{"id":25123,"date":"2025-01-24T13:28:29","date_gmt":"2025-01-24T16:28:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=25123"},"modified":"2025-11-03T22:55:44","modified_gmt":"2025-11-04T01:55:44","slug":"brincadeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/01\/brincadeira\/","title":{"rendered":"Brincadeira?"},"content":{"rendered":"<p>Vamos conversar sobre brincadeiras? Aqui no Desfavor amamos brincar com tudo e todos, mas, quem \u00e9 nosso leitor sabe que existe uma regra de ouro: n\u00e3o violar a confian\u00e7a do leitor (exceto em um \u00fanico dia do ano, o Dia do Troll, onde avisadamente isso pode acontecer). Uma brincadeira que viola a confian\u00e7a do outro em voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. Ainda assim, parece ser algo normalizado no Brasil.<!--more--><\/p>\n<p>O fato de ser uma brincadeira n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o deva ter limites. Uma brincadeira que magoa a pessoa que voc\u00ea ama n\u00e3o tem gra\u00e7a. Ao contr\u00e1rio do humor, de uma piada, que podem n\u00e3o ser consumidos caso desagrade, uma brincadeira que uma pessoa do seu conv\u00edvio faz com voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 algo evit\u00e1vel. Justamente por isso, demanda um cuidado maior. Uma brincadeira que viola a confian\u00e7a que a pessoa tem em voc\u00ea \u00e9, al\u00e9m de escrota, contraproducente.<\/p>\n<p>Como saber se uma brincadeira viola a confian\u00e7a que a pessoa tem em voc\u00ea? Simples, a premissa para a brincadeira implica em usar a confian\u00e7a que a pessoa tem em voc\u00ea para engan\u00e1-la, ainda que de uma forma aparentemente inofensiva? Viola a confian\u00e7a. E \u00e9 bem escroto.<\/p>\n<p>Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 fingir que est\u00e1 machucado, para assustar a pessoa. Fingir que est\u00e1 tomando um choque. Fingir que est\u00e1 acontecendo qualquer coisa que assuste a outra pessoa. Outro exemplo \u00e9 atrair a pessoa para uma situa\u00e7\u00e3o na qual voc\u00ea vai assust\u00e1-la, humilh\u00e1-la ou induzi-la a erro.<\/p>\n<p>Existem infinitas formas de brincar. Existem infinitos recursos de humor. Existem infinitos est\u00edmulos que podem te divertir e divertir as pessoas com as quais voc\u00ea est\u00e1 interagindo. O que nos leva \u00e0 reflex\u00e3o: por qual motivo escolher uma brincadeira cuja premissa \u00e9 abusar da confian\u00e7a do outro? Uma brincadeira cuja premissa \u00e9 usar a confian\u00e7a que a pessoa tem em voc\u00ea para engan\u00e1-la? \u00c9 um sintoma. \u00c9 um sintoma de algo bem errado com o autor da brincadeira.<\/p>\n<p>Provavelmente baixa autoestima, que se compensa com a gratifica\u00e7\u00e3o de enganar o outro, de ser aquele que tem o dom\u00ednio da situa\u00e7\u00e3o, de ser aquele que det\u00e9m o poder naquele evento. De fato, geralmente esse comportamento vem de pessoas sem muito poder: empregados que s\u00e3o obrigados a ser pau mandados de chefes, por exemplo, que nunca chegam a ocupar um cargo de poder. <\/p>\n<p>A forma da pessoa conseguir algum poder, alguma sensa\u00e7\u00e3o de controle, \u00e9 escrotizando quem confia nela. Nossa, espert\u00e3o voc\u00ea, enganou sua esposa, tapeou seu filho pequeno, induziu sua m\u00e3e a erro.<\/p>\n<p>Quem nunca viu um pai tosco que pega um bicho que o filho tem medo e joga dentro da camiseta da crian\u00e7a e fica rindo? Periga at\u00e9 dele dizer que \u00e9 brincadeira \u201cpara ele perder o medo\u201d. Depois, quando \u00e9 jogado em um asilo na terceira idade (pois esse comportamento costuma ser reiterado e perdurar por toda a vida), chama o filho de ingrato. O fato de ser pai ou ser filho e algu\u00e9m n\u00e3o garante amor autom\u00e1tico, esse amor precisa ser cultivado e cuidado. E uma das principais formas de cuidado \u00e9 cultivando a confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quem nunca viu um neto que liga para a av\u00f3, card\u00edaca, e diz que foi sequestrado, enquanto rola de rir do outro lado da liga\u00e7\u00e3o? Imagina a car\u00eancia de amor que essa pessoa tem para ter que emular uma situa\u00e7\u00e3o de desespero em algu\u00e9m, para, atrav\u00e9s dessa rea\u00e7\u00e3o de desespero, confirmar que \u00e9 amado.<\/p>\n<p>O que quero dizer \u00e9 que essas pessoas que fazem brincadeiras que traem a confian\u00e7a nem sempre s\u00e3o m\u00e1s pessoas ou s\u00e1dicas. Acredito que a maior parte das vezes elas nem percebem o que fazem, apenas fazem. Na maior parte das vezes \u00e9 baixa autoestima e mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o mesmo, de forma inconsciente. <\/p>\n<p>Mas, ainda assim, s\u00e3o uns escrotos e deveriam se comportar de forma mais digna com aqueles que amam. Ta\u00ed uma sutileza dif\u00edcil de explicar: \u00e9 poss\u00edvel ter um comportamento escroto sem ser um filho da puta. Mesmo que um comportamento seja perpetrado sem que a pessoa perceba que aquilo \u00e9 nocivo, continua sendo um comportamento escroto. Talvez a pessoa n\u00e3o seja uma escrota, mas o comportamento o \u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 perfeitamente poss\u00edvel brincar com as pessoas que confiam em voc\u00ea sem assust\u00e1-las, sem engan\u00e1-las ou sem trair sua confian\u00e7a de qualquer outra forma. Se, dentre as in\u00fameras op\u00e7\u00f5es, voc\u00ea escolhe uma brincadeira que engana o outro, desculpa, mas seu prazer n\u00e3o est\u00e1 na brincadeira e sim no enganar. A brincadeira \u00e9 s\u00f3 um \u00e1libi para que voc\u00ea possa dar vaz\u00e3o a isso de uma forma aparentemente \u201cinofensiva\u201d e socialmente aceita.<\/p>\n<p>E geralmente quem faz costuma ficar bem reativo quando escuta esse tipo de cr\u00edtica que eu estou falando, pois desmonta um mecanismo do qual a pessoa precisa muito. Vai ter coment\u00e1rio me chamando de fresca, amargurada e similares. <\/p>\n<p>A pessoa precisa dar vaz\u00e3o a essa escrotid\u00e3o com o outro acreditando que n\u00e3o causa mal algum. Quando voc\u00ea esfrega na cara da pessoa que o ato, por si s\u00f3, independente da rea\u00e7\u00e3o do outro, n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel, tira dela esse recurso e ela fica muito, mas muito puta.<\/p>\n<p>Ainda que a pessoa alvo da brincadeira n\u00e3o fique puta, isso vai minando a confian\u00e7a. Frequentemente a pessoa se perguntar\u00e1 se o que voc\u00ea est\u00e1 falando \u00e9 verdade ou mais uma \u201cbrincadeira\u201d. Frequentemente a pessoa vai desacreditar. Frequentemente a pessoa n\u00e3o levar\u00e1 a s\u00e9rio, ainda que internamente. Frequentemente a pessoa se pegar\u00e1 se defendendo, se precavendo contra uma poss\u00edvel brincadeira. N\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel viver assim. Uma vida saud\u00e1vel exige confian\u00e7a plena, relaxamento, parceria incondicional.<\/p>\n<p>Algumas pessoas aceitar\u00e3o, encarando essas \u201cbrincadeiras\u201d como uma forma de demonstrar afeto. O problema est\u00e1 no pacote que vem disso. Uma pessoa bem-resolvida, com boa autoestima, com sa\u00fade mental em dia, n\u00e3o vai achar gra\u00e7a de brincadeiras que minam a confian\u00e7a. Ent\u00e3o, quem fica, s\u00f3 fica por ter alguma bagagem, bagagem essa que o outro quase nunca gosta.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 atraio gente maluca\u201d, dir\u00e3o. Como se fosse um grande azar. Ou deprimidos. Ou qualquer outro grupo com qualquer outro problema. Pois \u00e9, quando voc\u00ea perpetra um comportamento disfuncional, \u00e9 isso o que acontece, voc\u00ea atrai pessoas disfuncionais. Quem n\u00e3o \u00e9 disfuncional n\u00e3o tem interesse em ficar ao seu lado. Mas, em vez de refletir sobre isso, a pessoa prefere presumir que todas as mulheres\/homens s\u00e3o disfuncionais.<\/p>\n<p>Tudo piora se a pessoa fica muito enraivecida quando \u00e9 deixada \u201cnua\u201d, quando se aponta o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessas \u201cbrincadeiras\u201d, do mecanismo que a faz escolher esse tipo de brincadeira. \u00c9 quase certo que venha ataque para quem informe n\u00e3o gostar disso.<\/p>\n<p>A pessoa intimida, quer convencer a outra que ela \u00e9 hist\u00e9rica, chata, n\u00e3o tem senso de humor, por n\u00e3o gostar de brincadeiras que minem a confian\u00e7a. E isso, senhores, \u00e9 text book de agress\u00e3o psicol\u00f3gica: tentar convencer o outro de que ele n\u00e3o tem direito de desgostar de algo que voc\u00ea \u00e9 ou faz, pois implicaria em uma caracter\u00edstica negativa para a pessoa que reclama.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o qu\u00e9diz\u00ea que n\u00e3o pode mais brincar com as pessoas que voc\u00ea gosta?\u201d. N\u00e3o, Pessoa Quer Dizer, n\u00e3o \u00e9 isso. \u00c9 perfeitamente poss\u00edvel brincar de infinitas maneiras que n\u00e3o envolvam violar a confian\u00e7a do outro. E se voc\u00ea n\u00e3o consegue pensar em nenhuma delas, bem, sugiro procurar terapia.<\/p>\n<p>\u201cMas eu sei que n\u00e3o estou violando a confian\u00e7a ao fazer essas piadas porque a pessoa n\u00e3o fica puta\u201d. Ent\u00e3o. Violar a confian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo da pessoa ficar puta. Mesmo que a pessoa n\u00e3o fique puta, se voc\u00ea usou a confian\u00e7a que ela tem em voc\u00ea para induzi-la a um erro e fazer disso algo supostamente engra\u00e7ado, violou a confian\u00e7a sim. <\/p>\n<p>A pessoa, mesmo sem sentir raiva ou m\u00e1goa, confiar\u00e1 menos em voc\u00ea, duvidar\u00e1 mais, se perguntar\u00e1 se \u00e9 piada. N\u00e3o est\u00e1 no seu controle. N\u00e3o existe forma de fazer isso sem abalar a confian\u00e7a que a pessoa tem em voc\u00ea. Sinto muito informar, mas atos tem consequ\u00eancias e se voc\u00ea usa a confian\u00e7a que a pessoa tem em voc\u00ea para engan\u00e1-la, ainda que com uma finalidade inofensiva, isso compromete a confian\u00e7a sim.<\/p>\n<p>Pode nunca ser um problema, mas pode vir a ser. Conhe\u00e7o um casal cujo marido se regia por essa din\u00e2mica e, um dia, teve uma c\u00e2imbra na piscina e come\u00e7ou a se afogar. Pediu ajuda aos berros, pois n\u00e3o conseguia nadar at\u00e9 a borda, e a mulher ficou berrando do lado de dentro \u201cPara de gra\u00e7a, Fulano\u201d e n\u00e3o socorreu. Esse tipo de coisa pode acontecer.<\/p>\n<p>E, mesmo que n\u00e3o aconte\u00e7a um acidente, sempre h\u00e1 preju\u00edzo. Como j\u00e1 dissemos, o grande preju\u00edzo come\u00e7a no filtro: que tipo de pessoa topa essa din\u00e2mica. Te asseguro que o pacote da pessoa que aceita isso vem com muitos problemas que, cedo ou tarde, v\u00e3o se manifestar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, quando essa din\u00e2mica \u00e9 levada para filhos, especialmente crian\u00e7as, os problemas se multiplicam. \u201cSempre fiz isso com meu filho e ele est\u00e1 \u00f3timo\u201d. Olha, seu filho pode n\u00e3o ser usu\u00e1rio de drogas ou criminoso, mas emocionalmente eu te asseguro que ele n\u00e3o est\u00e1 \u00f3timo n\u00e3o. Ele tem sequelas disso. <\/p>\n<p>Obviamente negadores negar\u00e3o, a pessoa precisa acreditar que \u00e9 ok e que \u00e9 saud\u00e1vel fazer brincadeiras que violem a confian\u00e7a dos outros, pois ela realmente precisa continuar fazendo. T\u00e1 certo. Continuem. Bem longe de mim.<\/p>\n<p>Se eventualmente uma alma boa que fazia isso sentiu cair uma ficha e percebeu que n\u00e3o \u00e9 legal, maravilha, este texto foi \u00fatil. Por\u00e9m duvido bastante, \u00e9 um mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o do qual a pessoa precisa muito, d\u00f3i muito para a pessoa abrir m\u00e3o dele. <\/p>\n<p>O mais prov\u00e1vel \u00e9 que pessoas que s\u00e3o alvo destas brincadeiras que violam a confian\u00e7a leiam este texto e pensem \u201cEnt\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo que eu n\u00e3o goste?\u201d. E \u00e9 para elas que eu escrevo este texto: sim, \u00e9 leg\u00edtimo e saud\u00e1vel n\u00e3o gostar dessa din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Obviamente, quem promove esse comportamento vai tentar de todas as formas desmerecer o seu rep\u00fadio, te imputando qualidades negativas (maluca, fresca, n\u00e3o tem senso de humor). \u00c9 o que manipuladores e pessoas fodidas da cabe\u00e7a fazem: n\u00e3o te d\u00e3o o direito de critic\u00e1-las sem que isso cole em voc\u00ea algum r\u00f3tulo negativo. Pense muito bem se quer ficar com uma pessoa assim.<\/p>\n<p>At\u00e9 com animais esse comportamento \u00e9 indesejado. O cl\u00e1ssico exemplo \u00e9 o tutor que pega e finge que joga uma bolinha e n\u00e3o joga, deixando o cachorro confuso. Parab\u00e9ns, como voc\u00ea \u00e9 espero, voc\u00ea enganou um animal de rabo. Essa brincadeira s\u00f3 \u00e9 divertida para voc\u00ea e \u00e9 sintom\u00e1tico que voc\u00ea se divirta ao criar uma situa\u00e7\u00e3o na qual tem o controle completo dos atos e o outro faz papel de bobo, fica confuso ou ansioso gra\u00e7as a uma artimanha sua.<\/p>\n<p>Quem for mais velho ou mais tosco vai dizer que n\u00e3o tem problema algum e que o animal n\u00e3o se importa, se diverte. Mas quem conhece um pouquinho a psicologia canina sabe que isso mina a confian\u00e7a do seu c\u00e3o em voc\u00ea, podendo gerar comportamentos ansiosos no longo prazo. Se voc\u00ea quer ter um c\u00e3o (ou um filho) equilibrado, ele tem que saber que voc\u00ea ser\u00e1 consistente, coerente e verdadeiro o tempo todo.<\/p>\n<p>Brincando a gente diz e mostra um monte de verdades sobre n\u00f3s mesmos. Quem escolhe a mentira como ve\u00edculo para brincadeira, est\u00e1 te dando uma baita dica sobre si mesmo. Escute.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos conversar sobre brincadeiras? Aqui no Desfavor amamos brincar com tudo e todos, mas, quem \u00e9 nosso leitor sabe que existe uma regra de ouro: n\u00e3o violar a confian\u00e7a do leitor (exceto em um \u00fanico dia do ano, o Dia do Troll, onde avisadamente isso pode acontecer). 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