{"id":22122,"date":"2023-09-27T11:52:13","date_gmt":"2023-09-27T14:52:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=22122"},"modified":"2023-09-27T11:52:13","modified_gmt":"2023-09-27T14:52:13","slug":"passado-banal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/09\/passado-banal\/","title":{"rendered":"Passado banal."},"content":{"rendered":"<p>Normalmente se chama pr\u00e9-hist\u00f3ria o per\u00edodo da humanidade anterior \u00e0 escrita. E por um motivo muito pr\u00e1tico: sem uma forma de transformar ideias em algum s\u00edmbolo reconhec\u00edvel, tudo o que podemos fazer \u00e9 presumir. \u00c9 hist\u00f3ria o que deixa registros, \u00e9 pr\u00e9-hist\u00f3ria o que deixa apenas suposi\u00e7\u00f5es. Isso me faz pensar em como a fase atual da humanidade vai ser vista no futuro&#8230; ser\u00e1 que j\u00e1 estamos vivendo uma p\u00f3s-hist\u00f3ria?<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 consenso entre historiadores que as sociedades humanas j\u00e1 estavam bem complexas muito antes de surgirem os primeiros registros escritos descobertos por arque\u00f3logos. At\u00e9 porque encontrar algo escrito depende muito mais de como aquilo foi preservado do que propriamente quando come\u00e7ou a ser feito. Madeira, couro e outros materiais que podem ser usados para escrever desaparecem depois de mil\u00eanios.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m acorda e inventa a escrita: os desenhos dos homens das cavernas sugerem que a ideia de transformar em s\u00edmbolos o que se passava na cabe\u00e7a do macaco pelado vem de muito longe. Faz todo o sentido que tenha sido um processo milenar de refinamento para transformar desenhos de animais selvagens em alguma forma de linguagem visual. E que milhares de anos de registros do dia a dia dos povos antigos tenham simplesmente desaparecido nas areias do tempo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7a com o primeiro uso de escrita, come\u00e7a com o primeiro material escrito que sobreviveu at\u00e9 a era moderna, quando pode ser analisada e replicada.<\/p>\n<p>Por sorte, alguns desses povos antigos deixaram registros em tabletes de barro e pedras. Essas civiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais conhecidas atualmente. Eg\u00edpcios e mesopot\u00e2mios est\u00e3o sempre entre os mais estudados do passado distante justamente porque conseguimos achar mais registros originais deles. Escrever coisas em superf\u00edcies resistentes a mil\u00eanios n\u00e3o estava na lista de prioridades de ningu\u00e9m. Ali\u00e1s, nem hoje em dia.<\/p>\n<p>E isso cria uma escassez sobre o passado que tem tudo a ver com o valor que damos para descobrir mais sobre esses povos t\u00e3o antigos. Considerando o quanto de n\u00f3s vem deles, dos primeiros povos a adotar o estilo sedent\u00e1rio e se sustentar com agricultura e domestica\u00e7\u00e3o de animais, \u00e9 natural que fiquemos curiosos sobre como come\u00e7ou o que fazemos at\u00e9 hoje. A cultura deles \u00e9 a base da nossa.<\/p>\n<p>Mas temos pouco material sobrevivente. Arqueologia como conhecemos hoje \u00e9 uma ci\u00eancia recente. As pessoas n\u00e3o ligavam muito de construir em cima de cidades antigas nem de estragar artefatos antigos. E at\u00e9 por falta de m\u00e9todo cient\u00edfico, muitas das hist\u00f3rias que atravessaram o tempo s\u00e3o uma mistura indecifr\u00e1vel de tradi\u00e7\u00e3o oral, mitologia religiosa e inven\u00e7\u00f5es deslavadas. Estou olhando para voc\u00ea, Plat\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>E tudo com um \u00e2ngulo bem focado em figuras grandiosas: restam hist\u00f3rias sobre reis, imperadores e misturas complicadas entre fato e fic\u00e7\u00e3o. A vida do cidad\u00e3o m\u00e9dio n\u00e3o ficava registrada diretamente. \u00c9 bem prov\u00e1vel que 99% das pessoas que sobreviveram do passado antigo at\u00e9 a cultura moderna tenham sido narcisistas que sa\u00edram do seu caminho para deixar registros. Se voc\u00ea parar para pensar na sua vida cotidiana, n\u00e3o existe demanda para deixar na hist\u00f3ria as coisas que faz.<\/p>\n<p>Por isso, para um historiador ou arque\u00f3logo, poucas coisas s\u00e3o mais fascinantes do que \u201cachar\u201d uma pessoa comum do passado. Primeiro porque o material sobre elas \u00e9 imensamente mais raro, segundo porque \u00e9 uma das melhores oportunidades de ver o passado sem distor\u00e7\u00f5es. A pessoa que paga para deixar sua hist\u00f3ria escrita em pedra provavelmente n\u00e3o vai querer colocar seus podres ali para a posteridade, n\u00e9?<\/p>\n<p>E vou al\u00e9m, talvez o cidad\u00e3o m\u00e9dio s\u00f3 se importe com Cle\u00f3patras e Napole\u00f5es, mas at\u00e9 mesmo um di\u00e1rio de uma pessoa aleat\u00f3ria de uns dois ou tr\u00eas s\u00e9culos atr\u00e1s tem mais utilidade para entender o passado do que qualquer biografia sobre celebridades. O cidad\u00e3o comum do passado \u00e9 fascinante justamente por ser o mais raro a deixar registros, e muito menos propenso a ter seus feitos embelezados (ou distorcidos) por terceiros.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que eu come\u00e7o a pensar no que o ser humano do s\u00e9culo XXI vai deixar para os historiadores. A vida do cidad\u00e3o comum est\u00e1 cada vez mais bem documentada atrav\u00e9s de textos e fotos. E com cada vez mais disso no campo digital, que com certeza n\u00e3o tem a durabilidade de pedra, mas \u00e9 infinitamente mais reprodut\u00edvel. \u00c9 prov\u00e1vel que n\u00e3o guardemos por mil\u00eanios todos os posts de rede social de pessoas aleat\u00f3rias, mas eu duvido muito que daqui h\u00e1 cinco mil anos seja dif\u00edcil ter acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es de hoje.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, eu presumo que o problema do historiador do futuro seja filtrar a avalanche de dados sobre qualquer evento do s\u00e9culo XXI para achar informa\u00e7\u00f5es bem estudadas. Quem quiser saber sobre a pandemia de 2020 vai ter uma quantidade enorme de dados, fatos, negacionismo e todo tipo de insanidade que a humanidade produziu no per\u00edodo. Talvez com uma grande desconex\u00e3o de milhares de anos, seja dif\u00edcil saber o que se passava por verdade no nosso tempo.<\/p>\n<p>\u00c9 o inverso do que temos agora: o cidad\u00e3o comum vai deixar de ser uma pe\u00e7a rara da hist\u00f3ria e vai ser o caos a partir do qual o historiador vai tentar achar algum padr\u00e3o. Seria espetacular se um cidad\u00e3o de Uruk (considerada a primeira cidade moderna) tivesse um acervo preservado de milhares de fotos e pensamentos de rede social, mas s\u00f3 porque seria algo \u00fanico. Se eu ou voc\u00ea deixarmos o mesmo conte\u00fado para o futuro, n\u00e3o vai ter o mesmo impacto.<\/p>\n<p>E isso provavelmente vai impactar a forma como o cidad\u00e3o do futuro enxerga o passado. N\u00f3s olhamos para tr\u00e1s e vemos alguns vultos no meio do deserto do desconhecido, eles v\u00e3o ter de lidar com uma enchente de informa\u00e7\u00e3o in\u00fatil (nem voc\u00ea liga mais para bilion\u00e9sima foto do seu filho, cachorro ou gato) que pode ser bem chata. Talvez t\u00e3o chata que s\u00f3 uma intelig\u00eancia artificial tenha capacidade de analisar.<\/p>\n<p>Dizem que conhecer o passado nos ensina a lidar com o futuro, mas estamos num momento um tanto quanto \u00fanico: o passado ainda \u00e9 fascinante por ser t\u00e3o dif\u00edcil de decifrar. Raridade cria valor. O que acontece quando o passado est\u00e1 todo l\u00e1 arquivado nos m\u00ednimos detalhes, e pior, por milh\u00f5es de \u00e2ngulos diferentes altamente contradit\u00f3rios? O Brasil de 2023 foi tomado pelos comunistas ou pelos nazistas? Ainda existiam comunistas e nazistas? Bill Gates n\u00e3o foi o dono de uma grande empresa de programas de computador? Por que tanta gente diz que ele fazia vacinas?<\/p>\n<p>E se considerarmos que s\u00f3 m\u00e1quinas ter\u00e3o capacidade de trabalhar com tanta informa\u00e7\u00e3o, quem garante que o algoritmo da vez vai saber separar o joio do trigo? Quem garante que algu\u00e9m vai ter interesse nas li\u00e7\u00f5es do passado se o passado tiver mil li\u00e7\u00f5es diferentes por acontecimento registrado pela massa de malucos nas redes sociais? A p\u00f3s-verdade pode virar p\u00f3s-hist\u00f3ria: a hist\u00f3ria depois que ficou virtualmente imposs\u00edvel estudar hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>E j\u00e1 estamos vendo isso acontecer: na guerra da Ucr\u00e2nia ficou muito claro como a informa\u00e7\u00e3o vinda da internet, por mais realista que pare\u00e7a, n\u00e3o tem mais compromisso com a verdade. Quando todo mundo pode registrar os eventos, n\u00e3o se sabe o quanto eles foram manipulados. Ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela veracidade da informa\u00e7\u00e3o. E ainda estamos engatinhando na tecnologia de manipula\u00e7\u00e3o de imagens e v\u00eddeos, sabe-se l\u00e1 qu\u00e3o indiferenci\u00e1veis da coisa real ser\u00e3o os deepfakes do futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o estranha nos esperando: a entre desinteresse na hist\u00f3ria cotidiana (por puro volume de informa\u00e7\u00e3o deixada) e a capacidade sem precedentes de manipular a informa\u00e7\u00e3o que teremos. Eu continuo acreditando que na m\u00e9dia mais avan\u00e7os cient\u00edficos tornam a vida humana melhor, mas n\u00e3o sou inocente: algumas coisas podem ficar bem estranhas com novas tecnologias, e o \u201cpassado do futuro\u201d pode ser uma delas.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o duvido que arque\u00f3logos e historiadores v\u00e3o continuar existindo, at\u00e9 porque o erro mais comum da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 achar que a humanidade do futuro ou mesmo esp\u00e9cies alien\u00edgenas n\u00e3o teriam interesses variados. Se a humanidade tiver um trilh\u00e3o de pessoas no ano 3.000 (n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, viu?), alguns bilh\u00f5es no m\u00ednimo v\u00e3o ter interesse em hist\u00f3ria, e com certeza uns milh\u00f5es desses v\u00e3o trabalhar s\u00f3 com isso. \u00c9 claro que o interesse vai continuar, mas o que diabos eles v\u00e3o depreender do come\u00e7o do s\u00e9culo XXI est\u00e1 em aberto. At\u00e9 porque pode nem ser uma era desej\u00e1vel de se estudar.<\/p>\n<p>Por pura escassez de informa\u00e7\u00e3o, Uruk provavelmente vai ser eternamente mais interessante que Nova Iorque ou Rio de Janeiro. Eu at\u00e9 penso que isso j\u00e1 acontece de alguma forma hoje em dia: pode ter algo a\u00ed que explique por que a maior parte da humanidade ainda segue religi\u00f5es milenares e cisma com as mesmas bobagens das primeiras civiliza\u00e7\u00f5es. \u00c9 algo mais fant\u00e1stico mesmo, tempos imemoriais onde tudo pode ter acontecido e n\u00e3o deixado rastros. Muitas das li\u00e7\u00f5es de \u00e9tica, moral e at\u00e9 mesmo filosofia que ainda aprendemos bebe muito dessa fonte milenar.<\/p>\n<p>Da ideia de que muito antigo e misterioso \u00e9 mais interessante do que a banalidade dos tempos modernos. Tempos em que as pessoas n\u00e3o estavam deixando tantos rastros e oportunidades de nos decepcionar. A escassez do passado pode explicar muito da mentalidade do presente, criando um padr\u00e3o de interesse que nos prende \u00e0s ra\u00edzes mais profundas da esp\u00e9cie, n\u00e3o necessariamente pela sabedoria do passado (eles falavam e faziam muita bobagem tamb\u00e9m, mas com muito mais desculpa para tal), mas pela gra\u00e7a que tem olhar para esses povos e projetar neles o que quisermos.<\/p>\n<p>O passado recente e o presente nos tiram essa possibilidade. Muita coisa ficou registrada, os drag\u00f5es desapareceram dos mapas e d\u00e3o lugar para a aprofundada opini\u00e3o pol\u00edtica de Arlindo, 38, microempres\u00e1rio de Petr\u00f3polis\/RJ. \u00c9 bem prov\u00e1vel que o cidad\u00e3o m\u00e9dio do passado distante tenha sido s\u00f3 um mesopot\u00e2mio-m\u00e9dio mesmo, mas como n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es melhores, seu cotidiano e ideias s\u00e3o mais valiosos.<\/p>\n<p>Me faz pensar se daqui h\u00e1 mil anos ainda n\u00e3o vai ter gente discutindo aborto, homossexualidade e todo tipo de assunto que j\u00e1 deveria estar mais do que bem resolvido depois de tanto tempo dando murro em ponta de faca. A hist\u00f3ria \u00e9 menos interessante do que a pr\u00e9-hist\u00f3ria. E provavelmente menos ainda quando se chega na p\u00f3s-hist\u00f3ria. A banaliza\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias do cidad\u00e3o do s\u00e9culo XXI pode deixar o passado ainda mais fascinante para quem vier depois de n\u00f3s. O que deixarmos vai ser analisado por uma intelig\u00eancia artificial para achar uma m\u00e9dia, e a m\u00e9dia, at\u00e9 onde podemos ver, n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 um po\u00e7o de sabedoria.<\/p>\n<p>Quantas acusa\u00e7\u00f5es de fascista ou de comunista na rede social o historiador m\u00e9dio do futuro vai ler antes de achar tudo um t\u00e9dio e tentar aprender mais sobre escrita cuneiforme para entender povos realmente misteriosos? O quanto isso vai impactar os temas interessantes daquele tempo? Obviamente n\u00e3o saberemos sobre o futuro deles, mas podemos usar essa ideia para olhar a hist\u00f3ria que conhecemos agora.<\/p>\n<p>O quanto de como voc\u00ea enxerga o mundo est\u00e1 polu\u00eddo por esse fasc\u00ednio com o passado misterioso? Voc\u00ea pode nunca ter sequer lido um artigo da Wikip\u00e9dia sobre os eg\u00edpcios, mesmo assim tem algo de curioso sobre como parecemos estar preocupados com basicamente as mesmas coisas que eles. \u00c9 como se a hist\u00f3ria recente fosse menos valiosa. Eu n\u00e3o estou aqui em 2023 falando sobre como \u00e9 bizarra essa briga de internet entre pessoas se acusando de defender ideologias do s\u00e9culo passado?<\/p>\n<p>Fascismo e comunismo deram com os burros n\u2019\u00e1gua, foi um fracasso no final das contas, e milh\u00f5es morreram por causa disso. Mas \u00e9 uma hist\u00f3ria que parece n\u00e3o entrar na cabe\u00e7a do cidad\u00e3o m\u00e9dio. As ideias de organiza\u00e7\u00e3o social, moralidade e \u00e9tica de civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas, por sua vez, fazem parte dos discursos mais ouvidos pelo cidad\u00e3o m\u00e9dio, os discursos religiosos. As religi\u00f5es modernas s\u00e3o modernas s\u00f3 por aceitarem Pix no d\u00edzimo, porque s\u00e3o c\u00f3pias de c\u00f3pias de c\u00f3pias desde os primeiros registros hist\u00f3ricos desse tipo de pensamento abstrato.<\/p>\n<p>Liberaram comer camar\u00e3o e n\u00e3o precisa mais ir para as montanhas quando menstrua, mas ainda \u00e9 abomina\u00e7\u00e3o dois homens se beijando. Talvez isso tivesse algum peso na Mesopot\u00e2mia, quando ter filhos era essencial para ter m\u00e3o-de-obra na sua planta\u00e7\u00e3o, mas se voc\u00ea olhar para os \u00faltimos dois s\u00e9culos, ser\u00e1 que mudaria alguma coisa na humanidade deixar de se preocupar com fazer tantos filhos? O mundo moderno n\u00e3o consegue se virar com casais homossexuais que n\u00e3o fazem filhos ou que adotam o excesso (porque n\u00e3o falta crian\u00e7a)? Ser\u00e1 que aborto \u00e9 t\u00e3o danoso assim para a sociedade? Talvez no Egito antigo fosse. Mas \u00e9 agora? Nossos valores s\u00e3o nossos ou s\u00e3o resultado de uma cegueira sobre hist\u00f3ria recente?<\/p>\n<p>Talvez pela hist\u00f3ria recente ser menos \u201cm\u00e1gica\u201d, n\u00e3o tenha o mesmo peso no imagin\u00e1rio popular. E a\u00ed, deixamos de ver o mundo como ele est\u00e1 para ver como ele teoricamente j\u00e1 foi. Imaginando o historiador do futuro eu consigo enxergar como hist\u00f3ria recente (documentada at\u00e9 demais) pode parecer menos interessante, e por tabela, ensinar menos sobre a humanidade.<\/p>\n<p>Tomara que consigamos sair de Uruk um dia&#8230;<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que este texto vai matar um historiador de t\u00e9dio no futuro, para dizer que quer saber mais sobre Uruk, ou mesmo para dizer que est\u00e1 esperando minha fase de tecnologia voltar: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Normalmente se chama pr\u00e9-hist\u00f3ria o per\u00edodo da humanidade anterior \u00e0 escrita. E por um motivo muito pr\u00e1tico: sem uma forma de transformar ideias em algum s\u00edmbolo reconhec\u00edvel, tudo o que podemos fazer \u00e9 presumir. \u00c9 hist\u00f3ria o que deixa registros, \u00e9 pr\u00e9-hist\u00f3ria o que deixa apenas suposi\u00e7\u00f5es. 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