{"id":27760,"date":"2025-03-29T16:02:13","date_gmt":"2025-03-29T19:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=27760"},"modified":"2025-11-03T22:18:46","modified_gmt":"2025-11-04T01:18:46","slug":"adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/03\/adolescencia\/","title":{"rendered":"Adolesc\u00eancia."},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-body uk-card-default\">\n<p>Uma s\u00e9ria na Netflix chamada Adolesc\u00eancia chamou muita aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dias, com v\u00e1rias an\u00e1lises pipocando pela rede. Sinopse: Em uma cidade inglesa, a pol\u00edcia invade a casa de uma fam\u00edlia e prende Jamie Miller, um garoto de 13 anos, sob suspeita de ter assassinado sua colega de classe, Katie Leonard.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Interessante falar sobre o tema, mas n\u00e3o se voc\u00ea s\u00f3 enxergou cultura incel e masculinidade t\u00f3xica. <strong>Desfavor da Semana<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>O seriado \u201cAdolesc\u00eancia\u201d da Netflix est\u00e1 repercutindo, mas infelizmente muito distante do que n\u00f3s acreditamos ser cerne da quest\u00e3o. Ent\u00e3o, resolvemos trazer o cerne da quest\u00e3o para o texto de hoje. O objetivo n\u00e3o \u00e9 falar especificamente sobre o seriado, e sim discutir seu tema, que \u00e9 algo para que todos n\u00f3s j\u00e1 dever\u00edamos estar olhando faz tempo.<\/p>\n<p>Mais do que criticar incel ou ser voyeur de crime, o seriado mostra o tamanho do problema: crian\u00e7as e adolescentes sendo sugados por um pensamento t\u00f3xico sem que ningu\u00e9m que os cerca tenha a menor ideia disso. Fam\u00edlia, professores, psic\u00f3logos, amigos&#8230; \u00e9 poss\u00edvel que ningu\u00e9m nem desconfie do que est\u00e1 acontecendo. E mesmo quando sabem, n\u00e3o tem a menor ideia de como solucionar o problema.<\/p>\n<p>\u00c9 cientificamente comprovado que crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o t\u00eam um desenvolvimento cerebral completo, no sentido de n\u00e3o estarem aptos a fazer sempre as melhores escolhas: avaliam mal, reagem mal, s\u00e3o basicamente burros emocionalmente. Por isso, crian\u00e7as e adolescentes precisam da prote\u00e7\u00e3o de adultos contra si mesmos e suas p\u00e9ssimas decis\u00f5es de um c\u00e9rebro ainda em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s \u00e9ramos pequenos, nossos pais estavam cientes que quais eram os perigos que encontrar\u00edamos na rua e nos preparavam para eles exaustivamente: n\u00e3o aceite doce de estranhos, n\u00e3o fale com estranhos, olhe para os dois lados antes de atravessar a rua e tantos outros mantras que voc\u00ea, assim como eu, deve ter escutado \u00e0 exaust\u00e3o. E deu certo, a maior parte de n\u00f3s sobreviveu.<\/p>\n<p>Hoje, existe uma \u201csegunda rua\u201d. Al\u00e9m dos perigos da rua, temos ainda os perigos online, um mundo que boa parte dos pais de adolescentes desconhece, pois n\u00e3o existia quando eles eram adolescentes. Hoje os pais n\u00e3o t\u00eam a menor ideia do que se passa no mundo online, principalmente em sua zona mais obscura, e como isso impacta o c\u00e9rebro de uma crian\u00e7a ou de um adolescente.<\/p>\n<p>Para proteger, \u00e9 preciso conhecer os perigos. Pais que n\u00e3o conhecem esses perigos n\u00e3o s\u00e3o capazes de proteger seus filhos. E isso n\u00e3o faz deles p\u00e9ssimos pais e muito menos culpados pelos erros que os filhos venham a cometer. Isso faz deles v\u00edtimas, juntamente com os filhos e com quem venha a ser prejudicado pelos filhos. Estamos todos juntos nisso.<\/p>\n<p>Existe essa mentalidade antiga de que se uma crian\u00e7a tem um lar estruturado, com as doses mais ou menos corretas de amor e limites, ele n\u00e3o vai se meter em muitos problemas. Isso era v\u00e1lido para a l\u00f3gica das ruas, mas, nesta nova realidade, com essa \u201csegunda rua\u201d que \u00e9 o mundo online, isso n\u00e3o basta mais para proteger seu filho. Na real, um lar estruturado era apenas a base que garantia que os pais pudessem transmitir e fixar os ensinamentos de prote\u00e7\u00e3o. Um lar estruturado sem esses ensinamentos de prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta.<\/p>\n<p>\u201cT\u00e1 bom, Sally, voc\u00ea j\u00e1 me assustou, grupos t\u00f3xicos online podem contaminar o c\u00e9rebro do meu filho. Agora me diz como resolve o problema\u201d. Pois \u00e9, esse \u00e9 o cerne do texto de hoje e eu vou ter que te pedir muita boa vontade para abrir sua mente e me escutar sem ficar puto. No momento, o problema n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o, por erro de todos n\u00f3s. Vamos ter que construir uma solu\u00e7\u00e3o juntos.<\/p>\n<p>Boa parte das pessoas, quando pensa em \u201cproblema\u201d, busca automaticamente a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o solucionar o problema. Reparem que, mesmo quando falamos desse assunto, geralmente as pessoas t\u00eam convic\u00e7\u00f5es sobre o que seria \u201ca solu\u00e7\u00e3o\u201d: regular redes sociais, reduzir a maioridade penal, desarmamento e tantas outras medidas \u00fanicas que acreditam, solucionaria definitivamente a quest\u00e3o. Gera conforto pensar que existe \u201ca solu\u00e7\u00e3o\u201d. Mas, ao menos at\u00e9 aqui, ela n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally por qual motivo voc\u00ea me fez ler um texto angustiante se n\u00e3o vai me dar a solu\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea \u00e9 s\u00e1dica?\u201d. N\u00e3o. Estamos falando sobre este assunto justamente para te dizer que uma solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai aparecer se todo mundo se engajar nessa conversa, compreender o que est\u00e1 acontecendo e come\u00e7ar a trabalhar por ela. Nem sempre solu\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que vem pronto, de cima para baixo, criada pela lei ou por alguma autoridade. Muitas vezes \u00e9 preciso conversa, estudo, troca de ideias para que, todos juntos, possamos construir uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E essa solu\u00e7\u00e3o constru\u00edda nunca \u00e9 algo m\u00e1gico, \u00fanico, r\u00e1pido: basta fazer tal coisa que o problema se resolve. Isso \u00e9 conversa de coach estelionat\u00e1rio. Problemas complexos demandam solu\u00e7\u00f5es complexas, que envolver\u00e3o uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as, provid\u00eancias e adapta\u00e7\u00f5es. Sempre que algu\u00e9m te apresentar uma solu\u00e7\u00e3o f\u00e1cil e \u00fanica para um problema complexo, desconfie da pessoa e da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E discutir, debater, compartilhar experi\u00eancias faz parte da solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 perda de tempo. Por isso acreditamos que este texto seja v\u00e1lido, mesmo sem trazer \u201ca solu\u00e7\u00e3o\u201d. As coisas n\u00e3o surgem do nada, elas s\u00e3o uma constru\u00e7\u00e3o &#8211; e quanto mais pecinhas a gente tem, melhor fica o que a gente constr\u00f3i. Ent\u00e3o, olhar para o assunto, falar sobre o assunto, compartilhar conhecimento sobre o assunto \u00e9 parte do processo saud\u00e1vel para se chegar em uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, vi\u00e1vel ou exequ\u00edvel controlar a quantidade de informa\u00e7\u00e3o que circula online. Eu adoraria que fosse, pois resolveria o problema. Mas n\u00e3o \u00e9. Algum tipo de regula\u00e7\u00e3o pode ajudar, mas n\u00e3o vai resolver. Tamb\u00e9m \u00e9 injusto jogar toda a responsabilidade nos pais, assim como \u00e9 imposs\u00edvel pretender que a pol\u00edcia ou o Judici\u00e1rio consigam impedir estes crimes.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o nova e complexa e para solucion\u00e1-la ser\u00e3o necess\u00e1rias medidas novas e complexas. E quando mais gente se engajar nessa discuss\u00e3o de forma produtiva (trazendo informa\u00e7\u00e3o, sugest\u00f5es e conhecimento que ajudem em vez de julgar), antes chegaremos em uma combina\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que levem \u00e0 melhor solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu pessoalmente sempre acreditei na solu\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o pelo conhecimento, pela informa\u00e7\u00e3o, tanto \u00e9 que me dedico h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada a escrever de gra\u00e7a aqui. Ent\u00e3o, minha contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s da informa\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea pode contribuir? O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo para contribuir?<\/p>\n<p>A nossa parte para tentar colaborar com o problema sai na semana que vem, quando vamos fazer uma semana tem\u00e1tica s\u00f3 sobre esse assunto, n\u00e3o com \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d, pois n\u00e3o as temos (ningu\u00e9m as t\u00eam), mas com ferramentas que talvez ajudem a um dia construir uma solu\u00e7\u00e3o realmente eficiente para o problema. E o problema, meus amigos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 grupo de recrutamento incel, \u00e9 qualquer lavagem cerebral com cara de seita online. E tem dos mais diversos.<\/p>\n<p>Acredite, s\u00f3 de voc\u00ea estar efetivamente ciente do problema e pensando nele, j\u00e1 est\u00e1 muito \u00e0 frente da maior parte das pessoas, que n\u00e3o tem a menor ideia do que realmente est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p>Dica: leiam com aten\u00e7\u00e3o os textos do Somir, pois ele conhece na pr\u00e1tica esses ambientes t\u00f3xicos que est\u00e3o desgra\u00e7ando a vida de tantas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Nos vemos na semana que vem, com este tema desagrad\u00e1vel, por\u00e9m necess\u00e1rio.<\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Se todo homem fosse como os lacradores dizem e toda mulher fosse como os incels dizem, simplesmente n\u00e3o teria sociedade de p\u00e9. Evidente que \u00e9 importante combater essas culturas que pregam \u00f3dio contra o outro, com ou sem verniz de justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Mas eu argumento que essa n\u00e3o \u00e9 a verdadeira discuss\u00e3o que precisar\u00edamos ter ao redor da popularidade dessa s\u00e9rie. Vulnerabilidade \u00e9 a palavra-chave aqui. Temos jovens sendo criados em pra\u00e7as p\u00fablicas online e adultos que ainda n\u00e3o entenderam de verdade os riscos envolvidos. Mais do que culpar internet, incels, machismo, \u00e9 essencial entender o ambiente que nos cerca e a armadilha na qual as gera\u00e7\u00f5es que passaram pela revolu\u00e7\u00e3o digital se enfiaram.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns 100 anos atr\u00e1s, crian\u00e7as tamb\u00e9m eram criadas em pra\u00e7as p\u00fablicas. Na verdade, com exce\u00e7\u00e3o de algumas gera\u00e7\u00f5es do meio do s\u00e9culo passado at\u00e9 o come\u00e7o deste, a norma sempre foi crian\u00e7a viver bem solta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. Meu av\u00f4 contava hist\u00f3rias de antes dos 10 anos de idade, pegar carona em carro\u00e7as para ir para outra cidade e passar uns dias l\u00e1 com um bando de amigos, e seus pais nem ligavam muito. Algu\u00e9m daria comida e abrigo, e virtualmente todas as vezes voltavam numa boa.<\/p>\n<p>Esse tipo de liberdade tem mil perigos diferentes, \u00e9 claro, mas forma pessoas diferentes do modelo vigente de prote\u00e7\u00e3o constante \u00e0 crian\u00e7a. Eu n\u00e3o sou do tipo que glorifica o passado, nem \u00e9 meu objetivo aqui dizer que o jeito do passado era o melhor, \u00e9 s\u00f3 dizer que existem consequ\u00eancias para todo tipo de comportamento.<\/p>\n<p>Essas crian\u00e7as mais \u201cferais\u201d do passado eram selecionadas e moldadas por um ambiente de grande intera\u00e7\u00e3o social. Elas viviam entre elas, saiam de casa cedo para brincar com o bando e voltavam s\u00f3 para dormir. Psicologicamente mais adaptadas a lidar com o diferente e menos dependentes dos pais. Eu entendo que eram menos suscet\u00edveis aos adultos at\u00e9, porque eu tive uma \u201cfase feral\u201d na minha inf\u00e2ncia, sorte de ter uma turma grande e muito espa\u00e7o livre, a gente n\u00e3o dava a m\u00ednima para eles.<\/p>\n<p>E eu realmente acho que essa fase da vida serviu como vacina para me manter protegido do pior da internet anos depois. O ponto de hoje \u00e9 que em algumas gera\u00e7\u00f5es, as crian\u00e7as come\u00e7aram a ficar mais e mais isoladas: os pais aprenderam a ter medo de deixar as crian\u00e7as nas ruas, as cidades se tornaram mais perigosas e menos confi\u00e1veis com tanta gente desconhecida aparecendo em poucas d\u00e9cadas. Eu tive a fase bicho do mato convivendo com um bando de crian\u00e7as selvagens, e logo depois eu tive a fase de crian\u00e7a isolada, s\u00f3 que na era da televis\u00e3o. Por isso sei um pouco mais do que estou falando sobre esses contrastes.<\/p>\n<p>Na fase da crian\u00e7a isolada, voc\u00ea passa muito mais tempo convivendo com \u201cseus adultos\u201d e as outras crian\u00e7as s\u00e3o mais eventos sociais do que sua tribo (de verdade, a gente se pintava e sa\u00eda para ca\u00e7ar jacar\u00e9, n\u00e3o tinha jacar\u00e9 onde eu vivia, mas as crian\u00e7as acreditavam que tinha e era suficiente para fazermos lan\u00e7as e estilingues). O lado positivo: tem um tipo de desenvolvimento intelectual da mais consumo de conte\u00fado e mais introspec\u00e7\u00e3o com esse tipo de cria\u00e7\u00e3o mais isolada, encontrando outras crian\u00e7as mais na escola e em lugares \u201cprotegidos\u201d com hora marcada.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 por nada n\u00e3o, mas se eu pudesse escolher agora, eu teria passado mais tempo ca\u00e7ando jacar\u00e9. A era pr\u00e9-internet n\u00e3o era t\u00e3o grandes coisas assim para alimentar a curiosidade intelectual de uma crian\u00e7a. Eu dei meu jeito com televis\u00e3o e livros, mas depois que a internet apareceu, mesmo da forma limitada como eu tive quando estava saindo da inf\u00e2ncia, era absurdamente melhor. Eu entendo de cora\u00e7\u00e3o quem se vicia no mundo online, porque se voc\u00ea n\u00e3o sabe na pr\u00e1tica o que \u00e9 \u201cca\u00e7ar jacar\u00e9\u201d com sua tribo de moleques, a internet \u00e9 imbat\u00edvel em atra\u00e7\u00e3o para uma crian\u00e7a. \u00c9 t\u00e3o melhor que a socializa\u00e7\u00e3o travada com adultos pr\u00f3ximos e outras crian\u00e7as em eventos supervisionados que \u00e9 at\u00e9 covardia comparar.<\/p>\n<p>Tudo isso para dizer que vivemos numa \u00e9poca muito bem otimizada para crian\u00e7as isoladas. Um tablet entrega compensa\u00e7\u00e3o gigantesca para o est\u00edmulo mental que uma crian\u00e7a quer, as redes sociais e comunidades online oferecem uma forma de compensa\u00e7\u00e3o para a deliciosa sensa\u00e7\u00e3o de ser parte de uma tribo quando voc\u00ea ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pais dessas gera\u00e7\u00f5es atuais de jovens online provavelmente n\u00e3o viram muito mais do mundo que a inf\u00e2ncia isolada. Eles entendem que crian\u00e7a tem que ficar protegida da rua e que a vida online \u00e9 uma alternativa segura. O problema \u00e9 que n\u00e3o \u00e9. Rua \u00e9 rua. A rua de verdade tem riscos f\u00edsicos, mas a rua digital tem todos os riscos da socializa\u00e7\u00e3o sem a presun\u00e7\u00e3o de risco por esses pais, afinal, para eles ficar isolado em casa \u00e9 ficar isolado mesmo.<\/p>\n<p>A bolha de seguran\u00e7a de quem viveu a era da televis\u00e3o e o come\u00e7o da internet n\u00e3o existe mais. Como eu j\u00e1 disse, est\u00e1 muito otimizado para entregar o que apela para os desejos humanos mais primais. Criar um filho hoje com internet do jeito que est\u00e1 \u00e9 criar algu\u00e9m que vai ser exposto a basicamente tudo o que as crian\u00e7as \u201cferais\u201d do passado eram em mat\u00e9ria de boas e m\u00e1s influ\u00eancias humanas. Mas sem o feedback instant\u00e2neo de bater e apanhar ao vivo, seja por palavras ou fisicamente.<\/p>\n<p>Vamos fazer uma semana tem\u00e1tica s\u00f3 sobre o que se deve saber sobre a \u201caldeia digital\u201d, para justamente informar quem est\u00e1 criando algu\u00e9m nessa era o que est\u00e1 acontecendo. Mas sem p\u00e2nico, sem lacra\u00e7\u00e3o (de um lado ou de outro), apenas informa\u00e7\u00f5es que podem ser \u00fateis para voc\u00ea ou para suas pessoas queridas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma s\u00e9ria na Netflix chamada Adolesc\u00eancia chamou muita aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dias, com v\u00e1rias an\u00e1lises pipocando pela rede. Sinopse: Em uma cidade inglesa, a pol\u00edcia invade a casa de uma fam\u00edlia e prende Jamie Miller, um garoto de 13 anos, sob suspeita de ter assassinado sua colega de classe, Katie Leonard. 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