{"id":17408,"date":"2020-09-28T13:22:24","date_gmt":"2020-09-28T16:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=17408"},"modified":"2025-11-22T21:36:55","modified_gmt":"2025-11-23T00:36:55","slug":"artes-decadentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2020\/09\/artes-decadentes\/","title":{"rendered":"Artes decadentes."},"content":{"rendered":"<p>O que configura arte \u00e9 dif\u00edcil de se definir em linhas gerais, mas h\u00e1 um consenso m\u00ednimo sobre quais s\u00e3o as sete artes cl\u00e1ssicas: Arquitetura, Escultura, Pintura, M\u00fasica, Poesia, Dan\u00e7a e Cinema. Sally e Somir colocam o mon\u00f3culo, levantam o dedinho e discutem sobre os rumos delas. Os impopulares apresentam suas pe\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: das sete artes cl\u00e1ssicas, qual \u00e9 a mais decadente?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Dan\u00e7a. Eu diria que a dan\u00e7a \u00e9 mais do que uma arte cl\u00e1ssica, \u00e9 uma arte primordial: basta estar vivo e ter coordena\u00e7\u00e3o motora b\u00e1sica para pratic\u00e1-la. Veio das cavernas de nossos primeiros antepassados at\u00e9 os mundos virtuais da atualidade, sempre encontrando alguma forma de se manter relevante. Mas curiosamente, justamente na era onde as pessoas t\u00eam o menor pudor de praticar essa arte \u00e9 quando ela parece estar vivenciando seu momento mais decadente.<\/p>\n<p>Como gosto \u00e9 algo muito relativo, \u00e9 importante termos algum par\u00e2metro que v\u00e1 al\u00e9m disso para definir o que configura a decad\u00eancia de uma dessas formas de arte. Muito embora eu veja coisas terr\u00edveis acontecendo em todas as outras, \u00e9 na dan\u00e7a que a percep\u00e7\u00e3o extrapola qualquer senso art\u00edstico pessoal e come\u00e7a a parecer algo cada vez mais distorcido e sem significado em termos mais gerais. A Dan\u00e7a est\u00e1 monotem\u00e1tica, reduzida a um menor denominador comum de tal forma a me fazer duvidar se h\u00e1 como retornar desse abismo.<\/p>\n<p>Ou, em termos de mais f\u00e1cil entendimento: eu enxergo a dan\u00e7a como algo decadente porque virou a arte de chacoalhar a bunda! \u00c9 tipo o irm\u00e3o mongo das outras artes, que fica tendo convuls\u00f5es anais sem parar e envergonha todo mundo. Vejam bem, eu n\u00e3o vou ser hip\u00f3crita aqui e dizer que a imagem de uma mulher atraente mexendo o corpo de forma provocativa n\u00e3o me traz felicidade, porque traz. N\u00e3o estou aqui reclamando de bundas porque me acho superior a isso, estou apenas dizendo que se 99% do que voc\u00ea v\u00ea de uma das artes s\u00e3o bundas se mexendo, \u00e9 porque algo deu muito errado no caminho.<\/p>\n<p>Se quase todas as m\u00fasicas modernas fossem sobre fazer sexo e nove em cada dez pinturas fossem de mulheres peladas, n\u00e3o \u00e9 que eu n\u00e3o saberia apreciar as bem feitas, \u00e9 que seria dif\u00edcil n\u00e3o olhar para essas artes e ver algo al\u00e9m de gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. A dan\u00e7a no s\u00e9culo XXI est\u00e1 perigosamente perto desse v\u00e1cuo de prop\u00f3sito maior. Sim, ainda existem varia\u00e7\u00f5es suficientes e pessoas realmente dedicadas a ir al\u00e9m dessa pregui\u00e7a existencial de basicamente apontar a genit\u00e1lia na dire\u00e7\u00e3o dos outros, mas a dan\u00e7a parece ser a arte mais afetada por essa apela\u00e7\u00e3o atualmente.<\/p>\n<p>E quando a variedade come\u00e7a a desaparecer, encontramos a decad\u00eancia. Os exemplos de apenas uma forma de utilizar a dan\u00e7a v\u00e3o se acumulando, e novas gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o enxergando essa arte de forma cada vez mais limitada. Se voc\u00ea falar para uma crian\u00e7a dan\u00e7ar hoje em dia, grandes chances dela come\u00e7ar a fazer rituais copulat\u00f3rios imitando os artistas populares. Mesmo que eu n\u00e3o me importe muito com a pureza infantil e moralismos do tipo (crian\u00e7as brincam de serem adultas, \u00e9 literalmente a programa\u00e7\u00e3o cerebral delas \u2013 \u00e9 sempre culpa do adulto presumir algo al\u00e9m disso), demonstra a decad\u00eancia da arte. Crian\u00e7a enxerga as coisas como elas se apresentam para elas: se tudo o que os adultos fazem nessa \u00e1rea \u00e9 simular um ato sexual com o ar, \u00e9 exatamente isso que elas v\u00e3o imitar.<\/p>\n<p>E j\u00e1 estamos vendo o resultado dessa decad\u00eancia nos adolescentes: o TikTok, por exemplo, \u00e9 um aplicativo que em tese tem foco em dan\u00e7a, mas que na pr\u00e1tica s\u00f3 existe para pr\u00e9-adolescentes e adolescentes tentarem conquistar a aten\u00e7\u00e3o sexual de seus pares (e de tarados). Novamente, n\u00e3o quero que o que voc\u00ea que est\u00e1 lendo tire deste texto seja uma cr\u00edtica \u00e0 sexualidade humana, e sim como a dan\u00e7a est\u00e1 se tornando escrava disso. Atrair parceiros sexuais n\u00e3o deveria ser o foco de nenhuma arte, afinal, \u00e9 terrivelmente restritivo.<\/p>\n<p>Se vai virar s\u00f3 isso, abre espa\u00e7o na lista e deixa o Teatro ou at\u00e9 mesmo os Quadrinhos entrarem. Podem ser artes com diversos problemas, mas pelo menos ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o repetitivas. Pode ser uma quest\u00e3o ainda mais complexa do que eu estou sugerindo aqui e eventualmente todas as artes est\u00e3o fadadas a se tornar essas vers\u00f5es extremamente focadas e popularescas ao inv\u00e9s da proposta original de express\u00e3o da criatividade humana. Por causa da velocidade na qual a cultura humana se move nos dias atuais, quase tudo corre o risco de se tornar uma caricatura de si mesmo: podemos testar a popularidade de tudo em tempo real e ir adaptando os resultados para gerar maior interesse.<\/p>\n<p>O que \u00e9 um perigo para a arte. Quando arte come\u00e7a a se moldar ao que acha que as pessoas querem ao inv\u00e9s de ser uma express\u00e3o do artista, perde-se a ess\u00eancia. Mesmo sendo publicit\u00e1rio, eu acho engra\u00e7ado quando algu\u00e9m tenta sugerir que Publicidade deveria entrar no rol das artes: a express\u00e3o publicit\u00e1ria \u00e9 o oposto da arte. O que n\u00e3o quer dizer que seja algo ruim, mas que conceitualmente, se presta a outro papel. O de gerar consenso, de ir buscar um sentimento espec\u00edfico dentro do outro ao inv\u00e9s de ser uma express\u00e3o \u00fanica. E eu falo disso porque corremos o risco de ver todas as artes se tornando Publicidade com o tempo. Pelo menos no palco maior das m\u00eddias de massa.<\/p>\n<p>E quando eu falo da decad\u00eancia da dan\u00e7a falando sobre o controle excessivo que a necessidade de alardear a pr\u00f3pria sexualidade assume sobre a arte, estou falando desse processo de se tornar Publicidade. Quando a dan\u00e7a \u00e9 s\u00f3 uma forma de anunciar para o mundo sua atratividade sexual, o rebolado \u00e9 apenas um comercial. E comerciais n\u00e3o podem ser muito inventivos: precisam falar com muita gente ao mesmo tempo e n\u00e3o gerar sentimentos confusos. Que tipo de arte sobrevive assim? Eu quase concordei com a Sally sobre o cinema porque hoje em dia os filmes mais famosos s\u00e3o comerciais de brinquedos, mas ainda existe uma ind\u00fastria fazendo coisas diferentes e arriscando mais. Ainda.<\/p>\n<p>J\u00e1 a dan\u00e7a, essa arte parece perdida em celebridades anunciando servi\u00e7os sexuais que n\u00e3o pretendem realizar. E numa massa cada vez maior de pessoas que s\u00f3 tem contato com a dan\u00e7a atrav\u00e9s dessa forma de prostitui\u00e7\u00e3o estelionat\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a maioria das mulheres mais jovens vira de costas instintivamente na hora que come\u00e7am a dan\u00e7ar. Dan\u00e7a \u00e9 isso para elas. Homens dan\u00e7am menos em m\u00e9dia, mas quando o fazem, \u00e9 quase sempre o mesmo movimento de p\u00e9lvis complementar.<\/p>\n<p>Tem gente que n\u00e3o \u00e9 assim? Claro. Todo mundo que dan\u00e7a \u00e9 um macaco tentando transar com um fantasma? N\u00e3o, de forma alguma. Voc\u00ea pode ser diferente? Claro, eu n\u00e3o duvido que voc\u00ea seja diferente. Mas nada disso muda o fato de que a arte da dan\u00e7a est\u00e1 em decad\u00eancia como um todo. Virou mero comercial de sexo para uma grande maioria. Pode ser divertido, mas \u00e9 pouco, muito pouco para uma das sete artes cl\u00e1ssicas.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu odeio dan\u00e7a (acho que escrevi \u00e0 toa), para dizer que \u00e9 poesia porque poesia nunca foi arte, ou mesmo para dizer que sou puritano (sim, escrevi \u00e0 toa): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Das chamadas sete artes, qual \u00e9 a mais decadente?<\/p>\n<p>S\u00e3o elas: Arquitetura, Escultura, Pintura, M\u00fasica, Poesia, Dan\u00e7a e Cinema. A tenta\u00e7\u00e3o de escolher poesia \u00e9 enorme, mas, no meu ponto de vista, ela sempre foi decadente. Ent\u00e3o, eu fico com cinema.<\/p>\n<p>Para estabelecer que houve decad\u00eancia \u00e9 preciso comparar o ponto mais alto daquela arte com a sua condi\u00e7\u00e3o atual e verificar o quanto de prest\u00edgio e qualidade ela perdeu. E, meus amigos, o que aconteceu com o cinema no geral, n\u00e3o \u00e9 para poucos. Uma derrocada digna de pena.<\/p>\n<p>Cinema j\u00e1 foi a arte que mais atraiu p\u00fablico mundialmente, em sua \u00e9poca de ouro. Mesmo pintura e escultura, que s\u00e3o muito mais antigas, n\u00e3o chegaram a arrastar multid\u00f5es como o cinema. Talvez tenha sido, entre as sete, a forma mais democr\u00e1tica de arte, afinal, at\u00e9 surdo-mudo pode ver e se emocionar com um filme legendado ou cego, escutando a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Havia uma \u00e9poca onde a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica representava o que havia de maior prest\u00edgio e luxo. Al\u00e9m de movimentar bilh\u00f5es, era de um status sem precedente. Ser artista de cinema, ser artista de Hollywood, te tornava um semideus. Era a gl\u00f3ria, o \u00e1pice de glamour, o mais alto que algu\u00e9m poderia chegar em termos de fama e admira\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>E, quanto maior a altura, maior \u00e9 a queda. As outras seis nunca chegaram a esse status de serem apreciadas por todo o planeta durante d\u00e9cadas. Eram mais restritas, menos populares, portanto, qualquer oscila\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai ser compar\u00e1vel \u00e0 queda que o cinema teve. Um imp\u00e9rio que se manteve s\u00f3lido por anos e fez parte das nossas vidas como uma op\u00e7\u00e3o de lazer est\u00e1 agonizando e morrendo lentamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o falo s\u00f3 de altos e baixos nas produ\u00e7\u00f5es. Falo do ritual em si, de ir ao cinema. Mesmo antes do coronav\u00edrus, por uma s\u00e9rie de motivos, ele vinha em franca decad\u00eancia. Foi se tornando obsoleto com o tempo. O primeiro golpe foi nas locadoras, que foram extintas pelo streaming, pelos seriados, pela facilidade e variedade de ter todo tipo de programa\u00e7\u00e3o (muitas vezes melhor do que um filme) no conforto do seu lar. Acabou sobrando para o cinema no geral tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram a perder seus bons atores, bons roteiristas, bons diretores, bons profissionais no geral para o streaming. Aquele blockbuster do qual todo mundo falava aos poucos deixou de ser o cinema e passou a ser o seriado X ou Y. Mesmo as produ\u00e7\u00f5es feitas para streaming, nem de longe tem a qualidade e prest\u00edgio dos \u00e1ureos tempos do cinema. O cinema foi definhando, agonizando lentamente, mantido vivo por aparelhos plugados por saudosistas que n\u00e3o queriam abrir m\u00e3o do ritual de \u201cir ao cinema\u201d.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que essa gera\u00e7\u00e3o morre, e a que vem no lugar, quer ver tudo de casa, podendo dar um pause para fazer xixi, sem ningu\u00e9m na poltrona ao lado incomodando. Uma nova gera\u00e7\u00e3o mimada (no bom sentido, de quem quer conforto) que quer ver tudo no seu tempo, n\u00e3o nos hor\u00e1rios estipulados na bilheteria. Uma gera\u00e7\u00e3o que quer ver o que h\u00e1 de melhor, seriados onde cada cap\u00edtulo custa mais caro do que fazer um filme.<\/p>\n<p>Por j\u00e1 ter estado no topo do mundo, a derrocada do cinema me parece mais significativa. Os outros podem at\u00e9 ter ca\u00eddo, mas nunca estiveram t\u00e3o alto. Al\u00e9m disso, continuam fazendo vers\u00f5es de qualidade. At\u00e9 de m\u00fasica voc\u00ea acha se procurar.<\/p>\n<p>O mesmo vale para dan\u00e7a: tem muita coisa merda? Tem sim, principalmente do Atl\u00e2ntico pra c\u00e1, com uma tremenda bundifica\u00e7\u00e3o, mas ainda tem dan\u00e7a de qualidade pelo mundo: bel\u00edssimos bal\u00e9s, ex\u00f3ticas dan\u00e7as orientais como a dan\u00e7a do ventre e muitas outras que conservam uma tradi\u00e7\u00e3o de perfei\u00e7\u00e3o e alto n\u00edvel.<\/p>\n<p>O cinema, coitado, faz tempo que n\u00e3o apresenta uma obra digna de aplausos. O cinema passa por uma crise de criatividade sem precedentes: tudo \u00e9 requentado, seja oficialmente (como por exemplo os Live Action) seja camuflado, com velhas f\u00f3rmulas de roteiro e atores que s\u00e3o apenas iscas. O cinema que ainda se manteve intacto, o alternativo, nunca foi famoso, sempre foi de nicho, ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 que se falar nem em derrocada nem em ascens\u00e3o. O cinema das massas, esse sim agoniza.<\/p>\n<p>O coronav\u00edrus, ao que tudo indica, vai ser o golpe de miseric\u00f3rdia. N\u00e3o estou dizendo que o cinema vai acabar, n\u00e3o vai, sempre existir\u00e3o os rom\u00e2nticos saudosistas ou as pessoas sem uma op\u00e7\u00e3o t\u00e3o barata de lazer. Mas aqueles tempos gloriosos de status, prest\u00edgio e endeusamento? Esse trem j\u00e1 partiu, e n\u00e3o volta. Cinema agora \u00e9 filme merda de super-her\u00f3i, com\u00e9dia rom\u00e2ntica, franquias sendo exauridas at\u00e9 a \u00faltima gota (como Star Wars) e roteiros requentados na forma de Live Action.<\/p>\n<p>A dan\u00e7a \u00e9 uma arte milenar, praticada em rituais pr\u00e9-hist\u00f3ricos, e ainda se mant\u00e9m com relativa dignidade, dentro do seu nicho de p\u00fablico de qualidade. O cinema, coitado, morre jovem. Nasceu por volta de 1895. Perdeu sua for\u00e7a em apenas 125 anos, enquanto as outras sobrevivem por eras. Talvez o cinema tenha queimado lenha r\u00e1pido demais, \u00e0s vezes \u00e9 bom crescer devagar.<\/p>\n<p>E, veja bem, eu sou f\u00e3 de cinema. Mas infelizmente \u00e9 preciso admitir que ele est\u00e1 agonizante. Filmes? Com certeza continuar\u00e3o existindo, mas sem o glamour da exibi\u00e7\u00e3o em salas de cinema, de arrastar multid\u00f5es, de despertar admira\u00e7\u00e3o na grande massa e definitivamente sem o status de arte mais popular do planeta. Hoje, os seriados est\u00e3o lentamente tomando seu posto, e possivelmente algo novo surgir\u00e1 em breve e tomar\u00e1 o lugar dos seriados. \u00c9 o destino cruel da arte consumida pela massa: ela tem vida curta.<\/p>\n<p>Assim como um quadro do Romero Britto n\u00e3o destr\u00f3i a Pintura uma dan\u00e7a feia n\u00e3o destr\u00f3i a Dan\u00e7a. Amadorismo e p\u00e9ssimo gosto existe em qualquer lugar.\u00a0 Cada pa\u00eds tem sua dan\u00e7a, que representa culturalmente e mant\u00e9m viva uma tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos. O que aconteceu com o cinema foi algo mais dram\u00e1tico, mais profundo e mundial. N\u00e3o \u00e9 que a qualidade de suas obras caiu, o g\u00eanero foi substitu\u00eddo.<\/p>\n<p>O cinema conseguiu cair mais baixo do que o r\u00e1dio, que ressurgiu com uma nova roupagem na forma de podcast. O cinema n\u00e3o. Streaming, seriados, document\u00e1rios&#8230; n\u00e3o s\u00e3o cinema. Principalmente nesse esquema fast-food que as Netflix da vida os apresentam. E n\u00e3o soube lidar com isso, se agarrando a estrat\u00e9gias furadas para tentar sobreviver: lacre, feminismo raivoso e outras milit\u00e2ncias que lhe tiram a espontaneidade.<\/p>\n<p>Me d\u00f3i afirmar, mas de todas as derrocadas, a pior foi a do cinema. E eu n\u00e3o vejo retorno, n\u00e3o pela pandemia, mas pelo que vinha sendo apresentado antes dela. Vai virar entretenimento de hipster e de cabe\u00e7a oca. Descanse em paz, Cinema.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que meu texto te entristeceu, para dizer que a culpa \u00e9 do Me Too ou ainda para dizer que a culpa \u00e9 das cotas impostas: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que configura arte \u00e9 dif\u00edcil de se definir em linhas gerais, mas h\u00e1 um consenso m\u00ednimo sobre quais s\u00e3o as sete artes cl\u00e1ssicas: Arquitetura, Escultura, Pintura, M\u00fasica, Poesia, Dan\u00e7a e Cinema. Sally e Somir colocam o mon\u00f3culo, levantam o dedinho e discutem sobre os rumos delas. Os impopulares apresentam suas pe\u00e7as. 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