{"id":19779,"date":"2022-04-06T12:48:34","date_gmt":"2022-04-06T15:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19779"},"modified":"2022-04-06T12:48:34","modified_gmt":"2022-04-06T15:48:34","slug":"infelicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2022\/04\/infelicidade\/","title":{"rendered":"Infelicidade."},"content":{"rendered":"<p>Eu tenho uma teoria: o ser humano n\u00e3o foi feito para tanta satisfa\u00e7\u00e3o. Pelo menos n\u00e3o na quantidade dispon\u00edvel atualmente. E isso pode explicar a epidemia de doen\u00e7as mentais que toma conta do mundo. Mesmo em pa\u00edses pobres como o Brasil, uma parcela assustadora da popula\u00e7\u00e3o vise \u00e0 base de rem\u00e9dios tarja preta. Talvez o problema seja excesso&#8230; de coisas boas.<!--more--><\/p>\n<p>Deixa eu come\u00e7ar lidando com a parte mais dif\u00edcil de engolir dessa teoria: que voc\u00ea provavelmente est\u00e1 satisfeito demais com a vida. Todo mundo tem problemas, todo mundo tem momentos dif\u00edceis, voc\u00ea pode at\u00e9 estar passando por um deles agora. Parece insanidade ler que seu problema pode ser estar satisfeito demais, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Eu entendo. Entendo por que fiz o mesmo caminho mental: para a minha teoria ter algum lugar para come\u00e7ar, eu deveria no m\u00ednimo me usar de exemplo. Eu n\u00e3o tenho tudo o que quero, eu n\u00e3o estou sempre satisfeito. Eu j\u00e1 passei por fases muito ruins na vida, como praticamente todos n\u00f3s passamos. Como assim dizer que tem um problema com excesso de satisfa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A Sally j\u00e1 falou algumas vezes disso aqui, mas eu vou relembrar um conceito chamado Pir\u00e2mide de Maslow: a ideia de que o ser humano tem necessidades b\u00e1sicas como comida, \u00e1gua, abrigo&#8230; e que v\u00e3o se tornando mais e mais complexas a partir dali. Como diriam os Tit\u00e3s: a gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida; a gente quer comida, divers\u00e3o e arte. Um ser humano precisa atender necessidades puramente fisiol\u00f3gicas, mas passado esse ponto, \u00e9 natural almejar outras coisas como amor, pertencimento e at\u00e9 mesmo ajudar outras pessoas.<\/p>\n<p>O meu ponto com essa teoria de excesso de satisfa\u00e7\u00e3o bebe da fonte da Pir\u00e2mide de Maslow, mas subverte um pouco o conceito: embora precisemos do b\u00e1sico, ningu\u00e9m \u00e9 rob\u00f4 ou programa de computador para fazer tudo numa ordem espec\u00edfica. Pessoas s\u00e3o complexas, elas passeiam em todas as camadas dessa pir\u00e2mide de desejos e necessidades ao mesmo tempo. Queremos tudo, e \u00e0s vezes at\u00e9 trocamos as prioridades: tem gente que deixa de comer para ajudar outras pessoas com fome. \u00c9 a necessidade de altru\u00edsmo passando por cima de algo instintivo.<\/p>\n<p>Sim, temos necessidades, elas tem prioridades instintivas, mas \u00e9 normal bagun\u00e7ar a ordem, especialmente se voc\u00ea vive no fascinante mundo do s\u00e9culo XXI. Por mil\u00eanios fomos nos especializando em garantir necessidades b\u00e1sicas do ser humano: especialmente na popula\u00e7\u00e3o urbana. Por mais desesperado que voc\u00ea esteja, s\u00f3 de viver ao redor de outros humanos voc\u00ea j\u00e1 conta com um suporte b\u00e1sico para suas necessidades mais primais.<\/p>\n<p>A maioria de n\u00f3s sequer entende o que n\u00e3o \u00e9 ter o que comer. Mesmo pessoas pobres, daquelas que precisam de doa\u00e7\u00f5es. Uma coisa \u00e9 a fome de nossos ancestrais isolados no meio do mato, com a chance real de morrer de fome por n\u00e3o conseguir ca\u00e7ar ou coletar algo comest\u00edvel, outra totalmente diferente \u00e9 a mis\u00e9ria do cidad\u00e3o moderno. Voc\u00ea pode pedir ou at\u00e9 mesmo roubar&#8230; os recursos est\u00e3o pr\u00f3ximos de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o urbana moderna de n\u00e3o ter o b\u00e1sico \u00e9 mil passos \u00e0 frente do que nossos corpos foram projetados para lidar. Qualquer corpo humano sem defici\u00eancias graves tem uma resili\u00eancia enorme \u00e0s adversidades do ambiente. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que seu corpo insiste em queimar m\u00fasculo antes de gordura quando est\u00e1 precisando de energia: o comportamento foi moldado por centenas de mil\u00eanios de luta desesperada pela exist\u00eancia. Queimar o m\u00fasculo \u00e9 mais l\u00f3gico do ponto de vista evolutivo do que queimar a gordura. M\u00fasculo consome mais calorias para existir do que gordura. No longo prazo, pensando em semanas sem comida, o corpo est\u00e1 certo. No mundo moderno, ele nos irrita profundamente quando queremos emagrecer. A natureza te acha um maluco por querer emagrecer: isso reduz sua chance de sobreviver a um longo per\u00edodo sem alimentos! O que basicamente n\u00e3o acontece mais em ambientes urbanizados do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>E por que eu sa\u00ed por essa tangente? Simples: o que seu corpo foi preparado para fazer e o que voc\u00ea faz hoje em dia s\u00e3o coisas bem diferentes. Por passar centenas de milhares de anos vivendo de migalhas de satisfa\u00e7\u00e3o numa vida muito dif\u00edcil, fomos selecionados para tirar o m\u00e1ximo de cada um desses momentos. O ambiente do ser humano dava pouco sustento, pouca divers\u00e3o, pouca tranquilidade&#8230; o que n\u00e3o \u00e9 mais o caso.<\/p>\n<p>Num longo processo de aprendizado pelas eras, fomos tirando mais e mais valor do nosso incr\u00edvel poder cerebral. Outros animais t\u00eam c\u00e9rebros complexos, mas ningu\u00e9m nesse planeta chegou sequer perto do que conseguimos de resultados com ele. N\u00e3o s\u00f3 desenvolvemos tecnologias que nos permitem viver uma das vidas mais mansas do reino animal, como conseguimos criar um pensamento abstrato t\u00e3o poderoso ao ponto de nos entreter constantemente.<\/p>\n<p>O desejo de ter satisfa\u00e7\u00e3o constante, seja com comida, bebida, sexo, entretenimento, estudo ou seja l\u00e1 o que voc\u00ea imaginar; esse continua constante desde os tempos que tudo isso era muito dif\u00edcil. A capacidade de realizar esses desejos que aumentou exponencialmente. Tem mais calorias num sach\u00ea de ketchup do que em refei\u00e7\u00f5es inteiras de nossos antepassados mais primais. \u00c9 extremamente dif\u00edcil ficar realmente entediado no mundo atual com tantas op\u00e7\u00f5es de coisas para se distrair. At\u00e9 mesmo a necessidade de conex\u00e3o humana foi \u201cresolvida\u201d com a revolu\u00e7\u00e3o da tecnologia da comunica\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Parece que n\u00e3o, mas se voc\u00ea \u00e9 um cidad\u00e3o de classe m\u00e9dia no mundo, seus desejos s\u00e3o atendidos constantemente. E eu vou al\u00e9m, at\u00e9 mesmo se voc\u00ea \u00e9 pobre isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo num grau menor. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tanta gente acaba viciada em comida, sexo, internet, drogas&#8230; seu corpo e sua mente querem tudo isso o tempo todo (em n\u00edveis diferentes para pessoas diferentes), e a evolu\u00e7\u00e3o nunca se preocupou em colocar limite nesses desejos. Pra qu\u00ea? O ambiente limita sozinho. Limitava&#8230;<\/p>\n<p>Voc\u00ea provavelmente \u00e9 um dos seres mais mimados da hist\u00f3ria da humanidade. N\u00e3o estou te criticando ou te dizendo que voc\u00ea tem obriga\u00e7\u00e3o de ser feliz, longe disso, estou apenas dizendo que o m\u00ednimo que voc\u00ea considera para ter seus desejos atendidos \u00e9 absurdamente maior do que seu c\u00e9rebro foi programado para esperar. A gente fica viciado em ter desejos atendidos o tempo todo: com um celular, por exemplo, seu c\u00e9rebro esquece o que \u00e9 n\u00e3o ter o que fazer. Eu sou um viciado doentio em informa\u00e7\u00e3o, por exemplo: quando acabou a luz outro dia, eu sinceramente senti efeitos de abstin\u00eancia. A minha satisfa\u00e7\u00e3o de ter algo para pensar, ver, ler, ouvir, consumir conte\u00fado novo em geral nunca para.<\/p>\n<p>E eu desconfio que estou escrevendo para um p\u00fablico muito parecido. Que n\u00e3o estou dizendo que \u00e9 feliz o tempo todo ou que n\u00e3o tem seus problemas, mas que ter satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um deles. A minha teoria \u00e9 que boa parte da popula\u00e7\u00e3o humana que vive acima da linha da mis\u00e9ria est\u00e1 viciada em basicamente tudo o que tem acesso. Viciados em caf\u00e9, em cigarro, em comida, em bebida, em rede social, em videogame, em sexo casual no Tinder, em pornografia, em ir para a balada, em militar, em comprar&#8230; todo mundo est\u00e1 vivendo alguma faceta desse mecanismo cruel do v\u00edcio: retorno cada vez menor pelo mesmo est\u00edmulo.<\/p>\n<p>A humanidade evoluiu ao ponto de empanturrar as pessoas de basicamente tudo o que elas precisavam. Pensa: at\u00e9 se voc\u00ea tiver necessidade de fazer algo pela comunidade, \u00e9 s\u00f3 atender o telefonema de algu\u00e9m pedindo doa\u00e7\u00e3o. Tudo vem em quantidades absurdas e muito pr\u00e1ticas de consumir. Eu vivia achando que tinha propens\u00e3o ao v\u00edcio, mas est\u00e1 cada vez mais claro que eu s\u00f3 sou um&#8230; ser humano. O que me diferencia de outros \u00e9 o que me vicia, mas n\u00e3o a tend\u00eancia a viciar.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea olhar para a sua vida, \u00e9 certeza que voc\u00ea vai achar algo que faz de forma exagerada, muito al\u00e9m do que precisaria se pensasse racionalmente. Essa satisfa\u00e7\u00e3o constante vai fritando seu c\u00e9rebro aos poucos. A sua linha base do que \u00e9 ser feliz sobe e desce loucamente de acordo com o que voc\u00ea tem mais acesso: se voc\u00ea nunca passou fome, a sua linha base de felicidade com alimenta\u00e7\u00e3o passar necessariamente por algo exagerado, seja em comer demais, seja em desesperos por dietas. A base que seu corpo precisa foi destru\u00edda por uma situa\u00e7\u00e3o completamente impens\u00e1vel para os instintos.<\/p>\n<p>A gente precisa de cada vez mais satisfa\u00e7\u00e3o da mesma forma que o drogado precisa de doses cada vez maiores. A no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 viver bem perde a linha guia, e vamos procurar ela em lugares cada vez mais malucos. Viver bem \u00e9 ter um teto ou uma mans\u00e3o? \u00c9 comer o que gosta ou comer muito? \u00c9 ter um parceiro sexual ou v\u00e1rios? O influencer parece feliz, ser\u00e1 que eu preciso do mesmo que ele precisa?<\/p>\n<p>Curiosamente, felicidade vai se descolando de satisfa\u00e7\u00e3o. Ela come\u00e7a a ficar condicionada a coisas que nem conseguimos mais entender. Se voc\u00ea est\u00e1 atendendo desejos da sua mente e do seu corpo o dia inteiro, achando que isso \u00e9 o normal, o conceito de felicidade vai sendo empurrado pra mais e mais longe. Voc\u00ea acaba achando que mesmo com est\u00edmulos constantes de coisas que voc\u00ea quer e se interessa, isso ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n<p>Mas e se felicidade fosse um conceito&#8230; imagin\u00e1rio? Nossos antepassados davam esse nome para a sensa\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o de seus desejos. Eles viviam num mundo onde n\u00e3o tinham muitos recursos ou tempo livre mesmo para essa satisfa\u00e7\u00e3o. Era muito mais rara. A felicidade do ser humano de outras eras n\u00e3o passava de uma fra\u00e7\u00e3o do que voc\u00ea tem agora. Para 99% dos seres humanos que passaram por esse planeta, algu\u00e9m de classe m\u00e9dia baixa no Brasil \u00e9 feliz numa propor\u00e7\u00e3o quase que inimagin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu acredito num \u201cerro de tradu\u00e7\u00e3o\u201d hist\u00f3rico. A ideia de felicidade de nossos antepassados, algo distante e raro, era s\u00f3 o padr\u00e3o de vida m\u00e9dio que temos agora. Como esp\u00e9cie, estamos chegando muito perto de felicidade plena por esses padr\u00f5es. S\u00f3 que a gente nunca parou para pensar nisso. Achamos que felicidade \u00e9 necessariamente algo al\u00e9m do que temos. Sempre um passo \u00e0 frente de onde estamos.<\/p>\n<p>Minha teoria \u00e9 que o conceito de felicidade caducou, e boa parte da humanidade ainda n\u00e3o percebeu isso. Felicidade de ser humano do s\u00e9culo XXI vai estar em outro lugar, n\u00e3o na satisfa\u00e7\u00e3o de desejos b\u00e1sicos. Porque esses a gente j\u00e1 est\u00e1 at\u00e9 ficando sobrecarregado. Tem muita gente doente hoje em dia porque n\u00e3o consegue parar de ser satisfeito, porque o c\u00e9rebro est\u00e1 preso num ciclo impar\u00e1vel de desejos atendidos, e uma economia focada em te deixar imensamente \u201cobeso\u201d de qualquer coisa que voc\u00ea acha que quer.<\/p>\n<p>Eu vou te dizer agora como viver sua vida? N\u00e3o. Eu n\u00e3o sei nem como viver a minha. O que eu tiro dessa ideia \u00e9 tomar muito mais cuidado antes de declarar que n\u00e3o estou feliz, ou mesmo que estou. Primeiro porque o conceito de felicidade est\u00e1 mudando e estamos nas gera\u00e7\u00f5es que ainda est\u00e3o pensando no que fazer com isso, e segundo que existe uma tend\u00eancia poderosa de se acostumar com suas vantagens e achar que elas n\u00e3o s\u00e3o nada demais, de misturar v\u00edcio com desejo.<\/p>\n<p>Eu e quase todos voc\u00eas que estamos lendo este texto n\u00e3o sabemos mais o que fazer com tanta coisa que gostamos nos soterrando de satisfa\u00e7\u00e3o. Talvez uma parte do que nos deixa com a sensa\u00e7\u00e3o de que falta algo seja justamente n\u00e3o perceber isso. N\u00e3o \u00e9 impressionante que at\u00e9 mesmo pessoas muito pobres consigam se viciar em alguma coisa? Para ser viciado, voc\u00ea precisa de acesso e recursos constantes. Nossa sociedade \u00e9 uma m\u00e1quina de fazer viciados, seja por desejos humanos fora de controle, seja por gan\u00e2ncia do mercado de consumo, o que importa no final das contas \u00e9 que vivemos dentro de uma grande armadilha de consumo excessivo, e esse mundo s\u00f3 existe porque ficamos bons demais nessa coisa de buscar a felicidade.<\/p>\n<p>Quando ela chegou&#8230; percebemos que n\u00e3o era isso tudo. E d\u00e1-lhe rem\u00e9dio para lidar com isso. Ent\u00e3o, se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 passando um aperto muito grande, eu posso te dizer que voc\u00ea provavelmente est\u00e1 feliz, mas que isso n\u00e3o era t\u00e3o importante assim. Felicidade n\u00e3o \u00e9 necessariamente o objetivo final da vida.<\/p>\n<p>S\u00f3 posso te dizer o caminho que eu estou tentando seguir: deixar de achar felicidade t\u00e3o importante. Tem algo al\u00e9m. Eu acho que \u00e9 conhecimento, mas voc\u00ea pode achar que \u00e9 outra coisa. Seja l\u00e1 o que for, eu desconfio que estamos dando valor demais para meia d\u00fazia de horm\u00f4nios liberados por um c\u00e9rebro forjado na fome e no medo.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que n\u00e3o est\u00e1 satisfeito(a), para dizer que o sentido da vida \u00e9 em c\u00edrculos, ou mesmo para dizer que adoraria ter problemas de primeiro mundo: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tenho uma teoria: o ser humano n\u00e3o foi feito para tanta satisfa\u00e7\u00e3o. Pelo menos n\u00e3o na quantidade dispon\u00edvel atualmente. E isso pode explicar a epidemia de doen\u00e7as mentais que toma conta do mundo. Mesmo em pa\u00edses pobres como o Brasil, uma parcela assustadora da popula\u00e7\u00e3o vise \u00e0 base de rem\u00e9dios tarja preta. 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