{"id":27965,"date":"2025-04-04T15:51:14","date_gmt":"2025-04-04T18:51:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=27965"},"modified":"2025-11-03T22:13:53","modified_gmt":"2025-11-04T01:13:53","slug":"personalidade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/04\/personalidade-social\/","title":{"rendered":"Personalidade social."},"content":{"rendered":"<p>Seguindo com a semana M\u00e1s Influ\u00eancias, eu quero falar sobre o curioso e perigoso fen\u00f4meno de gente que acaba ficando muito antissocial mesmo se comunicando o tempo todo e n\u00e3o dando sinais para as pessoas mais pr\u00f3ximas. Como reconhecer algu\u00e9m se perdendo em comunidades online t\u00f3xicas se fora delas a pessoa parece \u201cnormal\u201d?<!--more--><\/p>\n<p>Normalmente os nossos instintos s\u00e3o bons para saber reconhecer quando estamos funcionando como seres sociais. Nosso macaco interior fica feliz quando est\u00e1 interagindo de uma forma bacana com outras pessoas e fica triste quando n\u00e3o est\u00e1. Mas no meio do caminho tinha a internet&#8230; e o instinto ficou meio confuso. \u00c9 preciso pensar um pouco mais na hora de analisar se algu\u00e9m est\u00e1 num caminho perigoso de isolamento e radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que eu vou escrever aqui n\u00e3o \u00e9 teoria acad\u00eamica de Psicologia, pode at\u00e9 bater com alguns pontos, mas \u00e9 muito mais baseado em experi\u00eancia pessoal. Eu percebi que a internet \u00e9 muito poderosa para criar separa\u00e7\u00f5es entre personalidades do que j\u00e1 fazemos normalmente. Explico: existe uma tend\u00eancia de voc\u00ea mostrar partes diferentes de quem \u00e9 de acordo com o ambiente que est\u00e1.<\/p>\n<p>O jeito que voc\u00ea \u00e9 com uma turma de amigos \u00e9 diferente do jeito que voc\u00ea \u00e9 com sua fam\u00edlia mais pr\u00f3xima, com namorados e namoradas, colegas de trabalho&#8230; existem contextos. N\u00e3o tem nada a ver com falsidade, n\u00e3o necessariamente, \u00e9 que temos fun\u00e7\u00f5es diferentes em cada grupo. Algumas partes do que voc\u00ea \u00e9 s\u00e3o mais exigidas com algumas pessoas, outras menos. E a gente tende a se acostumar, mesmo que n\u00e3o tenha nada de calculado nisso. S\u00f3 acontece.<\/p>\n<p>Acostuma-se tanto que at\u00e9 esquece que as outras pessoas tamb\u00e9m s\u00e3o assim. Se voc\u00ea v\u00ea algu\u00e9m fora do \u201cseu\u201d contexto, pode achar estranho. Aqueles seus amigos e amigas que t\u00eam 12 anos de idade mental ao seu lado s\u00e3o os pais caretas diante dos filhos. Pelo menos deveriam. Em tese \u00e9 sempre a mesma pessoa, mas mostram facetas diferentes de acordo com o contexto.<\/p>\n<p>Com a internet, apareceu mais uma ou muitas facetas diferentes que podem ser expressas: \u00e9 uma piada comum que existe personalidade de LinkedIn e personalidade de Instagram. Tem seu fundo de verdade. As comunidades online podem fazer a mesma coisa que as comunidades de contato f\u00edsico.<\/p>\n<p>Tudo isso para dizer que o jovem calminho e educado de casa pode ter sim outras caras na internet. Mas n\u00e3o deixam de ser pessoas como todas as outras pessoas: as m\u00e1scaras mudam, mas quem est\u00e1 por tr\u00e1s n\u00e3o. O exemplo da s\u00e9rie Adolesc\u00eancia que inspirou essa semana tem\u00e1tica \u00e9 importante porque fala sobre como os pais n\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o do que estava acontecendo por tr\u00e1s da personalidade que viam em casa.<\/p>\n<p>\u00c9 a mesma pessoa, mas ela explora lados diferentes do que pode ser quando est\u00e1 em comunidades diferentes. Eu nem vou tentar entrar no lado de que todo mundo tem o potencial para ser ruim porque como o p\u00fablico-alvo desses textos \u00e9 quem tem que lidar com o jovem, n\u00e3o \u00e9 um lugar bacana da mente imaginar filhos ou crian\u00e7as pr\u00f3ximas com potencial para serem seres humanos terr\u00edveis.<\/p>\n<p>Vamos pensar por um \u00e2ngulo menos doloroso: existem alguns padr\u00f5es percept\u00edveis nessas v\u00e1rias personalidades que temos. Em linhas gerais, quase todo mundo \u00e9 bem consistente em como se mostra para pequenos grupos de pessoas muito conhecidas e como se mostra para grandes grupos de desconhecidos. Mudam os detalhes, mas n\u00e3o a ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Por isso, podemos pensar em separar a personalidade \u00edntima e a personalidade social da pessoa. Olhar para a \u00edntima, aquela que se mostra para os pais, por exemplo, n\u00e3o explica como funciona a social, e vice-versa. A sua quest\u00e3o como pai e m\u00e3e sobre a personalidade \u00edntima tem muito mais a ver com os textos que a Sally escreveu. Aten\u00e7\u00e3o, autoconhecimento, exemplos.<\/p>\n<p>A personalidade social tem mais a ver com o que eu estou escrevendo: o jovem (e at\u00e9 mesmo o adulto) que est\u00e1 ficando neur\u00f3tico e radicalizado por ideias como redpill e mentalidade incel vai dar sinais mais fortes na personalidade social. Justamente um dos pontos cegos de quem est\u00e1 vendo a pessoa s\u00f3 em casa, na sua personalidade \u00edntima.<\/p>\n<p>\u00c9 natural buscar socializa\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea percebe que uma pessoa est\u00e1 fugindo dessas oportunidades, \u00e9 para chamar sua aten\u00e7\u00e3o. Existem pessoas que gostam mais de introspec\u00e7\u00e3o e atividades solit\u00e1rias, mas isso \u00e9 diferente de fugir de socializa\u00e7\u00e3o. A internet permite o que eu chamo de socializa\u00e7\u00e3o fantasma: a ilus\u00e3o de que est\u00e1 com algum grupo de pessoas por estar apenas visualizando o que elas fazem.<\/p>\n<p>Mesmo a pessoa viciada em redes sociais pode estar do lado \u201cseguro\u201d da parte social, se ela estiver buscando ativamente contato e conex\u00e3o com outras pessoas. N\u00e3o \u00e9 bom jeito de tocar a vida, mas n\u00e3o \u00e9 o mesmo buraco de quem come\u00e7a a se perder em socializa\u00e7\u00e3o fantasma.<\/p>\n<p>A pessoa pode estar apenas observando outros se comunicarem na internet e no m\u00e1ximo reagindo sem se expor, mesmo que passe o dia todo numa rede social. O moleque que est\u00e1 o dia todo no Discord pode n\u00e3o estar socializando de verdade. Pode estar apenas consumindo conte\u00fado, mantido como um zumbi diante da tela. \u00c9 meio como a gera\u00e7\u00e3o que cresceu vendo TV, mas existem um bilh\u00e3o de canais.<\/p>\n<p>Como \u00e9 bem complicado ficar em cima do jovem na internet para ver se ele est\u00e1 se comunicando de verdade, isso \u00e9, com troca de informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante notar os sinais fora da tela. Quem se acostuma com socializa\u00e7\u00e3o fantasma n\u00e3o age mais de forma a gerar la\u00e7os com outras pessoas. Porque \u00e9 muito confort\u00e1vel ser apenas um expectador, sem se arriscar com a expectativa ou rejei\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as pessoas que acabam perdendo a cabe\u00e7a em comunidades online baseadas em \u201cinimigos comuns\u201d, porque a comunidade que fica demonizando as outras pessoas vai gerando mais e mais rejei\u00e7\u00e3o pr\u00e9via na cabe\u00e7a de quem est\u00e1 apenas observando. O jovem come\u00e7a a ter medo de rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tenham esse grau de controle da tela.<\/p>\n<p>Esse medo voc\u00ea consegue quantificar observando uma pessoa. Isso \u00e9, se voc\u00ea souber que deve procurar por isso. Existe uma tend\u00eancia do jovem buscar seus grupos e querer passar tempo com eles. E o jeito que ele passa esse tempo vai te indicar o que est\u00e1 acontecendo: \u00e9 relacionamento com troca ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Mesmo o moleque terminalmente online ainda pode estar socializando com troca. Passar o final de semana num jogo online falando com os amigos \u00e9 um al\u00edvio, porque \u00e9 socializa\u00e7\u00e3o que vai e volta, que tem feedback. Aquela pessoa que n\u00e3o desgruda o olho do celular, mas est\u00e1 falando com 20 pessoas diferentes, \u00e9 viciada em celular, mas n\u00e3o em socializa\u00e7\u00e3o fantasma.<\/p>\n<p>E se o jovem tem alguma atividade sem hora marcada e sem obriga\u00e7\u00e3o com outros seres humanos, que ele procura ativamente, j\u00e1 est\u00e1 basicamente imune \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o do tipo incel. Mesmo aquele adolescente que fica fazendo pose de malvad\u00e3o e usa roupa escura, se ele estiver indo para algum lugar para ficar de bobeira com amigos reais, j\u00e1 saiu da categoria de risco de incel e similares. Pode dar todo tipo de problema diferente, mas s\u00e3o aqueles cl\u00e1ssicos de vida real.<\/p>\n<p>Socializa\u00e7\u00e3o fantasma \u00e9 o primeiro sinal. Ali\u00e1s, \u00e9 o primeiro sinal de quase todos os problemas mentais de viciados em internet, inclusive de adultos. \u00c9 que normalmente adultos tem outras formas de socializar, ent\u00e3o podem ser zumbis mais impunemente na internet. Mas o jovem? Ele tem menos op\u00e7\u00f5es, ele tem menos liberdade, menos dinheiro, menos conhecidos&#8230; a internet pesa mais para quem tem um padr\u00e3o de vida que o deixa mais preso em casa hoje em dia.<\/p>\n<p>Pelo o que j\u00e1 aconteceu comigo em algumas fases da adolesc\u00eancia (tend\u00eancia a isolamento \u00e9 especialidade da casa) e pelos relatos que vejo de muitos com todas as caracter\u00edsticas de incel, o primeiro passo \u00e9 essa desconex\u00e3o da forma habitual de interagir com o outro, essa passividade da socializa\u00e7\u00e3o fantasma que apenas observa e reage. \u00c9 ficar horas e horas apenas consumindo conte\u00fado que n\u00e3o implique resposta do outro lado.<\/p>\n<p>Muita gente assim acaba viciada em streamers, porque \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o desigual, onde voc\u00ea pode s\u00f3 observar e ter a impress\u00e3o de estar com algu\u00e9m. Pornografia \u201cmoderna\u201d tamb\u00e9m tem essas caracter\u00edsticas, com produtores de conte\u00fado adulto fingindo proximidade com os consumidores. Se o seu jovem est\u00e1 o dia inteiro na frente de uma tela e n\u00e3o parece reagir a nada, n\u00e3o fala, n\u00e3o ri, n\u00e3o quer mostrar nada para os outros&#8230; come\u00e7ou um processo de fechamento social.<\/p>\n<p>E se voc\u00ea perdeu essa fase, ainda vai poder perceber que ele n\u00e3o tem nenhuma vontade de iniciar contatos sociais. N\u00e3o tem interesses que exijam contato humano, n\u00e3o tem nem vontade de sumir sem hora para voltar. Repito: \u00e9 diferente de ser caseiro ou mais introspectivo. Quem gosta de ficar em casa ainda tem o instinto de socializa\u00e7\u00e3o, s\u00f3 \u00e9 menos conectado com estar na rua. N\u00e3o conhecer amigos(as)(es) do filho(a)(e) \u00e9 sinal vermelho, vermelh\u00edssimo. Podem ser uns imbecis, uns bichos estranhos, mas que pelo menos sejam reais e respondam. Se a personalidade social da pessoa atrofiar, a \u00edntima n\u00e3o d\u00e1 tantos sinais assim.<\/p>\n<p>A personalidade \u00edntima da pessoa pode ser super tranquila, mas se a personalidade social dela estiver nesse processo de fechamento, ela vai se tornando alvo mais f\u00e1cil para se unir com outros por \u00f3dio (medo) de mulher, por exemplo. \u00c9 bem a l\u00f3gica de culto: para a pessoa ficar fan\u00e1tica de verdade, o culto precisa cortar da vida da pessoa fam\u00edlia e amigos, porque eles v\u00e3o chamar aten\u00e7\u00e3o para os problemas.<\/p>\n<p>O culto incel ou redpill n\u00e3o \u00e9 organizado, mas pega seus membros no mesmo ponto de isolamento. A forma com a qual esses grupos mais radicais e escrotos agem entre si ainda \u00e9 baseada em socializa\u00e7\u00e3o fantasma. V\u00e3o justificando uns para os outros por que se afastaram da sociedade e formando la\u00e7os igualmente fantasmas entre eles. Porque socializar com quem te diz que voc\u00ea est\u00e1 certo ao n\u00e3o socializar \u00e9 meio como discutir democracia com defensores da ditadura&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 refor\u00e7a as ideias distorcidas geradas pela solid\u00e3o, s\u00f3 aumenta o valor dessa socializa\u00e7\u00e3o de mentirinha sem troca. E o diabo mora na vida social vazia. \u00c9 quando as pessoas ficam mais neur\u00f3ticas, assustadas, preconceituosas&#8230; se voc\u00ea s\u00f3 enxerga monstros no mundo, vai ficar escondido e sempre com uma pedra na m\u00e3o.<\/p>\n<p>A personalidade \u00edntima da pessoa pode ficar superficialmente parecida durante esse processo todo. Por isso que existem mesmo esses casos de jovens que se radicalizam, mas pais e pessoas pr\u00f3ximas n\u00e3o percebem. \u00c9 para prestar aten\u00e7\u00e3o se a crian\u00e7a e o adolescente est\u00e3o formando la\u00e7os reais com outras pessoas, e se n\u00e3o estiverem, dar seu jeito de empurrar o bicho para fora do ninho. Como fazer isso eu n\u00e3o sei, n\u00e3o tenho filhos. Se voc\u00ea tiver certeza que sabe muito mais o que fazer.<\/p>\n<p>Eu s\u00f3 sei que muito por causa de terceiros, eu fui empurrado gentilmente na dire\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de troca com outras pessoas diversas vezes na vida. Terminei caseiro e introspectivo como \u00e9 meu jeito mesmo, mas sem raiva e sem propens\u00e3o \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 papo de boomer reclamar que o jovem est\u00e1 o dia inteiro na frente da tela se o jovem estiver matando sua personalidade social e s\u00f3 reagindo bovinamente a conte\u00fado de influencer e streamer.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 isso que faz algu\u00e9m virar incel (tem outros caminhos ruins), mas esse corte de rela\u00e7\u00f5es com outros que n\u00e3o sejam pessoas obrigat\u00f3rias (como pais e colegas de escola) \u00e9 o passo comum que toda essa gente doente da cabe\u00e7a d\u00e1 em algum momento.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei como voc\u00ea vai fazer, mas sei que voc\u00ea precisa fazer se perceber os sinais. Seja chato(a), mas faz esse bostinha sair de casa ou no m\u00ednimo ter uma turma de amigos e amigas que responda quando eles falam. O bostinha aqui \u00e9 prova de que isso ajuda bastante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguindo com a semana M\u00e1s Influ\u00eancias, eu quero falar sobre o curioso e perigoso fen\u00f4meno de gente que acaba ficando muito antissocial mesmo se comunicando o tempo todo e n\u00e3o dando sinais para as pessoas mais pr\u00f3ximas. 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