{"id":23056,"date":"2024-04-19T12:21:08","date_gmt":"2024-04-19T15:21:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=23056"},"modified":"2024-04-19T12:21:08","modified_gmt":"2024-04-19T15:21:08","slug":"letras-do-engenheiros-do-hawaii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2024\/04\/letras-do-engenheiros-do-hawaii\/","title":{"rendered":"Letras do Engenheiros do Hawaii."},"content":{"rendered":"<p>Sempre gostei de Engenheiros do Hawaii. E como toda pessoa que gosta de Engenheiros do Hawaii, sempre gostei muito. N\u00e3o costuma haver meio-termo, quem gosta, gosta com for\u00e7a. Por\u00e9m, eu nunca entendi muitas das letras das m\u00fasicas deles.<!--more--><\/p>\n<p>Provavelmente me falte cultura e abstra\u00e7\u00e3o. Nunca fui um po\u00e7o de erudi\u00e7\u00e3o. Amaldi\u00e7oo at\u00e9 hoje quem me recomendou ler \u201cA Morte de Ivan Ilitch\u201d. N\u00e3o gosto de desgra\u00e7amento e profundidade. N\u00e3o acho que arte precise incomodar para ser arte. Ou talvez sejam apenas eufemismos para constatar que eu sou burra mesmo. O fato \u00e9 que os anos se passaram (muitos, por sinal) e eu continuo sem entender metade das letras dos Engenheiros do Hawaii.<\/p>\n<p>Nunca me impediu de gostar deles, pois se emociona, atinge e conquista o p\u00fablico. Acho Humberto Gessinger uma esp\u00e9cie de Wes Anderson da m\u00fasica: voc\u00ea percebe que tem algo ali, uma est\u00e9tica diferente, talvez uma simetria, talvez um jogo de palavras equipar\u00e1vel ao jogo de cores, algo que eu n\u00e3o sei identificar muito bem, mas faz c\u00f3cegas no meu c\u00e9rebro e eu gosto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a parcela das letras que eu entendo, as melodias e a postura nerd\/remando contra a mar\u00e9 da banda sempre me representou. Quase 40 anos depois, a juventude ainda \u00e9 uma banda numa propaganda de refrigerantes. <\/p>\n<p>Mas o jogo de palavras muitas vezes est\u00e1 acima da minha cogni\u00e7\u00e3o. Talvez muitas das letras nem tenham um sentido fechado e sim um convite ao ouvinte a criar seu significado. Pois bem, nem isso eu consigo. Eu tentei. N\u00e3o \u00e9 como se eu estivesse pedindo ajuda logo depois de um disco lan\u00e7ado. Eu tentei, por muito tempo e abro meu cora\u00e7\u00e3o: tem coisa al\u00e9m da minha compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que eles ler\u00e3o isso, e sinceramente, espero que n\u00e3o leiam este atestado de burrice. N\u00e3o pretendo importunar o Humberto Gessinger em redes sociais, por quest\u00f5es de adequa\u00e7\u00e3o e vergonha, mas pretendo importunar voc\u00ea, leitor do Desfavor. \u00c9 chegada a hora de voc\u00eas me retribu\u00edrem 15 anos de conte\u00fado gratuito me explicando o significado de qualquer letra dos Engenheiros do Hawaii (se voc\u00ea tem menos de 40 anos, est\u00e1 isento dessa obriga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um texto para se levar o conte\u00fado a s\u00e9rio, mas as d\u00favidas s\u00e3o s\u00e9rias: se algu\u00e9m souber, por gentileza me responda nos coment\u00e1rios. Essas quest\u00f5es me atormentam h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Como tudo no Desfavor, h\u00e1 regras. At\u00e9 para reclamar. S\u00e3o elas: 1) todas as letras foram retiradas do livro \u201cPra ser sincero\u201d, biografia do Humberto Gessinger; 2) n\u00e3o vou perguntar todas as minhas d\u00favidas, vou escolher as minhas batalhas e focar em um trecho por m\u00fasica e 3) se voc\u00ea falar mal de Engenheiros do Hawaii eu n\u00e3o vou me dignar a te responder o coment\u00e1rio, apenas vou colar um trecho de m\u00fasica deles como resposta.<\/p>\n<p>Dito isso, vamos para as principais m\u00fasicas que eu n\u00e3o entendo. Se algu\u00e9m a\u00ed compreende no todo ou parcialmente, por gentileza, me esclare\u00e7a nos coment\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>PIANO BAR<\/strong><\/p>\n<p>A letra n\u00e3o \u00e9 dumb friendly, ela \u00e9 cheia de refer\u00eancias do come\u00e7o ao fim. Eu tenho certeza de ter compreendido todos os demais trechos da m\u00fasica? N\u00e3o tenho. Mas vou escolher minhas batalhas e focar em um s\u00f3:<\/p>\n<p>Vers\u00e3o do livro:<br \/>\n<em>no t\u00e1xi que me trouxe at\u00e9 aqui Julio Iglesias me dava raz\u00e3o<br \/>\nas \u00faltimas do esporte, hora certa, crime e religi\u00e3o<br \/>\nna verdade, \u201cnada\u201d<br \/>\n\u00e9 uma palavra esperando tradu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Vers\u00e3o que tocava nas r\u00e1dios:<br \/>\n<em>\u201cNo t\u00e1xi que me trouxe at\u00e9 aqui<br \/>\nJulio Iglesias me dava raz\u00e3o<br \/>\nNo clipe Paul Simon tava de preto<br \/>\nMas na verdade n\u00e3o era, n\u00e3o\u201d<\/em><\/p>\n<p>Eu fico olhando para isso como o Meme da Naz\u00e9 Confusa. O que diabo uma pessoa pode ter feito nesse mundo de meu Deus para que Julio Iglesias lhe d\u00ea raz\u00e3o em um t\u00e1xi? Quero supor que Julio Iglesias lhe deu raz\u00e3o pelo r\u00e1dio do t\u00e1xi atrav\u00e9s de alguma m\u00fasica e n\u00e3o que ele tomou um t\u00e1xi com Julio Iglesias e trocou uma ideia com ele, certo?<\/p>\n<p>Quando eu digo que eu realmente tentei, n\u00e3o estou de sacanagem. Vamos ver o que Humberto Gessinger explica sobre a m\u00fasica em sua biografia: \u201cEm PIANO BAR, a cada show, mudo a m\u00fasica que estaria tocando no t\u00e1xi. Nas grava\u00e7\u00f5es, j\u00e1 foi Julio Iglesias, Willie Nelson e Bob Marley. Em POUCA VOGAL, os dois irm\u00e3os s\u00e3o Kleiton e Kledir. Pelo bem da cronologia, o primeiro r\u00e1dio de t\u00e1xi que toca \u00e9 o de ANOITECEU EM PORTO ALEGRE. Madrugada adentro, uma can\u00e7\u00e3o mal traduzida e um pastor que exorciza\u201d.<\/p>\n<p>A autoestima vai l\u00e1 no p\u00e9, n\u00e9? N\u00e3o entendi porra nenhuma. A vers\u00e3o que mais tocou no auge da m\u00fasica, ou ao menos a que mais chegou aos meus ouvidos, foi a que citava o Paul Simon&#8230; Sobre Paul Simon, no clipe ele estava de preto, mas na verdade n\u00e3o era n\u00e3o&#8230; o que n\u00e3o era? N\u00e3o era o Paul Simon? O Paul Simon n\u00e3o estava de preto? N\u00e3o era um clipe? Daltonismo n\u00e3o \u00e9, pois dalt\u00f4nicos n\u00e3o confundem a cor preta, portanto, me parece que a confus\u00e3o foi sobre a pessoa. Seria poss\u00edvel que um m\u00fasico confunda outro m\u00fasico? Nunca saberemos.<\/p>\n<p>Por favor, algu\u00e9m me ajude a compreender o significado, ao menos deste trecho. Digam a verdade, doa a quem doer (doem sangue me dem seu telefone! Ha!)<\/p>\n<p><strong>INFINITA HIGHWAY<\/strong><\/p>\n<p>Nessa eu me superei, n\u00e3o entendo nem o t\u00edtulo! Eu sei que Highway \u00e9 autoestrada em ingl\u00eas e cheguei a cogitar da m\u00fasica tra\u00e7ar um paralelo entre a vida e uma estrada, mas, at\u00e9 onde me consta, a vida n\u00e3o \u00e9 infinita. Talvez ele queira dizer que a estrada da vida \u00e9 infinita, apenas acaba para cada um de n\u00f3s, mas mesmo que n\u00e3o estejamos mais aqui, a estrada continua.<\/p>\n<p>Vamos ver o que nos explicou HG em sua biografia: <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um lugar-comum, o tema da estrada sem fim. Aqui e no country americano. Varia\u00e7\u00f5es da mesma longa estrada da vida cantada por Milion\u00e1rio e Jos\u00e9 Rico. N\u00f3s, no RS, desde os anos 70 estamos acostumados com o termo freeway, acho que da\u00ed veio highway, mais do que de alguma m\u00fasica gringa.\u201d<\/p>\n<p>Beleza, lendo assim parece que \u00e9 mesmo um paralelo entre uma estrada e a vida. Mas em diversos trechos da m\u00fasica a coisa n\u00e3o converge para esse ponto ou parece completamente desconectada dele;<\/p>\n<p><em>\u201cna boca, em vez de um beijo<br \/>\num chiclete de menta<br \/>\ne a sombra de um sorriso que eu deixei<br \/>\nnuma das curvas da Highway\u201d<\/em><\/p>\n<p>Isso quer dizer o qu\u00ea? Que ele n\u00e3o pegava ningu\u00e9m? Talvez na sua boca teria um beijo, Humberto, em vez de um chiclete de menta, se voc\u00ea falasse as coisas mais claramente, e n\u00e3o em enigmas cifrados. Mas n\u00e3o deve ser o caso, pois ele tem um relacionamento de longa data com sua atual esposa, que parece ser uma parceria muito feliz.<\/p>\n<p>E se a esposa n\u00e3o o beijar por n\u00e3o entender o que ele est\u00e1 dizendo? E se em vez de pedir um beijo ele diz para \u201cn\u00e3o usar a Highay para n\u00e3o causar impacto\u201d? E se em vez de pedir um beijo ele diz que \u201ca d\u00favida \u00e9 o pre\u00e7o da pureza e \u00e9 in\u00fatil ter certeza\u201d? Talvez esteja faltando comunica\u00e7\u00e3o. Em todo caso, fico feliz que ele tenha dito apenas \u201cvoc\u00ea desliga o telefone se eu ficar muito abstrato\u201d, se ele tivesse cantado \u201cvoc\u00ea desliga o r\u00e1dio se eu ficar muito abstrato\u201d ningu\u00e9m nunca teria escutado uma m\u00fasica da banda at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>1987. Esse \u00e9 o ano no qual eu comecei a tentar entender essa m\u00fasica. Voc\u00ea acha isso justo, Humberto? Que tal lan\u00e7ar outro livro, al\u00e9m da sua biografia, explicando as m\u00fasicas? Se o t\u00edtulo da biografia foi \u201cPra ser sincero\u201d, que tal lan\u00e7ar um livro chamado \u201cPra ser claro\u201d e elucidar o significado dessas letras par a gente? Teria que ser tipo uma Enciclop\u00e9dia Barsa, n\u00e9 Humberto? Um volume para cada m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>MUROS E GRADES<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma das letras que mais gosto, ao menos as partes que eu consigo entender. Esta ele nem se deu ao trabalho de explicar na sua biografia, vai ver ele considera \u00f3bvia. Deve ser bem fascinante viver na cabe\u00e7a do Humberto Gessinger. A parte que mais me intriga \u00e9 essa:<\/p>\n<p><em>\u201ca viol\u00eancia travestida<br \/>\nfaz seu trottoir<br \/>\nem armas de brinquedo<br \/>\nmedo de brincar<br \/>\nem an\u00fancios luminosos<br \/>\nl\u00e2minas de barbear\u201d<\/em><\/p>\n<p>A viol\u00eancia camuflada de outra coisa pavimenta seu caminho, consolida seu lugar, ocupa um lugar. Confuso. Do que a viol\u00eancia est\u00e1 travestida?  de consumismo? De amor? De idolatria? Como a viol\u00eancia se infiltrou e se consolidou na sociedade com outro nome? O que est\u00e1 acontecendo? E o que j\u00e1 n\u00e3o estava f\u00e1cil ganha uma nova camada de dificuldade.<\/p>\n<p>Mas depois piora. O exemplo que ele d\u00e1 de como a viol\u00eancia travestida trilha seu caminho na sociedade \u00e9: em armas de brinquedo, no medo de brincar, em an\u00fancios luminoso e&#8230; L\u00c2MINAS DE BARBEAR. Ah, para! Esse \u201cl\u00e2minas de barbear\u201d foi s\u00f3 para rimar, n\u00e9? Ou algu\u00e9m assaltou a banda com uma Gillette? (n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o pode ser \u00e9 claro que n\u00e3o \u00e9! Ser\u00e1?)<\/p>\n<p>Sabe aqueles exerc\u00edcios did\u00e1ticos que se faz com crian\u00e7a pequena pedindo que circule o item que n\u00e3o pertence ao grupo? Mostram um desenho de um cachorro, de um gato, de um can\u00e1rio e o de um abacaxi. Pois \u00e9, a l\u00e2mina de barbear \u00e9 o abacaxi. Me explica o que tem em comum entre uma arma de brinquedo, um an\u00fancio luminoso, o medo de brincar e l\u00e2minas de barbear!<\/p>\n<p><strong>AL\u00cdVIO IMEDIATO<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das minhas m\u00fasicas favoritas do Engenheiros do Hawaii. E falar sobre esta m\u00fasica \u00e9 cortar na carne, pois al\u00e9m de amar a m\u00fasica, ela \u00e9 um tremendo earworm para mim. S\u00f3 de ler a letra ela j\u00e1 ficou no meu ouvido e eu vou passar o resto da semana murmurando \u201cque a chuva caia&#8230;\u201d. Orem pelo c\u00edrculo de pessoas pr\u00f3ximas a mim que ter\u00e3o que ouvir que a chuva caia, que a noite caia e todo o resto.<\/p>\n<p>Que seja, se servir para esclarecer essa d\u00favida antiga, vai valer \u00e0 pena. Vamos abstrair que em um mesmo trecho eles falam sobre a L\u00edbia, o v\u00edrus, a libido, o poder, o pudor e o batom. Vamos focar na parte mais cr\u00edtica:<\/p>\n<p><em>\u201cque a chuva caia<br \/>\ncomo uma luva um dil\u00favio, um del\u00edrio<br \/>\nque a chuva traga<br \/>\nal\u00edvio imediato<br \/>\nque a noite caia<br \/>\nde repente caia<br \/>\nt\u00e3o demente quanto um raio<br \/>\nque a noite traga<br \/>\nal\u00edvio imediato\u201d<\/em><\/p>\n<p>M\u00fasica de 1989, n\u00e9 Humbert\u00e3o? N\u00e3o morava no Rio ainda. Se morasse jamais desejaria nem que a chuva caia, nem que a noite caia, de repente caia. N\u00e3o seria um al\u00edvio imediato. No caso da chuva, seria enchente, esgoto transbordando, desabamento. No caso da noite, seria roubo, sequestro e troca de tiro. No Sul \u00e9 outro n\u00edvel.<\/p>\n<p>Me pergunto como ele sobreviveu no Rio de Janeiro com essa sua personalidade de Golden Retriver. Talvez tenha sido poupado por, al\u00e9m de ser um fofo, gente bon\u00edssima, ter esse lado poeta fora da realidade. Talvez tenham tentado assaltar ele e ele tenha respondido com uma frase po\u00e9tica intang\u00edvel. Imagina aquele ladr\u00e3o carioca \u201cP\u00e9rrrrdeu preib\u00f3\u00f3\u00f3 passa a carrrrteira\u201d e o Humberto fala algo sobre a Infinita Highway? Certeza de que o ladr\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 desiste de roub\u00e1-lo, como ainda entra em um processo imersivo que culmina em uma depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A parte que intriga \u00e9 pedir que a noite caia \u201ct\u00e3o demente quanto um raio\u201d. Existe outro significado para a palavra \u201cdemente\u201d que eu desconhe\u00e7a? Se n\u00e3o, o que seria um raio demente? E como, em nome de Deus, um raio demente pode trazer qualquer al\u00edvio imediato?<\/p>\n<p>Em todo caso, fica a dica para os desavisados: a chuva e a noite n\u00e3o trazem al\u00edvio imediato em todas as cidades do Brasil. Melhor n\u00e3o desejar por elas.<\/p>\n<p><strong>PARAB\u00d3LICA<\/strong><\/p>\n<p>Eu tinha uma boa interpreta\u00e7\u00e3o para essa m\u00fasica, at\u00e9 descobrir, pela boca do pr\u00f3prio Humberto Gessinger (em uma entrevista) que a m\u00fasica foi composta para sua filha. <\/p>\n<p>Por mais que encha meu cora\u00e7\u00e3o de amor a coragem de, no meio de uma onda grunge de bandas rebeldes que xingam, usam drogas e quebram tudo, lan\u00e7ar uma baladinha super fofa para sua beb\u00ea, a letra \u00e9 question\u00e1vel. Porra, Humberto, a m\u00fasica tem frases como \u201co pecado mora ao lado\u201d e \u201cpecados no para\u00edso\u201d, se fosse hoje, em tempos de histeria extrema, o Conselho Tutelar tava batendo na porta no primeiro acorde.<\/p>\n<p>Mas, a parte que mais me intriga \u00e9 essa, com um pequeno b\u00f4nus no final.<\/p>\n<p><em>\u201cEla para e fica ali parada<br \/>\nOlha-se para nada<br \/>\nParan\u00e1<br \/>\nFica parecida, paraguaia<br \/>\nPara-raios em dia de sol<br \/>\nPara mim\u201d<\/em><\/p>\n<p>Eu consigo for\u00e7ar alguma coisa na primeira parte: beb\u00eas de fato ficam parados e eventualmente olham para o nada. Talvez a crian\u00e7a, por estar no Rio Grande do Sul, se estivesse olhando em determinada dire\u00e7\u00e3o, de fato poderia estar olhando para o Paran\u00e1. Faz sentido? N\u00e3o faz nenhum sentido. Mas esse trem j\u00e1 partiu, n\u00e3o \u00e9 mesmo? <\/p>\n<p>Mas da\u00ed pra frente&#8230; Nem for\u00e7ando eu chego a algum lugar. Como assim fica parecida paraguaia? Humberto, se juntar voc\u00ea, sua esposa e sua filha n\u00e3o enchem um dedal com melanina. Sua filha pode parecer tudo, mesno uma paraguaia. Como assim parecida paraguaia? Humberto, voc\u00ea j\u00e1 foi ao Paraguai? Se um dia for, se prepare, pois eu acredito que suas expectativas n\u00e3o v\u00e3o condizer com a realidade.<\/p>\n<p>Para-raios em dia de sol para mim? Um para-raios em dia de sol \u00e9 basicamente uma coisa in\u00fatil. IN\u00daTIL, HUMBERTO. \u00c9 isso que voc\u00ea tem a dizer sobre sua filha? Eu sei que beb\u00eas n\u00e3o s\u00e3o muito produtivos, mas puta que pariu, n\u00e3o precisava. N\u00e3o era nem necess\u00e1rio para a rima, Humberto. Podia ser \u201carco-\u00edris em dia de sol para mim\u201d, algo bonito, que alegra o dia. \u201cLimonada em dia de sol para mim\u201d (algo que refresca o dia). \u201cAr-condicionado em dias de sol para mim\u201d, algo vital para existir.<\/p>\n<p>E por fim, o \u00faltimo trecho, o b\u00f4nus que eu citei, que talvez seja o mais inexplic\u00e1vel de todas as m\u00fasicas dos Engenheiros do Hawaii:<\/p>\n<p><em>Prenda minha parab\u00f3lica<br \/>\nPrincesinha Clarab\u00f3lica<br \/>\nParalelas que se cruzam<br \/>\nEm Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/em><\/p>\n<p>S\u00c9RIO HUMBERTO? PARALELAS QUE SE CRUZAM EM BEL\u00c9M DO PAR\u00c1?<\/p>\n<p>VOC\u00ca ME ODEIA? A geometria com certeza voc\u00ea odeia. Voc\u00ea \u00e9 arquiteto, Humberto. Uma gera\u00e7\u00e3o inteira cantando \u201cparalelas que se cruzam\u201d e limpando a bunda com livro did\u00e1tico. E logo em Bel\u00e9m do Par\u00e1? N\u00e3o tinha um lugar melhor?<\/p>\n<p>E a m\u00eddia, cada vez que tem acesso a ele, faz sempre as mesmas perguntas: \u201ca atual juventude tamb\u00e9m \u00e9 uma banda numa propaganda de refrigerantes? D\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3\u201d. \u201cQuem \u00e9 Ana? Durrrrrrrr\u201d. \u201cOs Engenheiros do Hawaii v\u00e3o voltar? HUEHUEHUE\u201d. Sabe quando os Engenheiros v\u00e3o voltar? Quando for completamente inesperado, inusitado e improv\u00e1vel que isso aconte\u00e7a. No meio dessa modinha de revival? N\u00e3o v\u00e3o. Pergunta as porras das paralelas que se cruzam em Bel\u00e9m do Par\u00e1, desgra\u00e7a!<\/p>\n<p>Esse espa\u00e7o do meu c\u00e9rebro podia estar sendo utilizado para lembrar das minhas senhas (se eu ganhasse um real para cada vez que tenho que clicar \u201cesqueci minha senha\u201d n\u00e3o precisaria mais trabalhar), esse espa\u00e7o do meu c\u00e9rebro poderia ser usado para lembrar de comprar tudo que preciso no mercado (sempre me falta um item e tenho que voltar), mas n\u00e3o, a mem\u00f3ria fica ocupada com esse tipo de coisa: \u201cO que diabos quer dizer PARALELAS QUE SE CRUZAM EM BEL\u00c9M DO PAR\u00c1\u201d. Est\u00e1 feliz, Humberto?<\/p>\n<p>Eu vou al\u00e9m: eu podia gostar de Paralamas, n\u00e3o \u00e9 mesmo? A mo\u00e7a n\u00e3o se interessa pelo rapaz porque ele usa \u00f3culos. \u00c9 simples, \u00e9 f\u00e1cil, metade da letra \u00e9 \u201c\u00f4 \u00f4\u201d. Eu podia gostar de Legi\u00e3o, aquelas letras deprimentes repetitivas. Eu poderia gostar de Tit\u00e3s, pol\u00edcia \u00e9 para quem precisa de pol\u00edcia. Eu poderia at\u00e9 gostar de funk, que basicamente repete \u201csenta, senta, senta\u201d sem qualquer sutileza sobre seu significado. Mas n\u00e3o. <\/p>\n<p>Eu podia gostar de qualquer banda, mas tinha que ser a mais complicada, a mais dif\u00edcil de entender, a que vai comer mem\u00f3ria RAM do meu c\u00e9rebro por d\u00e9cadas com questionamentos sobre a roupa do Paul Simon, o que \u00e9 um raio demente e A PORRA DAS PARALELAS QUE SE CRUZAM EM BEL\u00c9M DO PAR\u00c1, n\u00e3o \u00e9 mesmo? <\/p>\n<p>Obrigada, Humberto, por me gerar anos de c\u00e2imbra mental tentando entender essas m\u00fasicas!<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para me chamar de velha (verdade), para dizer que Humberto Gessinger nunca vai ler isso (verdade) ou ainda para dizer que essas m\u00fasicas foram compostas sorteando palavras aleatoriamente no dicion\u00e1rio (mentira): <a href=\"#respond\">comente<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre gostei de Engenheiros do Hawaii. E como toda pessoa que gosta de Engenheiros do Hawaii, sempre gostei muito. N\u00e3o costuma haver meio-termo, quem gosta, gosta com for\u00e7a. Por\u00e9m, eu nunca entendi muitas das letras das m\u00fasicas deles.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-23056","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-descult"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23056"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23056\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}