e capitalismo? S\u00e3o centenas de anos de discuss\u00e3o jogadas pra cima dele, e uma ilus\u00e3o de que ele precisa se posicionar. Se voc\u00ea diz que n\u00e3o sabe o que responder, vai ser colocado num dos grupos \u00e0 for\u00e7a pelos mais radicais.<\/p>\n<p>Eu sugiro ent\u00e3o que comecemos a olhar essa era de discuss\u00f5es como uma esp\u00e9cie de adolesc\u00eancia traum\u00e1tica da humanidade na era da internet. E n\u00e3o importa sua idade, se voc\u00ea chegou no mundo de discuss\u00f5es online recentemente, vai estar perdido por muito tempo, especialmente se ningu\u00e9m te contar o que eu estou contando agora: \u00e9 ruim para quase todo mundo, pouca gente se diverte de verdade argumentando. Voc\u00ea raramente est\u00e1 discutindo um assunto, na verdade est\u00e1 s\u00f3 fazendo um teste de resist\u00eancia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o contra outra pessoa. E se voc\u00ea n\u00e3o souber a hora de sair dali, vai ficar se sentindo cada vez pior.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia nesse campo me ensinou a trazer a empatia para o mundo virtual, mesmo com todas suas limita\u00e7\u00f5es: est\u00e1 mais f\u00e1cil perceber quem est\u00e1 sofrendo ao discutir algo com voc\u00ea e mudar o tom. Ou, \u00e0s vezes, simplesmente cortar a conversa ali mesmo. Antes eu n\u00e3o percebia, mas agora eu percebo. E considero uma a\u00e7\u00e3o maligna continuar teimando.<\/p>\n<p>Via de regra, basta observar o grau de agressividade ou de proje\u00e7\u00e3o no argumento alheio. Se est\u00e1 te xingando, n\u00e3o \u00e9 porque te odeia de verdade, \u00e9 porque odeia a sensa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 tendo naquele momento. Se te chama de imbecil, \u00e9 porque n\u00e3o aguenta mais a frustra\u00e7\u00e3o de se for\u00e7ar a continuar argumentando. \u00c9 meio que uma confiss\u00e3o: \u201ceu me sinto um imbecil de continuar a fazer isso com voc\u00ea, mas n\u00e3o sei como parar\u201d.<\/p>\n<p>Comece a perceber isso, e voc\u00ea come\u00e7a a recuperar os poderes da empatia at\u00e9 mesmo numa discuss\u00e3o na internet. Minha divers\u00e3o continua sendo discutir por a\u00ed, mas desde que seja com quem esteja demonstrando prazer genu\u00edno pelo ato. De resto, \u00e9 s\u00f3 um processo meio&#8230; bizarro de sadomasoquismo virtual. J\u00e1 me sinto sujo fazendo isso.<\/p>\n<p>E eu espero que com o passar das d\u00e9cadas, mais e mais pessoas percebam isso: que nem tudo o que est\u00e1 escrito foi escrito para elas, e que voc\u00ea n\u00e3o muda nada em voc\u00ea ou no mundo quando discute com quem odeia aquela discuss\u00e3o. As brigas n\u00e3o v\u00e3o desaparecer, afinal, na vida real elas nunca pararam, mas o clima geral tende a acalmar, por mais que pare\u00e7a o contr\u00e1rio agora.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 decidi parar. Tenho e ainda vou ter reca\u00eddas, mas quando voc\u00ea enxerga de verdade o que est\u00e1 fazendo, fica muito mais f\u00e1cil seguir em frente.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que vai cobrar pela sess\u00e3o de terapia, para dizer que eu s\u00f3 estou arranjando desculpa para ser frouxo, ou mesmo para dizer que esse texto \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns 15 anos atr\u00e1s, eu adorava discutir na internet. 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