{"id":21810,"date":"2023-07-20T12:19:53","date_gmt":"2023-07-20T15:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=21810"},"modified":"2025-11-14T16:42:17","modified_gmt":"2025-11-14T19:42:17","slug":"prova-com-consulta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/07\/prova-com-consulta\/","title":{"rendered":"Prova com consulta."},"content":{"rendered":"<p>Hoje quero defender uma opini\u00e3o bastante impopular, mas sobre a qual tenho muita convic\u00e7\u00e3o: salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, todas as provas usadas para aferir qualquer conhecimento deveriam ser com consulta.<!--more--><\/p>\n<p>Entendo que antigamente a prova sem consulta fosse de fato o modelo mais adequado: quando a informa\u00e7\u00e3o era privil\u00e9gio de uma elite e era de dif\u00edcil acesso, a forma como se lidava com ela era como se lida com a escassez de qualquer recurso: tentar reter o m\u00e1ximo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Quem tinha o privil\u00e9gio de ter acesso a um livro tentava memorizar o m\u00e1ximo que podia essa informa\u00e7\u00e3o e, quem conseguia, se tornava valioso no mercado: conversar com essa pessoa, contratar essa pessoa, ter essa pessoa por perto, era uma forma de tamb\u00e9m ter acesso a essa informa\u00e7\u00e3o de t\u00e3o dif\u00edcil acesso, que na maior parte das vezes, n\u00e3o poderia ser obtida de outra forma.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o mundo mudou. Hoje o problema principal n\u00e3o \u00e9 o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e sim saber filtrar, compreender e aplicar a abundante informa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 dispon\u00edvel. Seria apenas l\u00f3gico que todo o sistema educacional e at\u00e9 mesmo concursos p\u00fablicos se adequem a isso e repensem a forma pela qual medir\u00e3o o m\u00e9rito em seu processo seletivo.<\/p>\n<p>No per\u00edodo da minha vida em que dei aula, sempre fiz quest\u00e3o de aplicar provas com consulta. Era curioso ver a cara de alegria dos alunos quando eu informava que poderiam consultar durante a prova. Havia uma certeza de que tudo seria mais f\u00e1cil. Entretanto, minhas provas costumavam ter uma m\u00e9dia de nota muito mais baixa do que as demais mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>Prova com consulta n\u00e3o \u00e9 \u201cf\u00e1cil\u201d. Prova com consulta s\u00f3 \u00e9 f\u00e1cil se quem a aplica usar o mindset de prova sem consulta e fizer perguntas \u201cdecoreba\u201d. Obviamente, se voc\u00ea faz perguntas que demandam apenas memoriza\u00e7\u00e3o, fica muito f\u00e1cil responder quando voc\u00ea tem acesso ao material que deveria decorar.<\/p>\n<p>Mas, uma prova com consulta que te obrigue a pensar, raciocinar, compreender o texto e solucionar impasses, dilemas, contradi\u00e7\u00f5es e problemas envolvendo esse texto \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Pensar \u00e9 dif\u00edcil. Compreender o que se consulta, combinando diferentes informa\u00e7\u00f5es e dando a elas uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Em uma realidade na qual a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 amplamente dispon\u00edvel, a capacidade de reter informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria valorizar ningu\u00e9m. O Google faz isso por qualquer profissional, basta ter dedo e saber teclar. A informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a um clique de qualquer um.<\/p>\n<p>O que deveria ser valorizado atualmente \u00e9 saber separar informa\u00e7\u00e3o verdadeira de falsa, saber reconhecer fontes que tenham credibilidade, compreender a informa\u00e7\u00e3o e aplic\u00e1-la a situa\u00e7\u00f5es nas quais ela possa ser \u00fatil e, por fim, saber replic\u00e1-la de forma simples, did\u00e1tica e acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Hoje, decorar (no sentido de memorizar) \u00e9 in\u00fatil. Decorar \u00e9 ofensivo. Decorar toma tempo e disponibilidade que poderiam ser utilizados para aprender, raciocinar e dar um uso pr\u00e1tico, criativo e inovador \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Em vez de decorar, \u00e9 preciso ensinar a linkar uma informa\u00e7\u00e3o \u00e0 outra para criar algo novo, solucionar problemas ou otimizar processos.<\/p>\n<p>Quando eu era professora, nunca valorizei aluno que memorizava informa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Eu queria gente que resolva. Pode consultar lei, pode consultar livro did\u00e1tico, pode consultar a B\u00edblia. De nada adianta um profissional que memorizou todo o livro mas n\u00e3o sabe aplicar, n\u00e3o resolve o problema. E, acreditem, saber a teoria nem de longe resolve o problema.<\/p>\n<p>Infelzimente, no Brasil, ainda vigora essa cren\u00e7a idiota de que conhecimento \u00e9 sin\u00f4nimo de informa\u00e7\u00e3o decorada. E n\u00e3o me refiro apenas a escolas ou concursos p\u00fablicos, mas tamb\u00e9m na cabe\u00e7a de cada um dos brasileiros. \u00c9 hora disso mudar. Decorar n\u00e3o vale nada no contexto atual. \u00c9 preciso saber 1) onde encontrar informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel; 2) conseguir compreender essa informa\u00e7\u00e3o e 3) saber aplic\u00e1-la para melhorar a vida, solucionar problemas ou inovar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mesmo que a sociedade esteja atrasada e ainda valorize decoreba, adiante-se e comece a valorizar e desenvolver esses tr\u00eas quesitos. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 eles serem muito valorizados \u2013 e quando acontecer, voc\u00ea j\u00e1 estar\u00e1 muito \u00e0 frente da maioria.<\/p>\n<p>Mesmo que voc\u00ea n\u00e3o seja um educador, desenvolva estas prioridades em voc\u00ea, em vez de tentar reter o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o que consegue. Fazendo isso voc\u00ea vai perceber rapidamente um ganho na qualidade do seu trabalho. Gastar tempo e energia nas prioridades erradas \u00e9 uma das furadas que mais atrasa as pessoas na vida profissional.<\/p>\n<p>A quantidade de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 relevante, o relevante \u00e9 o que voc\u00ea faz com ela. N\u00e3o adianta ser um mero repetidor, que conhece tudo sobre o assunto, se n\u00e3o sabe aplicar esse conhecimento, fazer algo \u00fatil com ele, melhorar o mundo, seu trabalho ou a vida dos seus clientes. A era do conhecimento pelo conhecimento acabou, prepare-se para a era do conhecimento aplicado.<\/p>\n<p>Sim, como tudo na vida provavelmente existem exce\u00e7\u00f5es. Talvez pessoas com trabalhos, of\u00edcios ou fun\u00e7\u00f5es que demandem uma resposta r\u00e1pida precisem de alguma informa\u00e7\u00e3o decorada. Um m\u00e9dico precisa saber o que fazer no caso de uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica com o paciente, pois n\u00e3o ter\u00e1 tempo de pesquisar. Mas, no geral, para reles mortais como n\u00f3s, \u00e9 mais necess\u00e1rio priorizar a forma como selecionamos, compreendemos e aplicamos esse conhecimento.<\/p>\n<p>E, que fique claro, eu n\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o tem que estudar. Estudar \u00e9 importante, necess\u00e1rio e v\u00e1lido. Sempre.<\/p>\n<p>\u00c9 estudando que a gente aprende. Estudar \u00e9 essencial n\u00e3o apenas para aprender determinado assunto, mas tamb\u00e9m para manter seu c\u00e9rebro saud\u00e1vel, criando cada vez mais conex\u00f5es e deixando voc\u00ea cada vez mais \u201cinteligente\u201d. A quantidade e qualidade de outputs (ideias) que voc\u00ea tem \u00e9 proporcional \u00e0 quantidade e qualidade de inputs (conhecimento) que voc\u00ea coloca para dentro.<\/p>\n<p>Para que voc\u00ea possa aplicar cada vez melhor o conte\u00fado que aprende, \u00e9 necess\u00e1rio acumular informa\u00e7\u00e3o. E s\u00f3 se acumula informa\u00e7\u00e3o aprendendo, pois decorando voc\u00ea n\u00e3o a compreende e dificilmente ela ser\u00e1 fixada no seu c\u00e9rebro por muito tempo ou receber\u00e1 uma utilidade pr\u00e1tica. E uma das formas mais r\u00e1pidas de aprendizado \u00e9 estudando.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 foi dito, estudar (e consequentemente, aprender) \u00e9 diferente de decorar. Mas, como vivemos em uma sociedade maluca, para muitos acaba sendo sin\u00f4nimo. N\u00e3o se deixe enganar por uma maioria louca: estudar \u00e9 buscar por uma informa\u00e7\u00e3o, acess\u00e1-la, compreend\u00ea-la e utiliz\u00e1-la de forma pr\u00e1tica de modo a melhorar a sua vida ou a vida de outros. Decorar \u00e9 memorizar um conte\u00fado.<\/p>\n<p>&#8220;Mas Sally, como sei se estudo aprendendo ou decorando?\u201d. Vou te dar algumas dicas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue reproduzir o conte\u00fado com as suas pr\u00f3prias palavras? Se voc\u00ea consegue descrever o conte\u00fado com as suas palavras, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha aprendido. Por exemplo, se eu te pedisse para contar a algu\u00e9m sobre este texto, o que voc\u00ea diria? Se voc\u00ea repetir trechos do texto, provavelmente n\u00e3o aprendeu o que est\u00e1 aqui (falha minha na did\u00e1tica, no caso). Mas, se voc\u00ea \u00e9 capaz de reproduzir com as suas palavras, sem usar as minhas, citando os aspectos principais de forma coerente e fiel \u00e0 premissa, houve aprendizado.<\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue ensinar o conte\u00fado para outras pessoas que n\u00e3o estejam familiarizadas com ele? Veja bem, reproduzir o conte\u00fado \u00e9 diferente de ensinar. Ensinar significa conseguir dizer de diferentes formas at\u00e9 a pessoa compreender e, al\u00e9m disso, fornecer informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que permitam que a pessoa tenha todos os elementos para compreens\u00e3o. Ensinar \u00e9 mais dif\u00edcil do que reproduzir um conte\u00fado. S\u00f3 consegue ensinar quem realmente aprendeu. Minha forma favorita de testar se eu sei ensinar algo ou n\u00e3o \u00e9 tentando explicar para uma crian\u00e7a e observando se ela entende.<\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue resumir o conte\u00fado que aprendeu em uma frase? Se consegue sintetizar mantendo sua ess\u00eancia, \u00e9 bem prov\u00e1vel que voc\u00ea tenha aprendido. Por exemplo, voc\u00ea consegue sintetizar o filme \u201cE.T.\u201d em uma frase? Se voc\u00ea precisa dizer \u201ca\u00ed caiu uma nave, tinha um ET dentro e da\u00ed a pol\u00edcia tentou pegar ele, da\u00ed parecia que ele tinha morrido&#8230;\u201d voc\u00ea n\u00e3o aprendeu, voc\u00ea decorou trechos do filme. Quem aprende consegue sintetizar o conte\u00fado em uma frase: \u201cMenino ajuda alien\u00edgena perdido na Terra\u201d ou algo do tipo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue criar analogias? Para conseguir encontrar uma similaridade entre duas coisas distintas e compar\u00e1-las \u00e9 preciso ter aprendido muito bem ambas. Dificilmente quem apenas decorou um conte\u00fado vai conseguir fazer uma analogia com ele. Por exemplo, se eu te digo que \u201co caf\u00e9 \u00e9 minha gasolina\u201d, voc\u00ea saber\u00e1 que carros precisam de gasolina para funcionar, portanto, caf\u00e9 \u00e9 meu combust\u00edvel e sem ele eu n\u00e3o funciono. Para entender isso, voc\u00ea precisa compreender o conceito de caf\u00e9 e de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Voc\u00ea consegue pensar em exemplos pr\u00e1ticos ou aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o conte\u00fado? Se voc\u00ea aprendeu, certamente seu c\u00e9rebro vai conseguir combinar essa informa\u00e7\u00e3o com muitas outras que voc\u00ea j\u00e1 tem e pensar em uma utilidade pr\u00e1tica para ela. Por exemplo, ao compreender que pl\u00e1stico \u00e9 uma subst\u00e2ncia imperme\u00e1vel, voc\u00ea certamente vai optar por se proteger da chuva usando algo pl\u00e1stico e n\u00e3o de papel, por\u00e9m, quando precisar secar algo, n\u00e3o vai usar pl\u00e1stico pois compreendeu que ele n\u00e3o absorve a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Se todos estes itens estiverem presentes, voc\u00ea aprendeu. Ningu\u00e9m que apenas decore consegue coloc\u00e1-los em pr\u00e1tica. Teste agora, com assuntos que voc\u00ea domine (e ver\u00e1 como \u00e9 f\u00e1cil) e com assuntos que voc\u00ea n\u00e3o domine (e ver\u00e1 como \u00e9 dif\u00edcil).<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, eu acessei o conte\u00fado, li com aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sou capaz de fazer nada disso, quer dizer que eu sou burro incapaz de aprender?\u201d. N\u00e3o, quer dizer que quem produziu esse conte\u00fado foi incapaz de te ensinar.<\/p>\n<p>E n\u00e3o estou falando mal de ningu\u00e9m, estou apenas dizendo que aquele estilo n\u00e3o funcionou para voc\u00ea. Certamente existir\u00e1 algu\u00e9m que fale de forma diferente, mais clara, mais palat\u00e1vel, mais atraente e te fa\u00e7a entender. Cabe a voc\u00eas pesquisar e, quando encontrar pessoas das quais tem prazer\/facilidade em obter a informa\u00e7\u00e3o, segui-las (online, por gentileza, nada de stalkear os outros) e transform\u00e1-las em seus curadores de conte\u00fado.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas sobre falar de forma simples ou rebuscada, existem estilos diferentes. At\u00e9 mesmo aqui, entre leigos que s\u00f3 querem um bate-papo podemos ver estilos diferentes entre Somir e eu. \u00c9 natural que aprendamos melhor com quem est\u00e1 alinhado ao nosso estilo. Tem que seja mais direto, tem quem seja mais cient\u00edfico, tem quem seja mais bem-humorado&#8230; tem de tudo! Procure at\u00e9 encontrar algu\u00e9m que fale ou escreva sobre um assunto de um modo que seja atraente para voc\u00ea e ser\u00e1 muito mais f\u00e1cil aprender.<\/p>\n<p>Espero que este texto ajude a entender a import\u00e2ncia do aprender e a desimport\u00e2ncia do decorar. Coloque isso em pr\u00e1tica na sua vida, n\u00e3o apenas nas suas a\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m com o tipo de pessoa que voc\u00ea se cerca, contrata ou trabalha. Prefira pessoas que estudam, que aprendem, quem internalizam o conhecimento, em vez de Z\u00e9 Palestrinha que vive de cuspir informa\u00e7\u00e3o e dados.<\/p>\n<p>E, se voc\u00ea tiver qualquer v\u00ednculo com o meio acad\u00eamico, pense com carinho na ideia da prova com consulta. Elabore quest\u00f5es complexas, nas quais a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja a resposta em si e sim apenas um caminho para chegar na resposta, atrav\u00e9s de racioc\u00ednio. Acredite, o melhor que voc\u00ea faz pela sociedade e pelo seu pa\u00eds \u00e9 reprovar quem n\u00e3o consegue raciocinar e s\u00f3 sabe repetir informa\u00e7\u00e3o. Gente que compreende, raciocina e resolve \u00e9 muito melhor.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que Deus te livre de ser meu aluno, para dizer que todo palestrinha \u00e9 no fundo um burro que n\u00e3o sabe aprender e por isso repete ou ainda para dizer que o ChatGPT se encarrega de interpretar para voc\u00ea: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje quero defender uma opini\u00e3o bastante impopular, mas sobre a qual tenho muita convic\u00e7\u00e3o: salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, todas as provas usadas para aferir qualquer conhecimento deveriam ser com consulta.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21811,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1441],"tags":[],"class_list":["post-21810","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-des-aprenda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21810"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21810\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37837,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21810\/revisions\/37837"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21811"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}