{"id":2941,"date":"2012-07-20T05:43:21","date_gmt":"2012-07-20T08:43:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=2941"},"modified":"2012-07-20T05:43:21","modified_gmt":"2012-07-20T08:43:21","slug":"des-contos-a-estrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2012\/07\/des-contos-a-estrada\/","title":{"rendered":"Des Contos: A Estrada."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2942\" title=\"desc_estrada\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/desc_estrada.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/desc_estrada.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/desc_estrada-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Andr\u00e9 come\u00e7ava a considerar as vantagens de namorar Joana. Por um lado, ela era definitivamente a mulher mais atraente que jamais dera aten\u00e7\u00e3o a ele. Por outro, sua ideia de divers\u00e3o n\u00e3o se traduzia muito bem para seus gostos.<\/p>\n<p><strong>JOANA:<\/strong> E a\u00ed, vai ou n\u00e3o vai?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> H\u00e3? *voltando ao mundo real*<!--more--><br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Voc\u00ea j\u00e1 desceu em lugares piores. Aqui vai ser tranquilo!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Claro&#8230; claro&#8230; at\u00e9 parece que uma quedinha dessas vai me botar medo!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Esse \u00e9 o meu gat\u00e3o corajoso! *sorrindo*<\/p>\n<p>Enquanto suas ex-namoradas pareciam se contentar com voltas no shopping, Joana gostava mesmo era de passar horas e horas se embrenhando por cavernas. E quanto mais distantes e inacess\u00edveis, melhor. Andr\u00e9 n\u00e3o quis dar o bra\u00e7o a torcer e dizer que morria de medo de ficar isolado debaixo de toneladas de rocha com apenas uma m\u00edsera lanterninha iluminando o caminho, e embora isso tenha conquistado v\u00e1rios pontos com sua namorada, criou uma falsa ideia de paix\u00e3o compartilhada.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Bom, deixa eu me&#8230; AAAAHHH! *pulando para tr\u00e1s*<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Calma, foi s\u00f3 um morcego!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Desse tamanho? Era a porra do Batman!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Hahahahaha! S\u00f3 voc\u00ea para me fazer rir assim. Ele n\u00e3o \u00e9 \u00f3timo, Valter?<br \/>\n<strong>VALTER:<\/strong> Todo mundo adora o Prego. Agora desce logo!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Para de chamar ele de Prego!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Deixa&#8230; deixa&#8230;<br \/>\n<strong>VOZ:<\/strong> ENTALOU NO BURACO, PREGO? *de dentro do buraco*<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> N\u00c3O CHAMA ELE ASSIM! *berrando para baixo*<\/p>\n<p>Risadas podem ser ouvidas na parte de baixo da caverna. Andr\u00e9 se posiciona cuidadosamente na borda da passagem, confere mais algumas vezes se todas as cordas est\u00e3o presas, respira fundo&#8230; E se solta.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Pai nosso que estais&#8230; *murmurando*<\/p>\n<p>Alguns segundos depois, que Andr\u00e9 poderia jurar terem durado horas, o contato com uma superf\u00edcie s\u00f3lida. E \u00famida. O som de corredeiras ecoando pelo breu das passagens posteriores o lembra que s\u00f3 tem uma coisa pior que explorar cavernas: Explorar cavernas cheias d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Logo a sua frente, debilmente iluminado pelo seu capacete, est\u00e1 Jorge. Musculatura saliente, l\u00edngua afiada e uma predile\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda por pegar no seu p\u00e9. Isso j\u00e1 seria problema o suficiente sem a desconfian\u00e7a que Joana j\u00e1 teve um caso com ele.<\/p>\n<p><strong>JORGE:<\/strong> Ainda n\u00e3o aprendeu a se soltar, Prego?<br \/>\n<strong>VOZ:<\/strong> N\u00e3o chama ele de pregoooo!<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> *sorrindo*<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Pronto! Pronto! N\u00e3o precisa, j\u00e1 me soltei. *irritado*<\/p>\n<p>Alguns momentos depois, Joana desce soltando um grito de satisfa\u00e7\u00e3o que Andr\u00e9 n\u00e3o escuta nem em seus dias mais inspirados na cama. Logo ela se junta ao grupo, formado por Andr\u00e9, Jorge e Camila, namorada atual de Jorge e simpatizante silenciosa do desgosto de Andr\u00e9 pela espeleologia. Valter \u00e9 o \u00faltimo a descer.<\/p>\n<p><strong>JOANA:<\/strong> Vamos logo!<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> Calma, J\u00f4, eu tamb\u00e9m estou empolgado, mas essa \u00e9 a primeira vez que entramos nessa caverna.<br \/>\n<strong>VALTER:<\/strong> Estou achando que \u00e9 a primeira vez que qualquer pessoa entra aqui&#8230;<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Deve ser porque \u00e9 muito longe&#8230; de tudo.<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Se acharem um par de botas, o meu amigo Judas est\u00e1 procurando.<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> Se n\u00e3o queriam vir, tinham que ter avisado antes.<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Calma, Jorginho! Eles est\u00e3o s\u00f3 brincando. Pra onde agora?<\/p>\n<p>Valter e Jorge se dividem e seguem para sentidos opostos, alguns minutos depois, os dois retornam.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Se diz Ror\u00e2ima ou Ror\u00e1ima?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Sei l\u00e1&#8230;<br \/>\n<strong>VALTER:<\/strong> Pra l\u00e1 n\u00e3o tem sa\u00edda.<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Que pena! Bom, podemos voltar ent\u00e3o e&#8230;<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> Sem volta, Prego. Praquele lado tem uma galeria iraaaada!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Isso! *empolgada* E n\u00e3o chama ele de&#8230;<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> T\u00e1, t\u00e1&#8230; Vamos!<\/p>\n<p>Sem alternativas, Andr\u00e9 e o resto do grupo avan\u00e7am por uma s\u00e9rie de t\u00faneis, cada vez mais apertados e cada vez mais cheios de \u00e1gua gelada. Jorge e Joana tomam a dianteira e parecem encantados com as forma\u00e7\u00f5es no caminho. Valter fica encarregado de estender a corda de seguran\u00e7a e mapear o trajeto. No meio do bando, Andr\u00e9 e Camila jogam conversa fora para se distrair das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias da jornada.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> &#8230;n\u00e3o acho Odiss\u00e9ia um filme chato. A frieza e o distanciamento s\u00e3o linguagens.<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Mas se refilmassem, nunca que iam manter aquela sequ\u00eancia final&#8230;<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> S\u00f3 n\u00e3o bato na madeira porque n\u00e3o tem nenhuma \u00e0 vista. Imagina s\u00f3 fazer rema&#8230;<\/p>\n<p>Joana se aproxima dos dois, claramente animada.<\/p>\n<p><strong>JOANA:<\/strong> Voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o acreditar no que o Jorge achou!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> O senso de auto-preserva\u00e7\u00e3o? Finalmente!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> H\u00e3?<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> *risada discreta*<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> N\u00e3o, \u00e9 a coisa mais incr\u00edvel que eu j\u00e1 vi numa caverna!<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Um lugar confort\u00e1vel?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> *segurando o riso*<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Melhor! Vem! Vem logo! Valteeeer! *correndo na frente*<\/p>\n<p>Andr\u00e9, Camila e Valter seguem o caminho at\u00e9 encontrar um alargamento no t\u00fanel. As luzes dos equipamentos de Joana e Jorge indicam que o que quer que tenham encontrado, deveria ser por l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>JORGE:<\/strong> Valter! Olha!<\/p>\n<p>Iluminado pelo capacete de Jorge, uma po\u00e7a d&#8217;\u00e1gua com alguns diminutos peixes totalmente brancos saracoteando por todos os lados. Joana ilumina uma das paredes, onde uma esp\u00e9cie de centop\u00e9ia albina parece paralisada pelo feixe de luz colocado sobre ela.<\/p>\n<p><strong>JOANA:<\/strong> N\u00f3s devemos ser as primeiras pessoas a verem esses bichos!<\/p>\n<p>Camila d\u00e1 um passo para tr\u00e1s, fei\u00e7\u00e3o incomodada pelo ser despigmentado. Andr\u00e9 esbo\u00e7a um sorriso amarelo, tentando demonstrar empatia para a namorada.<\/p>\n<p><strong>JORGE:<\/strong> E fica melhor! Por l\u00e1 *iluminando uma entrada* tem mais um monte de galerias com mais desses bichos. Sorte grande, vamos passar a noite toda por aqui!<\/p>\n<p>Joana sorri empolgada para Andr\u00e9, agora com mais dificuldade de mimetizar a express\u00e3o dela. Camila, resignada, suspira e vai em dire\u00e7\u00e3o a Jorge.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Poxa, que legal! *se aproximando de Joana*<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> CUIDADO COM O BICHO!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> H\u00e3? *escorregando*<\/p>\n<p>Andr\u00e9 se estabaca no ch\u00e3o molhado, s\u00f3 escapando de quebrar a cabe\u00e7a numa pedra afiada por causa do capacete. Suas roupas ficam encharcadas e enlameadas, o bra\u00e7o esquerdo, que amortecera a queda, come\u00e7a a acusar os resultados do impacto.<\/p>\n<p><strong>JORGE:<\/strong> Hahahahaha! Cai um Prego no ch\u00e3o, cuidado pra n\u00e3o pisar!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> N\u00e3o chama ele de Prego!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> &#8230; *perdendo a cabe\u00e7a* Sabe do que mais? Me chamar de Prego \u00e9 o menor dos problemas nessa&#8230; MERDA de caverna! Essa porra \u00e9 t\u00e3o longe que nem os \u00edndios sabiam direito como chegar! E aqui dentro? Grandes coisas! \u00c9 igual a todas as porcarias de cavernas que eu j\u00e1 tive o desprazer de entrar desde que come\u00e7amos a namorar. Eu ODEIO essa caverna! Eu odeio todas as malditas cavernas desse mundo!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Eu n\u00e3o sabia&#8230;<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Claro que n\u00e3o! Voc\u00ea n\u00e3o percebe mais nada nessa vida! Est\u00e1 mais preocupada com essas pedras do que com o namorado. Voc\u00ea me fez escorregar aqui para que eu n\u00e3o pisasse numa BOSTA de um inseto!<br \/>\n<strong>VALTER:<\/strong> Centop\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 inseto.<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> FODA-SE! Foda-se essa caverna! Fodam-se esses peixinhos&#8230; *levantando* Foda-se essa merda de centop\u00e9ia! *chutando a parede e esmagando o ser*<br \/>\n<strong>TODOS:<\/strong> &#8230;<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> O qu\u00ea?<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Atr\u00e1s de voc\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Andr\u00e9 se volta para a parede que acabara de chutar. No lugar onde seu p\u00e9 acertou a rocha, se formou uma pequena rachadura que come\u00e7ava a crescer. Pelas frestas, come\u00e7a a escapar um facho de luz. Ao perceber que algumas pedras come\u00e7avam a se soltar, Andr\u00e9 se afasta. A parede de rocha se desfaz numa abertura para outro lado da galeria, iluminado.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Que porra \u00e9 essa?<\/p>\n<p>Jorge \u00e9 o primeiro a se destacar do grupo e explorar a passagem. A ilumina\u00e7\u00e3o poderosa emanando de l\u00e1 engolfa todo o corpo dele alguns metros na frente. Joana n\u00e3o tarda a seguir. Valter \u00e9 o pr\u00f3ximo. Andr\u00e9 e Camila se entreolham, num acordo impl\u00edcito de que a curiosidade vence o medo num caso desses. Assim que atravessam, encontra o resto do grupo est\u00e1tico, olhando para o que parecia ser uma gigantesca e longa galeria cujas paredes eram formadas por cristais emanando luz pr\u00f3pria, das mais diversas cores e formatos.<\/p>\n<p>Alguns metros \u00e0 frente, no ch\u00e3o, o que parece ser uma extensa linha de trem cujo come\u00e7o e fim desembocam em t\u00faneis distantes.<\/p>\n<p><strong>VALTER:<\/strong> Mesmo que estiv\u00e9ssemos numa \u00e1rea habitada e n\u00e3o no meio do nada, isso nem parece com um t\u00fanel de metr\u00f4.<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> O povo das cavernas!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Povo das cavernas?<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> N\u00e3o d\u00e1 corda&#8230;<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> Vai duvidar agora? Quem mais construiria isso aqui? Aqui?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> \u00c9 tipo aqueles seres peludos que dizem que moram no subterr\u00e2neo?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Se eles fossem peludos, voc\u00ea j\u00e1 saberia, meu amor.<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> H\u00e3?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Voc\u00ea j\u00e1 cansou de ver um deles pelado.<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> H\u00c3?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Vai dizer que ningu\u00e9m estranhou que eu soubesse como achar a caverna no meio de uma floresta fechada?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Eu achei que era o GPS&#8230;<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> Pera\u00ed! Voc\u00ea \u00e9 do povo das cavernas?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> E eu trouxe voc\u00eas aqui por um motivo.<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Est\u00e3o escutando?<\/p>\n<p>O som caracter\u00edstico de um trem come\u00e7a a se aproximar por um dos t\u00faneis. Antes mesmo de qualquer rea\u00e7\u00e3o ser esbo\u00e7ada, uma locomotiva com visual antigo, puxando um \u00fanico vag\u00e3o, cruza a boca do t\u00fanel em alta velocidade, apenas para come\u00e7ar um barulhento processo de frenagem.<\/p>\n<p><strong>JOANA:<\/strong> Voc\u00eas tem a chance \u00fanica de se unirem ao povo das cavernas e vivenciarem as maravilhas de nossas civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A locomotiva finalmente para. Joana se dirige at\u00e9 o vag\u00e3o de passageiros.<\/p>\n<p><strong>JOANA:<\/strong> Essa viagem n\u00e3o tem volta. Voc\u00eas podem escolher me acompanhar agora ou voltar por onde vieram. Mas eu aviso: Esta caverna n\u00e3o estar\u00e1 aqui quando voc\u00eas voltarem.<\/p>\n<p>Jorge \u00e9 o primeiro a entrar, Valter o segue. Camila e Andr\u00e9 parecem mais receosos. Joana encara Andr\u00e9 de forma inquisitiva.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> E no seu&#8230; reino&#8230; \u00e9 mais um monte de cavernas?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Milhares e milhares de quil\u00f4metros. Habitados por seres que nenhum humano jamais viu.<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Acorda&#8230; acorda&#8230; acorda&#8230;<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Hein?<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Sei l\u00e1, vai que funciona?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Voc\u00eas tem cinema por l\u00e1?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> N\u00e3o.<br \/>\n<strong>JORGE:<\/strong> Prego, larga de ser prego e se decide de uma vez!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Internet?<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> &#8230;<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> N\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, sabe? Sou eu. N\u00e3o teria dado certo entre a gente mesmo e&#8230;<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Voc\u00ea est\u00e1 terminando comigo?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Olha, do jeito que eu vejo, voc\u00ea escondeu uma informa\u00e7\u00e3o essencial de mim na nossa rela\u00e7\u00e3o. Se eu n\u00e3o fosse humano, eu te contaria&#8230; N\u00e3o faz sentido? *olhando para Camila*<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> Voc\u00ea est\u00e1 terminando com a senhora do subterr\u00e2neo?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Ah l\u00e1! Tamb\u00e9m n\u00e3o disse que era rainha de um povo! Cad\u00ea a comunica\u00e7\u00e3o? Sem comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem amor que baste!<br \/>\n<strong>JOANA:<\/strong> *express\u00e3o irritada*<\/p>\n<p>O ch\u00e3o come\u00e7a a tremer.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Mas n\u00f3s ainda podemos ser amigos&#8230;.<\/p>\n<p>Camila d\u00e1 um tapa na pr\u00f3pria testa. Os tremores se intensificam.<\/p>\n<p><strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Eu&#8230; te escrevo&#8230; a gente n\u00e3o precisa perder o contato&#8230; se bem que eu n\u00e3o sei se o correio chega at\u00e9 aqui, n\u00e9? Hehe&#8230; Mas voc\u00ea sabe onde eu moro, quem sabe um dia o seu povo&#8230; n\u00e3o constr\u00f3i uma esta\u00e7\u00e3o perto de algum metr\u00f4 que eu pego e&#8230;<\/p>\n<p>V\u00e1rios cristais das paredes e do teto come\u00e7am a quebrar e cair.<\/p>\n<p><strong>CAMILA:<\/strong> Cala a boca e corre!<\/p>\n<p>Andr\u00e9 e Camila come\u00e7am a voltar pela caverna, seguindo a corda deixada por Valter. Podem ouvir ao fundo o som de rochas e cristais desmoronando. Depois de um dia de caminhada pela floresta, os dois encontram a aldeia ind\u00edgena onde os carros do grupo ficaram. A proximidade e as circunst\u00e2ncias explicitam a atra\u00e7\u00e3o que um sentia pelo outro, mas que nunca havia sido demonstrada na presen\u00e7a de seus ex-namorados.<\/p>\n<p>Logo na volta para a cidade, uma surpresa: Circunst\u00e2ncias obscuras fazem todo o pr\u00e9dio onde Andr\u00e9 tinha seu apartamento ter suas funda\u00e7\u00f5es abaladas ao ponto de ser interditado por tempo indeterminado. Camila oferece sua casa como estadia para ambos. Andr\u00e9 aceita. No t\u00e1xi que o casal divide:<\/p>\n<p><strong>CAMILA:<\/strong> Acho que foi um sinal para n\u00f3s dois.<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Pois \u00e9&#8230; caverna nunca mais!<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> Nem me diga. Agora n\u00f3s podemos fazer coisas que tem mais a nossa cara!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Alguma sugest\u00e3o? *sorriso maroto*<\/p>\n<p>Alguns dias depois:<\/p>\n<p><strong>CAMILA:<\/strong> O que aconteceu, Paul\u00e3o?<br \/>\n<strong>PAUL\u00c3O:<\/strong> O Prego n\u00e3o quer ir!<br \/>\n<strong>CAMILA:<\/strong> N\u00e3o chama ele de Prego!<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> Tudo bem&#8230; tudo bem&#8230;<br \/>\n<strong>PAUL\u00c3O:<\/strong> Eu n\u00e3o vim aqui para desistir por sua causa! Vai por bem ou vai por&#8230;<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!<\/p>\n<p>Andr\u00e9 s\u00f3 abre os olhos quando sente o ch\u00e3o sob os p\u00e9s novamente. Camila chega logo depois.<\/p>\n<p><strong>CAMILA:<\/strong> E a\u00ed, pular de paraquedas n\u00e3o \u00e9 a coisa mais incr\u00edvel do mundo?<br \/>\n<strong>ANDR\u00c9:<\/strong> A-a-a-do&#8230; adorei! *sorriso amarelo*<\/p>\n<p><strong>Moral da hist\u00f3ria:<\/strong> <em>N\u00e3o seja um Prego.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>FIM<\/strong><\/span><\/p>\n<h3>Para dizer que adorou o elemento fant\u00e1stico desnecess\u00e1rio, para dizer que odiou o elemento fant\u00e1stico desnecess\u00e1rio, ou mesmo para me chamar de Prego: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 come\u00e7ava a considerar as vantagens de namorar Joana. Por um lado, ela era definitivamente a mulher mais atraente que jamais dera aten\u00e7\u00e3o a ele. Por outro, sua ideia de divers\u00e3o n\u00e3o se traduzia muito bem para seus gostos. JOANA: E a\u00ed, vai ou n\u00e3o vai? 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