{"id":19204,"date":"2021-11-25T11:49:40","date_gmt":"2021-11-25T14:49:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19204"},"modified":"2021-11-25T11:49:40","modified_gmt":"2021-11-25T14:49:40","slug":"13-anos-de-relacionamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/11\/13-anos-de-relacionamentos\/","title":{"rendered":"13 anos de&#8230; relacionamentos."},"content":{"rendered":"<p>Relacionamentos s\u00e3o basicamente um acordo de vontades entre duas ou mais pessoas onde n\u00e3o existe \u201ccerto\u201d ou \u201cerrado\u201d, existe um combinado entre as partes que, naquele momento, \u00e9 bom para ambos, mas que pode e deve ser revisitado e\/ou reajustado de tempos em tempos para confirmar se ainda est\u00e1 bom para ambos.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cMas Sally, se essa \u00e9 a sua defini\u00e7\u00e3o de relacionamentos, nada mudou de 2008 para c\u00e1, continua sendo o combinado das pessoas. Voc\u00ea \u00e9 burra, Sally, escolheu um tema que n\u00e3o rende um texto\u201d.<\/p>\n<p>Sim, a din\u00e2mica \u00e9 a mesma, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o grande desafio \u00e9 o acordo de vontades. E \u00e9 sobre isso que vamos conversar hoje.<\/p>\n<p>Em 2008 as pessoas ainda tinham algum tempo\/sa\u00fade mental\/h\u00e1bito de fazer reflex\u00f5es, de olhar um pouquinho para dentro, de tentar se conhecer melhor e conhecer o outro. Havia mais nuances, variedade e diversidade. Voc\u00ea podia ser contra o aborto e votar na esquerda ou ser a favor do aborto e votar na direita. Voc\u00ea podia ser vegano e pisar em uma churrascaria. Voc\u00ea podia divergir de outra pessoa e continuar a admir\u00e1-la e conviver com ela.<\/p>\n<p>Em 2008 as pessoas eram melhores em se conhecer melhor, em conhecer os outros melhor e em estipular aquilo com o qual querem\/podem ou n\u00e3o querem\/n\u00e3o podem conviver. Em 2008 n\u00e3o havia um sistema de castas mental onde a maioria das pessoas aderia a um \u201cpacote\u201d e ficava preso a ele vendo todos os demais como burros e\/ou inimigos. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como voc\u00eas podem imaginar, a din\u00e2mica dos relacionamentos continua a mesma, mas, gra\u00e7as \u00e0 mudan\u00e7a nas pessoas, ele est\u00e1 se tornando cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>E, que fique claro, quando falamos em \u201crelacionamento\u201d, falamos de qualquer relacionamento: amizade, amoroso, familiar ou que mais se queira classificar. Se em 2008 a gente via pessoas com uma expectativa irreal de que outros supram toda sua listinha de desejos, hoje vemos pessoas com uma expectativa irreal de que os outros as fa\u00e7am felizes sendo uma listinha de desejos.<\/p>\n<p>Em 2008 uma pessoa poderia pedir \u00e0 outra monogamia, carinho, amizade, presen\u00e7a, cordialidade ou o que mais lhe fosse essencial para uma rela\u00e7\u00e3o. Atualmente, salvo honrosas exce\u00e7\u00f5es, as pessoas n\u00e3o pedem que os outros cumpram o combinado no que diz respeito \u00e0s regras de uma rela\u00e7\u00e3o, as pessoas querem que os outros SEJAM o que elas consideram o \u201ccerto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCom bolsominion eu n\u00e3o me relaciono\u201d. \u201cCom petralha eu n\u00e3o me relaciono\u201d. \u201cCom gente que come carne eu n\u00e3o me relaciono\u201d. \u201cCom gente que n\u00e3o \u00e9 do signo de libra eu n\u00e3o me relaciono\u201d. Gente, tem um enorme mal-entendido acontecendo: o objetivo de um relacionamento n\u00e3o \u00e9 o outro, \u00e9 o que voc\u00eas podem construir juntos.<\/p>\n<p>A automa\u00e7\u00e3o, o crescimento tecnol\u00f3gico exponencial e os smartphones nos tornaram imediatistas e menos tolerantes a frustra\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea quer lembrar o nome de algum lugar ou famoso e o nome n\u00e3o vem \u00e0 sua mente, o que voc\u00ea faz? Procura online. Estamos (mal) acostumados a ter a vontade atendida imediatamente. E isso tem uma s\u00e9rie de desdobramentos complicados, entre eles pensar que a intera\u00e7\u00e3o humana oferece a mesma facilidade de uma busca online.<\/p>\n<p>Cada vez que temos uma \u201cvontade atendida\u201d o c\u00e9rebro fica feliz, ativa um centro de recompensa e sentimos bem-estar. E, quem n\u00e3o gosta da sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar? Por isso, a tend\u00eancia \u00e9 que busquemos cada vez mais essa recompensa imediata: publiquei uma foto, fulano curtiu! Fiz um coment\u00e1rio, teve muitas curtidas! Queria uma camiseta azul, comprei online! <\/p>\n<p>Hoje, em 24h, temos muito mais gratifica\u00e7\u00f5es imediatas do que t\u00ednhamos em 2008. Virou quase que um modo de funcionar. E tendemos a repetir esse padr\u00e3o nos relacionamentos, demandando gratifica\u00e7\u00e3o imediata o tempo todo, algo que n\u00e3o \u00e9 humanamente poss\u00edvel. Relacionamentos tem outra din\u00e2mica e se tiverem que dar infinitas gratifica\u00e7\u00f5es imediatas, ser\u00e3o exaustivos.<\/p>\n<p>Gratifica\u00e7\u00f5es imediatas s\u00e3o legais, mas s\u00e3o superficiais. Para construir algo significativo, o caminho \u00e9 um pouco mais longo, um pouco mais demorado e o caminho n\u00e3o \u00e9 um mar de likes, massagens no ego e recompensas r\u00e1pidas. Quem est\u00e1 acostumado (ou at\u00e9 viciado) em gatilhos de bem-estar durante o dia, basicamente procura isso na sua vida, mais e mais. <\/p>\n<p>E, dentro do rol de coisas que podem gerar uma recompensa r\u00e1pida, n\u00e3o est\u00e1 construir uma rela\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, profunda e duradoura. E estaria tudo bem, se as pessoas entendessem e decidissem abrir m\u00e3o disso, aceitando que na vida n\u00e3o se pode ter tudo. \u00c9 uma escolha: viver na base de gratifica\u00e7\u00e3o imediata e construir outro tipo de rela\u00e7\u00e3o ou abrir m\u00e3o de um pouco de gratifica\u00e7\u00e3o imediata e investir em um processo\/projeto longo e trabalhoso para criar rela\u00e7\u00f5es profundas e fortes. Ambas as escolhas s\u00e3o v\u00e1lidas.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 uma escolha: achar que pode construir uma rela\u00e7\u00e3o profunda, s\u00f3lida e forte usando a din\u00e2mica de gratifica\u00e7\u00e3o imediata, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e gera frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Minha gera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 pr\u00e9-internet, sabe o caminho para fazer as coisas da forma lenta e artesanal. Tivemos o privil\u00e9gio de viver os dois lados: vida sem e vida com internet. Mas, essa nova gera\u00e7\u00e3o que come\u00e7a a se relacionar nasceu e cresceu sob o guarda-chuva do imediatismo, sem ter as ferramentas ou o conhecimento para cultivar algo de crescimento lento e a longo prazo sem que isso os incomode e seja um esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>E, por mais que leiam a respeito ou algu\u00e9m ensine, n\u00e3o parece uma coisa atraente, pois onde n\u00e3o h\u00e1 uma boa quantidade de gratifica\u00e7\u00e3o imediata frequente, parece haver perda de interesse. Entretanto, sociedade, m\u00eddia e cultura continuam endeusando aquela rela\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, duradoura, c\u00famplice e profunda como o modelo correto a se adotar. \u00c9 como se te dessem sementes de morango e falassem: \u201cvai l\u00e1, planta at\u00e9 nascer um abacaxi\u201d. A\u00ed viram o pa\u00eds que mais consome Rivotril no mundo e n\u00e3o sabem o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Minha op\u00e7\u00e3o de vida \u00e9 cultivar rela\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas, duradouras, profundas. \u00c9 um projeto longo que demanda trabalho e aten\u00e7\u00e3o, mas que tem uma recompensa muito boa l\u00e1 no final. S\u00f3 entra e fica na minha vida quem t\u00e1 comigo para o que vier, quem n\u00e3o vai soltar a minha m\u00e3o, quem vai ser meu parceiro\/c\u00famplice\/confidente, quem eu posso confiar de olhos fechados, quem com certeza absoluta vai estar l\u00e1 para quando eu precisar, em todos os momentos. <\/p>\n<p>Por motivos de preservar a privacidade dos que me cercam, vou usar meu exemplo com o Somir, que voc\u00eas j\u00e1 conhecem. Hoje eu afirmo sem medo algum de errar que eu posso contar com o Somir para absolutamente tudo e que, n\u00e3o importa o que aconte\u00e7a comigo, ele vai me ajudar. N\u00e3o importa quais sejam nossas diferen\u00e7as, podemos sentar, conversar e resolver. N\u00e3o importa qual seja a contrapartida, ele nunca vai me trair, me deixar na m\u00e3o ou fazer qualquer coisa que sabidamente me prejudique.<\/p>\n<p>Hoje eu posso afirmar que nossa rela\u00e7\u00e3o transcende qualquer nome que voc\u00eas queriam dar. Eu n\u00e3o tenho nome para isso. O la\u00e7o que nos une, nossa din\u00e2mica, nosso cuidado m\u00fatuo e nossa parceria chega a ser incompreens\u00edvel para muitas pessoas. Foi f\u00e1cil? N\u00e3o. Foi r\u00e1pido? N\u00e3o. D\u00e1 para se acomodar? N\u00e3o. Vale a pena? Sim. Muito. Minha vida ficou muito melhor.<\/p>\n<p>Longe de mim dizer que esse \u00e9 \u201co certo\u201d. Isso \u00e9 apenas o que eu quero, sem ju\u00edzos de valor. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 dizer que, para conseguir isso, n\u00e3o d\u00e1 para tomar o caminho da superficialidade, da recompensa imediata, da impaci\u00eancia, da pressa, do ego e do pouco investimento. Quer isso? Vai demorar, vai ter que cultivar, vai ter que saber escolher, filtrar, vai ter que ceder, fazer concess\u00f5es, perdoar, acolher e, acima de tudo, se comunicar (e muito) de forma clara, sincera e aberta.<\/p>\n<p>J\u00e1 falamos desse conceito antes, mas vale relembrar. Os gregos tinham dois termos diferentes para \u201ctempo\u201d: Chronos e Kair\u00f3s. Chronos \u00e9 o tempo como o conhecemos, o tempo do rel\u00f3gio, do calend\u00e1rio (\u201co filme que eu quero ver come\u00e7a \u00e0s 18hs). Kair\u00f3s, por sua vez, \u00e9 um termo indetermin\u00e1vel, subjetivo, que n\u00e3o podemos antever ou mensurar. \u00c9 o tempo justo e necess\u00e1rio. \u00c9 o tempo que uma fruta vai demorar para madurar, \u00e9 um momento que vai acontecer quando tiver que acontecer.<\/p>\n<p>Quando a gente cresce sabendo que pode controlar \u201ctudo\u201d (os principais aspectos do dia a dia) com um clique, fica muito mais dif\u00edcil entender e aceitar que existe outro tipo de tempo, o tempo necess\u00e1rio, que n\u00e3o podemos mensurar com precis\u00e3o o quanto demorar\u00e1 e o que n\u00e3o controlamos. E os relacionamentos, meus amigos, n\u00e3o se regem por Chronos, se regem por Kair\u00f3s. N\u00e3o d\u00e1 para acelerar esse tempo, n\u00e3o d\u00e1 para prever esse tempo e n\u00e3o d\u00e1 para mudar esse tempo.<\/p>\n<p>Isso causa muita confus\u00e3o. Tendo em mente um tempo de rel\u00f3gio (Chronos) as pessoas acabam jogando fora um relacionamento que ainda poderia amadurecer ou permanecendo em um relacionamento que j\u00e1 apodreceu faz tempo, justamente por se guiarem por um calend\u00e1rio. O tempo justo para que um relacionamento amadure\u00e7a e se torne essa coisa bacana que todo mundo quer, onde voc\u00ea pode confiar cegamento no outro, contar com ele para tudo e conhec\u00ea-lo como a palma da sua m\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mensur\u00e1vel em dias, meses ou anos.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastassem os crit\u00e9rios de escolha tortos (n\u00e3o \u00e9 mais sobre o que a pessoa te d\u00e1, \u00e9 sobre o grupo\/tribo que ela pertence), o erro na execu\u00e7\u00e3o (se voc\u00ea procura quem te d\u00ea gratifica\u00e7\u00e3o imediata, vir\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o superficial), ainda tem um outro problema mais complicado: como recalcular a rota? Quero dizer, se voc\u00ea quer um relacionamento s\u00f3lido, de confian\u00e7a e cumplicidade, como chegar l\u00e1?<\/p>\n<p>Novamente, voltamos a aquela palavrinha de ter\u00e7a-feira: mindstet, ou seja, a forma de pensar, a premissa, a estrutura. Se voc\u00ea nasceu e cresceu sob a premissa do imediatismo, da internet, das redes sociais, dos smartphones, talvez voc\u00ea nem saiba como cultivar um relacionamento para a vida, como construir uma parceria de confian\u00e7a e cumplicidade inabal\u00e1veis. <\/p>\n<p>E \u00e9 muito dif\u00edcil de explicar, primeiro por ser algo extremamente subjetivo e abstrato, segundo por faltarem conex\u00f5es neurais para integrar a informa\u00e7\u00e3o a quem nunca a exercitou. Mas, vamos l\u00e1, vamos tentar.<\/p>\n<p>Quer esse tipo de relacionamento que eu descrevi? Quer um parceiro para a vida com total confian\u00e7a e cumplicidade? Vai demandar tempo. Tempo para construir e, antes disso, tempo para entender como construir. <\/p>\n<p>Meu primeiro conselho \u00e9: compre uma sementinha de qualquer planta (l\u00edcita) e plante. Mas, como voc\u00ea vai descobrir na pr\u00e1tica, plantar uma semente n\u00e3o \u00e9 apenas jogar ela na terra e regar. Voc\u00ea vai ter que estudar sobre a semente. Voc\u00ea vai ter que descobrir como se planta, qual \u00e9 a terra apropriada, qual o tamanho do vaso. Vai ter que descobrir quanta \u00e1gua demanda, quanto sol demanda, se gosta de frio ou calor, se precisa de luz ou de sombra, em quanto tempo cresce, se est\u00e1 crescendo direito, se precisa de adubo e muitas outras coisas.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m vai descobrir que \u00e0s vezes o que em tese \u00e9 o certo, na pr\u00e1tica n\u00e3o funciona. Vai ter que observar a plantinha crescendo todo dia e entender quando ela est\u00e1 murcha por falta d\u2019\u00e1gua ou quando regou demais, mesmo seguindo as instru\u00e7\u00f5es que voc\u00ea achava corretas. Como plantas n\u00e3o falam, voc\u00ea vai exercitar bastante seu poder de observa\u00e7\u00e3o, de tirar o foco de voc\u00ea e colocar em outro e de investir tempo e energia nesse outro. <\/p>\n<p>Depois que a plantinha come\u00e7ar a crescer (e, acredite, vai demorar muito mais do que voc\u00ea gostaria), voc\u00ea vai ter que continuar aprendendo e se adaptando. Precisa de poda? Em que \u00e9poca do ano se poda? Como saber quando a terra j\u00e1 n\u00e3o nutre essa planta t\u00e3o bem? O que fazer para adubar? Quando \u00e9 hora de trocar para um vaso maior? Quando proteger do frio? Quando proteger do sol? Quando est\u00e1 doente ou com uma praga e precisa de tratamento? <\/p>\n<p>\u00c9 constante observa\u00e7\u00e3o, constante investimento emocional e constante manuten\u00e7\u00e3o. E \u00e9 apenas uma planta. Com uma pessoa \u00e9 mil vezes mais demandante. Esta din\u00e2mica te apavora, te desespera e te desanima? Voc\u00ea come\u00e7a de boa e depois vai abandonado a dedica\u00e7\u00e3o ao projeto? Bem, talvez os relacionamentos profundos n\u00e3o sejam para voc\u00ea. E t\u00e1 tudo bem, digo isso sem julgamento. Talvez seu caminho seja apenas ajustar suas expectativas e investir em outro modelo de relacionamento. Nem todos tem a disponibilidade emocional para doar tanto a ponto de construir algo inquebrant\u00e1vel. <\/p>\n<p>Outro ponto que precisa ser entendido: amor \u00e9 um s\u00f3. N\u00e3o importa se \u00e9 amigo, namorado ou a classifica\u00e7\u00e3o que voc\u00ea queira dar, um relacionamento assim transcende os t\u00edtulos sociais. Amor \u00e9 um s\u00f3 e pode adotar diferentes formas, transitar por elas, mas sempre estar\u00e1 l\u00e1. Se voc\u00ea troca a placa de um carro, ele passa a ser outro carro? Aos olhos da sociedade sim, em ess\u00eancia n\u00e3o. Repito mais uma vez: amor \u00e9 um s\u00f3, n\u00e3o importa a alegoria social que voc\u00ea decida dar a ele, o que importa \u00e9 o amor que est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Por fim, di\u00e1logo. Mas n\u00e3o sobre voc\u00ea, sobre o outro. E com uma escuta emp\u00e1tica. Deixe o outro falar e estimule-o a falar sobre como ele se sente. Eu disse sobre como ele se sente, e n\u00e3o quais alegorias sociais ele veste. Foda-se se a pessoa vota em X, vota em Y, gosta de programa Z, come ou n\u00e3o come determinado alimento, milita ou n\u00e3o milita, \u00e9 de signo tal ou tem a profiss\u00e3o tal. Isso s\u00e3o meras alegorias sociais que de forma alguma s\u00e3o a ess\u00eancia da pessoa. Olhe para a ess\u00eancia, \u00e9 ela que importa.<\/p>\n<p>Este momento de conversa sobre como o outro se sente \u00e9 sagrado. Fa\u00e7a a conversa ser sobre como o outro se sente e d\u00ea espa\u00e7o para a pessoa desenvolver isso. Foda-se o carro que ele quer comprar, a roupa que ele acha bonita, a viagem que quer fazer. \u00c9 sobre como o outro SE SENTE. Tenha paci\u00eancia, muitas pessoas nem sequer conseguem entender como se sentem e precisam de tempo e v\u00e1rias tentativas.<\/p>\n<p>Obviamente, em qualquer rela\u00e7\u00e3o voc\u00ea tamb\u00e9m ter\u00e1 sua hora de falar sobre como se sente, mas, fa\u00e7a a sua parte e estimule o outro a falar sobre como ele se sente. Sobre qualquer coisa. V\u00e1rias vezes por dia. Deixe que a pessoa reflita, olhe para dentro, tome seu tempo. <\/p>\n<p>N\u00e3o julgue o que ela falar, n\u00e3o tente empurrar solu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u201cexplique\u201d a ela por qual motivo ela se sente assim. Escuta emp\u00e1tica. Escute, escute, escute. Procure compreender. Spoiler: \u00e9 poss\u00edvel respeitar mesmo sem concordar. E, nesse momento dedicado a ouvir como a pessoa se sente, tente s\u00f3 intervir se te for solicitado. <\/p>\n<p>E, se voc\u00ea for uma pessoa muito evolu\u00edda, use a dupla de ouro em relacionamentos: elevar autoestima e retirar do medo, o que quer que a pessoa compartilhe. N\u00e3o estou mandando mentir, estou mandando dizer o que a pessoa tem de bom de verdade e oferecer um ponto de vista verdadeiro que tire a pessoa do medo.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m faz isso? Poucos, muito poucos. As pessoas est\u00e3o sempre se defendendo, sempre pensando em como se venderem melhor para o outro (preocupadas com que imagem passar), em diminuir o outro para supostamente reduzir os riscos de que ele \u201cv\u00e1 embora\u201d ou de se diminuir para caber na pequenez do outro, em criar personas que acham mais atraentes do que elas mesmas, em brigar, em ter raz\u00e3o, em competir ou em chamar a aten\u00e7\u00e3o. O fabricante do Rivotril agradece.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se somarmos todos os fatores deste texto, temos uma conclus\u00e3o muito triste: do jeito que as pessoas querem as coisas hoje em dia (r\u00e1pidas, nichadas e do jeito delas), s\u00f3 ser\u00e1 vi\u00e1vel um relacionamento para a vida e inquebrant\u00e1vel com um rob\u00f4, programado exatamente do jeitinho que elas querem. No dia em que for poss\u00edvel fazer sexo com rob\u00f4, metade da humanidade desiste de um parceiro humano. Mas isso \u00e9 tema para o Somir&#8230;<\/p>\n<p>Juro para voc\u00eas, eu nunca vi tanta gente que n\u00e3o se ama junta e tanta gente que se ama separada como no Brasil. Obviamente algo n\u00e3o vai bem. Se voc\u00eas est\u00e3o no vasto rol de pessoas que n\u00e3o conseguem construir o relacionamento que desejam, revisitem o que voc\u00eas querem em um relacionamento e o que est\u00e3o fazendo para chegar l\u00e1, provavelmente um dos dois vai ter que mudar.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que meu relacionamento com o Somir \u00e9 exemplo do que n\u00e3o fazer, para dizer que adoraria um rob\u00f4 programado para fazer e dizer exatamente o que voc\u00ea quer ou ainda para dizer que a culpa \u00e9 sempre dos outros pelo seu relacionamento n\u00e3o dar certo: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relacionamentos s\u00e3o basicamente um acordo de vontades entre duas ou mais pessoas onde n\u00e3o existe \u201ccerto\u201d ou \u201cerrado\u201d, existe um combinado entre as partes que, naquele momento, \u00e9 bom para ambos, mas que pode e deve ser revisitado e\/ou reajustado de tempos em tempos para confirmar se ainda est\u00e1 bom para ambos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-19204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-bonus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}