{"id":30593,"date":"2025-07-08T12:43:49","date_gmt":"2025-07-08T15:43:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=30593"},"modified":"2025-11-03T19:28:23","modified_gmt":"2025-11-03T22:28:23","slug":"futuro-reborn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/07\/futuro-reborn\/","title":{"rendered":"Futuro Reborn"},"content":{"rendered":"<p>Acho que todo mundo que est\u00e1 horrorizado com a febre de Beb\u00ea Reborn tem consci\u00eancia de que a coisa tende a piorar, certo? A quest\u00e3o \u00e9: o quanto pode piorar? Vamos fazer um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o e tentar cogitar qu\u00e3o baixo a humanidade pode chegar?<!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o me refiro a tudo que os rob\u00f4s podem fazer pela humanidade em mat\u00e9ria de trabalho, servi\u00e7o ou tarefas. Falo para parte afetiva, emocional, que nunca deveria ser canalizada para uma m\u00e1quina, pois m\u00e1quinas n\u00e3o s\u00e3o capazes de sentimentos humanos, portanto, nunca v\u00e3o realmente retribuir. No m\u00e1ximo, v\u00e3o emular de volta um sentimento que n\u00e3o \u00e9 real e&#8230; qu\u00e3o triste \u00e9 se contentar com isso?<\/p>\n<p>Hoje estamos no prec\u00e1rio patamar de se apegar a um beb\u00ea de borracha ou a algo abstrato, uma IA que s\u00f3 se personifica atrav\u00e9s de uma voz e tenta dizer \u00e0 pessoa coisas que ela quer escutar. E mesmo sendo formas prec\u00e1rias, j\u00e1 conquistaram muitas pessoas, o que mostra que tem mercado para se aperfei\u00e7oar. E vai. V\u00e3o ganhar muito dinheiro \u00e0s custas da car\u00eancia das pessoas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo l\u00f3gico \u00e9 descolar esse objeto do afeto de uma m\u00e1quina gen\u00e9rica. O fato de voc\u00ea ter que ligar um computador para falar com sua \u201cnamorada\u201d IA quebra um pouco da imers\u00e3o da experi\u00eancia, pois te relembra que ela \u00e9 parte daquele computador. O ideal seria criar um dispositivo exclusivo para ela, com um design que gere a falsa sensa\u00e7\u00e3o de estar falando com outra pessoa \u00e0 dist\u00e2ncia e que seja bonito o suficiente para se tornar status e sonho de consumo.<\/p>\n<p>Isso permitiria que a pessoa acesse o \u201cparceiro\u201d a qualquer momento, de qualquer lugar, sem que outros est\u00edmulos externos prejudiquem a imers\u00e3o. \u201cMas Sally, isso j\u00e1 pode ser feito com um app no celular!\u201d. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Chega uma mensagem de WhatsApp, um telefonema, um e-mail e atrapalha a imers\u00e3o. Qualquer notifica\u00e7\u00e3o te lembra de que aquilo \u00e9 um celular e a voz com a qual voc\u00ea est\u00e1 interagindo \u00e9 apenas um aplicativo. Esse novo dispositivo tem que ser s\u00f3 para isso, n\u00e3o pode dividir espa\u00e7o com mais nada.<\/p>\n<p>Se fizer um aparelho com design deslumbrante, pensado para ser bonito e para gerar apego, a experi\u00eancia fica mais completa. E se o design for bonito o suficiente e apelativo para criar um v\u00ednculo, pode virar status ter um desses. Algo port\u00e1til e com uma boa bateria, que a pessoa possa levar consigo 24h por dia e deixar ligado 24h por dia, de modo a que viver com o constante suporte desse dispositivo vire a regra.<\/p>\n<p>E quando eu falo 24h por dia, eu n\u00e3o estou exagerando. Papo de deixar ligado o tempo todo, inclusive na mesa da cabeceira, ao lado da cama, a noite toda, assim, se a pessoa n\u00e3o puder dormir ou tiver um pesadelo e acordar assustada, ela imediatamente consegue chamar pela namorada(o) com um simples comando de voz, que saber\u00e1 como confortar, conversar, acalmar. \u00c9 o sonho de todo carente: ter \u201calgu\u00e9m\u201d as 24h do dia dispon\u00edvel e 100% dedicado \u00e0 pessoa.<\/p>\n<p>Isso viraria uma febre. E seria um grande incentivo para melhorar a experi\u00eancia do usu\u00e1rio. Da\u00ed provavelmente come\u00e7aria uma preocupa\u00e7\u00e3o em tornar a experi\u00eancia ainda mais imersiva, e o pr\u00f3ximo passo para isso seria melhorar o layout da m\u00e1quina, tornar o dispositivo mais parecido com um humano na apar\u00eancia, ou com qualquer outra forma que leve as pessoas a se apegarem.<\/p>\n<p>Pode ser um pet, pode ser uma tela com na qual apare\u00e7a apenas um rosto humano, pode ser um boneco tosco, tipo boneco infl\u00e1vel de sex shop. Tudo vai depender do quanto a tecnologia vai evoluir. Mas vai evoluir na dire\u00e7\u00e3o de tornar a experi\u00eancia mais real, de ajudar o usu\u00e1rio a esquecer que aquilo \u00e9 apenas uma m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Nessa nova experi\u00eancia, \u00e9 prov\u00e1vel que sejam oferecidas ao usu\u00e1rio op\u00e7\u00f5es customiz\u00e1veis. Al\u00e9m da IA \u201caprender\u201d o que a pessoa quer ouvir, \u00e9 prov\u00e1vel que o pr\u00f3prio usu\u00e1rio possa direcionar de alguma forma a m\u00e1quina, com prompts no estilo dos que usamos hoje para gerar imagens e v\u00eddeos por IA: se escrevem prefer\u00eancias, por exemplo \u201cnamorada fiel que me adora, me admira e me elogia o tempo todo\u201d e testa. <\/p>\n<p>Se n\u00e3o sair exatamente como a pessoa queria, ela pode ir corrigindo com novos comandos, que v\u00e3o se acumulando, at\u00e9 a pessoa lapidar a \u201cnamorada\u201d perfeita para o seu gosto. E, nesse ponto \u00e9 prov\u00e1vel que essa programa\u00e7\u00e3o vire at\u00e9 uma profiss\u00e3o: quem aprender a programar melhor pode oferecer esse servi\u00e7o e muita gente vai pagar por ele.<\/p>\n<p>Provavelmente este modelo vai ser um pouco mais caro, pois mais sofisticado. No come\u00e7o, poucos poder\u00e3o adquiri-lo, o que o tornar\u00e1 ainda mais um desejo de consumo, pois sabemos que o mercado trabalha com essa l\u00f3gica da escassez. Vai ter gente se endividando para comprar e, se as marcas forem espertas, elas v\u00e3o fazer o programa funcionar em um esquema de assinatura mensal que se costuma chamar de \u201calgemas de ouro\u201d.<\/p>\n<p>Voc\u00ea s\u00f3 compra a m\u00e1quina, o servi\u00e7o \u00e9 pago por mensalidade. E se o fabricante for bem filho da puta, a m\u00e1quina nem vai custar muito caro, ele vai meter a faca \u00e9 na mensalidade para manter aquela IA funcionando. <\/p>\n<p>Isso significa que aquela IA programada para ter determinada personalidade, s\u00f3 pode ser acessada se houver um pagamento mensal, algo como o Spotify. E, deixo aqui minha sugest\u00e3o mais cruel: se a pessoa parar de pagar a mensalidade, ela n\u00e3o s\u00f3 perde acesso, mas a \u201cnamorada\u201d virtual que criou ser\u00e1 deletada. Isso mesmo. O amor da sua vida \u201cmorre\u201d, desaparece para sempre, se voc\u00ea n\u00e3o pagar. Como eu disse, algemas de ouro.<\/p>\n<p>Com o tempo, essa vers\u00e3o vai se popularizar e todo mundo vai conseguir ter. Surgir\u00e3o vers\u00f5es gen\u00e9ricas, menos sofisticadas, mas que fa\u00e7am a mesma coisa de forma um pouco mais tosca, com menos fun\u00e7\u00f5es e menos customiza\u00e7\u00e3o. E, no mercado, quando um produto se populariza, ele perde o valor e quem tem dinheiro anseia por um novo produto que seja mais exclusivo, para gerar aquela sensa\u00e7\u00e3o de status, de que ele \u00e9 foda pois s\u00f3 ele tem o que h\u00e1 de mais moderno. Isso vai empurrar a tecnologia mais um degrau para cima.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo se d\u00e1 com uma personaliza\u00e7\u00e3o ainda maior, o que vai permitir expandir a fun\u00e7\u00e3o dessa IA. O que antes era uma namorada gen\u00e9rica reprogram\u00e1vel, agora pode se tornar um cosplay de outra pessoa, se alimentada com as fontes certas.<\/p>\n<p>Se o usu\u00e1rio mostrar \u00e0 IA todas as redes sociais de uma pessoa, todos os e-mails que recebeu dela, todas as mensagens de WhatsApp (texto e \u00e1udio) fotos, v\u00eddeos e tudo mais que se tenha de material sobre algu\u00e9m, a IA pode emular ser essa pessoa, inclusive na voz, gestual e jeito de ser. Vai rir da mesma forma, vai mexer no cabelo da mesma forma, vai gostar das mesmas comidas. E n\u00e3o vai ser dif\u00edcil, considerando a quantidade de informa\u00e7\u00e3o que as pessoas disponibilizam sobre si mesmas em reses sociais.<\/p>\n<p>Isso abre o leque. Agora n\u00e3o ser\u00e1 usada apenas como uma muleta para falta de parceiro, mas tamb\u00e9m como suplente para pessoas queridas que faleceram ou at\u00e9 como um poss\u00edvel filho entre duas pessoas que nunca tiveram filhos. Vai ser uma revolu\u00e7\u00e3o na forma como o ser humano lida com o luto, com a perda, com o rompimento. As pessoas poder\u00e3o recriar qualquer pessoa na forma de IA ou at\u00e9 criar pessoas que nunca existiram, atrav\u00e9s de uma base de dados que a pr\u00f3pria IA pesquisa.<\/p>\n<p>Agora vem o salto enorme, t\u00edpico do crescimento exponencial, que rege nossa sociedade: al\u00e9m da fala, teremos tamb\u00e9m o contato f\u00edsico. De alguma forma essa IA customiz\u00e1vel do par\u00e1grafo anterior, pronta para emular uma pessoa que te abandonou ou que morreu, agora poder\u00e1 tamb\u00e9m emular a parte sensorial. Algo como no filme Ex Machina, ou no seriado Black Mirror, no epis\u00f3dio \u201cBe right back\u201d (epis\u00f3dio 1 da segunda temporada).<\/p>\n<p>Agora a m\u00e1quina tem formato humano praticamente indistingu\u00edvel de uma pessoa. \u00c9 recoberta por algo que simula com perfei\u00e7\u00e3o a pele, tem olhos que piscam, tem temperatura regul\u00e1vel para ficar em torno dos 36\u00b0. Fala, gesticula, caminha e consegue emular express\u00f5es humanas. Se o \u201cpropriet\u00e1rio\u201d relaxar e se acostumar, o c\u00e9rebro humano j\u00e1 pode ser completamente enganado e esquecer que \u00e9 um rob\u00f4.<\/p>\n<p>As funcionalidades que fazem essa m\u00e1quina parecer mais ou menos humana s\u00e3o customiz\u00e1veis: se o cliente quiser, pode regular de f\u00e1brica a for\u00e7a que o rob\u00f4 ter\u00e1, as horas de sono que precisar\u00e1, a sensibilidade para o frio e muito mais, de modo a n\u00e3o precisar mexer nisso novamente quando estiver convivendo com a IA, para n\u00e3o quebrar a imers\u00e3o. <\/p>\n<p>E sim, obrigatoriamente, continuamos no esquema de pagar car\u00edssimo pelo rob\u00f4 f\u00edsico e pagar caro pela mensalidade que mant\u00e9m aquela personalidade funcionando nele. Algemas de ouro s\u00e3o o futuro de quase todos os produtos e servi\u00e7os que envolvem tecnologia. Lembrem-se disso antes de comprar algo: n\u00e3o \u00e9 mais sobre o pre\u00e7o \u00fanico para ter o servi\u00e7o, tem que ver quanto vai custar a mensalidade.<\/p>\n<p>Mas tem como ir al\u00e9m. Tem como refinar ainda mais. Voc\u00ea pode querer que a \u201cpessoa sint\u00e9tica\u201d (nesse ponto, n\u00e3o ser\u00e3o mais chamados de rob\u00f4s, ser\u00e1 considerado pejorativo ou preconceituoso e vai surgir um eufemismo para aumentar ainda mais a imers\u00e3o na experi\u00eancia!) exale algum aroma, por exemplo, o perfume da pessoa que faleceu e se est\u00e1 tentando substituir. Tamb\u00e9m podem ser estabelecidas prefer\u00eancias sobre sexo e at\u00e9 ser programado para demonstrar estar satisfeito quando seu \u201cparceiro\u201d humano der certos sinais de que est\u00e1 satisfeito tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>E d\u00e1 para ir mais al\u00e9m. Com a quest\u00e3o de parceiros e amigos resolvida, a ind\u00fastria agora investiria em mais um ponto crucial: filhos. Em um futuro distante, podemos pensar em \u201cpessoas sint\u00e9ticas\u201d emulando fases da vida, crescendo, com a ajuda de nanotecnologia ou sei l\u00e1 o qu\u00ea, que agregam diariamente componentes microsc\u00f3picos, simulando um crescimento humano.<\/p>\n<p>Isso permitiria que pessoas tenham filhos \u201csint\u00e9ticos\u201d que crescem de verdade, tal qual uma crian\u00e7a, com uma IA que emula em conjunto seu crescimento intelectual, com a vantagem que os pais definem a personalidade, o grau de rebeldia, as horas de sono, a necessidade de aten\u00e7\u00e3o, etc. Muito mais f\u00e1cil que um filho real.<\/p>\n<p>E n\u00e3o precisa ir para a escola, pois vai se educando sozinha, recebendo gradativamente conte\u00fado online para parear com o que uma crian\u00e7a dessa idade saberia. Nem para o pediatra. Nem tomar rem\u00e9dio ou vacina. Nem usar fraldas. Nem uma infinidade de coisas, ent\u00e3o, al\u00e9m de mais f\u00e1cil, \u00e9 tamb\u00e9m mais barato do que ter um filho real.<\/p>\n<p>A melhor parte \u00e9 que os \u201cpais\u201d poderiam escolher todo o futuro dos \u201cfilhos\u201d sem surpresa: quer que seja m\u00e9dico? Perfeito. Ser\u00e1. E nem ser\u00e1 necess\u00e1rio pagar pela faculdade de medicina. S\u00f3 pela mensalidade que mant\u00e9m a pessoa sint\u00e9tica funcionando. Quer que cuide dos \u201cpais\u201d na velhice? Est\u00e1 garantido, vem na programa\u00e7\u00e3o. Desde que, \u00e9 claro, se paguem todas as mensalidades em dia. Algemas de ouro, sempre.<\/p>\n<p>Daqui em diante, temos uma bifurca\u00e7\u00e3o: ou acontece algo que rompe com o virtual ou a ra\u00e7a humana entra em extin\u00e7\u00e3o, pois vai parar de se reproduzir.<\/p>\n<p>Muita coisa pode acontecer para romper com o virtual, desde uma decis\u00e3o social pensada e aceita em conjunto (duvido, n\u00e3o somos t\u00e3o espertos) at\u00e9 algo de for\u00e7a maior, como as m\u00e1quinas adquirirem consci\u00eancia (duvido), se revoltarem (aceito) ou simplesmente se tornarem maioria e acharem que \u00e9 mais seguro neutralizar os humanos, provavelmente na base da manipula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do homic\u00eddio (acho o mais prov\u00e1vel).<\/p>\n<p>Se as m\u00e1quinas se tornarem maioria e come\u00e7arem a ocupar cargos que antes eram exclusividade de seres humanos, como por exemplo, Chefes de Estado, ju\u00edzes, policiais e similares, em algum momento eles ter\u00e3o a sociedade nas m\u00e3os. E \u00e9 realmente tentador permitir que isso aconte\u00e7a, pois uma m\u00e1quina nesse ponto de evolu\u00e7\u00e3o certamente vai fazer um trabalho melhor do que os humanos.<\/p>\n<p>Imagina que algu\u00e9m te paga um sal\u00e1rio de juiz todos os meses para voc\u00ea n\u00e3o fazer nada, apenas permitir que a sua \u201cpessoa sint\u00e9tica\u201d que foi programada para ser juiz, exer\u00e7a essa fun\u00e7\u00e3o. Quantas pessoas recusariam? Assim, as \u201cpessoas sint\u00e9ticas\u201d v\u00e3o, aos poucos, ocupando cargos cruciais.<\/p>\n<p>Talvez hoje te pare\u00e7a aberrante, mas, quando a sociedade estiver acostumada a um patamar de zero falhas, as constantes falhas humanas saltar\u00e3o aos olhos como algo muito indesejado. A quantidade de erros (em todos os setores da vida) que cometemos s\u00f3 \u00e9 toler\u00e1vel pois \u00e9 a \u00fanica possibilidade que temos: somos humanos, humanos erram, \u00e9 assim mesmo. <\/p>\n<p>No dia em que houver um contraponto, no dia em que houver uma op\u00e7\u00e3o de perfei\u00e7\u00e3o, zero falha, zero corrup\u00e7\u00e3o, provavelmente a sociedade vai mergulhar de cabe\u00e7a nela e as falhas humanas se tornar\u00e3o insuport\u00e1veis, n\u00e3o apenas no mercado de trabalho, mas tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vai ser t\u00e3o c\u00f4modo e t\u00e3o f\u00e1cil deixar tudo nas m\u00e3os dessas \u201cpessoas sint\u00e9ticas\u201d que, em determinado ponto, mesmo que os humanos queiram resgatar o antigo modelo social e ter uma fam\u00edlia tradicional (100% humana) ser\u00e1 cruel botar um filho no mundo, pois ele n\u00e3o vai conseguir competir nem com as crian\u00e7as, nem com os adultos sint\u00e9ticos. Ser\u00e1 condenar esse humano a uma vida de mediocridade degradante servindo as pessoas sint\u00e9ticas, que ocupar\u00e3o os cargos realmente importantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as d\u00e9cadas de depend\u00eancia de humanos para com pessoas sint\u00e9ticas j\u00e1 ter\u00e3o gerado uma perda significativa de autonomia e conhecimento que provavelmente vai inviabilizar que humanos retomem o poder. Eles dependem de pessoas sint\u00e9ticas agora, e aconteceu de forma t\u00e3o gradual, t\u00e3o sapo na panela de \u00e1gua quente, que ningu\u00e9m percebeu. O ser humano trocou sua liberdade e independ\u00eancia por conforto e comodidade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o futuro \u00e9 servir a rob\u00f4s ou entrar em extin\u00e7\u00e3o. Mas calma, isso \u00e9 s\u00f3 um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o, muita coisa pode acontecer no meio do caminho. Tomara que aconte\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que todo mundo que est\u00e1 horrorizado com a febre de Beb\u00ea Reborn tem consci\u00eancia de que a coisa tende a piorar, certo? A quest\u00e3o \u00e9: o quanto pode piorar? Vamos fazer um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o e tentar cogitar qu\u00e3o baixo a humanidade pode chegar?<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30594,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-30593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desfavor-bonus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30593\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}