{"id":21370,"date":"2023-04-05T14:31:15","date_gmt":"2023-04-05T17:31:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=21370"},"modified":"2023-04-05T14:47:56","modified_gmt":"2023-04-05T17:47:56","slug":"sociedade-atacada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/04\/sociedade-atacada\/","title":{"rendered":"Sociedade atacada."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sc\/santa-catarina\/noticia\/2023\/04\/05\/ataque-creche-blumenau.ghtml\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Aconteceu de novo<\/a>. A not\u00edcia \u00e9 super recente e pode reaparecer no Desfavor da Semana de acordo com o desenrolar do caso. Um maluco invadiu uma creche e matou 4 crian\u00e7as e feriu outras cinco, uma ainda em estado grave pelo que se sabe at\u00e9 agora. Ser\u00e1 que tem como evitar esses crimes b\u00e1rbaros?<!--more--><\/p>\n<p>Sim, como provavelmente vamos mencionar se voltarmos ao tema no futuro, e n\u00e3o, como eu vou argumentar agora.<\/p>\n<p>Sim e n\u00e3o \u00e9 uma resposta irritante, eu sei. Mas ela \u00e9 importante nesse caso, porque o que \u00e9 poss\u00edvel \u00e9 reduzir o n\u00famero de ataques covardes e aleat\u00f3rios com boas pol\u00edticas p\u00fablicas e aumento de qualidade de vida generalizado, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acabar com eles de uma vez.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea analisa um problema com a expectativa de elimin\u00e1-lo de vez, pensa de um jeito. Quando voc\u00ea est\u00e1 focado em reduzir o m\u00e1ximo poss\u00edvel o problema, pensa de outro. Acreditar que \u00e9 poss\u00edvel impedir que malucos ataquem pessoas indefesas na sociedade atual \u00e9 acreditar em algo inalcan\u00e7\u00e1vel. E a\u00ed, todas as solu\u00e7\u00f5es partem da premissa errada.<\/p>\n<p>\u00c9 aquela mentalidade de dieta milagrosa: a pessoa acha que o objetivo \u00e9 emagrecer uma s\u00f3 vez e depois est\u00e1 tudo resolvido. N\u00e3o est\u00e1, afinal, enquanto a pessoa estiver viva, vai poder voltar a engordar. E a\u00ed temos o efeito sanfona, com muita gente engordando mais ainda depois que emagrece com a dieta e volta ao seu normal.<\/p>\n<p>O que emagrece de verdade \u00e9 mudan\u00e7a de h\u00e1bitos. Melhor do que uma dieta, \u00e9 uma alimenta\u00e7\u00e3o balanceada aliada com exerc\u00edcios f\u00edsicos. Se estiver na cabe\u00e7a da pessoa que ela n\u00e3o pode eliminar o problema e sim mudar sua forma de agir para n\u00e3o deixar ele reaparecer, consegue o resultado. \u00c9 a ideia de que n\u00e3o existe resposta m\u00e1gica que faz com que a pessoa conquiste um resultado positivo.<\/p>\n<p>Quando falamos de atos violentos do tipo que aconteceu hoje, n\u00e3o existe dieta milagrosa. N\u00e3o tem pris\u00e3o perp\u00e9tua, n\u00e3o tem pena de morte, n\u00e3o tem censura na internet ou qualquer outro tipo de canetada que possa evitar que pessoas com problemas mentais s\u00e9rios achem uma brecha para causar sofrimento nos outros. Pode ser a sociedade mais idealizada que ainda n\u00e3o resolve o problema fundamental que alguns seres humanos simplesmente agem de forma que consideramos insana.<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o de controle infecta pol\u00edticas p\u00fablicas e percep\u00e7\u00e3o do povo, criando solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas para problemas que n\u00e3o podem ser eliminados. O m\u00e1ximo que eu vejo acontecendo na humanidade \u00e9 uma virtualiza\u00e7\u00e3o que separe a vida org\u00e2nica da digital, criando pessoas com v\u00e1rias vidas como num videogame: mesmo se matarem, s\u00f3 recome\u00e7a no \u00faltimo ponto salvo. Fora isso, o risco de ser v\u00edtima de um man\u00edaco ou man\u00edaca sempre vai existir.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o quer dizer que vamos todos morrer nas m\u00e3os de algu\u00e9m assim, mas a chance sempre vai estar l\u00e1. Se conseguiram matar o presidente dos EUA em pleno s\u00e9culo XX, acho dif\u00edcil que algum de n\u00f3s tenha chance de seguran\u00e7a absoluta nesse mundo. \u00c9 perigoso correr atr\u00e1s de um objetivo imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Vivemos num tempo onde bilh\u00f5es de pessoas vivem muito pr\u00f3ximas umas das outras, todas dependendo de uma rede de confian\u00e7a absurda para funcionar minimamente bem. E podemos ver isso em exemplos simples: voc\u00ea come comida feita longe dos seus olhos. Voc\u00ea atravessa a rua na frente de m\u00e1quinas de mais de uma tonelada que podem te esmagar. Quase todo mundo ao seu redor tem acesso a alguma arma ou ferramenta que pode te matar. Faz parte da realidade estar sob risco constante de alguma pessoa agir de forma inesperada.<\/p>\n<p>N\u00e3o quer dizer que tenhamos que desistir de enfrentar o problema de ataques aleat\u00f3rios, s\u00f3 quer dizer que a primeira coisa a aceitar \u00e9 que n\u00e3o vai ser poss\u00edvel eliminar isso da sociedade. Muito se engana quem acha que controlar armas e internet vai colocar uma p\u00e1 de cal na situa\u00e7\u00e3o, primeiro que como estamos vendo, basta a pessoa querer e focar em v\u00edtimas indefesas como os dois mais recentes fizeram; segundo que nem a China controla a sua internet de verdade, nem mesmo com todas as leis e agentes p\u00fablicos focados em supress\u00e3o conseguem evitar comunica\u00e7\u00e3o entre gente maluca e radicais.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea achar que a solu\u00e7\u00e3o do problema est\u00e1 a uma ou duas atitudes governamentais de dist\u00e2ncia, vai ver tudo se repetindo vez ap\u00f3s vez. Semana passada eu falei sobre sintoma e doen\u00e7a baseado no texto da Sally sobre o tema (n\u00e3o se corrigem sintomas), hoje eu estou focando numa outra quest\u00e3o fundamental: tem gente que n\u00e3o vai seguir nenhuma l\u00f3gica social que consideramos b\u00e1sica, e essa gente nasce todos os dias. Pior: a maioria delas n\u00e3o vai chamar aten\u00e7\u00e3o suficiente antes de cometer um crime horr\u00edvel.<\/p>\n<p>Vivermos aos milh\u00f5es em cidades lotadas \u00e9 um caminho sem volta para esse tipo de problema. As pessoas n\u00e3o se conhecem, elas s\u00e3o obrigadas a confiar em estranhos, muita gente \u201csome\u201d no meio da multid\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o de qualquer ideia maluca passa por baixo dos radares da maioria&#8230; \u00e9 uma quest\u00e3o fundamental da humanidade moderna.<\/p>\n<p>Em tempos passados, com popula\u00e7\u00f5es menores e mais espalhadas, essencialmente rurais, o maluco ou maluca tinha muito menos acesso e confian\u00e7a \u201cgr\u00e1tis\u201d a outras pessoas. Fomos obrigados a aceitar estranhos, e por mais que isso seja uma caixa de Pandora ideol\u00f3gica, fomos obrigados a aceitar os diferentes como se fossem iguais.<\/p>\n<p>Sim, no passado nem t\u00e3o distante do come\u00e7o do s\u00e9culo passado, crian\u00e7as viviam meio como bichos soltos no mato. Os adultos n\u00e3o ligavam muito, porque por mais que j\u00e1 estivessem inclu\u00eddos em cidades, n\u00e3o eram cidades t\u00e3o grandes e n\u00e3o tinha tanta mistura assim com locais afastados. Quase todo mundo tinha uma reputa\u00e7\u00e3o muito bem definida com a comunidade local. Os pais eram mais inocentes sobre os perigos de deixar os filhos soltos no mundo, mas tamb\u00e9m tinham mais confian\u00e7a verdadeira em outros adultos que poderiam ter contato com essas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>As pessoas tinham nome, tinham fam\u00edlia, tinham hist\u00f3ria na comunidade. Os estranhos precisavam se apresentar e serem aceitos pelos vizinhos, sen\u00e3o viravam p\u00e1rias sociais. Isso acabou em boa parte das grandes cidades modernas. N\u00e3o s\u00f3 as pessoas perderam a capacidade (matem\u00e1tica mesmo) de conhecerem seus incont\u00e1veis vizinhos, como um mundo mais conectado gera grupos de afinidade por interesses, n\u00e3o por proximidade geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>O grau de confian\u00e7a real, isto \u00e9, confian\u00e7a em pessoas que voc\u00ea conhece e convive, foi diminuindo absurdamente por quest\u00f5es log\u00edsticas da vida em grandes cidades; mas ao mesmo tempo, criamos uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a impl\u00edcita no outro por absoluta necessidade de funcionar como sociedade. Voc\u00ea n\u00e3o sabe mais quem \u00e9 a professora da sua crian\u00e7a, quem \u00e9 o m\u00e9dico que te atende, quem \u00e9 o motorista do seu transporte&#8230; voc\u00ea s\u00f3 confia neles porque n\u00e3o tem outra alternativa.<\/p>\n<p>Numa sociedade de confian\u00e7as impl\u00edcitas \u00e9 muito mais dif\u00edcil prever o que vai acontecer. E para complicar ainda mais, espera-se do ser humano do s\u00e9culo XXI tolerar todo tipo de diferen\u00e7a, por mais que n\u00e3o consiga se colocar no lugar do diferente e fazer isso por empatia. Eu n\u00e3o acho que \u00e9 um plano maligno das elites para destruir a coes\u00e3o social, que fique claro, ningu\u00e9m se organiza nesse n\u00edvel no mundo real; o que eu argumento aqui \u00e9 que o que entendemos como sociedade foi modificado bruscamente pelas necessidades da economia moderna, e estamos uns dez passos atr\u00e1s na mentalidade.<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o sendo for\u00e7adas a viver num mundo que n\u00e3o \u00e9 natural para elas. Progressistas berrando que tem que aceitar tudo de diferente, conservadores berrando que estamos indo para o abismo. O cidad\u00e3o m\u00e9dio, com raz\u00e3o, fica bem nervoso nesse processo. Uma boa parte da humanidade vai se anestesiando para lidar com isso (rem\u00e9dios, v\u00edcios, vida virtual), outra come\u00e7a a se radicalizar para ver se consegue resolver algum problema.<\/p>\n<p>E o resultado n\u00e3o parece ser dos melhores. Eu acredito que j\u00e1 passou da hora de enxergarmos a vida em sociedade de outra forma, como uma grande tribo obrigada a cuidar do m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edveis para reestabelecer um m\u00ednimo de confian\u00e7a real. A moda ideol\u00f3gica \u00e9 nos dividir em grupos cada vez menores, bolhas de confirma\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as anteriores que enxergam toda a vida em sociedade como uma guerra por poder. N\u00e3o s\u00f3 ficou mais dif\u00edcil ter confian\u00e7a real no outro, como a ideologia do s\u00e9culo XXI dita que temos muito mais inimigos que aliados.<\/p>\n<p>Vai terminar bem? Dado muito tempo, e eu falo de muitas d\u00e9cadas ou talvez alguns s\u00e9culos: \u00e9 bem prov\u00e1vel que sim. O ser humano se adapta a novas realidades desde sempre, e por mais insens\u00edvel que isso possa parecer: podemos absorver esse n\u00famero de mortes no quadro geral da esp\u00e9cie. Mas como sempre, existem jeitos menos dolorosos de se adaptar \u00e0s novas realidades. Quanto mais cedo o ser humano m\u00e9dio das cidades entender que a sa\u00fade f\u00edsica e mental do estranho \u00e9 essencial para viver melhor, mais r\u00e1pido entramos numa era melhor da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o muda o fato que a pessoa mais importante para cuidar \u00e9 voc\u00ea mesmo, mas adiciono aqui a realiza\u00e7\u00e3o de que se voc\u00ea \u00e9 obrigado a confiar em estranhos para sobreviver, o bem estar deles \u00e9 a diferen\u00e7a entre a vida e a morte. N\u00e3o d\u00e1 mais para achar que vai viver numa comunidade de pessoas confi\u00e1veis ou parecidas o suficiente para serem previs\u00edveis, isso \u00e9 sonho infantil\u00f3ide de radicais que acham que podemos voltar a ser uma humanidade essencialmente rural e manter os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos extremamente complexos que utilizamos no dia a dia.<\/p>\n<p>At\u00e9 entendo um pouco quem quer ir morar no mato e viver de forma muito mais simples com pessoas compat\u00edveis (mesmo que muita dessa gente ache que compatibilidade \u00e9 cor de pele&#8230;), porque pelo menos abrem m\u00e3o da sociedade moderna para ter esse grau de confian\u00e7a mais real no outro.<\/p>\n<p>Mas se voc\u00ea \u00e9 que nem eu e n\u00e3o tem menor voca\u00e7\u00e3o para capinar e j\u00e1 n\u00e3o vive mais sem a dose di\u00e1ria de informa\u00e7\u00e3o sem fim da internet, \u00e9 bom come\u00e7ar a ser mais realista sobre a sociedade que se criou para permitir isso: uma de gente progressivamente mais apertada f\u00edsica e psicologicamente que vai gerar uma quantidade enorme de malucos assassinos se n\u00e3o fizermos nada, ou vai gerar uma quantidade toler\u00e1vel de malucos assassinos se entendermos que a era do individualismo j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>Eu usei um atentado para defender renda universal e mais medidas \u201ccomunistas\u201d como admitir de uma vez por todas que precisamos de milh\u00f5es de novos trabalhadores focados em qualidade de vida de outros seres humanos? Sim. Voc\u00ea pode at\u00e9 discordar das solu\u00e7\u00f5es que eu ando pensando, mas o mais importante aqui \u00e9 voc\u00ea enxergar o mesmo problema: muita gente muito junta achando que a sociedade n\u00e3o mudou de vez nas cidades. N\u00e3o tem como sugerir solu\u00e7\u00f5es do mundo antigo, onde bastava matar o maluco da vila ou contratar mais um soldado para enfrentar os bandidos.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es do mundo novo tem que partir do princ\u00edpio da inevitabilidade da radicaliza\u00e7\u00e3o ou da facilidade do doente mental de causar estragos, porque isso n\u00e3o vai mudar. Ou voc\u00ea pensa em reestabelecer confian\u00e7a real com cidades menores, ou voc\u00ea lida com a confian\u00e7a impl\u00edcita criando muito mais mecanismos para cuidar das pessoas que voc\u00ea n\u00e3o enxerga no seu dia a dia. O resto \u00e9 ilus\u00e3o de controle.<\/p>\n<p>Melhor do que nada, provavelmente. Mas ilus\u00e3o de controle que vai continuar frustrando as pessoas a cada vez que um desses crimes horr\u00edveis acontecerem apesar das medidas que pol\u00edticos pregui\u00e7osos e cidad\u00e3os em p\u00e2nico sugerirem.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que \u00e9 um texto amargamente otimista, para dizer que \u00e9 um texto inocentemente pessimista, ou mesmo para dizer que por voc\u00ea pode desligar a internet que j\u00e1 deu o que tinha que dar: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu de novo. A not\u00edcia \u00e9 super recente e pode reaparecer no Desfavor da Semana de acordo com o desenrolar do caso. Um maluco invadiu uma creche e matou 4 crian\u00e7as e feriu outras cinco, uma ainda em estado grave pelo que se sabe at\u00e9 agora. 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