{"id":22872,"date":"2024-03-08T15:43:07","date_gmt":"2024-03-08T18:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=22872"},"modified":"2024-03-08T15:43:07","modified_gmt":"2024-03-08T18:43:07","slug":"outro-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2024\/03\/outro-lado\/","title":{"rendered":"Outro lado."},"content":{"rendered":"<p>Patr\u00edcia respira fundo. Uma simp\u00e1tica atendente vestida dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a com um uniforme azul parecido com a de uma comiss\u00e1ria de bordo aponta a m\u00e3o espalmada para o portal. A pessoa atr\u00e1s dela na fila toca levemente seu ombro, ela vira o corpo e \u00e9 recebida com um sinal de pressa. Ela vacila por um instante, pensando se seria melhor desistir. Ao perceber que era alvo de v\u00e1rios olhares, toma coragem e segue em frente.<!--more--><\/p>\n<p>O portal fica no centro de um grande galp\u00e3o, lotado de pessoas, placas publicit\u00e1rias e tel\u00f5es mostrando o destino: uma esta\u00e7\u00e3o de trens do outro lado do mundo. As m\u00e1quinas que emolduram o portal parecem vindas de um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, luzes, cabos, telas com n\u00fameros e c\u00f3digos incompreens\u00edveis. Mas o que mais chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o local de passagem, o portal \u00e9 preto, mas preto de uma forma que s\u00f3 se percebe ao vivo. N\u00e3o reflete luz alguma.<\/p>\n<p>Ela atravessa, como milhares de outras pessoas j\u00e1 fizeram desde o lan\u00e7amento comercial do sistema de teletransporte entre os EUA e o Jap\u00e3o, o primeiro de muitos segundo a mais nova gigante de tecnologia, a Transverse. Apesar do medo, a passagem \u00e9 sem nenhum inc\u00f4modo, ela mal sente a diferen\u00e7a entre um ambiente e outro, sua vis\u00e3o nem chega a ficar escura.<\/p>\n<p>Do outro lado, uma atendente asi\u00e1tica a recebe com um largo sorriso, mesmo uniforme da americana. Ela olha para tr\u00e1s, o portal continua totalmente negro. Ao redor, uma moderna esta\u00e7\u00e3o de trem lotada com locais e estrangeiros. Patr\u00edcia \u00e9 incentivada gentilmente com um movimento de cabe\u00e7a da atendente, e logo segue para a fila da imigra\u00e7\u00e3o. Mera formalidade, afinal, os documentos eram checados e liberados com anteced\u00eancia pela internet. A fila avan\u00e7a rapidamente com a organiza\u00e7\u00e3o esperada dos japoneses.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o na vez dela. Depois de entregar o cart\u00e3o que recebera do outro lado, uma senhora de meia idade faz um movimento quase que instintivo ao pass\u00e1-lo pelo sensor. O bipe de confirma\u00e7\u00e3o que escutara seguidamente na fila n\u00e3o toca. A mulher no balc\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o pausa por alguns instantes. Ela tenta novamente. Novamente. Novamente&#8230;<\/p>\n<p>Nada. Patr\u00edcia pergunta num ingl\u00eas meio quebrado se algo estava errado, a mulher pede um instante com dedo em riste. Volta-se para tr\u00e1s at\u00e9 um homem que se aproxima. Os dois conversam em japon\u00eas, Patr\u00edcia espera ansiosa. O homem pede para que ela o acompanhe. Ela pergunta novamente se algo estava errado, ele s\u00f3 refor\u00e7a o gesto apontando na dire\u00e7\u00e3o de um quiosque no meio do fluxo de passageiros.<\/p>\n<p>L\u00e1 dentro, ela \u00e9 convidada a sentar numa fileira de bancos enquanto espera. O homem que a guiou at\u00e9 ali diz que logo volta. Os minutos se passam, e o que se segue \u00e9 um monte de pessoas entrando e saindo de uma salinha. Patr\u00edcia pede informa\u00e7\u00f5es para os que passam, mas os poucos que respondem em ingl\u00eas apenas se desculpam pela demora.<\/p>\n<p>Meia hora, uma hora, duas horas. Patr\u00edcia se levanta e vai bater na porta da salinha. Um homem a recepciona, pedindo para que ela se afaste com as duas m\u00e3os em frente ao corpo. L\u00e1 dentro, meia d\u00fazias de pessoas discutem ao redor de uma mesa, pilhas de pap\u00e9is e notebooks espalhados. Ela n\u00e3o se rende ao movimento do homem e avan\u00e7a sala adentro, para o espanto dos presentes. Em um tom agressivo, ela pergunta o que est\u00e1 acontecendo e porque n\u00e3o pode ir embora.<\/p>\n<p>Chocados, os presentes se entreolham at\u00e9 que um rapaz, aparentemente o mais jovem da sala, se levanta, faz uma sauda\u00e7\u00e3o e come\u00e7a a falar.<\/p>\n<p>\u201cPerd\u00e3o pelo inc\u00f4modo, senhora. Tivemos um problema com seu cadastro e os oficiais da fronteira n\u00e3o liberaram sua entrada.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMas eu estava liberada l\u00e1 em S\u00e3o Francisco! Apareceu o sinal verde&#8230; ping&#8230; que liberou a entrada em T\u00f3quio.\u201d \u2013 ela imita o gesto de passar o cart\u00e3o enquanto fala.<\/p>\n<p>\u201cEstamos envergonhados pela falha, senhora. O sistema se enganou e liberou outra pessoa. N\u00e3o voc\u00ea. Voc\u00ea n\u00e3o aparece na nossa lista.\u201d<\/p>\n<p>Ela coloca as m\u00e3os na cintura, suspirando frustrada. No mesmo momento, a porta se abre e um homem entra falando em japon\u00eas. Quando ele percebe que Patr\u00edcia est\u00e1 na sala, faz express\u00e3o de espanto. Os outros presentes parecem chocados com o que acabou de ser dito.<\/p>\n<p>\u201cO que aconteceu?\u201d \u2013 Patr\u00edcia pergunta.<\/p>\n<p>O jovem que conversava com ela antes da interrup\u00e7\u00e3o fica pensativo. Ela arregala os olhos para ele, demonstrando ansiedade pela tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle disse que n\u00e3o foi voc\u00ea que atravessou na hora&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu esperava mais organiza\u00e7\u00e3o dos japoneses!\u201d \u2013 Patr\u00edcia diz com convic\u00e7\u00e3o antes de realmente entender o que tinha ouvido.<\/p>\n<p>\u201cEspera, como assim n\u00e3o fui eu que atravessei?\u201d<\/p>\n<p>O homem que entrou na sala se senta e come\u00e7a a mexer num dos notebooks, o projetor na parede est\u00e1 espelhando sua tela. Ele abre um arquivo de v\u00eddeo com as cenas das c\u00e2meras de seguran\u00e7a dos dois lados do portal, data e hor\u00e1rio marcados no topo da imagem. Ao mesmo tempo, um homem com uma grande barba ruiva usando um terno cinza atravessa em S\u00e3o Francisco, e Patr\u00edcia aparece em T\u00f3quio.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7a a falar, e abre outra tela com o cadastro de um homem com a mesma barba ruiva. Patr\u00edcia n\u00e3o entende japon\u00eas, mas percebe pelo contexto e pelos dedos apontados por ele que o cart\u00e3o que ele segurava era do homem do v\u00eddeo, e n\u00e3o dela. Um dos presentes, um homem bem mais velho, de cabelo grisalho e grossos \u00f3culos, aponta para Patr\u00edcia e d\u00e1 alguma ordem. O jovem que fazia as tradu\u00e7\u00f5es a pega pelo bra\u00e7o e insiste que ela saia de l\u00e1. Patr\u00edcia n\u00e3o obedece.<\/p>\n<p>O idoso se levanta e refor\u00e7a o convite a se retirar com as m\u00e3os. Como ela n\u00e3o arreda o p\u00e9, ele come\u00e7a a falar por um r\u00e1dio. Menos de um minuto at\u00e9 dois seguran\u00e7as entrarem na sala e a tirarem dali \u00e0 for\u00e7a. Depois de se debater por algum tempo, os seguran\u00e7as decidem algem\u00e1-la aos bancos da parede, chumbados no ch\u00e3o. Ela grita algumas vezes, mas ningu\u00e9m vem ao seu resgate.<\/p>\n<p>O fluxo de pessoas na sala continua, at\u00e9 que uma policial feminina finalmente se aproxima e come\u00e7a a falar:<\/p>\n<p>\u201cEu vou a oficial Aiko, e eu estou aqui para te levar at\u00e9 um lugar mais confort\u00e1vel. Pedimos perd\u00e3o pela forma como a senhora foi tratada. Se a senhora cooperar, podemos tirar as algemas.\u201d<\/p>\n<p>Patr\u00edcia, derrotada pelo cansa\u00e7o, fome e ansiedade, apenas acena que sim com a cabe\u00e7a. A policial \u00e9 gentil no trato, liberando os bra\u00e7os de Patr\u00edcia e a acompanhando at\u00e9 a sa\u00edda. Antes de abrir a porta, ela pede para que Patr\u00edcia cubra o rosto com seu casaco, para evitar exposi\u00e7\u00e3o. Patr\u00edcia come\u00e7a a ouvir um burburinho se formado do lado de fora, e at\u00e9 para n\u00e3o antagonizar mais, concorda em se esconder.<\/p>\n<p>A porta se abre e o som das vozes explode, em diversas l\u00ednguas. Ela percebe as luzes poderosas de c\u00e2meras esquentando o casaco por sobre sua cabe\u00e7a. Ela enxerga apenas seus p\u00e9s e os da policial que a guia. O som de m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas e os flashes n\u00e3o param. Ela segue por um corredor aberto na multid\u00e3o, vendo apenas os sapatos dos policiais que pareciam manter o caminho livre. S\u00e3o alguns minutos de caminhada no meio da confus\u00e3o at\u00e9 que ela passa por uma porta, que ao se fechar deixa o local silencioso novamente.<\/p>\n<p>\u201cPode tirar o casaco.\u201d \u2013 a voz de Aiko vem junto com um toque leve nas costas.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia est\u00e1 num corredor, policiais na sua frente. Eles come\u00e7am a andar, e ela percebe que est\u00e1 indo at\u00e9 um estacionamento. Ao passar por ele, um carro da pol\u00edcia japonesa espera com a porta aberta. Ela entra, Aiko ao seu lado.<\/p>\n<p>\u201cEu vou ser presa?\u201d<\/p>\n<p>\u201cVai ficar tudo bem.\u201d \u2013 a policial responde com um sorriso um tanto quanto constrangido.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia olha para tr\u00e1s, e pelo vidro traseiro percebe que c\u00e2meras e fot\u00f3grafos come\u00e7am a se acumular na sa\u00edda do estacionamento. Aiko pede para que Patr\u00edcia coloque o cinto de seguran\u00e7a, e o carro come\u00e7a a andar. Ele d\u00e1 uma volta pelo grande estacionamento, repleto de policiais em cada esquina. Menos de um minuto andando por l\u00e1 e o carro para.<\/p>\n<p>\u201cAguarde, por favor.\u201d \u2013 Aiko abre sua porta, d\u00e1 a volta no carro e abre a porta de Patr\u00edcia. Agora ela percebe que um furg\u00e3o branco est\u00e1 parado logo ao lado. Aiko ajuda Patr\u00edcia a sair do carro, ao mesmo tempo a porta lateral do furg\u00e3o se abre, mostrando dois homens de terno preto com fones de ouvido e microfones. Aiko diz para Patr\u00edcia entrar no furg\u00e3o. Patr\u00edcia se recusa, obviamente assustada com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu quero saber o que est\u00e1 acontecendo&#8230; eu vou gritar!\u201d<\/p>\n<p>Um dos homens do furg\u00e3o come\u00e7a a falar:<\/p>\n<p>\u201cA senhora consegue se comunicar em ingl\u00eas?\u201d<\/p>\n<p>\u201cSim, mas devagar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO carro da pol\u00edcia vai sair pelo local esperado com a oficial Aiko de rosto coberto fingindo ser voc\u00ea para despistar a imprensa. Ela vai at\u00e9 a central de pol\u00edcia. Voc\u00ea vai vir conosco, porque n\u00f3s estamos preocupados com sua seguran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>\u201cQuem s\u00e3o voc\u00eas?\u201d<\/p>\n<p>\u201cCIA.\u201d<\/p>\n<p>Patr\u00edcia fica com os olhos arregalados.<\/p>\n<p>\u201cMas estamos trabalhando em conjunto com v\u00e1rias outras na\u00e7\u00f5es, o seu caso vazou para a imprensa e queremos te proteger de agentes mal-intencionados. Cada minuto que passamos aqui voc\u00ea passa mais perigo. Por favor, nos acompanhe. Eu te explico o que est\u00e1 acontecendo no caminho at\u00e9 um lugar mais seguro.\u201d<\/p>\n<p>Ela sabe que est\u00e1 tudo muito estranho, mas sente que n\u00e3o tem escolha.<\/p>\n<p>Dentro do furg\u00e3o, ela vai sentada de lado, diante de algumas telas de computador com cenas da rua ao redor do carro e alguns documentos abertos em notebooks numa mesa instalada do lado oposto.<\/p>\n<p>\u201cMeu nome \u00e9 Andersen. Voc\u00ea quer uma \u00e1gua?\u201d \u2013 o agente oferece uma garrafa pl\u00e1stica enquanto o carro come\u00e7a a se mover.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia aceita.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem um jeito f\u00e1cil de falar isso, ent\u00e3o eu vou ser direto. N\u00f3s acreditamos que voc\u00ea n\u00e3o perten\u00e7a ao nosso universo.\u201d<\/p>\n<p>Ela se engasga com um gole. Ele se aproxima para ajudar, mas ela sinaliza que est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos acompanhando de perto o portal da Transverse justamente para poder confirmar uma teoria, a de que o portal n\u00e3o \u00e9 entre lugares, mas entre realidades diferentes. Todas as travessias aconteceram conforme o previsto&#8230; at\u00e9 a sua.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAndersen&#8230; eu&#8230; eu n\u00e3o estou entendendo&#8230; por que eu fui presa?\u201d<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 prisioneira, voc\u00ea est\u00e1 sendo protegida. A pol\u00edcia japonesa recebeu a ordem de te manter segura at\u00e9 chegarmos. N\u00f3s est\u00e1vamos mais pr\u00f3ximos, por isso viemos te buscar. Se a informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea vem de outra realidade se espalhar, muita gente vai querer colocar as m\u00e3os em voc\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPor qu\u00ea?\u201d \u2013 Patr\u00edcia est\u00e1 com os olhos marejados.<\/p>\n<p>\u201cPorque voc\u00ea \u00e9 uma quebra de simetria entre dois universos que estavam sincronizados. Algu\u00e9m recebeu um estranho no lugar da Patr\u00edcia, voc\u00ea apareceu num lugar onde aquele homem era esperado. Voc\u00ea n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 a prova que vivemos num multiverso como uma das chaves para abrir portais para outros.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMas eu s\u00f3 uma pessoa normal, eu n\u00e3o fiz nada&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs coisas s\u00e3o como as coisas s\u00e3o. Alguns de nossos advers\u00e1rios est\u00e3o trabalhando com portais h\u00e1 tempos, muitos vendidos e mantidos pela Transverse. Alguma coisa em voc\u00ea \u00e9 diferente ao ponto de quebrar a simetria, e se te pegarem v\u00e3o fazer de tudo para descobrir onde est\u00e1 essa diferen\u00e7a&#8230; n\u00e3o importa o quanto precisarem experimentar com seu corpo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o fazer isso comigo?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Patr\u00edcia n\u00e3o acredita nem por um segundo. Ela come\u00e7a a olhar ao seu redor, tentando achar uma sa\u00edda. Talvez quando o carro parar ela consiga abrir a porta traseira e pular. O carro para depois de alguns minutos, mas n\u00e3o h\u00e1 tempo de fugir: Andersen se levanta do banco e pede para que ela o acompanhe.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 em outra garagem, apenas uma escada numa das paredes levando at\u00e9 uma porta de a\u00e7o. O agente a escolta at\u00e9 l\u00e1, onde mais dois agentes esperam. Depois de um corredor marcado por portas sem descri\u00e7\u00e3o, ela chega at\u00e9 uma esp\u00e9cie de sala de interroga\u00e7\u00e3o, como as vistas em filmes. A mesa de a\u00e7o tem duas cadeiras igualmente met\u00e1licas, uma de cada lado. Andersen a acomoda numa das cadeiras e pede para espere um momento, saindo da sala. Patr\u00edcia percebe um grande espelho do lado oposto, sabendo na hora que estava sendo observada.<\/p>\n<p>Alguns minutos depois, a porta se abre e Patr\u00edcia leva um susto.<\/p>\n<p>Era como se olhasse no espelho: a mulher que entrara na sala de interroga\u00e7\u00e3o era&#8230; ela.<\/p>\n<p>CONTINUA<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que sentia falta dos contos, para dizer que prefere os mais malucos, ou mesmo para dizer que eu nunca continuo: <a href=\"#respond\">comente<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patr\u00edcia respira fundo. 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