{"id":28708,"date":"2025-05-03T14:36:53","date_gmt":"2025-05-03T17:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=28708"},"modified":"2025-11-17T19:27:55","modified_gmt":"2025-11-17T22:27:55","slug":"vida-artificial-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/05\/vida-artificial-2\/","title":{"rendered":"Vida artificial."},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-body uk-card-default\">\n<p>Nos \u00faltimos dias, os beb\u00eas reborn voltaram a viralizar nas redes sociais, embora n\u00e3o sejam uma novidade. Entre fotos e v\u00eddeos em que esses bonecos s\u00e3o tratados como crian\u00e7as reais, chamou aten\u00e7\u00e3o o caso de Yasmin Becker, de 17 anos, moradora de Jana\u00faba (MG). Criadora de conte\u00fados infantis, ela levou seu boneco a um hospital, alegando que ele \u201cn\u00e3o estava se sentindo bem\u201d. O v\u00eddeo da experi\u00eancia fict\u00edcia gerou debate entre os usu\u00e1rios. <a class=\"uk-button uk-button-text\" href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/maes-e-pais\/historias\/noticia\/2025\/04\/mineira-leva-bebe-reborn-ao-hospital-e-video-viraliza-assista.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">LINK<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>Isso nos chamou a aten\u00e7\u00e3o durante a semana, mas n\u00e3o pelo motivo que voc\u00ea est\u00e1 esperando. <strong>Desfavor da Semana<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Esta semana vimos v\u00e1rias not\u00edcias envolvendo esses bonecos horrorosos chamados \u201cBeb\u00ea Reborn\u201d, desde uma lun\u00e1tica que fez v\u00eddeo levando o boneco para o hospital por achar que ele \u201cn\u00e3o estava se sentindo bem\u201d at\u00e9 um ritual bizarro que emula o parto de um Beb\u00ea Reborn e custa bastante caro para quem decide encen\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Pesquisando, percebi que o universo Reborn tem infinitas bizarrices. Tem creche para Beb\u00ea Reborn. Tem pediatra, tem bab\u00e1, tem uma infinidade de prestadores de servi\u00e7o que atendem a esses peda\u00e7os de borracha com roupinha como se fossem reais. Estou fascinada por essa nova modalidade de doen\u00e7a mental e insisti com o Somir para que este fosse o tema de hoje.<\/p>\n<p>Mas, se voc\u00eas pensam que eu vou pregar terapia e que as pessoas cuidem da sua sa\u00fade mental, est\u00e3o enganados. Eu j\u00e1 desisti.<\/p>\n<p>O que eu quero dizer \u00e9: que bom que tem Beb\u00ea Reborn. Deixem essas mulheres em paz. Deixem elas botarem roupinha e darem afeto para um peda\u00e7o de borracha com cabelo. N\u00e3o fa\u00e7am bullying ou recriminem, pois, se em algum momento virar algo socialmente reprovado, essas mesmas mulheres v\u00e3o largar os bonecos e partir para crian\u00e7as de verdade ou animais de estima\u00e7\u00e3o, e Deus me livre dessas pessoas respons\u00e1veis por um ser vivo.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, a maioria j\u00e1 tem filhos\u201d. Sim, mas mulher infantilizada \u00e9 assim: adora filho beb\u00ea e acha que depois que cresce n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o legal. Ela gosta de um ser completamente dependente dela, para que ela possa passar o dia em fun\u00e7\u00e3o dele e se sinta \u00fatil, pois s\u00f3 assim se sente importante. Quando filho cresce e vai viver, bate na mam\u00e3e o vazio de n\u00e3o ter feito porra nenhuma com a sua vida.<\/p>\n<p>Todo mundo na casa tem vida. O marido trabalha, tem o futebol, tem o bar, tem os amigos. Os filhos t\u00eam escola, faculdade, festa, amigos. S\u00f3 a mulher, que ficou enterrada nesse papel de \u201cm\u00e3e\u201d, ficou enganada. Foi dito a ela que isso seria o mais lindo, o mais nobre, o mais importante da sua vida. S\u00f3 n\u00e3o lhe foi dito que, quanto mais passa o tempo, menos atua\u00e7\u00e3o ela ter\u00e1 no cargo.<\/p>\n<p>A\u00ed vem o vazio. A\u00ed vem as consequ\u00eancias de n\u00e3o conseguir se sustentar sozinha e de precisar de marido, mesmo que o amor e o respeito tenham acabado. A\u00ed chega toda a conta de escolher viver de forma monotem\u00e1tica se dedicando \u00e0 maternidade, n\u00e3o s\u00f3 por achar que esse \u00e9 o \u00fanico caminho, mas tamb\u00e9m por ver algum status nisso.<\/p>\n<p>E ter filhos sem estar preparado para isso (financeiramente, emocionalmente e mentalmente) cobra um pre\u00e7o. E geralmente parte da cobran\u00e7a se paga com a sa\u00fade mental. O resultado costuma ser mulher carente, com baixa autoestima, infantilizada e\/ou dependente emocional.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o vai mudar. Eu n\u00e3o vou lutar contra isso fazendo texto dizendo como evitar ou o que tem que fazer. \u00c9 estrutural. T\u00e1 tudo errado desde o ber\u00e7o e as futuras gera\u00e7\u00f5es, como regra, v\u00e3o repetir os erros desta, pois quem ensina, ensina errado. Por mais que com palavras tente ensinar certo, ensina errado com exemplos, que \u00e9 por onde os filhos aprendem.<\/p>\n<p>O ponto de discuss\u00e3o \u00e9: vai deixar essas doidas varridas respons\u00e1veis por um peda\u00e7o de pl\u00e1stico ou vai ridicularizar elas at\u00e9 elas terem vergonha dos Beb\u00ea Reborn e partirem para adotar uma crian\u00e7a ou um pet? Por gentileza, deixem as doidas ninando material sint\u00e9tico. N\u00e3o tirem isso delas. \u00c9 s\u00f3 isso o que eu pe\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cMas Sally, o certo seria fazer terapia\u201d. Sim, mas sabemos que n\u00e3o vai acontecer. Tem gente que n\u00e3o tem nem bagagem de intelig\u00eancia, vocabul\u00e1rio e capacidade reflexiva para fazer terapia. Tem gente que j\u00e1 chegou num ponto da vida em que ver a verdade deprime at\u00e9 a morte, ap\u00f3s tantos anos perdidos vivendo uma vida bosta. Essas pessoas n\u00e3o v\u00e3o melhorar.<\/p>\n<p>\u00c9 a vers\u00e3o feminina do criminoso que vira evang\u00e9lico e para de cometer crimes. Eu sou a favor da igreja evang\u00e9lica? N\u00e3o, eu sou contra com todas as minhas for\u00e7as, mas exerce alguma conten\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o funciona sempre, mas em alguns casos sim. \u00c9 o certo a se fazer? N\u00e3o. Mas a essa altura, se tem um bandido a menos na rua a gente comemora. Se tem uma maluca a menos esquizofrenizando cachorro, botando roupinha e sapatinho em pet, eu tamb\u00e9m comemoro. Benditos sejam os Beb\u00eas Reborn.<\/p>\n<p>Beb\u00ea Reborn n\u00e3o \u00e9 causa, \u00e9 consequ\u00eancias. Se voc\u00ea tira isso delas, a causa continua e quem vai sofrer as consequ\u00eancias dessa car\u00eancia, dessa falta de sa\u00fade mental, desse amontoado de comportamentos bizarros ser\u00e1 uma crian\u00e7a, um c\u00e3o ou um gato. Deixa as doidas preencherem o que falta na vida delas com boneco, caso contr\u00e1rio, o estrago vai ser ainda pior.<\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Eu sou da ideia que se formos errar em alguma coisa na sociedade, que erremos por dar mais liberdade para as pessoas. \u00c9 uma vis\u00e3o que por vezes fica com cara de esquerda lacradora, por vezes direita libert\u00e1ria, mas que na verdade \u00e9 sobre o poder da autorregula\u00e7\u00e3o. Leis e moralidade (que nada mais \u00e9 do que os costumes da maioria numa regi\u00e3o, nem sempre o que \u00e9 moral \u00e9 \u00e9tico) vem de cima para baixo e quase sempre consideram um mundo ideal, autorregula\u00e7\u00e3o \u00e9 o cidad\u00e3o descobrindo por conta pr\u00f3pria o que funciona ou n\u00e3o na sua vida.<\/p>\n<p>O que vem de fora para dentro \u00e9 mais idealista, o que vem de dentro para fora \u00e9 mais utilitarista. O mundo como achamos que deve ser contra o mundo que conseguimos fazer. \u00c9 importante ter metas mais nobres para o que queremos ser como sociedade, para empurrar o pov\u00e3o numa dire\u00e7\u00e3o mais eficiente e saud\u00e1vel; mas as pessoas precisam ter uma margem de manobra para empurrar a linha para o que \u00e9 mais f\u00e1cil fazer.<\/p>\n<p>Toda essa explica\u00e7\u00e3o \u00e9 para dizer que assim como a Sally, eu tamb\u00e9m acredito que n\u00e3o adianta dar chilique com pessoas mais velhas \u201ccriando\u201d beb\u00eas de borracha. Existem ganhos secund\u00e1rios que essas pessoas precisam na sua vida, e acharam um caminho f\u00e1cil o suficiente para consegui-los. Um caminho que n\u00e3o coloca em risco crian\u00e7as de verdade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o ideal porque essa energia, se bem canalizada, poderia ajudar muitas crian\u00e7as reais que precisam de aten\u00e7\u00e3o e carinho urgentemente. S\u00f3 que aqui entra o realismo: quem est\u00e1 fazendo isso n\u00e3o tem interesse numa crian\u00e7a de verdade. O fato de serem beb\u00eas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 economia de mat\u00e9ria-prima ou praticidade de armazenamento: nessa idade, o ser humano n\u00e3o oferece intera\u00e7\u00f5es muito complexas.<\/p>\n<p>E isso j\u00e1 deveria ser a dica do grau de profundidade desejado pela pessoa que come\u00e7a a cuidar desses beb\u00eas reborn. N\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que quer um filho, a pessoa quer aquela intera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do beb\u00ea que n\u00e3o responde. Com o b\u00f4nus de ser imortal e n\u00e3o sujar a fralda. Sei que tem toda a quest\u00e3o terap\u00eautica estudada por especialistas, mas nem \u00e9 o ponto aqui: porque estamos falando de uma onda de colecionadores e produtores de conte\u00fado para rede social. N\u00e3o s\u00e3o pessoas acompanhadas num tipo de tratamento.<\/p>\n<p>H\u00e1 o que criticar, eu sou menos exigente que a Sally no n\u00edvel b\u00e1sico de sa\u00fade mental do ser humano, mas ainda percebo claramente como isso pode dar errado na cabe\u00e7a da pessoa. A imagina\u00e7\u00e3o tem esse h\u00e1bito de se misturar com a realidade se n\u00e3o for confrontada. Mas na quest\u00e3o de \u201cdesperd\u00edcio de instinto materno\u201d, n\u00e3o me parece realmente um problema. N\u00e3o acho que uma crian\u00e7a real se beneficiaria no longo prazo apenas com esse interesse por beb\u00eas pl\u00e1sticos. Muitas das piores m\u00e3es do mundo brincaram com bonecas quando pequenas.<\/p>\n<p>Inclusive eu vou al\u00e9m: eu acredito que exista uma fun\u00e7\u00e3o social nessas rela\u00e7\u00f5es entre pessoas e objetos. Uma que eu j\u00e1 toquei num texto antigo sobre pedofilia, de um ponto de vista totalmente utilitarista, um ped\u00f3filo consumindo conte\u00fado ficcional sobre crian\u00e7as \u00e9 algu\u00e9m satisfazendo um desejo sem encostar numa crian\u00e7a real. Eu lembro que o texto era sobre criminalizar quadrinhos pornogr\u00e1ficos japoneses com crian\u00e7as, e que n\u00e3o havia dados sobre a presun\u00e7\u00e3o que essas pessoas abusavam de crian\u00e7as reais por terem visto desenhos de crian\u00e7as sendo abusadas.<\/p>\n<p>E at\u00e9 onde eu sei, esses dados ainda n\u00e3o existem. O que at\u00e9 essa popularidade recente dos beb\u00eas reborn me sugere \u00e9 que essas rela\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias s\u00e3o ainda mais naturais que eu previa naquela \u00e9poca. Se mulheres, inclusive mulheres que j\u00e1 tem filhos, conseguem formar la\u00e7os imagin\u00e1rios com essas bonecas, \u00e9 porque isso \u00e9 muito comum mesmo no ser humano.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o no caso do conte\u00fado ped\u00f3filo ficcional era sobre se ele bastaria para a pessoa doente. Eu come\u00e7o a ver mais provas que sim, bastaria. Lembra o come\u00e7o do texto quando eu comparo o que \u00e9 ideal e o que \u00e9 pr\u00e1tico? O ideal \u00e9 que nenhuma crian\u00e7a tenha que lidar com abusos sexuais, mas o pr\u00e1tico \u00e9 que n\u00e3o conseguimos eliminar nem uma fra\u00e7\u00e3o dos adultos com essa propens\u00e3o. Como lidar com isso? Uma alternativa que ningu\u00e9m gosta de pensar, mas que provavelmente vai ter que ser tentada \u00e9 oferecer op\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas para os ped\u00f3filos.<\/p>\n<p>E a\u00ed as coisas se amarram: talvez seja sim uma alternativa avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias e deixar objetos e representa\u00e7\u00f5es ficcionais de seres humanos serem as \u201cv\u00edtimas\u201d dos desejos das pessoas. Gostar de crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 gostar do \u201cobjeto\u201d crian\u00e7a. S\u00e3o coisas parecidas apenas em superf\u00edcie. Por motivos muito diferentes, a \u201cm\u00e3e de boneca\u201d e o ped\u00f3filo se encaixam numa mesma categoria: pessoas que s\u00e3o muito mais seguras para as crian\u00e7as se tiverem simula\u00e7\u00f5es realistas para usar.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre ideal e pr\u00e1tico. Tem uma s\u00e9rie de problemas relacionados com soltar as r\u00e9deas legais e morais sobre se relacionar com objetos simulando crian\u00e7as, mas n\u00e3o se pode negar que \u00e9 mais f\u00e1cil. Usamos o tempo e a aten\u00e7\u00e3o de quem talvez fizesse mal para uma crian\u00e7a real em outro lugar. E sim, empurramos o problema para frente: porque uma hora ou outra a intelig\u00eancia artificial vai come\u00e7ar a nos deixar confusos sobre se s\u00e3o realmente objetos. A\u00ed eu n\u00e3o sei para onde correr, provavelmente v\u00e3o precisar definir uma linha b\u00e1sica de consci\u00eancia para merecer direitos e manter os \u201cobjetos de abuso\u201d abaixo dela. Mas como \u00e9 comum na vida, \u00e0s vezes precisamos lidar com os problema de hoje e pensar nos de amanh\u00e3&#8230; s\u00f3 amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Pelo que eu estou enxergando, o ser humano est\u00e1 dizendo que aceita sim rela\u00e7\u00f5es virtuais. E a minha previs\u00e3o antiga de que vamos acabar (como esp\u00e9cie) vivendo como ditadores de universos virtuais pr\u00f3prios est\u00e1 ficando cada vez mais forte. As pessoas est\u00e3o dizendo que querem isso, a tecnologia est\u00e1 se mexendo para entregar isso. Todo dia aparece um novo sinal desse movimento, e se assim como eu voc\u00ea acha que \u00e9 um movimento que n\u00e3o pode ser impedido, faz sentido relaxar as regras e deixar as pessoas mais livres para se isolar de contato humano caso n\u00e3o queiram mesmo.<\/p>\n<p>Gente for\u00e7ada acaba fazendo as coisas malfeitas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, os beb\u00eas reborn voltaram a viralizar nas redes sociais, embora n\u00e3o sejam uma novidade. Entre fotos e v\u00eddeos em que esses bonecos s\u00e3o tratados como crian\u00e7as reais, chamou aten\u00e7\u00e3o o caso de Yasmin Becker, de 17 anos, moradora de Jana\u00faba (MG). 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