{"id":26115,"date":"2025-02-14T15:22:33","date_gmt":"2025-02-14T18:22:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=26115"},"modified":"2025-11-03T22:48:01","modified_gmt":"2025-11-04T01:48:01","slug":"gasto-ou-investimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/02\/gasto-ou-investimento\/","title":{"rendered":"Gasto ou investimento?"},"content":{"rendered":"<p>Conversando com a Sally sobre o tema da <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/02\/usaid\/\" target=\"_blank\">USAID<\/a>, eu levantei uma d\u00favida que tinha sobre o valor das a\u00e7\u00f5es americanas ao redor do mundo. Muitas coisas parecem bizarras, especialmente considerando o uso de dinheiro p\u00fablico, mas por que fizeram por tantas d\u00e9cadas? Ser\u00e1 que \u00e9 puro desperd\u00edcio?<!--more--><\/p>\n<p>Sobre o ponto que ela levantou que cada pa\u00eds que decida onde usar seu dinheiro e que \u00e9 rid\u00edculo considerar os EUA como \u201cobrigados\u201d a continuar distribuindo dinheiro ao redor do mundo, eu concordo. Essa mentalidade de considerar caridade como direito n\u00e3o \u00e9 uma expectativa realista. Ajuda \u00e9 ajuda. Se voc\u00ea misturar as coisas, pode acabar se acomodando numa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria sem um plano B.<\/p>\n<p>O meu \u00e2ngulo aqui \u00e9 outro: do ponto de vista de quem doa bilh\u00f5es para combater a fome em pa\u00edses muito pobres ou at\u00e9 mesmo financia \u00f3peras trans na Col\u00f4mbia&#8230; qual \u00e9 a l\u00f3gica por tr\u00e1s de tirar dinheiro do seu pa\u00eds para colocar em a\u00e7\u00f5es de caridade e fomento cultural em outros lugares que nem pagam imposto para voc\u00ea?<\/p>\n<p>Bom, a primeira coisa a se mencionar \u00e9 o conceito de Soft Power, a estrat\u00e9gia de projetar a imagem e a influ\u00eancia do seu pa\u00eds sobre outros sem usar t\u00e1ticas agressivas militares ou econ\u00f4micas. Desde filmes at\u00e9 mesmo caridade, quase tudo pode ser um mecanismo desse tipo de poder. \u00c9 melhor ter amigos e admiradores do que inimigos e rivais, regra simples da vida que escala do nosso cotidiano para as maiores rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>E aqui temos que entender as coisas pelo \u00e2ngulo americano: o que diabos eles ganhavam gastando todo esse dinheiro? O come\u00e7o da USAID \u00e9 uma boa indica\u00e7\u00e3o: foi criada durante a Guerra Fria, quando o objetivo expl\u00edcito era combater a influ\u00eancia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Era na dor como no caso das v\u00e1rias ditaduras apoiadas pelos americanos na Am\u00e9rica do Sul, mas era no \u201camor\u201d da cultura de massa e da caridade tamb\u00e9m, havia um objetivo claro de pintar os EUA como os mocinhos do mundo.<\/p>\n<p>Mas tudo parece t\u00e3o abstrato, n\u00e3o? Como fazer pose de mocinho mexe no pre\u00e7o do d\u00f3lar? Como dar comida para um queniano esquel\u00e9tico ajuda os EUA? E aquela \u00f3pera trans? Como isso rende para os EUA?<\/p>\n<p>Existe um segundo elemento para considerar aqui: gerenciamento de mundo. Isso \u00e9 supercomplexo, eu n\u00e3o sou especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais, mas acho a parte mais fascinante da coisa toda e vou tentar explicar o meu entendimento. Se voc\u00ea \u00e9 uma grande pot\u00eancia e seus tent\u00e1culos militares, econ\u00f4micos e culturais se espalham por todo o mundo, \u00e9 essencial que os outros pa\u00edses joguem o seu jogo.<\/p>\n<p>O Brasil, por exemplo, n\u00e3o se importa muito com o sistema pol\u00edtico ou a cultura da Indon\u00e9sia, n\u00e3o temos interesses por l\u00e1. Os EUA sim. Tem acordos comerciais gigantescos, empresas que trazem dinheiro de l\u00e1, bases militares para projetar poder&#8230; o mundo todo \u00e9 problema deles. E quanto menos est\u00e1vel e previs\u00edvel for o mundo, menos esse sistema funciona.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre ter um presidente amigo em outro pa\u00eds, \u00e9 sobre ter capacidade de se planejar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele povo. Ironicamente, o poder imenso de um pa\u00eds como os EUA n\u00e3o deixa de ser um castelo de cartas: s\u00e3o tantas coisas interligadas que uma carta bamba na base cultural africana pode cair e virar problema nas rela\u00e7\u00f5es comerciais com a Europa. O mundo tem que fazer sentido para os americanos, hoje e amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Doar dinheiro para pa\u00edses passando fome \u00e9 um jeito de criar uma mem\u00f3ria afetiva positiva por l\u00e1, meio como dar um presente para uma pessoa e a pessoa lembrar de voc\u00ea toda vez que v\u00ea o presente. Mas tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de evitar que as coisas mudem muito r\u00e1pido. Pa\u00edses em crises humanit\u00e1rias s\u00e9rias trocam de l\u00edderes rapidamente, e em alguns casos, ficam girando em falso entre senhores da guerra, um mais maluco e imprevis\u00edvel que o outro.<\/p>\n<p>Pa\u00edses muito desesperados por comida s\u00e3o presa f\u00e1cil para fan\u00e1ticos religiosos e generais sanguin\u00e1rios. Doar bilh\u00f5es em alimentos \u00e9 simp\u00e1tico para a maioria da humanidade, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma excelente forma de baixar a fervura em lugares muito afeitos a revolu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o resolve, mas deixa o lugar mais est\u00e1vel.<\/p>\n<p>E se tem alguma estrutura para recuperar, pode ser o suficiente para instalar uma democracia ou ditadura simp\u00e1tica aos EUA. E muitas vezes, \u00e9 s\u00f3 o que eles precisam. N\u00e3o \u00e9 bondade porque existem v\u00e1rios exemplos de como eles bagun\u00e7am pa\u00edses rebeldes como Ir\u00e3, Iraque e S\u00edria. Ar\u00e1bia Saudita joga dentro das regras de mundo deles, virou um basti\u00e3o de estabilidade regional. Pode esquartejar jornalista \u00e0 vontade se for aliado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, existe essa ideia de estabilidade m\u00ednima mundial para eles. Manter todo mundo num padr\u00e3o b\u00e1sico de funcionalidade que torne poss\u00edvel empurrar seus objetivos para frente. De novo, desde que seja aliado, sen\u00e3o eles mesmo armam rebeldes para explodir o sistema indesej\u00e1vel. A mesma l\u00f3gica de dar comida para congoleses desemboca em bombardear iraquianos. N\u00e3o deixa de ser uma esp\u00e9cie de jardinagem global.<\/p>\n<p>Nos EUA, as consequ\u00eancias do mundo s\u00e3o maiores: como s\u00e3o um dos maiores destinos de imigrantes e est\u00e3o economicamente conectados com virtualmente todos os pa\u00edses do mundo, s\u00e3o alvos de di\u00e1sporas e refugiados em geral, tem acordos de defesa com mais da metade dos pa\u00edses que podem os colocar em guerras aleat\u00f3rias; e mesmo doen\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o controladas na sua origem fatalmente chegam por l\u00e1. Eles j\u00e1 est\u00e3o amarrados com o mundo todo, por isso \u00e9 diferente quando eles fazem as contas do que vale a pena fora de suas fronteiras ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea corta esses gastos, a l\u00f3gica se desfaz. Os pa\u00edses v\u00e3o come\u00e7ar a ter que resolver seus problemas, e \u00e9 bem imprevis\u00edvel como isso balan\u00e7a o tal castelo de cartas. Concorde ou n\u00e3o com a t\u00e1tica, \u00e9 uma t\u00e1tica. E medidas como acabar com a USAID v\u00e3o de encontro com ela. Esse dinheiro pode ser tratado como desperd\u00edcio ou como investimento. Investimento dif\u00edcil de entender se voc\u00ea s\u00f3 conecta os pontos entre usar dinheiro dos pagadores de impostos americanos e os esfomeados em pa\u00edses aleat\u00f3rios, mas que come\u00e7a a fazer sentido se voc\u00ea quer o mundo funcionando de uma forma que te beneficia. N\u00e3o \u00e9 sobre a troca imediata entre d\u00f3lares e refei\u00e7\u00f5es emergenciais, \u00e9 sobre como essas pessoas v\u00e3o funcionar em seus pa\u00edses dali para frente.<\/p>\n<p>Deixa um grupo radical isl\u00e2mico tomar conta? Um senhor da guerra canibal? Os chineses? N\u00e3o existe v\u00e1cuo de poder. Algu\u00e9m vai querer explorar aqueles recursos, e o ser humano pode ser movido por objetivos bem abstratos, como direito religioso ancestral a um peda\u00e7o de terra.<\/p>\n<p>E a \u00f3pera trans? Essa parte eu acho ainda mais interessante, tire todo seu ju\u00edzo de valor sobre \u00f3peras ou transexuais, lembre-se de novo da estrat\u00e9gia de jardinagem global. A cultura americana est\u00e1 fortemente relacionada com liberdades individuais, foi isso que nos venderam por d\u00e9cadas e d\u00e9cadas. Os EUA como basti\u00e3o de liberdade e justi\u00e7a, onde todos s\u00e3o iguais e podem seguir seu \u201csonho americano\u201d, da pobreza \u00e0 riqueza s\u00f3 com iniciativa pessoal.<\/p>\n<p>L\u00e1 vou eu ser escroto de novo: n\u00e3o importa se \u00e9 verdade. Importa se as pessoas acreditam nisso. E como isso impacta as rela\u00e7\u00f5es delas com os americanos. O que muitos da direita chama de degenera\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 um aspecto dessa cultura que os americanos empurram mundo afora: n\u00e3o \u00e9 sobre ser gay, hetero ou qualquer outra coisa, \u00e9 sobre individualismo. Existe um ganho secund\u00e1rio na estrat\u00e9gia americana se mais pessoas se sentirem livres para serem quem acreditam que s\u00e3o.<\/p>\n<p>Como eles meio que sequestraram a ideia de liberdade pessoal no mundo, n\u00e3o deixa de ser interessante para eles que mais pessoas cortem rela\u00e7\u00f5es com a cultura e a moral local para abra\u00e7ar uma identidade mais global. Um transexual na Col\u00f4mbia \u00e9 uma ferramenta para essa coloniza\u00e7\u00e3o cultural. No Afeganist\u00e3o ent\u00e3o&#8230; vale por uns 100. Novamente, n\u00e3o \u00e9 sobre ser bonzinho, \u00e9 sobre o efeito que essas pessoas podem ter na cultura local, deixando-a mais aberta para o jeito americano de ser.<\/p>\n<p>Culturas muito homog\u00eaneas formam barreiras de entrada para todo o pacote de influ\u00eancia ianque. Uma pessoa que \u201csai da vila\u201d \u00e9 um potencial consumidor de tecnologia e cultura americanas. \u00c9 algu\u00e9m que aprende ingl\u00eas, que usa d\u00f3lar, que come\u00e7a a valorizar coisas que os americanos valorizam. \u00c9 coloniza\u00e7\u00e3o, mesmo que n\u00e3o seja \u00f3bvia.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta produzir teorias de como uma sociedade deve funcionar se isso n\u00e3o chegar na ponta. E s\u00e3o justamente nesses \u201cinvestimento aleat\u00f3rios\u201d que podemos ver a capilaridade da influ\u00eancia americana. Est\u00e3o sempre com o dedo em alguma a\u00e7\u00e3o internacional, porque \u00e9 assim que a gente come\u00e7a a entender a mentalidade americana como a mentalidade \u201cpadr\u00e3o\u201d. N\u00e3o sei se tem algum pa\u00eds no mundo que ainda considere os EUA como ex\u00f3ticos. Mesmo quem critica, critica muito \u201cde dentro\u201d.<\/p>\n<p>O grande sucesso da t\u00e1tica americana, da qual a USAID faz parte, \u00e9 que todos n\u00f3s vivemos na Am\u00e9rica (roubei essa do Rammstein). Se \u00e9 positivo para os EUA ou para os pa\u00edses presos nessa teia de influ\u00eancias \u00e9 discut\u00edvel, mas que eles transformaram esse dinheiro num mundo muito mais aberto e previs\u00edvel para eles, n\u00e3o \u00e9. Se voc\u00ea parar para pensar mesmo, \u00e9 complicado saber at\u00e9 onde eles influenciaram o que cada um de n\u00f3s pensa e se a nossa cultura local chegaria nas mesmas conclus\u00f5es sozinha.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o meu ponto sobre o fim da USAID e desses gastos com o resto do mundo \u00e9 que n\u00e3o era s\u00f3 jogar dinheiro para o alto. Tinha um plano que estava funcionando. Querer mudar o plano continua sendo direito inalien\u00e1vel do pa\u00eds que estava pagando a conta por ele. Pela forma como Trump e Musk funcionam, n\u00e3o fica claro se eles sabem exatamente o que est\u00e3o fazendo ao mexer nessa parte da pol\u00edtica internacional americana. Agora economiza uma nota, mas e se os outros pa\u00edses come\u00e7arem a sair da linha preferida pelos EUA? Isso pode come\u00e7ar a tornar mercados consumidores menos interessados nas marcas americanas, no estilo de vida americano, nos valores americanos.<\/p>\n<p>Claro, ag\u00eancias como a CIA v\u00e3o continuar com or\u00e7amentos secretos bilion\u00e1rios para continuar fazendo esse tipo de influ\u00eancia, mas a deles n\u00e3o tem nem verniz de benevol\u00eancia. Pode ajudar a derrubar um ditador de Republiqueta das Bananas e colocar outro no lugar, mas n\u00e3o \u00e9 mais o tipo de a\u00e7\u00e3o que cria na cabe\u00e7a das pessoas ao redor do mundo o desejo de seguir a lideran\u00e7a americana.<\/p>\n<p>Um dos erros mais comuns de quem acaba de analisar um sistema \u00e9 achar que s\u00e3o os descobridores dele. Que ningu\u00e9m mais pensou naquilo antes deles. Se voc\u00ea olhar para alguns dos gastos ex\u00f3ticos da USAID, n\u00e3o \u00e9 para se perguntar por que ningu\u00e9m percebeu que era desperd\u00edcio, e sim porque algu\u00e9m achou que valia a pena. Acreditar demais na \u201cagenda woke\u201d que Trump diz combater \u00e9 acreditar que era tudo feito por puro idealismo. N\u00e3o, os EUA n\u00e3o chegaram aonde chegaram por ter ideais maiores que bom senso econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Talvez lacradores estivessem for\u00e7ando a m\u00e3o com alguns dos gastos, mas eles s\u00f3 chegaram nessa posi\u00e7\u00e3o porque h\u00e1 muito tempo o governo americano decidiu que empurrar a sua cultura vigente no mundo todo era muito bom para os neg\u00f3cios. Um mundo que segue o tempo deles, d\u00e9cada a d\u00e9cada, moda a moda. Cria pa\u00edses mais alinhados e previs\u00edveis, onde pode-se investir sem medo. Os gastos mais bizarros da lista n\u00e3o eram uma falha, eram parte do projeto.<\/p>\n<p>Era de prop\u00f3sito. E se acabar, vai ter consequ\u00eancias. Nada nessa vida \u00e9 de gra\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conversando com a Sally sobre o tema da USAID, eu levantei uma d\u00favida que tinha sobre o valor das a\u00e7\u00f5es americanas ao redor do mundo. 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