{"id":21138,"date":"2023-02-09T12:16:32","date_gmt":"2023-02-09T15:16:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=21138"},"modified":"2023-02-09T19:53:17","modified_gmt":"2023-02-09T22:53:17","slug":"terremotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/02\/terremotos\/","title":{"rendered":"Terremotos."},"content":{"rendered":"<p>Poucos dias atr\u00e1s um grande terremoto provocou caos e destrui\u00e7\u00e3o na Turquia. Essa trag\u00e9dia vai repercutir por um bom tempo e o n\u00famero de mortos certamente vai passar (e muito) da previs\u00e3o inicial. Ent\u00e3o, aqui vai um r\u00e1pido guia para entender e participar de qualquer conversa sobre o assunto: Desfavor Explica \u2013 Terremotos.<!--more--><\/p>\n<p>Como o pr\u00f3prio nome j\u00e1 diz, terremoto \u00e9 um tremor da terra. Ele pode acontecer por diversos motivos, como atividades vulc\u00e2nicas ou grandes impactos, por\u00e9m, o mais comum \u00e9 que ocorra pelo chamado \u201ctectonismo\u201d, movimento das placas tect\u00f4nicas sobre as quais vivemos.<\/p>\n<p>A crosta terrestre, parte superficial do planeta na qual vivemos, n\u00e3o \u00e9 composta por uma camada \u00fanica e sim por v\u00e1rios blocos separados, chamados \u201cplacas tect\u00f4nicas\u201d. Essas placas n\u00e3o est\u00e3o apoiadas em uma superf\u00edcie dura e firme, elas est\u00e3o boiando em um l\u00edquido espesso que se movimenta. Sim, o planeta Terra \u00e9 l\u00edquido no meio e duro na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Como qualquer s\u00f3lido que boia em um l\u00edquido, eventualmente essas placas se mexem e dependendo da forma como isso ocorra (\u00e2ngulo, for\u00e7a e velocidade) afeta quem mora por cima delas. N\u00e3o \u00e9 bonito, mas \u00e9 algo inerente ao planeta. Ao contr\u00e1rio do que andaram dizendo a\u00ed no Brasil, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o podem ser responsabilizadas por terremotos, eles s\u00e3o naturais e fazem parte da Terra.<\/p>\n<p>Trazendo para algo do nosso cotidiano, \u00e9 poss\u00edvel explicar um terremoto fazendo uma compara\u00e7\u00e3o com um quebra-cabe\u00e7a: imagine colocar um quebra-cabe\u00e7a boiando em uma bacia de \u00e1gua sem que as pe\u00e7as estejam encaixadas, apenas encostadas umas nas outras. Fatalmente, em algum momento, dependendo de algum est\u00edmulo, essas pe\u00e7as podem se separar ou colidir umas com as outras, certo?<\/p>\n<p>Pois \u00e9, n\u00f3s somos a formiguinhas que moram na superf\u00edcie desse quebra-cabe\u00e7a que se move. A boa not\u00edcia \u00e9: sabemos exatamente onde est\u00e1 cada pe\u00e7a. Se quiser conhecer um mapa das placas tect\u00f4nicas do planeta, <a href=\"https:\/\/s1.static.brasilescola.uol.com.br\/be\/conteudo\/images\/placas-tectonicas-5c3e382963e44.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 s\u00f3 clicar aqui<\/a>. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9: n\u00e3o conseguimos prever quando e como elas v\u00e3o se mexer.<\/p>\n<p>Ainda no exemplo do quebra-cabe\u00e7a, o impacto de uma pe\u00e7a batendo na outra \u00e9 maior quando voc\u00ea est\u00e1 bem na jun\u00e7\u00e3o entre duas pe\u00e7as (o que no mundo dos terremotos se chama \u201cfalha\u201d). Ent\u00e3o, quem est\u00e1 da fronteira entre placas, nas partes chamadas \u201cfalhas\u201d, \u00e9 quem mais vai sofrer o impacto caso elas se mexam e colidam.<\/p>\n<p>Em contrapartida, quanto mais longe da fronteira entre placas estiver um pa\u00eds, menos ele vai sentir um eventual impacto entre elas. Isso pode ser bastante \u00fatil quando voc\u00ea escolher em qual pa\u00eds quer morar ou em qual pa\u00eds quer passar f\u00e9rias: por mais que terremotos possam ser imprevis\u00edveis, o lugar onde eles podem acontecer \u00e9 extremamente previs\u00edvel.<\/p>\n<p>Durante muito tempo se mediu a intensidade de um terremoto pela Escala Richter, mas hoje ela \u00e9 considerada obsoleta. Eu sei, eu sei, boa parte da m\u00eddia ainda fala em \u201cEscala Richter\u201d, ignore, eles est\u00e3o errados. Atualmente se utiliza a Escala de Magnitude do Momento, que representa a quantidade de energia liberada por um terremoto. Ent\u00e3o, quando falamos da \u201cmagnitude\u201d de um terremoto, estamos falando da quantidade de energia que ele liberou e, consequentemente, do estrago que foi capaz de fazer.<\/p>\n<p>Isso pode gerar alguma confus\u00e3o na forma como mensuramos o \u201ctamanho\u201d dos terremotos, pois essa escala n\u00e3o \u00e9 linear. Na Escala Richter o 7,1 era apenas um pouquinho mais forte que o 7,0. Agora n\u00e3o. Cada degrau representa 32 vezes mais energia liberada. Isso significa que um terremoto de magnitude de 7,8 libera cerca de 16 mil vezes mais energia do que um terremoto de magnitude 5, por exemplo. Ent\u00e3o, muito cuidado para n\u00e3o achar que d\u00e9cimos s\u00e3o insignificantes. Por essa escala, eles representam um dano muito maior.<\/p>\n<p>O ponto abaixo da Terra onde acontece o terremoto \u00e9 chamado \u201chipocentro\u201d e o ponto da superf\u00edcie onde ele se manifesta \u00e9 chamado \u201cepicentro\u201d. Ent\u00e3o, quando falarem que o epicentro do terremoto foi em tal cidade ou em tal pa\u00eds, isso quer dizer que foi dali que o tremor partiu e, consequentemente, onde os danos foram maiores.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o quer dizer que o terremoto (e os danos) fiquem restrito a esse lugar. Dependendo da magnitude, ele pode atingir muitas zonas \u00e0 sua volta, at\u00e9 mesmo pa\u00edses vizinhos. Mas, \u00e9 certo dizer que o lugar onde ele causa seu efeito mais forte \u00e9 no epicentro. No entorno, o tremor se sente, mas vai perdendo for\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando as placas tect\u00f4nicas se movimentam, tr\u00eas coisas podem acontecer: elas podem se afastar, elas podem colidir ou ainda podem se sobrepor. Em qualquer dos casos, n\u00f3s, pobres seres humanos que moramos nas placas, acabamos sentindo os efeitos.<\/p>\n<p>A maior falha do mundo est\u00e1 nos EUA, a chamada \u201cFalha de San Andreas\u201d, ela fica entre as placas tect\u00f4nicas Norte-Americana e Pac\u00edfico e se localiza na California. Essa falha tem 1300 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e a \u00e1rea tem hist\u00f3rico de intensa atividade s\u00edsmica. Existe receio do que pode vir a acontecer por ali, muitos especulam que seja quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que aconte\u00e7a um grande terremoto, que foi apelidado de \u201cThe Big One\u201d, um terremoto de magnitude m\u00e1xima (ou seja, 10) gerando uma cat\u00e1strofe sem precedentes. E n\u00e3o afetaria apenas a Calif\u00f3rnia, dependendo de como aconte\u00e7a, \u00e9 papo de parte dos EUA afundar.<\/p>\n<p>Quando acontece um grande terremoto, n\u00e3o \u00e9 a pontinha de uma placa que bate na pontinha da outra, como se fossem bolas de sinuca. Para que aconte\u00e7a um terremoto grande, \u00e9 preciso que \u00e1reas grandes das falhas se movimentem. Por exemplo, nesse da Turquia que foi classificado em 7,8 (em uma escala que vai at\u00e9 10, ou seja, pode ser muito pior) \u00e9 prov\u00e1vel que tenha havido movimento em uma \u00e1rea de aproximadamente 190 km de comprimento e 25 km de largura. A falha de San Andreas mede quase dez vezes mais. Imagina s\u00f3.<\/p>\n<p>Lembrando que n\u00e3o conseguimos prever quando vai acontecer, mas sabemos muito bem onde. Turquia, por exemplo, se situa em uma \u00e1rea problem\u00e1tica: fica na interse\u00e7\u00e3o de tr\u00eas das placas tect\u00f4nicas (papo t\u00e9cnico: placas da Anat\u00f3lia, da Ar\u00e1bia e da \u00c1frica). A da placa da Ar\u00e1bia est\u00e1 se movendo e acaba empurrando as outras duas. Ent\u00e3o, se voc\u00ea puder escolher, sempre v\u00e1 para longe das falhas.<\/p>\n<p>Quando um terremoto come\u00e7a, a regra \u00e9 que o primeiro tremor seja o mais forte. Mas, curiosamente, em alguns casos o grande estrago nem vem do primeiro grande tremor. Ele faz estragos sim, mas geralmente os lugares est\u00e3o preparados para esses estragos pois foram planejados para suportar um terremoto.<\/p>\n<p>UM terremoto. Quando vem mais de um, bem, a\u00ed a coisa complica. Em alguns casos quem finaliza a dana\u00e7\u00e3o s\u00e3o os tremores secund\u00e1rios (chamados \u201cr\u00e9plicas\u201d), que vem depois. Quando ocorrem tremores grandes dificilmente as coisas param por a\u00ed, \u00e9 quase certo que teremos r\u00e9plicas. E, se essas r\u00e9plicas forem muito fortes, as estruturas que j\u00e1 foram impactadas pelo tremor inicial mas bravamente ficaram de p\u00e9, podem acabar sucumbindo.<\/p>\n<p>As r\u00e9plicas acontecem por uma quest\u00e3o b\u00e1sica de f\u00edsica: quando uma coisa sai muito do lugar, ela raramente se reacomoda de forma r\u00e1pida. Geralmente demoram alguns dias at\u00e9 as placas \u201cse acomodarem\u201d na nova posi\u00e7\u00e3o definitiva, o que significa que depois do primeiro grande tremor vir\u00e3o outros, geralmente menores. Ent\u00e3o, se voc\u00ea sentiu um tremor pequeno, n\u00e3o se preocupe. Mas se houve um terremoto grande, se prepara, pois vem tremores secund\u00e1rios, muitas vezes em quest\u00e3o de minutos.<\/p>\n<p>E, nesse caso espec\u00edfico da Turquia, um dos tremores que se seguiu ao principal foi quase t\u00e3o devastador quanto, chegando a 7,5, o que fez com que muitos o considerem um segundo tremor aut\u00f4nomo. As demais r\u00e9plicas continuaram muito fortes, 11 minutos ap\u00f3s o tremor principal um tremor secund\u00e1rio de 6,7 ocorreu e centenas de outros menores. N\u00e3o h\u00e1 estrutura que suporte intacta tr\u00eas tremores seguidos dessa magnitude. H\u00e1 um limite para o que o ser humano \u00e9 capaz de fazer em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo quando voc\u00ea constr\u00f3i uma cidade toda programada para terremotos, \u00e9 muito dif\u00edcil criar estruturas que sobrevivam a esse cen\u00e1rio. Depois de um tremor grande, estruturas racharam, canos de g\u00e1s racham, estragos ocorrem. Estragos que precisam ser reparados. Mas, se por cima de um 7,8 vem um 7,5 e depois um 6,7, fica tudo muito mais dif\u00edcil. E muitas vezes n\u00e3o \u00e9 apenas o tremor: vazamento de g\u00e1s gera explos\u00f5es, por exemplo. Uma sequ\u00eancia de desastres contribui para os estragos.<\/p>\n<p>Isso obviamente aumenta o n\u00famero de v\u00edtimas tamb\u00e9m. N\u00e3o basta desabar tudo e a pessoa ficar entre os escombros, os escombros s\u00e3o sacudidos com a pessoa dentro. Cano de \u00e1gua arrebenta e inunda por cima dos escombros. Cano de g\u00e1s arrebenta e bota fogo nos escombros. \u00c9 um cen\u00e1rio de horror. Tanto \u00e9 que o n\u00famero de v\u00edtimas n\u00e3o para de subir e provavelmente vai ser muito maior do que o estimado. Quando eu comecei a escrever este texto se falava em 3 mil v\u00edtimas, mas eu sinceramente duvido que sejam menos de 10 mil, se n\u00e3o mais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, terremotos como esse da Turquia s\u00e3o uma grande exce\u00e7\u00e3o. Todo ano s\u00e3o registrados cerca de 200 mil terremotos no planeta e a maioria n\u00e3o chega nem perto disso. Em sua maioria, os terremotos s\u00e3o inofensivos, mas, quando fazem estrago, a coisa \u00e9 feia. Por isso s\u00e3o t\u00e3o temidos, os que fazem estragos sempre s\u00e3o lembrados.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos escapar, eventualmente esses grandes terremotos acontecer\u00e3o novamente, isso \u00e9 uma certeza. Em todo caso, se voc\u00ea mora ou vai para alguma \u00e1rea de risco, informe-se sobre os procedimentos de seguran\u00e7a, pois se acontecer, n\u00e3o vai dar tempo de pesquisar nada. Se quiser saber como proceder em caso de terremotos, <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2018\/04\/primeiros-socorros-sobrevivendo-a-terremotos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">temos este texto<\/a> dando algumas dicas.<\/p>\n<p>Muita gente se pergunta por qual motivo n\u00e3o foi poss\u00edvel prever algo dessa magnitude, afinal, conseguimos prever furac\u00f5es e outros desastres com dias de anteced\u00eancia. Infelizmente ainda n\u00e3o conseguimos prever terremotos com anteced\u00eancia suficiente para salvar vidas, o m\u00e1ximo que se consegue \u00e9 prever minutos antes, um tempo ineficaz que n\u00e3o permite sequer que uma pessoa saia de um andar alto de um pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Se consegue saber onde pode haver terremoto (regi\u00f5es pr\u00f3ximas das falhas, entre placas tect\u00f4nicas) mas n\u00e3o quando nem em que intensidade, pois tudo depende do grau de tens\u00e3o que h\u00e1 sobre as placas e, em havendo tens\u00e3o, n\u00e3o se sabe a forma como essa energia ser\u00e1 liberada. Isso quer dizer que mesmo que uma placa esteja \u201cpressionando\u201d a outra, isso pode ser liberado tudo de uma vez em um grande tremor ou gradativamente em pequenos tremores.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, tem algum sinal que possa dar um ind\u00edcio de que vai ter um terremoto?\u201d. Tem. Observe os animais. Assim como ocorre com muitas outras cat\u00e1strofes, como por exemplo no caso de tsunamis, eles percebem antes da gente. Animais geralmente podem sentir as primeiras ondas de um terremoto, que s\u00e3o impercept\u00edveis para humanos e ficam muito nervosos com isso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, est\u00e1 em um lugar pass\u00edvel de grandes terremotos e animais est\u00e3o se portando de forma estranha? Tente se precaver. No geral, o que foi registrado \u00e9 que eles fazem mais barulho (por exemplo, c\u00e3es latem mais). Tamb\u00e9m h\u00e1 relatos de animais selvagens que abandonam a \u00e1rea em massa. Se for este o caso, siga os animais.<\/p>\n<p>H\u00e1 um caso relatado na China, onde os animais estavam muito estranhos, agitados, agindo de forma incomum e os moradores do local acreditaram que podia ser um aviso de terremoto e optaram por dormir nas ruas. De fato, horas depois o terremoto aconteceu e a maior parte das pessoas se salvou, pois as casas desabaram.<\/p>\n<p>De qualquer forma, mesmo que animais consigam dar o aviso, n\u00e3o ser\u00e1 com dias de anteced\u00eancia. Ser\u00e1 antes do terremoto ser sentido por humanos, mas n\u00e3o muito antes. J\u00e1 \u00e9 algo, \u00e0s vezes algumas horas s\u00e3o o tempo necess\u00e1rio para se salvar.<\/p>\n<p>Como saber se est\u00e1 acontecendo um grande terremoto e o quanto ele \u00e9 perigoso: basta observar como se sente o terremoto, isso vai dizer se ele \u00e9 grande ou n\u00e3o e se voc\u00ea est\u00e1 pr\u00f3ximo do epicentro. Vamos para as diferentes possibilidades.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver pr\u00f3ximo do epicentro e ocorrer um terremoto forte, a primeira sensa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea vai ter \u00e9 de um grande \u201ctranco\u201d, uma \u00fanica grande sacudida repentina, como se o ch\u00e3o estivesse se \u201cdesencaixando\u201d. Depois, come\u00e7am tremores fortes, que podem durar segundos ou minutos, que ser\u00e3o sentidos mais como um balan\u00e7ar, um sacudir cont\u00ednuo. Nesse caso, o risco \u00e9 maior. Adote todas as medidas de seguran\u00e7a o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver relativamente longe do epicentro e ocorrer um terremoto grande: Voc\u00ea vai sentir o mesmo solavanco inicial, s\u00f3 que ele ser\u00e1 suave, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para te desequilibrar ou quebrar coisas na sua casa. O tremor que se segue passar\u00e1 rapidamente, vai durar apenas alguns segundos. Nesse caso, voc\u00ea n\u00e3o corre grandes riscos.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver distante do epicentro ou se o tremor for muito leve: \u00e9 prov\u00e1vel que algumas pessoas nem sintam, mas se voc\u00ea sentir, n\u00e3o ter\u00e1 o tranco inicial, vai sentir poucos tremores suaves (poucos = 2 ou 3) como se a terra estivesse apenas se acomodando. \u00c9 aquela coisa t\u00e3o leve que fica a d\u00favida, voc\u00ea se pergunta \u201ca terra tremeu ou eu estou ficando louco?\u201d. Nesse caso, fique tranquilo, dificilmente voc\u00ea corre riscos.<\/p>\n<p>Uma informa\u00e7\u00e3o errada que foi divulgada sobre esse terremoto da Turquia \u00e9 que \u201co ch\u00e3o se abriu e tragou as pessoas\u201d. Alguns filmes de fic\u00e7\u00e3o colaboram para esse equ\u00edvoco mostrando cenas desse tipo. Se o ch\u00e3o pudesse se abrir, n\u00e3o ocorreriam terremotos, pois n\u00e3o haveria atrito entre as duas placas. Ent\u00e3o, pode seguir as orienta\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e se te mandarem ir para a rua, pode ir, pois o ch\u00e3o n\u00e3o vai abrir e te engolir. Acredite, a rua \u00e9 onde voc\u00ea quer estar quando uma casa desaba.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as chances de um terremoto grande acontecer no Brasil? Muito, mas muito baixas. Se voc\u00ea olhar o mapa das placas tect\u00f4nicas que a gente postou l\u00e1 no come\u00e7o, vai ver que o pa\u00eds est\u00e1 no interior da Placa Sul-Americana, ou seja, longe das falhas.<\/p>\n<p>O m\u00e1ximo que se espera para um lugar com esta localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um terremoto 4,5. Geralmente danos a estruturas s\u00f3 ocorrem em terremotos 5 para cima, muitas vezes um terremoto abaixo disso nem \u00e9 sentido. \u00c9 mais f\u00e1cil o ch\u00e3o tremer por reflexo de terremoto no vizinho do que o Brasil ter um terremoto grande para chamar de seu. O Chile que lute, voc\u00eas est\u00e3o a salvo.<\/p>\n<p>\u00c9 feio, \u00e9 perigoso, faz estragos, mas terremotos fazem parte deste planeta, \u00e9 bom que os compreendamos, saibamos tomar todas as precau\u00e7\u00f5es e fa\u00e7amos as pazes com a ideia de que, de tempos em tempos, um grande terremoto vai dar as caras.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para perguntar quem apostou em terremoto como Como\u00e7\u00e3o do Ano no Bol\u00e3o, para dizer que o Brasil n\u00e3o precisa de terremoto pois tem brasileiro ou ainda para dizer que o planeta nos odeia e quer nos matar: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos dias atr\u00e1s um grande terremoto provocou caos e destrui\u00e7\u00e3o na Turquia. Essa trag\u00e9dia vai repercutir por um bom tempo e o n\u00famero de mortos certamente vai passar (e muito) da previs\u00e3o inicial. Ent\u00e3o, aqui vai um r\u00e1pido guia para entender e participar de qualquer conversa sobre o assunto: Desfavor Explica \u2013 Terremotos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-21138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-explica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}