{"id":29318,"date":"2025-05-21T13:18:52","date_gmt":"2025-05-21T16:18:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=29318"},"modified":"2025-11-05T12:05:31","modified_gmt":"2025-11-05T15:05:31","slug":"trabalho-inferior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/05\/trabalho-inferior\/","title":{"rendered":"Trabalho inferior?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 comum ouvir hist\u00f3rias de conhecidos e ver postagens na internet sobre pessoas muito qualificadas precisando trabalhar em empregos que nada tem a ver com essas qualifica\u00e7\u00f5es. Empregos que consideramos \u201cabaixo\u201d dessas pessoas. O famoso motorista de Uber com diploma de engenharia. Culpa-se a economia, a sociedade&#8230; mas ser\u00e1 que \u00e9 t\u00e3o injusto assim?<!--more--><\/p>\n<p>O \u00faltimo estudo sobre analfabetismo funcional feito no Brasil trouxe um n\u00famero impressionante: 12% das pessoas com ensino superior eram consideradas incapazes de entender textos, aplicar conhecimento na pr\u00e1tica, usar matem\u00e1tica e ferramentas digitais.<\/p>\n<p>E como falamos nos textos sobre essa pesquisa recentemente, essa era a barra mais baixa para passar: se f\u00f4ssemos cobrar compreens\u00e3o do n\u00edvel para entender textos relativamente curtos como o Desfavor, por exemplo, seja para concordar ou criticar, com certeza o n\u00famero iria muito mais longe. Medo de descobrir quanta gente \u00e9 capaz de absorver o conte\u00fado de um livro t\u00e9cnico ou entender o que se ensina num curso de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem pessoas com ensino superior que n\u00e3o conseguem acompanhar este texto. N\u00e3o est\u00e1 na hora de colocar o Uber com diploma de engenharia em perspectiva? Ou a pessoa que reclama no LinkedIn por n\u00e3o conseguir emprego mesmo tendo um curr\u00edculo cheio de cursos? Com certeza tem gente que \u00e9 muito capaz e d\u00e1 azar na vida, mas como separar elas de uma prov\u00e1vel massa de pessoas que s\u00f3 tem diploma&#8230; no papel?<\/p>\n<p>A incompet\u00eancia n\u00e3o atinge apenas aqueles que s\u00e3o incompetentes, ela pune a sociedade de forma generalizada. A maioria dos empregadores come\u00e7a a ficar c\u00ednica com as hist\u00f3rias de injusti\u00e7a contadas pelas pessoas, porque tem experi\u00eancia pr\u00e1tica de contratar gente incapaz que prometia mundos e fundos. \u00c9 dif\u00edcil saber se \u00e9 algu\u00e9m que vai prestar numa situa\u00e7\u00e3o ruim ou se \u00e9 algu\u00e9m que n\u00e3o vinga na sua profiss\u00e3o por incapacidade de trabalhar direito sozinha ou em grupo.<\/p>\n<p>Sabe-se que tem gente muito boa perdida no meio da massa, mas ainda sim \u00e9 uma massa composta de muita gente que simplesmente n\u00e3o sabe fazer o seu trabalho. \u00c0s vezes \u00e9 por pregui\u00e7a, \u00e0s vezes \u00e9 por problemas de sa\u00fade mental, mas como pudemos ver pela pesquisa sobre analfabetismo funcional, \u00e9 prov\u00e1vel que boa parte delas n\u00e3o seja mesmo capaz de fazer o que seu diploma diz que deveriam fazer.<\/p>\n<p>E caso esse empregador queira achar essa gente muito boa, vai ter que passar por uma s\u00e9rie de pessoas que mentem sobre suas capacidades no caminho. Mentir capacidade \u00e9 visto como esperteza no Brasil, mas nem todo mundo est\u00e1 fazendo isso de m\u00e1-f\u00e9: a pessoa que completou o ensino superior incapaz de ler um par\u00e1grafo de texto nem tem as ferramentas necess\u00e1rias para entender como \u00e9 incapaz. A pessoa pode achar de verdade que consegue fazer o trabalho, e n\u00e3o entende at\u00e9 hoje porque n\u00e3o d\u00e1 certo na profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O incompetente polui o grupo de candidatos de tal forma que empresas acabam com processos seletivos quase que arcanos para conseguir filtrar alguma coisa, e na d\u00favida sobre a real capacidade do mentiroso m\u00e9dio, preferem focar em obedi\u00eancia e menor sal\u00e1rio desejado. O mercado se adaptou aos diplomados analfabetos funcionais: se n\u00e3o pode evit\u00e1-los, que pelo menos sejam baratos.<\/p>\n<p>Existem dois lados: o trabalhador que se sente sacaneado por n\u00e3o conseguir emprego mesmo sendo capacitado e o empregador que est\u00e1 cansado de contratar gente que n\u00e3o sabe nem o que est\u00e1 fazendo. E com o b\u00f4nus de muitas empresas onde o incompetente foi promovido por ser bom de engenharia social e criou um ninho para pessoas parecidas. O competente cai nesse lugar e \u00e9 maltratado imediatamente.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o acho que seja poss\u00edvel resolver esse problema de incompet\u00eancia diplomada sem voltar \u00e0 raiz: por que essas pessoas conseguiram um diploma? E talvez at\u00e9 pior, por que elas quiseram um diploma? Se 12% das pessoas com curso superior foram expostas por uma pesquisa sobre analfabetismo funcional, como \u00e9 que elas conseguiram terminar a gradua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Bom, eu lembro dos meus tempos de faculdade. Das pessoas que eu sei que terminaram o curso da minha turma, eu acho que consigo apontar uns dois ou tr\u00eas dos vinte que n\u00e3o tinham a menor ideia do que estava acontecendo. Eu sempre fui nerd, ent\u00e3o sei na pr\u00e1tica que tem gente que te ganha na simpatia\/personalidade e vai indo junto a partir do seu trabalho. Eu tinha que fazer de qualquer jeito, eu devo ter formado uma pessoa analfabeta funcional e umas duas que n\u00e3o tinham capacidade nenhuma de exercer a profiss\u00e3o s\u00f3 colocando seus nomes nos trabalhos.<\/p>\n<p>E em todo curso isso vai acontecer. A pessoa passa nas provas solit\u00e1rias decorando algumas coisas, os professores n\u00e3o se importam o suficiente para separar quem entendeu de quem decorou&#8230; e muitos dos trabalhos mais complexos podem ser feitos s\u00f3 colocando o nome em grupos obrigat\u00f3rios, e existe toda uma ind\u00fastria de fazer trabalhos de conclus\u00e3o de curso pelos outros. E agora, com ChatGPT? Eu n\u00e3o tenho a menor ideia do n\u00edvel de pessoa que vai completar os cursos, talvez o n\u00famero de analfabetos funcionais com curso superior comece a aumentar.<\/p>\n<p>Existe uma falha enorme no que as universidades deixam passar como formados. Temos que melhorar nosso ensino superior? Claro. Mas essa \u00e9 a raiz do problema? Veja bem, o n\u00famero de ferramentas para enganar o sistema e sair com um diploma sobre algo que voc\u00ea n\u00e3o entende s\u00f3 vai aumentar. Fazer com que alunos trabalhem em conjunto \u00e9 uma parte t\u00e3o integral do ensino superior (especialmente em \u00e1reas de servi\u00e7os) que seria um desastre acabar com isso. Voc\u00ea faz esses cursos para aprender a funcionar numa profiss\u00e3o, o que com certeza exige coopera\u00e7\u00e3o em alguma etapa.<\/p>\n<p>Virar o ensino superior para algo mais ego\u00edsta que testa apenas sua mem\u00f3ria \u00e9 perder uma parte importante da forma\u00e7\u00e3o da pessoa para o trabalho. N\u00e3o d\u00e1 para ficar sem tarefas que podem ser feitas por IA ou em grupos que n\u00e3o se participa na pr\u00e1tica. Porque s\u00e3o justamente nessas tarefas que se testa aplica\u00e7\u00e3o de conhecimento em fun\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. S\u00f3 prova isolada sem consulta \u00e9 mero teste de mem\u00f3ria, e se s\u00f3 esse tipo de gente passar, acabamos com o padr\u00e3o concurseiro do brasileiro m\u00e9dio. Veja os ju\u00edzes que formamos para saber como isso n\u00e3o melhora a qualidade do trabalho&#8230;<\/p>\n<p>Eu argumento que isso est\u00e1 um n\u00edvel abaixo ainda: uma sociedade arrogante e\/ou analfabeta funcional que acha que vencer na vida est\u00e1 condicionado a um diploma. Os trabalhos que exigem diploma quase sempre s\u00e3o relacionados com pensamento abstrato. Todos somos capazes de pensamento abstrato, mas nem todos n\u00f3s somos interessados em pensamento abstrato. E isso faz muita diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em praticamente todas as \u00e1reas da sociedade humana, existe o componente abstrato e o pr\u00e1tico. Voc\u00ea planeja e executa. Analisa e toma decis\u00f5es. \u00c9 muito raro que qualquer um de n\u00f3s seja igualmente eficiente nas duas coisas. Todo mundo tem suas prefer\u00eancias. Tem gente que gosta de ficar pensando em tese sobre as coisas e tem gente que gosta de colocar a m\u00e3o na massa. O brasileiro acha que existe uma diferen\u00e7a de intelig\u00eancia entre as duas \u00e1reas.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe. Existem diferen\u00e7as de intelig\u00eancia entre pessoas. Uma pessoa inteligente com foco pr\u00e1tico resolve problemas complexos fazendo. Uma pessoa inteligente com foco te\u00f3rico resolve problemas pensando. O Brasil forma muita gente em Direito e poucas em conserto de telhado. E eu desconfio seriamente que boa parte desse povo que nem consegue passar na prova da OAB se daria bem arrumando telha deslocada.<\/p>\n<p>Mas est\u00e1 enfiado na cabe\u00e7a da maioria que uma profiss\u00e3o \u00e9 de gente de sucesso e outra de fracassados. \u00c9 o analfabetismo funcional agindo sobre o inconsciente coletivo. Uma ideia da antiguidade que rejeita trabalhos considerados bra\u00e7ais por consider\u00e1-los coisas de castas inferiores. E veja s\u00f3, eu estou considerando que trabalho bra\u00e7al paga muito pouco, mas isso tamb\u00e9m \u00e9 resultado dessa mentalidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos pagar por trabalhos \u201cf\u00e1ceis\u201d. Muito embora na hora do vamos ver, n\u00e3o sejam f\u00e1ceis. Voc\u00ea sabe fazer um muro? Trocar encanamento? Voc\u00ea sabe trocar o filtro de \u00f3leo do seu carro? Mais: voc\u00ea sabe cuidar de um idoso? De uma crian\u00e7a? Eu digo profissionalmente, cobrando por isso e tendo que entregar foco total na qualidade do servi\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 favor, \u00e9 emprego com cobran\u00e7a e responsabilidade legal.<\/p>\n<p>Os trabalhos com muitos componentes abstratos, que s\u00e3o justamente esses que exigem diplomas, s\u00e3o lugares perfeitos para o incompetente se esconder. \u00c9 f\u00e1cil verificar se um trabalho dos mais bra\u00e7ais deu errado, mas um funcion\u00e1rio de marketing pode passar d\u00e9cadas sendo um analfabeto funcional se for bom de relacionamento.<\/p>\n<p>Vira um misto de preconceito autoimposto sobre trabalhos manuais serem inferiores (gente boa ganha muito dinheiro e respeito at\u00e9 limpando fossa) e uma alternativa perfeita para quem \u00e9 pregui\u00e7oso ou iludido nos trabalhos com diploma. Como \u00e9 de costume, esse problema se retroalimenta: pessoas capazes fogem de trabalhos mais pr\u00e1ticos por acharem que v\u00e3o ser exploradas e \u201cperder na vida\u201d, pessoas incapazes se enchem de cursos que n\u00e3o entendem para melhorar o curr\u00edculo e se encostarem numa profiss\u00e3o que n\u00e3o os exponha t\u00e3o r\u00e1pido.<\/p>\n<p>O mais interessante \u00e9 que talvez essas pessoas incapazes escondidas em profiss\u00f5es de pensamento abstrato fossem excelentes profissionais em fun\u00e7\u00f5es mais pr\u00e1ticas. S\u00f3 que nunca tentaram, por achar que n\u00e3o servia para o seu plano de vida. Vai dizer que nunca viu gente super esfor\u00e7ada, mas que parece ser incapaz de fazer o b\u00e1sico do seu trabalho? Eu argumento que \u00e9 algu\u00e9m de capacidade pr\u00e1tica se for\u00e7ando a fazer algo te\u00f3rico. E sabe do que mais? Sabe aquele pedreiro que todo mundo conhece, que fala bonito e d\u00e1 o planejamento completo da obra, mas que na hora de fazer \u00e9 um in\u00fatil? Pode ser o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>E a\u00ed, voc\u00ea n\u00e3o consegue saber se o engenheiro no Uber \u00e9 algu\u00e9m que foi sacaneado por incompetentes que chegaram antes no seu mercado de trabalho ou se \u00e9 mesmo algu\u00e9m que nem tinha ideia do que fazer como engenheiro. O mercado de trabalho brasileiro est\u00e1 cheio de problemas de qualifica\u00e7\u00e3o e produtividade, e eu entendo que exista um \u201cpecado original\u201d na mentalidade escravocrata de que s\u00f3 gente inferior suja as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Que pensar \u00e9 trabalho de gente melhor. Meu trabalho exige pensar e planejar bastante, e eu faria essa parte de gra\u00e7a, porque \u00e9 naturalmente divertido para mim. Eu fa\u00e7o isso no meu tempo livre com jogos e projetos como o Desfavor. Eu estou no campo da abstra\u00e7\u00e3o com diploma porque \u00e9 mais f\u00e1cil para o meu pacote de interesses, n\u00e3o porque \u00e9 \u201cdigno de mim\u201d.<\/p>\n<p>Talvez a solu\u00e7\u00e3o seja menos gente fazendo curso superior. Porque se 12% terminam analfabetos funcionais, \u00e9 porque est\u00e1 entrando gente demais neles sem ter um plano b\u00e1sico do que fazer depois. Precisa ter op\u00e7\u00e3o de cursos profissionalizantes e mais respeito e rendimento nessas profiss\u00f5es de pensamento pr\u00e1tico, e para fazer isso, o pov\u00e3o precisa deixar de se deslumbrar com diploma primeiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que o governo consiga mexer nessa mentalidade de cima para baixo. Nem acho que queira, porque em m\u00e9dia, nossos pol\u00edticos s\u00e3o analfabetos funcionais com diploma&#8230; igualmente iludidos. Talvez a IA seja nossa amiga nesse sentido: ao cobrir fun\u00e7\u00f5es abstratas, pode for\u00e7ar muita gente a procurar espa\u00e7o nas fun\u00e7\u00f5es mais bra\u00e7ais, for\u00e7ando muita gente a descobrir que sua habilidade \u00e9 pr\u00e1tica, n\u00e3o te\u00f3rica. E quem sabe depois de algum tempo essas pessoas for\u00e7adas a pegar o trabalho \u201cmenos valioso\u201d comecem a perceber as vantagens e ter mais for\u00e7a para negociar sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es melhores.<\/p>\n<p>Provavelmente tem gente demais sendo paga para pensar e gente de menos sendo paga para agir. Isso pode explicar a produtividade ruim do brasileiro. Mais educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolve se continuarmos achando que o objetivo final \u00e9 ter um diploma. N\u00e3o \u00e9. O objetivo \u00e9 fazer alguma coisa direito. Talvez o engenheiro seja um excelente motorista. E com certeza o mundo n\u00e3o precisa de tantos engenheiros como precisa de motoristas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum ouvir hist\u00f3rias de conhecidos e ver postagens na internet sobre pessoas muito qualificadas precisando trabalhar em empregos que nada tem a ver com essas qualifica\u00e7\u00f5es. Empregos que consideramos \u201cabaixo\u201d dessas pessoas. O famoso motorista de Uber com diploma de engenharia. 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