{"id":20023,"date":"2022-06-10T14:11:08","date_gmt":"2022-06-10T17:11:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=20023"},"modified":"2022-06-10T14:11:08","modified_gmt":"2022-06-10T17:11:08","slug":"evolucao-nojenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2022\/06\/evolucao-nojenta\/","title":{"rendered":"Evolu\u00e7\u00e3o nojenta."},"content":{"rendered":"<p>Nesse mundo, tem gente que torce o nariz para o cheiro de alho e gente que come coc\u00f4 feliz da vida. Tem gente que lava seus vegetais vinte vezes antes de fazer salada, tem gente que se banha em esgoto a c\u00e9u aberto para come\u00e7ar o dia. O conceito de nojo pode parecer muito relativo, mas n\u00e3o podemos ignorar a base cient\u00edfica dele.<!--more--><\/p>\n<p>Somos resultados de bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o. Muito se engana quem acha que o ser humano moderno \u00e9 algo que come\u00e7ou h\u00e1 alguns milhares de anos atr\u00e1s. Nosso DNA compartilha muita coisa com seres como bact\u00e9rias e v\u00edrus: somos mais um dos galhos de uma enorme fam\u00edlia geneal\u00f3gica da vida na Terra. E as regras b\u00e1sicas costumam ser as mesmas desde o come\u00e7o.<\/p>\n<p>E uma dessas regras b\u00e1sicas \u00e9 que energia precisa ser coletada do ambiente. At\u00e9 por motivos de respeito \u00e0s leis da Termodin\u00e2mica, nenhum ser est\u00e1 isolado, precisa retirar energia de algum lugar para poder us\u00e1-la. Desde o primeiro organismo que desenvolveu algum m\u00e9todo de locomo\u00e7\u00e3o, nossa linhagem evolutiva \u00e9 baseada na ideia de que movimento \u00e9 um gasto de energia \u00fatil: atrav\u00e9s dele conseguimos mais energia, a conta fica positiva e continuamos vivos.<\/p>\n<p>Quase todos nossos comportamentos instintivos t\u00eam essa base: se mover at\u00e9 a fonte de energia e consumir tudo o que pudermos. Por bilh\u00f5es de anos de tentativa e erro, podemos dizer que a vida na Terra j\u00e1 fez a maioria dos testes poss\u00edveis sobre o que pode ser consumido ou n\u00e3o. Desde outros animais, plantas, fungos e at\u00e9 mesmo pedras, alguma forma de vida j\u00e1 tentou comer alguma coisa, e at\u00e9 mesmo no caso das pedras, algumas bact\u00e9rias deram um jeito.<\/p>\n<p>Quando o ser humano moderno se desenvolve nesse mundo, j\u00e1 veio com uma boa parte dessa experi\u00eancia de f\u00e1brica. Trilh\u00f5es de gera\u00e7\u00f5es de animais complexos anteriores foram mordendo tudo o que viam pela frente para ver se gerava energia suficiente, os que morderam as coisas certas passaram para frente, os que morderam as coisas erradas ficaram l\u00e1 no passado.<\/p>\n<p>Muito do que consideramos nojento ou n\u00e3o hoje em dia tem ra\u00edzes nesse processo de morder e ver se d\u00e1 certo. Quanto mais precisos os h\u00e1bitos de consumo de um ser, mais chances de se reproduzir. Lentamente, animais foram aprendendo que comer fezes n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 muito vantajoso. \u00c9 poss\u00edvel em casos de desespero, n\u00e3o \u00e9 necessariamente fatal, mas mesmo sem ter como pensar nessa l\u00f3gica, os animais que n\u00e3o tentaram ignorar a entropia tiveram mais sucesso: comer coc\u00f4 \u00e9 um ciclo que se torna mais e mais ineficiente com o passar das vezes. E se um corpo decidiu que aquilo ali n\u00e3o deveria ser usado, provavelmente tem motivo.<\/p>\n<p>Seu DNA e seu c\u00e9rebro foram moldados por muitos e muitos seres que tentaram comer coc\u00f4. Quem tem animal de estima\u00e7\u00e3o sabe: esse tipo de nojo \u201cconceitual\u201d que temos n\u00e3o se reproduz no resto da natureza. Bicho tem alguns h\u00e1bitos naturais, como os gatos que enterram suas fezes por instinto (mas n\u00e3o \u00e9 nojo, \u00e9 para se proteger de predadores), mas n\u00e3o tem frescura nenhuma. Tanto que \u00e9 um problema recorrente de animais de estima\u00e7\u00e3o estressados ou malnutridos comer as pr\u00f3prias fezes. Nojo como a gente pensa \u00e9 algo bem humano mesmo&#8230;<\/p>\n<p>Mas as ra\u00edzes instintivas est\u00e3o l\u00e1: n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que alguns cheiros incomodam praticamente todos os seres humanos. O g\u00e1s metano que nossos corpos expelem depois da digest\u00e3o geram um reflexo de inc\u00f4modo no ser humano. Mesmo crian\u00e7a, que ainda n\u00e3o tem muito trato social, faz cara feia com cheiro de fezes, provavelmente acha engra\u00e7ado porque crian\u00e7as tem o direito de achar tudo engra\u00e7ado, mas o nariz fica enrugado do mesmo jeito, n\u00e3o? Tem um reflexo natural ali. Ningu\u00e9m precisa ensinar uma crian\u00e7a a fazer cara de nojo, o rosto se contrai daquele jeito porque existem gatilhos no c\u00e9rebro sobre o que fazer quando detecta g\u00e1s metano ou outro elemento conectado com decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u00c9 como se seu c\u00e9rebro detectasse esse g\u00e1s e te avisasse: \u201cn\u00e3o sei o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo, mas n\u00e3o morde nada com esse cheiro\u201d. E o mais interessante \u00e9 que considerando como funciona a evolu\u00e7\u00e3o, provavelmente estamos falando de v\u00e1rios seres que por pura aleatoriedade n\u00e3o quiseram se meter com nada que cheirasse como decomposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fica escrito no DNA que coisas em decomposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o ruins de comer, fica escrito que \u00e9 para ter uma rea\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda com aquela coisa.<\/p>\n<p>A gente chama de nojento porque racionalizou dessa forma, mas at\u00e9 onde entendemos, \u00e9 basicamente o resultado de incont\u00e1veis gera\u00e7\u00f5es refinando uma frescura aleat\u00f3ria com algo que cheirasse a metano, e isso acabou dando certo porque aumentou nosso potencial de consumo de energia (mat\u00e9ria n\u00e3o digerida \u00e9 mais eficiente para o tipo de corpo que temos) e por tabela reduziu muito a chance de sermos contaminados por doen\u00e7as alheias (novamente, o corpo expele o que n\u00e3o serve pra ele). Tem uma medida certa de decomposi\u00e7\u00e3o para acontecer dentro do corpo humano, e ela foi definida por bilh\u00f5es de anos de outros seres fazendo experimentos (involunt\u00e1rios).<\/p>\n<p>Lembram que eu comecei o texto falando sobre gente que n\u00e3o suporta alho? Alho \u00e9 uma das plantas que o corpo humano consegue processar. Fazendo uma tangente r\u00e1pida: se plantas venenosas fazem com que menos animais as consumam, por que todas as plantas n\u00e3o evolu\u00edram para ser venenosas? Sabe? A resposta explodiu minha cabe\u00e7a anos atr\u00e1s: todas as plantas s\u00e3o venenosas. Mas com o tempo vamos adquirindo resist\u00eancia. Tem bicho que \u00e9 resistente at\u00e9 a veneno de cobra. Com o passar do tempo, todo ser vivo \u00e9 selecionado para resistir \u00e0s defesas de seus alimentos (ou predadores). Tudo \u00e9 venenoso, mas nem tudo \u00e9 venenoso para n\u00f3s seres humanos. Algumas batalhas n\u00f3s vencemos depois de muita teimosia.<\/p>\n<p>Voltemos ao alho: tem alguma fun\u00e7\u00e3o evolutiva importante fazer cara feia para alho? Cebola? Azeitona? Praticamente todo ser humano tem alguma \u201cfrescura\u201d para alimenta\u00e7\u00e3o. Coisas que sabemos que n\u00e3o fazem mal, mas que por algum motivo n\u00e3o s\u00e3o toler\u00e1veis salvo muita fome. E se eu te dissesse que n\u00e3o comer coc\u00f4 come\u00e7ou como uma dessas frescuras aleat\u00f3rias? Existem trilh\u00f5es de vari\u00e1veis entre o c\u00f3digo gen\u00e9tico de uma criatura e seu ambiente, praticamente qualquer combina\u00e7\u00e3o pode acontecer. Depois que algumas criaturas desenvolveram um sistema de excre\u00e7\u00e3o de coisas indesejadas, \u00e9 certeza que outras se adaptaram a consumir esses excrementos. \u00c9 energia. Energia sempre tem interessados na natureza.<\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que por uma conta simples de energia captada de cada fonte de alimento, as criaturas com frescurinha de comer excremento se concentraram em fontes de energia mais poderosas, e foram se desenvolvendo a partir dali. N\u00e3o quer dizer que comer excremento alheio seja sempre uma furada, at\u00e9 hoje muitas e muitas esp\u00e9cies n\u00e3o t\u00eam problema nenhum com onde estava sua energia antes de consumir, mas as que focaram em mat\u00e9ria n\u00e3o digerida se deram t\u00e3o bem que eventualmente come\u00e7aram a escrever textos sobre comer coc\u00f4 na internet.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s achamos nojento vem em dois pacotes: o pacote gen\u00e9rico das frescuras \u00fateis herdadas de nossos antepassados gen\u00e9ticos e o pacote aleat\u00f3rio dos nossos gostos pessoais. E eu iria mais longe, at\u00e9 fobias tem muito a ver com isso. Gente com fobia de felinos gigantes passou seus genes para frente, afinal, era muito \u00fatil querer ficar o mais longe poss\u00edvel de predadores; mas gente com fobia de baratas e outros seres que lidam com excrementos e mat\u00e9ria em decomposi\u00e7\u00e3o em geral tamb\u00e9m contribuiu para a humanidade moderna: ter medo de barata tem uma fun\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pouco sanit\u00e1rias na humanidade.<\/p>\n<p>Eu sei que uma barata n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a imediata, mas meu corpo manda um sinal de \u201cn\u00e3o tolere esse bicho\u201d poderoso na minha cabe\u00e7a quando vejo uma. N\u00e3o \u00e9 uma fobia, mas \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel que n\u00e3o combina muito com a racionaliza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. Eu tenho nojo de barata, o que torna minha vida mais higi\u00eanica, mas n\u00e3o quer dizer que esteja escrito no meu DNA que baratas devem ser evitadas pela chance de espalhar doen\u00e7as.<\/p>\n<p>E se \u00e9 um comportamento puramente aprendido por observa\u00e7\u00e3o de adultos ou se tem algum preconceito gen\u00e9tico ali, n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a, e eu explico o motivo: voc\u00ea n\u00e3o aprende a ter medo ou a sentir desconforto, voc\u00ea j\u00e1 vem de f\u00e1brica com o potencial. Era eficiente do ponto de vista gen\u00e9tico para o ser humano ter rea\u00e7\u00f5es agressivas contra coisas que os adultos parecem n\u00e3o gostar tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 como se tivesse um gene baseado em evitar baratas ou n\u00e3o se alimentar de excrementos, e sim que na base da tentativa e erro, a vida aprendeu que esse conceito de achar nojento era justamente o que ela necessitava para refor\u00e7ar comportamentos mais seguros e eficientes nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Somos cheios de nojo porque sentir nojo \u00e9 eficiente. E enquanto as gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o se acumulando, o nojo vai se refinando em elementos cada vez mais complexos: o nojo de mat\u00e9ria em decomposi\u00e7\u00e3o gerou criaturas que buscam fontes de energia mais densas, o nojo de alguns alimentos definiu que nossas resist\u00eancias se concentrassem nos mais eficientes, o nojo de algumas esp\u00e9cies (quase todas que consomem excrementos) nos colocou na dire\u00e7\u00e3o de uma vida menos propensa a doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o significa que existe um pacote de nojos homog\u00eaneo, existem linhas guia. Quem cresce \u00e0s margens do rio Ganges provavelmente n\u00e3o tem a mesma ideia de horror ao cheiro de decomposi\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos em lugares com mais estrutura de higiene p\u00fablica. E isso n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa: se um de n\u00f3s aqui nadar no Ganges, morre uma semana depois. Tem gente que bebe aquela \u00e1gua todo dia. O corpo se adapta a quase todos os venenos que a natureza joga na nossa dire\u00e7\u00e3o. Desde, \u00e9 claro, que ele tenha tempo para isso.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos nojo do que pode nos fazer mal em um n\u00edvel muito abstrato, na pr\u00e1tica \u00e9 sobre o que n\u00f3s encontramos ou n\u00e3o no ambiente no qual vivemos. Quanto mais encontramos, maior o controle do racional, quanto menos encontramos, maior o controle do irracional. E no meio do caminho, seu c\u00e9rebro pode \u201cbugar\u201d com nojo de alguma coisa que nem faz sentido ter nojo. Isso s\u00f3 acontece porque somos geneticamente programados para sermos frescos. Quanto mais chance voc\u00ea der para nojos e fobias se desenvolverem, mais elas v\u00e3o se desenvolver.<\/p>\n<p>O que ficou mesmo marcado no nosso \u201cc\u00f3digo-fonte\u201d \u00e9 que qualquer rea\u00e7\u00e3o de inc\u00f4modo deve ser respeitada. Somos sim muito exagerados com o que consideramos nojento, o corpo \u00e9 feito para lidar at\u00e9 mesmo com comer merda, mas \u00e9 uma estrat\u00e9gia&#8230; merda&#8230; de evolu\u00e7\u00e3o. Calhou da nossa frescura gen\u00e9tica nos apontar numa dire\u00e7\u00e3o de muito sucesso, com energia abundante e cada vez menos perigo de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Se tem uma conclus\u00e3o nesse texto \u00e9 que voc\u00ea provavelmente \u00e9 muito fresco(a) com o mundo e cisma com um monte de coisa que n\u00e3o vai te fazer mal, mas esse exagero provavelmente foi o que nos fez acabar no topo da cadeia alimentar e como esp\u00e9cie dominante do mundo (macrosc\u00f3pico).<\/p>\n<p>N\u00e3o se sinta mal pelas suas frescuras e n\u00e3o sofra com as frescuras dos outros, nem mesmo julgue demais as frescuras dos outros. Nojo n\u00e3o \u00e9 100% racional, mas \u00e9 100% funcional. Somos descendentes da pregui\u00e7a&#8230; e da frescura.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que foi menos nojento do que imaginava, para dizer que s\u00f3 o que voc\u00ea acha nojento \u00e9 nojento de verdade, ou mesmo para dizer que n\u00e3o vai comer os insetos: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse mundo, tem gente que torce o nariz para o cheiro de alho e gente que come coc\u00f4 feliz da vida. Tem gente que lava seus vegetais vinte vezes antes de fazer salada, tem gente que se banha em esgoto a c\u00e9u aberto para come\u00e7ar o dia. 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