{"id":22468,"date":"2023-12-16T14:21:32","date_gmt":"2023-12-16T17:21:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=22468"},"modified":"2025-11-18T13:23:18","modified_gmt":"2025-11-18T16:23:18","slug":"problema-silencioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2023\/12\/problema-silencioso\/","title":{"rendered":"Problema silencioso."},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-body uk-card-default\">\n<p>A popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil aumentou 935,31% nos \u00faltimos dez anos, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) com base em dados do Cad\u00danico (Cadastro \u00danico) do governo federal. O n\u00famero de pessoas cadastradas saltou de 21.934 em 2013 para 227.087 at\u00e9 agosto de 2023. <a class=\"uk-button uk-button-text\" href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2023\/12\/populacao-de-rua-no-brasil-cresceu-quase-10-vezes-na-ultima-decada-aponta-ipea.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">LINK<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>O Brasil tem problemas graves nesse n\u00edvel que mal viram not\u00edcia. <strong>Desfavor da Semana<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Hoje queremos falar sobre um tipo espec\u00edfico de problema: os problemas silenciosos que, por n\u00e3o serem ventilados e por n\u00e3o impactarem diretamente a vida da maior parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o passando abaixo do radar \u2013 e n\u00e3o deveriam.<\/p>\n<p>Quando o pa\u00eds no qual voc\u00ea mora tem a maior quantidade de homic\u00eddios do mundo, todo mundo se preocupa, se indigna, ao menos fala a respeito. Mas quando aparecem problemas graves que n\u00e3o batem \u00e0 sua porta, \u00e9 muito f\u00e1cil ignor\u00e1-los.<\/p>\n<p>E isso n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica. O brasileiro est\u00e1 soterrado em problemas graves faz tempo e me parece at\u00e9 uma quest\u00e3o de autoprote\u00e7\u00e3o escolher suas batalhas. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade mental que resista se voc\u00ea abra\u00e7ar todas as causas. Eu entendo quem n\u00e3o faz nada para solucionar os problemas silenciosos e de forma alguma culpo essa pessoa: o brasileiro est\u00e1 lutando para n\u00e3o ser assassinado e contra outras amea\u00e7as di\u00e1rias igualmente graves. N\u00e3o sobra tempo nem disponibilidade emocional para muito mais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 nosso papel apontar que existem problemas silenciosos graves acontecendo. Isso de forma alguma coloca qualquer pessoa do povo na obriga\u00e7\u00e3o de resolv\u00ea-los, apenas queremos que estejam cientes de sua exist\u00eancia. \u00c9 importante ter total consci\u00eancia do que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds no qual se vive.<\/p>\n<p>A not\u00edcia que ilustra a postagem fala de um crescimento de 10x da popula\u00e7\u00e3o de rua. Se voc\u00ea aprofundar um pouco mais, ver\u00e1 que uma parcela minorit\u00e1ria dessas pessoas est\u00e1 nas ruas por quest\u00f5es financeiras, e sim por problemas de sa\u00fade mental (como doen\u00e7as mentais, v\u00edcio em drogas e coisas do tipo) ou problemas familiares.<\/p>\n<p>Um aumento de 10x da popula\u00e7\u00e3o de rua vai de encontro com o que se esperava, mostra um retrocesso, n\u00e3o um avan\u00e7o, e nos leva a refletir sobre algo que eu venho criticando faz tempo: tudo na cabe\u00e7a do brasileiro parece girar em torno da economia.<\/p>\n<p>Assim como nem todo rico \u00e9 feliz, saud\u00e1vel e boa pessoa, nem todo pa\u00eds rico \u00e9 feliz, saud\u00e1vel e bom de morar. O brasileiro parece focar muito na economia, esse \u00e9 o term\u00f4metro para saber se o pa\u00eds vai bem. N\u00e3o adianta boa economia e sa\u00fade mental se deteriorando ano ap\u00f3s anos.<\/p>\n<p>Parece que um pa\u00eds com economia ruim \u00e9 a pior coisa que pode acontecer. Obviamente uma economia destru\u00edda n\u00e3o \u00e9 o melhor dos mundos, mas certamente n\u00e3o \u00e9 o pior. Eu prefiro uma economia em crise, mas com pessoas educadas, com presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos bons e sem tanto risco de morrer, ser mutilada ou estuprada quando sair na rua. Economia n\u00e3o \u00e9 tudo, gente. A vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dinheiro. Eu compreendo que quando o dinheiro falta a gente tende a dar um foco enorme nele, mas \u00e9 hora de dar um passinho atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ao entender que economia n\u00e3o \u00e9 tudo a gente entende que talvez n\u00e3o seja financeira a solu\u00e7\u00e3o para esse aumento de moradores de rua. A gente entende que talvez seja recomend\u00e1vel focar ao menos parte das demandas em melhorias que n\u00e3o sejam econ\u00f4micas. E, mais importante de tudo, a gente entende que talvez o Brasil n\u00e3o seja um pa\u00eds t\u00e3o alegre como se imaginava.<\/p>\n<p>Outro exemplo de problema silencioso: estupros. O Brasil tem um dos maiores \u00edndices de estupros do mundo, o que preocupa dobrado, pois nem toda mulher ou crian\u00e7a estuprada denuncia, portanto, os n\u00fameros reais devem ser muito maiores. O Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgou que em 2022 (2023 ainda n\u00e3o acabou, n\u00e3o d\u00e1 para contabilizar), ocorreram no pa\u00eds uma m\u00e9dia de mais de 200 estupros por dia, levando em conta apenas os casos que foram levados \u00e0s autoridades.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, a maior parte dos estupros n\u00e3o ocorre em um beco escuro e sim dentro de casa. N\u00e3o ocorre com mulheres e sim com crian\u00e7as. N\u00e3o parte de estranhos e sim de familiares. Mas s\u00e3o v\u00edtimas sem voz. S\u00e3o crian\u00e7as, que n\u00e3o podem se defender. \u00c9 um problema silencioso que n\u00e3o impacta diretamente a vida de nenhum brasileiro, ent\u00e3o, acaba passando abaixo do radar. Mas&#8230; qual ser\u00e1 a sa\u00fade mental de tantas pessoas que crescem nessa realidade? Que tipo de fam\u00edlia essas pessoas v\u00e3o conseguir construir? Que filhos v\u00e3o deixar para o mundo?<\/p>\n<p>Como estes, o Brasil tem centenas de problemas silenciosos que n\u00e3o s\u00e3o vistos, discutidos ou enfrentados. Mas, n\u00e3o se enganem, s\u00e3o problemas que impactam, ainda que indiretamente, todos os que moram no pa\u00eds. N\u00e3o queremos colocar a responsabilidade pela solu\u00e7\u00e3o desses problemas nas costas de ningu\u00e9m, como j\u00e1 foi dito, queremos apenas lembrar que eles existem. E o fato deles existirem deve ser levado em conta na hora de avaliar o que \u00e9 o pa\u00eds no qual voc\u00ea vive.<\/p>\n<p>Ainda tem gente relativizando o que se tornou o Brasil: \u201cproblemas todo pa\u00eds tem\u201d ou \u201cnenhum lugar \u00e9 perfeito\u201d. Desculpa, mas um dos piores sistemas de educa\u00e7\u00e3o do mundo, maior quantidade de homic\u00eddios do mundo, 50% da popula\u00e7\u00e3o cagando em vala sem saneamento b\u00e1sico e uma quantidade surreal de estupros dentro de casa n\u00e3o s\u00e3o meros \u201cproblemas\u201d e definitivamente n\u00e3o \u00e9 todo mundo que os tem.<\/p>\n<p>Hora de tomar consci\u00eancia e somar os problemas silenciosos aos problemas ruidosos e entender que ambos existem e impactam sua vida, de forma direita ou indireta. Hora de repensar o seu conceito sobre o Brasil, sobre o que voc\u00ea quer do ambiente no qual mora e de recalcular seu foco na hora de criticar outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os problemas ruidosos s\u00e3o inevit\u00e1veis, eles v\u00e3o chegar at\u00e9 voc\u00ea pela realidade, pela m\u00eddia, pelas redes sociais. N\u00e3o tem necessidade de procurar por eles. Mas, os problemas silenciosos n\u00e3o. Voc\u00ea s\u00f3 tomar\u00e1 consci\u00eancia deles se estiver atento. E \u00e9 muito importante para fins de escolhas, de ju\u00edzo de valor e at\u00e9 de no\u00e7\u00e3o da realidade estar ciente de todos os problemas, os ruidosos e os silenciosos.<\/p>\n<p>N\u00e3o permitam que os problemas ruidosos abafem os silenciosos. Esteja plenamente consciente de onde voc\u00ea vive.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer \u201cMas o Milei&#8230;\u201d, para dizer que prefere n\u00e3o saber ou ainda para abrir uma nova aba e come\u00e7ar a clicar nas not\u00edcias de \u201cO Brasil Tem Sa\u00edda\u201d: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a> <\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Mesmo com minha vis\u00e3o costumeiramente mais otimista sobre o futuro da humanidade, eu n\u00e3o fico cego para tend\u00eancias negativas. Uma delas \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o de renda. Eu ainda n\u00e3o sei dizer se \u00e9 terminal, mas o capitalismo com certeza est\u00e1 doente. Os recursos se afunilam na dire\u00e7\u00e3o de poucos com uma velocidade incr\u00edvel, muito porque nunca fomos t\u00e3o produtivos.<\/p>\n<p>E da mesma forma que se acumulam na m\u00e3o dos mais ricos, escorrem das m\u00e3os dos mais pobres. Ent\u00e3o, sim, existe uma explica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para um aumento de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Mas n\u00e3o \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o que resolve o problema de um aumento de quase 1000% em uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Tem mais coisa a\u00ed para acelerar essa estat\u00edstica de moradores de rua. E assim como a Sally, eu acredito que a deteriora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental do brasileiro \u00e9 parte integrante do processo. Discutimos sobre o quanto a \u201cnova economia\u201d est\u00e1 influenciando nisso, discordamos sobre o peso desse fator, mas eu ainda vou sustentar o ponto: o nosso sistema produtivo, isso \u00e9, a forma como produzimos bens e oferecemos servi\u00e7os uns para os outros, j\u00e1 est\u00e1 mudando diante dos nossos olhos.<\/p>\n<p>Rob\u00f4s e intelig\u00eancias artificiais j\u00e1 est\u00e3o no processo de tornar muitos dos nossos trabalhos cl\u00e1ssicos obsoletos. Revolu\u00e7\u00f5es na forma de funcionar do ser humano em larga escala n\u00e3o s\u00e3o cortes secos, n\u00e3o \u00e9 da noite para o dia que todas as f\u00e1bricas passam a usar rob\u00f4s. As coisas acontecem aos poucos, de acordo com a dissemina\u00e7\u00e3o da tecnologia e as oportunidades que se apresentam por redu\u00e7\u00e3o de custos na sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o aqui \u00e9 que a maioria de n\u00f3s nem vai perceber quando nossas fun\u00e7\u00f5es ficarem obsoletas. Apesar das estat\u00edsticas dizerem que desses novos moradores de rua da \u00faltima d\u00e9cada, apenas 30% est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o por perderem o emprego, isso n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero final dessa mudan\u00e7a de paradigma. Essas s\u00e3o as pessoas que tinham um emprego e n\u00e3o conseguiram mais manter um padr\u00e3o de vida m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas de desemprego costumam falar apenas sobre pessoas que est\u00e3o procurando emprego, mas existe uma massa de pessoas que desistiram e vivem ou de recursos da fam\u00edlia ou fazendo bicos. Essa \u00e9 uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 gente que perdeu a esperan\u00e7a de um emprego tradicional, n\u00e3o tem dinheiro ou capacidade para um neg\u00f3cio pr\u00f3prio e vive perdida pelos cantos da sociedade. E o que eu enxergo aqui \u00e9 que esse \u00e9 o verdadeiro contingente que faz a popula\u00e7\u00e3o de rua aumentar com essa for\u00e7a, especialmente p\u00f3s crises como a da pandemia.<\/p>\n<p>O mundo est\u00e1 ficando mais hostil para pessoas com Q.I. e\/ou motiva\u00e7\u00e3o baixos. Existem limites pr\u00e1ticos de quanta intelig\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria para realizar alguns trabalhos, e s\u00e3o eles que aumentam de demanda nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Faz tempo que eu prevejo esse \u201cgrande abandono\u201d dos seres humanos incapazes de acompanhar o avan\u00e7o da tecnologia e seu impacto na economia, e acredito que estamos vendo os primeiros sinais disso.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um lugar especialmente perigoso para isso: n\u00e3o temos um setor industrial gigantesco como China e \u00cdndia para acomodar a massa de perdidos do mundo moderno, mas temos leis e expectativas sociais que nos colocam num patamar acima da explora\u00e7\u00e3o descarada do trabalho humano. Muita gente ainda funciona em pa\u00edses extremamente pobres porque dado um sal\u00e1rio quase que de escravid\u00e3o, o ser humano \u00e9 mais barato que m\u00e1quinas. No Brasil s\u00f3 temos isso na economia rural, onde ainda existe escravid\u00e3o (n\u00e3o \u00e0 toa, nosso setor mais produtivo). Na economia urbana \u00e9 muito mais complicado acomodar gente que \u00e9 incapaz de realizar fun\u00e7\u00f5es mais complexas como a economia do s\u00e9culo XXI exige.<\/p>\n<p>E \u00e9 a\u00ed que a parte da sa\u00fade mental entra com for\u00e7a. Drogas e problemas psicol\u00f3gicos s\u00e3o a maioria dos motivos para pessoas irem morar na rua, e eu vejo tudo muito interligado. O ser humano precisa de algum prop\u00f3sito, se voc\u00ea est\u00e1 bem da cabe\u00e7a voc\u00ea acha os seus, mas se voc\u00ea est\u00e1 psicologicamente abandonado no meio de uma massa de pessoas com baixo desenvolvimento intelectual numa sociedade cada vez mais agressiva com quem n\u00e3o se adapta \u00e0 economia tecnol\u00f3gica atual, faz sentido que o n\u00famero de desistentes da sociedade aumente exponencialmente.<\/p>\n<p>Estamos vivendo num mundo cuja tecnologia e economia est\u00e3o empurrando as pessoas para uma press\u00e3o psicol\u00f3gica sem precedentes. De uma certa forma, o medo de passar fome, frio e ser atacado por predadores faz parte do nosso pacote b\u00e1sico, somos instintivamente programados para lidar com isso; mas quando a press\u00e3o evolutiva passa a ser intelectual, n\u00e3o temos prote\u00e7\u00e3o. Muita gente est\u00e1 se perdendo por n\u00e3o conseguir lidar com isso, por n\u00e3o sentir mais que faz parte do mundo, por n\u00e3o entender o que diabos est\u00e1 acontecendo e como \u00e9 esperado de uma pessoa saber sobre tudo e ter opini\u00e3o sobre todos os temas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um problema silencioso que pega desproporcionalmente a parcela mais pobre e abandonada da popula\u00e7\u00e3o. Os n\u00fameros de moradores de rua aumentam ao redor do mundo, mas aumentam muito mais em pa\u00edses como Estados Unidos e imitadores como o Brasil. O \u201cest\u00e1gio final\u201d do capitalismo aliado a um avan\u00e7o constante das expectativas sobre a capacidade produtiva do ser humano est\u00e1 destruindo a mente de muitas pessoas.<\/p>\n<p>E podemos ver isso em resultados pr\u00e1ticos no aumento do n\u00famero de pessoas que ficam completamente abandonadas nas ruas. \u00c9 gente que perdeu prop\u00f3sito, ficou com a mente destru\u00edda por problemas mentais e\/ou drogas, e n\u00e3o tem caminho de volta por falta de pol\u00edticas p\u00fablicas decentes de recupera\u00e7\u00e3o. Esse problema tende a crescer sem fazer muito alarde, at\u00e9 que os seres humanos \u201cjogados no lixo\u201d alcancem uma massa cr\u00edtica de inc\u00f4modo para o resto da sociedade.<\/p>\n<p>Tem algo fundamentalmente errado com o sistema. Algo que vai explodir na nossa cara uma hora ou outra. Eu mantenho o otimismo que podemos dar um jeito no longo prazo, mas que \u00e9 prov\u00e1vel que passemos por muito aperto antes disso, \u00e9 sim.<\/p>\n<p>Minha dica de neg\u00f3cio do futuro: reciclagem de pessoas.<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que eu sou o otimista mais depressivo, para dizer que \u00e9 culpa do pol\u00edtico A ou B (A+B), ou mesmo para dizer que enquanto n\u00e3o chegar no seu condom\u00ednio est\u00e1 tudo bem: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua no Brasil aumentou 935,31% nos \u00faltimos dez anos, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada) com base em dados do Cad\u00danico (Cadastro \u00danico) do governo federal. O n\u00famero de pessoas cadastradas saltou de 21.934 em 2013 para 227.087 at\u00e9 agosto de 2023. 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