{"id":17094,"date":"2020-07-15T15:13:36","date_gmt":"2020-07-15T18:13:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=17094"},"modified":"2020-07-15T15:13:36","modified_gmt":"2020-07-15T18:13:36","slug":"axiomas-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/07\/axiomas-da-midia\/","title":{"rendered":"Axiomas da m\u00eddia."},"content":{"rendered":"<p>O axioma \u00e9 um termo da l\u00f3gica que significa uma afirma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre a qual se constr\u00f3i sua ideia. Normalmente \u00e9 baseado em algo \u00f3bvio ou um consenso entre a maioria das pessoas, ou seja, algo que voc\u00ea n\u00e3o precisa ficar provando toda vez que quer falar sobre um tema. Descrevendo assim parece um conceito complexo, mas \u00e9 algo absolutamente natural a qualquer conversa entre duas pessoas. Sem axiomas, n\u00e3o nos entendemos, porque com premissas muito diferentes, as conclus\u00f5es costumam ser tamb\u00e9m muito diferentes. E eu acredito que esse conceito \u00e9 muito importante para lidar com toda essa quest\u00e3o de m\u00eddia manipuladora e fake news que assola a sociedade moderna.<!--more--><\/p>\n<p>Com cada vez mais gente se informando por manchetes e resumos, o mundo vai parecendo mais e mais confuso: cada um diz uma coisa, todos se acusam de mentirosos, lados completamente opostos citam pesquisas e especialistas dizendo coisas opostas&#8230; como se informar no meio desse caos, como n\u00e3o cair em mentiras, boatos infundados ou conspira\u00e7\u00f5es bizarras nesse ambiente?<\/p>\n<p>A minha sugest\u00e3o \u00e9 aderir a alguns axiomas sobre a m\u00eddia de massa e imprensa em geral. Partindo desses princ\u00edpios, fica mais simples processar a informa\u00e7\u00e3o que chega at\u00e9 voc\u00ea diariamente. Eu fiz o m\u00e1ximo para n\u00e3o tornar nenhum deles partid\u00e1rios ou tendenciosos, mas n\u00e3o \u00e9 como se imparcialidade fosse uma ci\u00eancia exata&#8230;<\/p>\n<p><strong>1 \u2013 N\u00e3o existe imprensa ou m\u00eddia imparcial:<\/strong> toda informa\u00e7\u00e3o que precisa de um interlocutor (esteja essa pessoa sendo filmada, gravada ou escrevendo) corre o s\u00e9rio risco de ser modificada pelas cren\u00e7as pessoais desse interlocutor. No dia a dia, essa parcialidade costuma ser bem expl\u00edcita, a maioria de n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1 falando para grandes p\u00fablicos e pode colocar a opini\u00e3o bem no meio de um relato sem maiores consequ\u00eancias. Sua fam\u00edlia ou amigos j\u00e1 sabem mais ou menos como voc\u00ea pensa e voc\u00ea dificilmente sofre consequ\u00eancias s\u00e9rias por dar uma informa\u00e7\u00e3o tendenciosa.<\/p>\n<p>Agora, quando falamos de profissionais da \u00e1rea, aqueles que trabalham para grandes reda\u00e7\u00f5es ou que mesmo sozinhos j\u00e1 tem um p\u00fablico grande o suficiente, essa impress\u00e3o de parcialidade no fato pode ser bem mais discreta: o jornalista que apura, o editor que analisa e o apresentador que leva para o p\u00fablico final colocam um pouco da sua vis\u00e3o de mundo na informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o precisam nem querer fazer isso, \u00e9 autom\u00e1tico: se analisam um caso de viol\u00eancia entre bandidos e policiais, alguns v\u00e3o ver as dificuldades pelas quais os policiais passam no trabalho, outros v\u00e3o ver os abusos que cometem contra a popula\u00e7\u00e3o. O fato compreende os dois lados, mas quando ele \u00e9 contado para outra pessoa, a parte que ganha mais destaque \u00e9 a que tem mais suporte interno na mente de quem conta.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m consegue desligar isso. O c\u00e9rebro n\u00e3o permite imparcialidade absoluta, at\u00e9 por isso revis\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o importante no jornalismo: n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel para a imprensa que s\u00f3 uma pessoa tenha controle sobre a informa\u00e7\u00e3o, afinal, ela vai acabar deixando vazar suas opini\u00f5es pessoais de alguma forma, querendo ou n\u00e3o. Isso quer dizer que ningu\u00e9m manipula informa\u00e7\u00e3o propositalmente? Claro que n\u00e3o. O que n\u00e3o falta \u00e9 gente misturando jornalismo direto com opini\u00e3o para mexer com a opini\u00e3o p\u00fablica, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim saber se a pessoa est\u00e1 fazendo isso propositalmente ou n\u00e3o. Imparcialidade \u00e9 muito complicada.<\/p>\n<p><strong>2 \u2013 Mentiras custam caro:<\/strong> todo mundo adora dizer que a Globo mente. N\u00e3o coloco minha m\u00e3o no fogo pela corre\u00e7\u00e3o dos dados dessa empresa e de qualquer outra, mas parece que algo muito b\u00e1sico passa batido pela maioria das pessoas: em toda \u00e1rea do conhecimento humano, existem pelo menos alguns milhares de pessoas nesse mundo capazes de reconhecer informa\u00e7\u00f5es falsas. E num mundo com tantas sociedades vivendo como democracias com liberdade de express\u00e3o, \u00e9 muito complicado empurrar uma mentira absurda, especialmente se voc\u00ea tem uma grande plateia. Essas pessoas falam.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o quer dizer que Globo e outros grandes ve\u00edculos de m\u00eddia nunca dizem coisas falsas, h\u00e1 muita coisa errada chegando ao p\u00fablico final todos os dias, mas \u00e9 importante entender a diferen\u00e7a entre um conspirador no YouTube falando sobre os planos secretos de pol\u00edticos e uma mat\u00e9ria sobre uma figura p\u00fablica feita por jornalistas: embora ambos os casos possam conter informa\u00e7\u00f5es erradas, a gravidade das conclus\u00f5es \u00e9 completamente diferente. O lobo solit\u00e1rio pode dizer basicamente o que quiser protegido pela obscuridade. Pode dizer que existem alien\u00edgenas transformando seus filhos em transsexuais ou que o presidente mandou matar a Marielle Franco, porque raramente isso vai dar em alguma coisa para ele.<\/p>\n<p>Mas vai o Bonner dizer uma dessas coisas no Jornal Nacional, vai&#8230; n\u00e3o s\u00f3 aparece um ex\u00e9rcito de pessoas para apontar inconsist\u00eancias, como a emissora \u00e9 processada por mil pessoas diferentes. Seria uma trag\u00e9dia para a empresa dizer qualquer coisa grave do tipo sem ter provas. Quando a imprensa profissional d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es erradas, normalmente n\u00e3o o faz dessa forma, \u00e9 algo mais sutil, provavelmente mais ligado ao primeiro axioma do que uma mentira deslavada.<\/p>\n<p>Em basicamente qualquer pa\u00eds democr\u00e1tico do mundo, se a m\u00eddia de massa diz uma mentira absurda, corre o s\u00e9rio risco de ir \u00e0 fal\u00eancia com perda de credibilidade, anunciantes e espectadores, al\u00e9m de processos muito custosos para pagar. N\u00e3o precisa ter ningu\u00e9m l\u00e1 dentro defendendo a verdade por ideologia, s\u00f3 precisa ter algu\u00e9m que quer continuar recebendo sal\u00e1rio m\u00eas que vem&#8230; o que nos leva ao pr\u00f3ximo axioma.<\/p>\n<p><strong>3 \u2013 Imprensa \u00e9 um neg\u00f3cio:<\/strong> e como todo neg\u00f3cio, precisa pagar suas contas. E isso significa que precisam fazer escolhas que maximizem seus lucros. J\u00e1 falei disso outras vezes, mas \u00e9 importante ressaltar como o ciclo de not\u00edcias n\u00e3o reflete exatamente o que acontece no mundo, e sim filtra as informa\u00e7\u00f5es com maior potencial de chamar aten\u00e7\u00e3o das pessoas. \u00c9 minha briga eterna com a Sally e com muitos de voc\u00eas: virtualmente todos os indicadores de qualidade de vida humana sobem consistentemente h\u00e1 d\u00e9cadas ao redor do mundo. Inclusive no Brasil. Mas n\u00e3o se faz uma p\u00e1gina lucrativa de not\u00edcias tentando refletir tudo isso.<\/p>\n<p>Talvez por press\u00e3o evolutiva, acabamos com um foco de aten\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfico para trag\u00e9dia e coisa ruim. Claro que essas coisas acontecem sem parar, mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 elas que acontecem. O resto \u00e9 considerado mais banal, e dificilmente alcan\u00e7a o mesmo grau de interesse do grande p\u00fablico. Ent\u00e3o, para que os assinantes e anunciantes continuem colocando dinheiro na m\u00eddia, \u00e9 importante desequilibrar um pouco a medida para o lado negativo da humanidade.<\/p>\n<p>Mas isso pode ser ainda mais sutil: somos criaturas de h\u00e1bito. Informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 conhecemos s\u00e3o mais seguras, pessoas com as quais j\u00e1 nos familiarizamos s\u00e3o mais interessantes. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a m\u00eddia fica repetindo seu foco em algumas pessoas e temas, est\u00e1 provado pelos n\u00fameros de audi\u00eancia que isso funciona. Se o povo est\u00e1 vidrado em tudo relacionado ao presidente, cada movimento dele ser\u00e1 noticiado. E a\u00ed, voltamos para o vi\u00e9s negativo da m\u00eddia: \u00e9 comum que esses grandes fluxos de aten\u00e7\u00e3o sejam baseados em cr\u00edticas. Uma celebridade que est\u00e1 evitando cr\u00edticas pode at\u00e9 ser querida pelos anunciantes, mas n\u00e3o muito pelos jornalistas. Pra qu\u00ea falar de algo que n\u00e3o vai atrair p\u00fablico?<\/p>\n<p>E a\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a entrar numa armadilha de enxergar vi\u00e9s pol\u00edtico em not\u00edcias que s\u00f3 est\u00e3o l\u00e1 porque s\u00e3o a melhor decis\u00e3o comercial. Se executivos da grande m\u00eddia tem objetivos maiores, \u00e9 evidente que eles v\u00e3o aparecer no conte\u00fado que suas plataformas disponibilizam, mas nem mesmo as empresas mais ricas do mundo podem abandonar seu modelo de neg\u00f3cios e n\u00e3o sofrer pesadas consequ\u00eancias financeiras. Na pr\u00e1tica: hoje em dia custa caro para uma grande emissora de TV ou portal de not\u00edcias n\u00e3o bater no Bolsonaro. Para seus f\u00e3s e para os que o odeiam, a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 garantida. Voc\u00eas podem ver o SBT, que decidiu ficar em bons termos com o presidente, sentindo uma queda pronunciada na audi\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa: mesmo quem gosta do Bolsonaro n\u00e3o tem muito incentivo para ficar sintonizado num canal que tem que ficar fingindo que a pessoa mais pol\u00eamica do pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada no momento.<\/p>\n<p>Posicionamentos que voc\u00ea poderia jurar que s\u00e3o pol\u00edticos podem muito bem ser apenas algo que aumenta em 10% o valor dos contratos com anunciantes naquele momento. N\u00e3o \u00e9 como aqui no Desfavor, onde s\u00f3 perdemos dinheiro e podemos escrever basicamente o que der na telha, atraia aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico ou n\u00e3o. Quem paga as contas com not\u00edcias tem que levar em considera\u00e7\u00e3o o que gera dinheiro e o que n\u00e3o gera. A Globo j\u00e1 foi inimiga do PT na primeira candidatura do Lula, j\u00e1 foi conivente com o PT durante seu governo, voltou a ser inimiga nos tempos da Dilma, e agora, pelo visto \u00e9 aliada do PT contra o Bolsonaro&#8230; \u00e9 s\u00f3 ver onde estava o dinheiro e o interesse do grande p\u00fablico em cada uma dessas fases.<\/p>\n<p>N\u00e3o confie cegamente na Globo, mas n\u00e3o porque ela tem um plano maligno para mentir para voc\u00ea. E sim porque ela vai seguir o dinheiro todas as vezes e azar do que ficar no seu caminho. Ela precisa disso para n\u00e3o falir. N\u00e3o confie em grande empresa de m\u00eddia nenhuma por esse mesmo motivo, tradicional ou digital. O Facebook e o Google v\u00e3o fazer o que precisarem para manter suas empresas dando lucro, se parecem ter um vi\u00e9s esquerdista hoje, \u00e9 porque isso \u00e9 mais lucrativo do que ser conservador. A partir de um certo tamanho, empresas come\u00e7am a funcionar mais ou menos sozinhas, mais preocupadas com a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia do que qualquer outra coisa. Lacra\u00e7\u00e3o \u00e9 o novo \u201ciniciativa sustent\u00e1vel\u201d, algo que publicit\u00e1rios planejam para manter um grau m\u00ednimo de simpatia com a marca e evitar que concorrentes ganhem espa\u00e7o no mercado.<\/p>\n<p><strong>4 \u2013 Manchete n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia:<\/strong> podia ficar dentro da categoria anterior, mas merece aten\u00e7\u00e3o especial. Manchetes e resumos tornaram-se ainda mais importantes na ind\u00fastria da informa\u00e7\u00e3o moderna, pois a maioria das pessoas tem uma oferta imensa de ve\u00edculos de m\u00eddia ao seu dispor produzindo conte\u00fado compulsivamente 24 horas por dia. O tempo dispon\u00edvel para qualquer cidad\u00e3o m\u00e9dio para se informar pode at\u00e9 ser o mesmo de d\u00e9cadas anteriores, mas \u00e9 tanta coisa disputando aten\u00e7\u00e3o que cada not\u00edcia ou artigo tem menos e menos tempo para conseguir um espa\u00e7o nesse foco de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tem coisas que simplesmente n\u00e3o d\u00e1 para resumir numa frase, informa\u00e7\u00f5es complexas que precisam de contexto que nem todo mundo tem. De uma certa forma, manchetes e resumos s\u00e3o baseados em axiomas do mesmo jeito que uma conversa: dependem de alguma coisa que voc\u00ea j\u00e1 conhece para chamar aten\u00e7\u00e3o. Dizer que cientistas descobrem nova part\u00edcula n\u00e3o vira muitas cabe\u00e7as, mas falar que acharam a \u201cpart\u00edcula de Deus\u201d gera aten\u00e7\u00e3o imediata. E todo mundo sabe disso de uma forma ou de outra.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 cada vez mais comum que as manchetes tentando atrair um clique comecem a vagar um pouco mais longe da not\u00edcia real, em busca desse lugar comum mais apelativo. N\u00e3o \u00e9 mais uma not\u00edcia na capa de um jornal, disputando s\u00f3 com outro jornal na banca, \u00e9 um bloco min\u00fasculo numa tela pequena de celular numa lista com centenas de outras not\u00edcias. E isso cria um mundo paralelo de manchetes: tem que ser minimamente relacionadas com o texto ou o v\u00eddeo que tentam divulgar, mas est\u00e3o travando uma batalha \u00e0 parte com todas as outras manchetes. Que ven\u00e7a a pior!<\/p>\n<p>Se voc\u00ea clicar na not\u00edcia, come\u00e7a a perceber que cada vez mais o conte\u00fado n\u00e3o tem nada a ver com a chamada. Num mundo ideal, as pessoas sempre leriam o conte\u00fado, mas hoje em dia a manchete j\u00e1 vai direto para a rede social e pessoas discutem sobre ela sem parar, a maioria nunca lendo o texto original. Entender que manchete n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia \u00e9 importante como axioma da nossa rela\u00e7\u00e3o com a imprensa e a grande m\u00eddia em geral porque se voc\u00ea percebe que ela pode n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o nenhuma com o conte\u00fado, come\u00e7a a entender que s\u00f3 vai falar besteira e passar vergonha assim que estiver lidando com algu\u00e9m que prestou aten\u00e7\u00e3o naquele conte\u00fado. E mais importante, n\u00e3o vai construir nada em cima daquela afirma\u00e7\u00e3o bomb\u00e1stica, porque sabe que as chances daquilo ser verdade s\u00e3o cada vez menores.<\/p>\n<p>Procure por assuntos e pessoas que te interessam, n\u00e3o por manchetes chamativas. Mesmo que a mat\u00e9ria tenha um t\u00edtulo bizarro que te ferva o sangue, se voc\u00ea relaxar a mente e entender que manchete \u00e9 s\u00f3 uma propaganda de not\u00edcia, vai at\u00e9 ler o material com menos preconceito e conseguir absorver melhor o conte\u00fado. Exemplo: voc\u00ea l\u00ea uma manchete dizendo que ar-condicionado \u00e9 machista. Aquilo s\u00f3 existe para chamar aten\u00e7\u00e3o, mas no texto tem uma informa\u00e7\u00e3o valiosa: muitas mulheres ficam com vergonha de dizer que est\u00e3o com frio em escrit\u00f3rios, voc\u00ea pode melhorar a produtividade delas se perguntar sobre isso \u00e0s vezes. Mesmo que a autora do texto s\u00f3 tenha falado asneiras ao redor disso. Se voc\u00ea quiser ficar furioso com a manchete, pode simplesmente perder um dado construtivo dentro do texto pelo bloqueio que faz instintivamente no pensamento. Manchete \u00e9 manchete, conte\u00fado \u00e9 conte\u00fado. N\u00e3o misture os dois.<\/p>\n<p>O mercado est\u00e1 tomado por essa guerra por aten\u00e7\u00e3o e ningu\u00e9m parece ter a solu\u00e7\u00e3o ainda, ent\u00e3o, enquanto isso, adapte-se voc\u00ea: n\u00e3o d\u00ea a m\u00ednima para a manchete at\u00e9 ler o texto. E se for um assunto que voc\u00ea n\u00e3o tem interesse algum, n\u00e3o deixe uma frase bizarra te fazer gastar tempo com o tema.<\/p>\n<p><strong>5 \u2013 O mundo tem mais gente razo\u00e1vel do que malucos:<\/strong> sem um pouco de confian\u00e7a na palavra e no estudo do outro, o mundo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Fake News, boatos e negacionismo cient\u00edfico correm soltos, mas gente que fala coisa s\u00e9ria com o melhor das suas habilidades tamb\u00e9m existem, e n\u00e3o s\u00e3o poucos. Se a turma da desinforma\u00e7\u00e3o fosse uma maioria t\u00e3o grande quanto nos fazem acreditar, voc\u00ea estaria vivendo numa caverna agora. A civiliza\u00e7\u00e3o depende de informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel para existir nos seus n\u00edveis mais b\u00e1sicos, e ainda se valoriza o que \u00e9 bem feito e se pune aqueles que fazem as coisas da forma errada, nem sempre, \u00e9 l\u00f3gico, mas o suficiente para manter a vida em sociedade vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 para achar que todo mundo est\u00e1 mentindo e voc\u00ea est\u00e1 sozinho para entender o mundo, isso inclusive \u00e9 sinal de doen\u00e7a mental. Pensamento cr\u00edtico n\u00e3o \u00e9 desconfiar de tudo e todos sem parar, \u00e9 ter conhecimento e treino para perceber quando algo est\u00e1 estranho e dar mais aten\u00e7\u00e3o para o tema at\u00e9 achar algo que fa\u00e7a mais sentido. Em tese, simples assim. Na pr\u00e1tica, precisa de treino e interesse.<\/p>\n<p>E enquanto isso, pode pegar esses axiomas emprestados.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que n\u00e3o acredita em nada do que eu escrevi, para dizer que todos est\u00e3o te perseguindo, ou mesmo para dizer que j\u00e1 sabia tudo isso e quer seu tempo de volta (mas voc\u00ea j\u00e1 pensou nisso com calma?): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O axioma \u00e9 um termo da l\u00f3gica que significa uma afirma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre a qual se constr\u00f3i sua ideia. Normalmente \u00e9 baseado em algo \u00f3bvio ou um consenso entre a maioria das pessoas, ou seja, algo que voc\u00ea n\u00e3o precisa ficar provando toda vez que quer falar sobre um tema. 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