{"id":18643,"date":"2021-07-09T16:24:21","date_gmt":"2021-07-09T19:24:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=18643"},"modified":"2021-07-23T13:31:52","modified_gmt":"2021-07-23T16:31:52","slug":"o-embaixador-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/07\/o-embaixador-parte-1\/","title":{"rendered":"O Embaixador \u2013 Parte 1"},"content":{"rendered":"<p>Eduardo observa seu celular desligar, levando com ele o aplicativo que o guiava pela estrada de terra naquele fim de tarde. N\u00e3o que fosse de tremenda ajuda, afinal, h\u00e1 mais de meia hora parecia andar em c\u00edrculos naquele mar de \u00e1rvores e vegeta\u00e7\u00e3o espessa no meio do nada. Mesmo assim, era alguma forma de se localizar.<!--more--><\/p>\n<p>Os far\u00f3is do furg\u00e3o j\u00e1 se faziam necess\u00e1rios com o som poente, mas iluminavam apenas mais e mais quil\u00f4metros de descampados e fazendas virtualmente id\u00eanticas. H\u00e1 muito tempo n\u00e3o via companhia na acanhada via rural. Era apenas a primeira semana do novo trabalho como entregador e j\u00e1 havia se perdido terrivelmente pela terceira vez. Senso de dire\u00e7\u00e3o nunca fora seu forte, mas dado o aperto nas contas, era o \u00fanico emprego que conseguira para se sustentar.<\/p>\n<p>J\u00e1 cansado pelos solavancos do caminho, resolve parar um pouco. Come\u00e7a a imaginar seu chefe cuspindo fogo pelas ventas, certamente disposto a demiti-lo depois de tantas falhas em t\u00e3o pouco tempo. Era o \u00faltimo pacote do dia, que se n\u00e3o fosse entregue logo, seria o \u00faltimo pacote de sua carreira. A noite come\u00e7a a tomar conta dos c\u00e9us, os \u00faltimos raios de sol se escondendo atr\u00e1s das copas das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Ele desce do carro, resignado com o fracasso. Pensando agora, era \u00f3bvio que deveria ter uma bateria reserva para o celular com seu novo trabalho. Ou pelo menos um carregador que pudesse ser utilizado no carro. Um dos maiores talentos de Eduardo era perceber exatamente o que fazer quando era tarde demais, frase que escutara da \u00faltima ex-namorada, palavra por palavra tatuada em sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Enquanto pensa como deveria ter chamado ela para morar junto porque ela claramente estava querendo um compromisso mais s\u00e9rio, segue em dire\u00e7\u00e3o a um morro, na expectativa de uma vis\u00e3o melhor dos arredores, e quem sabe, uma ideia de caminho at\u00e9 a rodovia mais pr\u00f3xima. A inclina\u00e7\u00e3o do terreno queima suas panturrilhas, lembrando-o da promessa n\u00e3o cumprida de se exercitar mais naquele ano. Eventualmente, atinge o ponto mais alto, apenas para descobrir que fora algumas luzes muito distantes, aparentemente de casas nas fazendas locais, n\u00e3o h\u00e1 mais sinais de civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A lua j\u00e1 est\u00e1 vis\u00edvel no c\u00e9u, e com ela, uma s\u00e9rie de estrelas que ele sequer sabia que estavam l\u00e1. Longe da polui\u00e7\u00e3o visual da cidade, havia algo de majestoso no firmamento. Por alguns instantes, se permitiu esquecer das dificuldades do dia a dia e apenas admirar o show que o universo o proporcionava. Se ao menos soubesse nomear algo al\u00e9m da lua cheia, provavelmente estaria curtindo mais o momento.<\/p>\n<p>Talvez uma ou outra dessas mais brilhantes poderia ser um planeta. Eduardo demora um pouco para se lembrar de quais eram os mais pr\u00f3ximos, voltando os olhos \u00e0s m\u00e3os enquanto contava o caminho entre Sol e Terra. \u201cMerc\u00fario, Mar&#8230; n\u00e3o&#8230; V\u00eanus&#8230; Terra! Marte \u00e9 depois, acho que nem d\u00e1 pra ver&#8230;\u201d. Com os olhos fixados num ponto luminoso que tinha quase nenhuma certeza de ser V\u00eanus, algo se move na sua vis\u00e3o perif\u00e9rica. Um outro ponto de luz parece se movimentar. Ele sorri, imaginando que em compensa\u00e7\u00e3o de um dia terr\u00edvel do qual certamente emergiria desempregado, pelo menos conseguira ver uma estrela cadente. Sua primeira.<\/p>\n<p>Eduardo se lembra de algo que sua v\u00f3 disse, ou viu num filme americano, n\u00e3o tinha certeza: ao ver uma estrela cadente, a pessoa pode fazer um pedido. \u201cEu quero a Mariana de volta.\u201d Ele suspira por um momento, e volta a pensar: \u201cN\u00e3o. N\u00e3o adianta ela voltar se eu estiver desempregado morando na rua&#8230; eu quero um emprego.\u201d Ele sorri esperan\u00e7oso por alguns segundos, mas logo volta a uma express\u00e3o pensativa.<\/p>\n<p>\u201cPera\u00ed, segura o do emprego&#8230; e se for um emprego ruim? Eu vou ser demitido de novo e a Mariana vai me achar um fracasso de novo. Pode ser um emprego bom que n\u00e3o seja muito dif\u00edcil e n\u00e3o tenha muita press\u00e3o? Eu sempre fico nervoso com&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Eduardo volta a olhar para a estrela cadente. Ela n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1. Ele suspira decepcionado. Tenta se consolar com a ideia de que Mariana roncava, e que no final das contas nem gostava muito de ouvir as conversas dela sobre fofocas da empresa que trabalhava. Ele olha de volta para o Furg\u00e3o, lanternas acesas na escurid\u00e3o. Estava na hora de voltar para o mundo real. Ele desce o morro desviando do mato e espantando os mosquitos que come\u00e7am a aparecer.<\/p>\n<p>\u201cEu podia ter pedido para ganhar na loteria!\u201d \u2013 Eduardo d\u00e1 um tapa na testa. Derrotado, se aproxima do carro, cabisbaixo. Subitamente, a luz dos far\u00f3is desaparece. O painel do carro parece desligar tamb\u00e9m. A lua cheia permite uma visibilidade razo\u00e1vel, seus olhos j\u00e1 acostumados por observar as estrelas poucos minutos atr\u00e1s. Por detr\u00e1s de uma grande \u00e1rvore na sua frente, surge uma luz poderosa, erguendo-se por sobre a copa at\u00e9 se tornar cegante. Ele tapa os olhos com uma m\u00e3o, colocando o outro bra\u00e7o \u00e0 frente de forma instintiva.<\/p>\n<p>\u201cShshsha Bshasha Ushosh!\u201d \u2013 Uma voz poderosa chega aos seus ouvidos, como se viesse de um megafone no c\u00e9u. Mas a chiadeira n\u00e3o fazia muito sentido.<\/p>\n<p>\u201cEu estou perdido! N\u00e3o queria invadir sua fazenda!\u201d \u2013 Eduardo grita.<\/p>\n<p>\u201cOshush?\u201d \u2013 Embora o som ainda n\u00e3o fosse intelig\u00edvel, o tom de pergunta ficara claro.<\/p>\n<p>\u201cAi&#8230; esp\u00edque&#8230; Brasil!\u201d \u2013 Eduardo faz o seu melhor para se comunicar numa l\u00edngua estrangeira. A luz continua forte demais para ele fazer senso de quem estava na sua frente. \u201cOff.. farol?\u201d, ele continua.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio. Ali\u00e1s, Eduardo come\u00e7a a estranhar como um helic\u00f3ptero poderia estar sobre a sua cabe\u00e7a sem fazer barulho nenhum. A luz estava pelo menos uns tr\u00eas metros acima dele. Ou trinta&#8230; dist\u00e2ncias nunca foram seu forte.<\/p>\n<p>\u201cEu venho em paz, terr\u00e1queo!\u201d \u2013 a voz do megafone finalmente faz sentido. Pelo menos at\u00e9 a parte do \u201cterr\u00e1queo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cApaga a luz!\u201d<\/p>\n<p>\u201cAh, merda&#8230; desculpa&#8230;\u201d \u2013 ainda forte, a voz parece um pouco diferente dessa vez.<\/p>\n<p>A luz finalmente cede, e em seu lugar Eduardo percebe um objeto met\u00e1lico arredondado, flutuando silenciosamente sobre sua cabe\u00e7a. A superf\u00edcie perfeitamente lisa reflete a luz do luar, e at\u00e9 mesmo algumas das estrelas. O objeto \u00e9 maior que um caminh\u00e3o, alongado e prateado, impossivelmente est\u00e1tico no ar.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea \u00e9 um alien?\u201d \u2013 Eduardo vira filmes suficientes sobre o tema para ter confian\u00e7a no que dizia.<\/p>\n<p>\u201cPor suas habilidades \u00edmpares, voc\u00ea recebeu a honra de ser chamado pelo Grande Conselho Gal\u00e1ctico. Por favor, afaste-se de qualquer arma que portar sob o risco de ser vaporizado imediatamente. Obrigado!\u201d<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a realmente pesar na cabe\u00e7a de Eduardo. O choque inicial d\u00e1 lugar a um medo instintivo. Sem pensar duas vezes, ele se joga dentro do furg\u00e3o e fecha a porta. Tenta girar a chave desesperadamente, na esperan\u00e7a de fazer o carro pegar. Sem sucesso. Sequer ouve o barulho da partida. O objeto voador n\u00e3o identificado continua parado diante do carro. Eduardo come\u00e7a a considerar que pode estar dormindo e que tudo n\u00e3o passa de um sonho. Ele fecha os olhos e come\u00e7a a beliscar v\u00e1rias partes do bra\u00e7o na tentativa de acordar.<\/p>\n<p>Som de batidas no vidro do carro.<\/p>\n<p>Eduardo se volta para a dire\u00e7\u00e3o do som e se depara com um porco o observando do outro lado da janela. N\u00e3o um porco comum, mas uma mistura entranha de pessoa com animal. A pele \u00e9 rosa, o focinho \u00e9 inconfund\u00edvel, mas os olhos s\u00e3o bem maiores. No meio da testa, cresce uma crina escura, atravessando rumo \u00e0s costas como se fosse o corte moicano de um punk. As orelhas s\u00e3o pontudas como se esperaria, mas a esquerda parece tomada por um aparelho met\u00e1lico. O que se pode ver da roupa dele parece feita de um material parecido com alum\u00ednio.<\/p>\n<p>\u201cMe ajuda! Abre essa porta e vamos logo!\u201d \u2013 a voz \u00e9 parecida com uma das ouvidas anteriormente, mas agora abafada pela janela do carro.<\/p>\n<p>\u201cQuem \u00e9 voc\u00ea?\u201d \u2013 Eduardo sente alguma calma vendo a criatura, porcos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o assustadores assim.<\/p>\n<p>\u201cShserant, mas todo mundo me chama de Bronco. Eu estou atrasado demais, n\u00e3o d\u00e1 tempo de bater papo, humano. Sai da\u00ed e vamos, sen\u00e3o eu vou perder meu emprego!\u201d<\/p>\n<p>\u201cVamos pra onde?\u201d \u2013 Eduardo abre uma fresta do vidro para pode se comunicar melhor.<\/p>\n<p>\u201cEu te explico no caminho. Eu estou com pouca carga no reator, eu tive um&#8230; rrrronc&#8230; imprevisto.\u201d<\/p>\n<p>Eduardo sente um cheiro horr\u00edvel de bebida vindo do ronco ou arroto vindo do porco falante. Agora tamb\u00e9m percebe que a fala de seu interlocutor est\u00e1 um tanto quanto enrolada.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea est\u00e1 b\u00eabado?\u201d \u2013 Eduardo fecha o vidro um pouco mais, tentando disfar\u00e7ar o horror na express\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu navego melhor quando bebo. E foram s\u00f3 umas cinco ou seis garrafas de u\u00edsque humano&#8230; rrrronc&#8230; as crian\u00e7as do meu planeta bebem mais que isso&#8230; j\u00e1 vai&#8230; rrrronc&#8230; passar!\u201d \u2013 Bronco tenta abrir a porta do carro, e rapidamente consegue.<\/p>\n<p>Eduardo observa a porta se abrindo e pensa que deveria ter trancado. Tarde demais. Ele ergue os punhos na pose mais amea\u00e7adora que consegue imaginar. Bronco ri. O porco levanta os bra\u00e7os claramente humanoides e aponta uma arma na dire\u00e7\u00e3o de Eduardo. Os punhos cerrados se transformam em m\u00e3os espalmadas denotando rendi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o suficiente, Bronco aperta o gatilho, Eduardo v\u00ea um clar\u00e3o antes de perder a consci\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u201cComida?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>\u201cComida!\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o! Se ele estiver mordido quando a gente chegar eu vou te deixar em \u00f3rbita!\u201d<\/p>\n<p>\u201cGlau quer comida!\u201d<\/p>\n<p>Eduardo acorda ouvindo um di\u00e1logo, a vis\u00e3o ainda borrada n\u00e3o consegue fazer sendo do que est\u00e1 diante de seu rosto. Com o tempo, percebe dois pequenos olhos negros centralizados num rosto muito redondo e peludo que o observam de volta. Um pequeno ser, basicamente composto apenas de uma cabe\u00e7a extremamente grande em rela\u00e7\u00e3o aos pequenos membros, ajoelha-se sobre seu peito. Eduardo est\u00e1 deitado numa esp\u00e9cie de maca, bra\u00e7os e pernas amarrados. O estranho ser tem uma boca larga, e dela se pronunciam uma infinidade de dentes afiados.<\/p>\n<p>\u201cGlau tem fome, porco n\u00e3o dar comida.\u201d \u2013 a boca cheia de dentes se move, mas o movimento n\u00e3o corresponde ao som emitido.<\/p>\n<p>\u201cPorco \u00e9 sua m\u00e3e, bola de pelo!\u201d \u2013 a voz \u00e9 claramente de Bronco, mas a posi\u00e7\u00e3o de Eduardo n\u00e3o permite verificar de onde ela vem. Ao redor do ser que aparentemente se chama Glau, ele consegue enxergar uma s\u00e9rie de monitores e proje\u00e7\u00f5es de s\u00edmbolos incompreens\u00edveis. A \u00fanica imagem reconhec\u00edvel \u00e9 um modelo tridimensional de um corpo humano, ao redor do qual v\u00e1rios elementos visuais igualmente confusos aparecem e desaparecem em velocidade fren\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 m\u00e3e?\u201d \u2013 Glau pergunta, olhando para Eduardo.<\/p>\n<p>\u201cO que aconteceu?\u201d \u2013 Eduardo pergunta, sem muitas esperan\u00e7as de uma resposta de Glau, mas torcendo para que Bronco d\u00ea a resposta.<\/p>\n<p>\u201cM\u00e3e \u00e9&#8230; esqueci que esses bichos se duplicam. M\u00e3e \u00e9 algu\u00e9m igual a voc\u00ea, mas mais velha e mulher.\u201d<\/p>\n<p>\u201cBronco?\u201d<\/p>\n<p>\u201cFica tranquilo, o Glau no m\u00e1ximo consegue comer um bra\u00e7o seu, ele \u00e9 pequeno demais pra te comer inteiro!\u201d \u2013 A voz de Bronco vem em tom tranquilizador, pelo menos na vis\u00e3o dele.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 mulher?\u201d \u2013 Glau pergunta novamente.<\/p>\n<p>\u201cPergunta pra algu\u00e9m quando chegar l\u00e1. Esses bichos devem ser unissex. Assim que a gente passar por essa nuvem de poeira, eu j\u00e1 vou a\u00ed te ver, humano!\u201d<\/p>\n<p>Glau se senta sobre o peito de Eduardo, e olha longamente para seu bra\u00e7o exposto.<\/p>\n<p>\u201cMe leva de volta, eu vou ser demitido!\u201d \u2013 Eduardo tenta argumentar, um olho buscando por Bronco, outro mantendo Glau sob vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se preocupa, humano. Voc\u00ea vai ter&#8230; rrrronc&#8230; um emprego bem melhor. Ali\u00e1s&#8230; qual \u00e9 o seu nome?\u201d<\/p>\n<p>\u201cEduardo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEduardo, a gente tem um probleminha. Eu estava meio sem tempo, o Glau a\u00ed ficava do outro lado da gal\u00e1xia, aqueles imbecis do Conselho me deram um prazo rid\u00edculo&#8230; acredita?\u201d<\/p>\n<p>\u201cAcredito, mas&#8230; que probleminha a gente tem?\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu tinha que pegar outra pessoa na Terra, mas acabou n\u00e3o dando tempo, ent\u00e3o eu peguei voc\u00ea mesmo. Mas n\u00e3o rrrronc&#8230; se assusta, eles n\u00e3o v\u00e3o saber a diferen\u00e7a! \u00c9 s\u00f3 dizer que seu nome \u00e9&#8230; \u00e9&#8230; pera\u00ed&#8230; ah, nem eles sabiam o nome. Pode dizer qualquer coisa.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEles quem?\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Grande Conselho Gal\u00e1ctico. Se perguntarem, diz que voc\u00ea \u00e9 o embaixador mais condecorado da Terra.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEmbaixador?\u201d<\/p>\n<p>\u201cParab\u00e9ns, voc\u00ea vai ser o embaixador da Terra no conselho! Uma grande honra!\u201d \u2013 Bronco diz isso de forma animada.<\/p>\n<p>\u201cUng&#8230;\u201d \u2013 Glau faz um barulho estranho e fecha os olhos.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei ser embaixador! O que eu tenho que fazer?\u201d \u2013 Eduardo fica ainda mais nervoso com a ideia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o deixa entrar na sua boca!\u201d<\/p>\n<p>\u201cOi?\u201d<\/p>\n<p>Glau come\u00e7a a tremer, e de sua bocarra, lan\u00e7a uma quantidade assustadora de l\u00edquido verde.<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/07\/o-embaixador-parte-2\/\">Continua&#8230;<\/a><\/em><\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que se identificou com Eduardo, para dizer que se identificou com Bronco, ou mesmo para dizer que se identificou com Glau: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo observa seu celular desligar, levando com ele o aplicativo que o guiava pela estrada de terra naquele fim de tarde. N\u00e3o que fosse de tremenda ajuda, afinal, h\u00e1 mais de meia hora parecia andar em c\u00edrculos naquele mar de \u00e1rvores e vegeta\u00e7\u00e3o espessa no meio do nada. 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