{"id":21735,"date":"2023-06-30T12:20:29","date_gmt":"2023-06-30T15:20:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=21735"},"modified":"2023-06-30T12:20:29","modified_gmt":"2023-06-30T15:20:29","slug":"design-mutante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/06\/design-mutante\/","title":{"rendered":"Design mutante."},"content":{"rendered":"<p>Final de m\u00eas, hora do texto sugerido pelos leitores. Dessa vez, eu resolvi seguir a sugest\u00e3o do Ge sobre design. \u201cExplicar o porqu\u00ea das escolhas das empresas em mudarem os designs das coisas, dos produtos, das interfaces etc.\u201d Eu poderia explicar isso de um jeito pol\u00edtico que exaltasse todo o trabalho que profissionais de design e marketing tem no dia a dia, mas estamos no Desfavor. Eu posso fazer um pouco diferente&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>Por isso, quero falar sobre ilus\u00e3o de esfor\u00e7o, senso de atualidade e t\u00e9dio. S\u00e3o essas as tr\u00eas for\u00e7as que carregam a parte mais superficial do design no mundo moderno. S\u00f3 que antes de ir para o lado c\u00ednico da coisa, vamos fazer uma parada nas fun\u00e7\u00f5es reais do design: comunica\u00e7\u00e3o e usabilidade.<\/p>\n<p>Sempre digo para meus estagi\u00e1rios que fazer design \u00e9 diferente de fazer arte. Quando voc\u00ea \u00e9 contratado para fazer design, sua express\u00e3o \u00e9 secund\u00e1ria \u00e0 utilidade do que est\u00e1 fazendo. Um site pode ser bonito, \u00e9 claro, mas antes de tudo ele tem que exibir informa\u00e7\u00f5es de forma l\u00f3gica e simples. Explore sua criatividade s\u00f3 depois que o b\u00e1sico est\u00e1 funcionando.<\/p>\n<p>Se o seu site vende celulares, a pessoa que acessa tem que ver o celular que voc\u00ea vende, ser convencida que ele \u00e9 um bom investimento e ter um caminho simples para realizar a compra. N\u00e3o tem foto, desenho ou composi\u00e7\u00e3o visual que compense falhar numa dessas coisas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, se o site for lento, confuso ou tiver defeitos, l\u00e1 se vai todo o esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o e convencimento. Design \u00e9 um trabalho que visa resultados previs\u00edveis: tem que funcionar bem para a maioria das pessoas, n\u00e3o \u00e9 uma obra de arte que cada um pode interpretar de um jeito, ou pior ainda, que s\u00f3 uma minoria pode entender. Temos que ser \u00f3bvios e abrangentes antes de sermos bonitos.<\/p>\n<p>Dito isso, tem um motivo nobre para tantas mudan\u00e7as em design de produtos, sites e materiais de comunica\u00e7\u00e3o em geral: a humanidade tem uma cultura compartilhada que est\u00e1 em eterno movimento. O que era \u00f3bvio numa d\u00e9cada n\u00e3o \u00e9 mais na seguinte, as refer\u00eancias que uma gera\u00e7\u00e3o entende n\u00e3o s\u00e3o as mesmas que a pr\u00f3xima. E mesmo dentro de uma vida, uma pessoa pode mudar de ideia in\u00fameras vezes.<\/p>\n<p>Exemplo: no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, a publicidade era muito literal e n\u00e3o tinha quase nenhuma regula\u00e7\u00e3o. As pe\u00e7as publicit\u00e1rias diziam o que era o benef\u00edcio do produto, podendo provar ou n\u00e3o. Diziam que cigarro fazia bem e que os m\u00e9dicos aprovavam. As pessoas n\u00e3o desconfiavam, n\u00e3o reclamavam. O tempo passou e a humanidade ficou muito mais c\u00e9tica com esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o das empresas, al\u00e9m do surgimento de legisla\u00e7\u00e3o para colocar limite nas mentiras. Por isso come\u00e7ou uma era de falar sobre o que o produto fazia de forma mais indireta, com trocadilhos, met\u00e1foras e humor. O design de quem diz que seu t\u00f4nico cura todas as doen\u00e7as \u00e9 diferente do design de quem diz que seu multivitam\u00ednico \u00e9 saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>A mensagem muda o design: se voc\u00ea pode dizer que um produto com certeza vai tornar sua vida melhor, voc\u00ea s\u00f3 escreve isso. Se voc\u00ea n\u00e3o pode mais dizer, tem que sugerir algo com imagens e frases mais indiretas. Eu sempre brinco com meus clientes que quando eles est\u00e3o dando brindes ou oferecendo amostras gr\u00e1tis de produtos e servi\u00e7os, n\u00e3o precisa inventar nada: \u00e9 s\u00f3 escrever que \u00e9 de gra\u00e7a. Nenhuma imagem ou frase bem bolada \u00e9 mais forte do que isso.<\/p>\n<p>O que isso quer dizer sobre a mudan\u00e7a constante de designs no mercado? Que o mundo muda e a mente das pessoas muda tamb\u00e9m. Se voc\u00ea ficar parado com o mesmo design e comunica\u00e7\u00e3o, vai ficando travado no tempo e abrindo oportunidades para concorrentes que se comunicam melhor com o novo \u201cesp\u00edrito do tempo\u201d. A cultura humana n\u00e3o para quieta e dependendo do tipo de mercado que voc\u00ea est\u00e1, os concorrentes n\u00e3o param de aparecer.<\/p>\n<p>Se a Apple ficasse com seus produtos no mesmo layout dos anos 80, pareceria um dinossauro em compara\u00e7\u00e3o com o estilo de design colorido e cheio de efeitos dos anos 2000. Na cabe\u00e7a do consumidor, seus produtos pareceriam velhos, porque remetem a outro momento cultural. O cidad\u00e3o m\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 especialista em basicamente nada do que consome. N\u00e3o adianta dizer que sua tecnologia \u00e9 recente, tem que \u201cdesenhar\u201d para ele.<\/p>\n<p>E uma das formas de desenhar para o cidad\u00e3o que o produto \u00e9 atual \u00e9 beber da fonte da cultura vigente e adaptar seu visual para refletir isso. Design tem modas assim como a&#8230; moda. Eu me lembro do estilo grunge cheio de efeitos sujos e letras diferentes da metade dos anos 90, depois lembro de tudo parecendo pl\u00e1stico colorido no come\u00e7o dos anos 2000, antes de entrarmos numa fase superminimalista, que agora come\u00e7a a dar espa\u00e7o para mais cores e efeitos novamente. N\u00e3o existe uma l\u00f3gica muito forte por tr\u00e1s de modas, s\u00e3o s\u00f3 coisas que as pessoas gostam por um tempo.<\/p>\n<p>E o design, como n\u00e3o \u00e9 arte, precisa correr atr\u00e1s dessas modas para passar as mensagens certas. Certas no sentido de parecerem atuais. Algumas marcas se beneficiam de parecerem antigas, cl\u00e1ssicas, mas boa parte tem que manter o senso de atualidade. Tem sites que eu fiz em 2013 que ainda considero de alta qualidade, mas que j\u00e1 caducaram visualmente. O que a moda do tempo e as possibilidades tecnol\u00f3gicas me permitiam naquele tempo n\u00e3o \u00e9 mais condizente com o que se faz agora.<\/p>\n<p>Ser atual \u00e9 seguir modas para parecer atual, mas tamb\u00e9m \u00e9 aproveitar novas oportunidades que s\u00f3 o passar do tempo te oferece. Lembro que quando comecei a trabalhar com design de sites, um dos navegadores mais populares, o Internet Explorer (que agora virou Edge) era sofrimento puro: ele n\u00e3o aceitava nenhuma das tecnologias novas, o usu\u00e1rio m\u00e9dio n\u00e3o o atualizava (por n\u00e3o saber como fazer e\/ou n\u00e3o se importar), e por isso todo site ficava travado num visual de uns 5 ou 6 anos atr\u00e1s para n\u00e3o alienar mais da metade dos usu\u00e1rios que usava esse navegador jur\u00e1ssico.<\/p>\n<p>A tecnologia atual for\u00e7a todo mundo a atualizar, e tirando o Firefox, todos os navegadores atuais s\u00e3o o Chrome do Google com um visual diferente. Agora eu sei que posso usar tudo o que tem de mais novo nas tecnologias de web e que isso vai rodar em todos os computadores e smartphones. Design muda tamb\u00e9m por essas demandas represadas.<\/p>\n<p>E eu s\u00f3 estou falando de sites porque \u00e9 o que eu mais mexo no dia a dia, mas isso \u00e9 v\u00e1lido tamb\u00e9m para produtos: quando a tecnologia muda, miniaturizando pe\u00e7as que eram grandes, quando materiais ficam mais baratos, quando novas conex\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis, os designs mudam para se aproveitar dessas mudan\u00e7as. Quase sempre eram coisas que os designers j\u00e1 queriam fazer faz tempo, mas que os engenheiros n\u00e3o deixavam por impossibilidade t\u00e9cnica ou por custo. Assim que uma tecnologia fica dispon\u00edvel, esses desejos s\u00e3o concedidos.<\/p>\n<p>\u00c9 bem prov\u00e1vel que toda vez que voc\u00ea veja um produto mudando de visual, \u00e9 porque tem um designer que estava enchendo a paci\u00eancia dos engenheiros h\u00e1 alguns anos para fazer aquilo. Por mais que voc\u00ea tenha se acostumado como um produto funciona ou como se parece, sempre tem uma outra ideia esperando para ser implementada. Os bons designers est\u00e3o sempre pensando em como tornar aquele produto mais eficiente e intuitivo, e como \u00e9 basicamente imposs\u00edvel criar um produto que a humanidade toda goste, \u00e9 um processo que n\u00e3o deve parar, nunca.<\/p>\n<p>E, \u00e9 claro, como eu disse no come\u00e7o do texto, tem a parte mais c\u00ednica da coisa: quem paga gosta de acreditar que est\u00e1 conseguindo o m\u00e1ximo de valor no seu dinheiro. Por isso temos uma cultura imbecil de parecermos sempre ocupados e complicar trabalhos que deveriam ser simples. Infelizmente, isso acontece com designers de produtos e interfaces (como aplicativos e sites).<\/p>\n<p>Se eles n\u00e3o estiverem o tempo todo procurando cabelo em ovo, \u00e9 poss\u00edvel que seus chefes n\u00e3o enxerguem mais valor neles e os substituam por quem est\u00e1 disposto a fazer esse teatrinho. J\u00e1 aconteceu comigo algumas vezes de fazer um material gr\u00e1fico que eu considerava perfeito no equil\u00edbrio entre visual limpo e informa\u00e7\u00e3o bem explicada s\u00f3 para o cliente reclamar que estava muito \u201csimples\u2019. Eu j\u00e1 sei o que isso quer dizer, a tecla SAP \u00e9: \u201ceu acho que voc\u00ea trabalhou pouco nisso e quero saber que voc\u00ea gastou mais tempo para sentir que meu dinheiro foi bem gasto.\u201d<\/p>\n<p>Nem reclamo mais, j\u00e1 conhe\u00e7o v\u00e1rios atalhos visuais para simular que passei dias sofrendo com aquilo sem estragar demais o que eu realmente acho que vai ajudar o cliente. Gente que reclama de artes muito simples quase sempre s\u00f3 quer essa massagem no ego de que gastou dinheiro por um trabalho infernal do outro. N\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o fa\u00e7a trabalhos dif\u00edceis, e sim que \u00e0s vezes o mais simples simplesmente&#8230; funciona. Fica bonito e f\u00e1cil de entender. A fun\u00e7\u00e3o do design est\u00e1 cumprida. O simples de um profissional \u00e9 diferente do simples de um amador.<\/p>\n<p>Mas infelizmente o amador n\u00e3o tem essa no\u00e7\u00e3o. Existem motivos nobres e pr\u00e1ticos para ficar mexendo no design das coisas o tempo todo, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma falha psicol\u00f3gica no comprador: morrem de medo de terem desperdi\u00e7ado dinheiro, afinal, n\u00e3o tem o conhecimento necess\u00e1rio para entender que o importante \u00e9 funcionar e deixar o cliente dele feliz, n\u00e3o parecer que deu um trabalh\u00e3o para fazer.<\/p>\n<p>Muita gente acha que o simples \u00e9 pregui\u00e7a. \u00c0s vezes o simples \u00e9 manter um design que est\u00e1 funcionando, mas nem sempre isso entra na cabe\u00e7a de quem est\u00e1 pagando pelo servi\u00e7o. Todo mundo quer demonstrar que est\u00e1 trabalhando para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o de superiores, e muitas vezes essa sanha de se mostrar ocupado cai nas costas do pessoal de design. \u00c9 mais f\u00e1cil demonstrar que est\u00e1 trabalhando se continuar fazendo altera\u00e7\u00f5es no visual das coisas, a parte mais \u00f3bvia de perceber para CEOs e acionistas.<\/p>\n<p>Existem for\u00e7as pr\u00e1ticas e muito \u00fateis mudando o design de produtos e interfaces com o passar do tempo, mas n\u00e3o s\u00e3o apenas elas em a\u00e7\u00e3o. Designs mudam para passar impress\u00e3o de atualidade e barrar concorrentes prometendo inova\u00e7\u00e3o, mudam para acalmar executivos que precisam mostrar servi\u00e7o para quem investe o dinheiro, e mudam tamb\u00e9m por mais um motivo tecnicamente in\u00fatil: o efeito paisagem, ou, t\u00e9dio.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro trabalha reconhecendo padr\u00f5es. E quando ele reconhece um, arquiva feliz da vida na sua mem\u00f3ria para usar mais tarde. O problema disso \u00e9 que quanto mais voc\u00ea olha, ouve ou at\u00e9 mesmo cheira alguma coisa, menos o c\u00e9rebro se importa em te avisar disso. \u00c9 o efeito paisagem no design, depois de muito tempo com o mesmo visual, \u00e9 natural que deixemos de prestar aten\u00e7\u00e3o naquilo. Por isso mesmo as pe\u00e7as publicit\u00e1rias mais famosas s\u00e3o trocadas depois de um tempo: simplesmente n\u00e3o chamam mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 um mecanismo evolutivo dar mais aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 mudando do que o que est\u00e1 est\u00e1tico. E como design \u00e9 uma ferramenta publicit\u00e1ria, depende disso tamb\u00e9m. N\u00e3o d\u00e1 para manter o mesmo visual para sempre, por melhor que ele seja. Eventualmente ele vira paisagem e n\u00e3o chama mais aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que o concorrente chega com uma pequena varia\u00e7\u00e3o e come\u00e7a a tomar seus clientes. Lembrando que quase ningu\u00e9m \u00e9 especialista no que consome e nem sabe por que uma coisa \u00e9 melhor que a outra.<\/p>\n<p>A coisa diferente ativa os neur\u00f4nios, e em um cliente potencial que n\u00e3o sabe quais s\u00e3o as diferen\u00e7as t\u00e9cnicas, isso \u00e9 o suficiente para gerar uma venda. \u00c9 besta, mas \u00e9 humano. E quanto mais voc\u00ea estuda design, mais percebe como esses fatores psicol\u00f3gicos aparentemente in\u00fateis s\u00e3o extremamente importantes para continuar vi\u00e1vel no mercado.<\/p>\n<p>Tem explica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para muita coisa, mas sim, voc\u00ea est\u00e1 certo quando acha que mudaram alguma coisa sem motivo pr\u00e1tico para usar ou entender o produto ou interface, \u00e9 apenas o design se adaptando \u00e0 pe\u00e7a inconstante atr\u00e1s do monitor.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu sou um farsante, para dizer que cliente \u00e9 a pior parte de qualquer trabalho, ou mesmo para dizer que ainda acha tudo uma grande estupidez (\u00e0s vezes \u00e9 mesmo): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Final de m\u00eas, hora do texto sugerido pelos leitores. 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