{"id":19714,"date":"2022-03-21T12:46:19","date_gmt":"2022-03-21T15:46:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19714"},"modified":"2025-11-21T18:08:15","modified_gmt":"2025-11-21T21:08:15","slug":"pedido-para-sofrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2022\/03\/pedido-para-sofrer\/","title":{"rendered":"Pedido para sofrer."},"content":{"rendered":"<p>Existem v\u00e1rios trabalhos que seriam muito melhores se n\u00e3o te obrigassem a conviver e acomodar vontades de terceiros. Mas \u00e9 parte do jogo. Seja lidando com clientes, colegas ou chefes, Sally e Somir discordam sobre a parte mais dif\u00edcil de lidar com a vontade alheia. Os impopulares entregam suas respostas at\u00e9 a manh\u00e3 do dia seguinte.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: O que \u00e9 pior, gente que n\u00e3o sabe o que quer ou gente que quer o imposs\u00edvel?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>J\u00e1 me considero experiente o suficiente no ramo de servi\u00e7os para dizer que gente que quer o imposs\u00edvel \u00e9 muito pior que quem n\u00e3o sabe o que quer. Eu sei que parece pior lidar com algu\u00e9m mais perdido que voc\u00ea, mas se voc\u00ea souber se adaptar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, vai perceber que n\u00e3o saber o que quer \u00e9 meio que o estado padr\u00e3o do ser humano. Voc\u00ea est\u00e1 sempre lidando com gente assim e est\u00e1 acostumado(a), talvez s\u00f3 n\u00e3o perceba.<\/p>\n<p>Pode ser meio dif\u00edcil entender os dois casos apresentados na premissa do texto, especialmente se voc\u00ea est\u00e1 num dos raros trabalhos onde sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 muito clara e n\u00e3o tem gente no seu p\u00e9; por isso vou usar um exemplo que tem mais a ver com a minha profiss\u00e3o: uma pessoa chega querendo um logo para sua empresa. No primeiro caso, o da impossibilidade, a pessoa quer um logo com cores que ningu\u00e9m mais tem. No segundo caso, o da indecis\u00e3o, a pessoa s\u00f3 sabe que precisa de um logo, mas n\u00e3o pensou em nenhum fator ainda.<\/p>\n<p>Vamos para o primeiro caso: \u00e9 imposs\u00edvel que depois de tantos mil\u00eanios de humanidade, ainda exista alguma combina\u00e7\u00e3o de cores que nunca tenha sido usada. Existem milh\u00f5es de logos por a\u00ed, atuais e antigos. E considerando que o ser humano n\u00e3o tem muita capacidade de discernir tons de cores, n\u00e3o \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos todas as combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis pra usar. Voc\u00ea tem que falar n\u00e3o para esse cliente. Podemos fazer um logo com cores mais raras no seu mercado, mas n\u00e3o podemos garantir que ningu\u00e9m mais as tenha usado.<\/p>\n<p>A pessoa entende, certo? Sim, mas n\u00e3o. Existe uma sutileza aqui: quem quer o imposs\u00edvel cai em duas categorias, o completo maluco que fica teimando e o ser humano m\u00e9dio que come\u00e7a a negociar. O completo maluco \u00e9 uma raridade, nunca vi algu\u00e9m que simplesmente teimasse com algo imposs\u00edvel depois de ser claramente informado sobre a impossibilidade. Mas quase todos come\u00e7am a tentar achar um meio termo.<\/p>\n<p>E a\u00ed que mora a pentelha\u00e7\u00e3o verdadeira: o meio termo entre poss\u00edvel e imposs\u00edvel ainda \u00e9 imposs\u00edvel. A pessoa n\u00e3o s\u00f3 aceita que inventou algo que n\u00e3o podia ser feito, ela come\u00e7a a procurar solu\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria. A\u00ed, o cliente que queria cores nunca antes usadas entende que isso n\u00e3o existe, mas a\u00ed diz que ent\u00e3o \u00e9 para usar um s\u00edmbolo que nunca foi usado. Olha a besteira: primeiro que a n\u00e3o ser que voc\u00ea tenha inventado algo absolutamente novo na hist\u00f3ria da humanidade, algu\u00e9m provavelmente j\u00e1 fez algo parecido antes.<\/p>\n<p>Como eu vou prometer para uma pessoa que ningu\u00e9m pensou no mesmo s\u00edmbolo que eu? S\u00f3 se eu pesquisasse todos os logos da hist\u00f3ria antes de fazer um. N\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel. Mas quando come\u00e7a o meio termo do imposs\u00edvel, a pessoa que est\u00e1 pedindo o trabalho perde a capacidade de entender as limita\u00e7\u00f5es da realidade. Voc\u00ea explica pra ela que n\u00e3o d\u00e1 para prometer que ningu\u00e9m mais tenha usado s\u00edmbolos parecidos, ela diz que entende. Voc\u00ea apresenta uma proposta, e se por um acaso ela achar parecido com outra coisa, ela reclama e pede para voc\u00ea tentar outra vez. Pode ser o logo de um bar no meio de um vilarejo isolado, pode ser uma empresa num setor totalmente diferente&#8230; se a pessoa vir algo parecido, ela entra em modo insano e come\u00e7a a reclamar.<\/p>\n<p>O pedido imposs\u00edvel vai se desmembrando em pedidos que a pessoa julga razo\u00e1veis no meio termo, sendo que normalmente a pessoa que pede entende nada ou quase nada do trabalho. Quem pede o imposs\u00edvel dificilmente para e pede uma sugest\u00e3o de quem entende, afinal, se tivesse uma fibra de sanidade profissional no corpo, nunca teria chegado com o pedido. Teria escutado qualquer pessoa avisando que n\u00e3o fazia sentido antes de chegar num profissional. Quem pede o imposs\u00edvel normalmente tem uma personalidade que conduz a isso.<\/p>\n<p>Eventualmente existem g\u00eanios incompreendidos nesse bolo, mas vamos ser honestos: a propor\u00e7\u00e3o de seres humanos realmente geniais no meio da massa de malucos mimados \u00e9 min\u00fascula o suficiente para voc\u00ea nunca encontrar um deles na vida. Presuma o mediano. E o mediano de quem faz esses pedidos sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a \u00e9 teimosia e falta de capacidade de escutar o outro. N\u00e3o \u00e9 o tipo de pessoa com quem voc\u00ea quer trabalhar. N\u00e3o \u00e9 o tipo de pessoa com a qual voc\u00ea quer conviver&#8230; ponto.<\/p>\n<p>Agora, vamos para o segundo caso: o cliente quer um logo, mas n\u00e3o sabe muito bem o que quer. Tudo bem, quase nenhum sabe mesmo. N\u00e3o \u00e9 o trabalho da pessoa saber, \u00e9 o meu. Nesse caso, temos uma rela\u00e7\u00e3o profissional cl\u00e1ssica: a pessoa \u00e9 contratada para tomar decis\u00f5es no campo que se especializou. \u00c9 chato quando voc\u00ea sugere uma coisa, a pessoa n\u00e3o gosta e n\u00e3o sabe o motivo? \u00c9 chato sim, mas voc\u00ea ainda est\u00e1 falando com uma pessoa que n\u00e3o \u00e9 necessariamente sem no\u00e7\u00e3o, s\u00f3 est\u00e1 perdida.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea for capaz de explicar o processo do seu trabalho e colocar limites ao redor do cliente sobre o que ele pode ou n\u00e3o esperar, mesmo os mais indecisos acabam escolhendo alguma coisa. Nem que seja por cansa\u00e7o. Eu acho mais normal tomar conta do processo intelectual de um trabalho que domino do que esperar qualquer coisa do outro lado. A parte da outra pessoa \u00e9 te pedir o trabalho, n\u00e3o saber faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Talvez seja minha condescend\u00eancia arrogante falando? Talvez. Eu sempre espero pouco da mente alheia. Me ajuda a diminuir o grau de decep\u00e7\u00e3o. Por isso, acho t\u00e3o mais natural lidar com quem n\u00e3o sabe o que quer do que com quem tem expectativas irreais. O imposs\u00edvel vira uma negocia\u00e7\u00e3o chat\u00edssima sobre o que a pessoa acha que \u00e9 poss\u00edvel (raramente \u00e9), o indeciso \u00e9 mais quest\u00e3o de voc\u00ea conseguir prever um pouco a mente do outro, ou dar op\u00e7\u00f5es guiadas que pare\u00e7am mais naturais para ela.<\/p>\n<p>\u00c9 costume. Na vida real quase ningu\u00e9m sabe muito bem o que quer ou n\u00e3o quer. Sally acha que ela \u00e9 a norma, n\u00e3o \u00e9. Muito pelo contr\u00e1rio. Todos n\u00f3s temos uma vida de experi\u00eancia com quem n\u00e3o sabe o que quer, e tudo fica mais f\u00e1cil com a experi\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para pedir para o Desfavor ir para o YouTube e continuar di\u00e1rio ao inv\u00e9s de mensal, para dizer que sua alegria \u00e9 n\u00e3o trabalhar com pessoas, ou mesmo para dizer que n\u00e3o sabe quem est\u00e1 certo: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>O que \u00e9 pior, gente que n\u00e3o sabe o que quer ou gente que quer o imposs\u00edvel?<\/p>\n<p>Gente que n\u00e3o sabe o que quer \u00e9 pior, por um motivo muito simples: quando a pessoa pede qualquer coisa concreta, inclusive o imposs\u00edvel, ningu\u00e9m perde tempo. Voc\u00ea diz que \u00e9 imposs\u00edvel e a pessoa ou vai embora, ou refaz o pedido.<\/p>\n<p>Tempo \u00e9, sem d\u00favida, o que temos de mais sagrado, caro e precioso. Quem te faz perder seu tempo \u00e9 quem mais te prejudica. Dentro deste meu par\u00e2metro (que pode n\u00e3o ser o seu), pessoas indecisas s\u00e3o um c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Se um parceiro te pede algo que voc\u00ea n\u00e3o pode executar, voc\u00ea diz \u201cn\u00e3o h\u00e1 qualquer condi\u00e7\u00e3o de que eu possa fazer isso\u201d. Se um cliente te pede algo que n\u00e3o pode ser feito, voc\u00ea diz \u201cn\u00e3o h\u00e1 qualquer condi\u00e7\u00e3o de que eu possa fazer isso\u201d. \u00c9 r\u00e1pido, \u00e9 simples, \u00e9 pegar ou largar. A pessoa avalia se quer abrir m\u00e3o do pedido e reformul\u00e1-lo ou se quer abrir m\u00e3o de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Uma pessoa que n\u00e3o sabe o que quer n\u00e3o. Ela \u00e9 um dreno de energia e aten\u00e7\u00e3o. \u201cAssim t\u00e1 bom?\u201d \u2013 \u201cN\u00e3o\u201d \u2013 \u201cEnt\u00e3o como voc\u00ea quer?\u201d \u2013 \u201cN\u00e3o sei\u201d. A\u00ed todos os palhacinhos \u00e0 sua volta perdem tempo executando v\u00e1rias tentativas at\u00e9 a pessoas que n\u00e3o sabe o que quer achar que est\u00e1 bom.<\/p>\n<p>Francamente, ningu\u00e9m merece isso. Um adultinho tem que saber o que quer. Se n\u00e3o sabe, vai organizar a mente e volta quando souber. \u00c9 como aquela pessoa que fica uma hora na fila do cinema e s\u00f3 quando chega sua vez para e come\u00e7a a pensar em qual filme quer ver. Um ser humano decente chega na bilheteria com filme e hora escolhidos. Se ainda n\u00e3o sabe qual quer ver, primeiro pensa e decide, e s\u00f3 depois vai comprar.<\/p>\n<p>Mas sempre tem os floquinhos de neve especiais que se acham importantes a ponto de fazer as pessoas que est\u00e3o atras dela na fila esperar 20 minutos, pois ela est\u00e1 indecisa sobre o filme que quer ver. Nada contra indecis\u00e3o, que fique claro. Minha obje\u00e7\u00e3o e quando a indecis\u00e3o da pessoa toma o tempo alheio e atrapalha a vida de outras pessoas. Vai ser indeciso dentro de casa, no conforto do seu lar, filho da puta!<\/p>\n<p>Al\u00e9m de todo o transtorno que a pessoa que n\u00e3o sabe o que quer causa, ela ainda piora a situa\u00e7\u00e3o daqueles que est\u00e3o \u00e0 sua volta: \u201co que voc\u00ea acha? O que devo escolher?\u201d. N\u00e3o basta a pessoa n\u00e3o saber o que quer, a pessoa ainda quer delegar a responsabilidade da escolha para terceiros. N\u00e3o sabe o que quer? Maravilha. Me chame quando souber, at\u00e9 l\u00e1, eu vou usar meu tempo com quem sabe o que quer.<\/p>\n<p>O pedido imposs\u00edvel mostra que a pessoa \u00e9 burra, fora da realidade ou ignorante naquele assunto. E t\u00e1 tudo bem, todo mundo tem o direito a desconhecer algo, a errar o c\u00e1lculo. Acontece com todos n\u00f3s. Cedo ou tarde, a vida vai provar que aquilo era imposs\u00edvel. A pessoa est\u00e1 pedindo algo escroto sem ter a consci\u00eancia do que est\u00e1 fazendo, isso torna tudo menos grave.<\/p>\n<p>J\u00e1 quem n\u00e3o sabe o que quer tem total consci\u00eancia de que n\u00e3o sabe o que quer e, mesmo assim, leva o problema at\u00e9 voc\u00ea. Juro, eu teria muita vergonha de fazer isso. Se eu n\u00e3o sei o que eu quero, cabe a mim decidir o que eu quero. Para isso eu tenho que levantar a minha bunda do sof\u00e1 e correr atr\u00e1s de respostas: pesquisar, pedir opini\u00e3o de profissionais, estudar, fazer terapia ou o que for, at\u00e9 conseguir decidir.<\/p>\n<p>A pessoa que se acha no direito de tomar o tempo alheio sem saber o que quer e a obriga a perder seu tempo com repetidos atos ou trabalhos at\u00e9 encontrar algo que ela goste \u00e9 uma\u00a0 sugadora de tempo. Ela se acha t\u00e3o importante que n\u00e3o v\u00ea problema em tomar o tempo alheio dessa forma. A responsabilidade na escolha n\u00e3o \u00e9 dela, os outros \u00e9 que devem convencer Vossa Majestade de que algo \u00e9 bom.<\/p>\n<p>\u201cAin, mas cliente nunca sabe o que quer\u201d. N\u00e3o \u00e9 verdade. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade mesmo. Se isso acontece com voc\u00ea, \u00e9 por estar conduzindo de forma errada sua vida profissional. Se botar limites e explicar para o cliente que voc\u00ea s\u00f3 vai poder trabalhar depois que ele te disser o que quer, a resposta vem. Ou o cliente vai&#8230; mas a\u00ed, j\u00e1 vai tarde. Voc\u00ea \u00e9 um profissional, n\u00e3o um limpador de bunda.<\/p>\n<p>Achar que demandar que os outros saibam o que querem vai te deixar sem relacionamento, sem clientes, sem trabalho ou sem qualquer outra coisa diz mais sobre voc\u00ea do que sobre os outros. Assumir a responsabilidade de decis\u00f5es dos outros geralmente \u00e9 visto como uma cruz, um karma, um esfor\u00e7o, mas, na real, quem o faz tem um belo ganho secund\u00e1rio: tem controle. Voc\u00ea trabalha em dobro, mas \u00e9 tudo do seu jeito.<\/p>\n<p>Isso cria um emaranhado social nefasto: cheio de vagabundo que n\u00e3o quer tomar decis\u00e3o se encostando em infeliz que paga com a alma para ter controle. E ambos reclamam. E nenhum sai do lugar onde est\u00e1, perpetrando o jogo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, desculpa, mas um maluco que erra o c\u00e1lculo e pede o que \u00e9 imposs\u00edvel \u00e9 apenas isso: uma pessoa que pediu o que n\u00e3o podia ser executado. N\u00e3o d\u00e1 para fazer, ponto final \u2013 e cedo ou tarde a vida vai mostrar isso. J\u00e1 o imbecil\u00f3ide que n\u00e3o sabe o que quer, empata a vida alheia por muito tempo, e muitas vezes acaba recompensado.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que quem n\u00e3o sabe o que quer quer o imposs\u00edvel, para dizer que ningu\u00e9m sabe o que quer ou ainda para dizer que todo mundo sabe o quer e s\u00f3 tem medo de verbalizar: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem v\u00e1rios trabalhos que seriam muito melhores se n\u00e3o te obrigassem a conviver e acomodar vontades de terceiros. Mas \u00e9 parte do jogo. Seja lidando com clientes, colegas ou chefes, Sally e Somir discordam sobre a parte mais dif\u00edcil de lidar com a vontade alheia. 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