{"id":27488,"date":"2025-03-17T14:20:17","date_gmt":"2025-03-17T17:20:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=27488"},"modified":"2025-11-03T22:31:17","modified_gmt":"2025-11-04T01:31:17","slug":"parcialmente-correto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/03\/parcialmente-correto\/","title":{"rendered":"Parcialmente correto."},"content":{"rendered":"<p>O modelo americano de imprensa abertamente parcial ganha mais e mais adeptos ao redor do mundo. Sally e Somir apreciam honestidade, mas discordam sobre como isso deve ser tratado na m\u00eddia de massa, especialmente a jornal\u00edstica. Os impopulares expressam suas opini\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Tema de hoje: o que \u00e9 prefer\u00edvel de se ler, um jornal que declaradamente tem uma linha editorial definida e honestamente se diz parcial ou um jornal que se diz completamente imparcial?<\/strong><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Eu prefiro que a parcialidade seja expl\u00edcita. N\u00e3o \u00e9 como se fosse poss\u00edvel alcan\u00e7ar 100% de imparcialidade, e mesmo que num mundo ideal toda a imprensa tentasse uma abordagem centrada e factual, no mundo real as coisas n\u00e3o funcionam bem assim.<\/p>\n<p>O que eu quero dizer \u00e9 que a ideia de imparcialidade at\u00e9 funcionaria se fosse o padr\u00e3o, mas como o dinheiro fala mais alto e ser parcial rende mais cliques e aten\u00e7\u00e3o hoje em dia, vira uma vantagem competitiva quase imposs\u00edvel de ignorar. Se um ve\u00edculo de imprensa se esfor\u00e7ar para n\u00e3o parecer parcial, vai ser menos chamativo que os que apelam para vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>E a\u00ed, das duas uma: ou o jornal vai se afundando em irrelev\u00e2ncia ou faz ainda pior, come\u00e7a a ser parcial fingindo que n\u00e3o \u00e9. Se o \u201cmeta\u201d do jogo da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 pregar para convertidos, talvez at\u00e9 inconscientemente o pessoal que queria ser imparcial come\u00e7a a apelar mais em manchetes e em temas escolhidos. A gente fica com esse mundo de chamadas exageradas que mexem com o emocional das pessoas, e o texto (que pouca gente l\u00ea) pouco importa, mesmo que seja mais imparcial mesmo.<\/p>\n<p>Como eu n\u00e3o quero que a imprensa morra, porque o cidad\u00e3o m\u00e9dio \u00e9 um desastre para compartilhar informa\u00e7\u00e3o, s\u00f3 apela\u00e7\u00e3o, fofoca e confus\u00e3o no grupo do Zap, eu quero que o modelo de neg\u00f3cios de coletar e divulgar informa\u00e7\u00f5es continue v\u00e1lido. E como eu n\u00e3o quero tamb\u00e9m que a imprensa fique nesse jogo imbecil de apelar por cliques fingindo que n\u00e3o est\u00e1 apelando por cliques, a parcialidade assumida parece a solu\u00e7\u00e3o menos dolorosa.<\/p>\n<p>Porque pelo menos existe uma certa preocupa\u00e7\u00e3o com o valor da informa\u00e7\u00e3o se voc\u00ea quer defender um ponto. Parece contradit\u00f3rio, mas mentir funciona at\u00e9 certo ponto. Se voc\u00ea come\u00e7a a for\u00e7ar a barra com informa\u00e7\u00f5es bizarras inventadas e acusa\u00e7\u00f5es infundadas sem parar, seu p\u00fablico vai ficando mais e mais restrito. Eventualmente voc\u00ea vira um daqueles perfis ideol\u00f3gicos conspirat\u00f3rios, que n\u00e3o tem mais filtro e come\u00e7a a mexer at\u00e9 com o t\u00eanue senso de realidade do cidad\u00e3o m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Dizer que o Bolsonaro ou o Lula s\u00e3o pessoas ruins \u00e9 uma coisa, fazer uma acusa\u00e7\u00e3o absurda contra eles come\u00e7a a erodir sua confiabilidade como fonte de informa\u00e7\u00e3o. Mesmo que a pessoa engula bobagem 90% das vezes, voc\u00ea apela tanto que eventualmente vai pegar nos 10% das vezes que a pessoa \u00e9 capaz de perceber a mentira, ela vai pegar. E a\u00ed, sua credibilidade est\u00e1 ferida para sempre com a pessoa.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para esse problema \u00e9 se controlar um pouco para defender o seu lado sem mentiras ou conspira\u00e7\u00f5es malucas facilmente percept\u00edveis. Um jornal que se diz parcial sem perder a aura de imprensa tende a ser mais racional na hora de escolher suas manchetes. Ainda falam muita besteira, mas se prendem a um padr\u00e3o m\u00ednimo de realismo. A Fox News nos EUA \u00e9 um bom exemplo: eles s\u00e3o republicanos at\u00e9 dizer chega, mas se pegam eles numa mentira ou em algo muito for\u00e7ado, eles baixam a fervura na hora. O modelo de neg\u00f3cios n\u00e3o \u00e9 fazer alega\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas sem parar, \u00e9 se posicionar como imprensa que \u201cfala a verdade\u201d para o seu p\u00fablico, sem a \u201cmanipula\u00e7\u00e3o\u201d que o outro faz na informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sutil, mas importante. Como voc\u00ea tem um lado, \u00e9 julgado de acordo com seu potencial de influenciar o p\u00fablico para esse lado. E existem limites de quanto voc\u00ea pode apelar para isso, n\u00e3o porque as pessoas s\u00e3o boazinhas, mas porque existem carreiras, imagens e anunciantes para manter. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, parcialidade descarada ajuda ve\u00edculos de imprensa profissionais a se manter relevantes sem perder um m\u00ednimo de credibilidade. At\u00e9 para ser manipulador precisa ser confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>E eu sei que muita gente acha terr\u00edvel essa coisa da imprensa ter um lado, porque teme ser enganada. Oras, a\u00ed entra algo que eu sei que n\u00e3o \u00e9 muito popular, mas que precisa ser dito: o problema de entender a realidade \u00e9 seu. Sempre foi. O ser humano mente, se engana, tem objetivos pr\u00f3prios que n\u00e3o s\u00e3o claros para os outros. A ideia de imprensa imparcial como salva\u00e7\u00e3o para esse problema \u00e9 uma ilus\u00e3o, e meio pregui\u00e7osa at\u00e9.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tem que ser capaz de absorver uma informa\u00e7\u00e3o com algum n\u00edvel de pensamento cr\u00edtico. E isso n\u00e3o quer dizer saber tudo de antem\u00e3o, quer dizer que voc\u00ea tem que saber minimamente o que \u00e9 capaz de analisar e o que n\u00e3o \u00e9. Nada dessa arrog\u00e2ncia intern\u00e9tica de ser especialista em tudo. Quando eu leio uma not\u00edcia sobre algo que n\u00e3o conhe\u00e7o bem, sei que n\u00e3o posso sair usando aquela informa\u00e7\u00e3o de qualquer jeito. Ler uma not\u00edcia sobre f\u00edsica qu\u00e2ntica n\u00e3o te prepara para criar um curso de autoajuda qu\u00e2ntica, seja l\u00e1 o que isso signifique.<\/p>\n<p>Intelig\u00eancia \u00e9 muito mais sobre reconhecer o que te falta de informa\u00e7\u00e3o do que propriamente ter um repert\u00f3rio gigante de opini\u00f5es fortes. Se voc\u00ea morre de medo de ser manipulado, provavelmente est\u00e1 subutilizando sua intelig\u00eancia: n\u00e3o era mesmo para ter uma certeza absoluta sobre algo depois de cinco minutos de leitura!<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o seja o mundo ideal, pelo menos com mais jornais admitindo que de lado est\u00e3o e como v\u00e3o contar a hist\u00f3ria, as pessoas podem aprender a largar essa muleta e tentar fazer senso do mundo sem tanta histeria. Claro, n\u00e3o vai ser r\u00e1pido nem indolor, mas como eu parto do princ\u00edpio que a parte capitalista da coisa de lutar por cliques at\u00e9 a morte n\u00e3o vai diminuir, que pelo menos tenhamos mais clareza ideol\u00f3gica no mundo. Hoje quase todo mundo se diz de direita ou esquerda, mas na verdade pensa que est\u00e1 certo sobre tudo e n\u00e3o precisa mudar nada. Falsa imparcialidade alimenta esse monstro da certeza, porque as pessoas acham que o que concordam \u00e9 not\u00edcia pura e o que discordam \u00e9 manipula\u00e7\u00e3o. Que fique claro que o que voc\u00ea concorda vem de algu\u00e9m com interesses.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o tem como fazer do melhor jeito, que se fa\u00e7a de um jeito menos pior. E se voc\u00ea tem medo de ser manipulado pela imprensa, saiba que \u00e9 muito mais pregui\u00e7a intelectual sua do que propriamente uma armadilha inescap\u00e1vel.<\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>O que \u00e9 prefer\u00edvel de se ler, um jornal que declaradamente tem uma linha editorial definida e honestamente se diz parcial ou um jornal que se diz completamente imparcial? <\/p>\n<p>Recentemente o The Washington Post anunciou uma mudan\u00e7a na sua linha editorial, focado em defender certos princ\u00edpios e em n\u00e3o publicar mat\u00e9rias que de alguma forma contrariem esses princ\u00edpios. Isso trouxe uma enxurrada de cr\u00edticas e muita revolta, por isso, resolvemos trazer o tema hoje.<\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, sabemos bem que n\u00e3o existe ve\u00edculo de m\u00eddia imparcial, pois n\u00e3o existe ser humano imparcial. Todos n\u00f3s somos contaminados em menor ou em maior grau, por nossas cren\u00e7as, convic\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias, por mais que tentemos a todo custo manter uma imparcialidade. Ent\u00e3o, a m\u00eddia que se diz imparcial mente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 n\u00e3o ser imparcial, mas fazer constantemente um esfor\u00e7o para ser e outra \u00e9 quem j\u00e1 desistiu e tem uma linha editorial que baliza tudo que \u00e9 escrito. Eu prefiro um jornal que, mesmo n\u00e3o sendo 100% imparcial, tem essa meta, do que um jornal que assume que n\u00e3o \u00e9 imparcial e se sente totalmente confort\u00e1vel para falar dentro de um cercadinho que ele j\u00e1 estabeleceu.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que ningu\u00e9m \u00e9 imparcial, um jornal sem uma linha editorial que restrinja conte\u00fado pode chamar diversas pessoas, diversos pontos de vista (obviamente dentro da lei), para que o leitor tenha acesso a eles e forme sua opini\u00e3o. Ainda que cada autor de cada texto n\u00e3o seja imparcial, se equilibra essa parcialidade com diversidade.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tra\u00e7a uma linha editorial restrita, s\u00f3 vai poder escrever na sua m\u00eddia quem reza por aquela cartilha. Isso \u00e9 meio empobrecedor quando falamos de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. <\/p>\n<p>\u201cMas Sally voc\u00eas fazem isso no Desfavor\u201d. Sim, n\u00f3s vetamos certos temas como BBB, falas que negam a ci\u00eancia e outras coisas, mas n\u00f3s n\u00e3o nos dizemos m\u00eddia, muito pelo contr\u00e1rio. Nossa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fazer o papel da grande m\u00eddia. E n\u00f3s n\u00e3o ganhamos dinheiro ou cobramos pelo conte\u00fado. Muito pelo contr\u00e1rio. Somos honestos: isto aqui \u00e9 um blog opinativo.<\/p>\n<p>Ter status de m\u00eddia, de ve\u00edculo com a inten\u00e7\u00e3o de informar as massas, se vender como \u00f3rg\u00e3o que tem compromisso em apurar a verdade (e n\u00e3o em opinar) tem seu lado bom e seu lado ruim. O lado bom \u00e9 conseguir status, subs\u00eddios, visibilidade e dinheiro. O lado ruim \u00e9 que voc\u00ea tem alguns deveres \u00e9ticos e morais para com a sociedade. <\/p>\n<p>Quer fazer as coisas do seu jeito? Escreve um blog opinativo, deixando muito claro que o que tem ali \u00e9 sua opini\u00e3o. Quer ser um ve\u00edculo oficial de informa\u00e7\u00e3o? Bem, nesse caso,  \u00e9 melhor para a sociedade se voc\u00ea entregar informa\u00e7\u00e3o em vez de levantar uma bandeira.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, eles disseram que v\u00e3o defender liberdades individuais, isso n\u00e3o \u00e9 bom?\u201d. Levantar bandeira nunca \u00e9 bom, pois te permite direcionar o discurso para o lado que te conv\u00e9m. Vejamos o Brasil fazendo atrocidades para \u201cdefender a democracia\u201d, atrocidades essas que acabaram tornando o pa\u00eds muito menos democr\u00e1tico do que era antes, segundo diversos observat\u00f3rios internacionais.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, ao menos eles foram sinceros sobre o conte\u00fado que v\u00e3o apresentar\u201d. Eu n\u00e3o concordo. Geralmente, levantar uma bandeira \u00e9 algo usado para direcionar um discurso por interesses pessoais sem que isso pegue mal. A maior parte das atrocidades cometidas pelo ser humano foi sempre agindo em nome de uma \u201cboa causa\u201d. Dificilmente quem faz quest\u00e3o de levantar uma bandeira dessa forma t\u00e3o ostensiva est\u00e1 focado na causa que diz defender. Quer \u00e9 um \u00e1libi para ignorar certos fatos.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 a favor da democracia n\u00e3o precisa fazer disso sua bandeira. Quem \u00e9 a favor de liberdades individuais n\u00e3o precisa fazer disso sua linha editorial. Basta buscar conte\u00fados que estejam alinhados com isso, sem precisar fazer qualquer an\u00fancio p\u00fablico com amea\u00e7a impl\u00edcita.<\/p>\n<p>Acho sintom\u00e1tico precisar tra\u00e7ar esta linha: \u201csomos um jornal que n\u00e3o fala sobre ____\u201d. T\u00e1 tudo certo optar por n\u00e3o falar sobre coisas que se considerem socialmente nocivas, mas \u00e9 red flag quando voc\u00ea precisa levantar essa bandeira, parece que est\u00e1 querendo passar uma determinada imagem artificial. <\/p>\n<p>Fora que essa bandeira pode servir como desculpa para deixar de falar sobre muitas outras coisas importantes que n\u00e3o t\u00eam absolutamente nada a ver com ela, mas que acabam correlacionadas em uma for\u00e7a\u00e7\u00e3o argumentativa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu prefiro quem tenta mostrar todos os pontos de vista, mesmo que n\u00e3o consiga, mesmo que alguma parcialidade resista, pois al\u00e9m de acreditar que terei mais diversidade de fontes e pensamentos, acho que linha editorial \u00e9 balela, \u00e9 uma grande desculpa para n\u00e3o falar sobre o que n\u00e3o conv\u00e9m ou falar sobre o que conv\u00e9m. Se voc\u00ea quer fazer isso, n\u00e3o pode ser imprensa. <\/p>\n<p>E, veja bem, nada contra quem quiser continuar consumindo o The Washington Post, n\u00e3o acho que seja caso de boicote aqui. Eu mesma vou continuar lendo. O povo t\u00e1 nervoso, esculhambando, xingando e dizendo que n\u00e3o vai dar mais dinheiro para eles como se estivessem cometendo um crime&#8230; Gente, \u00e9 sagrado direito deles se posicionar. E avisa para o pessoal que est\u00e1 nervos\u00edssimo boicotando que para boicotar tamb\u00e9m tem que parar de comprar na Amazon, pois \u00e9 o mesmo dono.<\/p>\n<p>Desconfie de qualquer pessoa ou empresa que levanta bandeiras. Geralmente \u00e9 para conveni\u00eancia deles, n\u00e3o pela causa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo americano de imprensa abertamente parcial ganha mais e mais adeptos ao redor do mundo. 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