{"id":21632,"date":"2023-06-06T15:09:21","date_gmt":"2023-06-06T18:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=21632"},"modified":"2023-06-06T15:09:21","modified_gmt":"2023-06-06T18:09:21","slug":"o-brasil-tem-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/06\/o-brasil-tem-saida\/","title":{"rendered":"O Brasil tem Sa\u00edda!"},"content":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia de estreia no Desfavor! Estamos implementando uma novidade para tentar melhorar a qualidade de vida do leitor e este texto \u00e9 sua introdu\u00e7\u00e3o: uma coluna permanente chamada \u201cO Brasil Tem Sa\u00edda\u201d.<!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/o-brasil-tem-saida\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ACESSE AQUI<\/a><\/p>\n<p>Sim, querido leitor, o Brasil tem sa\u00edda: ela se chama \u201caeroporto\u201d. Por isso, decidimos criar uma coluna fixa onde vamos deixar todas as not\u00edcias que pudermos encontrar sobre oportunidades para sair do Brasil j\u00e1 com alguma remunera\u00e7\u00e3o e\/ou infraestrutura no novo pa\u00eds. <\/p>\n<p>Nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manter essa coluna constantemente atualizada, o que, dentro das nossas possibilidades, significa inserir novidades pelo menos uma vez por semana, facilitando a vida de quem est\u00e1 a procura de oportunidades fora do pa\u00eds. Para acessar a coluna basta clicar no banner ou no Menu (no alto e \u00e0 direita) e depois no t\u00edtulo \u201cO Brasil Tem Sa\u00edda\u201d. Vamos ao texto.<\/p>\n<p>Existem muitos pa\u00edses que est\u00e3o \u00e0 procura de diferentes tipos de m\u00e3o de obra, desde trabalho bra\u00e7al, at\u00e9 m\u00e3o de obra altamente qualificada, permitindo que voc\u00ea chegue empregado, recebendo um sal\u00e1rio digno. Tamb\u00e9m existem pa\u00edses que querem apenas mais habitantes e te pagam uma mesada bastante generosa apenas para que voc\u00ea more no local. Existem diferentes oportunidades e talvez alguma delas mude sua vida.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, antes de dar esse upgrade na sua vida, seguem algumas dicas para que voc\u00ea esteja preparado. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quanto parece. Nada escrito neste texto \u00e9 pensado para te desencorajar a sair do pa\u00eds, muito pelo contr\u00e1rio, acreditamos que seja a melhor op\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, voc\u00ea precisa estar ciente do que vai enfrentar, at\u00e9 mesmo para se preparar melhor.<\/p>\n<p>Quando falamos em mudar de pa\u00eds, normalmente, a primeira quest\u00e3o que vem \u00e0 cabe\u00e7a das pessoas \u00e9 dinheiro. Sim, dinheiro \u00e9 importante e deve ser considerado, mas voc\u00ea n\u00e3o pode deixar de pensar em outras quest\u00f5es que podem pesar tanto quanto \u2013 ou at\u00e9 mais. Normalmente dinheiro toma toda a aten\u00e7\u00e3o das pessoas e, quando elas finalmente saem do pa\u00eds, s\u00e3o pegas de surpresa por outros obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>Vamos tirar o elefante branco da sala e falar logo de dinheiro ent\u00e3o, para depois entrar nos demais quesitos. Se voc\u00ea tem dinheiro guardado suficiente para se manter por pelo menos um ano em outro pa\u00eds, v\u00e1 com tranquilidade. Se n\u00e3o, leve em conta estas dicas.<\/p>\n<p>Sair do seu pa\u00eds para morar no exterior com uma mochila nas costas e f\u00e9 \u00e9 algo que n\u00e3o recomendamos. Pode at\u00e9 dar certo, mas o risco, a vulnerabilidade e os sacrif\u00edcios provavelmente sejam penosos demais. Voc\u00ea vai descobrir que o per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o a outro pa\u00eds consome muita energia, disponibilidade emocional e for\u00e7as. Ent\u00e3o, o ideal \u00e9 que n\u00e3o v\u00e1 sobrecarregado, com a press\u00e3o de n\u00e3o saber se vai conseguir comprar comida. O ideal \u00e9 que v\u00e1 na situa\u00e7\u00e3o mais confort\u00e1vel poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Existem diferentes situa\u00e7\u00f5es nas quais um pa\u00eds te paga para morar l\u00e1. Voc\u00ea pode conseguir bolsa de estudos, pode apenas morar no local e ser remunerado por isso (ou ganhar uma casa), pode trabalhar e receber pelo seu trabalho e muitas outras. O importante \u00e9 que exista um contrato e que ele seja de longa dura\u00e7\u00e3o, preferencialmente de mais de um ano, que \u00e9 o tempo m\u00ednimo para alguma adapta\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o vai querer procurar emprego coma corda no pesco\u00e7o no seu primeiro ano longe do seu pa\u00eds, acredite.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se voc\u00ea n\u00e3o tem dinheiro guardado e quer sair do pa\u00eds, saia com alguma garantia. E sempre investigue bem a proposta antes de ir, assegure-se de que n\u00e3o \u00e9 um golpe. Pode ser que algu\u00e9m esteja se passando pela institui\u00e7\u00e3o, pode ser que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o exista, pode ser tr\u00e1fico de pessoas, pode ser qualquer coisa. Investigue, investigue e investigue. <\/p>\n<p>Inclusive nas op\u00e7\u00f5es que vamos elencar na nova coluna, afinal, n\u00f3s colhemos as not\u00edcias, mas seria imposs\u00edvel checar a veracidade de cada uma delas. Sintam-se livres para debater nos coment\u00e1rios da nova coluna o que acham uma furada e o que acham uma boa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontrando uma forma de ser remunerado, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 avaliar o custo de vida no local, para entender se essa remunera\u00e7\u00e3o te permite viver com um m\u00ednimo de dignidade.<\/p>\n<p>Hoje voc\u00ea pode descobrir com facilidade o custo de vida de cada pa\u00eds e da regi\u00e3o para a qual voc\u00ea pretende se mudar. Basta usar suas redes sociais para conversar com pessoas de l\u00e1, ler not\u00edcias do local ou at\u00e9 acessar e-commerce locais: nada como uma boa simula\u00e7\u00e3o de compra de supermercado para ter uma no\u00e7\u00e3o do custo de vida. Compare o que est\u00e3o de oferecendo com o custo de vida estimado e avalie se \u00e9 uma boa oportunidade. <\/p>\n<p>Mas lembre-se: em pa\u00edses s\u00e9rios, se voc\u00ea for bom, voc\u00ea cresce no seu trabalho e rapidamente ganhar\u00e1 mais. Vejo muita gente desistindo de sair do pa\u00eds pois isso implicaria em uma redu\u00e7\u00e3o do seu padr\u00e3o de vida, algo que, no come\u00e7o, \u00e9 quase que inevit\u00e1vel. O que essas pessoas n\u00e3o consideram \u00e9 que em poucos anos estar\u00e3o muito melhor do que estariam se tivessem ficado no Brasil em termos de remunera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 um investimento: voc\u00ea vai descer alguns degraus para, em poucos anos, subir muitos outros.<\/p>\n<p>Se estiverem dispostos a trabalho duro, trabalho s\u00e9rio, trabalho focado na excel\u00eancia, o crescimento profissional vem. Jeitinho, mentirinha no curr\u00edculo, atraso, enrola\u00e7\u00e3o&#8230; nada disso costuma ser tolerado. Se sua vida \u00e9 escorada no jeitinho, melhor ficar no Brasil. Caso contr\u00e1rio, voc\u00ea s\u00f3 tem a ganhar se sair, j\u00e1 que na maior parte dos pa\u00edses civilizados, qualquer trabalho \u00e9 digno e razoavelmente remunerado \u2013 e quem \u00e9 bom acaba crescendo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o do dinheiro, tem outras coisas que voc\u00ea precisa saber. Mudar de pa\u00eds \u00e9 mais dif\u00edcil do que parece, tanto \u00e9 que v\u00e1rias pessoas desistem e voltam. \u00c9 mais ou menos como ter filhos: todo mundo descreve como a oitava maravilha, pois, \u00e0 medida que o tempo vai passando, as coisas v\u00e3o ficando mais f\u00e1ceis e o c\u00e9rebro vai apagando todo o trauma e perrengue do come\u00e7o.<\/p>\n<p>Mesmo o Brasil sendo um pa\u00eds dif\u00edcil, revoltante e violento, vai ser muito duro se adaptar a outro pa\u00eds. Mas \u00e9 poss\u00edvel e vale \u00e0 pena. Por\u00e9m, se voc\u00ea for pensando que tudo fluir\u00e1 f\u00e1cil, vai levar um choque e isso vai tumultuar seu processo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o vai fazer amigos assim que chegar, fazer amigos \u00e9 um processo demorado, toma tempo, conviv\u00eancia, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o a longo prazo. Isso implica um per\u00edodo mais solit\u00e1rio. Claro que voc\u00ea sempre tem a op\u00e7\u00e3o de se comunicar virtualmente com seus amigos no Brasil, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Viver em um lugar no qual voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 especial para ningu\u00e9m \u00e9 duro. Pensar \u201cse eu morrer amanh\u00e3 s\u00f3 v\u00e3o descobrir meu corpo quando feder\u201d \u00e9 duro.<\/p>\n<p>Melhora com o tempo. Voc\u00ea acaba fazendo amigos, acaba tendo colegas, conhecidos, uma rede de seguran\u00e7a. Mas vai demorar. E, at\u00e9 l\u00e1, voc\u00ea vai sentir falta de estar em um lugar onde era conhecido, era querido, era especial. O downgrade n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mico, ele \u00e9 social tamb\u00e9m. Se voc\u00ea era admirado e respeitado no seu trabalho, agora voc\u00ea ser\u00e1 alvo de curiosidade e at\u00e9 desconfian\u00e7a. Precisar\u00e1 se provar, reconstruir um nome, uma carreira, credibilidade.<\/p>\n<p>\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-pertencimento muito complicada de lidar. E ela vai perdurar por muito tempo. Al\u00e9m da solid\u00e3o, al\u00e9m da saudade de todos os que ficaram no Brasil, voc\u00ea vai ter saudade do que voc\u00ea era no Brasil. Do espa\u00e7o que ocupava no seu grupo social. Isso fica, n\u00e3o vai com voc\u00ea.<\/p>\n<p>Muitas das suas conquistas ficar\u00e3o no Brasil e voc\u00ea ter\u00e1 que buscar novas conquistas no novo pa\u00eds. E recome\u00e7ar \u00e9 duro, em qualquer coisa que a gente fa\u00e7a. Quem j\u00e1 parou e voltou a frequentar academia entende o sentimento: n\u00e3o importa qu\u00e3o dedicado voc\u00ea seja, se voc\u00ea parar um m\u00eas e voltar, no dia seguinte d\u00f3i tudo, como se nunca tivesse treinado um dia na sua vida.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o a uma nova cultura n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Por mais que o pa\u00eds seja melhor, por mais que o pa\u00eds funcione melhor, por mais que o pa\u00eds ofere\u00e7a mais qualidade de vida, mudar de cultura te obriga a se adaptar, a mudar a voc\u00ea mesmo, a reavaliar todos seus h\u00e1bitos, escolhas e rotinas. E isso \u00e9 cansativo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea vai encontrar o que eu chamo \u201crespingos de Brasil\u201d nos seus h\u00e1bitos, costumes e personalidade, que precisam ser corrigidos, pois pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o uma Rep\u00fablica das Bananas n\u00e3o aceitam certas coisas que, para o brasileiro s\u00e3o perfeitamente normais, inofensivas e corretas. Voc\u00ea vai ter que reaprender a viver e se adaptar \u00e0 cultura dos outros, concorde voc\u00ea ou n\u00e3o com ela.<\/p>\n<p>Voc\u00ea vai ter que estudar e n\u00e3o apenas um novo idioma. Acreditem, o idioma costuma ser o menor dos problemas. Voc\u00ea precisa entender quais s\u00e3o as normas do lugar que vai morar. O que \u00e9 crime? O que \u00e9 pass\u00edvel de multa? O que o condom\u00ednio pro\u00edbe? Que horas recolhem o lixo? Que hora as lojas abrem e fecham? Quais formas de pagamento o supermercado perto de casa aceita? Busque online, v\u00e1 ao consulado do pa\u00eds no Brasil e converse com funcion\u00e1rios, fa\u00e7a toda a pesquisa que puder.<\/p>\n<p>Muito daquilo que voc\u00ea dava como certo no Brasil e nem cogitava que pudesse ser diferente em outro lugar, para sua surpresa, ser\u00e1 diferente. Voc\u00ea vai descobrir que coisas que acreditava serem universais, como por exemplo, poder pagar uma conta no banco (presencial ou online) n\u00e3o s\u00e3o. E, por mais que voc\u00ea estude, tem coisas que s\u00f3 vai descobrir quando chegar l\u00e1, e, geralmente, passando perrengue. Se puder conversar com brasileiros que moram no local, fa\u00e7a. Vai te poupar muitos erros.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de culpa, pelas pessoas que voc\u00ea deixou. Fam\u00edlia, idosos que podem vir a precisar de voc\u00ea, at\u00e9 mesmo filhos. N\u00e3o tem jeito, \u00e9 um sentimento com o qual voc\u00ea ter\u00e1 que aprender a lidar (e que fica mais suave com o tempo), afinal, n\u00e3o faz sentido que algu\u00e9m tenha que ficar em um pa\u00eds ruim e viver infeliz s\u00f3 para n\u00e3o se sentir culpado. Pense da seguinte forma: quando voc\u00ea estiver bem-sucedido, pode levar quem voc\u00ea quiser para perto, voc\u00ea est\u00e1 apenas em uma jornada de separa\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria.<\/p>\n<p>Tenha em mente que todo o estranhamento, o choque, o n\u00e3o-pertencimento inicial n\u00e3o querem dizer que voc\u00ea n\u00e3o sirva para esse pa\u00eds. Qualquer pessoa que troca de pa\u00eds sente isso. \u00c9 como passar pela arrebenta\u00e7\u00e3o na praia: voc\u00ea vai entrando no mar, apanhando, tomando onda na cabe\u00e7a, caindo, rolando, sendo derrubado, mas insiste, at\u00e9 que passa pela arrebenta\u00e7\u00e3o e vem uma gostosa calmaria. Persista e voc\u00ea vai se adaptar e ser t\u00e3o feliz como seria no Brasil \u2013 ou mais.<\/p>\n<p>O fato de estar triste, solit\u00e1rio, infeliz e deslocado n\u00e3o \u00e9 sinal de que n\u00e3o deu certo, \u00e9 sinal de que voc\u00ea ainda est\u00e1 em um processo de adapta\u00e7\u00e3o. Dificilmente algu\u00e9m est\u00e1 adaptado antes de um ano. Um ano \u00e9 o tempo m\u00ednimo para que a pessoa comece a se sentir mais confort\u00e1vel no novo pa\u00eds. Antes disso, \u00e9 desconforto mesmo. Desconforto, medo, frustra\u00e7\u00e3o, culpa, tristeza, saudade. Mas passa. E \u00e9 por um motivo nobre: ter qualidade de vida, seguran\u00e7a e estabilidade.<\/p>\n<p>No come\u00e7o vai ser especialmente dif\u00edcil pois provavelmente voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 acesso a aquilo que era o seu lazer, o que voc\u00ea usava para desestressar, desopilar. Futebol na praia, barzinho com amigos, domingo em fam\u00edlia&#8230; seja l\u00e1 qual for a maneira pela que voc\u00ea recarregava as baterias, provavelmente n\u00e3o estar\u00e1 mais dispon\u00edvel. <\/p>\n<p>O que significa que voc\u00ea vai ter que encontrar novas formas, dentro das limita\u00e7\u00f5es que as circunst\u00e2ncias v\u00e3o impor. O que, por sua vez, significa que voc\u00ea n\u00e3o vai ter como desopilar por um tempo, at\u00e9 encontrar essas formas. N\u00e3o tem jeito, \u00e9 tentativa e erro: experimentar coisas novas at\u00e9 descobrir algumas de que goste. Por sinal, todo mundo deveria fazer isso na vida, em vez de ficar apegado ao mesmo lazer. Repita o mantra: depois de um ano, tudo vai melhorar.<\/p>\n<p>\u00c9 curioso como as pessoas conseguem sublimar um desconforto inicial em nome de um ganho futuro em quest\u00f5es mais f\u00fateis, mas n\u00e3o conseguem faz\u00ea-lo em quest\u00f5es mais importantes. Todo mundo sabe que se fizer uma cirurgia pl\u00e1stica o p\u00f3s-operat\u00f3rio vai doer, vai ser desconfort\u00e1vel, vai ter limita\u00e7\u00f5es. Mas as pessoas fazem mesmo assim, pois querem remover a gordura, querem outro nariz, querem outro peito.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando \u00e9 algo da magnitude de mudar de pa\u00eds para ter uma vida melhor e dar uma vida melhor aos filhos, eu n\u00e3o vejo a mesma garra. Talvez as pessoas tenham a ilus\u00e3o de que vai ser muito mais f\u00e1cil do que elas pensam e o choque fa\u00e7a com que n\u00e3o tenham estrutura para seguir em frente. Por isso eu te digo, eu te garanto, eu te juro: aguenta, que melhora com o tempo. Sua vida no novo pa\u00eds n\u00e3o vai ser sempre o sofrimento e perrengue dos primeiros anos. Melhora.<\/p>\n<p>Mesmo ciente de tudo isso, em algumas horas o desespero vai bater. O saco cheio vai bater. A exaust\u00e3o vai bater. Nessas horas \u00e9 fundamental de que voc\u00ea se lembre que vai melhorar, desde que voc\u00ea fa\u00e7a por onde. Sua postura \u00e9 fundamental. Se voc\u00ea n\u00e3o estiver disposto a se moldar \u00e0 nova realidade, vai ser um tormento.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso estar aberto a abra\u00e7ar uma nova cultura, estar ciente de que para obter os muitos benef\u00edcios do pa\u00eds que voc\u00ea escolheu vai ter que abrir m\u00e3o de coisas que voc\u00ea gosta (j\u00e1 vi gente voltar ao Brasil pois n\u00e3o tinha feij\u00e3o no pa\u00eds onde a pessoa estava!) e \u00e9 preciso que se fa\u00e7a esfor\u00e7o di\u00e1rio para adapta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fique com raiva do novo pa\u00eds, n\u00e3o pegue birra do novo pa\u00eds, n\u00e3o alimente implic\u00e2ncia com o novo pa\u00eds. <\/p>\n<p>E muito cuidado com o que eu chamo de \u201cs\u00edndrome de ex\u201d. Quando um relacionamento termina, por pior que ele estivesse, a gente tende apenas a focar no que perdeu, fica lembrando apenas das coisas boas do ex e esquece todas as cagadas, problemas e diferen\u00e7as. <\/p>\n<p>\u00c9 comum que as pessoas fa\u00e7am o mesmo quando saem do pa\u00eds: romantizam o Brasil, s\u00f3 lembram das coisas boas, atenuam os in\u00fameros defeitos, achando que n\u00e3o s\u00e3o tantos nem s\u00e3o graves. N\u00e3o caia nessa, \u00e9 s\u00f3 o medo te manipulando, querendo te fazer voltar para o que \u00e9 conhecido. Uma banheira de merda \u00e9 quentinha e confort\u00e1vel, mas ainda \u00e9 de merda.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o a outro pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 um processo passivo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 chegar e esperar at\u00e9 voc\u00ea se acostumar. \u00c9 um processo ativo. Voc\u00ea tem que estudar, compreender aquela sociedade e procurar coisas, comidas, lugares e lazer que te agradem. \u00c9 um processo demorado, onde \u00e9 indispens\u00e1vel saber lidar com frustra\u00e7\u00e3o: de cada 5 coisas que voc\u00ea tentar, s\u00f3 vai gostar de uma e isso n\u00e3o quer dizer que o lugar seja uma merda, quer dizer que voc\u00ea est\u00e1 aprendendo sobre ele. Garanto que voc\u00ea n\u00e3o gostava de tudo no Brasil. <\/p>\n<p>Ajuda muito nesse processo se voc\u00ea tiver um \u201cporto seguro\u201d, uma pessoa com a qual possa conversar, desabafar, pedir conselhos sempre que bater o desespero. Se voc\u00ea tem um bom amigo capaz de fazer esse papel, pe\u00e7a para que ele seja seu curador de adapta\u00e7\u00e3o e acione-o sempre que precisar.<\/p>\n<p>E, muito importante: desapega. Tem que sair do Brasil e deixar o Brasil sair de voc\u00ea. N\u00e3o d\u00e1 para ir a outro pa\u00eds esperando \u201cUm Brasil com neve\u201d ou \u201cUm Brasil que paga em d\u00f3lar\u201d. N\u00e3o vai ser Brasil em nenhum outro lugar. N\u00e3o procure Brasil onde voc\u00ea est\u00e1. Desapega do Brasil e voc\u00ea vai ver que muitas das coisas que voc\u00ea gosta no Brasil s\u00e3o apenas costume\/falta de op\u00e7\u00e3o\/condicionamento e que existem muitas outras op\u00e7\u00f5es no novo pa\u00eds que v\u00e3o te conquistar e te fazer feliz.<\/p>\n<p>Bateu o desespero? Respira fundo e pensa que vai melhorar. Respira fundo e conversa com algu\u00e9m. Respira fundo e vai fazer algo que recarregue sua bateria e reduza seu estresse. Voltar ao Brasil \u00e9 como voltar com aquele seu ex que te agredia s\u00f3 por ser mais f\u00e1cil, j\u00e1 que ao menos voc\u00ea o conhecia bem. <\/p>\n<p>Eu j\u00e1 mudei de bairro, de cidade, de estado e de pa\u00eds, portanto, se voc\u00ea est\u00e1 sofrendo para se adaptar a um novo pa\u00eds, n\u00e3o tem nada que voc\u00ea esteja sentindo que eu n\u00e3o tenha sentido. Pode deixar seu coment\u00e1rio aqui (inclusive an\u00f4nimo, para preservar sua privacidade) que a gente conversa e certamente voc\u00ea vai se sentir melhor.<\/p>\n<p>E, por fim, o conselho mais importante de todos: saia do pa\u00eds pelas raz\u00f5es certas, ou seja, por n\u00e3o estar satisfeito com o pa\u00eds. Se voc\u00ea est\u00e1 saindo por outro motivo, como por exemplo para recome\u00e7ar do zero pois sua vida n\u00e3o te agrada, n\u00e3o vai dar certo. O c\u00e9u e o inferno s\u00e3o port\u00e1teis, eles v\u00e3o com a gente, onde quer que a gente v\u00e1. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se a sua mente n\u00e3o est\u00e1 em um bom lugar, sua vida n\u00e3o ser\u00e1 boa no Brasil, na Fran\u00e7a ou na Austr\u00e1lia. Mudar o cen\u00e1rio n\u00e3o muda sua vida, mudar sua mente muda sua vida.<\/p>\n<p>\u00c9 isso, espero que nossa nova coluna ajude de alguma forma.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/o-brasil-tem-saida\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">ACESSE AQUI<\/a><\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que tem coisas que s\u00f3 o Desfavor faz por voc\u00ea, para dizer que os outros povos s\u00e3o muito frios (o brasileiro \u00e9 que \u00e9 informal demais) ou ainda para dizer que feij\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia de estreia no Desfavor! Estamos implementando uma novidade para tentar melhorar a qualidade de vida do leitor e este texto \u00e9 sua introdu\u00e7\u00e3o: uma coluna permanente chamada \u201cO Brasil Tem Sa\u00edda\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21633,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-21632","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-bonus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21632\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}