{"id":19265,"date":"2021-12-10T13:20:11","date_gmt":"2021-12-10T16:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19265"},"modified":"2021-12-10T13:20:11","modified_gmt":"2021-12-10T16:20:11","slug":"microcosmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/12\/microcosmo\/","title":{"rendered":"Microcosmo."},"content":{"rendered":"<p>Muitos de n\u00f3s pensamos sobre qu\u00e3o gigantesco o universo pode ser. Quanta coisa tem al\u00e9m da parte observ\u00e1vel? Ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 um pouco maior ou ser\u00e1 que \u00e9 absurdamente maior? Ser\u00e1 que tem algum limite de tamanho que a realidade pode alcan\u00e7ar? S\u00e3o todas perguntas sem resposta. Mas pensar em dist\u00e2ncias imensas e bilh\u00f5es de anos-luz n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de se perder na ideia de escala da realidade. Quem disse que tem limite de qu\u00e3o pequenas as coisas podem ser?<!--more--><\/p>\n<p>Um dos campos de estudos mais importantes da ci\u00eancia est\u00e1 relacionado com a descoberta das part\u00edculas elementares: desde os fil\u00f3sofos gregos h\u00e1 milhares de anos atr\u00e1s, postulamos sobre o que comp\u00f5e o que. O \u00e1tomo foi teorizado muito antes de termos qualquer chance de comprovar sua exist\u00eancia, e nem ele era a part\u00edcula fundamental da realidade. \u00c1tomos eram diferentes entre si. Descobrimos pr\u00f3tons, n\u00eautrons e el\u00e9trons. E mesmo eles n\u00e3o duraram muito: hoje consideramos que pelo menos pr\u00f3tons e n\u00eautrons s\u00e3o formados por elementos ainda mais fundamentais: os quarks.<\/p>\n<p>At\u00e9 este momento, n\u00e3o temos evid\u00eancias de subdivis\u00f5es ainda menores da mat\u00e9ria, o que obviamente n\u00e3o quer dizer que est\u00e1 tudo decidido. As leis da f\u00edsica funcionam suficientemente bem com esse limite m\u00ednimo, \u00e9 poss\u00edvel prever com seguran\u00e7a v\u00e1rios resultados de experimentos com a matem\u00e1tica dispon\u00edvel. Acho importante fazer esse aparte: sim, a ci\u00eancia n\u00e3o existe para dar respostas definitivas, tudo est\u00e1 dispon\u00edvel para ser questionado, mas depois que testamos bastante algumas hip\u00f3teses, d\u00e1 pra tomar decis\u00f5es baseadas nesse conhecimento. Teoria nesses casos n\u00e3o significa palpite, e sim algo analisado exaustivamente.<\/p>\n<p>Mas, como disse antes, questionar n\u00e3o \u00e9 proibido, muito pelo contr\u00e1rio, \u00e9 encorajado. S\u00f3 tenha a dec\u00eancia de estudar um pouco sobre o tema antes de ir ocupar o tempo dos verdadeiros especialistas. N\u00e3o \u00e9 m\u00e9todo cient\u00edfico, \u00e9 s\u00f3 bom senso mesmo. E se for questionar ou teorizar em cima do conhecimento consolidado, fa\u00e7a como eu e avise antes: o que vem a partir de agora \u00e9 um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser provado.<\/p>\n<p>A mente humana tende a \u201ctravar\u201d quando pensamos no tamanho imenso do universo. Por maior que voc\u00ea imagine que seja, sempre vem a d\u00favida sobre o que est\u00e1 ao redor. E ela nunca vai parar: n\u00e3o importa o tamanho que algu\u00e9m te diga que a realidade tem de verdade, voc\u00ea automaticamente vai pensar numa bolha dentro de alguma outra coisa. A ideia de universo infinito tem conex\u00f5es com os c\u00e1lculos feitos por alguns cientistas, mas no final das contas n\u00e3o deixa de ser a mente humana tentando colocar uma coisa dentro da outra. Imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 infinita, o universo n\u00e3o necessariamente.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 pensou que d\u00e1 para fazer o caminho oposto? O que nos impede de achar que tem outras part\u00edculas dentro do quark? E que existem mais e mais dentro dessas, criando outro infinito mental? Algu\u00e9m bem estudado pode dizer que est\u00e1 tudo liberado at\u00e9 chegar numa medida chamada \u201ccomprimento de Planck\u201d. Bobagem explicar isso em detalhes num texto desses, mas resumindo: \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz consegue percorrer durante o \u201ctempo de Planck\u201d, outra medida criada pelo mesmo f\u00edsico, definida como o menor tempo poss\u00edvel para alguma coisa acontecer na realidade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, comprimento de Planck seria o que a velocidade m\u00e1xima do universo consegue percorrer no menor tempo poss\u00edvel para qualquer coisa mudar na escala qu\u00e2ntica. Qualquer coisa menor do que isso quebra todo o conhecimento cient\u00edfico que temos. O que n\u00e3o \u00e9 problema nenhum, conhecimento cient\u00edfico est\u00e1 a\u00ed pra ser quebrado e refeito mesmo, mas chegamos num ponto de pura especula\u00e7\u00e3o se quisermos algo menor ainda que um comprimento de Planck.<\/p>\n<p>E a\u00ed, eu n\u00e3o sei te dizer se \u00e9 imagina\u00e7\u00e3o querendo colocar uma coisa dentro da outra infinitamente, ou se tem l\u00f3gica mesmo: mas nada impede que existam bilh\u00f5es de universos dentro da suposta menor escala conhecida da realidade. O que a gente considera espa\u00e7o vazio, pequeno ou grande nada mais \u00e9 do que os limites da nossa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia costuma parar nos limites encontrados por equa\u00e7\u00f5es para n\u00e3o gastar energia com bobagem: se algo \u00e9 t\u00e3o pequeno que n\u00e3o d\u00e1 para detectar nem com um f\u00f3ton, come\u00e7a a ficar bem complicado saber se tem algo l\u00e1 ou n\u00e3o. Em tese, imposs\u00edvel. Mas aus\u00eancia de evid\u00eancia \u00e9 evid\u00eancia de aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma ideia que muita gente tem para acalmar essa d\u00favida sobre qu\u00e3o pequenas as coisas podem ser \u00e9 baseada em espa\u00e7o vazio. Conseguimos imaginar coisas colocadas em espa\u00e7os vazios. Se cheg\u00e1ssemos numa part\u00edcula fundamental, significaria que n\u00e3o existe espa\u00e7o vazio algum entre as coisas. E nesse sentido, estamos longe de ter paz: um \u00e1tomo \u00e9 basicamente s\u00f3 espa\u00e7o \u201cvazio\u201d. O n\u00facleo \u00e9 uma bola de futebol no meio de um est\u00e1dio, com os el\u00e9trons girando pelas arquibancadas. Tudo com o qual interagimos \u00e9 espa\u00e7o praticamente vazio. S\u00f3 parece que n\u00e3o porque existe um campo eletromagn\u00e9tico ao redor dele que rebate as coisas de volta e n\u00e3o deixa (na maioria dos casos) um \u00e1tomo entrar dentro do espa\u00e7o vazio do outro.<\/p>\n<p>Continuando nas analogias, um \u00e1tomo \u00e9 uma bolinha de gude com um \u201ccampo de for\u00e7a\u201d do tamanho de uma casa. Por isso que n\u00e3o desaparecemos uns nos vazios dos outros. Porque espa\u00e7o vazio \u00e9 o que n\u00e3o falta. At\u00e9 onde sabemos, n\u00e3o tem nada nesses espa\u00e7os vazios. Nada que possa ser detectado. Nossa capacidade real de an\u00e1lise nessas escalas n\u00e3o consegue ir muito mais longe do que detectar \u00e1tomos individuais e presumir com alguma seguran\u00e7a o que acontece dentro dele.<\/p>\n<p>Agora, se existir uma part\u00edcula ainda mais fundamental no meio desse espa\u00e7o vazio, ou mesmo compondo el\u00e9trons e quarks, n\u00e3o temos nada com o que olhar para elas. Algo t\u00e3o min\u00fasculo n\u00e3o vai ser detectado. Um el\u00e9tron batendo nessa part\u00edcula fundamental poderia ser algo como um gr\u00e3o de areia entrando em rota de colis\u00e3o com um planeta! Podem ter trilh\u00f5es desses gr\u00e3os de areia ao redor de todos n\u00f3s, mas como somos t\u00e3o absurdamente maiores que eles, \u00e9 virtualmente imposs\u00edvel saber que eles est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p>Um ser humano s\u00f3 sabe que est\u00e1 carregando trilh\u00f5es de bact\u00e9rias porque algu\u00e9m conseguiu olhar para elas com tecnologia. Se depend\u00eassemos de sentir o peso delas ou de ver algum sinal visual, n\u00e3o saber\u00edamos sequer de sua exist\u00eancia, como de fato, n\u00e3o sab\u00edamos at\u00e9 relativamente pouco tempo atr\u00e1s. Detectar alguma coisa significa ter uma intera\u00e7\u00e3o percept\u00edvel com ela.<\/p>\n<p>Talvez essas part\u00edculas ainda mais fundamentais sejam a mat\u00e9ria escura, que numa escala gigantesca interferem muito nas coisas, mas que \u00e9 invis\u00edvel se voc\u00ea tentar olhar de perto. Talvez sejam at\u00e9 a gravidade e\/ou a energia escura. Certeza n\u00e3o temos ainda. E dependendo dos limites do que o ser humano pode conseguir detectar, pode ser que nunca tenhamos.<\/p>\n<p>Espa\u00e7o e vazio s\u00e3o conceitos que existem na nossa mente, baseados no tamanho com o qual interagimos de forma percept\u00edvel com o universo. O espa\u00e7o entre o n\u00facleo e o el\u00e9tron de um \u00e1tomo pode ser suficiente para abrigar um multiverso inteiro. Com as leis da f\u00edsica que conhecemos na nossa escala \u00e9 imposs\u00edvel, mas nada impede que exista a micro f\u00edsica qu\u00e2ntica, que funciona para part\u00edculas que n\u00e3o conseguimos enxergar. E a micro f\u00edsica qu\u00e2ntica poderia explicar tudo o que vemos na nossa escala.<\/p>\n<p>E mais insano ainda: nada de novo impede que dentro desses supostos multiversos existentes no que consideramos vazio, existam outros multiversos com o que uma intelig\u00eancia daquela escala considere vazio. O grande pode ser infinito, mas o pequeno tamb\u00e9m. O que temos da ci\u00eancia hoje em dia s\u00e3o as \u201cregras de funcionamento\u201d do universo que conseguimos observar, mas podem existir zilh\u00f5es de n\u00edveis para cima e para baixo.<\/p>\n<p>Porque sim, podemos estar num dos universos do multiverso que forma um quark da realidade acima da nossa. Nosso conhecimento da mat\u00e9ria aqui pode ser a chave para seres da realidade maior entenderem fen\u00f4menos que acontecem por l\u00e1. Um Big Bang na nossa escala pode ser a aniquila\u00e7\u00e3o de duas part\u00edculas para o n\u00edvel de percep\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n<p>O que muita gente chama de outras dimens\u00f5es, especialmente no que tange a Teoria das Cordas, podem ser muito bem tamanhos diferentes de realidade. Na verdade, \u00e9 tudo a mesma coisa, s\u00f3 muda o ponto de vista. A realidade pequena cria a gravidade que sentimos, e a gravidade que sentimos cria a conex\u00e3o entre part\u00edculas da realidade grande ao redor de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Eu sei que est\u00e1 parecendo bastante com papo de drogado, mas existe uma l\u00f3gica por tr\u00e1s de pensar nisso: a de que a compreens\u00e3o exata da realidade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Tudo o que temos s\u00e3o c\u00e1lculos e experimentos que nos ajudam a prever como as coisas v\u00e3o interagir na nossa escala de percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma boa ideia para sua vida levar em considera\u00e7\u00e3o o esfor\u00e7o de cientistas e estudiosos em geral, n\u00e3o porque eles est\u00e3o descobrindo uma realidade inquestion\u00e1vel, mas porque a imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 infinita por defini\u00e7\u00e3o, e tudo o que voc\u00ea quiser imaginar \u00e9 poss\u00edvel por l\u00e1.<\/p>\n<p>O verdadeiro problema \u00e9 conseguir imaginar coisas que geram resultados previs\u00edveis. \u00c9 para isso que a ci\u00eancia existe. Saber \u00e9 ef\u00eamero, quase que um efeito colateral de fazer testes para saber o que \u00e9 previs\u00edvel ou replic\u00e1vel. Informa\u00e7\u00f5es sobre o universo que podem ser usadas para entender mais sobre o universo.<\/p>\n<p>Se o seu conhecimento n\u00e3o est\u00e1 te levando a entender mais sobre a realidade e fazer previs\u00f5es mais seguras sobre os resultados de suas a\u00e7\u00f5es ou das a\u00e7\u00f5es de terceiros, ele \u00e9 imagina\u00e7\u00e3o. Imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 bacana, mas n\u00e3o tem obriga\u00e7\u00e3o nenhuma de se ater ao que se pode entender de verdade. O universo pode ser infinitamente maior do que vemos, crescendo ou diminuindo, o \u00fanico limite para o conhecimento \u00e9 sua capacidade de chegar at\u00e9 ele.<\/p>\n<p>Sempre que poss\u00edvel, fa\u00e7a o mundo ser do tamanho que voc\u00ea consegue lidar, porque ningu\u00e9m vai te colocar limite.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu estou treinando para ser coach, para dizer que deve ter gente tocando funk dentro dos seus \u00e1tomos, ou mesmo para dizer que n\u00e3o sabe se sente insignificante ou magnificente: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos de n\u00f3s pensamos sobre qu\u00e3o gigantesco o universo pode ser. Quanta coisa tem al\u00e9m da parte observ\u00e1vel? Ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 um pouco maior ou ser\u00e1 que \u00e9 absurdamente maior? Ser\u00e1 que tem algum limite de tamanho que a realidade pode alcan\u00e7ar? 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