{"id":19297,"date":"2021-12-17T15:17:33","date_gmt":"2021-12-17T18:17:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19297"},"modified":"2021-12-17T15:17:33","modified_gmt":"2021-12-17T18:17:33","slug":"a-escada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2021\/12\/a-escada\/","title":{"rendered":"A escada."},"content":{"rendered":"<p>Vitor estava andando de bicicleta, como fazia todo final de tarde ap\u00f3s voltar do trabalho. Pretendia se encontrar com seu grupo habitual de ciclistas para um passeio noturno, mas poucos metros ap\u00f3s a esquina da rua de casa, encontrou um ve\u00edculo em alta velocidade furando o sinal vermelho. Sua consci\u00eancia j\u00e1 estava perdida no meio da par\u00e1bola que seu corpo fez depois do impacto. Depois disso, apenas uma luz branca.<!--more--><\/p>\n<p>Luz que perseguiu, ainda confuso. O corpo n\u00e3o do\u00eda, muito pelo contr\u00e1rio, nunca se sentira t\u00e3o bem. As roupas que vestia pareciam borradas, por vezes desaparecendo para mostrar sua pele, por vezes variando entre o macac\u00e3o que usava na hora do acidente e outras de suas vestimentas prediletas em diversas fases da vida. Aquilo n\u00e3o o assustava, muito pelo contr\u00e1rio. Quando se viu com um pijama de super-her\u00f3i que adorava na inf\u00e2ncia, lembrou-se de momentos felizes.<\/p>\n<p>A luz tomava conta de todo seu campo de vista. Ele tinha vis\u00f5es do carro se aproximando em alta velocidade, do sorriso que uma bela colega de trabalho havia dado para ele pouco antes, um jogo que adorava jogar na adolesc\u00eancia, um abra\u00e7o apertado do av\u00f4&#8230; era como se o tempo estivesse saltando para frente e para tr\u00e1s a cada passo que dava.<\/p>\n<p>Mesmo sem entender quanto tempo havia passado, eventualmente a luz tornou-se num ambiente gigantesco, aparentemente infinito. Ele podia ver mais pessoas, muito mais pessoas. O local parecia n\u00e3o ter paredes ou teto, tudo se unindo at\u00e9 onde a vista conseguia fazer senso. Milhares, talvez milh\u00f5es de outras pessoas perambulavam pelo local. As dimens\u00f5es superlativas permitiam um bom grau de separa\u00e7\u00e3o entre elas. Algumas se aglomeravam, outras vagavam solit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Ele podia at\u00e9 ver algumas pessoas surgindo como se num passe de m\u00e1gica. Logo \u00e0 sua frente, aparece uma idosa de longos cabelos ruivos, usando um chap\u00e9u espalhafatoso que complementava o visual t\u00edpico de filmes de \u00e9poca. Ela olha espantada para ele, mas antes de qualquer men\u00e7\u00e3o de contato, ela come\u00e7a a andar para longe. Muitas pessoas pareciam usar roupas e estilos de tempos passados, algumas pessoas at\u00e9 pareciam vindas do futuro, ou pelo menos de uma conven\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Ele podia perceber o mesmo efeito das roupas se transformando em outras pessoas. Roupas e corpos: era como se estivessem vagando entre a mais tenra inf\u00e2ncia at\u00e9 a velhice em cada passo. A cacofonia de incont\u00e1veis conversas, gritos, choros e risadas ocupava seus ouvidos. A cena com certeza teria causado perplexidade ou mesmo nervosismo em outra situa\u00e7\u00e3o, mas dessa vez Vitor encarava tudo com uma surpreendente naturalidade.<\/p>\n<p>\u00c9 como se entendesse instintivamente o que acontecia ali. N\u00e3o era algo para se racionalizar, apenas sentir. N\u00e3o conseguiria explicar para outra pessoa como aquilo era \u00f3bvio: o tempo era um ponto de vista, bastava olhar para outro ponto da hist\u00f3ria. Era como uma mem\u00f3ria voltando depois de muito tempo esquecida. Ele observava seu corpo rejuvenescendo e envelhecendo atrav\u00e9s das m\u00e3os quando finalmente \u00e9 interpelado por uma voz estranha.<\/p>\n<p>Era outra l\u00edngua, parecia chin\u00eas, ou talvez japon\u00eas. Mas, curiosamente, ele entendia perfeitamente:<\/p>\n<p>\u201cRec\u00e9m-chegado?\u201d \u2013 um homem borrado entre diversas idades, roupas e express\u00f5es est\u00e1 diante dele. Vitor se concentra um pouco e v\u00ea todas aquelas possibilidades colapsando num senhor de meia idade, fei\u00e7\u00f5es orientais, cabelo raspado e uma s\u00e9rie de tatuagens impressionantes cobrindo a pele dos bra\u00e7os e abd\u00f4men. Usava apenas uma cal\u00e7a jeans, sem sapatos.<\/p>\n<p>\u201cSim. Estamos mortos?\u201d \u2013 Vitor se v\u00ea estabilizando na sua \u00faltima imagem, a do homem que andava de bicicleta antes do acidente.<\/p>\n<p>\u201cTudo indica que sim. J\u00e1 te falaram sobre a escada?\u201d \u2013 o homem diz sem emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEscada? N\u00e3o. Espera, eu te conhe\u00e7o?\u201d<\/p>\n<p>\u201cAqui todo mundo se conhece, mesmo quem nunca se viu antes. Voc\u00ea vai acabar se acostumando com essa sensa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea precisa ir at\u00e9 a escada.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOnde fica essa escada?\u201d \u2013 Vitor olha ao redor, apenas espa\u00e7o vazio e pessoas.<\/p>\n<p>\u201cAli.\u201d \u2013 o homem aponta para cima, e como se fosse m\u00e1gica, uma escada gigantesca surge diante de seus olhos. Ela parece ter quil\u00f4metros de altura, e muitas pessoas est\u00e3o subindo.<\/p>\n<p>\u201cE para onde ela vai?\u201d<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea vai nos ajudar a descobrir. Quer que eu te acompanhe?\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o estou entendendo muito bem&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 normal, quando voc\u00ea estiver no topo, vai entender.\u201d<\/p>\n<p>Vitor come\u00e7a a andar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 escada. Ela \u00e9 toda branca, assim como o resto do ambiente. A falta de sombras fortes tornava dif\u00edcil perceber onde estava, apenas as pessoas subindo davam alguma indica\u00e7\u00e3o de sua localiza\u00e7\u00e3o. O que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a escada n\u00e3o tem suporte abaixo dos degraus, sobe no ar como se fosse sustentada por m\u00e1gica.<\/p>\n<p>Diante da escada, ele come\u00e7a a perceber que na verdade, ela \u00e9 formada por blocos. In\u00fameros blocos. Pode-se perceber pequenas linhas onde eles se encaixam. Ele sente um peso nos bra\u00e7os, e ao olhar para baixo, percebe-se segurando um desses blocos. Todo branco, um cubo de aproximadamente 40 cent\u00edmetros, liso e brilhante como se fosse pl\u00e1stico, pesando mais ou menos o que se esperaria que fosse caso fosse totalmente s\u00f3lido.<\/p>\n<p>N\u00e3o era um peso muito inc\u00f4modo, mas era desajeitado para segurar. Ele se volta para seu rec\u00e9m-conhecido colega de vida ap\u00f3s a morte.<\/p>\n<p>\u201cDeixa eu entender, eu tenho que levar esse bloco at\u00e9 o topo da escada?\u201d<\/p>\n<p>\u201cSim.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPor qu\u00ea?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei. Quando eu cheguei aqui estavam fazendo isso. Ningu\u00e9m sabe quem come\u00e7ou a construir essa escada, mas todo mundo que chega coloca mais um bloco nela. Quer dizer, quase todo mundo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTem gente que n\u00e3o faz isso?\u201d \u2013 Vitor come\u00e7a a sentir o peso do bloco ficando um pouco maior.<\/p>\n<p>\u201cSim. Eu j\u00e1 vi gente ficando presa com esse cubo nas m\u00e3os. Parece que ele vai ficando cada vez mais pesado com o passar do tempo. Chega uma hora que voc\u00ea n\u00e3o consegue mais tirar ele do ch\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu estou sentindo isso&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cSe algu\u00e9m n\u00e3o avisar logo, pode ser que ele fique pesado demais at\u00e9 chegar no topo da escada. A cada dia que passa fica mais dif\u00edcil para os que chegam&#8230; n\u00e3o \u00e9 todo mundo que fica procurando os novatos para explicar essa parte.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPoxa, obrigado. Eu&#8230; eu n\u00e3o entendi muito bem, mas agrade\u00e7o que voc\u00ea tenha me procurado logo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o fui uma pessoa boa durante a vida. Espero que o que eu esteja fazendo aqui compense.\u201d \u2013 o homem abaixa a cabe\u00e7a, como se estivesse envergonhado. Vitor percebe sangue nas m\u00e3os dele. O sangue surge e desaparece seguidas vezes enquanto seu corpo rejuvenesce e envelhece.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o \u00e9 s\u00f3 levar o bloco at\u00e9 o topo da escada?\u201d<\/p>\n<p>\u201cIsso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCerto. Ent\u00e3o eu vou&#8230; eu vou subir&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cBoa sorte, irm\u00e3o. E lembre-se: quando voc\u00ea colocar o seu bloco, ele tem que estar no ponto mais alto. Sen\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o vai poder voltar pra c\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOk, o mais alto. Obrigado de novo.\u201d<\/p>\n<p>O homem acena com a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Vitor come\u00e7a a subir a escada. Ela \u00e9 imensamente larga, o suficiente para milhares de pessoas ocuparem seus degraus sem se atrapalhar. Por vezes, ele percebe algumas pessoas paradas na escada, a maioria com express\u00e3o desanimada. Muitos parecem presos num degrau, fazendo for\u00e7a para mover um bloco travado no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele percebe uma crian\u00e7a tenta carregar um bloco com imensa dificuldade. \u00c9 uma menina de no m\u00e1ximo uns 8 anos de idade. Ela parece estar no limite de suas capacidades f\u00edsicas, praticamente rolando o cubo degrau a degrau para cima. Vitor se aproxima e coloca o pr\u00f3prio cubo no ch\u00e3o. Ele coloca as m\u00e3os debaixo do cubo que a menina tentava carregar para ajud\u00e1-la. Ela olha para ele e sorri. Vitor sorri de volta.<\/p>\n<p>O cubo dela era pesado, mas com sua for\u00e7a era poss\u00edvel levantar do ch\u00e3o. Ele tenta iniciar uma conversa, mas subitamente a menina n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1. Ele olha ao redor e percebe que a menina estava levantando seu cubo com facilidade do ch\u00e3o. Em segundos, a menina se transforma numa mulher adulta. Ela olha de volta para Vitor.<\/p>\n<p>\u201cDesculpa.\u201d<\/p>\n<p>E sai correndo escada acima com o cubo dele. Vitor demora alguns segundos para entender o que est\u00e1 acontecendo, mas logo dispara em busca da ladra. Ela parece ter desaparecido na multid\u00e3o. Sem qualquer aviso, ele se v\u00ea aparecendo em um lugar diferente, cercado por outras pessoas. O cubo est\u00e1 em suas m\u00e3os, com o peso que ele lembrava ter quando come\u00e7ou a subir a escada.<\/p>\n<p>Ele ouve um grito feminino estridente vindo dos degraus inferiores. Vitor sorri, feliz pela justi\u00e7a imposta seja l\u00e1 por quem estivesse no controle da situa\u00e7\u00e3o. Segue seu caminho, degrau a degrau. A maioria das pessoas parece compenetrada no esfor\u00e7o de carregar o cubo, algumas poucas almas trocam olhares e reconhecem a presen\u00e7a uns dos outros. Quanto mais ele sobe a escada, menor o n\u00famero de pessoas conversando. A compenetra\u00e7\u00e3o na tarefa aumenta a cada passo.<\/p>\n<p>De tempos em tempos ele percebe algumas imperfei\u00e7\u00f5es na escada, como um ou outro bloco duplicado, aumentando o tamanho do degrau. A largura da escada come\u00e7a a variar tamb\u00e9m. Quanto mais sobe, mais enxerga pessoas aparentemente presas aos seus blocos, a imensa maioria num estado quase catat\u00f4nico. Ele tenta puxar conversa com um rapaz sentado numa das pilhas de blocos, mas n\u00e3o \u00e9 sequer reconhecido.<\/p>\n<p>J\u00e1 perdera totalmente a no\u00e7\u00e3o de tempo antes de come\u00e7ar a ver o formato da escada ficar completamente ca\u00f3tico. \u00c9 poss\u00edvel ver mais e mais pessoas desesperadas por n\u00e3o conseguir carregar o bloco, e constru\u00e7\u00f5es cada vez menos l\u00f3gicas dos degraus. Alguns lugares t\u00eam apenas uma estreita passagem entre blocos empilhados, o que gera filas e at\u00e9 mesmo algumas brigas por espa\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais uma escada na altura que est\u00e1, \u00e9 como se fosse uma montanha de blocos sustentados no ar, colocados de forma quase que aleat\u00f3ria, mas sempre subindo. Ningu\u00e9m mais parece capaz de conversar, ou mesmo se lamentar. O sil\u00eancio \u00e9 a norma. Ele finalmente consegue ver o final da constru\u00e7\u00e3o. Agora apenas algumas dezenas de pessoas est\u00e3o a sua frente, o grosso dos peregrinos parece ter ficado pelo caminho. Ele se sente sortudo por ter sido avisado logo que chegou. O peso do seu bloco j\u00e1 est\u00e1 no limite de suas capacidades. N\u00e3o sente cansa\u00e7o, n\u00e3o sente dor, apenas a dificuldade de mover a pe\u00e7a.<\/p>\n<p>A escada, ou pelo menos o que come\u00e7ou como uma escada e agora \u00e9 uma montanha de blocos, termina num precip\u00edcio. \u00c9 praticamente imposs\u00edvel discernir as pessoas no ch\u00e3o, s\u00e3o menores que formigas. Ele nunca foi muito corajoso com alturas, mas n\u00e3o sente medo de cair.<\/p>\n<p>Uma mulher acaba de colocar seu bloco no ponto mais alto. Ela desaparece assim que faz aquilo. Um rapaz coloca o bloco que carregava acima dele e tamb\u00e9m desaparece. Vitor faz um esfor\u00e7o final para colocar a sua, mas logo antes de soltar, ele se lembra do homem que disse para ele subir a escada. Como ele n\u00e3o tinha desaparecido? Como \u00e9 que ele n\u00e3o estava preso ao seu bloco como todo mundo que viu subindo a escada?<\/p>\n<p>Ele se volta para um homem que estava prestes a colocar seu bloco e pergunta:<\/p>\n<p>\u201cQuem te disse para colocar o bloco aqui?\u201d<\/p>\n<p>\u201cUma senhora de cabelos ruivos, usava um chap\u00e9u bem curioso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEla te disse algo em especial?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o, apenas que estava me ajudando porque queria reden\u00e7\u00e3o dos seus pecados&#8230; me desculpa, est\u00e1 muito pesado&#8230; depois a gente conversa.\u201d<\/p>\n<p>O homem coloca o bloco no ponto mais alto, e desaparece tamb\u00e9m. Vitor est\u00e1 no limite da capacidade de carregar o seu, mas algo n\u00e3o fazia sentido. Subitamente, vem uma sensa\u00e7\u00e3o de compreens\u00e3o poderosa. A mulher ruiva com o chap\u00e9u&#8230; ela esteve aqui. O homem oriental tamb\u00e9m. N\u00e3o era sobre o destino, era sobre a jornada.<\/p>\n<p>Ele coloca o seu bloco n\u00e3o acima do mais alto, mas ao lado dele. Para onde ele foi depois, as pessoas l\u00e1 embaixo s\u00f3 podem imaginar.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu continuei o texto do Minecraft, para dizer que tem certeza que o final n\u00e3o faz sentido, ou mesmo para dizer que esse texto tamb\u00e9m n\u00e3o chegou a lugar algum: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vitor estava andando de bicicleta, como fazia todo final de tarde ap\u00f3s voltar do trabalho. Pretendia se encontrar com seu grupo habitual de ciclistas para um passeio noturno, mas poucos metros ap\u00f3s a esquina da rua de casa, encontrou um ve\u00edculo em alta velocidade furando o sinal vermelho. 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