{"id":18635,"date":"2021-07-07T14:25:51","date_gmt":"2021-07-07T17:25:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=18635"},"modified":"2021-07-07T14:27:33","modified_gmt":"2021-07-07T17:27:33","slug":"revolucao-haitiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/07\/revolucao-haitiana\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana."},"content":{"rendered":"<p>Acaba de sair a not\u00edcia do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Mo\u00efse, o que quer dizer que pelo menos por um ou dois ciclos de not\u00edcias, vamos ouvir falar muito sobre o pa\u00eds. A na\u00e7\u00e3o caribenha poderia ser conhecida como uma das primeiras independentes nas Am\u00e9ricas ou a primeira a abolir a escravid\u00e3o, mas infelizmente o \u00e9 por causa da extrema pobreza e instabilidade pol\u00edtica. Como isso aconteceu?<!--more--><\/p>\n<p>Localizada na Am\u00e9rica Central, a ilha de S\u00e3o Domingos (ou Hispaniola), foi uma das primeiras visitadas por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, ainda em 1492. Por l\u00e1 viviam nativos do povo Ta\u00edno, que inicialmente receberam os europeus de forma amistosa. Aproveitando a situa\u00e7\u00e3o, os espanh\u00f3is criaram a primeira col\u00f4nia europeia permanente nas Am\u00e9ricas, onde hoje em dia fica a Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<p>J\u00e1 no ano seguinte, os espanh\u00f3is vieram em peso para tomar controle da regi\u00e3o. A diferen\u00e7a brutal de tecnologia de guerra foi percebida por Colombo, que j\u00e1 calculava quantos homens e armas seriam necess\u00e1rios para tomar a ilha enquanto sorria para os nativos. Em pouco tempo, as doen\u00e7as europeias para as quais os locais n\u00e3o tinham anticorpos deram conta de dizimar os ta\u00ednos, sem contar, \u00e9 claro, o completo desinteresse espanhol pelo bem-estar dos habitantes originais.<\/p>\n<p>Mas essa parte da hist\u00f3ria quase toda a Am\u00e9rica tem em comum. Do norte ao sul, europeus conquistaram povos ind\u00edgenas com o uso de espadas e doen\u00e7as. O diferencial haitiano come\u00e7a com a importa\u00e7\u00e3o em massa de escravos africanos a partir de 1501. As planta\u00e7\u00f5es e minas espanholas precisavam de m\u00e3o de obra e os \u00edndios n\u00e3o sobreviviam tempo suficiente. Os Ta\u00ednos ainda sobreviveram como um povo por algumas d\u00e9cadas, inclusive se unindo com escravos africanos para realizar algumas revoltas. Mas no final das contas, acabaram mortos ou integrados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Com a explora\u00e7\u00e3o de outras col\u00f4nias americanas pelos espanh\u00f3is, o interesse na ilha de Hispaniola diminuiu, levando a v\u00e1rias d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o. Foi nesse desinteresse espanhol que os franceses conseguiram fincar p\u00e9 na ilha. Em 1697, a Espanha acabou cedendo parte da regi\u00e3o para a Fran\u00e7a. E a Fran\u00e7a n\u00e3o perdeu tempo com sua col\u00f4nia americana: em pouco tempo, Saint-Domingue foi chamada da p\u00e9rola das Antilhas, produzindo a\u00e7\u00facar em alt\u00edssima demanda no continente europeu.<\/p>\n<p>Toda riqueza produzida com trabalho escravo. A propor\u00e7\u00e3o de escravos africanos para europeus na col\u00f4nia era imensa, os europeus claramente cegos pelos lucros, foram criando um barril de p\u00f3lvora na regi\u00e3o. Onde tem dinheiro, tem interesse: quase todas as na\u00e7\u00f5es europeias tentavam pegar um peda\u00e7o daquela regi\u00e3o riqu\u00edssima, e at\u00e9 mesmo uma col\u00f4nia inglesa em franca expans\u00e3o logo ao norte se interessava pela ilha.<\/p>\n<p>Em 1791, o barril explodiu na Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana. Escravos, ex-escravos, espanh\u00f3is, brit\u00e2nicos, e at\u00e9 mesmo poloneses se juntaram para declarar independ\u00eancia dos franceses. Numa s\u00e9rie de batalhas muito sangrentas, nascia o Haiti, sob o comando de um ex-escravo que prontamente aboliu a escravid\u00e3o. O governo colonial franc\u00eas foi expulso, e antes que voc\u00ea se esque\u00e7a como era o mundo naquele tempo, os franceses que n\u00e3o conseguiram fugir a tempo foram massacrados.<\/p>\n<p>Mas, para voc\u00ea n\u00e3o se esquecer de novo como era o mundo naquele tempo, at\u00e9 para os padr\u00f5es da escravid\u00e3o, os franceses eram cru\u00e9is. Com dez escravos para cada franc\u00eas em m\u00e9dia, havia o medo constante de uma revolta. Mas, com a regi\u00e3o produzindo 60% do caf\u00e9 mundial e 40% do a\u00e7\u00facar utilizado na Fran\u00e7a e na Inglaterra, ningu\u00e9m se interessou em ler as placas de \u201cpare\u201d.<\/p>\n<p>Quando a revolu\u00e7\u00e3o finalmente come\u00e7ou, n\u00e3o tinha muito o que controlar na regi\u00e3o. Estima-se que mais de cem mil escravos aderiram \u00e0 revolta e come\u00e7aram a matar seus mestres e destruir planta\u00e7\u00f5es. Muitos ainda achando que estavam lutando com o apoio do rei da Fran\u00e7a, uma fake news daquela \u00e9poca, onde se dizia que a monarquia francesa havia abolido a escravid\u00e3o e os l\u00edderes da col\u00f4nia estavam desrespeitando a ordem.<\/p>\n<p>No meio da confus\u00e3o, a Fran\u00e7a declarou guerra contra a Gr\u00e3-Bretanha, o que s\u00f3 tornou a situa\u00e7\u00e3o mais imprevis\u00edvel. Irritados com a falta de suporte da coroa francesa, os escravocratas locais tentaram se aliar com os brit\u00e2nicos, esperando que eles evitassem a libera\u00e7\u00e3o dos escravos. Os brit\u00e2nicos aceitaram a oferta, esperando que controlar a col\u00f4nia mais rica das Am\u00e9ricas fosse uma boa moeda de troca assim que a guerra acabasse e precisassem negociar a paz.<\/p>\n<p>Est\u00e1 acompanhando a bagun\u00e7a? Piora. Para enfraquecer os brit\u00e2nicos, e \u00e0 luz da recente Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, os franceses abolem a escravid\u00e3o em todas suas col\u00f4nias, esperando que os agora ex-escravos defendessem a ilha. A\u00ed, os espanh\u00f3is, que estavam logo ao lado com sua pr\u00f3pria col\u00f4nia lucrativa, resolvem apoiar os franceses para evitar que os ingleses se enfiem no meio da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, apoiado pelos espanh\u00f3is, cresce a figura de Toussaint Louverture, ex-escravo e agora um dos generais mais poderosos da revolta haitiana. Toussaint, espertamente, n\u00e3o confia em ningu\u00e9m, sabendo que aquela bagun\u00e7a toda poderia se voltar contra o povo que tentava liberar a qualquer momento. Uma das maiores armas de Toussaint foi o subterf\u00fagio, trocando de lado entre espanh\u00f3is e franceses assim que percebia uma oportunidade.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que toda essa luta acontecia em Hispaniola, a rec\u00e9m independente ex-col\u00f4nia inglesa come\u00e7a a fazer mais e mais diferen\u00e7a na geopol\u00edtica local. Os Estados Unidos aparecem de surpresa, com poderio econ\u00f4mico e militar suficiente para desequilibrar a balan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade haitiana. Depois de uma s\u00e9rie de acordos e facadas nas costas entre os participantes, Toussaint consegue expulsar os espanh\u00f3is da ilha e consolidar o poder em mais uma guerra sangrenta contra outro general local.<\/p>\n<p>S\u00f3 para Napole\u00e3o Bonaparte invadir a ilha! Com a promessa de n\u00e3o mexer na aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, as tropas napole\u00f4nicas queriam acabar com os generais haitianos e retomar o controle local. Toussaint n\u00e3o estava disposto a ser apagado da hist\u00f3ria. Com a for\u00e7a de uma popula\u00e7\u00e3o que atribu\u00eda a ele a liberdade rec\u00e9m-conquistada, os haitianos peitaram Napole\u00e3o&#8230; e ganharam. O Haiti \u00e9 uma das poucas derrotas de Bonaparte, e provavelmente o motivo pelo qual ele abandonou seus planos de um imp\u00e9rio americano (tentar conquistar uma parte dos EUA tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou).<\/p>\n<p>Em dezembro de 1803, depois de mais uma d\u00e9cada de batalhas, os haitianos finalmente venceram a resist\u00eancia francesa, e logo depois fundaram o primeiro Estado criado por uma revolta de escravos. Estima-se que mais de duzentas mil pessoas tenham morrido nessa revolu\u00e7\u00e3o, a imensa maioria escravos africanos. Foi sangrento, foi terr\u00edvel, mas de um significado hist\u00f3rico \u00edmpar.<\/p>\n<p>Muito se fala da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa como marco para o in\u00edcio da era moderna da humanidade, mas eu acredito que possamos argumentar que a independ\u00eancia haitiana tenha algo de ainda mais especial na nossa hist\u00f3ria. Se voc\u00ea torce pelo mais fraco numa luta, n\u00e3o fica melhor do que isso: escravos que sofreram abusos terr\u00edveis se organizaram para se livrar das garras dos maiores imp\u00e9rios da \u00e9poca, mandando at\u00e9 Napole\u00e3o de volta para a Fran\u00e7a com o rabinho entre as pernas.<\/p>\n<p>A gente olha para o Haiti hoje como um lugar onde tudo d\u00e1 errado, provavelmente sem a vis\u00e3o da grandiosidade do que aconteceu ali. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um pa\u00eds pobre que a gente usa como sin\u00f4nimo de lugar ruim, \u00e9 um dos ber\u00e7os do mundo como conhecemos, uma quebra na realidade de um planeta que at\u00e9 ent\u00e3o nunca tinha se preocupado muito com as consequ\u00eancias de oprimir e explorar. Claro, a humanidade continuou e continua fazendo isso, mas desde o Haiti n\u00e3o na mesma escala, e com certeza n\u00e3o com a mesma certeza da impunidade.<\/p>\n<p>Se fosse um filme, eu com certeza terminaria com Toussaint assumindo a presid\u00eancia do Haiti e a esperan\u00e7a de dias melhores. Mas na vida real, as coisas continuam&#8230; e no caso do Haiti, continuaram num caminho cada vez pior. Evidente que nenhum dos poderes mundiais gostou dessa ousadia haitiana, foram obrigados a tolerar, considerando que custava caro demais tentar controlar a ilha de novo. E a\u00ed, come\u00e7a o Haiti moderno.<\/p>\n<p>O Haiti do abandono. Depois da independ\u00eancia, um pa\u00eds precisa encontrar aliados, e r\u00e1pido. Sem o reconhecimento internacional, qualquer novo pa\u00eds est\u00e1 fadado ao fracasso. E o reconhecimento internacional haitiano custou muito caro. Muito caro mesmo. Para conseguir realizar com\u00e9rcio internacional e ser respeitado como Estado soberano, o Haiti teve que pagar repara\u00e7\u00f5es de guerra para a Fran\u00e7a, num valor t\u00e3o absurdo, mas t\u00e3o absurdo, que mesmo depois de negociado para cair quase pela metade, s\u00f3 foi terminar de ser pago em 1947!<\/p>\n<p>Quando os franceses vierem com seu papo de igualdade e fraternidade, sempre bom lembrar quem faliu o agora mais pobre pa\u00eds das Am\u00e9ricas. Para dar conta dessa d\u00edvida astron\u00f4mica, que chegou a ocupar 80% da produ\u00e7\u00e3o nacional s\u00f3 para pagar presta\u00e7\u00f5es, o Haiti acabou voltando \u00e0s suas ra\u00edzes agr\u00e1rias, explorando os ex-escravos com sal\u00e1rios rid\u00edculos, que \u201ctecnicamente\u201d n\u00e3o eram a volta da escravid\u00e3o. Isso manteve o povo muito pobre, sem quebrar a din\u00e2mica de uma min\u00fascula elite muito rica vivendo cercada de gente miser\u00e1vel.<\/p>\n<p>E para piorar, com muitos pa\u00edses incomodados com a ideia de aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, o Haiti penou para conquistar aliados. Isolado e empobrecido, o pa\u00eds come\u00e7ou a ser governado por uma s\u00e9rie de ditadores, cada vez mais violentos e malucos. \u00c9 o ciclo da desgra\u00e7a: um governo \u00e9 t\u00e3o ruim e violento que o pr\u00f3ximo tem que tirar na for\u00e7a, e s\u00f3 quem tem coragem pra isso \u00e9 algu\u00e9m pior e mais violento&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o ajudou em nada os interesses imperialistas dos EUA, que sempre que podiam, invadiam o pa\u00eds em nome da paz (vulgo medo de algum advers\u00e1rio invadir primeiro), mas n\u00e3o resolvendo o problema maior da desigualdade. E por conta do apoio dos EUA, o Haiti teve em comum com a Am\u00e9rica do Sul um ditador \u201canti-comunista\u201d que ficou por muito tempo no poder, afundando o que ainda restava naquele pa\u00eds. \u201cPapa Doc\u201d assumiu o poder em 1957, ficou at\u00e9 1971, sendo substitu\u00eddo pelo filho at\u00e9 1986. Nesse ponto, os EUA j\u00e1 estavam um pouco mais relaxados com a \u201camea\u00e7a vermelha\u201d. Papa Doc e Baby Doc controlaram o pa\u00eds com m\u00e3o de ferro e a incompet\u00eancia costumeira de ditadores do tipo.<\/p>\n<p>Quando o Haiti parecia finalmente ter um respiro para recome\u00e7ar, leva na cabe\u00e7a uma sequ\u00eancia de desastres naturais na forma de furac\u00f5es, tempestades tropicais e um terremoto devastador em 2010. O pa\u00eds, que j\u00e1 estava arrasado por s\u00e9culos de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resiste a mais essa pancada. H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada o pa\u00eds tenta se reerguer, sem sucesso. N\u00e3o ajuda nada que continue sendo controlado por pol\u00edticos pouco afeitos \u00e0 democracia. O presidente morto hoje estava no cargo por decreto, \u00e0 revelia da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Imagine um pa\u00eds que passou por tudo o que o Brasil passou, mas dez vezes pior e com dez vezes mais guerras e viol\u00eancia. Sem contar os desastres naturais. O sacrif\u00edcio realizado pelos revolucion\u00e1rios condenou o pa\u00eds, mas de uma certa forma, acelerou demais a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ao redor do mundo. Pode achar o Haiti um lugar horr\u00edvel, porque infelizmente ainda \u00e9, mas se puder, quando olhar para o pa\u00eds, lembre-se de que eles pularam na granada que ningu\u00e9m mais teve coragem de pular.<\/p>\n<p>E com isso, possivelmente salvaram o mundo como conhecemos hoje. Olhe para o Haiti e se lembre do pre\u00e7o que eles pagaram: os escravos que finalmente assustaram os mestres. Quando eles se mexeram, todo mundo teve que se mexer. \u00c9 assim que se muda o mundo, mas infelizmente o pre\u00e7o foi muito caro.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que achava que eles eram azarados mesmo, para dizer que o melhor que fazemos \u00e9 n\u00e3o mandar ex\u00e9rcito brasileiro, ou mesmo para dizer que se identificou: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acaba de sair a not\u00edcia do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Mo\u00efse, o que quer dizer que pelo menos por um ou dois ciclos de not\u00edcias, vamos ouvir falar muito sobre o pa\u00eds. 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