{"id":19981,"date":"2022-05-30T12:28:43","date_gmt":"2022-05-30T15:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=19981"},"modified":"2022-05-30T12:28:43","modified_gmt":"2022-05-30T15:28:43","slug":"escolha-de-uma-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2022\/05\/escolha-de-uma-vida\/","title":{"rendered":"Escolha de uma vida."},"content":{"rendered":"<p>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: durante um parto, a equipe m\u00e9dica chega \u00e0 conclus\u00e3o que pode salvar a m\u00e3e ou o beb\u00ea, n\u00e3o os dois. A m\u00e3e, ao saber disso, diz para salvar o beb\u00ea. Desconsiderando quest\u00f5es legais, Sally e Somir tem vis\u00f5es diferentes sobre essa quest\u00e3o de vida e morte. Os impopulares colocam suas opini\u00f5es no mundo.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: uma m\u00e3e deveria poder dar sua vida para salvar o beb\u00ea durante o parto?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Sim. E eu nem acho que seja a decis\u00e3o mais acertada, afinal, filho pode fazer mais, m\u00e3e n\u00e3o. Mas mesmo assim, eu acredito que exista uma linha guia \u00e9tica aqui que n\u00e3o deveria ser quebrada: o ser humano tem direito de dispor da pr\u00f3pria vida. N\u00e3o \u00e9 assim que a legisla\u00e7\u00e3o funciona, e tanto eu como a Sally sabemos disso, \u00e9 uma discuss\u00e3o que desconsidera a legisla\u00e7\u00e3o vigente no Brasil ou no resto do mundo.<\/p>\n<p>Eu defendo que a m\u00e3e tenha esse poder porque acredito piamente no direito \u00e0 posse do pr\u00f3prio corpo. Seu corpo \u00e9 seu, sua vida \u00e9 sua. Ela n\u00e3o pode ser entregue ao Estado, ou mesmo a terceiros. A partir do momento onde a vida humana passa para a m\u00e3o de uma entidade externa, temos uma viola\u00e7\u00e3o do conceito de posse. Se voc\u00ea n\u00e3o pode ser dono da sua vida, nada mais faz sentido na quest\u00e3o humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Precisamos de uma base para fundamentar os direitos humanos, e por mais que a Declara\u00e7\u00e3o Universal seja uma das melhores coisas que a humanidade j\u00e1 fez, ela ainda tem o ran\u00e7o de mil\u00eanios de tratamento do ser humano feito gado. Ela ainda considera que a vida de uma pessoa \u00e9 subordinada a uma sociedade, e que terceiros podem passar por cima de determina\u00e7\u00f5es pessoais em prol do bem comum.<\/p>\n<p>Claro, existem muitos motivos para pensar assim: dependemos uns dos outros para que esse mundo funcione, cada vida tem impacto sobre a exist\u00eancia das pessoas ao seu redor; mas essa vis\u00e3o meio&#8230; utilit\u00e1ria&#8230; sobre o valor da vida humana gera uma funda\u00e7\u00e3o meio bamba para os direitos humanos b\u00e1sicos. A vida \u00e9 sua ou a vida \u00e9 da sociedade?<\/p>\n<p>Porque se ela for da sociedade, pode-se argumentar uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es sobre suas liberdades pessoais. Quer comer a gordurinha da picanha? N\u00e3o pode! Isso aumenta sua possibilidade de ter doen\u00e7a card\u00edaca e por tabela, gera mais custos e problemas para a sociedade. Quer tomar sua cerveja depois do trabalho? N\u00e3o! Voc\u00ea est\u00e1 aumentando suas chances de doen\u00e7as e tamb\u00e9m de ter comportamentos danosos para as pessoas ao seu redor.<\/p>\n<p>Mas com exce\u00e7\u00e3o de algumas subst\u00e2ncias espec\u00edficas, n\u00e3o fazemos isso, certo? Sua vida \u00e9 sua, e salvo algumas atitudes claramente definidas em leis que geram dano para a integridade f\u00edsica, emocional ou financeira de terceiros, voc\u00ea faz o que quiser com ela. Se sua vida n\u00e3o est\u00e1 modificando negativamente a de terceiros nesse momento, voc\u00ea \u00e9 livre.<\/p>\n<p>Como uma pessoa pode ser livre se n\u00e3o pode dispor da sua pr\u00f3pria vida? N\u00e3o h\u00e1 propriedade mais bem definida nesse mundo! O seu corpo e sua exist\u00eancia s\u00e3o a base de todo conceito de posse. A partir do momento em que sua vida existe de forma livre (fora do ventre materno, antes \u00e9 literalmente parte de outro ser vivo), ela est\u00e1 sob seu controle. Colocamos limita\u00e7\u00f5es nos primeiros anos de vida justamente para ensinar para esse ser humano o que significa estar vivo no mundo, e depois de uma idade a pessoa ganha posse completa sobre sua vida.<\/p>\n<p>Depois dessa posse, s\u00f3 em casos \u00f3bvios de incapacidade intelectual para entender o significado da posse sobre o corpo que dever\u00edamos manter as limita\u00e7\u00f5es. Por maior que seja a carga hormonal de uma m\u00e3e prestes a dar \u00e0 luz, isso n\u00e3o a tira da categoria de ser humano livre. S\u00f3 com uma prova irrefut\u00e1vel de limita\u00e7\u00e3o intelectual que poder\u00edamos retirar esse direito dela. Uma pessoa limitada ao ponto de n\u00e3o poder exercer a posse sobre seu corpo jamais conseguiria chegar \u00e0 conclus\u00e3o de oferecer a pr\u00f3pria vida em prol de seu filho. Incapacidade intelectual n\u00e3o funciona assim.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o vigente tem esse mesmo ran\u00e7o de \u201cser humano gado\u201d, limitando coisas como eutan\u00e1sia ou mesmo suic\u00eddio; por mais que achem que \u00e9 para proteger o indiv\u00edduo, est\u00e3o protegendo a sociedade, seja na forma de manuten\u00e7\u00e3o de corpos h\u00e1beis no mercado de trabalho, seja na percep\u00e7\u00e3o do impacto emocional em outras pessoas (o que por tabela tamb\u00e9m reduz a produtividade do gado humano). A sua liberdade individual desaparece assim que se torna incompat\u00edvel com a lucratividade da nossa sociedade p\u00f3s-industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou o seu corpo \u00e9 seu, ou n\u00e3o \u00e9. E se n\u00e3o for, \u00e9 bom dar um excelente motivo para isso. Seja por n\u00e3o ter nascido ainda, seja por limita\u00e7\u00e3o evidente da capacidade intelectual. Decis\u00f5es que n\u00e3o gostamos ou n\u00e3o concordamos n\u00e3o significam necessariamente problemas mentais. A vida \u00e9 cheia disso: pessoas diferentes tomando decis\u00f5es que nos parecem erradas. Infelizmente isso \u00e9 necess\u00e1rio para manter o conceito de liberdade.<\/p>\n<p>Liberdade pode gerar frustra\u00e7\u00e3o. Pessoas podem escolher coisas que voc\u00ea n\u00e3o quer que escolham, sem quebrar nenhuma das regras fundamentais da conviv\u00eancia humana. E essas regras s\u00f3 fazem sentido de verdade se tiverem uma l\u00f3gica s\u00f3lida. Infelizmente, a sociedade na qual vivemos conseguiu colocar l\u00f3gica em algumas das premissas da vida humana, mas n\u00e3o em outras. Voc\u00ea ainda n\u00e3o \u00e9 dono da sua vida como deveria ser. Pa\u00edses que tornam suas leis sobre eutan\u00e1sia e suic\u00eddio mais liberais est\u00e3o indo nessa dire\u00e7\u00e3o do direito fundamental ao controle da sua exist\u00eancia, \u00e9 a tend\u00eancia num mundo em evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E por essa mesma l\u00f3gica, a m\u00e3e deveria ter o direito de abdicar da sua vida para salvar um filho, mesmo que ele n\u00e3o tenha nascido ainda. Ela deveria ter o direito de abdicar da sua vida em qualquer situa\u00e7\u00e3o: a vida \u00e9 dela. N\u00e3o podemos ficar negociando isso. Se voc\u00ea vai discutir a validade da decis\u00e3o dela aqui, por que n\u00e3o discutiu antes em diversas outras decis\u00f5es que potencialmente colocariam sua vida em risco? Por que s\u00f3 em um caso espec\u00edfico ela perde seu direito fundamental \u00e0 vida?<\/p>\n<p>Vale a pena discutir com quem quer se matar, vale a pena tentar tudo o que for poss\u00edvel sem violar seu direito de ir e vir, mas n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel arrancar dela o direito \u00e0 pr\u00f3pria vida. Imagina que horror ficar preso a uma vida que n\u00e3o quer viver? Essa restri\u00e7\u00e3o ao direito de se matar \u00e9 o ponto fraco nos direitos vigentes do cidad\u00e3o, \u00e9 dali que saem as ferramentas de controle que fan\u00e1ticos religiosos e exploradores em geral usam para roubar sua liberdade. Eu honestamente acho que \u00e9 uma p\u00e9ssima decis\u00e3o morrer para salvar um beb\u00ea, mas isso n\u00e3o \u00e9 sobre a minha opini\u00e3o, \u00e9 sobre um direito que deveria ser inalien\u00e1vel: o direito de ser dono da sua vida.<\/p>\n<p>Deveria ser o primeiro direito, o fundamental, a base de tudo. Goste voc\u00ea do resultado ou n\u00e3o&#8230; voc\u00ea \u00e9 dono da sua vida, e s\u00f3. Limitar o direito do outro \u00e9 o tipo da coisa que volta para te morder a bunda no futuro.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que mulher nunca pensa direito, para dizer que jogar crian\u00e7a nesse mundo \u00e9 errado, ou mesmo para dizer que \u00e9 a liberdade desse povo que caga tudo: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Desconsiderando quest\u00f5es legais, se, durante um parto, a m\u00e3e pedir expressamente ao m\u00e9dico que em caso de problemas salve o beb\u00ea e n\u00e3o a ela, o m\u00e9dico deve realizar o desejo da paciente e deixa-la morrer para salvar o beb\u00ea? <\/p>\n<p>N\u00e3o. Mesmo excluindo qualquer impedimento legal (e ele existe por um motivo), eu n\u00e3o acredito que uma mulher parindo tenha discernimento para fazer essa escolha. \u00c9 uma decis\u00e3o muito s\u00e9rie e irrevers\u00edvel, portanto, se depender de mim, ela vai exigir 110% de discernimento para ser acatada.<\/p>\n<p>Existe um motivo pelo qual muitas vezes nem se pune mulheres que cometem atrocidades durante o parto ou logo depois do parto: o chamado \u201cestado puerperal\u201d. O c\u00e9rebro da mulher fica marinado em horm\u00f4nios e, por mais que isso v\u00e1 ofender a muita gente, a mulher perde sim o discernimento, o senso de prioridade e sua percep\u00e7\u00e3o racional da realidade.<\/p>\n<p>Tem dois fatores aqui: o fator qu\u00edmico, com todos os horm\u00f4nios que explodem na gesta\u00e7\u00e3o e ficam ainda mais expressivos no parto, e o fator emocional, potencializado pelo estresse, pela dor e pelo medo. Eu sei que toda m\u00e3e (ok, quase toda) provavelmente daria a vida por seu filho, eu respeito isso, desde que o fa\u00e7a em um momento de total e perfeita sanidade e claridade mental.<\/p>\n<p>Eu posso respeitar, por exemplo, a decis\u00e3o de uma m\u00e3e que decide dar a vida pelo seu filho, j\u00e1 crescido: a crian\u00e7a precisa de um cora\u00e7\u00e3o, a m\u00e3e se mata para que seu cora\u00e7\u00e3o v\u00e1 para seu filho. Eu posso inclusive compreender. Talvez se eu fosse m\u00e3e eu fizesse o mesmo. Mas \u00e9 uma pessoa de posse de suas faculdades mentais. \u00c9 uma pessoa que tem o v\u00ednculo mais forte que um ser humano pode ter com outro e, joguem pedras, n\u00e3o se tem o mesmo v\u00ednculo com um beb\u00ea que voc\u00ea nunca viu, s\u00f3 sentiu na sua barriga, do que com um filho que voc\u00ea cuidou, educou e estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu estou dizendo que n\u00e3o se gosta do beb\u00ea enquanto ele est\u00e1 na barriga? Claro que n\u00e3o! O amor materno come\u00e7a mesmo antes da concep\u00e7\u00e3o, quando a mulher acalenta a ideia de ter um filho. O que eu estou dizendo \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa perder um beb\u00ea ainda na barriga do que perder um filho de 12 anos de idade, com o qual se teve conviv\u00eancia, cumplicidade e se construiu e cultivou uma rela\u00e7\u00e3o de amor. <\/p>\n<p>Por isso, tendo a pensar que uma mulher que quer dar a sua vida por um beb\u00ea que nem nasceu precisa de prote\u00e7\u00e3o de pessoas racionais, principalmente se ela tem outros filhos, que ficar\u00e3o sem m\u00e3e. Desculpa a frieza, mas beb\u00ea voc\u00ea faz outro, m\u00e3e n\u00e3o. Botar um beb\u00ea no mundo sem m\u00e3e me parece uma puta duma sacanagem, quando existia a possibilidade de fazer diferente. <\/p>\n<p>Mais uma vez, desculpa a frieza, mas n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o para ser tomada como emo\u00e7\u00e3o: quem tem que viver \u00e9 o ser humano mais apto. E n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o minha, tirada da bunda. Essa regra vale para quase tudo na medicina: se duas g\u00eameas siamesas s\u00e3o separadas, a que tem mais chance de sobreviver de forma vi\u00e1vel vai ser a prioridade se s\u00f3 puderem salvar uma.<\/p>\n<p>Eu tenho certeza de que voc\u00eas viveram ou conhecem algu\u00e9m que viveu comportamentos insanos durante o parto. \u00c9 clich\u00ea, at\u00e9 mesmo nos filmes vemos mulheres se comportando de forma&#8230; question\u00e1vel. E isso n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0s mulheres, se voc\u00ea botasse um homem com a mesma carga de dor e de horm\u00f4nios ele comeria o pr\u00f3prio p\u00e9. Acho inclusive que as mulheres aguentam bastante bem todo o processo.<\/p>\n<p>O que quero dizer \u00e9 que de forma alguma se trata de uma fala pejorativa: o comportamento irracional de mulheres, dependendo do parto que est\u00e3o vivendo, \u00e9 mais do que justificado, qu\u00edmica, f\u00edsica e emocionalmente. N\u00e3o \u00e9 histeria, n\u00e3o \u00e9 frescura, n\u00e3o \u00e9 descontrole. Tanto \u00e9 que existem casos de mulheres que mataram nessa condi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o foram punidas. \u00c9 algo t\u00e3o forte que a lei releva homic\u00eddio, um dos piores crimes, tamanho o abalo no emocional da mulher.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o, eu n\u00e3o acho que uma decis\u00e3o grave como essa, de vida ou morte, possa ser tomada por uma mulher que pode estar nesse estado. \u201cAin mas eu estava \u00f3tema na hora do meu parto, podia decidir qualquer coisa\u201d. T\u00e1 bom, floquinho de neve especial, seu parto foi tranquilo, mas&#8230; surpresa! Voc\u00ea n\u00e3o reflete todo o resto da humanidade.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o d\u00e1 para fazer avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica da mulher numa situa\u00e7\u00e3o dessas, pois muitas vezes a decis\u00e3o entre salvar a m\u00e3e ou o beb\u00ea \u00e9 algo que precisa ser tomado em segundos, eu sou a favor de aplicar a regra mais protetiva: salva a m\u00e3e, ela que fa\u00e7a outro filho depois. O filho n\u00e3o vai poder fazer outra m\u00e3e. Novamente, pe\u00e7o perd\u00e3o pela frieza, mas algu\u00e9m precisava dizer sem rodeios.<\/p>\n<p>\u201cAin, voc\u00ea nunca pariu, n\u00e3o tem lugar de fala\u201d. Oi? Ent\u00e3o seu obstetra tamb\u00e9m n\u00e3o pode te orientar sobre nada, pois ele nunca pariu! Por favor, estamos falando de quest\u00f5es cientificamente provadas. Eu nunca pari, mas j\u00e1 participei da defesa de uma mulher que assassinou uma pessoa (n\u00e3o seu filho, uma pessoa) em estado puerperal \u2013 e ela foi absolvida. Se a pessoa n\u00e3o tem sanidade suficiente nem para saber que n\u00e3o pode matar o coleguinha, imagina se vai poder tomar qualquer decis\u00e3o!<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que ningu\u00e9m gosta desse tipo de situa\u00e7\u00e3o, que o direito chama de \u201cescolhas tr\u00e1gicas\u201d. As pessoas surtam quando voc\u00ea as confronta com algo do tipo. \u201cQuer dizer que voc\u00ea \u00e9 a favor de matar um beb\u00ea?\u201d. Uai, eu posso devolver a pergunta dizendo \u201cQuer dizer que voc\u00ea \u00e9 a favor de matar uma m\u00e3e e deixar seus outros filhos \u00f3rf\u00e3os? \u201d.<\/p>\n<p>E dependendo do caso, \u00e9 ainda pior: quando \u00e9 uma m\u00e3e solteira, uma vi\u00fava ou uma mulher que \u00e9 tudo que aquela fam\u00edlia tem, j\u00e1 pensou? Salva um beb\u00ea e deixa outras tr\u00eas crian\u00e7as pequenas sem ningu\u00e9m e ainda com um beb\u00ea para cuidar. Orfanato \u00e9 a melhor das possibilidades.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1, gente. N\u00e3o d\u00e1. \u00c9 indigesto de escutar, pois envolve a morte de um beb\u00ea, que \u00e9 sempre algo antinatural e que gera identifica\u00e7\u00e3o em todas as m\u00e3es, mas, se voc\u00ea puxar um tiquinho de racionalidade do fundo da alma vai ver que 1) n\u00e3o d\u00e1 para deixar algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 em seu estado normal (f\u00edsico, emocional e psicol\u00f3gico) tomar uma decis\u00e3o de vida e morte e 2) a vida mais vi\u00e1vel, nesse caso, \u00e9 a da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Se a mulher, em perfeito estado de suas faculdades mentais, assinasse um documento antes, pedindo para salvar o beb\u00ea em seu lugar, eu concordaria com essa decis\u00e3o. Uma decis\u00e3o de vida ou morte tomada por uma mulher durante um parto? Seria altamente irrespons\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para continuar repetindo que eu n\u00e3o tenho lugar de fala (nem voc\u00ea, se n\u00e3o morreu durante um parto), para dizer que Somir n\u00e3o entende a influ\u00eancia que horm\u00f4nios podem ter ou ainda para dizer que o tema de hoje \u00e9 deprimente demais e que passa amanh\u00e3: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: durante um parto, a equipe m\u00e9dica chega \u00e0 conclus\u00e3o que pode salvar a m\u00e3e ou o beb\u00ea, n\u00e3o os dois. A m\u00e3e, ao saber disso, diz para salvar o beb\u00ea. Desconsiderando quest\u00f5es legais, Sally e Somir tem vis\u00f5es diferentes sobre essa quest\u00e3o de vida e morte. 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