{"id":25848,"date":"2025-02-04T12:26:22","date_gmt":"2025-02-04T15:26:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=25848"},"modified":"2026-01-08T16:06:15","modified_gmt":"2026-01-08T19:06:15","slug":"remedio-amargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/02\/remedio-amargo\/","title":{"rendered":"Rem\u00e9dio amargo."},"content":{"rendered":"<p>Eu tenho uma lista de assuntos sobre os quais gostaria de falar aqui, mas nunca consigo, pois desde janeiro o Brasil \u00e9 um atropelo de Desfavores. E hoje n\u00e3o foi diferente. Um final de semana de barb\u00e1ries me obriga a comentar um assunto mais do que desagrad\u00e1vel.<!--more--><\/p>\n<p>Todos devem estar cientes da barb\u00e1rie que aconteceu no Recife, uma suposta briga de torcida, que acabou com espancamento, pessoas seriamente feridas e homem com o \u00e2nus dilacerado por uma barra de ferro. Tamb\u00e9m tivermos um epis\u00f3dio da mesma esp\u00e9cie em um show da Anitta, onde um homem foi estuprado de forma violenta.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o vou entrar em detalhes de nada, s\u00f3 quero chamar \u00e0 reflex\u00e3o o quanto mais v\u00e3o esperar a barb\u00e1rie evoluir para fazer algo. Todas as propostas que eu vejo s\u00e3o inexequ\u00edveis ou de longo prazo. O que ser\u00e1 feito hoje para evitar que os filhos de voc\u00eas sejam v\u00edtimas da barb\u00e1rie?<\/p>\n<p>\u201cAin Sally, falar \u00e9 f\u00e1cil, d\u00e1 uma sugest\u00e3o voc\u00ea ent\u00e3o\u201d. Ok. Eu tenho uma sugest\u00e3o, s\u00f3 que ela n\u00e3o \u00e9 bonita. Quando deixamos as coisas chegarem a um ponto extremo, a solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem que ser extrema. Na minha opini\u00e3o, eventos que envolvam grandes reuni\u00f5es de pessoas deveriam ser proibidos no Brasil at\u00e9 que se encontre uma solu\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que o Poder P\u00fablico consiga controlar essas pessoas violentas que fazem esse tipo de barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Vai ser legal? N\u00e3o. Vai ser horr\u00edvel, terr\u00edvel e provavelmente muito criticado. Mas gente que n\u00e3o sabe se portar n\u00e3o pode se reunir. &#8220;Mas Sally, eu sei me portar e vou ser punido por culpa de quem n\u00e3o sabe?&#8221;. Bem-vindo ao conceito de Estado e de leis: para impedir que nos matemos, todos abdicamos de alguma liberdade individual para criar as normas necess\u00e1rias para prote\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>Perceba que n\u00e3o \u00e9 um projeto de vida: banir para todo sempre eventos coletivos. \u00c9 uma medida tempor\u00e1ria para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. E quando se tem uma enorme press\u00e3o para que a medida tempor\u00e1ria cesse, por ela ser muito restritiva, o empenho em encontrar uma solu\u00e7\u00e3o tende a ser maior.<\/p>\n<p>Gente, infelizmente quando as coisas passam dos limites nesse ponto, o rem\u00e9dio \u00e9 sempre amargo. Bota um limite menor de pessoas por evento e nada acima disso \u00e9 autorizado (e precisa ser coibido), pois obviamente quando h\u00e1 muitas pessoas reunidas o Poder P\u00fablico n\u00e3o consegue dar conta da \u00edndole animalesca de alguns que ali est\u00e3o. Fica a\u00ed a proposta: que n\u00e3o se re\u00fanam mais pessoas em grandes n\u00fameros.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 justo punir todo mundo por causa de uma minoria\u201d. Primeiro que n\u00e3o \u00e9 punir, no caso, \u00e9 proteger. Nem toda limita\u00e7\u00e3o ou restri\u00e7\u00e3o \u00e9 puni\u00e7\u00e3o. Segundo que, como j\u00e1 dissemos antes, bem-vindo ao mundo, \u00e9 assim que as leis s\u00e3o feitas, s\u00e3o criadas restri\u00e7\u00f5es baseadas nos abusos que uma minoria comete. Ou por acaso voc\u00ea acha que todo mundo que dirige b\u00eabado mata algu\u00e9m? O que se tutela \u00e9 o risco. N\u00e3o queremos o risco. E se esse tipo de coisa come\u00e7a a acontecer rotineiramente, \u00e9 um risco.<\/p>\n<p>Criar uma situa\u00e7\u00e3o dessas de desconforto acelera o processo, se n\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o, ao menos de press\u00e3o para solucionar a quest\u00e3o. Se mais ningu\u00e9m puder ir a show, jogo, a porra de lugar nenhum em massa, as pessoas rapidamente v\u00e3o tentar resolver o problema (ou pressionar para que se resolva) e melhorar, para poder voltar a se reunir. E, quando for liberado, talvez pensem duas vezes antes de cometer uma barb\u00e1rie, pois saber\u00e3o que isso pode custar a perda do direito de se reunir novamente.<\/p>\n<p>Mais: se as pessoas sentirem esse rem\u00e9dio amargo, quando forem autorizadas a se reunir novamente, elas mesmas se encarregar\u00e3o de neutralizar quem queira cometer uma barb\u00e1rie, pois saber\u00e3o que se isso acontecer, todas voltar\u00e3o a sofrer proibi\u00e7\u00f5es. Uma proibi\u00e7\u00e3o dessa \u201cseveridade\u201d faz com que a pr\u00f3pria sociedade se engaje em impedir que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, seria imposs\u00edvel de fiscalizar\u201d. N\u00e3o. Seria dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel. Sem contar que, ao ser proibido, todos os eventos oficiais de aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas seriam suspensos e isso barra boa parte do problema. Nenhum dos dois exemplos de hoje teria acontecido: nem jogo de futebol, nem show. Ao menos n\u00e3o com tantas pessoas.<\/p>\n<p>E, n\u00e3o sou idiota, sei que isso n\u00e3o vai acontecer nunca, pois todos os eventos que envolvem aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas geram muita arrecada\u00e7\u00e3o, movimentam muito dinheiro, ent\u00e3o, jamais, em tempo algum, ser\u00e3o suspensos. A raz\u00e3o pela qual trago o tema hoje \u00e9 pelo mecanismo, pela forma de pensar: quando a coisa desanda para um certo grau de barb\u00e1rie, solu\u00e7\u00e3o bonita n\u00e3o resolve, s\u00f3 rem\u00e9dio amargo resolve. Nesse caso espec\u00edfico e em muitos outros.<\/p>\n<p>E com isso de forma alguma queremos sugerir solu\u00e7\u00e3o na base de mil\u00edcia, de viol\u00eancia, de atitudes fora da lei. Tudo que est\u00e1 sendo sugerido aqui deveria ser executado dentro da mais absoluta legalidade: proibi\u00e7\u00e3o formal de eventos que aglomerem mais de X pessoas, sendo os donos do evento responsabilizados patrimonialmente se deixarem que esse n\u00famero seja excedido.<\/p>\n<p>Hora de deixar de lado esse devaneio de querer que as coisas se resolvam, mas de uma forma que n\u00e3o limite, que n\u00e3o incomode, que n\u00e3o implique em restri\u00e7\u00e3o. Quando a coisa sai muito do controle, isso n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. N\u00e3o se socorre um paciente que levou um tiro com um Band-Aid, n\u00e3o se impede as barb\u00e1ries que estamos vendo sem restringir aglomera\u00e7\u00e3o. Infelizmente, tem que ser medidas inc\u00f4modas, restritivas, chatas, que causem aborrecimento em todo mundo.<\/p>\n<p>Tire hoje da sua cabe\u00e7a e jogue no lixo esse mindset de que com medidas administrativas, com aumento de pena, com qualquer coisa que n\u00e3o seja restritiva e que afete e incomode as coisas se resolvem ou melhoram. N\u00e3o se resolvem. N\u00e3o melhoram. Todo mundo tem que cortar na carne para reverter um desgra\u00e7amento do tamanho que est\u00e1 a viol\u00eancia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Bote hoje na sua cabe\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de que, se existe uma chance de conter essa barb\u00e1rie, \u00e9 com medidas que v\u00e3o implicar em restri\u00e7\u00f5es para voc\u00ea tamb\u00e9m. Medidas que v\u00e3o te privar de coisas que voc\u00ea gosta. Medidas que v\u00e3o te deixar revoltado. Quem mandou deixar chegar nesse ponto? Quando mais o problema cresce, mais dif\u00edcil ele se torna de resolver. &#8220;Mas Sally, a culpa n\u00e3o \u00e9 minha&#8221;. A culpa \u00e9 de todos. De quem n\u00e3o fez e de quem n\u00e3o cobrou que se fizesse. Cidadania \u00e9 isso, n\u00e3o \u00e9 apenas ir na urna votar de 4 em 4 anos.<\/p>\n<p>Essa chavinha tem que virar na cabe\u00e7a das pessoas, se n\u00e3o, elas sempre v\u00e3o se acomodar em solu\u00e7\u00f5es c\u00f4modas, como a cria\u00e7\u00e3o de leis, que, como bem estamos vendo, n\u00e3o bastam. Todo mundo vai ter que dar um passo atr\u00e1s e ceder um pouco da sua liberdade, do seu conforto, da sua divers\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio. \u00c9 o \u00fanico jeito.<\/p>\n<p>E nessas horas sempre vem uma alma descolada da realidade dizer que isso \u00e9 conformismo, coisa de gado ou algo do tipo. N\u00e3o, meu anjo, conformismo \u00e9 aceitar que medidas que n\u00e3o co\u00edbem barb\u00e1rie continuem a ser apresentadas como solu\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas. Conformismo \u00e9 permitir que tudo continue como est\u00e1 em um pa\u00eds no qual voc\u00ea, seu pai ou seu filho podem sair na rua e ter o cu dilacerado.<\/p>\n<p>Vamos aproveitar o diferencial deste caso e refletir a respeito: agora as v\u00edtimas s\u00e3o homens. E no Brasil, as pessoas que fazem as leis s\u00e3o homens em sua maioria. Talvez agora que a barb\u00e1rie chegou no cu dos homens, algu\u00e9m se levante e queira fazer algo realmente efetivo a respeito. Agora \u00e9 hora de discutir sobre medidas mais restritivas. Se acontecer, n\u00e3o recuse de cara. Fa\u00e7a uma reflex\u00e3o sobre perder alguns direitos em troca de maior seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>E n\u00e3o venham faniquitar sobre perda de direitos. V\u00e1rios governos j\u00e1 tiraram direitos muito mais importantes e ningu\u00e9m fez esc\u00e2ndalo. Menos, bem menos. A coisa chegou em um ponto assustador, o rem\u00e9dio vai ter que ser amargo. Me parece melhor n\u00e3o poder ir do que ir e sofrer uma viol\u00eancia dessas.<\/p>\n<p>Nunca vou entender essa l\u00f3gica de permitir que um governo te tome direitos na m\u00e3o grande para que ele ganhe mais dinheiro, mas dar um piti quando a redu\u00e7\u00e3o de direitos \u00e9 voltada para manter a sociedade um pouco mais segura. Seu social, seu futebol, seu show \u00e9 mais importante do que a sua aposentadoria? \u00c9 mais importante do que seus direitos trabalhistas? \u00c9 mais importante do que seu sal\u00e1rio?<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta viver em nega\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta repetir discurso de aumento de pena, de prender mais, de construir mais pres\u00eddios, de pena de morte, de pris\u00e3o perp\u00e9tua, do que for. Nada disso \u00e9 imediatamente exequ\u00edvel. Enquanto outras medidas de longo prazo n\u00e3o s\u00e3o tomadas, \u00e9 preciso proteger as pessoas hoje. Primeiro se educa um povo, s\u00f3 depois se d\u00e1 liberdade. Se o coleguinha est\u00e1 matando o outro coleguinha enfiando barra de ferro no \u00e2nus, desculpa, mas n\u00e3o d\u00e1 para falar em direito a liberdade.<\/p>\n<p>Fazer cinco jogos sem p\u00fablico vai mudar o que? Nada. N\u00e3o existe nenhuma provid\u00eancia que possa ser tomada em cinco semanas que melhore a situa\u00e7\u00e3o. Todo jogo no Brasil deveria ser com port\u00f5es fechados e torcidas deveriam ser proibidas de se reunirem de forma multitudin\u00e1ria em qualquer lugar. Isso, e apenas isso, garante a seguran\u00e7a enquanto outras medidas n\u00e3o s\u00e3o tomadas.<\/p>\n<p>Mas, como j\u00e1 dissemos, n\u00e3o vai acontecer. O que sim pode acontecer \u00e9 voc\u00ea ler este texto e deixar cair a ficha de que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave e que quando as coisas chegam nesse ponto s\u00e3o necess\u00e1rias medidas muito restritivas para come\u00e7ar a tentar resolver. N\u00e3o \u00e9 sobre o \u201cseu\u201d direito de ir a um show ou a um jogo, \u00e9 sobre uma parte da sociedade estar doente, animalesca, sem civilidade m\u00ednima para conviver em grandes aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Seu \u201cdireito\u201d de ir a um jogo n\u00e3o \u00e9 nada quando comparado ao direito de outra pessoa de n\u00e3o ter o \u00e2nus dilacerado por uma barra de ferro. N\u00e3o \u00e9 sobre voc\u00ea. \u00c9 sobre uma sociedade que precisa de conten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 para te pedir que reflita sobre medidas desagrad\u00e1veis, impopulares, que, mesmo dentro da lei, privam todo mundo de algumas liberdades e direitos, pois, por piores que elas sejam, n\u00e3o as \u00fanicas que podem conter a barb\u00e1rie que estamos vendo. Hora de come\u00e7ar a pensar com carinho nelas, n\u00e3o como uma solu\u00e7\u00e3o definitiva, mas como uma forma de estancar o sangramento enquanto o tratamento n\u00e3o come\u00e7a.<\/p>\n<p>Preparem a cabe\u00e7a de voc\u00eas para medidas mais restritivas, pois mesmo que n\u00e3o seja agora, em algum momento elas ser\u00e3o necess\u00e1rias. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece caminhar para uma maior civilidade, muito pelo contr\u00e1rio. Em algum momento essa realidade vai se tornar insustent\u00e1vel para todos, a ponto do brasileiro fazer o maluco, dar uma de argentino e votar em outro maluco que execute o rem\u00e9dio amargo necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Aceitem: n\u00e3o tem sa\u00edda de problema de terceiro mundo com regras de primeiro mundo. As leis, as regras, as medidas, as solu\u00e7\u00f5es t\u00eam que ser condizentes com terceiro mundo. E regra para terceiro mundo \u00e9 mais restritiva mesmo. Pune uma maioria por causa de uma minoria. \u00c9 excessivo. Sinto muito, esse \u00e9 o rem\u00e9dio. Ou toma o rem\u00e9dio amargo ou continua doente.<\/p>\n<p>Eu realmente sinto muito que as coisas tenhan chegado nesse patamar. Sinto muito mesmo, de verdade. Acho o Brasil um pa\u00eds com um puta potencial. Mesmo nessas condi\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que transtorna toda a popula\u00e7\u00e3o (quase todo mundo sente medo em algum momento) ainda consegue produzir muita coisa boa para o pa\u00eds e para o mundo. Imagina se fosse um ambiente minimamente decente e igualit\u00e1rio?<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente por confiar no potencial do Brasil que eu estou aqui defendendo medidas mais extremas, ressalte-se, sempre dentro da lei. N\u00e3o \u00e9 para sacanear ningu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 para punir ningu\u00e9m. Eu acredito que um tratamento de choque pode ser o come\u00e7o de uma revers\u00e3o dessa viol\u00eancia brutal. O tratamento de choque seria a conten\u00e7\u00e3o at\u00e9 que se reduza a desigualdade, se invista em educa\u00e7\u00e3o e se melhore a sociedade. \u00c9 como estancar uma hemorragia antes de efetivamente tratar um ferimento.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que quando a popula\u00e7\u00e3o estiver educada, estiver em condi\u00e7\u00f5es de igualdade, quando todos tiverem dignidade, o pa\u00eds poder\u00e1 ter at\u00e9 mais liberdade do que tem hoje. Voc\u00ea n\u00e3o vai viver para ver, mas seu filho vai. Que tal fazer esse esfor\u00e7o por ele?<\/p>\n<p>N\u00e3o precisa fazer manifesta\u00e7\u00e3o, marcha ou protesto. Apenas entenda que o rem\u00e9dio, para funcionar quando um problema est\u00e1 muito avan\u00e7ado, ter\u00e1 que ser muito amargo. Com isso j\u00e1 se d\u00e1 um passo importante na dire\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o. Apenas entenda que o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 a sua bolha, portanto, uma medida que soa ofensiva, excessiva e exagerada para voc\u00ea pode ser o necess\u00e1rio para a sociedade.<\/p>\n<p>E, como a lei \u00e9 para todos e o cumprimento da lei \u00e9 premissa b\u00e1sica de um pa\u00eds civilizado, pelo bem da coletividade voc\u00ea vai ter que se sujeitar a futuras restri\u00e7\u00f5es bem expressivas. Mesmo que n\u00e3o esteja doente, vai ter que tomar o rem\u00e9dio amargo junto com toda a sociedade.<\/p>\n<p>\u201cAin conformista, abaixando a cabe\u00e7a para o Estado, gado&#8230;\u201d. Ent\u00e3o beleza. Fica a\u00ed em um pa\u00eds onde podem dilacerar seu \u00e2nus na rua. Eu moro em um pa\u00eds onde isso n\u00e3o acontece. Boa sorte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tenho uma lista de assuntos sobre os quais gostaria de falar aqui, mas nunca consigo, pois desde janeiro o Brasil \u00e9 um atropelo de Desfavores. E hoje n\u00e3o foi diferente. 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