{"id":17235,"date":"2020-08-20T11:39:28","date_gmt":"2020-08-20T14:39:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=17235"},"modified":"2020-08-20T11:39:28","modified_gmt":"2020-08-20T14:39:28","slug":"miojo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/08\/miojo\/","title":{"rendered":"Miojo"},"content":{"rendered":"<p>Por d\u00e9cadas ele salva famintos do mundo todo, sejam eles sem tempo, em condi\u00e7\u00f5es adversas ou apenas pregui\u00e7osos. Virou refer\u00eancia em refei\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e n\u00e3o pode faltar no arm\u00e1rio de nenhuma cozinha. Desfavor Explica: Miojo.<!--more--><\/p>\n<p>O miojo \u00e9 fruto da Segunda Guerra Mundial, no Jap\u00e3o. O pa\u00eds estava em ru\u00ednas, com 3 milh\u00f5es de mortos, economia destro\u00e7ada, ind\u00fastria falida, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola destru\u00edda. Basicamente, estavam passando fome. No meio deste cen\u00e1rio catastr\u00f3fico, um homem chamado Momofuku Ando via mais um neg\u00f3cio falir (uma tecelagem que n\u00e3o aguentou a crise p\u00f3s-guerra) e buscava uma forma de se reerguer.<\/p>\n<p>Este homem n\u00e3o teve muita sorte na vida. Perdeu os pais ainda crian\u00e7a, viveu duas guerras mundiais, viu seu pa\u00eds ser bombardeado e passar fome. Tentou v\u00e1rios trabalhos e \u201cfalhou\u201d em todos eles: foi diretor de escola, abriu uma empresa de carv\u00e3o, outra de tecelagem e nada deu certo. Em 1957, com 47 anos, ele declarou fal\u00eancia. Mal sabia ele que estava prestes a emplacar um sucesso mundial.<\/p>\n<p>Um dos alimentos mais populares do Jap\u00e3o era o l\u00e1men, um macarr\u00e3o fresco, servido geralmente como ensopado. Gra\u00e7as \u00e0 crise que o pa\u00eds enfrentava, se tornou muito dif\u00edcil produzir e distribuir o l\u00e1men para todo o pa\u00eds, uma vez que a agricultura passava por uma de suas piores crises. A solu\u00e7\u00e3o encontrada pelo governo para que as pessoas n\u00e3o morram de fome foi produzir p\u00e3o, com a farinha de trigo que era doada por outros pa\u00edses, uma vez que o p\u00e3o tem durabilidade maior e pode ser transportado com mais facilidade. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, a iniciativa teve uma rejei\u00e7\u00e3o enorme. O povo n\u00e3o tinha o h\u00e1bito de comer p\u00e3o e, apesar da fome, rejeitou o alimento. Queria l\u00e1men. Como faz para levar ensopado para um pa\u00eds inteiro, estando ele em ru\u00ednas? Momofuku percebeu a oportunidade e come\u00e7ou a pensar numa forma de fazer com que o l\u00e1men fosse t\u00e3o pr\u00e1tico e f\u00e1cil de distribuir quanto o p\u00e3o. Come\u00e7ou a fazer testes e tentar desenvolver um novo produto.<\/p>\n<p>Era um homem obstinado e dedicado. Construiu uma cabana nos fundos da sua casa e se isolou, determinado a encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. Ficava l\u00e1 20 horas por dia pensando e experimentando uma forma de levar um alimento que era altamente perec\u00edvel para um pa\u00eds inteiro faminto. <\/p>\n<p>Depois de muita tentativa e erro, finalmente ele conseguiu desenvolver um m\u00e9todo de desidrata\u00e7\u00e3o por fritura r\u00e1pida em gordura que cumpria os requisitos necess\u00e1rios: retirar a \u00e1gua do macarr\u00e3o e acelerar o modo de preparo na casa do consumidor. <\/p>\n<p>Ele teve um insight de como deixar o produto f\u00e1cil de preparar vendo sua esposa cozinhar Tempura, uma esp\u00e9cie de comida empanada japonesa. Ele percebeu que ao fritar o alimento nessa massa ele ficava mais seco instantaneamente, aumentando sua durabilidade. Foi para sua cabana e come\u00e7ou a fazer testes fritando alimentos e avaliando sua durabilidade. Acabou percebendo que isso tamb\u00e9m reduzia o tempo de preparo do alimento.<\/p>\n<p>O mecanismo \u00e9 simples: \u00e1gua e \u00f3leo n\u00e3o se misturam. Por isso o \u00f3leo \u201cexpulsa\u201d as part\u00edculas de \u00e1gua do macarr\u00e3o. Em seu lugar, fica s\u00f3 o espa\u00e7o onde a \u00e1gua estaria (papo t\u00e9cnico: microcavidades). Depois desse processo de fritura, a perda da \u00e1gua faz com que o miojo fique duro. Esses buraquinhos que ficam depois da retirada da \u00e1gua, s\u00e3o preenchidos novamente quando voc\u00ea coloca o miojo em contato com \u00e1gua quente. Obviamente, quando o macarr\u00e3o \u00e9 \u201cpreenchido\u201d com a \u00e1gua, ele volta a ficar mole.<\/p>\n<p>Finalmente Momofuku havia conseguido seu objetivo: uma forma de levar l\u00e1men conservado para os famintos de todo o Jap\u00e3o. Por\u00e9m, h\u00e1 um pequeno detalhe: o produto foi lan\u00e7ado no dia 25 de agosto de 1958 (que virou Dia Mundial do Miojo) e nessa data j\u00e1 n\u00e3o havia mais fome no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1955 o Jap\u00e3o vivenciou o chamado \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d, conseguindo um aumento significativo do PIB. Ent\u00e3o, quando o l\u00e1men industrializado chegou \u00e0s prateleiras do supermercado, n\u00e3o havia mais aquela demanda espec\u00edfica causada pela crise, e, o que era pior: pelo processo de preparo do produto, chegou com o pre\u00e7o maior do que o do macarr\u00e3o fresco. Custava seis vezes mais caro. Tinha tudo para n\u00e3o dar certo&#8230; mas deu.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia mais falta de comida, mas, por causa dos esfor\u00e7os para reerguer o Jap\u00e3o, havia outra falta importante que abriu as portas para a cria\u00e7\u00e3o de Momofuku: a falta de tempo. As pessoas trabalhavam muito, mal tinham tempo para almo\u00e7ar ou para cozinhar um jantar quando chegavam em casa ao final do dia. Um macarr\u00e3o que fica pronto em tr\u00eas minutos caiu como uma luva. Atirou no que viu, acertou no que n\u00e3o viu. Come\u00e7ava um longo reinado do miojo, que dura at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>O nome da empresa que produzia o macarr\u00e3o instant\u00e2neo foi escolhido por ele: \u201cNissin\u201d, que significa \u201cmilagre\u201d. De fato, naquela \u00e9poca, criar um alimento n\u00e3o perec\u00edvel que fique pronto em tr\u00eas minutos era mais ou menos isso. O nome do g\u00eanero de macarr\u00e3o \u00e9 l\u00e1men. Fala-se \u201cl\u00e1men\u201d porque a l\u00edngua japonesa n\u00e3o distingue os sons de R e L (como podemos observar quando eles tentam falar poltugu\u00eas), mas a grafia original usa a letra R no nome. No Brasil e em outros pa\u00edses, adotou-se o L para acompanhar o fonema, caso contr\u00e1rio todos pronunciariam \u201cRamen\u201d.<\/p>\n<p>A empresa Nissin Food Products cresceu rapidamente. Em cerca de dois anos tinham uma linha de montagem totalmente automatizada em uma f\u00e1brica de 15 mil metros quadrados, com capacidade de produzir 100 mil blocos de l\u00e1men pr\u00e9-frito por dia. O sucesso estrondoso deste macarr\u00e3o influenciou, inclusive, na cultura de marketing do pa\u00eds: o produto foi um dos primeiros a consolidar an\u00fancios na televis\u00e3o e investiu em vending machines (aquelas m\u00e1quinas onde voc\u00ea coloca o dinheiro e o produto cai em uma portinha) contribuindo em muito para que essas m\u00e1quinas seja difundidas por todo o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano 2000 fizeram uma enquete no Jap\u00e3o perguntando qual inven\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX eles acreditavam ser a mais importante. N\u00e3o, o karaok\u00ea n\u00e3o venceu. Nem a Hello Kitty. O primeiro lugar foi pro miojo. O macarr\u00e3o enche de orgulho o pa\u00eds at\u00e9 hoje. Talvez tenha sido a primeira forma de levar comida oriental para todo o mundo.<\/p>\n<p>Da\u00ed voc\u00ea deve estar se perguntando, por qual motivo o macarr\u00e3o chegou por aqui com o nome de \u201cmiojo\u201d. A resposta \u00e9 simples: pela canalhice humana. Como todo produto de sucesso, o l\u00e1men da Nissin come\u00e7ou a ser copiado, inclusive por uma empresa chamada Myojo Foods. Est\u00e1 chateado com o pl\u00e1gio? N\u00e3o fique. Copiaram os copiadores: um empres\u00e1rio chin\u00eas copiou o produto da Myojo e lan\u00e7ou no Brasil. <\/p>\n<p>Em 1965, o Brasil recebeu a c\u00f3pia da c\u00f3pia. Como toda \u201cfalsifica\u00e7\u00e3o\u201d que se preze, ganhou um nome parecido com o \u201coriginal\u201d que o inspirou: em vez de Myojo, virou Miojo. O brasileiro n\u00e3o tinha nenhuma no\u00e7\u00e3o de culin\u00e1ria japonesa naquela \u00e9poca, ent\u00e3o, n\u00e3o bastava dizer que era l\u00e1men, ningu\u00e9m entenderia nada. Por isso, fizeram uma lamban\u00e7a danada tentando explicar ao consumidor do que se tratava na embalagem: \u201cspaghetti vitaminado instant\u00e2neo tipo yakissoba com tempero sabor galinha\u201d. <\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para o miojo emplacar no Brasil tamb\u00e9m. Ele virou ref\u00fagio de mochileiros, de pessoas sem tempo, de pessoas que n\u00e3o sabiam cozinhar e de muitos outros grupos que precisavam se alimentar em tr\u00eas minutos sem nenhuma demanda mais complexa do que \u00e1gua quente. Tanto \u00e9 que o no Brasil, \u201cmiojo\u201d virou sin\u00f4nimo do produto (assim como \u201ccotonete\u201d virou sin\u00f4nimo de hastes flex\u00edveis e \u201cbombril\u201d virou sin\u00f4nimo de esponja de a\u00e7o).<\/p>\n<p>Anos depois, a Nissin expandiu seus neg\u00f3cios at\u00e9 chegar \u00e0 Am\u00e9rica do Sul e comprou a marca, fazendo uma justi\u00e7a cara: o macarr\u00e3o instant\u00e2neo voltou para as m\u00e3os do seu criador, que pagou caro por ele. A primeira provid\u00eancia foi renomear o produto, que passou a se chamar \u201cNissin L\u00e1men\u201d (Nissin = nome da empresa e L\u00e1men = tipo de macarr\u00e3o), mas, at\u00e9 onde eu sei, o novo nome nunca pegou e as pessoas, ao menos as mais velhas como eu, continuam chamando de \u201cmiojo\u201d. <\/p>\n<p>Hoje, a Nissin L\u00e1men \u00e9 respons\u00e1vel pela venda de 50% de macarr\u00e3o instant\u00e2neo no Brasil. O pa\u00eds consome mais de 2 bilh\u00f5es de por\u00e7\u00f5es de macarr\u00e3o instant\u00e2neo por ano, colocando o pa\u00eds no segundo lugar em consumo deste produto fora da \u00c1sia. O sabor \u00e9 adaptado de acordo com o gosto do consumidor de cada pa\u00eds. No Brasil, o sabor favorito \u00e9 Galinha Caipira. O primeiro colocado em consumo fora da \u00c1sia \u00e9 os EUA, inclusive  o produto \u00e9 o mais vendido nas pris\u00f5es americanas, ultrapassando os cigarros.<\/p>\n<p>Quando a gente insere a \u00c1sia na conta, avaliando o consumo mundial, os n\u00fameros ficam impressionantes: s\u00e3o consumidas mais de 3 mil por\u00e7\u00f5es de miojo por segundo no mundo. Quando olhamos para a demanda global, o maior consumidor \u00e9 a China, respons\u00e1vel por 40% do consumo mundial, mas o pa\u00eds que mais consome por habitante \u00e9 a Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dele, temos seu primo sofisticado, o Cup Noodles, que tamb\u00e9m \u00e9 cria\u00e7\u00e3o de Momofuku. Quando ele foi aos EUA, observou que os h\u00e1bitos ali eram completamente diferentes. Ele percebeu que as pessoas quebravam o miojo com as m\u00e3os, os jogavam em um copo de pl\u00e1stico, enchiam de \u00e1gua quente e comiam com um garfo. Nada de tigela e hashi. Ao constatar que o formato japon\u00eas n\u00e3o era t\u00e3o confort\u00e1vel para os ocidentais, ele criou um novo modelo.<\/p>\n<p>Ele teve e a ideia, inspirada na forma como os japoneses transportavam atum, de passar a vender o l\u00e1men em um copo de isopor, que seria bom para conservar a temperatura do alimento e, ao mesmo tempo, protegeria a m\u00e3o das pessoas de queimaduras. O papel de alum\u00ednio que cobre o copo foi inspirado na embalagem de macad\u00e2mias que deram para ele em uma viagem de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na hora de fabricar em larga escala, surgiu uma nova dificuldade: era complicado conseguir m\u00e1quinas que colocassem o macarr\u00e3o dentro do copo e mant\u00ea-lo est\u00e1vel. A solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m veio de Momofuku. Ele resolveu fazer o contr\u00e1rio: colocar o copo no macarr\u00e3o j\u00e1 empilhado, sem empurrar at\u00e9 o fundo. Como o macarr\u00e3o \u00e9 mais largo e denso que o copo, ele fica travado do lado de dentro sem ocupar a parte do fundo nem balan\u00e7ar na embalagem. Assim, mantendo um espa\u00e7o vazio embaixo, se garantia que a \u00e1gua quente chegaria at\u00e9 o fundo, cobrindo todos os macarr\u00f5es. \u00c9 por isso que o Cup Noodles cozinha inteiro por igual. <\/p>\n<p>Por fim, ele deu mais um grande passo: adicionar outros alimentos ao l\u00e1men: peda\u00e7os de carne, legumes e at\u00e9 camar\u00e3o. O desafio era como conserv\u00e1-los de modo a que durem muito e, ao mesmo tempo, fazer com que amole\u00e7am rapidamente com \u00e1gua quente. <\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que ele encontrou foi um processo complexo (papo t\u00e9cnico: liofilizar a comida) que consistia em desidratar o alimento atrav\u00e9s de congelamento \u00e0 v\u00e1cuo. A t\u00e9cnica n\u00e3o era comum no Jap\u00e3o, ent\u00e3o ele criou uma empresa exclusivamente para fazer isso. Hoje temos Cup Noodles com v\u00e1rios complementos gra\u00e7as a essa t\u00e9cnica. No Brasil, o miojo de saquinho sempre foi e continua mais popular, mas eu outros pa\u00edses, como nos EUA, o de copinho vende muito mais.<\/p>\n<p>Por fim, o \u00faltimo grande feito do criador do miojo foi, aos 91 anos, criar um macarr\u00e3o instant\u00e2neo que pudesse ser consumido no espa\u00e7o. O projeto foi conclu\u00eddo em 2005, dois anos antes da sua morte. Com algumas modifica\u00e7\u00f5es que permitiam o consumo do espa\u00e7o, esse novo macarr\u00e3o alimentou os tripulantes da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. <\/p>\n<p>Obviamente foi um grande evento, n\u00e3o \u00e9 todo dia que uma empresa de alimentos deixa o planeta Terra. N\u00e3o \u00e9 todo dia que algu\u00e9m cria uma sopa que pode ser comida em gravidade zero. O cosmonauta japon\u00eas Soichi Noguchi experimentou, em uma transmiss\u00e3o ao vivo, com uma audi\u00eancia enorme. A inven\u00e7\u00e3o ganhou o nome de \u201cSpace Ram\u201d, um trocadilho com o filme \u201cSpace Jam\u201d.<\/p>\n<p>Miojo \u00e9 sensacional para te salvar de um aperto, mas n\u00e3o \u00e9 uma comida saud\u00e1vel. Muito se vilaniza aquele saquinho com o tempero, pela quantidade de s\u00f3dio que ele possui (e de fato \u00e9 absurdo: equivale ao s\u00f3dio de cem latinhas de refrigerante!), mas o macarr\u00e3o em si \u00e9 igualmente nocivo: possu\u00ed uma grande quantidade de gordura saturada por pacote. Essa jun\u00e7\u00e3o de muita gordura e muito s\u00f3dio pode gerar problemas card\u00edacos, obesidade, diabetes e outros. Ent\u00e3o, que fique claro: \u00e9 para te salvar de um aperto, n\u00e3o para comer toda semana.<\/p>\n<p>Fica um incentivo para todos: Momofuku Ando passou metade da sua vida \u201cfracassando\u201d em todas as suas empreitadas, mas quando acertou, com quase 50 anos, nem o c\u00e9u foi o limite.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que voc\u00ea comia sempre sem colocar o saquinho de tempero e achava que assim n\u00e3o fazia mal, para dizer que \u00e9 conhecido como Nissin L\u00e1men no Brasil ou ainda para dizer que s\u00f3 o desfavor para abordar em uma mesma semana pandemia, estupro e miojo: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por d\u00e9cadas ele salva famintos do mundo todo, sejam eles sem tempo, em condi\u00e7\u00f5es adversas ou apenas pregui\u00e7osos. Virou refer\u00eancia em refei\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e n\u00e3o pode faltar no arm\u00e1rio de nenhuma cozinha. 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