{"id":21331,"date":"2023-03-29T13:11:37","date_gmt":"2023-03-29T16:11:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=21331"},"modified":"2023-03-29T13:11:37","modified_gmt":"2023-03-29T16:11:37","slug":"culpa-paliativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/03\/culpa-paliativa\/","title":{"rendered":"Culpa paliativa."},"content":{"rendered":"<p>Ao mesmo tempo que um moleque brasileiro atacou e matou uma professora aqui no Brasil, nos EUA um atirador matou tr\u00eas adultos e tr\u00eas crian\u00e7as numa escola. Evidente que o caso brasileiro chamou mais aten\u00e7\u00e3o no Brasil, mas mesmo nos EUA a resposta ao atentado local foi menos grave do que casos anteriores. Ou os americanos cansaram de se preocupar com tiroteios aleat\u00f3rios, ou a identidade desse atirador (ou atiradora) teve algo a ver com isso.<!--more--><\/p>\n<p>Ou talvez as duas coisas. Mas antes, vamos estabelecer um motivo para este texto: ontem o texto da Sally estabeleceu bem a ideia de que somos viciados em olhar para sintomas ao inv\u00e9s de causas. O que me fez pensar sobre o tema dos ataques de jovens descompensados, seja no Brasil, nos EUA ou em qualquer outro pa\u00eds do mundo. Quando olhamos para esses ataques, estamos vendo sintomas.<\/p>\n<p>E buscando formas de aliviar esses sintomas. Como tornar as escolas mais seguras? Como prever quais os jovens que podem realizar esses ataques? Devemos proibir armas? \u00c9 prov\u00e1vel que essas atitudes consigam reduzir o n\u00famero de sintomas percebidos, at\u00e9 mesmo a ideia de regular melhor armas: a diferen\u00e7a entre o resultado do ataque no Brasil e nos EUA tem muito a ver com as armas dispon\u00edveis. \u00c9 desonestidade intelectual fingir que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas mesmo num mundo onde seja imposs\u00edvel conseguir armas de fogo, est\u00e1 provado pelo caso brasileiro que a pessoa querendo fazer algo horr\u00edvel ainda vai tentar. E em muitos casos, conseguir matar algu\u00e9m. O problema de lidar com sintomas \u00e9 que \u00e9 apenas quest\u00e3o de tempo at\u00e9 eles aparecerem de novo, afinal, a causa n\u00e3o foi neutralizada. Em tese \u00e9 melhor ter sintomas leves do que sintomas pesados, mas ser\u00e1 que \u00e9 s\u00f3 isso que podemos fazer?<\/p>\n<p>Na medicina, isso \u00e9 conhecido como cuidado paliativo: j\u00e1 n\u00e3o se espera mais resolver o problema fundamental, apenas reduzir o grau de sofrimento do paciente para que um \u201cmilagre\u201d ou a morte resolvam a situa\u00e7\u00e3o de vez. Quando os m\u00e9dicos decidem que s\u00f3 resta a via dos cuidados paliativos, tratamentos sofridos s\u00e3o deixados de lado, afinal, n\u00e3o faz sentido causar mais dor e inc\u00f4modo na pessoa se n\u00e3o existe uma expectativa real de cura.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o de danos na quest\u00e3o de ataques violentos em escolas e \u00e1reas p\u00fablicas em geral \u00e9 uma alternativa para quem n\u00e3o sabe mais o que fazer em rela\u00e7\u00e3o ao problema fundamental. Mesmo quem est\u00e1 dizendo que temos que tomar mais cuidado com a sa\u00fade mental dos jovens pode estar caindo na armadilha dos paliativos. Explico: tem alguma coisa causando um aumento exponencial de quest\u00f5es de sa\u00fade mental no mundo. N\u00e3o existe muito consenso sobre o que pode estar por tr\u00e1s disso, mas os dados indicam essa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ataques fatais em escolas s\u00e3o sintomas de problemas de sa\u00fade mental, mas problemas de sa\u00fade mental n\u00e3o podem ser, por sua vez, sintomas de algo ainda mais profundo? Onde essa cadeia de eventos termina de verdade? Maior aten\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental de crian\u00e7as e adolescentes pode reduzir o n\u00famero de ataques violentos em escolas, mas n\u00e3o tem algo estranho na ideia de tantos jovens estarem se identificando com problemas mentais? Que se prescreva e venda tantos rem\u00e9dios controlados para uma parcela da popula\u00e7\u00e3o, que em tese, deveria ser a mais saud\u00e1vel de todas?<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que eu volto para o caso do atirador dos EUA, que s\u00f3 estou referenciando no masculino por presumir que fosse sua identidade de g\u00eanero. A m\u00eddia come\u00e7ou divulgando o caso como o de uma atiradora, o que bate com o sexo biol\u00f3gico da pessoa, mas os rastros de sua presen\u00e7a online sugeriam que era uma transexual masculina. A m\u00eddia falou sobre a pessoa, mas num grau mais t\u00edmido em rela\u00e7\u00e3o a outros atiradores mais convencionalmente homens e brancos. Seu suposto manifesto ainda n\u00e3o apareceu.<\/p>\n<p>E antes que voc\u00ea comece e me colocar no barco dos conservadores de internet, calma: eu acredito que a melhor coisa a se fazer \u00e9 sumir com as informa\u00e7\u00f5es da pessoa que realizou o tiroteio, para que ela desapare\u00e7a desconhecida. Em tese eu concordo com o sil\u00eancio da m\u00eddia sobre o atirador, s\u00f3 me estranha que tenha acontecido agora que era uma pessoa trans.<\/p>\n<p>E eu n\u00e3o estou falando sobre uma conspira\u00e7\u00e3o dos judeus\/illuminatis\/reptilianos para fazer os sapos virarem gays, estou falando sobre o que provavelmente passou pela cabe\u00e7a das autoridades e jornalistas lidando com o caso, a nefasta ideia de que \u201cn\u00e3o \u00e9 hora de criticar.\u201d<\/p>\n<p>O grupo dos transexuais j\u00e1 \u00e9 suficientemente marginalizado sem exemplos de viol\u00eancia contra crian\u00e7as, tem alguma l\u00f3gica na ideia de reduzir a exposi\u00e7\u00e3o de uma pessoa assim. Durante o dia, v\u00e1rias comunidades online discutiram o perigo da extrema-direita usar isso para piorar a imagem que o cidad\u00e3o m\u00e9dio tem sobre transexuais. E \u00e9 claro, os grupos de sempre pularam na oportunidade para conectar identidades de g\u00eanero menos tradicionais com perigo para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Muita gente acabou preocupada com a forma de lidar com esse caso, imaginando um perigo extra para a comunidade transexual caso a identidade e as motiva\u00e7\u00f5es do atirador virassem o foco da conversa. Embora exista um perigo em deixar a narrativa solta na m\u00e3o de gente que acha que qualquer varia\u00e7\u00e3o de sua moral crist\u00e3 \u00e9 indiferenci\u00e1vel do dem\u00f4nio, tamb\u00e9m n\u00e3o me parece saud\u00e1vel ir para o lado oposto e tentar esconder um problema fundamental que sociedades mais avan\u00e7adas est\u00e3o encontrando com a aceita\u00e7\u00e3o em massa de transexuais.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 de gra\u00e7a nessa vida. Eu fico realmente em d\u00favida se o n\u00famero de transexuais aumentar tanto assim nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 resultado de demanda reprimida (as pessoas j\u00e1 queriam fazer isso mas n\u00e3o podiam), ou se \u00e9 resultado de jovens entrando para \u201ctribos urbanas\u201d sem entender o significado de suas escolhas.<\/p>\n<p>Vejam bem: eu acredito que pessoas podem ter uma identifica\u00e7\u00e3o com o sexo oposto ao ponto de n\u00e3o serem elas de verdade at\u00e9 poderem se assumir. Eu acredito tamb\u00e9m que esse processo pode come\u00e7ar logo na primeira inf\u00e2ncia. Os casos mais \u201cideais\u201d de transi\u00e7\u00e3o est\u00e3o relacionados com pessoas que rapidamente come\u00e7am a agir como se espera do sexo oposto ao seu biol\u00f3gico. S\u00e3o pessoas que se sentem compelidas a agir como enxergam outros homens ou mulheres agindo, independentemente do que tem entre as pernas.<\/p>\n<p>E essas pessoas podem ser livres ou oprimidas que n\u00e3o v\u00e3o mudar a forma como funcionam. Ou voc\u00ea aceita elas como s\u00e3o, ou no m\u00e1ximo vai conseguir prender ela numa pris\u00e3o f\u00edsica e mental, for\u00e7ando-a a agir contra seus instintos e percep\u00e7\u00f5es pessoais. Eu enxergo repress\u00e3o de express\u00e3o de identidade de g\u00eanero como uma forma de tortura e acredito que os pa\u00edses que lidam com isso de forma natural, permitindo nomes sociais, criminalizando discrimina\u00e7\u00e3o e outras formas b\u00e1sicas de manuten\u00e7\u00e3o de direitos humanos est\u00e3o fazendo s\u00f3 a obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 que essa mentalidade de acolhimento da pessoa trans n\u00e3o pode ser contaminada pela ideia de que \u201cn\u00e3o pode criticar agora\u201d. Cr\u00edtica \u00e9 algo muito mais complexo do que odiar, cr\u00edtica vem da ideia de pensar criticamente sobre um tema. Se a sexualidade humana \u00e9 cheia de vari\u00e1veis e n\u00e3o faz sentido colocar r\u00f3tulos espec\u00edficos em todo mundo, isso tamb\u00e9m quer dizer que muita coisa pode dar errado nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que algumas pessoas que se apresentam como transexuais ou combina\u00e7\u00f5es entre pap\u00e9is sexuais hist\u00f3ricos estejam passando por problemas de sa\u00fade mental. O medo de dar muni\u00e7\u00e3o para conservadores religiosos pode muito bem reduzir o grau de aten\u00e7\u00e3o e por consequ\u00eancia prote\u00e7\u00e3o que oferecemos para essas pessoas.<\/p>\n<p>E se o manifesto do atirador trans tiver mensagens sobre o medo incutido em sua cabe\u00e7a pelo discurso de terror que as comunidades trans fazem sobre a sociedade? O mundo n\u00e3o \u00e9 feito apenas de aliados e inimigos. Muitas comunidades focadas em \u201cjusti\u00e7a social\u201d pecam pelo mesmo sensacionalismo violento que seus advers\u00e1rios de direita. A tia do Zap te manda um artigo sobre como o Bill Gates est\u00e1 colocando veneno na sua vacina por que quer destruir os crist\u00e3os; mas muitos ativistas da causa LGBT+ envenenam o po\u00e7o tamb\u00e9m dizendo que todo mundo quer v\u00ea-los mortos.<\/p>\n<p>O ser humano, assim como a maioria dos outros animais, \u00e9 muito mais perigoso quando se sente acuado. Quando vemos ataques violentos de homens brancos em multid\u00f5es, quase sempre por tr\u00e1s est\u00e1 o mesmo caminho de radicaliza\u00e7\u00e3o: encontram um grupo que partilha vis\u00f5es de mundo espec\u00edficas, sentem-se inclu\u00eddos e come\u00e7am a acreditar que precisam tomar alguma atitude urgente para salvar o mundo. Quase sempre s\u00e3o pessoas com outros problemas mentais que acabaram influenciadas por discurso de p\u00e2nico (\u00e9 muito mais que \u00f3dio) dessas comunidades.<\/p>\n<p>Curiosamente, homens brancos heterossexuais tem o privil\u00e9gio de serem atacados diretamente caso comecem a entrar nesse caminho de radicaliza\u00e7\u00e3o. Se eu come\u00e7asse a falar asneiras conspirat\u00f3rias, ningu\u00e9m teria reservas a me bater por causa disso. Ali\u00e1s, \u00e9 poss\u00edvel que algu\u00e9m venha fazer justamente isso no texto de hoje, porque eu sou alvo leg\u00edtimo para discord\u00e2ncia e cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Se eu escrever uma grande besteira aqui ou se disser algo preconceituoso horr\u00edvel para pessoas ao meu redor, no m\u00ednimo algu\u00e9m vai me chamar a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quer dizer que eu seja imune a me radicalizar, mas a rede de prote\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima e bem mantida. Se eu falhar em me policiar, n\u00e3o vejo o risco de ser ignorado at\u00e9 o fundo do po\u00e7o.<\/p>\n<p>O mundo moderno criou uma s\u00e9rie de desafios para a cria\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es, a quantidade de informa\u00e7\u00e3o que essa gente est\u00e1 recebendo nos primeiros anos de vida \u00e9 maior que muitos de n\u00f3s recebemos at\u00e9 chegar na vida adulta. Talvez esses jovens estejam mais assustados do que n\u00f3s estivemos no nosso tempo, \u00e9ramos mais ignorantes. Hoje podem estar mais propensos a buscar grupos de suporte e se sentirem parte de algo maior para enfrentar esse medo.<\/p>\n<p>E se eles continuarem assim, ser\u00e3o presas f\u00e1ceis para grupos radicais, a parcela mais maluca da humanidade com influ\u00eancia desproporcional nos cidad\u00e3os m\u00e9dios do futuro. Parece haver algum escrut\u00ednio na forma como o \u201copressor natural\u201d que \u00e9 o homem branco toca sua vida, e uma preocupa\u00e7\u00e3o generalizada sobre sua propens\u00e3o a entrar para algum grupo radical que o fa\u00e7a ficar violento. Mas eu n\u00e3o vejo a mesma coisa acontecendo com os grupos ditos minorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quem garante que n\u00e3o tem jovem trocando de sexo por influ\u00eancia de gente completamente descompensada? E que isso n\u00e3o esteja destruindo a sa\u00fade mental deles? Como eu j\u00e1 disse, eu n\u00e3o tenho a informa\u00e7\u00e3o sobre a quantidade de jovens trans no mundo atual ser resultado de demanda represada por opress\u00e3o religiosa ou se tem um componente de desejo de pertencimento a um grupo de suporte.<\/p>\n<p>Agora, vai ser imposs\u00edvel saber a resposta dessa pergunta se ficarmos presos nessa ideia de \u201cn\u00e3o pode criticar ainda\u201d. Temos que olhar para pessoas trans que ficaram mais saud\u00e1veis mentalmente assumindo sua identidade real e temos que olhar para cidad\u00e3os e cidad\u00e3s altamente complexadas que n\u00e3o sabem muito bem o que est\u00e3o fazendo. Gente que pode perder o pouco de controle sobre a sanidade que ainda tem se continuar ouvindo que \u00e9 tudo culpa dos opressores.<\/p>\n<p>\u00c9 triste que pessoas usem casos isolados de doen\u00e7as mentais para empurrar narrativas sobre grupos inteiros, mas \u00e9 um efeito colateral doloroso de tentar lidar com a verdade. Precisamos deixar que jovens transexuais tenham problemas psicol\u00f3gicos tamb\u00e9m, e precisamos que eles sejam tratados de forma t\u00e3o s\u00e9ria quanto os dos homens brancos heterossexuais. Os jovens que n\u00e3o se conformam nesse padr\u00e3o tamb\u00e9m merecem essa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre hora de criticar, para o nosso bem.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para me chamar de \u201cista\u201d, para dizer que eu sou um isentista radical, ou mesmo para dizer que a culpa \u00e9 de objetos inanimados: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao mesmo tempo que um moleque brasileiro atacou e matou uma professora aqui no Brasil, nos EUA um atirador matou tr\u00eas adultos e tr\u00eas crian\u00e7as numa escola. Evidente que o caso brasileiro chamou mais aten\u00e7\u00e3o no Brasil, mas mesmo nos EUA a resposta ao atentado local foi menos grave do que casos anteriores. 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