{"id":19172,"date":"2021-11-16T13:11:30","date_gmt":"2021-11-16T16:11:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19172"},"modified":"2021-11-16T13:11:30","modified_gmt":"2021-11-16T16:11:30","slug":"sobreviventes-dos-anos-80","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/11\/sobreviventes-dos-anos-80\/","title":{"rendered":"Sobreviventes dos anos 80"},"content":{"rendered":"<p>Esta semana li uma not\u00edcia que dizia morrem mais crian\u00e7as hoje do que na d\u00e9cada de 80. Morrem mais por doen\u00e7a, por acidentes, por suic\u00eddio, por uso de drogas e por outras causas. Na mat\u00e9ria explicavam que o novo estilo de vida dos tempos modernos \u00e9 especialmente prejudicial para as crian\u00e7as: os pais t\u00eam pouco tempo para cuidar, o estresse, a polui\u00e7\u00e3o, a comida congelada e muitos outros fatores contribuiriam para que, apesar dos avan\u00e7os da medicina, morram mais crian\u00e7as hoje.<!--more--><\/p>\n<p>Obviamente quem escreveu isso n\u00e3o foi crian\u00e7a nos anos 80 ou obviamente h\u00e1 um erro de c\u00e1lculo a\u00ed. Imposs\u00edvel que qualquer gera\u00e7\u00e3o atual tenha uma inf\u00e2ncia mais perigosa, intoxicante e mortal do que a nossa, de pessoas que foram crian\u00e7as nos anos 80. Que tipo de gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de cristal est\u00e3o nascendo para que hoje, morram mais do que nos anos 80?<\/p>\n<p>Nos anos 80 n\u00e3o tinha essa conversinha de alimento org\u00e2nico, de coisa sem agrot\u00f3xico, de alimento sem gordura trans. Nos anos 80 borrifavam as planta\u00e7\u00f5es com aquele Baygon preto e foda-se, \u00e9 isso que vai para o seu prato e ai de voc\u00ea se n\u00e3o comer, pois al\u00e9m de apanhar ainda tinha que ouvir aquele serm\u00e3o de que \u201ctem crian\u00e7a passando fome na \u00c1frica e voc\u00ea jogando comida fora\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 isso, os fast foods, os alimentos embutidos, os sorvetes, nada era controlado. Gordura trans deveria ser a coisa mais saud\u00e1vel que tinha em um lanche de fast food ou em um picol\u00e9. Para voc\u00eas terem uma ideia, o Chicabon n\u00e3o derretia, mesmo em um calor de 40\u00b0. Tinha cera de vela aquela merda, s\u00f3 isso explica. Hoje voc\u00ea abre um Chicabon em um dia quente e ele nem derrete, ele evapora na sua frente.<\/p>\n<p>Sabe o sorvete de pote que hoje voc\u00eas pegam molinho com qualquer colher? No meu tempo n\u00e3o tinha isso n\u00e3o. O sorvete ficava duro feito uma pedra. A gente enfiava uma colher e tentava tirar e dobrava a colher. <\/p>\n<p>Os salgadinhos de pacote todos tinha uma cor meio Chenobyl, fluorescente. E a bala da \u00e9poca era a Bala Soft, que vinha em dois sabores: Asfixia e SAMU. Era uma bala projetada anatomicamente para escorregar pela sua garganta e te engasgar. E a bala que n\u00e3o escorregava, a Van Melle, vinha com coca\u00edna dentro. O que diabos est\u00e3o servindo para a gera\u00e7\u00e3o atual que pode ser pior do que isso?<\/p>\n<p>Hoje as m\u00e3es levam os filhos \u00e0 praia em determinados hor\u00e1rios, besuntam a crian\u00e7a toda em protetor solar kids, colocam chapeuzinho, hidratam a crian\u00e7a a cada duas horas, reaplicam o protetor solar de hora em hora, deixam a crian\u00e7a debaixo do guarda-sol e ela s\u00f3 entra na \u00e1gua de m\u00e3ozinha dada com os pais.<\/p>\n<p>Pois bem, deixem-me contar um pouquinho sobre como se ia \u00e0 praia nos anos 80. Come\u00e7ava que essa coisa de cadeirinha de crian\u00e7a no carro n\u00e3o existia na maioria das fam\u00edlias. Normalmente, na hora de ir \u00e0 praia, meu deslocamento, SE fosse de carro, se alternava em tr\u00eas formas diferentes, uma mais incorreta do que a outra: ou ia no chiqueirinho (aquela mala aberta) da Belina, trocando socos com meu irm\u00e3o, ou ia no banco traseiro, de p\u00e9, trocando socos com meu irm\u00e3o, ou ia no banco da frente, no colo da minha m\u00e3e (que obviamente estava sem cinto de seguran\u00e7a), chorando por ter trocado socos com meu irm\u00e3o, e meu irm\u00e3o no colo do meu pai, AO VOLANTE, chorando por ter trocado socos comigo. Se bat\u00eassemos de carro virar\u00edamos pur\u00ea ou carne mo\u00edda no asfalto.<\/p>\n<p>Filtro solar? Olha, n\u00e3o era algo muito difundido, era um s\u00f3 para adultos e crian\u00e7as (com cheiro de inseticida e provavelmente alguma qu\u00edmica cancer\u00edgena) e era caro pacarai. O m\u00e1ximo que meus pais faziam era passar um tiquinho na m\u00e3o e distribuir de forma apressada no meu rosto e no do meu irm\u00e3o. E era isso para o dia todo, zero chances de algu\u00e9m reaplicar algo. E, na d\u00e9cada de 80 se ia \u00e0 praia de manh\u00e3 cedo e de voltava no final da tarde. Crian\u00e7a assando 12 horas ao sol.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m me hidratava de hora em hora? Algu\u00e9m colocava chapeuzinho? N\u00e3o. E crian\u00e7a podia ir na \u00e1gua sem a presen\u00e7a de um adulto, mediante o contrato verbal de \u201cs\u00f3 n\u00e3o vai muito longe\/muito fundo\u201d &#8211; nas praias do Rio de Janeiro, onde bombeiro salva vidas se afoga. Nos anos 80 a gente exigia ao m\u00e1ximo do anjo da guarda, botava para trabalhar as 24 horas do dia. <\/p>\n<p>E a volta, SE fosse de carro, obrigavam as crian\u00e7as a entrarem no carro que ficou 12h ao sol, que obviamente n\u00e3o tinha ar-condicionado. 12hs fritando no sol com mais duas horas de sauna para fechar o dia. O c\u00e2ncer de pele lutava com a desidrata\u00e7\u00e3o para decidir quem nos levaria.<\/p>\n<p>Nos anos 80 o \u00fanico produto de higiene e beleza feito para crian\u00e7as era o Shampoo Johnsson e o Talco Johnsson (que recentemente perdeu um processo milion\u00e1rio nos EUA por ser cancer\u00edgeno). Todo o resto s\u00f3 usava quem tinha muito dinheiro, ou seja, a maioria das crian\u00e7as usavam coisa de adulto mesmo, e eram autorizadas a isso. <\/p>\n<p>Tinha um batom que eu n\u00e3o lembro o nome, mas era conhecido como \u201cBatom 24h\u201d. Ele era verde (sim, verde) e ficava vermelho menstrua\u00e7\u00e3o alguns minutos depois que voc\u00ea passava na boca. E sim, durava quase 24h.<\/p>\n<p>Esse batom s\u00f3 pode ter sido uma trollagem bem-sucedida, pois ele \u00e9 a ant\u00edtese do que um batom deve ser. J\u00e1 seria dif\u00edcil para mim hoje, passar sem borrar (respeitando o contorno da boca) um batom cuja cor n\u00e3o aparece enquanto voc\u00ea se pinta, imagina com a minha coordena\u00e7\u00e3o motora quando eu tinha apenas um d\u00edgito de idade, qual era o resultado final.<\/p>\n<p>Abstraindo o fato de que um batom verde que fica vermelho na boca deve ter todos os elementos da tabela peri\u00f3dica, o fato de voc\u00ea n\u00e3o ver o que estava pintando (a cor do batom aparecia minutos depois) fazia com que as crian\u00e7as pare\u00e7am o Bozo depois de se pintar. E sim, aquele desastre durava 24h. No dia seguinte voc\u00ea ia para a escola parecendo o Coringa, ou por causa do batom borrado, ou por causa da vermelhid\u00e3o no rosto depois da sua m\u00e3e tentar esfregar a sua cara para tirar o batom borrado.<\/p>\n<p>Pass\u00e1vamos um gel no cabelo chamado \u201cNew Wave\u201d. O tro\u00e7o era colorido e ainda tinha uma tonelada de purpurina. Obviamente era criado para um p\u00fablico adulto, mas adulto n\u00e3o ligava a m\u00ednima para o que crian\u00e7a fazia, ent\u00e3o, as crian\u00e7as tamb\u00e9m usavam. Al\u00e9m do visual hediondo do cabelo melecado, grudento, colorido e purpurinado, eu tenho certeza absoluta de que o tro\u00e7o era t\u00f3xico, pois uma vez, em meio a um surto de piolhos no ver\u00e3o, a m\u00e3e de um coleguinha no col\u00e9gio descobriu que o gel New Wave matava piolho.<\/p>\n<p>Voc\u00ea, m\u00e3e no ano 2021, me responda uma coisa: o que voc\u00ea faria com esta informa\u00e7\u00e3o? O que voc\u00ea faria se descobrisse que um produto adulto \u00e9 capaz de matar outro ser vivo? Manteria longe do seu filho, certo? Sabe o que as m\u00e3es dos anos 80 fizeram? Quando tinham um filho com piolho, compravam o gel New Wave e passavam nas crian\u00e7as, pois era mais eficiente que os rem\u00e9dios para matar piolho da \u00e9poca. \u00c9 toda uma gera\u00e7\u00e3o que tomou metais pesados no couro cabeludo e certamente teve seu c\u00e9rebro alterado de alguma forma.<\/p>\n<p>Os poucos cuidados que os pais tinham com os filhos eram errados. Basicamente voc\u00ea n\u00e3o podia cair em piscina ou no mar depois de comer (infundado) pois teria c\u00e2imbras e se afogaria, teria indigest\u00e3o ou coisa do tipo. Voc\u00ea n\u00e3o podia comer sorvete quando estava resfriado (infundado), n\u00e3o pode engolir chiclete se n\u00e3o morre (infundado) e voc\u00ea n\u00e3o podia fazer caretas de frente para um ventilador pois o rosto ficaria torto (absurdamente infundado). <\/p>\n<p>De resto? Fica \u00e0 vontade. Se cair comida no ch\u00e3o assopra e come, se um estranho te oferecer um saquinho de doces de Cosme e Dami\u00e3o na rua pode comer e se quiser passar batom radioativo no rosto todo t\u00e1 tudo bem. O grande problema era engolir chiclete. Sim, senhores, n\u00f3s somos sobreviventes dos anos 80, est\u00e1vamos nas m\u00e3os de uma cambada de desinformados.<\/p>\n<p>J\u00e1 vi muita gente dizer que tinha menos perigos pois n\u00e3o tinha internet e suas influ\u00eancias negativas. E precisava? A TV dos anos 80 era pior do que qualquer Youtuber! Um dia inteiro do Bozo Drogad\u00e3o, apresentando o programa trincado, novelas da Globo com todo tipo de baixaria e mensagem errada e filmes semipornogr\u00e1ficos nas tardes do SBT eram nossa programa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. <\/p>\n<p>Crian\u00e7as eram deixadas sozinhas na idade em que os pais achassem que podiam ficar sozinhas e n\u00e3o tinha dessa de vir o Conselho Tutelar te interpelar. E se acontecesse alguma coisa e a crian\u00e7a precisasse chamar os pais no trabalho, certamente ela morria, pois o telefone fixo daquela \u00e9poca tinha a efici\u00eancia de uma tartaruga manca. Conseguir sinal para discar j\u00e1 era um desafio, completar a liga\u00e7\u00e3o, o outro lado da linha n\u00e3o estar ocupado, algu\u00e9m atender e algu\u00e9m localizar seus pais era miss\u00e3o quase imposs\u00edvel. <\/p>\n<p>A gente sa\u00eda e n\u00e3o tinha como avisar se ia atrasar, se aconteceu algum impressivos, se precisava que fosse buscar mais cedo. Vinham te buscar X horas, em tal lugar e ponto final. Era um salto de f\u00e9. Qualquer fator que mudasse essa equa\u00e7\u00e3o causava um desencontro e, certamente, um esporro e um castigo. <\/p>\n<p>A gente teve que aprender a se planejar desde pequeno: naquele hor\u00e1rio voc\u00ea tinha que estar naquele lugar, n\u00e3o tinha como mudar o plano. E nessa, mais de uma vez acabamos nos desencontrando (seja dos pais, seja dos amigos) e ficamos tomando chuva ou sol escaldante no quengo sem ter a quem recorrer. Hoje em dia nem cachorro \u00e9 deixado nessa situa\u00e7\u00e3o, sozinho, ao relento.<\/p>\n<p>Bullying? Essa palavra nem existia, mas se existisse, seria para descrever a forma como nossos pais nos criavam: \u201cse apanhar na rua e voltar chorando apanha novamente em casa\u201d era mantra. Tratar medos ou fobias de forma traum\u00e1tica tamb\u00e9m: tem medo de aranha? Nada como pegar uma aranha e jogar dentro da sua blusa \u201cpara perder o medo\u201d. Hoje os pais protegem os filhos se eles sofrem bullying na escola, nos anos 80 eram os pais que faziam bullying com os filhos.<\/p>\n<p>Um par\u00e1grafo especial para o cigarro. Meus pais nunca fumaram, mas eu convivi com muitas pessoas que fumavam na \u00e9poca. Ningu\u00e9m nem sonhava em \u201cproteger\u201d uma crian\u00e7a de cigarro. Se fumava em qualquer ambiente, inclusive fechado. Se fumava em avi\u00e3o. A pessoa ia na sua casa visitar seu beb\u00ea rec\u00e9m-nascido, acendia um cigarro e baforava no ber\u00e7o. Todos n\u00f3s fomos fumantes passivos por uma d\u00e9cada pois mesmo que nossos pais n\u00e3o fumassem, em tudo quanto \u00e9 canto tinha gente fumando.<\/p>\n<p>Crian\u00e7a dos anos 80 era exposta a tudo quanto \u00e9 v\u00edrus e bact\u00e9ria \u2013 e n\u00e3o apenas humanas. A gente ganhava uns pintinhos em feiras e anivers\u00e1rio que certamente n\u00e3o estavam vacinados contra todas as pestes avi\u00e1rias. Lev\u00e1vamos esse pintinho para casa, que muitas vezes era um apartamento, e t\u00ednhamos contato di\u00e1rio com ele e com seus excrementos. <\/p>\n<p>S\u00f3 quando o pintinho crescia (a maioria morria) \u00e9 que nossos pais se livravam dele com o cl\u00e1ssico \u201cele foi para o s\u00edtio\u201d ou \u201ca mam\u00e3e dele veio busc\u00e1-lo\u201d. O mesmo valia para hamster, pre\u00e1s, coelhos e outros pets: ningu\u00e9m vacinava essas porras, a gente ganhava e levava para casa. Muito me admira que uma pandemia n\u00e3o tenha come\u00e7ado com quem teve inf\u00e2ncia nos anos 80.<\/p>\n<p>Voc\u00eas acham que os brinquedos da d\u00e9cada de 80 tinham sua seguran\u00e7a testada como tem hoje em dia? N\u00e3o. Quem j\u00e1 perdeu um dente no Pogobol (seu ou do seu amigo) sabe muito bem que os brinquedos dos anos 80 eram projetados para provocar les\u00e3o corporal em crian\u00e7as. <\/p>\n<p>Quando n\u00e3o provocavam quedas ou fraturas, tinham pe\u00e7as pequenas facilmente engol\u00edveis ou eram feitos de material t\u00f3xico. Uma vez eu lambi uma boneca da Moranguinho e tive diarreia por uma semana. Uma amiga teve que ser hospitalizada por comer aquele brilho labial de duas cores (vermelho e rosa) que vinha dentro de uma embalagem pl\u00e1stica que simulava um morango.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou reclamando, os anos 80 nos fizeram fortes (e provavelmente radioativos tamb\u00e9m). S\u00f3 n\u00e3o entendo como hoje, com todos os cuidados, com todas as informa\u00e7\u00f5es, com toda a fiscaliza\u00e7\u00e3o, podem morrer mais crian\u00e7as do que nos anos 80. Se essas crian\u00e7as de hoje tivessem nascido naquela \u00e9poca, a humanidade estava extinta.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que o mundo t\u00e1 t\u00e3o ruim que est\u00e1 com saudades dos anos 80, para dizer que \u00e9 por isso que quem foi crian\u00e7a na d\u00e9cada de 80 \u00e9 maluco ou ainda para dizer que voc\u00ea sabe que a pandemia acabou quando tem texto de humor no Desfavor: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana li uma not\u00edcia que dizia morrem mais crian\u00e7as hoje do que na d\u00e9cada de 80. Morrem mais por doen\u00e7a, por acidentes, por suic\u00eddio, por uso de drogas e por outras causas. 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