{"id":20034,"date":"2022-06-13T13:04:01","date_gmt":"2022-06-13T16:04:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=20034"},"modified":"2025-11-21T17:41:20","modified_gmt":"2025-11-21T20:41:20","slug":"quer-pagar-quanto-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2022\/06\/quer-pagar-quanto-2\/","title":{"rendered":"Quer pagar quanto?"},"content":{"rendered":"<p>Imaginemos a seguinte situa\u00e7\u00e3o: uma pessoa muito querida sua quebra algo seu sem querer. Pode ser amigo, parente, namorado(a)&#8230; o que importa aqui \u00e9 que a pessoa se prontifica a pagar pelo preju\u00edzo que te deu. Sally e Somir n\u00e3o s\u00e3o de ligar para dinheiro ou objetos tanto assim, mas ao lidar com a situa\u00e7\u00e3o, a harmonia se quebra. Os impopulares pagam, ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: se uma pessoa querida quebra algo seu e se prontifica a pagar, voc\u00ea deve aceitar?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Sim. Eu n\u00e3o estou dizendo que eu exigiria o pagamento, eu entendo que acidentes acontecem, e sendo uma pessoa querida, eu sei que n\u00e3o fez de prop\u00f3sito. Agora, a pergunta n\u00e3o \u00e9 se voc\u00ea fica puto(a) da vida com a pessoa por quebrar um objeto seu, a pergunta \u00e9 se voc\u00ea aceita que a pessoa pague para te ressarcir do preju\u00edzo.<\/p>\n<p>E embora eu n\u00e3o seja muito preocupado com bens materiais e jamais colocaria pre\u00e7o numa boa rela\u00e7\u00e3o com outra pessoa, eu acho que se a pessoa insistir em pagar, o mais simples para todos \u00e9 aceitar. Se a pessoa perguntar pra mim se ela precisa pagar, eu vou dizer n\u00e3o. Se a pessoa disser que ela vai pagar, eu acho mais pr\u00e1tico pegar o dinheiro e acabar com a situa\u00e7\u00e3o ali mesmo.<\/p>\n<p>Minha impress\u00e3o \u00e9 que as pessoas complicam demais coisas muito simples. Pra que ficar brigando com algu\u00e9m dizendo que n\u00e3o precisa pagar? Se eu quebrasse algo pertencente a outra pessoa, eu me sentiria muito melhor pagando por aquilo e dando o assunto como resolvido. Seria melhor n\u00e3o ter quebrado, mas pelo menos existe o conforto de saber que n\u00e3o gerou despesas para outra pessoa.<\/p>\n<p>Se eu ofereceria para pagar pelo objeto com estranhos, nada mais l\u00f3gico do que oferecer para pagar pelo objeto com pessoas queridas. Elas merecem mais que o estranho, pelo menos pelo \u00e2ngulo emocional. E se eu oferecer para pagar, eu gostaria de ter minha vontade respeitada. \u00c9 chato causar problema para os outros, existe uma felicidade inerente em compensar a pessoa e \u201cpagar pelo pecado\u201d.<\/p>\n<p>Como eu entendo o lado de quem quer se sentir menos culpado, eu deixo claro que n\u00e3o tem problema e que a pessoa n\u00e3o precisa pagar, mas n\u00e3o vou ficar teimando com ela. Deixa a pessoa fazer o que ela acha certo. Voc\u00ea nunca sabe o exato estado mental do outro, e eu j\u00e1 aprendi a duras penas que dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica s\u00f3 te coloca em furada na hora de prever o que o outro sente. Escuta o que a pessoa quer fazer e aja de acordo.<\/p>\n<p>Se a pessoa quer me pagar, eu deixo ela me pagar. Pra ela pode ser importante. Talvez ela at\u00e9 esteja num dia onde corrigir um problema, por menor que seja, ajude a melhorar o humor. Curiosamente, essa coisa de evitar ao m\u00e1ximo presumir o que o outro sente e prestar aten\u00e7\u00e3o no que a pessoa expressa para tomar decis\u00f5es foi algo que a Sally me ajudou, e muito, a desenvolver na minha vida. Hoje eu discordo dela por algo que ela me ensinou que eu posso fazer.<\/p>\n<p>N\u00e3o presuma, preste aten\u00e7\u00e3o. Algu\u00e9m insistindo em pagar pelo o que quebrou \u00e9 algu\u00e9m que enxerga import\u00e2ncia nesse ato. Quem sou eu para decidir o que tem valor ou n\u00e3o na cabe\u00e7a alheia? Pra mim pode ser s\u00f3 um objeto que pode ser substitu\u00eddo, pra pessoa pode ser um mal que causou para uma pessoa querida. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de m\u00e3o dupla: se ela \u00e9 querida pra mim, \u00e9 quase certeza que eu sou querido para ela.<\/p>\n<p>E tem algo importante para considerar: eu sou um privilegiado. Nunca fui rico nem nada parecido, mas nunca me faltou o b\u00e1sico. Eu tive a sorte de nascer numa fam\u00edlia que conseguiu se manter na classe m\u00e9dia durante toda minha inf\u00e2ncia e vivi com uma rede de seguran\u00e7a muito forte. Eu tive a oportunidade de n\u00e3o ligar muito para dinheiro, e por consequ\u00eancia, para posses e objetos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a minha experi\u00eancia. Pra mim dinheiro nunca foi quest\u00e3o de nervosismo ou inseguran\u00e7a. Ter ou n\u00e3o ter dinheiro para comprar algo n\u00e3o \u00e9 algo que me incomoda, porque desde crian\u00e7a eu s\u00f3 lidei com dificuldade financeira para sup\u00e9rfluos. N\u00e3o era a diferen\u00e7a entre ter o que comer ou n\u00e3o, nem mesmo de ter um teto sobre a cabe\u00e7a, ter ou n\u00e3o dinheiro \u00e9 algo que acontece na minha vida quando eu estou pensando em algo muito longe do b\u00e1sico. Eu n\u00e3o tenho dinheiro para comprar um carr\u00e3o zero, mas isso n\u00e3o me d\u00f3i de verdade: \u00e9 algo que eu n\u00e3o preciso para viver.<\/p>\n<p>E eu digo isso porque n\u00e3o acho razo\u00e1vel presumir a rela\u00e7\u00e3o do outro com dinheiro. Tem gente que passou aperto e realmente se d\u00f3i quando causa preju\u00edzo para o outro, porque ela tem medo que fa\u00e7a falta para a pessoa querida assim como j\u00e1 sentiu falta antes. Tem gente que infelizmente foi criada por pessoas muito mesquinhas com dinheiro, e por mais que tenham evolu\u00eddo durante a vida, ainda nutrem um medo primal de serem rejeitadas ou maltratadas por causa disso.<\/p>\n<p>N\u00e3o, eu n\u00e3o vou fazer uma pessoa querida sofrer por causa de um objeto quebrado, nem mesmo se eu n\u00e3o tiver dinheiro para repor, como eu tenho o b\u00e1sico sob controle, quase tudo vira sup\u00e9rfluo. Mas o jeito que eu penso n\u00e3o se traduz automaticamente na cabe\u00e7a do outro. Se a pessoa est\u00e1 teimando em pagar, \u00e9 porque tem algo ali. Se eu for negado uma vez na minha oferta de pagar por algo que quebrei, aceito e sigo em frente. Se a pessoa insiste, tem algo na cabe\u00e7a dela que funciona diferente da minha.<\/p>\n<p>E a\u00ed, faz mais sentido aceitar o dinheiro e tirar dela essa preocupa\u00e7\u00e3o. Se dinheiro resolver o inc\u00f4modo dela, o dinheiro teve sua fun\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, isso tamb\u00e9m tem a ver com a rela\u00e7\u00e3o que temos com dinheiro: se passar um PIX ou entregar algumas notas para algu\u00e9m resolve uma situa\u00e7\u00e3o ruim, que seja. Dinheiro pode ser um facilitador de rela\u00e7\u00f5es nesse sentido.<\/p>\n<p>Se a pessoa pagar e ficar de bem com a vida depois disso, talvez seja at\u00e9 melhor do que n\u00e3o gerar uma d\u00edvida pra ela. Pessoas s\u00e3o diferentes, \u00e0s vezes \u00e9 melhor s\u00f3 aceitar a diferen\u00e7a e tocar a vida em frente. Dinheiro \u00e9 uma ferramenta na sociedade, que pode ser usada de diversas formas, muitas delas bem construtivas para rela\u00e7\u00f5es. Se algu\u00e9m se oferece para pagar minha conta, eu sempre aceito, por exemplo. N\u00e3o precisava, mas se aquela pessoa acha a ideia de pagar a conta um presente para mim, eu aceito. \u00c9 t\u00e3o chato quando uma pessoa querida n\u00e3o aceita um presente seu&#8230;<\/p>\n<p>Eu uso o seguinte padr\u00e3o para tomar essa decis\u00e3o: se a pessoa pergunta se precisa pagar, ela tende a ficar mais feliz se voc\u00ea disser n\u00e3o. Se a pessoa afirma que vai pagar, ela tende a ficar mais feliz se voc\u00ea disser sim. Eu nunca tive problema relacionado a dinheiro com amigos, parentes e namoradas at\u00e9 hoje, ent\u00e3o acredito que seja uma boa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu sou um sovina muito bem disfar\u00e7ado, para se perguntar se precisa pagar sua mensalidade do Desfavor, ou mesmo para dizer que n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que n\u00e3o somos ricos: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Se uma pessoa querida quebra uma coisa sua, sem querer e sem ter culpa alguma, e quer te pagar pela coisa que quebrou, \u00e9 correto aceitar?<\/p>\n<p>N\u00e3o acho correto aceitar, acidentes acontecem, faz parte do risco inerente a convidar algu\u00e9m para a sua casa ou emprestar algo a algu\u00e9m. Acho bem mesquinho que uma pessoa pr\u00f3xima e querida tenha que pagar pelo que quebrou.<\/p>\n<p>Percebam que na premissa a gente fez quest\u00e3o de, al\u00e9m de especificar que n\u00e3o se trata de uma pessoa qualquer (e sim de uma pessoa querida), colocar \u201csem querer\u201d e \u201csem ter culpa\u201d. Isso significa que a pessoa n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de quebrar e que tomou todos os cuidados para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 como se a pessoa estivesse fazendo malabares com os copos da sua casa, ela n\u00e3o errou em ponto nenhum, n\u00e3o foi imprudente nem negligente, simplesmente aconteceu um acidente que poderia acontecer com qualquer pessoa.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m se pendura b\u00eabado no lustre da minha casa e o quebra, vai pagar sim, pois fez merda, se comportou de forma desrespeitosa e faltou com o cuidado. Mas, se foi algo totalmente imprevis\u00edvel e inevit\u00e1vel, faz parte do meu pacto de amizade que a pessoa n\u00e3o precise pagar.<\/p>\n<p>Bens materiais que s\u00e3o pass\u00edveis de uso s\u00e3o regidos por algumas regras: com o tempo de uso eles se desgastam, deixam de funcionar t\u00e3o bem, podem apresentar defeitos e, por fim, bens pass\u00edveis de uso podem quebrar durante o uso, o manuseio. S\u00e3o coisas inerentes \u00e0 vida. Acontece. Faz parte do jogo.<\/p>\n<p>Quando eu compro copos, por exemplo, eu sei que eles n\u00e3o v\u00e3o durar 30 anos, eu sei que \u00e9 quest\u00e3o de tempo at\u00e9 algum quebrar. Eu mesma j\u00e1 quebrei v\u00e1rios. Por sinal, acho que nada hoje dura 30 anos, pois estamos da era da obsolesc\u00eancia programada: as coisas s\u00e3o mais baratas, mas s\u00e3o feitas para durar pouco.<\/p>\n<p>Pois bem, se eu entendo que bens materiais de utiliza\u00e7\u00e3o frequente tem qualidade cada vez menor e \u00e9 inerente \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o que eles quebrem, cedo ou tarde, esse \u00e9 o caminho natural. Nada fora do esperado acontece quando algo quebra. Se era um desfecho natural e esperado, s\u00f3 por ter calhado de acontecer nas m\u00e3os de outra pessoa n\u00e3o me parece justo que ela arque com os custos.<\/p>\n<p>Copos v\u00e3o quebrar. N\u00e3o importa na m\u00e3o de quem, quando voc\u00ea compra copos voc\u00ea sabe que \u00e9 quest\u00e3o de tempo at\u00e9 ter que comprar mais copos. S\u00e3o acidentes inerentes \u00e0 vida, ao dia a dia. Obviamente se uma visita joga um copo contra a parede em um surto de raiva, eu vou querer que ela compre outro copo para mim (e pare de frequentar a minha casa), pois nesse caso n\u00e3o foi acidente, foi descontrole. Mas, se foi um acidente, o rico \u00e9 meu.<\/p>\n<p>Acho que, com pessoas queridas, existem um \u201ccontrato\u201d impl\u00edcito que as coloca acima do resto: elas t\u00eam uma s\u00e9rie de prerrogativas e privil\u00e9gios que o resto das pessoas n\u00e3o tem. Um deles \u00e9 poder frequentar a minha casa. E, frequentar uma casa pressup\u00f5es alguns desdobramentos: quem transita por uma casa pode, eventualmente, sem querer, acabar danificando algo. Est\u00e1 no \u201cpacote\u201d.<\/p>\n<p>Para ser sincera, acho que se fosse um acidente, onde a pessoa se comportou bem e n\u00e3o fez nada babaca ou irrespons\u00e1vel, eu n\u00e3o cobraria algo quebrado nem mesmo de um desconhecido. S\u00e3o coisas da vida, \u00e0s vezes, em uma casa, algumas coisas quebram. Se eu n\u00e3o cobraria nem de um desconhecido, imagina de uma pessoa querida! N\u00e3o acho correto aceitar.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o me ofere\u00e7a para pagar quando quebro algo. Eu sempre me ofere\u00e7o, pois sei que nem todo mundo pensa como eu. Mas, da mesma forma como eu me ofere\u00e7o para pagar, o outro tem que respeitar as diferen\u00e7as e compreender quando eu me recusar a aceitar seu pagamento por algo quebrado. As coisas quebram, e n\u00e3o \u00e9 culpa de ningu\u00e9m quando n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o ou descuido. Elas simplesmente quebram e isso recai sobre o dono.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, e se isso incomodar muito, muito, muito mas muito mesmo a pessoa que quebrou o objeto? Voc\u00ea obriga seu amigo a ficar no sofrimento?\u201d. Eu n\u00e3o obrigo ningu\u00e9m a nada, s\u00f3 n\u00e3o vou aceitar o dinheiro. Nas poucas vezes em que isso aconteceu comigo, eventualmente, quando isso incomodou muito a pessoa, ela acabou indo em uma loja, comprando outro igual e me dando de presente. Mas me dar o dinheiro e pagar pelo estrago? Jamais aceitaria. N\u00e3o faz sentido que, a t\u00edtulo de n\u00e3o gerar desconforto no outro, eu gere desconforto a mim mesma, n\u00e9?<\/p>\n<p>Na minha cabe\u00e7a, quando eu n\u00e3o quero que a pessoa pague eu estou dizendo \u201cisso foi um acidente da vida, um acaso, que poderia ter acontecido com qualquer um\u201d. Pode ser cabe\u00e7a de advogada: se n\u00e3o h\u00e1 responsabilidade, n\u00e3o h\u00e1 pagamento. N\u00e3o sei de onde vem essa premissa, mas me soa completamente errado aceitar que a pessoa pague pela coisa que quebrou sem querer, sem contribuir em nada para isso.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 acho a situa\u00e7\u00e3o por si suficientemente constrangedora para acrescentar a tenebrosa cena da pessoa me dando dinheiro depois. Deixa tudo morrer ali. Quebrou? Paci\u00eancia, a gente limpa, joga fora e segue a conversa, esquecendo desse momento chato. Inflacionar isso, dar aten\u00e7\u00e3o a ponto de se transformar em um pagamento? Que horror, eu n\u00e3o vou contribuir para isso!<\/p>\n<p>Quebrou? Acontece. S\u00e3o coisas da vida. Tudo que voc\u00ea tem na sua casa voc\u00ea comprou sabendo que uma hora poderia quebrar. Vida que segue.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que se for caro aceita o pagamento, para dizer que n\u00e3o s\u00f3 aceita o pagamento como ainda cobra ou ainda para perguntar como cobra quando a pessoa quebra algo que n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imaginemos a seguinte situa\u00e7\u00e3o: uma pessoa muito querida sua quebra algo seu sem querer. 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