{"id":19223,"date":"2021-11-29T12:38:25","date_gmt":"2021-11-29T15:38:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19223"},"modified":"2025-11-21T18:45:04","modified_gmt":"2025-11-21T21:45:04","slug":"cultura-dividida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/11\/cultura-dividida\/","title":{"rendered":"Cultura dividida."},"content":{"rendered":"<p>Embora a linha divis\u00f3ria entre cultura ocidental e cultura oriental esteja cada vez mais borrada, ainda podemos diferenciar alguns fatores determinantes de cada uma delas. Sally e Somir discordam sobre o pior aspecto da que domina o nosso lado do mundo. Os impopulares demonstram se s\u00e3o cultos.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: qual o pior aspecto da cultura ocidental?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>\u00c9 clich\u00ea, mas o \u00e9 por um bom motivo: consumismo. A divis\u00e3o entre as mentalidades vigentes entre \u00c1sia e Europa acabaram se perpetuando depois da era dos descobrimentos. Sim, vivemos num mundo cada vez mais globalizado, mas n\u00e3o podemos negar que a cultura de pa\u00edses como o Brasil \u00e9 altamente influenciada por europeus, e mais recentemente, americanos.<\/p>\n<p>Eu vivo falando sobre como \u00e9 at\u00e9 chato como o Brasil de hoje \u00e9 simplesmente uma imita\u00e7\u00e3o barata da cultura americana com alguns anos de atraso. Muito do que a gente considera cultura brasileira \u00e9 superficial: usamos roupas diferentes e corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 mais aceita, mas na base da sociedade \u00e9 s\u00f3 uma cultura americanizada que come farinha de mandioca.<\/p>\n<p>E nem mesmo os ianques s\u00e3o muito originais: misturaram os ingleses mais irritados com a monarquia e diversos outros imigrantes europeus procurando oportunidades para criar o tal do \u201csonho americano\u201d. Mas essa hist\u00f3ria de buscar originalidade cultural \u00e9 um caminho sem volta: vamos acabar falando de romanos, gregos&#8230; e nem mesmo eles inventaram tudo o que consideramos cultura ocidental.<\/p>\n<p>Seja como for, podemos considerar que no s\u00e9culo XXI, o que consideramos cultura ocidental \u00e9 basicamente o que os americanos empurraram nessa metade do planeta durante o s\u00e9culo XX. Uma cultura p\u00f3s-industrial, focada em crescimento econ\u00f4mico \u201cinfinito\u201d. Para dar vaz\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel de produtos, servi\u00e7os e ideias vindas da pot\u00eancia hegem\u00f4nica do s\u00e9culo passado, era extremamente importante empurrar a ideia do consumo como meta de vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta produzir sem parar se n\u00e3o tiver gente querendo consumir. E por d\u00e9cadas e d\u00e9cadas, isso foi incentivado em todo canto onde a influ\u00eancia americana era poss\u00edvel. N\u00e3o estou dizendo que os americanos inventaram o conceito de \u201cter para ser\u201d, estou apenas dizendo que eles colocaram isso na frente da sua mensagem para o mundo. E o mundo escutou.<\/p>\n<p>Se por um lado n\u00e3o podemos negar que essa mentalidade mant\u00e9m as economias aquecidas, por outro isso n\u00e3o vem de gra\u00e7a: quando voc\u00ea faz um ser humano crescer ouvindo que seu valor pessoal \u00e9 equipar\u00e1vel ao n\u00famero de coisas que consegue consumir, est\u00e1 criando n\u00e3o s\u00f3 uma cabe\u00e7a desesperada por valida\u00e7\u00e3o externa, como tamb\u00e9m est\u00e1 dizendo que n\u00e3o existe equil\u00edbrio com o ambiente externo.<\/p>\n<p>Explico: se voc\u00ea tira o seu valor das coisas que possui, esse valor \u00e9 constantemente comparado com o de outras pessoas. N\u00e3o s\u00f3 a pessoa cai na armadilha de achar que precisa de um carro para ser feliz, como tamb\u00e9m come\u00e7a a comparar o carro que tem com o de outras pessoas, achando que isso de alguma forma as define como melhores ou piores. Detesto parecer comunista com esse tipo de conversa, at\u00e9 porque passo longe de acreditar em igualdade obrigat\u00f3ria (especialmente debaixo de uma ditadura), mas se tem uma coisa que eles acertam \u00e9 nessa an\u00e1lise: o ser humano tem mais paz de esp\u00edrito quando percebe que est\u00e1 equiparado aos seus pares.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea adiciona o consumismo \u00e0 equa\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a criar desigualdades. Desigualdades que v\u00e3o aumentando o grau de ansiedade e frustra\u00e7\u00e3o em pessoas que no fundo nem precisavam consumir tanto quanto consomem. Na pr\u00e1tica n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a ter um iPhone de 10 mil reais ou um Xing-Ling de quinhentos, mas as pessoas foram t\u00e3o condicionadas a equiparar valor pessoal com o custo dos objetos que compram que seu status social pode e ser\u00e1 definido de acordo com qual deles voc\u00ea comprar.<\/p>\n<p>Consumismo funciona como um atalho para valor pessoal. J\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o vive num ambiente igualit\u00e1rio, resta a voc\u00ea apenas lutar para estar em posi\u00e7\u00f5es privilegiadas. Talvez a pessoa nem ligue para esse tipo de status de verdade, mas o sistema exige que todos n\u00f3s entremos nessa disputa por valoriza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do consumo. Ter&#8230; para ser.<\/p>\n<p>Meio complicado falar sobre consumismo como fen\u00f4meno ocidental considerando como culturas como a chinesa e japonesa est\u00e3o fortemente influenciadas por esse \u201camericanismo consumista\u201d nos dias atuais, mas ainda existem alguns mecanismos de controle social naquela metade do mundo que n\u00e3o dependem tanto assim de comprar coisas. A cultura oriental ainda valoriza muito a padroniza\u00e7\u00e3o de comportamento, o orgulho pessoal e o respeito aos mais velhos.<\/p>\n<p>O que parece que n\u00e3o tem nada a ver com consumismo, mas s\u00e3o alguns ant\u00eddotos poderosos contra a ideia de valor pessoal pelo consumo. Nas culturas orientais, destacar-se n\u00e3o \u00e9 muito bem-visto. O que tem sim seus problemas, mas serve como uma forma de controle contra o exagero consumista. Ainda existe algum estigma contra a pessoa exibida, que usa seus recursos para esfregar sua suposta superioridade sobre os outros. Al\u00e9m disso, \u00e9 extremamente importante n\u00e3o passar vergonha diante dos seus pares, ainda dentro da l\u00f3gica de evitar destaque excessivo.<\/p>\n<p>Essa ideia de n\u00e3o chamar aten\u00e7\u00e3o reduz o apetite por riscos e insanidades em geral nos ricos de l\u00e1. N\u00e3o impede, \u00e9 claro, mas diminui o seu impacto na cultura local. Bilion\u00e1rios chineses fazem muito menos barulho que os ocidentais. Bilion\u00e1rios japoneses ent\u00e3o? Aposto que voc\u00ea nunca ouviu falar de um deles. Isso reduz o desespero do cidad\u00e3o m\u00e9dio ao se comparar com quem \u00e9 capaz de consumir mais que ele. At\u00e9 mesmo a ideia de respeito aos mais velhos, algo pouco considerado do lado ocidental do mundo, influencia na empolga\u00e7\u00e3o consumista: status pode ser conquistado sem comprar nada, apenas por existir.<\/p>\n<p>Por esses lados, o consumismo se mistura com o valor pessoal de tal forma que o cidad\u00e3o m\u00e9dio s\u00f3 consegue enxergar sua fun\u00e7\u00e3o no mundo de acordo com o que tem e consome. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tantos jovens da periferia admiram artistas e esportistas que exibem sua riqueza, muitas vezes independentemente da sua capacidade pessoal. \u00c9 a cultura que valoriza vencedores do BBB e n\u00e3o sabe o nome de nenhum cientista.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei quanto tempo isso vai durar, mas na China as crian\u00e7as ainda querem ser astronautas. Nos EUA, e provavelmente no Brasil, elas querem ser youtubers. O valor n\u00e3o \u00e9 sobre o que se conquista como pessoa, \u00e9 sobre como os outros v\u00e3o o categorizar. Fama e dinheiro parecem o \u00fanico caminho vi\u00e1vel para uma vida de sucesso.<\/p>\n<p>E a\u00ed, d\u00e1-lhe Rivotril para lidar com suas metas absurdas que nunca se concretizam (fama \u00e9 loteria). Consumismo \u00e9 pior do que torrar dinheiro com bobagem, consumismo \u00e9 acreditar no papo furado que sua felicidade est\u00e1 \u00e0 venda em algum lugar. Pode ser \u00fatil pra rodar a economia, mas \u00e9 um veneno para a mente.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para me chamar de hippie imundo, para dizer que \u00e9 engra\u00e7ado um publicit\u00e1rio dizer isso, ou mesmo para dizer que todas as culturas s\u00e3o uma merda: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Qual \u00e9 a pior premissa da cultura ocidental?<\/p>\n<p>A forma como se lida com a morte. A morte \u00e9 a \u00fanica certeza que temos na vida e, ainda assim, lidamos com ela de forma a gerar dor, sofrimento, perda.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o que acontece ap\u00f3s a morte (ningu\u00e9m sabe, por mais que alguns achem que sabem), mas, esta vida, como a conhecemos, nossa exist\u00eancia aqui, se encerra com ela. \u00c9 algo inevit\u00e1vel, \u00e9 o destino de todos n\u00f3s, ent\u00e3o, n\u00e3o faz o menor sentido colocar nisso uma carga de sofrimento.<\/p>\n<p>Muitos outros h\u00e1bitos causam enorme mal \u00e0s pessoas, \u00e0 sociedade e ao planeta, por\u00e9m, a forma como lidamos com a morte me parece ser a \u00fanica que afeta a todos e \u00e0 qual \u00e9 mais dif\u00edcil de reverter. Eu j\u00e1 vi gente abandonar v\u00edcio, eu j\u00e1 vi abandonar o consumismo, eu j\u00e1 vi gente superar muitas quest\u00f5es, mas poucas vezes vi algu\u00e9m n\u00e3o ficar mal quando morre algu\u00e9m querido.<\/p>\n<p>O medo da morte, pr\u00f3pria ou de terceiros, nos afeta das mais diferentes formas. O medo da morte, ou do sofrimento que ela pode provocar, nos norteia em diversas escolhas de vida. \u00c9 algo t\u00e3o internalizado que muitas vezes nem paramos para refletir em todas as implica\u00e7\u00f5es que isso tem. A carga de estresse que isso gera no nosso organismo durante toda a vida, por mais que a gente tente n\u00e3o pensar no assunto, \u00e9 significativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero dizer que todos tenhamos que arriscar nossas vidas diariamente como forma de n\u00e3o temer a morte, meu ponto \u00e9 outro. Devemos nos cuidar sim, pois se estamos aqui temos alguma coisa para fazer aqui, mas n\u00e3o temer ou sofrer a morte. Come\u00e7ar a trat\u00e1-la com naturalidade. Da mesma forma que ajudamos muita gente a viver, dever\u00edamos poder ajudar a morrer.<\/p>\n<p>Poucas pessoas morrem com dignidade em pa\u00edses com essa mentalidade. As pessoas t\u00eam uma vida sem qualidade prolongada por meses e at\u00e9 anos em fun\u00e7\u00e3o do terror que seus entes queridos t\u00eam de deixa-la ir ou da cren\u00e7a de que \u201ctem que tentar\u201d at\u00e9 o \u00faltimo minuto tudo que esteja dispon\u00edvel para a pessoa viver. Entendo que tem que tentar tudo para curar uma pessoa, mas para postergar uma vida de doen\u00e7as? Ser\u00e1 que isso \u00e9 realmente bom?<\/p>\n<p>Pessoas passam seus \u00faltimos dias, meses ou anos no mundo sendo cutucadas, espetadas, examinadas, operadas, intubadas, quando nada disso vai reverter seu quadro. Fam\u00edlias clamam por medidas que apenas adiam uma morte inevit\u00e1vel para postergar o sofrimento que cedo ou tarde v\u00e3o sentir, \u00e0s custas do sofrimento do doente.<\/p>\n<p>Pessoas n\u00e3o tem o sagrado direito de escolher como e quando v\u00e3o morrer, mesmo sabendo que a morte est\u00e1 chegando de forma lenta e dolorosa por alguma doen\u00e7a incur\u00e1vel. Pessoas s\u00e3o sujeitadas diariamente \u00e0 indignidade de amargar cada etapa de uma jornada de dor, angustia e indignidade at\u00e9 que seus corpos finalmente cheguem ao exaurimento por uma doen\u00e7a e n\u00e3o tenham condi\u00e7\u00f5es de continuar \u2013 e, mesmo exauridos, \u00e0s vezes ainda s\u00e3o mantidos vivos artificialmente.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 um problema que pode (e provavelmente vai) afetar a todos n\u00f3s, afinal, at\u00e9 segunda ordem, todos vamos morrer. Aquele desejo que todo mundo tem de morrer sereno, dormindo, sem dor, medo e sofrimento acontece para poucos. A verdade \u00e9 que a maioria dos que n\u00e3o morrem de forma violenta, morrem com uma doen\u00e7a, muitas vezes sofrendo lentamente, proibido de acelerar o processo, gra\u00e7as a uma premissa idiota de querer lutar \u201ccontra a morte\u201d n\u00e3o importa o que aconte\u00e7a. Essa luta, meus amigos, a gente perde no dia em que nasce.<\/p>\n<p>Sofre quem se vai, por n\u00e3o poder acelerar o processo ou escolher como quer partir, sofre quem fica, por ter sido ensinado a olhar desde o \u00e2ngulo da perda, da falta, do desamparo, em vez de agradecer o tempo que pode passar ao lado de quem partiu. Todo mundo sofre. Ningu\u00e9m esbo\u00e7a uma v\u00edrgula para mudar essa premissa, que, de t\u00e3o enraizada na nossa cultura, nem mesmo lembramos que pode ser mudada.<\/p>\n<p>Hoje temos movimentos de conscientiza\u00e7\u00e3o contra depreda\u00e7\u00e3o, consumismo, tabagismo, viol\u00eancia e muitos outros. Mas temos pouco e nada de pessoas falando sobre como encaramos a morte de uma forma escrota e de como prolongamos o sofrimento de forma desnecess\u00e1ria pelo medo em deixar o outro partir. E menos pessoas ainda tentando mostrar que a partida de algu\u00e9m n\u00e3o precisa ser encarada como perda, sofrimento ou desamparo.<\/p>\n<p>As poucas pessoas que contestam a dor da morte o fazem com base em alegorias como espiritismo, que na verdade nega a morte e te faz acreditar que aquela mesma pessoa est\u00e1 em outro lugar, o que para mim \u00e9 ainda mais desesperador: ser\u00e1 que a pessoa est\u00e1 bem? Ser\u00e1 que ela est\u00e1 com medo? Ser\u00e1 que ela vai reencarnar no Brasil? Enfim, todo tipo de sofrimento ainda pode acontecer.<\/p>\n<p>Pouqu\u00edssimas pessoas t\u00eam a sanidade e maturidade de tratar a morte como ela realmente \u00e9: um destino natural de todos para o qual n\u00e3o temos a explica\u00e7\u00e3o. Respirar fundo e dizer \u201ceu N\u00c3O SEI o que acontece depois que uma pessoa morre\u201d. D\u00f3i tanto n\u00e3o ter o controle de tudo?<\/p>\n<p>A forma como tratamos a morte, e eu me incluo, mostra como somos obsessivos por controle, como temos a mente limitada e como somos condicionados pelas nossas cren\u00e7as. Constru\u00edmos uma sociedade toda ao redor da morte em vez de faz\u00ea-la focada na vida.<\/p>\n<p>E \u00e9 uma forma de funcionar muito dif\u00edcil de mudar, pois vemos esse sistema de pensamento desde pequenos. Dificilmente quem te oferece outra alternativa o faz sem essas alegorias m\u00e1gicas que tanto me ofendem. Dar qualquer resposta para o que acontece ap\u00f3s a morte \u00e9 igualmente errado: vira purpurina, vira estrelinha, vai pro Nosso Lar, reencarna ou vira unic\u00f3rnio, tudo incomprov\u00e1vel. A verdade \u00e9: n\u00e3o sabemos.<\/p>\n<p>Morte, hoje, \u00e9 sofrimento ou misticismo. E n\u00e3o precisava ser assim. Passou da hora de vozes mais sensatas come\u00e7arem a se levantar para tratar desse assunto com uma abordagem melhor, quem sabe assim n\u00f3s n\u00e3o teremos que morrer cercados de medo, sofrimento, dor e indignidade.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que \u201cn\u00e3o sei\u201d \u00e9 para os fracos e os fortes sabem tudo, para dizer que o assunto \u00e9 t\u00e3o mal resolvido que nem consegue falar sobre morte ou ainda para dizer que quem voc\u00ea ama nunca vai morrer: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora a linha divis\u00f3ria entre cultura ocidental e cultura oriental esteja cada vez mais borrada, ainda podemos diferenciar alguns fatores determinantes de cada uma delas. Sally e Somir discordam sobre o pior aspecto da que domina o nosso lado do mundo. Os impopulares demonstram se s\u00e3o cultos. 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